A arte de viver...
03/08/2018 | 12h43
 
O ser humano é o único que pode, conscientemente, escolher o direcionamento das suas ações, tornando claras as intenções de sua essência interior e, através de suas atitudes, demonstrar o valor de suas palavras, o poder de seus pensamentos e o calor de seus sentimentos em tudo o que realiza.
Diferente do que muitas pessoas pensam, não basta apenas ter bens para usufruir, ou uma vida social e profissional bem sucedida. É preciso que você faça sua parte, buscando o auto conhecimento e a positividade em seus atos, e o sucesso torna-se conseqüência natural de tudo que se procura fazer com perfeição e com amor. Desta forma, nossos pensamentos, nossos movimentos, nossos planos, tudo em nossa vida são canais por onde o fluxo de energia passa.
Assim, quando realizamos toda e qualquer ação, seja simplesmente pensando, sentindo ou atuando concretamente, conscientes da correta atitude para cada momento, criamos uma abertura para as dimensões mais profundas no nosso Ser, onde temos acesso ao amor e à sabedoria sem limites.
A qualidade presente em nossa consciência quando assumimos atitudes é o que determina o campo vibratório e sensível onde iremos atuar e viver a plenitude de sermos, simultaneamente, humanos e divinos. Todavia, é na busca pela divindade e humanidade que aprendemos a arte de viver, que exige uma caminhada rumo ao nosso interior e o desenvolvimento de uma atitude amorosa para conosco e para com os outros. A atitude amorosa é expressa de infinitas maneiras. É preciso descobrir nosso único e incomparável jeito de amar e amar muito. É fundamental abrirmos o coração para atos simples e amorosos de serviço às pessoas, aos animais, às plantas, enfim, a toda a Natureza. Quanto mais aprendemos a amar e a aprovar o nosso Ser, a partir de uma consciência de auto-aceitação, mais prazerosas serão as nossas atitudes na vida. O prazer torna-se consciente em cada ato, em cada gesto, quando reconhecemos que o amor e o respeito que podemos sentir por nós mesmos e pelos outros está sempre disponível na dimensão da Alma. No entanto, ao vivenciar essa atitude amorosa é essencial ter os dois pés no chão e estar aberto para viver experiências significativas. E sempre se lembrar de que o AMOR começa no interior de nossa alma. O amor é um sentimento que faz parte da "felicidade democrática", aquela que é acessível a todos nós. É democrática a felicidade que deriva de nos sentirmos pessoas boas, corajosas e ousadas. Já a "felicidade aristocrática" deriva de sensações de prazer possíveis apenas para poucos: riqueza material, fama, beleza extraordinária. Felicidade aristocrática está relacionada à vaidade e é geradora, inevitável, de violência, em virtude da inveja que a grande maioria sentirá da ínfima minoria.
É difícil definir felicidade, mas pode-se, de modo simplificado, dizer que uma pessoa é feliz quando é capaz de usufruir sem grande culpa os momentos de prazer e de aceitar com serenidade as inevitáveis fases de sofrimento. É impossível nos sentirmos felizes o tempo todo, mas os períodos de felicidade correspondem à sensação de que nada nos falta, de que o tempo poderia parar naquele ponto do filme da vida. A vida pode e deve ser melhor e mais prazerosa, só depende de nós, por isso não podemos permitir que constantes pensamentos e sentimentos negativos tomem conta de nós.A arte de viver consiste na busca e aspiração à felicidade e ao prazer em cada ato presente, não mais acreditando cegamente que você conseguirá ser plenamente feliz (nas férias, quando se aposentar, ao ganhar muito dinheiro). A felicidade está ao nosso alcance sempre, basta desejarmos e nos dispormos a isso.
A arte de viver tem como elemento chave o amor, principalmente o amor próprio! Por isso, ame-se... Pare de se incomodar e se irritar em demasia com pessoas mal-humoradas, com bobagens cotidianas. Procure refletir e compreender possíveis ressentimentos, mágoas, sentimentos negativos. Não se culpe! Busque melhor conhecer e entender a si próprio e a outrem. Renove-se! É necessário parar, pensar, orar! Mesmo diante de agitações e problemas, sossegue a si mesmo. PARE! Imagine, mesmo que por curto tempo, que um rio a correr calmamente, entre algumas pedras, produz um burburinho acolhedor e paz perfeita. No fundo das águas, veja peixes nadando, tranqüilos. Acredite. Dentro de todas as pessoas existe um universo de aptidões que dorme. Qualidades e capacidades que, se fossem postas em atividades, produziriam grandes alegrias e as incitariam a dar valor à vida. O que vemos fora é o que temos por dentro. Precisamos distribuir benefícios, pois eles voltam para nós mesmos, de uma maneira ou de outra. Essa é a lei da vida, a lei de Deus. Reflita. A arte de viver é uma conquista cotidiana da atitude amorosa! Mas é preciso saber que amor não se implora, não se pede, não se espera... Amor se vive ou não. É o amor que fica, que marca as pessoas... Parafraseando Arthur da Távola, o amor... Ah, o amor... O amor quebra barreiras, une, destrói preconceitos, cura doenças... E é certo que quem ama, é muito amado, e vive a vida mais alegremente!!!
Com afeto,
Beth Landim
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É sempre tempo de repensar atitudes...
20/07/2018 | 21h45
Saudade e distância são dois registros que nos suscitam inúmeros questionamentos. Muitas vezes, é na ausência que dimensionamos a imensidão dos espaços ocupados em nossa vida. Família... trabalho... amigos... tudo parece infinitamente maior quando estamos longe. Mas qual será o verdadeiro entendimento que temos a cerca daqueles que tanto nos completam e nos fazem felizes?
Podemos conviver décadas com filhos, pais, parceiros e amigos sem nunca conseguirmos, de fato, uma intensa relação. Muitas vezes isso ocorre pela nossa correria do cotidiano que nos atropela e nos impede de valorar corretamente pessoas, situações e momentos...
Sorrir e chorar junto, gostar da mesma coisa e até mesmo superar, lado a lado, grandes conflitos não significa, necessariamente, alcançar o íntimo do outro e romper as barreiras do individualismo.
Quantos aborrecimentos surgem daí? Alguns mal-entendidos, brigas e mágoas se dão, não porque somos maus ou porque temos a intenção de ferir o outro, mas, exatamente, pelo fato de avaliarmos de forma errada as relações e os sentimentos alheios. Temos sempre a tendência a analisar o outro com o “nosso pensar” e com o “nosso agir”, nos esquecendo muitas vezes que o outro é um ser humano que assim como nós carrega dentro de si valores próprios, dificuldades e temores.
Relacionar-se é uma deliciosa aventura e, ao mesmo tempo, uma fonte imensurável de alegria e risco, pois uma andorinha só não faz verão, e o que seria de nós isolados de todos que nos cercam e caminham lado a lado conosco nesta etapa do caminho?
Em todo mal-entendido reside muito desgaste e sofrimento desnecessário. Por isso, é preciso estar atento àqueles que amamos, aos anseios e necessidades daqueles que nos cercam. Atenção à palavra que devia ter sido pronunciada, mas ficou fechada na garganta e era hora de falar e, sobretudo, ao silêncio que não foi erguido no momento exato quando era momento de calar.
São nos relacionamentos que as personalidades se confrontam, os medos se comunicam e a sutil necessidade de impor, característica inerente ao ser humano, se aflora e se disfarça em zelo e proteção. Se somos todos tão dependentes de amar e receber amor, precisamos lapidar nossas emoções e fixar atitudes que alarguem nossos passos e abram nosso coração em direção ao outro. Somos seres que buscam incessantemente a luz, então temos que buscar com mais intensidade esta ligação com o divino que irá nos inspirar sempre, nos tornando pessoas mais leves, de bem com a vida, sem tantos temores e receios que nos impedem de prosseguir, retardando o nosso progresso.
Partilhar a vida com alguém é a oportunidade divina de enriquecê-la. Sempre vale a pena apostar nos relacionamentos quando entre os pares, sejam eles, filhos, pais, companheiros ou amigos, existe a vontade de descobrir esse outro, tocar sua alma, entender o que deseja, do que precisa, o que pode e o que lhe é possível fazer.
Não há manuais de instrução, guias rápidos ou receitas capazes de aprimorar os relacionamentos humanos. Nem seria preciso. Temos mecanismos, fundamentalmente, mais poderosos: a sinceridade, a abertura, a humildade e, prioritariamente, o amor. Esses mecanismos nos permitem sair de nossas próprias varandas e olhar em torno. Compreender que a existência humana é bem maior que nossas pequenas certezas individuais. Se nos escondemos nelas, perdemos a oportunidade de escutarmos o outro e renovarmos nossos conteúdos. Sequer compreendemos que as inevitáveis perdas podem pesar menos que os possíveis ganhos e elas dependem de nossas atitudes. Viver deve ser a arte de compartilhar e a chance de recriar-se. A vida e, em conseqüência, os relacionamentos, deve ser elaborada e, quantas vezes forem necessárias, recriada.
Ansiando por coisas prontas e procurando, no outro, os modelos exatos das coisas que nos completam, jamais encontraremos a cumplicidade tão necessária nos relacionamentos diários. Admitir a liberdade do outro é tarefa árdua e fundamental para o próprio crescimento. A alma daqueles que amamos será sempre uma terra inexplorada e não-mapeada, mas a humildade e a coragem de habitá-la sempre serão facilitadores desse sinuoso caminho. Erguemos muralhas difíceis de invadir porque, inseguros de nossos potenciais, precisamos usar máscaras. Enquanto isso, impedimos que o outro nos descubra e se aproxime, perdendo um tempo que se chama “presente precioso” e que devemos vivê-lo com plena intensidade.
Seja como for, desejo que a alma daqueles que você ama, seja sempre a busca constante de seu encontro e crescimento pessoal, para que os relacionamentos floresçam e o estreitamento dos laços afetivos sejam instrumentos de reescrita de sua história.
Com afeto,
Beth Landim
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A Tailândia de cada um de nós...
20/07/2018 | 21h40
Uma onda de alivio e de alento invadiu as nossas casas e os nossos corações... O mundo todo parou diante de 13 pessoas dentro de uma caverna... Rezei muito!!! Rezamos todos... Rezei para pedir e para agradecer o resgate do time dos Javalis Selvagens e seu professor da caverna Tham Luang, no norte do país. Mas junto a tudo isso tivemos um grande aprendizado! Em primeiro lugar, temos que contextualizar a cultura. Pois na Tailândia é natural fazer essas expedições nas cavernas.
A partir do desafio que se apresentou, o professor e técnico, bem como todos os meninos, tiveram um controle emocional surpreendente. Ficar 15 dias na escuridão total, na umidade, com pouquíssima alimentação (9 dias sem comer)... é para os FORTES! Utilizavam a meditação, a fé, a unidade do grupo, a sabedoria do professor que não deixou que o grupo desanimasse ou desagregasse.
Chamou-me também muito a atenção, a reação dos pais! Em nenhum momento culparam ou agrediram verbalmente o professor. O que vimos foi apoio, fé, dedicação na espera, controle emocional, para o que nos é mais precioso: Nossos Filhos. Muito interessante também, foi não divulgar o nome das crianças que saíram primeiro e assim sucessivamente. Para não criar mais ansiedade aos pais, os nomes foram divulgados todos juntos... Isso reflete outra coisa, não pensarmos: “No meu pirão primeiro”... Pensarmos que a minha dor é a sua dor... e desta forma, o alívio deve ser conjunto, assim como o sofrimento... SOLIDARIEDADE. O povo tailandês se comportou como se os meninos fossem da sua família, na verdade esse pensamento positivo invadiu a todos nós com muito afeto. A energia positiva do mundo todo fez a diferença neste resgate...
Não podemos nos esquecer dos mergulhadores, que sabiam do grande desafio e que não fugiram dele... Não podemos nunca nos acovardar!! Dedicados, profissionais, mas sobre tudo afetuosos, sabedores de sua responsabilidade nesta missão tão delicada e cheia de intempéries! Não podemos nos esquecer jamais de Saman Kunan, de 38 anos, levou suprimentos para o grupo de 13 pessoas, mas ficou sem oxigênio quando retornava para a entrada da caverna Tham Luang e acabou morrendo. Destacamos, ainda, o desprendimento também do médico e de dois membros da marinha que ficaram o tempo inteiro na caverna acompanhando o resgate, dando um apoio imprescindível.
Junto a tudo isso, estavam as orações do mundo inteiro!! E quando nos unimos em oração, independente do resultado, nos fortalecemos para enfrentar a instabilidade que a vida nos reserva! A expressão “Hooyah”, herdada da Marinha americana e que visa elevar o moral... proliferava nas redes sociais tailandesas... “Missão cumprida!”!!! Questões culturais, relacionadas ao respeito, explicam essa decisão. Rachapol Ngamgrabuan, governador da província Chiang Rai e coordenador do esforço de resgate, não escondeu a emoção com o sucesso da operação.
Sou uma pessoa que gosta de pensar e AGIR na vida, nos acontecimentos e trazer a reflexão para o meu mundo, e fiquei pensando: Quantas cavernas entramos ao longo de nossa história?! E de quantas conseguimos sair... Somos capazes de manter este equilíbrio emocional? Às vezes, a caverna não sai de nós! Estamos no escuro e não nos permitimos encontrar a luz... Existe também a possibilidade de sabermos os caminhos, mas não termos resistência para lutar... Porém, quando estamos no “fundo do poço”, na caverna ou na escuridão, penso que em primeiro lugar temos que ter fé! Fé em Deus, fé em nós, fé na vida, que vale a pena ser vencida! E depois muito amor por nós mesmos, e pelos que nos amam verdadeiramente.
Dizem que quem canta, seus males espanta! Cantarolar internamente é um dos meus insights, para não entrar na caverna! Outra coisa é passar na minha mente, meus momentos maravilhosos, que se eternizaram em meu coração... Os passo e repasso... todos os dias... pois me alimentam, me dão esperança, me tornam forte para as intempéries da vida! São meus... vividos... tenho a certeza da força que os senti... Significam AMOR...
E o amor, esteve presente em todo este resgate! O amor do mundo, dos Tailandeses, de todos que de uma forma ou de outra estiveram dentro da caverna com os Javalis Selvagens! Penso, que mais do que o resgate de vidas tivemos mais uma prova de que o mundo pode ser melhor! Precisamos de tão pouco... Mas o amor é o oxigênio da vida!
Existe um ditado tailandês que diz: “Evitarás ofender a quem te ajuda pedindo mais do que este lhe dá”. Esta é a resposta para nossas cavernas... Que possamos dar sem querer nada em troca, mas jamais deixemos de dar amor... Mesmo que em doses homeopáticas ou cavalares, cada um sabe o que tem pra dar... E pode sempre melhorar... Que todos nós possamos deixar, nas cavernas por onde passarmos, a expressão da marinha americana “Hooyah”, sempre tendo em mente, que teremos muitas cavernas pela frente. E então, nossas mãos, nossos corações, nossas orações e principalmente o amor um pelo outro, nos levará a luz...
Que a Tailândia de cada um de nós, possa sempre acreditar que, enquanto há vida, vale a pena buscar a felicidade...
Com afeto,
Beth Landim
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A Marca do Amor...
07/07/2018 | 12h17
 Nos conta uma história... Quando eu era criança, bem novinha, meu pai comprou um dos primeiros telefones da vizinhança. Ainda me lembro muito bem daquele aparelho preto e brilhante fixado na parede, perto da escada. Eu era muito pequeno para alcançar o telefone, mas ouvia fascinado quando minha mãe o utilizava para falar com alguém. Então, um dia, descobri que, em algum lugar dentro daquele objeto maravilhoso, havia uma pessoa fantástica. O nome dela era “Uma informação, por favor”, e não havia nada que ela não soubesse. “Uma informação, por favor” podia fornecer qualquer número de telefone e até a hora certa. Minha primeira experiência pessoal com esse gênio na garrafa veio num dia em que minha mãe estava fora, na casa de um vizinho. Eu estava na garagem, entretendo-me com a caixa de ferramentas quando bati com força, sem querer, o martelo no dedo. A dor foi terrível, mas não parecia haver propósito algum para chorar, uma vez que não tinha ninguém em casa para sentir pena. Andei pela casa, para cima e para baixo, chupando o dedo dolorido, até que parei perto da escada. Foi aí que tive um pensamento maravilhoso: – O telefone! Rapidamente, fui até a sala, peguei uma pequena banqueta e puxei-a para perto do telefone. Subi em cima dela, tirei o fone do gancho e segurei-o contra o ouvido. Depois de dois ou três pequenos estalos, ouvi uma voz suave e nítida no ouvido: – Informações. – Machuquei meu dedo… – choraminguei no telefone. As lágrimas vieram facilmente, agora que eu tinha audiência. – Sua mãe não está em casa? – ela perguntou. – Não tem ninguém aqui, só eu – balbuciei, soluçando. – Está sangrando? – Não. Eu machuquei o dedo com o martelo, mas está doendo… – Você consegue abrir o congelador? – ela perguntou. Respondi que sim. – Então, pegue um cubo de gelo e segure-o no dedo machucado – disse a voz. Depois daquele dia, eu ligava para “Uma informação, por favor” por todo e qualquer motivo. Pedi ajuda com minhas lições de geografia, e ela me ensinou onde ficava a Filadélfia. Ajudou-me também com os exercícios de matemática. Explicou que o pequeno esquilo que acabara de pegar no bosque comia nozes e frutinhas. Então, um dia, Petey, meu canário, morreu. Liguei para “Uma informação, por favor” e relatei a triste história. Ela me ouviu e, depois, começou a falar aquelas coisas que os adultos geralmente dizem para consolar uma criança. Mas continuei inconsolado. – Por que é que os passarinhos cantam tão lindamente e trazem tanta alegria pra gente para, no fim, acabar como um monte de penas no fundo de uma gaiola? – perguntei. Ela deve ter sentido um pouco da minha dor, porque disse suavemente: – Paul, lembre-se sempre de que existem outros mundos onde se pode cantar. De alguma maneira, isso me fez sentir-me melhor. No outro dia, lá estava eu de novo. – Informações – disse a voz já tão familiar. – Como escrevo “exceção”? Tudo isso aconteceu na minha pequena cidade natal, na região noroeste dos Estados Unidos. Quando eu tinha 9 anos, nós nos mudamos para o outro lado do país, para a cidade de Boston. Senti muita falta da minha amiga. “Uma informação, por favor” pertencia àquele velho aparelho preto na casa antiga e, de algum modo, nem pensava em experimentar o novo aparelho branquinho que ficava na mesa do corredor perto da sala. Conforme eu crescia, as lembranças daquelas conversas infantis nunca saíam totalmente da minha memória. Frequentemente, em momentos de duvida ou perplexidade, eu tentava recuperar o sentimento sereno de segurança que eu tinha quando tirava minhas dúvidas com ela. Passei a compreender como ela havia sido paciente, compreensiva e gentil ao perder tempo atendendo as ligações de um menininho. Alguns anos depois, quando estava viajando para a costa oeste, para estudar na faculdade, meu avião fez escala em Seattle, perto da minha cidade natal. Eu teria mais ou menos meia hora entre os dois vôos. Falei durante uns 15 minutos, por telefone, com minha irmã, que na época morava lá. Em seguida, sem pensar no que estava fazendo, disquei o número da operadora da minha cidade natal e pedi: – Uma informação, por favor. Como num milagre, ouvi a mesma voz suave e clara que conhecia tão bem, dizendo: – Informações, pois não. Eu não havia planejado aquilo, mas as palavras saíram como se fossem involuntariamente: – Você poderia me dizer como escrevo “exceção”? Houve uma longa pausa. Depois, a resposta suave e gentil. – Imagino que seu dedo já tenha sarado! Eu ri. – Então, é você mesma! – eu disse. – Fico pensando se você faz alguma idéia de como você foi importante para mim durante aquele tempo. – E eu fico pensando – ela disse – se você faz alguma idéia do que suas chamadas significavam para mim. Nunca tive filhos e ficava esperando todos os dias que você ligasse. Contei o quanto havia pensado nela todos aqueles anos e perguntei se poderia ligar para ela novamente quando voltasse para visitar minha irmã. – Por favor, faça isso! – ela respondeu. – Peça para falar com a Sally. Três meses depois, estava de volta a Seattle para visitar minha irmã. Quando liguei, uma voz diferente respondeu: – Informações. Pedi para chamar a Sally. – Você é amigo dela? – a voz perguntou. – Sim, um amigo de muito tempo. Meu nome é Paul. – Sinto muito ter de lhe dizer isto, mas a Sally estava trabalhando aqui apenas meio período nos últimos anos porque estava doente. Infelizmente, ela morreu há cinco semanas. Antes que eu pudesse desligar, a voz perguntou: – Espere um pouco. Você disse que seu nome é Paul? – Sim. – Bem, a Sally deixou uma mensagem para você. Ela escreveu e pediu para eu guardá-la caso você ligasse. Eu vou ler pra você. Diz o seguinte: “Diga a ele que eu ainda acredito que existem outros mundos onde a gente pode cantar. Ele vai entender”. Eu agradeci e desliguei. De fato, entendi muito bem. Que a marca do amor possa impregnar sempre a sua vida. Nunca subestime a “marca” que você pode deixar nas pessoas. As pessoas se esquecerão do que você disse, do que você fez… mas as pessoas nunca se esquecerão de como você as fez sentir…
Com afeto,
Beth Landim
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Deixe a raiva secar!
18/06/2018 | 12h02
 Li este texto sobre a raiva e divido com vocês:
“Mariana ficou toda feliz porque ganhou de presente um joguinho de chá, todo azulzinho, com bolinhas amarelas. No dia seguinte, Júlia sua amiguinha, veio bem cedo convidá-la para brincar.
Mariana não podia, pois iria sair com sua mãe naquela manhã. Júlia então pediu a coleguinha que lhe emprestasse o seu conjuntinho de chá para que ela pudesse brincar sozinha na garagem do prédio. Mariana não queria emprestar, mas, com a insistência da amiga, resolveu ceder, fazendo questão de demonstrar todo o seu ciúme por aquele brinquedo tão especial. Ao regressar do passeio, Mariana ficou chocada ao ver o seu conjuntinho de chá jogado no chão. Faltavam algumas xícaras e a bandejinha estava toda quebrada. Chorando e muito nervosa, Mariana desabafou: "Está vendo, mamãe, o que a Júlia fez comigo?
Emprestei o meu brinquedo, ela estragou tudo e ainda deixou jogado no chão. Totalmente descontrolada, Mariana queria, porque queria, ir ao apartamento de Júlia pedir explicações. Mas a mãe, com muito carinho ponderou: “Filhinha, lembra daquele dia quando você saiu com seu vestido novo todo branquinho e um carro, passando, jogou lama em sua roupa”? Ao chegar a casa você queria lavar imediatamente aquela sujeira, mas a vovó não deixou. Você lembra o que a vovó falou? Ela falou que era para deixar o barro secar primeiro.
Depois ficava mais fácil limpar. Pois é, minha filha, com a raiva é a mesma coisa.
Deixa a raiva secar primeiro. Depois fica bem mais fácil resolver tudo.
Mariana não entendeu muito bem, mas resolveu seguir o conselho da mãe e foi para a sala ver televisão. Logo depois alguém tocou a campainha. Era Júlia, toda sem graça, com um embrulho na mão. Sem que houvesse tempo para qualquer pergunta, ela foi falando: "Mariana, sabe aquele menino mau da outra rua que fica correndo atrás da gente? Ele veio querendo brincar comigo e eu não deixei. Aí ele ficou bravo e estragou o brinquedo que você havia me emprestado. Quando eu contei para a mamãe ela ficou preocupada e foi correndo comprar outro brinquedo igualzinho para você. Espero que você não fique com raiva de mim. Não foi minha culpa."
"Não tem problema, disse Mariana, minha raiva já secou." E dando um forte abraço em sua amiga, tomou-a pela mão e levou-a para o quarto para contar a história do vestido novo que havia sujado de barro. Nunca tome qualquer atitude com raiva. A raiva nos cega e impede que vejamos as coisas como elas realmente são. Assim você evitará cometer injustiças e ganhará o respeito dos demais pela sua posição ponderada e correta.
Diante de uma situação difícil, lembre-se sempre: Deixe a raiva secar.”
 
 
 
Vivemos em intensa correria buscando dar conta do nosso dia-a-dia tão atribulado. Muitas vezes temos reações que nos causam espanto, os momentos de raiva são um exemplo disso. Temos que estar atentos, pois apesar das pedras do caminho e das lutas muito grandes, a vida é muito preciosa para ser vivida de qualquer modo, deixando com que os mais diversos sentimentos menos nobres nos visitem no cotidiano, nos irritando, nos enraivecendo, nos desanimando e nos obrigando a ver o mundo com as lentes do desânimo, da tristeza, da irritação, da depressão, da raiva...
Em contrapartida, temos que nos lembrar de que viver o dia-a-dia não é ter um céu sem tempestades, caminhos a seguir sem acidentes, trabalhos sem lutas, relacionamentos sem dificuldades. Até porque, se tudo em nossa vida transcorresse sem nenhuma interferência, não haveria para nós, seres humanos, nenhuma oportunidade de aprendizado. Viver é a arte de encontrar forças no perdão e esperança nas batalhas, é seguir em frente apesar das circunstâncias que nos causam sentimentos como a raiva, mostrando que somos seres superiores a isso tudo e capazes de olhar novamente para as pessoas e circunstâncias que nos fizeram mal de cabeça erguida e com a alma leve. A vida é bela! Vamos iniciar cada novo dia com uma intensa vontade de ser feliz, sempre agradecendo a Deus pela saúde, pela família, pelo trabalho, pelos amigos... todos esses são mais do que motivos que temos para viver com felicidade a nossa vida! Recomece quantas vezes forem necessárias as etapas do seu dia, até sentir que tudo flui com paz e harmonia. Se podemos iluminar pessoas, lugares, situações, porque sermos sombras ao invés da luz?
Reporto-me a Saint-Exupéry quando ele nos diz que somos eternamente responsáveis por aquilo que cativamos, e esta afirmação nos convida a estarmos atentos a todos que conosco convivem no dia-a-dia, pois somos capazes de ver com o coração, o essencial é invisível aos olhos. Mas para atingirmos esta sensibilidade, temos que nos trabalhar interiormente, buscando sempre estar em uma sintonia de alegria, de tranqüilidade, de harmonia e de paz. Olhar para o alto e sonhar com um mundo melhor não são coisas inatingíveis, pois como nos diz Mário Quintana: "Se as coisas são inatingíveis... ora! Não é motivo para não querê-las... Que tristes os caminhos, se não fora a presença distante das estrelas!"
Com afeto,
Beth Landim
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Encantada estou...
18/06/2018 | 12h00
 
 
Encantamento... este é o sentido, o sentimento, o estado de espírito que talvez possa traduzir o dia dos “enamorados”... Digo talvez, por ser sempre indecifrável, e por isso encantador... Quando estamos e permanecemos encantados pelo agir, pelo ser, por alguém, pela relação, significa que admiramos, ou seja, conseguimos olhar para o outro, vê-lo e nos encantarmos tal como ele é... Esta sintonia, esta afinidade, esta intimidade não se explica, apenas sente-se... O sol se põe, o cheiro de alfazema inebria os campos, as nuvens descem as montanhas e se espalham sobre o mar, a lua desponta de uma pequena fresta e uma lareira nos aquece e ilumina a noite estrelada... e nossa caminhada continua encantada... A pedra que surge no caminho... pulamos ou a utilizamos para uma construção sólida, sempre se constituindo em aprendizado para nós. E para que possamos nos encantar com o outro, precisamos ouvir o sussurro dos nossos sonhos e desejos, garimpá-los para que possamos ouvir com todo o nosso ser... Enquanto estiver preocupado com o que os outros pensam a seu respeito, você pertence a eles. Só quando deixa de buscar a aprovação externa, você se torna dono de sí mesmo. Às vezes precisamos reunir coragem, ousar, darmos um passo a frente... para nos permitir o encantamento... Encante-se com você em primeiro lugar... E para isso o primeiro passo é ser grato... Se a única oração que você fizer na vida for “obrigado” já será suficiente... A gratidão lhe dá perspectivas. A gratidão pode mudar qualquer situação. A gratidão altera suas vibrações e traz energias positivas. Te cuide com carinho, te indique o melhor caminho, te perdoe quando preciso for... Te dê asas para voar, nos sonhos te ajude a pousar... compreendas porque amanhece antes do anoitecer e então poderás encantar-se... assim como as ondas do mar ao beijar a areia... E nesse encontro, encantada estou, porque isto é amor... Eu adoro ver o pôr do sol e a maneira como ele transforma o céu. A natureza sabe lidar melhor com transformações do que nós, seres terrenos. Evoluir como ser humano é um processo de escavação que dura a vida inteira; é preciso cavar fundo para revelar suas questões mais ocultas. Às vezes, ao fazer isso, parece que você só encontra rochas duras, impenetráveis. Ao longo da vida, descobri uma coisa: quando não removemos uma rocha, ela se torna primeiro uma colina, depois uma montanha. Portanto, é nossa obrigação limpar o terreno todos os dias, no trabalho, na família, nos relacionamentos... em busca do nosso próprio encantamento... É como nos diz a canção...
“Não se admire se um dia um beija flor invadir, a porta da sua casa e te der um beijo e partir... Fui eu que mandei o beijo, que é pra matar meu desejo... faz tempo que eu não te vejo... ai que saudade de ocê...”
Alcançar seu potencial máximo como pessoa é mais do que um ideal: é o objetivo principal da sua vida. As maravilhas de que somos capazes nada têm a ver com os critérios de avaliação da humanidade, com as listas do que está em voga ou fora de moda, de quem é atraente e quem não é. Com o passar dos anos, enfim aprendi que recebemos do mundo o que damos a ele. A física nos ensina isso através da Terceira Lei de Newton: para cada ação há uma reação igual e oposta. Essa é a essência do que os filósofos orientais chamam de carma. Em A cor púrpura, a personagem Celie explica justamente isso para Mister: “Tudo o que você tenta fazer comigo já foi feito contra você.” Seus atos giram ao seu redor assim como a Terra gira ao redor do Sol. Quando as pessoas dizem que estão em busca da felicidade, eu pergunto: “O que você está dando para o mundo?” Na verdade, a felicidade que você sente é diretamente proporcional ao amor que é capaz de dar. Se estiver pensando que falta algo em sua vida, ou que não está recebendo o que merece, lembre-se de que a Estrada de Tijolos Amarelos só existe em O mágico de Oz. Você conduz sua vida, não é conduzido por ela. E então o sorriso largo surge, os olhos brilham, o mundo fica num colorido diferente, o perfume se exala em nossos pensamentos... Queremos estar perto, abraçar, beijar, conversar, conhecer, sentir... Sentir a felicidade do outro que se mistura na sua! Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando, porque o amor de verdade existe e, se você ainda não sentiu, vai sentir. Quem ama tem um coração limpo. Quer o bem do próximo, o vê em sua plenitude, independente dos defeitos que cada um de nós possui. Quando sabemos o que queremos, podemos até esperar um bom tempo, mas o “tempo bom” chegará, pois o universo conspira a favor do amor! ... Muitas vezes não precisamos de palavras, um abraço, um carinho no rosto, um aperto de mãos, falam por si só... Quando estamos encantados, não nos acomodamos... é um sentimento maduro, de saber olhar de dentro pra fora, perceber a beleza tanto sua, quanto do outro... Encantar combina com admirar... Hoje exercitamos pouco à admiração, temos pressa, nos encantamos pouco, não admiramos quase nada. Gosto de parar para ver os detalhes de uma flor, de ouvir o canto dos pássaros, muitas vezes de ouvir e admirar o silêncio... O barulho das ondas do mar, já pararam para pensar que espetáculo mais encantador? O mar com suas ondas, beijando a areia, e o sol que vai surgindo, na imensidão do mar e nos leva para o infinito... “Parece que o vento leva notícias de mim pra você, parece que o vento traz notícias de você pra mim... parece que as noites se tornam mais frias longe de você.”
Precisamos nos encantar mais, beijar mais, abraçar mais, admirar a vida e então se deixar invadir pela simplicidade da vida, que não obedece à razão, e nos faz vivos de coração. Encantada estou...
Com afeto,
Beth Landim
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Pai, tô com fome...
18/06/2018 | 11h58
Esta estória chegou as minhas mãos...
Ricardinho não agüentou o cheiro bom do pão e falou: - Pai, tô com fome!!! O pai, Agenor, sem ter um tostão no bolso, caminhando desde muito cedo em busca de um trabalho, olha com os olhos marejados para o filho e pede mais um pouco de paciência... - Mas pai, desde ontem não comemos nada, eu tô com muita fome, pai!!! Envergonhado, triste e humilhado em seu coração de pai, Agenor pede para o filho aguardar na calçada enquanto entra na padaria a sua frente... Ao entrar dirige-se a um homem no balcão: - Meu senhor estou com meu filho de apenas 6 anos na porta, com muita fome, não tenho nenhum tostão, pois sai cedo para buscar um emprego e nada encontrei, eu lhe peço que em nome de Jesus me forneça um pão para que eu possa matar a fome desse menino, em troca posso varrer o chão de seu estabelecimento, lavar os pratos e copos, ou outro serviço que o senhor precisar!!! Amaro, o dono da padaria estranha aquele homem de semblante calmo e sofrido, pedir comida em troca de trabalho e pede para que ele chame o filho... Agenor pega o filho pela mão e apresenta-o a Amaro, que, imediatamente, pede que os dois sentem-se junto ao balcão, onde manda servir dois pratos de comida do famoso PF (Prato Feito) - arroz, feijão, bife e ovo... Para Ricardinho era um sonho, comer após tantas horas na rua... Para Agenor, uma dor a mais, já que comer aquela comida maravilhosa fazia-o lembrar-se da esposa e mais dois filhos que ficaram em casa apenas com um punhado de fubá... Grossas lágrimas desciam dos seus olhos já na primeira garfada... A satisfação de ver seu filho devorando aquele prato simples como se fosse um manjar dos deuses, e lembrança de sua pequena família em casa, foi demais para seu coração tão cansado de mais de 2 anos de desemprego, humilhações e necessidades... Amaro se aproxima de Agenor e percebendo a sua emoção, brinca para relaxar: - Ô Maria!!! Sua comida deve estar muito ruim... Olha o meu amigo está até chorando de tristeza desse bife, será que é sola de sapato?! Imediatamente Agenor sorri e diz que nunca comeu comida tão apetitosa, e que agradecia a Deus por ter esse prazer... Amaro pede então que ele sossegue seu coração, que almoçasse em paz e depois conversariam sobre trabalho... Mais confiante, Agenor enxuga as lágrimas e começa a almoçar, já que sua fome já estava nas costas... Após o almoço, Amaro convida Agenor para uma conversa nos fundos da padaria, onde havia um pequeno escritório... Agenor conta então que há mais de 2 anos havia perdido o emprego e, desde então, sem uma especialidade profissional, sem estudos, ele estava vivendo de pequenos 'biscates aqui e acolá', mas que há 2 meses não recebia nada... Amaro resolve então contratar Agenor para serviços gerais na padaria, e penalizado, faz para o homem uma cesta básica com alimentos para pelo menos 15 dias... Agenor com lágrimas nos olhos agradece a confiança daquele homem e marca para o dia seguinte seu início no trabalho... Ao chegar em casa com toda aquela 'fartura', Agenor é um novo homem. Sentia esperanças, sentia que sua vida iria tomar novo impulso... Deus estava lhe abrindo mais do que uma porta, era toda uma esperança de dias melhores... No dia seguinte, às 5 da manhã, Agenor estava na porta da padaria ansioso para iniciar seu novo trabalho... Amaro chega logo em seguida e sorri para aquele homem que nem ele sabia porque estava ajudando... Tinham a mesma idade, 32 anos, e histórias diferentes, mas algo dentro dele o chamava para ajudar aquela pessoa... E, ele não se enganou - durante um ano, Agenor foi o mais dedicado trabalhador daquele estabelecimento, sempre honesto e extremamente zeloso com seus deveres... Um dia, Amaro chama Agenor para uma conversa e fala da escola que abriu vagas para a alfabetização de adultos um quarteirão acima da padaria, e que ele fazia questão que Agenor fosse estudar... Agenor nunca esqueceu seu primeiro dia de aula: a mão trêmula nas primeiras letras e a emoção da primeira carta... Doze anos se passam desde aquele primeiro dia de aula... Vamos encontrar o Dr. Agenor Baptista de Medeiros, advogado, abrindo seu escritório para seu cliente, e depois outro, e depois mais outro... Ao meio dia ele desce para um café na padaria do amigo Amaro, que fica impressionado em ver o "antigo funcionário" tão elegante em seu primeiro terno... Mais dez anos se passam, e agora o Dr. Agenor Baptista, já com uma clientela que mistura os mais necessitados que não podem pagar, e os mais abastados que o pagam muito bem, resolve criar uma Instituição que oferece aos desvalidos da sorte, que andam pelas ruas, pessoas desempregadas e carentes de todos os tipos, um prato de comida, diariamente, na hora do almoço... Mais de 200 refeições são servidas diariamente naquele lugar que é administrado pelo seu filho, o agora nutricionista Ricardo Baptista... Tudo mudou, tudo passou, mas a amizade daqueles dois homens, Amaro e Agenor impressionava a todos que conheciam um pouco da história de cada um...
Ricardinho, o filho mandou gravar na frente da "Casa do Caminho", que seu pai fundou com tanto carinho: “Um dia eu tive fome, e você me alimentou. Um dia eu estava sem esperanças e você me deu um caminho. Um dia acordei sozinho, e você me deu Deus, e isso não tem preço... Que Deus habite em seu coração e alimente sua alma. E, que te sobre o pão da misericórdia para estender a quem precisar!”.
Muitas vezes temos tudo e não damos valor, não olhamos para o lado para quem precisa. Solidariedade e Educação... dois alimentos imprescindíveis ao ser humano. E você tem fome de que?
Com afeto,
Beth Landim
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A Delicadeza do Tempo
29/05/2018 | 09h13
 
Você já se deu conta do quanto nos deixa felizes e renovados fazer algo que nos leva a esquecer do tempo? Para viver em harmonia, precisamos ser orientados pelo tempo interior, que está naturalmente conectado com os ciclos do tempo exterior: o dia e a noite e as quatro estações do ano. No entanto, estamos tão condicionados à necessidade de cumprir as expectativas do tempo imposto pelo relógio, que não nos permitimos mais ser “naturais”, tornamo-nos mecanizados pela pressão do tempo, que exige, de nós, cada vez mais tempo.
O tempo é o adubo do amadurecimento. Forçar o tempo é impossível. Jamais podemos abrir mão da coerência entre o que sentimos e fazemos. Nossas ações devem brilhar de acordo com nossas palavras. Se nos sentimos coerentes em nosso caminho, estamos mantendo clareza de nossos propósitos.
A incoerência surge quando a distância entre o que sentimos dentro de nós e o que vivemos fora de nós torna-se grande demais. Quando perdemos a sintonia entre nossos mundos, interno e externo, sentimo-nos derrotados.
A sensação de estar “perdendo tempo” com alguma coisa, seja no trabalho ou num relacionamento, é um alerta de que estamos nos distanciando de nosso propósito espiritual: o uso significativo do tempo. A questão é que estaremos sempre insatisfeitos enquanto vivemos apenas para satisfazer as expectativas externas que surgem em cada momento da vida. Isto é, usar o tempo apenas para sermos pessoas cada vez mais eficientes não garante nossa felicidade. Para sentirmos felizes, é preciso mais que eficiência. É preciso sentir que estamos crescendo interiormente.
Mas quem já não escutou o “tic-tac” da ansiedade soar em seu interior quando está sob o peso do tempo do relógio?
Nas situações que não podemos mudar, devemos nos esforçar para reavaliar nossas reações internas, pois o tempo interior é tão vasto quanto o espaço infinito. Ele chama-se kairos.
O tempo que é cronológico, linear e, em seqüência, dita o ritmo de nossas vidas, chama-se cronos. A palavra kairos, em grego, significa o momento certo, o aspecto qualitativo do tempo. Sua correspondente em latim, momentum, refere-se ao instante, ocasião ou movimento, que deixa uma impressão forte e única por toda a vida.
Por isso, kairos refere-se a uma experiência temporal na qual percebemos o momento oportuno para determinada ação: saber a hora certa de estar no lugar certo. Sempre que agimos sob o tempo kairos, as coisas costumam se acertar. Por exemplo, quando estamos quase desistindo de algo e resolvemos “dar um tempo” para aliviar a pressão, repentinamente, surgem as pessoas certas que nos ajudam com soluções reais e práticas.
Agir no tempo regido por kairos é simular a um ato mágico!
Kairos é o tempo oportuno, livre do peso de cargas passadas e sem ansiedade de anteceder o futuro. Ele se manifesta no presente, instante após instante.
Quando vivemos no tempo kairos, aumentam as oportunidades em nossa vida. Basta pensar como surgiram nossas melhores chances e percebemos que nessas ocasiões estávamos, de certa forma, desprogramados das exigências do tempo cronológico.
Para os gregos, cronos representava o tempo que falta para a morte, em tempo que se consome a si mesmo. Por isso, seu oposto é kairos: momentos afortunados que transcendem as limitações impostas pelo medo da morte!
Portanto, para vivermos sob a regência de kairos, precisamos ir além das convenções mundanas: saber seguir cada momento, de acordo com a sintonia de nossas necessidades interiores. Isto não quer dizer que podemos fazer o que quisermos na hora que bem entendermos, mas sim que devemos estar atentos para não deixar que os comandos exteriores ultrapassem os interiores.
Já que a pressão externa é cada vez maior, temos que desenvolver cada vez mais a paz interna. Na maioria das vezes, não encontramos soluções indiretas para as situações externas, então, podemos contar apenas com nossa condição interna. Paz interior é a melhor forma de proteção contra desafios externos. Além de ficarmos mais leves, nos tornamos bonitos também!
A eternidade é tornar os momentos inesquecíveis... portanto sejamos intensos e inteiros em nossas atitudes e relações.
Uma boa e feliz semana para todos!
Com afeto,
Beth Landim
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Aprendendo com a vida...
29/05/2018 | 09h10
 
Dona Maria Jiló é uma senhora de 92 anos, miúda, e tão elegante, que todo dia às 8 da manhã ela já está toda vestida, bem penteada e discretamente maquiada, apesar de sua pouca visão. E hoje ela se mudou para uma casa de repouso: o marido, com quem ela viveu 70 anos, morreu recentemente, e não havia outra solução. Depois de esperar pacientemente por duas horas na sala de visitas, ela ainda deu um lindo sorriso quando a atendente veio dizer que seu quarto estava pronto. Enquanto ela manobrava o andador em direção ao elevador, dei uma descrição do seu minúsculo quartinho, inclusive das cortinas floridas que enfeitavam a janela. Ela me interrompeu com o entusiasmo de uma garotinha que acabou de ganhar um filhote de cachorrinho. - Ah, eu adoro essas cortinas... - Dona Maria Jiló, a senhora ainda nem viu seu quarto... Espera um pouco... - Isto não tem nada a ver, ela respondeu, felicidade é algo que você decide por princípio. Se eu vou gostar ou não do meu quarto, não depende de como a mobília vai estar arrumada... Vai depender de como eu preparo minha expectativa. E eu já decidi que vou adorar. É uma decisão que tomo todo dia quando acordo. Sabe, eu posso passar o dia inteiro na cama, contando as dificuldades que tenho em certas partes do meu corpo que não funcionam bem. Ou posso levantar da cama agradecendo pelas outras partes que ainda me obedecem. - Simples assim? - Nem tanto, isto é para quem tem autocontrole e todos podem aprender, e exigiu de mim um certo 'treino' pelos anos afora, mas é bom saber que ainda posso dirigir meus pensamentos e escolher, em conseqüência, os sentimentos.
Calmamente ela continuou: - Cada dia é um presente, e enquanto meus olhos se abrirem, vou focalizar o novo dia, mas também as lembranças alegres que eu guardei para esta época da vida. A velhice é como uma conta bancária: você só retira aquilo que guardou. Então, meu conselho para você é depositar um monte de alegrias e felicidade na sua Conta de Lembranças. E, aliás, obrigada por este seu depósito no meu Banco de Lembranças. Como você vê, eu ainda continuo depositando e acredito que, por mais complexa que seja a vida, sábio é quem a simplifica.
Depois me pediu para anotar: Como se manter jovem: Deixe fora os números que não são essenciais. Isto inclui a idade, o peso e a altura. Deixe que os médicos se preocupem com isso. Mantenha só os amigos divertidos. Os depressivos puxam para baixo. Lembre-se disto se for um desses depressivos! Aprenda sempre: aprenda mais sobre computadores, artes, jardinagem, o que quer que seja. Não deixe que o cérebro se torne preguiçoso. “Uma mente preguiçosa é a oficina do Alemão.” E o nome do Alemão é Alzheimer! Aprecie mais as pequenas coisas - Aprecie mais. Ria muitas vezes, durante muito tempo e alto. Ria até lhe faltar o ar. E se tiver um amigo que o faça rir, passe muito e muito tempo com ele! Quando as lágrimas aparecerem agüente, sofra e ultrapasse. A única pessoa que fica conosco toda a nossa vida somos nós próprios. VIVA enquanto estiver vivo. Rodeie-se das coisas que ama: quer seja a família, animais, plantas, hobbies, o que quer que seja. O seu lar é o seu refúgio. Não o descarte. Tome cuidado com a sua saúde: se é boa, mantenha-a. Se é instável, melhore-a. Se não consegue melhorá-la, procure ajuda. Não faça viagens de culpa. Faça uma viagem ao centro comercial, até a um país diferente, mas NÃO para onde haja culpa. Diga às pessoas que as ama e que ama a cada oportunidade de estar com elas. E, se não mandar isto a pelo menos quatro pessoas - quem é que se importa? Serão apenas menos quatro pessoas que deixarão de sorrir ao ver uma mensagem sua. Mas se puder, pelo menos, partilhe com alguém! O que de nós vale a pena se não tocarmos o coração das pessoas?
E como nos diz Aristóteles, revolucione a sua alma!!! “Ninguém é dono da sua felicidade, por isso não entregue sua alegria, sua paz sua vida nas mãos de ninguém, absolutamente ninguém. Somos livres, não pertencemos a ninguém e não podemos querer ser donos dos desejos, da vontade ou dos sonhos de quem quer que seja. A razão da sua vida é você mesmo. A tua paz interior é a tua meta de vida. Quando sentires um vazio na alma, quando acreditares que ainda está faltando algo, mesmo tendo tudo, remete teu pensamento para os teus desejos mais íntimos e busque a divindade que existe em você. Pare de colocar sua felicidade cada dia mais distante de você. Não coloque o objetivo longe demais de suas mãos: abrace os que estão ao seu alcance hoje. Se andas desesperado por problemas financeiros, amorosos, ou de relacionamentos familiares, busca em teu interior a resposta para acalmar-te, você é reflexo do que pensas diariamente. Pare de pensar mal de você mesmo, e seja seu melhor amigo sempre. Sorrir significa aprovar, aceitar, felicitar. Então abra um sorriso para aprovar o mundo que te quer oferecer o melhor. Com um sorriso no rosto as pessoas terão as melhores impressões de você, e você estará afirmando para você mesmo que está “pronto” para ser feliz. Trabalhe, trabalhe muito a seu favor. Pare de esperar a felicidade sem esforços. Pare de exigir das pessoas aquilo que nem você conquistou ainda. Critique menos, trabalhe mais. E não se esqueça nunca de agradecer. Agradeça tudo que está em sua vida nesse momento... Nossa compreensão do universo ainda é muito pequena para julgar o que quer que seja na nossa vida. A grandeza da vida não consiste em receber honras, mas em merecê-las.”
Com afeto,
Beth Landim
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Todo dia...
11/05/2018 | 12h01
Penso que antes de sermos mães, temos o aprendizado de sermos filhas... E é através do exemplo que subliminarmente vamos vivenciando o que é ser mãe... A maternidade chegou pra mim maravilhosamente em dose dupla! Quando recebi Juliana e Rafaela em meus braços, pude sentir o verdadeiro sentimento do Amor, do cuidar, da generosidade, do perfume que traz o aconchego... Dois anos depois, com Carolina, vivenciei ainda mais estes sentimentos, pois a experiência nos traz sabedoria do que nos é imprescindível vivenciar... O amor mais puro e sincero, o amor visceral, o amor que um simples olhar, um cheiro, um colo, nos traz uma felicidade indescritível... Desde então vivemos todos os momentos intensamente... Desde nossos banhos de mar nas lagoinhas de Chapéu de Sol, em Grussaí, as brincadeiras de subir nas árvores, aos nossos acampamentos de final de semana na fazenda, na barraca de camping, quando ainda não tínhamos nossa casa... a falta de luz que nos presenteava com a linda lua. Nossa barraca era sempre acariciada com a brisa suave que sopra do Rio Paraíba. Com o raiar do sol, a copa das árvores, faziam lindas cortinas para embalar nosso sono ainda cedinho... Lembro-me tanto de nossas cavalgadas noturnas, nossos piqueniques que depois de uma tarde à cavalo, nos sentávamos para saborear... Das nossas viagens sempre juntas, e todas as perguntas vindo à tona... da bagunça na viagem, na praia, no campo... estarmos juntos é sempre a maior e melhor festa... E para conhecermos as mães basta, conhecermos seus filhos... e minha mãe, junção perfeita de Everaldo e Dagmar, não só seguiu seus passos, mas alargou o caminho, abrindo horizontes em nossas vidas. Conciliadora, sempre... Pelas mãos da minha mãe, poderia aqui enumerar inúmeras realizações, mas a maior delas é o perfume que exala, com sua voz sempre serena e firme nos seus ensinamentos, a sua forma de falar com os olhos, seu silêncio que tanto nos diz. Sua presença é única e constante em nossas vidas, mesmo quando não está fisicamente ao nosso lado, pois o seu SER transcende em nossas almas. Seu sorriso sempre tranquilo, de quem sempre nos entende, sua intuição tão aguçada, que prevê nossos sentimentos, se antecipando a eles em vários momentos de nossa vida, a tornam mais que especial. Mãe te admiro muito! Quero sempre poder seguir os teus passos! Para você as palavras são pequenas, os gestos de carinho são poucos, diante de seu amor incondicional. Com você, experimento o amor profundo, enxergo com a alma e com o coração, sinto o verdadeiro sentido da BONANÇA! Você, com toda a sua sabedoria, nos ensina sempre, que a paciência do tempo nos auxilia a enfrentar os contratempos, e a transformar sempre a dor em amor. Este é o legado que você nos deixa sempre... Pois a esperança faz morada em seu ser e os sonhos continuam cada vez mais vivos em sua vida, refletindo em nós, seus filhos e netos que tanto a amamos. Uma árvore frondosa não nos dá bons frutos apenas... ela nos refresca a alma e acaricia o coração, nos proporciona acalento e refúgio do sol escaldante, mas, sobretudo possui a magia de nos acolher com seus longos braços... uma árvore frondosa nos proporciona sua fruta genuína e doce, como um bálsamo e um porto seguro a nos refrescar das intempéries da vida... Esta árvore frondosa é você! A quem homenageio pelo dia das mães! Uma mãe que conquistou a nossa admiração e amor, no exercício de uma educação que tem limites, mas que não limita e cerceia as diferenças de cada um de seus filhos... Uma mãe que aceita todos os convites, indo sempre além de nossas expectativas... Assim é você! Você nos agasalha sob as suas asas... sua luz nos ilumina, seu carinho e sua firmeza se transformam em energia transformadora para multiplicarmos em nossos lares o seu exemplo de amor... Hoje quero falar também pra você, minha querida e amada Tia Marta... Certas pessoas, somente o primeiro nome basta, pois sua intensidade e largueza são tantas que não precisam de nome completo... Seu sorriso, sua disponibilidade, sua alegria de viver, são marcas indeléveis que deixam em todos que passam pelo seu caminho! Mulher forte e firme, que para tudo tem um jeito... De sua mãe Dagmar, trouxe a grande generosidade no coração, no acolhimento, no atendimento... a todos que suas palavras chegam, o carinho e atenção que você passa já são o primeiro remédio. E então vamos costurando a vida... costurando o tempo, bordando em cima dos erros para que eles sumam. Costurar as pessoas que gostamos pertinho, costurar os domingos um mais perto do outro. Costurar o amor verdadeiro no peito de quem a gente ama. Costurar a saudade no fundo do baú para ela não fugir. Costurar a autoestima lá em cima, para nunca cair. Costurar o perdão na alma e a bondade na mão. Costurar o bem no bem. Costurar a saúde na enfermidade e a felicidade em todo o lugar e ir costurando a vida, um pouquinho de esperança em cada dia... e muita coragem em cada ser humano... Agradeço, ainda, a presença de Ir. Suraya Chaloub. Exemplo de maternidade espiritual. Talvez, bem mais difícil de alcançar. Parabenizo, ainda, Cacaia Martins pelos seus 80 anos, transcrevendo um texto de Dona Isa Mattoso, sua mãe: “Menina de Quissamã... que abriu as asas e voou... No voo que alçou... os livros encontrou e simplesmente se encantou... E nunca mais foi a mesma... pois a sua liberdade interior se fincou em meio às leituras e aos alunos... E na sua alma resplandeceu o brilho do amor de Deus... em uma sala de aula. Nos idos de 1945 em Quissamã... na minha sala de aula... onde tudo se iniciou, quanta sabedoria se plantou e implantou, e principalmente muito se partilhou e amou... e as sementes foram lançadas”. Nos idos de 2018... há quase 80 anos dessa vida bem vivida... a semeadura continua firme e forte... e felizes são aqueles que partilham dessa vida, da nossa Cacaia querida... Um abraço em todas as mães... pois nosso dia é todo dia!
Com afeto,
Beth Landim
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Sobre o autor

Elizabeth Landim

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