Deixe a raiva secar!
18/06/2018 | 12h02
 Li este texto sobre a raiva e divido com vocês:
“Mariana ficou toda feliz porque ganhou de presente um joguinho de chá, todo azulzinho, com bolinhas amarelas. No dia seguinte, Júlia sua amiguinha, veio bem cedo convidá-la para brincar.
Mariana não podia, pois iria sair com sua mãe naquela manhã. Júlia então pediu a coleguinha que lhe emprestasse o seu conjuntinho de chá para que ela pudesse brincar sozinha na garagem do prédio. Mariana não queria emprestar, mas, com a insistência da amiga, resolveu ceder, fazendo questão de demonstrar todo o seu ciúme por aquele brinquedo tão especial. Ao regressar do passeio, Mariana ficou chocada ao ver o seu conjuntinho de chá jogado no chão. Faltavam algumas xícaras e a bandejinha estava toda quebrada. Chorando e muito nervosa, Mariana desabafou: "Está vendo, mamãe, o que a Júlia fez comigo?
Emprestei o meu brinquedo, ela estragou tudo e ainda deixou jogado no chão. Totalmente descontrolada, Mariana queria, porque queria, ir ao apartamento de Júlia pedir explicações. Mas a mãe, com muito carinho ponderou: “Filhinha, lembra daquele dia quando você saiu com seu vestido novo todo branquinho e um carro, passando, jogou lama em sua roupa”? Ao chegar a casa você queria lavar imediatamente aquela sujeira, mas a vovó não deixou. Você lembra o que a vovó falou? Ela falou que era para deixar o barro secar primeiro.
Depois ficava mais fácil limpar. Pois é, minha filha, com a raiva é a mesma coisa.
Deixa a raiva secar primeiro. Depois fica bem mais fácil resolver tudo.
Mariana não entendeu muito bem, mas resolveu seguir o conselho da mãe e foi para a sala ver televisão. Logo depois alguém tocou a campainha. Era Júlia, toda sem graça, com um embrulho na mão. Sem que houvesse tempo para qualquer pergunta, ela foi falando: "Mariana, sabe aquele menino mau da outra rua que fica correndo atrás da gente? Ele veio querendo brincar comigo e eu não deixei. Aí ele ficou bravo e estragou o brinquedo que você havia me emprestado. Quando eu contei para a mamãe ela ficou preocupada e foi correndo comprar outro brinquedo igualzinho para você. Espero que você não fique com raiva de mim. Não foi minha culpa."
"Não tem problema, disse Mariana, minha raiva já secou." E dando um forte abraço em sua amiga, tomou-a pela mão e levou-a para o quarto para contar a história do vestido novo que havia sujado de barro. Nunca tome qualquer atitude com raiva. A raiva nos cega e impede que vejamos as coisas como elas realmente são. Assim você evitará cometer injustiças e ganhará o respeito dos demais pela sua posição ponderada e correta.
Diante de uma situação difícil, lembre-se sempre: Deixe a raiva secar.”
 
 
 
Vivemos em intensa correria buscando dar conta do nosso dia-a-dia tão atribulado. Muitas vezes temos reações que nos causam espanto, os momentos de raiva são um exemplo disso. Temos que estar atentos, pois apesar das pedras do caminho e das lutas muito grandes, a vida é muito preciosa para ser vivida de qualquer modo, deixando com que os mais diversos sentimentos menos nobres nos visitem no cotidiano, nos irritando, nos enraivecendo, nos desanimando e nos obrigando a ver o mundo com as lentes do desânimo, da tristeza, da irritação, da depressão, da raiva...
Em contrapartida, temos que nos lembrar de que viver o dia-a-dia não é ter um céu sem tempestades, caminhos a seguir sem acidentes, trabalhos sem lutas, relacionamentos sem dificuldades. Até porque, se tudo em nossa vida transcorresse sem nenhuma interferência, não haveria para nós, seres humanos, nenhuma oportunidade de aprendizado. Viver é a arte de encontrar forças no perdão e esperança nas batalhas, é seguir em frente apesar das circunstâncias que nos causam sentimentos como a raiva, mostrando que somos seres superiores a isso tudo e capazes de olhar novamente para as pessoas e circunstâncias que nos fizeram mal de cabeça erguida e com a alma leve. A vida é bela! Vamos iniciar cada novo dia com uma intensa vontade de ser feliz, sempre agradecendo a Deus pela saúde, pela família, pelo trabalho, pelos amigos... todos esses são mais do que motivos que temos para viver com felicidade a nossa vida! Recomece quantas vezes forem necessárias as etapas do seu dia, até sentir que tudo flui com paz e harmonia. Se podemos iluminar pessoas, lugares, situações, porque sermos sombras ao invés da luz?
Reporto-me a Saint-Exupéry quando ele nos diz que somos eternamente responsáveis por aquilo que cativamos, e esta afirmação nos convida a estarmos atentos a todos que conosco convivem no dia-a-dia, pois somos capazes de ver com o coração, o essencial é invisível aos olhos. Mas para atingirmos esta sensibilidade, temos que nos trabalhar interiormente, buscando sempre estar em uma sintonia de alegria, de tranqüilidade, de harmonia e de paz. Olhar para o alto e sonhar com um mundo melhor não são coisas inatingíveis, pois como nos diz Mário Quintana: "Se as coisas são inatingíveis... ora! Não é motivo para não querê-las... Que tristes os caminhos, se não fora a presença distante das estrelas!"
Com afeto,
Beth Landim
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Encantada estou...
18/06/2018 | 12h00
 
 
Encantamento... este é o sentido, o sentimento, o estado de espírito que talvez possa traduzir o dia dos “enamorados”... Digo talvez, por ser sempre indecifrável, e por isso encantador... Quando estamos e permanecemos encantados pelo agir, pelo ser, por alguém, pela relação, significa que admiramos, ou seja, conseguimos olhar para o outro, vê-lo e nos encantarmos tal como ele é... Esta sintonia, esta afinidade, esta intimidade não se explica, apenas sente-se... O sol se põe, o cheiro de alfazema inebria os campos, as nuvens descem as montanhas e se espalham sobre o mar, a lua desponta de uma pequena fresta e uma lareira nos aquece e ilumina a noite estrelada... e nossa caminhada continua encantada... A pedra que surge no caminho... pulamos ou a utilizamos para uma construção sólida, sempre se constituindo em aprendizado para nós. E para que possamos nos encantar com o outro, precisamos ouvir o sussurro dos nossos sonhos e desejos, garimpá-los para que possamos ouvir com todo o nosso ser... Enquanto estiver preocupado com o que os outros pensam a seu respeito, você pertence a eles. Só quando deixa de buscar a aprovação externa, você se torna dono de sí mesmo. Às vezes precisamos reunir coragem, ousar, darmos um passo a frente... para nos permitir o encantamento... Encante-se com você em primeiro lugar... E para isso o primeiro passo é ser grato... Se a única oração que você fizer na vida for “obrigado” já será suficiente... A gratidão lhe dá perspectivas. A gratidão pode mudar qualquer situação. A gratidão altera suas vibrações e traz energias positivas. Te cuide com carinho, te indique o melhor caminho, te perdoe quando preciso for... Te dê asas para voar, nos sonhos te ajude a pousar... compreendas porque amanhece antes do anoitecer e então poderás encantar-se... assim como as ondas do mar ao beijar a areia... E nesse encontro, encantada estou, porque isto é amor... Eu adoro ver o pôr do sol e a maneira como ele transforma o céu. A natureza sabe lidar melhor com transformações do que nós, seres terrenos. Evoluir como ser humano é um processo de escavação que dura a vida inteira; é preciso cavar fundo para revelar suas questões mais ocultas. Às vezes, ao fazer isso, parece que você só encontra rochas duras, impenetráveis. Ao longo da vida, descobri uma coisa: quando não removemos uma rocha, ela se torna primeiro uma colina, depois uma montanha. Portanto, é nossa obrigação limpar o terreno todos os dias, no trabalho, na família, nos relacionamentos... em busca do nosso próprio encantamento... É como nos diz a canção...
“Não se admire se um dia um beija flor invadir, a porta da sua casa e te der um beijo e partir... Fui eu que mandei o beijo, que é pra matar meu desejo... faz tempo que eu não te vejo... ai que saudade de ocê...”
Alcançar seu potencial máximo como pessoa é mais do que um ideal: é o objetivo principal da sua vida. As maravilhas de que somos capazes nada têm a ver com os critérios de avaliação da humanidade, com as listas do que está em voga ou fora de moda, de quem é atraente e quem não é. Com o passar dos anos, enfim aprendi que recebemos do mundo o que damos a ele. A física nos ensina isso através da Terceira Lei de Newton: para cada ação há uma reação igual e oposta. Essa é a essência do que os filósofos orientais chamam de carma. Em A cor púrpura, a personagem Celie explica justamente isso para Mister: “Tudo o que você tenta fazer comigo já foi feito contra você.” Seus atos giram ao seu redor assim como a Terra gira ao redor do Sol. Quando as pessoas dizem que estão em busca da felicidade, eu pergunto: “O que você está dando para o mundo?” Na verdade, a felicidade que você sente é diretamente proporcional ao amor que é capaz de dar. Se estiver pensando que falta algo em sua vida, ou que não está recebendo o que merece, lembre-se de que a Estrada de Tijolos Amarelos só existe em O mágico de Oz. Você conduz sua vida, não é conduzido por ela. E então o sorriso largo surge, os olhos brilham, o mundo fica num colorido diferente, o perfume se exala em nossos pensamentos... Queremos estar perto, abraçar, beijar, conversar, conhecer, sentir... Sentir a felicidade do outro que se mistura na sua! Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando, porque o amor de verdade existe e, se você ainda não sentiu, vai sentir. Quem ama tem um coração limpo. Quer o bem do próximo, o vê em sua plenitude, independente dos defeitos que cada um de nós possui. Quando sabemos o que queremos, podemos até esperar um bom tempo, mas o “tempo bom” chegará, pois o universo conspira a favor do amor! ... Muitas vezes não precisamos de palavras, um abraço, um carinho no rosto, um aperto de mãos, falam por si só... Quando estamos encantados, não nos acomodamos... é um sentimento maduro, de saber olhar de dentro pra fora, perceber a beleza tanto sua, quanto do outro... Encantar combina com admirar... Hoje exercitamos pouco à admiração, temos pressa, nos encantamos pouco, não admiramos quase nada. Gosto de parar para ver os detalhes de uma flor, de ouvir o canto dos pássaros, muitas vezes de ouvir e admirar o silêncio... O barulho das ondas do mar, já pararam para pensar que espetáculo mais encantador? O mar com suas ondas, beijando a areia, e o sol que vai surgindo, na imensidão do mar e nos leva para o infinito... “Parece que o vento leva notícias de mim pra você, parece que o vento traz notícias de você pra mim... parece que as noites se tornam mais frias longe de você.”
Precisamos nos encantar mais, beijar mais, abraçar mais, admirar a vida e então se deixar invadir pela simplicidade da vida, que não obedece à razão, e nos faz vivos de coração. Encantada estou...
Com afeto,
Beth Landim
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Pai, tô com fome...
18/06/2018 | 11h58
Esta estória chegou as minhas mãos...
Ricardinho não agüentou o cheiro bom do pão e falou: - Pai, tô com fome!!! O pai, Agenor, sem ter um tostão no bolso, caminhando desde muito cedo em busca de um trabalho, olha com os olhos marejados para o filho e pede mais um pouco de paciência... - Mas pai, desde ontem não comemos nada, eu tô com muita fome, pai!!! Envergonhado, triste e humilhado em seu coração de pai, Agenor pede para o filho aguardar na calçada enquanto entra na padaria a sua frente... Ao entrar dirige-se a um homem no balcão: - Meu senhor estou com meu filho de apenas 6 anos na porta, com muita fome, não tenho nenhum tostão, pois sai cedo para buscar um emprego e nada encontrei, eu lhe peço que em nome de Jesus me forneça um pão para que eu possa matar a fome desse menino, em troca posso varrer o chão de seu estabelecimento, lavar os pratos e copos, ou outro serviço que o senhor precisar!!! Amaro, o dono da padaria estranha aquele homem de semblante calmo e sofrido, pedir comida em troca de trabalho e pede para que ele chame o filho... Agenor pega o filho pela mão e apresenta-o a Amaro, que, imediatamente, pede que os dois sentem-se junto ao balcão, onde manda servir dois pratos de comida do famoso PF (Prato Feito) - arroz, feijão, bife e ovo... Para Ricardinho era um sonho, comer após tantas horas na rua... Para Agenor, uma dor a mais, já que comer aquela comida maravilhosa fazia-o lembrar-se da esposa e mais dois filhos que ficaram em casa apenas com um punhado de fubá... Grossas lágrimas desciam dos seus olhos já na primeira garfada... A satisfação de ver seu filho devorando aquele prato simples como se fosse um manjar dos deuses, e lembrança de sua pequena família em casa, foi demais para seu coração tão cansado de mais de 2 anos de desemprego, humilhações e necessidades... Amaro se aproxima de Agenor e percebendo a sua emoção, brinca para relaxar: - Ô Maria!!! Sua comida deve estar muito ruim... Olha o meu amigo está até chorando de tristeza desse bife, será que é sola de sapato?! Imediatamente Agenor sorri e diz que nunca comeu comida tão apetitosa, e que agradecia a Deus por ter esse prazer... Amaro pede então que ele sossegue seu coração, que almoçasse em paz e depois conversariam sobre trabalho... Mais confiante, Agenor enxuga as lágrimas e começa a almoçar, já que sua fome já estava nas costas... Após o almoço, Amaro convida Agenor para uma conversa nos fundos da padaria, onde havia um pequeno escritório... Agenor conta então que há mais de 2 anos havia perdido o emprego e, desde então, sem uma especialidade profissional, sem estudos, ele estava vivendo de pequenos 'biscates aqui e acolá', mas que há 2 meses não recebia nada... Amaro resolve então contratar Agenor para serviços gerais na padaria, e penalizado, faz para o homem uma cesta básica com alimentos para pelo menos 15 dias... Agenor com lágrimas nos olhos agradece a confiança daquele homem e marca para o dia seguinte seu início no trabalho... Ao chegar em casa com toda aquela 'fartura', Agenor é um novo homem. Sentia esperanças, sentia que sua vida iria tomar novo impulso... Deus estava lhe abrindo mais do que uma porta, era toda uma esperança de dias melhores... No dia seguinte, às 5 da manhã, Agenor estava na porta da padaria ansioso para iniciar seu novo trabalho... Amaro chega logo em seguida e sorri para aquele homem que nem ele sabia porque estava ajudando... Tinham a mesma idade, 32 anos, e histórias diferentes, mas algo dentro dele o chamava para ajudar aquela pessoa... E, ele não se enganou - durante um ano, Agenor foi o mais dedicado trabalhador daquele estabelecimento, sempre honesto e extremamente zeloso com seus deveres... Um dia, Amaro chama Agenor para uma conversa e fala da escola que abriu vagas para a alfabetização de adultos um quarteirão acima da padaria, e que ele fazia questão que Agenor fosse estudar... Agenor nunca esqueceu seu primeiro dia de aula: a mão trêmula nas primeiras letras e a emoção da primeira carta... Doze anos se passam desde aquele primeiro dia de aula... Vamos encontrar o Dr. Agenor Baptista de Medeiros, advogado, abrindo seu escritório para seu cliente, e depois outro, e depois mais outro... Ao meio dia ele desce para um café na padaria do amigo Amaro, que fica impressionado em ver o "antigo funcionário" tão elegante em seu primeiro terno... Mais dez anos se passam, e agora o Dr. Agenor Baptista, já com uma clientela que mistura os mais necessitados que não podem pagar, e os mais abastados que o pagam muito bem, resolve criar uma Instituição que oferece aos desvalidos da sorte, que andam pelas ruas, pessoas desempregadas e carentes de todos os tipos, um prato de comida, diariamente, na hora do almoço... Mais de 200 refeições são servidas diariamente naquele lugar que é administrado pelo seu filho, o agora nutricionista Ricardo Baptista... Tudo mudou, tudo passou, mas a amizade daqueles dois homens, Amaro e Agenor impressionava a todos que conheciam um pouco da história de cada um...
Ricardinho, o filho mandou gravar na frente da "Casa do Caminho", que seu pai fundou com tanto carinho: “Um dia eu tive fome, e você me alimentou. Um dia eu estava sem esperanças e você me deu um caminho. Um dia acordei sozinho, e você me deu Deus, e isso não tem preço... Que Deus habite em seu coração e alimente sua alma. E, que te sobre o pão da misericórdia para estender a quem precisar!”.
Muitas vezes temos tudo e não damos valor, não olhamos para o lado para quem precisa. Solidariedade e Educação... dois alimentos imprescindíveis ao ser humano. E você tem fome de que?
Com afeto,
Beth Landim
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A Delicadeza do Tempo
29/05/2018 | 09h13
 
Você já se deu conta do quanto nos deixa felizes e renovados fazer algo que nos leva a esquecer do tempo? Para viver em harmonia, precisamos ser orientados pelo tempo interior, que está naturalmente conectado com os ciclos do tempo exterior: o dia e a noite e as quatro estações do ano. No entanto, estamos tão condicionados à necessidade de cumprir as expectativas do tempo imposto pelo relógio, que não nos permitimos mais ser “naturais”, tornamo-nos mecanizados pela pressão do tempo, que exige, de nós, cada vez mais tempo.
O tempo é o adubo do amadurecimento. Forçar o tempo é impossível. Jamais podemos abrir mão da coerência entre o que sentimos e fazemos. Nossas ações devem brilhar de acordo com nossas palavras. Se nos sentimos coerentes em nosso caminho, estamos mantendo clareza de nossos propósitos.
A incoerência surge quando a distância entre o que sentimos dentro de nós e o que vivemos fora de nós torna-se grande demais. Quando perdemos a sintonia entre nossos mundos, interno e externo, sentimo-nos derrotados.
A sensação de estar “perdendo tempo” com alguma coisa, seja no trabalho ou num relacionamento, é um alerta de que estamos nos distanciando de nosso propósito espiritual: o uso significativo do tempo. A questão é que estaremos sempre insatisfeitos enquanto vivemos apenas para satisfazer as expectativas externas que surgem em cada momento da vida. Isto é, usar o tempo apenas para sermos pessoas cada vez mais eficientes não garante nossa felicidade. Para sentirmos felizes, é preciso mais que eficiência. É preciso sentir que estamos crescendo interiormente.
Mas quem já não escutou o “tic-tac” da ansiedade soar em seu interior quando está sob o peso do tempo do relógio?
Nas situações que não podemos mudar, devemos nos esforçar para reavaliar nossas reações internas, pois o tempo interior é tão vasto quanto o espaço infinito. Ele chama-se kairos.
O tempo que é cronológico, linear e, em seqüência, dita o ritmo de nossas vidas, chama-se cronos. A palavra kairos, em grego, significa o momento certo, o aspecto qualitativo do tempo. Sua correspondente em latim, momentum, refere-se ao instante, ocasião ou movimento, que deixa uma impressão forte e única por toda a vida.
Por isso, kairos refere-se a uma experiência temporal na qual percebemos o momento oportuno para determinada ação: saber a hora certa de estar no lugar certo. Sempre que agimos sob o tempo kairos, as coisas costumam se acertar. Por exemplo, quando estamos quase desistindo de algo e resolvemos “dar um tempo” para aliviar a pressão, repentinamente, surgem as pessoas certas que nos ajudam com soluções reais e práticas.
Agir no tempo regido por kairos é simular a um ato mágico!
Kairos é o tempo oportuno, livre do peso de cargas passadas e sem ansiedade de anteceder o futuro. Ele se manifesta no presente, instante após instante.
Quando vivemos no tempo kairos, aumentam as oportunidades em nossa vida. Basta pensar como surgiram nossas melhores chances e percebemos que nessas ocasiões estávamos, de certa forma, desprogramados das exigências do tempo cronológico.
Para os gregos, cronos representava o tempo que falta para a morte, em tempo que se consome a si mesmo. Por isso, seu oposto é kairos: momentos afortunados que transcendem as limitações impostas pelo medo da morte!
Portanto, para vivermos sob a regência de kairos, precisamos ir além das convenções mundanas: saber seguir cada momento, de acordo com a sintonia de nossas necessidades interiores. Isto não quer dizer que podemos fazer o que quisermos na hora que bem entendermos, mas sim que devemos estar atentos para não deixar que os comandos exteriores ultrapassem os interiores.
Já que a pressão externa é cada vez maior, temos que desenvolver cada vez mais a paz interna. Na maioria das vezes, não encontramos soluções indiretas para as situações externas, então, podemos contar apenas com nossa condição interna. Paz interior é a melhor forma de proteção contra desafios externos. Além de ficarmos mais leves, nos tornamos bonitos também!
A eternidade é tornar os momentos inesquecíveis... portanto sejamos intensos e inteiros em nossas atitudes e relações.
Uma boa e feliz semana para todos!
Com afeto,
Beth Landim
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Aprendendo com a vida...
29/05/2018 | 09h10
 
Dona Maria Jiló é uma senhora de 92 anos, miúda, e tão elegante, que todo dia às 8 da manhã ela já está toda vestida, bem penteada e discretamente maquiada, apesar de sua pouca visão. E hoje ela se mudou para uma casa de repouso: o marido, com quem ela viveu 70 anos, morreu recentemente, e não havia outra solução. Depois de esperar pacientemente por duas horas na sala de visitas, ela ainda deu um lindo sorriso quando a atendente veio dizer que seu quarto estava pronto. Enquanto ela manobrava o andador em direção ao elevador, dei uma descrição do seu minúsculo quartinho, inclusive das cortinas floridas que enfeitavam a janela. Ela me interrompeu com o entusiasmo de uma garotinha que acabou de ganhar um filhote de cachorrinho. - Ah, eu adoro essas cortinas... - Dona Maria Jiló, a senhora ainda nem viu seu quarto... Espera um pouco... - Isto não tem nada a ver, ela respondeu, felicidade é algo que você decide por princípio. Se eu vou gostar ou não do meu quarto, não depende de como a mobília vai estar arrumada... Vai depender de como eu preparo minha expectativa. E eu já decidi que vou adorar. É uma decisão que tomo todo dia quando acordo. Sabe, eu posso passar o dia inteiro na cama, contando as dificuldades que tenho em certas partes do meu corpo que não funcionam bem. Ou posso levantar da cama agradecendo pelas outras partes que ainda me obedecem. - Simples assim? - Nem tanto, isto é para quem tem autocontrole e todos podem aprender, e exigiu de mim um certo 'treino' pelos anos afora, mas é bom saber que ainda posso dirigir meus pensamentos e escolher, em conseqüência, os sentimentos.
Calmamente ela continuou: - Cada dia é um presente, e enquanto meus olhos se abrirem, vou focalizar o novo dia, mas também as lembranças alegres que eu guardei para esta época da vida. A velhice é como uma conta bancária: você só retira aquilo que guardou. Então, meu conselho para você é depositar um monte de alegrias e felicidade na sua Conta de Lembranças. E, aliás, obrigada por este seu depósito no meu Banco de Lembranças. Como você vê, eu ainda continuo depositando e acredito que, por mais complexa que seja a vida, sábio é quem a simplifica.
Depois me pediu para anotar: Como se manter jovem: Deixe fora os números que não são essenciais. Isto inclui a idade, o peso e a altura. Deixe que os médicos se preocupem com isso. Mantenha só os amigos divertidos. Os depressivos puxam para baixo. Lembre-se disto se for um desses depressivos! Aprenda sempre: aprenda mais sobre computadores, artes, jardinagem, o que quer que seja. Não deixe que o cérebro se torne preguiçoso. “Uma mente preguiçosa é a oficina do Alemão.” E o nome do Alemão é Alzheimer! Aprecie mais as pequenas coisas - Aprecie mais. Ria muitas vezes, durante muito tempo e alto. Ria até lhe faltar o ar. E se tiver um amigo que o faça rir, passe muito e muito tempo com ele! Quando as lágrimas aparecerem agüente, sofra e ultrapasse. A única pessoa que fica conosco toda a nossa vida somos nós próprios. VIVA enquanto estiver vivo. Rodeie-se das coisas que ama: quer seja a família, animais, plantas, hobbies, o que quer que seja. O seu lar é o seu refúgio. Não o descarte. Tome cuidado com a sua saúde: se é boa, mantenha-a. Se é instável, melhore-a. Se não consegue melhorá-la, procure ajuda. Não faça viagens de culpa. Faça uma viagem ao centro comercial, até a um país diferente, mas NÃO para onde haja culpa. Diga às pessoas que as ama e que ama a cada oportunidade de estar com elas. E, se não mandar isto a pelo menos quatro pessoas - quem é que se importa? Serão apenas menos quatro pessoas que deixarão de sorrir ao ver uma mensagem sua. Mas se puder, pelo menos, partilhe com alguém! O que de nós vale a pena se não tocarmos o coração das pessoas?
E como nos diz Aristóteles, revolucione a sua alma!!! “Ninguém é dono da sua felicidade, por isso não entregue sua alegria, sua paz sua vida nas mãos de ninguém, absolutamente ninguém. Somos livres, não pertencemos a ninguém e não podemos querer ser donos dos desejos, da vontade ou dos sonhos de quem quer que seja. A razão da sua vida é você mesmo. A tua paz interior é a tua meta de vida. Quando sentires um vazio na alma, quando acreditares que ainda está faltando algo, mesmo tendo tudo, remete teu pensamento para os teus desejos mais íntimos e busque a divindade que existe em você. Pare de colocar sua felicidade cada dia mais distante de você. Não coloque o objetivo longe demais de suas mãos: abrace os que estão ao seu alcance hoje. Se andas desesperado por problemas financeiros, amorosos, ou de relacionamentos familiares, busca em teu interior a resposta para acalmar-te, você é reflexo do que pensas diariamente. Pare de pensar mal de você mesmo, e seja seu melhor amigo sempre. Sorrir significa aprovar, aceitar, felicitar. Então abra um sorriso para aprovar o mundo que te quer oferecer o melhor. Com um sorriso no rosto as pessoas terão as melhores impressões de você, e você estará afirmando para você mesmo que está “pronto” para ser feliz. Trabalhe, trabalhe muito a seu favor. Pare de esperar a felicidade sem esforços. Pare de exigir das pessoas aquilo que nem você conquistou ainda. Critique menos, trabalhe mais. E não se esqueça nunca de agradecer. Agradeça tudo que está em sua vida nesse momento... Nossa compreensão do universo ainda é muito pequena para julgar o que quer que seja na nossa vida. A grandeza da vida não consiste em receber honras, mas em merecê-las.”
Com afeto,
Beth Landim
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Todo dia...
11/05/2018 | 12h01
Penso que antes de sermos mães, temos o aprendizado de sermos filhas... E é através do exemplo que subliminarmente vamos vivenciando o que é ser mãe... A maternidade chegou pra mim maravilhosamente em dose dupla! Quando recebi Juliana e Rafaela em meus braços, pude sentir o verdadeiro sentimento do Amor, do cuidar, da generosidade, do perfume que traz o aconchego... Dois anos depois, com Carolina, vivenciei ainda mais estes sentimentos, pois a experiência nos traz sabedoria do que nos é imprescindível vivenciar... O amor mais puro e sincero, o amor visceral, o amor que um simples olhar, um cheiro, um colo, nos traz uma felicidade indescritível... Desde então vivemos todos os momentos intensamente... Desde nossos banhos de mar nas lagoinhas de Chapéu de Sol, em Grussaí, as brincadeiras de subir nas árvores, aos nossos acampamentos de final de semana na fazenda, na barraca de camping, quando ainda não tínhamos nossa casa... a falta de luz que nos presenteava com a linda lua. Nossa barraca era sempre acariciada com a brisa suave que sopra do Rio Paraíba. Com o raiar do sol, a copa das árvores, faziam lindas cortinas para embalar nosso sono ainda cedinho... Lembro-me tanto de nossas cavalgadas noturnas, nossos piqueniques que depois de uma tarde à cavalo, nos sentávamos para saborear... Das nossas viagens sempre juntas, e todas as perguntas vindo à tona... da bagunça na viagem, na praia, no campo... estarmos juntos é sempre a maior e melhor festa... E para conhecermos as mães basta, conhecermos seus filhos... e minha mãe, junção perfeita de Everaldo e Dagmar, não só seguiu seus passos, mas alargou o caminho, abrindo horizontes em nossas vidas. Conciliadora, sempre... Pelas mãos da minha mãe, poderia aqui enumerar inúmeras realizações, mas a maior delas é o perfume que exala, com sua voz sempre serena e firme nos seus ensinamentos, a sua forma de falar com os olhos, seu silêncio que tanto nos diz. Sua presença é única e constante em nossas vidas, mesmo quando não está fisicamente ao nosso lado, pois o seu SER transcende em nossas almas. Seu sorriso sempre tranquilo, de quem sempre nos entende, sua intuição tão aguçada, que prevê nossos sentimentos, se antecipando a eles em vários momentos de nossa vida, a tornam mais que especial. Mãe te admiro muito! Quero sempre poder seguir os teus passos! Para você as palavras são pequenas, os gestos de carinho são poucos, diante de seu amor incondicional. Com você, experimento o amor profundo, enxergo com a alma e com o coração, sinto o verdadeiro sentido da BONANÇA! Você, com toda a sua sabedoria, nos ensina sempre, que a paciência do tempo nos auxilia a enfrentar os contratempos, e a transformar sempre a dor em amor. Este é o legado que você nos deixa sempre... Pois a esperança faz morada em seu ser e os sonhos continuam cada vez mais vivos em sua vida, refletindo em nós, seus filhos e netos que tanto a amamos. Uma árvore frondosa não nos dá bons frutos apenas... ela nos refresca a alma e acaricia o coração, nos proporciona acalento e refúgio do sol escaldante, mas, sobretudo possui a magia de nos acolher com seus longos braços... uma árvore frondosa nos proporciona sua fruta genuína e doce, como um bálsamo e um porto seguro a nos refrescar das intempéries da vida... Esta árvore frondosa é você! A quem homenageio pelo dia das mães! Uma mãe que conquistou a nossa admiração e amor, no exercício de uma educação que tem limites, mas que não limita e cerceia as diferenças de cada um de seus filhos... Uma mãe que aceita todos os convites, indo sempre além de nossas expectativas... Assim é você! Você nos agasalha sob as suas asas... sua luz nos ilumina, seu carinho e sua firmeza se transformam em energia transformadora para multiplicarmos em nossos lares o seu exemplo de amor... Hoje quero falar também pra você, minha querida e amada Tia Marta... Certas pessoas, somente o primeiro nome basta, pois sua intensidade e largueza são tantas que não precisam de nome completo... Seu sorriso, sua disponibilidade, sua alegria de viver, são marcas indeléveis que deixam em todos que passam pelo seu caminho! Mulher forte e firme, que para tudo tem um jeito... De sua mãe Dagmar, trouxe a grande generosidade no coração, no acolhimento, no atendimento... a todos que suas palavras chegam, o carinho e atenção que você passa já são o primeiro remédio. E então vamos costurando a vida... costurando o tempo, bordando em cima dos erros para que eles sumam. Costurar as pessoas que gostamos pertinho, costurar os domingos um mais perto do outro. Costurar o amor verdadeiro no peito de quem a gente ama. Costurar a saudade no fundo do baú para ela não fugir. Costurar a autoestima lá em cima, para nunca cair. Costurar o perdão na alma e a bondade na mão. Costurar o bem no bem. Costurar a saúde na enfermidade e a felicidade em todo o lugar e ir costurando a vida, um pouquinho de esperança em cada dia... e muita coragem em cada ser humano... Agradeço, ainda, a presença de Ir. Suraya Chaloub. Exemplo de maternidade espiritual. Talvez, bem mais difícil de alcançar. Parabenizo, ainda, Cacaia Martins pelos seus 80 anos, transcrevendo um texto de Dona Isa Mattoso, sua mãe: “Menina de Quissamã... que abriu as asas e voou... No voo que alçou... os livros encontrou e simplesmente se encantou... E nunca mais foi a mesma... pois a sua liberdade interior se fincou em meio às leituras e aos alunos... E na sua alma resplandeceu o brilho do amor de Deus... em uma sala de aula. Nos idos de 1945 em Quissamã... na minha sala de aula... onde tudo se iniciou, quanta sabedoria se plantou e implantou, e principalmente muito se partilhou e amou... e as sementes foram lançadas”. Nos idos de 2018... há quase 80 anos dessa vida bem vivida... a semeadura continua firme e forte... e felizes são aqueles que partilham dessa vida, da nossa Cacaia querida... Um abraço em todas as mães... pois nosso dia é todo dia!
Com afeto,
Beth Landim
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Cultivando as amizades...
27/04/2018 | 20h58
 
Duas estórias que nos fazem refletir...
Um fazendeiro que venceu o prêmio “milho-crescido”. Todo ano ele entrava com seu milho na feira e ganhava o maior prêmio. Uma vez um repórter de jornal o entrevistou e aprendeu algo interessante sobre como ele cultivou o milho. O repórter descobriu que o fazendeiro compartilhava a semente do milho dele com seus vizinhos. “Como pode você se dispor a compartilhar sua melhor semente de milho com seus vizinhos quando eles estão competindo com o seu em cada ano?” – perguntou o repórter. Por que?” - disse o fazendeiro, - “Você não sabe ? O vento apanha o pólen do milho maduro e o leva de campo para campo. Se meus vizinhos cultivam milho inferior, a polinização degradará continuamente a qualidade de meu milho. Se eu for cultivar milho bom, eu tenho que ajudar meus vizinhos a cultivar milho bom”. Ele era atento às conectividades da vida. O milho dele não pode melhorar a menos que o milho do vizinho também melhore. Aqueles que escolhem estar em paz devem fazer com que seus vizinhos estejam em paz. Aqueles que querem viver bem têm que ajudar os outros para que vivam bem. E aqueles que querem ser felizes têm que ajudar os outros a achar a felicidade, pois o bem-estar de cada um está ligado ao bem-estar de todos. A lição para cada um de nós se formos cultivar milho bom, nós temos que ajudar nossos vizinhos a cultivar milho bom.
Conta-nos uma lenda judaica que dois amigos cultivavam o mesmo campo de trigo, trabalhando arduamente a terra com amor e dedicação, numa luta estafante, às vezes inglória, à espera de um resultado compensador. Passam-se anos de pouco ou nenhum retorno. Até que um dia, chegou a grande colheita.
Perfeita, abundante, magnífica, satisfazendo os dois agricultores que a repartiram igualmente, eufóricos. Cada um seguiu o seu rumo. À noite, já no leito, cansado da brava lida daqueles últimos dias, um deles pensou: “Eu sou casado, tenho filhos fortes e bons, uma companheira fiel e cúmplice. Eles me ajudarão no fim da minha vida. O meu amigo é sozinho, não se casou, nunca terá um braço forte a apoiá-lo. Com certeza, vai precisar muito mais do dinheiro da colheita do que eu”. Levantou-se silencioso para não acordar ninguém, colocou metade dos sacos de trigo recolhidos na carroça e saiu. Ao mesmo tempo, em sua casa, o outro não conciliava o sono, questionando: “Para que preciso de tanto dinheiro se não tenho ninguém para sustentar, já estou idoso para ter filhos e não penso mais em me casar. As minhas necessidades são muito menores do que as do meu sócio, com uma família numerosa para manter”. Não teve dúvidas, pulou da cama, encheu a sua carroça com a metade do produto da boa terra e saiu pela madrugada fria, dirigindo-se à casa do outro. O entusiasmo era tanto que não dava para esperar o amanhecer. Na estrada escura e nebulosa daquela noite de inverno, os dois amigos encontraram-se frente a frente. Olharam-se espantados. Mas não foram necessárias as palavras para que entendessem a mútua intenção...
Nos tempos atuais é raro estarmos ao lado de quem sabe ouvir... Estamos sempre ávidos por falar, por contar, por dividir as nossas lutas, pois nestes momentos percebemos em nós um alívio das nossas tensões, um frescor em nossa mente, um vento bom nos envolvendo em novas e energizadas vibrações de paz. Porém a vida é uma via de mão dupla, e ao mesmo tempo que queremos ser ouvidos... os que nos cercam também esperam o mesmo de nós.
A vida nos proporciona momentos muito ricos, nos oportunizando sermos ombro amigo e ombro que recebe os amigos, sermos braços que abraçam e braços que são envolvidos em um forte abraço, sermos mãos que recebem flores e mão que semeiam o perfume das mesmas.
Amigo é aquele que no seu silêncio escuta o silêncio do outro. Como é bom sermos uma referência para os que nos cercam em nosso dia-a-dia e termos a certeza de que a nossa forma de sermos amigos envolve momentos de escuta, de paciência, de trocas, de caminhar lado a lado.
Hoje com a instantaneidade do mundo não podemos permitir que as nossas amizades se tornem também instantâneas, pois a amizade é um bem muito precioso, que não só lava a nossa alma, como também nos traz o frescor da juventude para os nossos dias...
Que saibamos então repensar os valores que compõem uma amizade como nessas duas estórias... a sinceridade, o cuidar do outro, o não ser egoísta, o não ser individualista, a paciência, o respeito ao limite do outro, mas também o impulsionar a sair do limite e vencer os próprios desafios...
Que assim como o milho bom nós possamos ser sempre um vento suave, como o que sopra nos campos de trigo, levando aos nossos amigos o calor, a energia e o aconchego da nossa sincera amizade...
Um forte e gostoso abraço...
Com afeto,
Beth Landim
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Façamos a nossa parte...
25/04/2018 | 22h33
O velho estava cuidando da planta com todo o carinho. O jovem aproximou-se e perguntou: - Que planta é esta que o senhor está cuidando? - É uma jabuticabeira, respondeu o velho. - E ela demora quanto tempo para dar frutos? - Pelo menos uns quinze anos, informou o velho. - E o senhor espera viver tanto tempo assim, indagou, irônico, o rapaz. - Não, não creio que viva mais tempo, pois já estou no fim da minha jornada, disse o ancião. - Então, que vantagem você leva com isso, meu velho? - Nenhuma, exceto a vantagem de saber que ninguém colheria jabuticabas, se todos pensassem como você… Conta-nos outra história que na fila do supermercado, o caixa diz a uma senhora idosa: - A senhora deveria trazer suas próprias sacolas para as compras, uma vez que sacos de plástico não são amigáveis ao meio ambiente. A senhora pediu desculpas e disse: - Não havia essa onda verde no meu tempo. O empregado respondeu: - Esse é exatamente o nosso problema hoje, minha senhora. Sua geração não se preocupou o suficiente com nosso meio ambiente. - Você está certo - responde a velha senhora - nossa geração não se preocupou adequadamente com o meio ambiente. Naquela época, as garrafas de leite, garrafas de refrigerante e cerveja eram devolvidos à loja. A loja mandava de volta para a fábrica, onde eram lavadas e esterilizadas antes de cada reuso, e eles, os fabricantes de bebidas, usavam as garrafas, umas tantas outras vezes. Realmente não nos preocupamos com o meio ambiente no nosso tempo. Subíamos as escadas, porque não havia escadas rolantes nas lojas e nos escritórios. Caminhávamos até o comércio, ao invés de usar o nosso carro de 300 cavalos de potência a cada vez que precisávamos ir a dois quarteirões. Mas você está certo. Nós não nos preocupávamos com o meio ambiente. Até então, as fraldas de bebês eram lavadas, porque não havia fraldas descartáveis. Roupas secas: a secagem era feita por nós mesmos, não nestas máquinas bamboleantes de 220 volts. A energia solar e eólica é que realmente secavam nossas roupas. Os meninos pequenos usavam as roupas que tinham sido de seus irmãos mais velhos, e não roupas sempre novas. Mas é verdade: não havia preocupação com o meio ambiente, naqueles dias. Naquela época só tínhamos somente uma TV ou rádio em casa, e não uma TV em cada quarto. E a TV tinha uma tela do tamanho de um lenço, não um telão do tamanho de um estádio, que depois será descartado como? Na cozinha, tínhamos que bater tudo com as mãos porque não havia máquinas elétricas, que fazem tudo por nós. Quando embalávamos algo um pouco frágil para o correio, usamos jornal amassado para protegê-lo, não plástico bolha que dura cinco séculos para começar a degradar. Naqueles tempos não se usava um motor a gasolina apenas para cortar a grama, era utilizado um cortador de grama que exigia músculos. O exercício era extraordinário, e não precisava ir a uma academia e usar esteiras que também funcionam a eletricidade. Mas você tem razão: não havia naquela época preocupação com o meio ambiente. Bebíamos diretamente da fonte, quando estávamos com sede, em vez de usar copos plásticos e garrafas pet que agora lotam os oceanos. Canetas: recarregávamos com tinta umas tantas vezes ao invés de comprar uma outra. Abandonamos as navalhas, ao invés de jogar fora todos os aparelhos descartáveis e poluentes só porque a lâmina ficou sem corte. Na verdade, tivemos uma onda verde naquela época. Naqueles dias, as pessoas tomavam o bonde ou ônibus e os meninos iam em suas bicicletas ou a pé para a escola, ao invés de usar a mãe como um serviço de táxi 24 horas. Tínhamos só uma tomada em cada quarto, e não um quadro de tomadas em cada parede para alimentar uma dúzia de aparelhos. E nós não precisávamos de um GPS para receber sinais de satélites a milhas de distância no espaço, só para encontrar a pizzaria mais próxima. Então, não é risível que a atual geração fale tanto em meio ambiente, mas não quer abrir mão de nada e não pensa em viver um pouco como na minha época? O que fica destas duas histórias é que a nossa fala, o nosso discurso deve ser um reflexo e um caminhar constante do nosso interior. Vivemos um mundo consumista, individualista e extremamente líquido... Liquidez nas amizades, liquidez na construção das relações, das famílias, do profissionalismo... Mas do que criticar e jogar pedra, devemos fazer a nossa parte, como as gotículas do orvalho que caem no oceano. Estas gotículas, mesmo imperceptíveis, fazem a diferença para o oceano... Assim, se fizermos mais, e não apenas aquilo nos interessa particularmente, mas principalmente quando estamos deixando um legado, escrevendo a nossa história para o bem da coletividade, com certeza, estaremos no caminho certo. As nossas responsabilidades são exclusivamente nossas. Não temos como transferi-las ao longo das trilhas do caminho. A colheita virá a seu tempo, o que importa são as sementes que foram plantadas no tempo certo, por nossas próprias mãos. Não importa se teremos tempo suficiente para ver mudadas as coisas e pessoas pelas quais lutamos, mas sim, que façamos a nossa parte, de modo que tudo se transforme a seu tempo!
Com afeto,
Beth Landim
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Perdoar... um santo remédio!
25/04/2018 | 22h28
Nos diz o psicólogo Antônio Roberto Soares que em todos os caminhos de crescimento humano, tanto psicológico quanto espiritual, uma ênfase especial é dada à questão da mágoa. Não só pelo sofrimento que ela produz, mas também pelo transtorno que provoca nos relacionamentos. Qualquer que seja o nome que damos a esse sentimento, seja mágoa, rancor, ressentimento ou vingança, ele se caracteriza pela amargura na alma, uma sensação de injustiça a partir do mal que alguém nos fez. Além da dor, o componente fundamental da mágoa é a sua permanência. É uma incapacidade de parar de sofrer, mesmo com o passar do tempo. E como é impossível levar nossas vidas sem sermos machucados pelas outras pessoas, de vez em quando, tendo em vista a imperfeição da natureza humana, corremos o risco de acumular feridas e nos tornarmos pessoas amargas, desiludidas e sofredoras. A mágoa é uma forma de guardarmos para depois, coisas que não queremos resolver na hora.
Uma das características da vida é que ela só pode ser vivida no presente. O passado e o futuro, apesar de existirem na nossa cabeça, não têm existência real. Seria uma grande tolice imaginarmos que podemos respirar para amanhã, que podemos viver ontem. O natural é que as coisas sejam vividas, mesmo as ruins, no momento em que elas ocorrem.
O sentimento de raiva, que é natural, tem o objetivo de nos ajudar a resolver nossos problemas, incluindo as ofensas, traições ou quaisquer outros atos que as pessoas produzam. Quando somos inibidos na nossa raiva, quando temos medo de expressá-la, ela esfria dentro de cada um de nós e se transforma em mágoa. Mágoa é toda a raiva que ficou para depois. É a raiva dentro da geladeira. É o medo de resolvermos nossos conflitos com outras pessoas no momento em que aparecem. Guimarães Rosa define, magistralmente, a mágoa no seu livro Grande Sertão Veredas: “Mágoa é lamber frio o que o outro cozinhou quente demais para nós”. A pessoa rancorosa apresenta as seguintes dificuldades: aceitar a imperfeição humana, idealizando uma realidade onde as pessoas nunca falhem com ela; expressar a raiva na colocação clara do seu desagrado diante do outro; viver o momento presente, sendo extremamente apegada ao passado. Por isso, quem guarda mágoa, em geral, é também um saudosista e culposo, características dos que vivem no passado. Uma vez, porém, instalada a mágoa, só nos resta uma saída: o perdão. Se a mágoa nos envenena e machuca, o perdão nos alivia e cura.
Pode-se medir a sanidade psicológica de alguém por sua capacidade de perdoar. O perdão é a ponte que nos faz sair da depressão para a alegria: “Perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos aqueles que nos têm ofendido”.
Por que tanta dificuldade em perdoar? Porque há equívocos em torno do perdão que dificultam o exercício dele. Primeiramente há uma crença falsa de que o beneficiário do perdão é a pessoa que nos ofendeu. O perdão é algo bom para quem perdoa. Perdoar é ficar livre da dor causada pelo outro. É ficar livre daqueles que nos magoaram. É um presente dado a mim mesmo. Em segundo lugar, há uma idéia igualmente falsa de que, ao perdoarmos, devemos esquecer o mal que nos fizeram e voltar a ter com a pessoa o mesmo relacionamento de antes. Perdoar não é esquecer. É apenas parar de sofrer. “Devemos, porém, aprender com a experiência e podemos, a partir daí, escolher qual relacionamento teremos com o ofensor”. Perdoar não significa fazer de conta que nada aconteceu. Pelo contrário, temos de levar em conta a experiência, revendo a relação, e por isso mesmo, nos livrando do sofrimento. Perdoar os outros é o presente que oferecemos a nós mesmos.
Chega de carregar na alma as ofensas e os que nos ofenderam. Melhor do que perdoar é não se ofender.
E então, quando lavamos nossa alma com o perdão, deixamos também de ser vítima dos problemas e nos tornamos autores da própria história. É saber atravessar desertos fora de si, mas também ser capaz de encontrar um oásis no interior de nossa alma. Quando aprendemos a perdoar, passamos a ter mais segurança e maturidade para receber uma crítica, mesmo que injusta, pois o perdão nos deixa inteiros, nos renova, nos deixa LIVRE...
E a liberdade vem junto com a felicidade... "És precária e veloz, felicidade. Custa a vir, e, quando vens, não se demoras. Foste tu que ensinaste aos homens que havia tempo, e, para te medir, se inventaram as horas..." Cecília Meireles expressou tão bem, em seus versos, o que tanto buscamos... a felicidade.
E para saborear a tão sonhada felicidade, precisamos aprender a perdoar, a não olhar pelo retrovisor, a não guardar mágoas, aprender inclusive a nos perdoar, para depois compreendermos o outro...
Livre-se então do sentimento de culpa, olhe-se por inteiro e terá a inteireza para olhar, perdoar e ser feliz...
Uma boa semana para todos...
Com afeto,
Beth Landim
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A pulga, a mosca e a lesma...
07/04/2018 | 11h48
Max Gehringer, administrador de empresas e escritor muito conhecido por todos os brasileiros, nos traz em seus artigos muitas contribuições não só em relação às questões empresariais, mas também suscita reflexões para nossa vida pessoal. Em um de seus textos, intitulado “As duas pulgas”, ele nos aponta uma questão muito interessante: os perigos dessa necessidade exarcebada de mudança expostas pelo mundo atual.Por isso, essa semana, peço licença a Max Gehringer para citar essa história e a partir dela refletir com meus amigos leitores sobre a armadilha das mudanças drásticas de coisas que não precisam de alteração, apenas aprimoramento. “Duas pulgas estavam conversando e então uma comentou com a outra:
- Sabe qual é o nosso problema? Nós não voamos, só sabemos saltar. Daí nossa chance de sobrevivência, quando somos percebidas pelo cachorro, é zero. É por isso que existem muito mais moscas do que pulgas. Elas então decidiram contratar uma mosca para treinar todas as pulgas a voar e entraram num programa de treinamento de vôo e saíram voando. Passado algum tempo, a primeira pulga falou para a outra: - Quer saber? Voar não é o suficiente, porque ficamos grudadas ao corpo do cachorro e nosso tempo de reação é bem menor do que a velocidade da coçada dele, e ele nos pega. Temos de aprender a fazer como as abelhas, que sugam o néctar e levantam vôo rapidamente. Elas então contrataram uma abelha para lhes ensinar a técnica do chega-suga-voa. Funcionou, mas não resolveu... A primeira pulga explicou por quê: - Nossa bolsa para armazenar sangue é pequena, por isso temos de ficar muito tempo sugando. Escapar, a gente até escapa, mas não estamos nos alimentando direito. Temos de aprender como os pernilongos fazem para se alimentar com aquela rapidez. E então um pernilongo lhes prestou treinamento para incrementar o tamanho do abdômen. Resolvido, mas por poucos minutos... Como tinham ficado maiores, a aproximação delas era facilmente percebida pelo cachorro, e elas eram espantadas antes mesmo de pousar. Foi aí que encontraram uma saltitante pulguinha, que lhes perguntou: - Ué, vocês estão enormes! Fizeram plásticas? - Não, entramos num longo programa de treinamento. Agora somos pulgas adaptadas aos desafios do século XXI. Voamos, picamos e podemos armazenar mais alimento. - E por que é que estão com cara de famintas? - Isso é temporário. Já estamos fazendo treinamento com um morcego, que vai nos ensinar a técnica do radar, de modo a perceber, com antecedência, a vinda da pata do cachorro. E você? - Ah, eu vou bem, obrigada. Forte e sadia. Mas as pulgonas não quiseram dar a pata a torcer, e perguntaram à pulguinha: - Mas você não está preocupada com o futuro? Não pensou em um programa de treinamento, em uma reengenharia? - Quem disse que não? Contratei uma lesma como consultora. - Mas o que as lesmas têm a ver com pulgas, quiseram saber as pulgonas... - Tudo. Eu tinha o mesmo problema que vocês duas. Mas, em vez de dizer para a lesma o que eu queria, deixei que ela avaliasse a situação e me sugerisse a melhor solução. E ela passou três dias ali, quietinha, só observando o cachorro, e então ela me disse: “Não mude nada. Apenas sente na nuca do cachorro. É o único lugar que a pata dele não alcança.”
Essa simples história nos faz refletir sobre a necessidade atual de não focar nossas ações no problema e sim na SOLUÇÃO. É importante pensar, que para ser mais eficiente, é necessário escutar mais e falar menos, pois muitas vezes a GRANDE MUDANÇA é uma simples questão de reposicionamento. No mundo do trabalho e na vida pessoal, o grande desafio parece ser como dizemos popularmente, “apagar incêndios”. Vemos o tempo todo profissionais brilhantes, buscando saída para os problemas que envolvem alternativas para causas desconhecidas, perderem seu tempo focados na solução de problemas redundantes que acabam por minar a capacidade de desenvolvimento profissional e pessoal. O foco em achar a solução dos problemas está na mudança radical. No entanto, o foco na vida, assim como na profissão, deve estar na causa da situação em questão, o que às vezes não é fácil de identificar pois demanda uma grande dose de humildade, coragem, dedicação e entrega pessoal na direção da verdadeira solução das dificuldades que parecem não ter fim. Na maioria das vezes a solução não está na mudança, mas na transfiguração da maneira de ver e olhar a situação. Um novo posicionamento pode reverter todo o processo para o sucesso! Reflitam ... quantas vezes já não fizemos como as pulgas! Boa semana!
Com afeto,
Beth Landim
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Sobre o autor

Elizabeth Landim

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