A pulga, a mosca e a lesma...
07/04/2018 | 11h48
Max Gehringer, administrador de empresas e escritor muito conhecido por todos os brasileiros, nos traz em seus artigos muitas contribuições não só em relação às questões empresariais, mas também suscita reflexões para nossa vida pessoal. Em um de seus textos, intitulado “As duas pulgas”, ele nos aponta uma questão muito interessante: os perigos dessa necessidade exarcebada de mudança expostas pelo mundo atual.Por isso, essa semana, peço licença a Max Gehringer para citar essa história e a partir dela refletir com meus amigos leitores sobre a armadilha das mudanças drásticas de coisas que não precisam de alteração, apenas aprimoramento. “Duas pulgas estavam conversando e então uma comentou com a outra:
- Sabe qual é o nosso problema? Nós não voamos, só sabemos saltar. Daí nossa chance de sobrevivência, quando somos percebidas pelo cachorro, é zero. É por isso que existem muito mais moscas do que pulgas. Elas então decidiram contratar uma mosca para treinar todas as pulgas a voar e entraram num programa de treinamento de vôo e saíram voando. Passado algum tempo, a primeira pulga falou para a outra: - Quer saber? Voar não é o suficiente, porque ficamos grudadas ao corpo do cachorro e nosso tempo de reação é bem menor do que a velocidade da coçada dele, e ele nos pega. Temos de aprender a fazer como as abelhas, que sugam o néctar e levantam vôo rapidamente. Elas então contrataram uma abelha para lhes ensinar a técnica do chega-suga-voa. Funcionou, mas não resolveu... A primeira pulga explicou por quê: - Nossa bolsa para armazenar sangue é pequena, por isso temos de ficar muito tempo sugando. Escapar, a gente até escapa, mas não estamos nos alimentando direito. Temos de aprender como os pernilongos fazem para se alimentar com aquela rapidez. E então um pernilongo lhes prestou treinamento para incrementar o tamanho do abdômen. Resolvido, mas por poucos minutos... Como tinham ficado maiores, a aproximação delas era facilmente percebida pelo cachorro, e elas eram espantadas antes mesmo de pousar. Foi aí que encontraram uma saltitante pulguinha, que lhes perguntou: - Ué, vocês estão enormes! Fizeram plásticas? - Não, entramos num longo programa de treinamento. Agora somos pulgas adaptadas aos desafios do século XXI. Voamos, picamos e podemos armazenar mais alimento. - E por que é que estão com cara de famintas? - Isso é temporário. Já estamos fazendo treinamento com um morcego, que vai nos ensinar a técnica do radar, de modo a perceber, com antecedência, a vinda da pata do cachorro. E você? - Ah, eu vou bem, obrigada. Forte e sadia. Mas as pulgonas não quiseram dar a pata a torcer, e perguntaram à pulguinha: - Mas você não está preocupada com o futuro? Não pensou em um programa de treinamento, em uma reengenharia? - Quem disse que não? Contratei uma lesma como consultora. - Mas o que as lesmas têm a ver com pulgas, quiseram saber as pulgonas... - Tudo. Eu tinha o mesmo problema que vocês duas. Mas, em vez de dizer para a lesma o que eu queria, deixei que ela avaliasse a situação e me sugerisse a melhor solução. E ela passou três dias ali, quietinha, só observando o cachorro, e então ela me disse: “Não mude nada. Apenas sente na nuca do cachorro. É o único lugar que a pata dele não alcança.”
Essa simples história nos faz refletir sobre a necessidade atual de não focar nossas ações no problema e sim na SOLUÇÃO. É importante pensar, que para ser mais eficiente, é necessário escutar mais e falar menos, pois muitas vezes a GRANDE MUDANÇA é uma simples questão de reposicionamento. No mundo do trabalho e na vida pessoal, o grande desafio parece ser como dizemos popularmente, “apagar incêndios”. Vemos o tempo todo profissionais brilhantes, buscando saída para os problemas que envolvem alternativas para causas desconhecidas, perderem seu tempo focados na solução de problemas redundantes que acabam por minar a capacidade de desenvolvimento profissional e pessoal. O foco em achar a solução dos problemas está na mudança radical. No entanto, o foco na vida, assim como na profissão, deve estar na causa da situação em questão, o que às vezes não é fácil de identificar pois demanda uma grande dose de humildade, coragem, dedicação e entrega pessoal na direção da verdadeira solução das dificuldades que parecem não ter fim. Na maioria das vezes a solução não está na mudança, mas na transfiguração da maneira de ver e olhar a situação. Um novo posicionamento pode reverter todo o processo para o sucesso! Reflitam ... quantas vezes já não fizemos como as pulgas! Boa semana!
Com afeto,
Beth Landim
Compartilhe
O Pai é nosso...
02/04/2018 | 12h50
 
Páscoa para mim é ouvir sem interromper, falar sem acusar, dar sem poupar, orar sem cessar, responder sem brigar, partilhar sem fingir, desfrutar sem reclamar, confiar sem vacilar, perdoar sem ferir... Como nos diz Pe Fábio de Melo... “Uma das coisas que eu acho fascinante em Jesus, é a capacidade que ele tinha de encontrar no meio da multidão, pessoas. Ele era capaz de reconhecer em cima de uma árvore um homem, e descobrir nele um amigo. Bonito, uma amizade que nasce a partir da precariedade, quando você chega desprevenido, o outro viu o que você tem de pior, e mesmo assim, ele se apaixonou por você. Amor concreto, cotidiano, diário. Jesus se apaixonava assim pelas pessoas e as tornava suas amigas. As trazia para perto Dele. É fascinante olhar para a capacidade que esse homem, que esse Deus tem, de investigar a miséria do outro e encontrar a pedra preciosa que está escondida. Isso é Páscoa, isso é ressurreição. É quando no sepulcro do nosso coração, alguém descobre um fio de vida, e ao puxar esse fio, vai fazendo com que a gente se torne melhor. Não há nada mais bonito do que você ser achado quando você está perdido. Não há nada mais bonito do que você ser encontrado, no momento que você não sabe para onde ir e não sabe nem onde está... O amor humano tem a capacidade de ser o amor de Deus na nossa vida, por causa disso: porque Ele nos elege! Por isso que é bom termos amigos, porque na verdade, as pessoas amigas antecipam no tempo, aquilo que acreditamos ser eterno... Quando elas são capazes de olhar para nós e descobrir o que temos de bonito... mesmo que isso, às vezes, costume ficar escondido por trás daquilo que é precário. Por isso, agradeço muito a Deus pelos amigos que tenho. Pelas pessoas que descobriram, no que eu tenho de pior, uma coisinha que eu tenho de bom, e mesmo assim continuam ao meu lado, me ajudando a ser gente, me ajudando a ser mais de Deus, ajudando a buscar dentro de mim, a essência boa que acreditamos que Deus colocou em cada um de nós. Ter amigos é como arvorear: lançar galhos, lançar raízes... Para que o outro quando olhar a árvore, saiba que nós estamos ali... Que nós permanecemos para fazer sombra, para trazer ao outro, um pouco de aconchego que às vezes ele precisa na vida...” Isso é Páscoa...
Para os judeus, a Páscoa também é a festa mais importante do ano e há a reunião de parentes e amigos. Devemos ensinar aos nossos filhos e netos que ser um homem livre implica em responsabilidades de ser humilde e levar a liberdade aos outros que não tem. Jesus, humildemente, dobrou-se até o chão para lavar os pés dos discípulos. Gesto de extrema humildade e serviço, à semelhança de um escravo. Faz-se irmão verdadeiro, servindo, e pede que façamos o mesmo. Eis o caminho que nos conduz à redenção, à liberdade, à vida. Nossos gestos de amor tornam-se sacramentos: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei”.
É fácil condenar. Exigente é amar, servir e dispor-se em favor da vida. Porém a vida é vitoriosa sempre. Romperam-se os laços da morte e a plenitude da vida penetrou todo o universo, em cada ser humano.
O exemplo do lava-pés caracteriza-se por uma ação pontual e simbólica de Jesus Cristo. Envolve uma série de passos práticos: levantar-se, tirar o manto, cingir-se com a toalha, tomar a jarra com água e a bacia, lavar os pés dos discípulos. Diversos atos em função de uma atitude. Apesar do conjunto (atitude) parecer mais importante do que as partes (atos), eles não sobrevivem isoladamente. Os atos sem atitude tornam-se ações mecânicas, passageiras. A atitude sem atos também não sobrevive, porque se revela estéril. A relação é recíproca.
No caso de Jesus Cristo, cada etapa do gesto era impulsionada pela atitude fundamental de Deus: estar a serviço do homem. O cristão precisa, desta maneira, mergulhado no ensinamento que vem do alto, colocar-se por inteiro nas ações de promoção da vida, e vida em abundância (cf. Jo 10, 10).
O PÃO é o alimento símbolo do inteiro, não só substância. No pão o ser humano reconhece os elementos fundamentais do mundo: a TERRA que recebe a semente e faz crescer o trigo, a ÁGUA na mistura com a farinha, o FOGO e o AR para o cozimento. O pão é, em todas as culturas e em todas as linguagens, metáfora do alimento. A palavra pão vem do grego “pân” que significa TUDO.
O vinho, diferente do pão, não é uma necessidade. Porém, ao lado do pão da necessidade, do pão que sacia, do pão cotidiano, é sinal da gratuidade, da festa, da alegria. Que sabor teria a vida ou para que serviria sem o símbolo da gratuidade, da alegria e da plenitude da vida?
Assim, pão e vinho são sinônimos de partilha e de humanização. Uma celebração da vida. Anunciam a família que se reúne, a mãe que o amassou, o pai que o ganhou e os filhos que se alimentam. Jamais um sem o outro! Numa sociedade na qual predomina o mais forte, a partilha é uma ameaça onde triunfa o individualismo. A partilha nos recorda o destino comum de toda humanidade. Numa sociedade onde predomina o desperdício, a partilha é sinal de comunhão e de fraternidade.
Portanto, o Pai não é seu, não é meu... O Pai é nosso!!! Que possamos vivenciar a Páscoa, todos os dias do ano... com erros e acertos, mas sobretudo com amor sincero...
Feliz Páscoa!
Com afeto,
Beth Landim
Compartilhe
E você seria salvo?
26/03/2018 | 11h47
 
Duas estórias e uma reflexão...
No ventre de uma mulher grávida estavam 2 bebês. O primeiro pergunta ao outro: 1.Você acredita na vida após o nascimento? 2.Certamente. Algo tem de haver após o nascimento. Talvez estejamos aqui principalmente porque nós precisamos nos preparar para o que seremos mais tarde. 1.Bobagem, não há vida após o nascimento. Como verdadeiramente seria essa vida? 2.Eu não sei exatamente, mas certamente haverá mais luz do que aqui. Talvez caminhemos com nossos próprios pés e comeremos com a boca. 1.Isso é um absurdo! Caminhar é impossível. E comer com a boca? É totalmente ridículo! O cordão umbilical nos alimenta. Eu digo somente uma coisa: A vida após o nascimento está excluída - o cordão umbilical é muito curto. 2.Na verdade, certamente há algo. Talvez seja apenas um pouco diferente do que estamos habituados a ter aqui. 1.Mas ninguém nunca voltou de lá, depois do nascimento. O parto apenas encerra a vida. E afinal de contas, a vida é nada mais do que a angústia prolongada na escuridão. 2.Bem, eu não sei exatamente como será depois do nascimento, mas com certeza veremos a mamãe e ela cuidará de nós. 1.Mamãe? Você acredita na mamãe? E onde ela supostamente está? 2.Onde? Em tudo à nossa volta! Nela e através dela nós vivemos. Sem ela tudo isso não existiria. 1.Eu não acredito! Eu nunca vi nenhuma mamãe, por isso é claro que não existe nenhuma. 2.Bem, mas às vezes quando estamos em silêncio, você pode ouvi-la cantando, ou sente, como ela afaga nosso mundo. Saiba, eu penso que só então a vida real nos espera e agora apenas estamos nos preparando para ela...
A outra estória é de um empregado em um frigorífico da Noruega.
Certo dia ao término do trabalho foi inspecionar a câmara frigorífica. Inexplicavelmente, a porta se fechou e ele ficou preso dentro da câmara. Bateu na porta com força, gritou por socorro mas ninguém o ouviu, todos já haviam saído para suas casas e era impossível que alguém pudesse escutá-lo. Já estava quase 5 horas preso, debilitado com a temperatura insuportável. De repente a porta se abriu e o vigia entrou na câmara e o resgatou com vida. Depois de salvar a vida do homem, perguntaram ao vigia: Porque foi abrir a porta da câmara se isto não fazia parte da sua rotina de trabalho? Ele explicou: Trabalho nesta empresa há 35 anos, centenas de empregados entram e saem aqui todos os dias e ele é o único que me cumprimenta ao chegar pela manhã e se despede de mim ao sair. Hoje pela manhã disse “Bom dia” quando chegou. Entretanto não se despediu de mim na hora da saída. Imaginei que poderia ter-lhe acontecido algo. Por isto o procurei e o encontrei… Pergunta: Será que você seria salvo?
A violência e a intolerância têm dominado o mundo. Observe como elas estão ao seu redor, nos noticiários da televisão, nas páginas dos jornais e das revistas, nas conversas em rodas de amigos. Impotentes que nos sentimos diante de sua escalada, recorremos às leis – contratos firmados entre os homens para regular a convivência em sociedade. Uns passam a defender a pena de morte, um maior rigor na aplicação das normas, a antecipação da maioridade penal, etc. Buscamos proteção e sequer percebemos que pouco contribuímos para alcançá-la. Os males que nos afligem decorrem de nossa natureza individualista. Queremos sempre mais. Mais posses, mais bens, mais exposição. Mais coisas quantificáveis, palpáveis, que possam ornamentar uma parede ou serem vistas sobre um móvel de mármore. E, em contrapartida, temos menos carinho, companhia, afeto. Beijamos poucos e abraçamos menos ainda. Todo jovem, em algum momento de sua vida, nutre a utopia de construir uma sociedade mais justa, onde as diferenças socioeconômicas sejam abrandadas. Ele sabe de sua força e da importância de suas ações para obter esse feito. Mas a idade adulta nos visita e passamos a acreditar que a humanidade não pode ser salva e que uma atitude pontual é suficiente para surtir efeito. Aqui reside a grande quebra de paradigma. São as pequenas ações individuais, tomadas coletiva e sucessivamente, a gênese da transformação. Lembro-me de um provérbio chinês que diz: Antes de iniciares a tarefa de mudar o mundo, dá 3 voltas na tua própria casa. Este processo contínuo e envolvente é chamado de Espiral da Ética. A imagem da espiral remete a algo flexível e em constante movimento ascendente. E a ética invoca aos preceitos morais que habitam com naturalidade nosso íntimo. Alimentamos esta Espiral da Ética através de nossos comportamentos e atitudes. Poderíamos desfilar aqui muitos exemplos, mas você poderá fazer sua própria lista e começar a colocá-la em prática imediatamente. O Poder da Gentileza nos torna conscientes e nos faz agir em direção a práticas mais nobres e menos superficiais. Você encontrará sua essência, a paz e a calma que tanto merece. Ao fazer isso por você, estará fazendo por todos nós. Blaise Pascal gênio da matemática, inventor da máquina de calcular e filósofo nos diz: “O espírito de gentileza nunca ganhou centralidade, por isso somos tão vazios e violentos. Hoje ele é urgente. Ou seremos gentis e cuidantes ou nos entre devoraremos.” Embora insistamos em acreditar que a essência de nossa busca deva ser por “coisas”, no fundo, nada mais desejamos – genuinamente – além de felicidade, o que, definitivamente, não está nas “coisas” e sim na relação que mantemos com as pessoas. É isso que pode realmente nos fazer sentir satisfeitos, preenchidos e em paz! Pois: Cego é aquele que é incapaz de enxergar outro mundo. Mudo é aquele que é incapaz de dizer palavras amáveis no momento certo. Pobre é aquele que é atormentado por ambição desmedida... e Rico é aquele cujo o coração está em paz!
E você seria salvo?
Com afeto,
Beth Landim
Compartilhe
A bolacha e o paraquedas...
19/03/2018 | 21h33
 
Era uma vez uma moça que estava à espera de seu vôo, na sala de embarque de um grande aeroporto. Como ela deveria esperar por muitas horas, resolveu comprar um livro para matar o tempo. Comprou, também, um pacote de bolachas. Sentou-se numa poltrona, na sala VIP do aeroporto, para que pudesse descansar e ler em paz. Ao seu lado sentou-se um homem. Quando ela pegou a primeira bolacha, o homem também pegou uma. Ela se sentiu indignada, mas não disse nada. Apenas pensou : “Mas que cara de pau! Se eu estivesse mais disposta, lhe daria um soco no olho para que ele nunca mais esquecesse!!!”
A cada bolacha que ela pegava, o homem também pegava uma. Aquilo a deixava tão indignada que não conseguia nem reagir. Quando restava apenas uma bolacha, ela pensou: “Ah. O que será que este abusado vai fazer agora?” Então o homem dividiu a última bolacha ao meio, deixando a outra metade para ela. Ah! Aquilo era demais! Ela estava bufando de raiva! Então, ela pegou o seu livro e as suas coisas e se dirigiu ao local de embarque.
Quando ela se sentou, confortavelmente, numa poltrona já no interior do avião olhou dentro da bolsa para pegar uma caneta, e, para sua surpresa, o pacote de bolachas estava lá… ainda intacto, fechadinho! Ela sentiu tanta vergonha! Só então ela percebeu que a errada era ela sempre tão distraída! Ela havia se esquecido que suas bolachas estavam guardadas, dentro da sua bolsa… O homem havia dividido as bolachas dele sem se sentir indignado, nervoso ou revoltado, enquanto ela tinha ficado muito transtornada, pensando estar dividindo as dela com ele. E já não havia mais tempo para se explicar… nem para pedir desculpas!
Quantas vezes, em nossa vida, nós é que estamos comendo as bolachas dos outros, e não temos a consciência disto? Antes de concluir, observe melhor! Talvez as coisas não sejam exatamente como você pensa! Não pense o que não sabe sobre as pessoas. Existem quatro coisas na vida que não se recuperam:
a pedra, depois de atirada; a palavra, depois de proferida; a ocasião, depois de perdida; e o tempo, depois de passado...
Outra história nos conta que Charles Plumb era piloto de um bombardeiro na guerra do Vietnã que depois de muitas missões de combate, seu avião foi derrubado por um míssil. Plumb saltou de paraquedas, foi capturado e passou seis anos numa prisão norte-vietnamita. Ao retornar aos Estados Unidos, passou a dar palestras relatando sua odisséia e o que aprendera na prisão. Certo dia, num restaurante, foi saudado por um homem: - Olá, você é Charles Plumb, era piloto no Vietnã e foi derrubado, não é mesmo? - Sim, como sabe?, perguntou Plumb.
- Era eu quem dobrava o seu paraquedas. Parece que funcionou bem, não é verdade?" Plumb quase se afogou de surpresa e com muita gratidão respondeu: - Claro que funcionou, caso contrário eu não estaria aqui hoje. Muito obrigado!
Ao ficar sozinho naquela noite, Plumb não conseguia dormir, lembrando-se de quantas vezes havia passado por aquele homem no porta-aviões e nunca lhe disse nem um "bom dia". Era um piloto arrogante e aquele sujeito, um simples marinheiro. Pensou também nas horas que o marinheiro passou humildemente no barco enrolando os fios de seda de vários paraquedas, tendo em suas mãos a vida de alguém que não conhecia. Agora, Plumb inicia suas palestras perguntando à sua platéia: "Quem dobrou seu paraquedas hoje?". Todos temos alguém cujo trabalho é importante para que possamos seguir adiante. Precisamos de muitos paraquedas durante o dia: físico, emocional, mental, espiritual... portanto jamais deixemos de agradecer.
Muitas vezes comemos a bolacha dos outros e em outras não sabemos quem preparou a nossa bolacha ou quem dobrou nosso paraquedas... Nestas duas situações está o nosso olhar ao outro... Será que enxergamos sempre pelo nosso prisma? Será que a vida caminha sempre pelo nosso olhar? Abrir os horizontes e ter uma visão periférica nos sentidos e sentimentos com certeza nos trará uma visão de mundo em que a cooperação e o compartilhar estarão aliados em nos fazer pessoas melhores...
Quando você dá de si mesmo, você recebe mais do que dá.
Como nos diz Exupéry: “Um monte de pedras deixa de ser um monte de pedras no momento em que um único homem o contempla, nascendo dentro dele a imagem de uma catedral.”...
Portanto seja você fazer a diferença, seja você a oferecer a bolacha e a dobrar o paraquedas.
Com afeto,
Beth Landim
Compartilhe
A mosca cega...
12/03/2018 | 18h07
 Estava sossegada no quarto de uma aconchegante pousada campestre, escondida entre os pinheiros, numa tarde noite muito agradável... Ao tempo do por do sol escuto o som de uma desesperada luta de vida ou morte perto de mim. Uma mosca está gastando as últimas energias de sua curta vida na vã tentativa de voar através da vidraça. O zumbido das asas rápidas conta a pungente historia da estratégia da mosca: tentar sempre! Mas não está dando certo. Os esforços frenéticos não dão esperança de sobrevivência. Ironicamente, luta é parte da armadilha. Por mais que tente, é impossível para a mosca atravessar a vidraça. Contudo, esse pequeno inseto empenha a vida para atingir sua meta através de puro esforço e determinação. A mosca está condenada. Vai morrer na vidraça. A três metros dela, a porta está aberta. Dez segundos de vôo e essa criaturinha poderia chegar ao mundo externo que deseja. Apenas uma fração desse esforço desperdiçado bastaria para se livrar da armadilha criada por ela mesma. A possibilidade de travessia está ali. Seria tão fácil. Por que a mosca não tenta algo drasticamente diferente? Como se fechou tanto na idéia de que determinada via e determinado esforço prometem? Como se fechou tanto na idéia de que determinada via e determinado esforço prometem o sucesso? Que lógica há em continuar até a morte procurando chegar a um lugar diferente através da mesmice? Sem dúvida, essa solução faz sentido para a mosca. Infelizmente, é uma idéia que leva à morte. Tentar sempre não é necessariamente a solução para chegar a um fim. Pode não ser uma promessa verdadeira de obter o que se quer na vida. De fato, às vezes, é uma boa parte do problema. Se você empenha suas esperanças de travessia, tentar sempre a mesma coisa, pode matar as oportunidades de sucesso. Como nos diz Confúcio: “Nada é bastante para quem considera pouco o que é suficiente.” Muitas vezes insistimos em uma única tecla, ficamos cegos, a bater insistentemente ou porque não dizer cegamente, naquele “único caminho”... E então, não levantamos a cabeça para vislumbrar o horizonte a nosso frente... não nos permitimos tirar os “óculos escuros” que tiram nossa visão... não arejamos o cérebro... na maioria das vezes, nossa teimosia nos cega... Já repararam que as pessoas que tem maior poder de inventividade, de criar o novo, são aquelas que procuram mudar sempre... São aquelas que gostam da mudança e não se desestabilizam com ela, são aquelas que não se acomodam, buscam a satisfação na simplicidade, que é bem diferente da “mesmice”... Saint Exupéry nos fala que... “Só se vê bem com o coração, pois o essencial é invisível aos olhos.” Quantas vezes ficamos a bater na vidraça da janela? Quantas vezes deixamos de olhar para o lado e ver uma imensa porta a nos chamar? Mais do que uma tentativa, isto é um exercício diário que temos que fazer várias vezes ao dia... Não devemos reclamar da vida, e sim levantar a cabeça, pois dias ruins são necessários para que os dias bons valham à pena. Steve Jobs nos deixou um legado de acreditar, de sonhar, e mais do que isso, tentar sempre outras portas: “Cada sonho que você deixa para trás é um pedaço do seu futuro que deixa de existir.” Não podemos, nem devemos gastar as nossas energias para “desafinar o piano”, batendo na mesma tecla... Enquanto reclamamos da vida, tem gente lutando por ela... Não nos condenemos como a mosca na vidraça... sempre existirão milhares de possibilidades e caminhos... aprendamos a exercitar a nossa liberdade interior para que possamos olhar para o mundo sem nos aprisionarmos, pois na maioria das vezes, nós é que colocamos as grades do nosso cárcere... Quantas armadilhas você cria para você mesmo? Pois o ideal é ser feliz e não perfeito!!! A perfeição exacerbada nos leva a cobranças e aprisionamentos, e nos impede também de exercitar o perdão! Pense nisso... Há sempre uma porta, um rasgo de sol, uma fresta de luz para aquecer nossos dias e descortinar o horizonte de beleza colorida que é viver! Voemos sempre... em liberdade... rumo às montanhas e aos vales... Pois muitas vezes não podemos escalar as grandes montanhas, mas podemos contorná-las através dos vales... Bater de frente na maioria das vezes não demonstra sabedoria e contornar não significa subterfúgio, mas sim uma gama de alternativas que nos possibilita ver outros caminhos que o horizonte nos apresenta... É sempre bom sermos vales na nossa vida e instrumento na vida dos que nos cercam, porque é maravilhoso escalar as montanhas, é um desafio instigante, e nos traz emoções e vivências maravilhosas, mas quando se torna impossível, nada como caminhar pelos vales... Pense nisso e tire a venda dos olhos... pare de criar suas próprias armadilhas... deixe de dar cabeçadas na vidraça para que possa vislumbrar as várias frestas e portas que existem ao seu redor...
Com afeto,
Beth Landim
Compartilhe
A Lei do Caminhão de Lixo
05/03/2018 | 09h56
 
Divido com vocês pequenas histórias que são capazes de nos fazer refletir na nossa caminhada.
Um dia peguei um táxi... Estávamos rodando na faixa certa, quando de repente um carro preto saltou do estacionamento na nossa frente. O taxista pisou no freio, deslizou e escapou por um triz do outro carro!
O motorista do outro carro sacudiu a cabeça e começou a gritar para nós nervosamente. Mas o taxista apenas sorriu e acenou para o cara, fazendo um sinal de positivo. E ele o fez de maneira bastante amável e amigável. Indignada lhe perguntei: — Porque você fez isto? Este cara quase arruína o seu carro e nos manda para o hospital! Foi quando o motorista do táxi me ensinou o que eu agora chamo de: A Lei do Caminhão de Lixo.
Ele explicou que: Muitas pessoas são como caminhões de lixo. Andam por ai carregadas de lixo, cheias de frustrações, cheias de raiva, traumas e de desapontamento. À medida que suas pilhas de lixo crescem, elas precisam de um lugar para descarregar, e às vezes descarregam sobre a gente. Não tome isso pessoalmente. Isto não é problema seu! Apenas sorria, acene, deseje-lhes o bem, e vá em frente. Não pegue o lixo de tais pessoas e nem o espalhe sobre outras pessoas no trabalho, em casa, ou nas ruas. Fique tranqüilo... respire e deixe o lixeiro passar.
O princípio disso é que pessoas felizes não deixam os caminhões de lixo estragarem o seu dia. A vida é muito curta, não leve lixo. Limpe os sentimentos ruins, aborrecimentos do trabalho, picuinhas pessoais, ódio e frustrações. Ame as pessoas que te tratam bem. E trate bem as que não o fazem, pois a vida é 10% o que você faz dela e 90% a maneira como você a recebe!
Conta-nos uma lenda que...
Certa manhã, meu pai convidou-me a dar um passeio no bosque e eu aceitei com prazer. Ele se deteve numa clareira e depois de um pequeno silêncio me perguntou: - Além do cantar dos pássaros, você está ouvindo mais alguma coisa? Apurei os ouvidos alguns segundos e respondi: - Estou ouvindo um barulho de carroça. - Isso mesmo, disse meu pai. É uma carroça vazia... Perguntei ao meu pai: - Como pode saber que a carroça está vazia, se ainda não a vimos? - Ora, respondeu meu pai. É muito fácil saber que uma carroça está vazia, por causa do barulho. Quanto mais vazia a carroça maior é o barulho que faz. Tornei-me adulto, e até hoje, quando vejo uma pessoa falando demais, inoportuna, interrompendo a conversa de todo mundo, tenho a impressão de ouvir a voz do meu pai dizendo:
Quanto mais vazia a carroça, mais barulho ela faz...
É necessário entendermos que temos a responsabilidade de sermos seres com conhecimento, valores, princípios... pois “carroças vazias” trepidam, trepidam, fazem barulho, mas não possuem consistência para o conhecimento profissional, humano e familiar. Isso significa entender que nossa busca por aprender deve ser diária e constante, pois vivemos na era do pensamento complexo, que corresponde à multiplicidade, ao entrelaçamento e a interação contínua da infinidade de sistemas e de fenômenos que compõem o mundo, e para tanto, temos que nos desafiar a todo o momento, buscando sempre a complementaridade das relações e do conhecimento.
Não é possível reduzir a complexidade a explicações simplistas, a regras rígidas, a fórmulas simplificadoras ou a esquemas fechados. Pois não podemos viver na simbologia do “ou” e sim do “e”... O mundo é feito para agregar, completar, preencher, somar e crescer, para que possamos preencher corretamente “nossas carroças”...
E então de uma coisa podemos ter certeza: de nada adianta querer apressar as coisas. Tudo vem ao seu tempo, dentro do prazo que lhe foi previsto. Mas a natureza humana não é muito paciente. Temos pressa em tudo! Aí acontecem os atropelos do destino, aquela situação que você mesmo provoca, por pura ansiedade de não aguardar o tempo certo. Mas alguém poderia dizer: - Mas qual é esse tempo certo?
Bom, basta observar os sinais. Geralmente quando alguma coisa está para acontecer ou chegar até sua vida, pequenas manifestações do cotidiano, enviarão sinais indicando o caminho certo. Pode ser a palavra de um amigo, um texto lido, uma observação qualquer. Mas com certeza, o sincronismo se encarregará de colocar você no lugar certo, na hora certa, no momento certo, diante da situação ou da pessoa certa! Basta você acreditar que nada acontece por acaso! E talvez seja por isso que você esteja agora lendo essas linhas. Tente observar melhor o que está a sua volta. Com certeza alguns desses sinais já estão por perto, e você nem os notou ainda. Lembre-se que o universo, sempre conspira a seu favor, quando você possui um objetivo claro e uma disponibilidade de crescimento.
Tenha um maravilhoso fim-de-semana, livre dos lixos e das carroças vazias que surgem em nossos caminhos, nos fazendo perder um tempo precioso que não voltará para vivermos novamente!!!
 Com afeto,
Beth Landim
Compartilhe
Para Irmã Suraya
26/02/2018 | 21h40
 ... Menina que nasceu a Rua Direita com o azul do mar da praia de Imbetiba, em Macaé, como cenário a te embalar os sonhos. O azul que sempre nos conduz ao infinito... ao infinito da sua bondade, ao infinito da sua persistência, ao infinito da sua fé, ao infinito da sua coragem e de sua sempre bela juventude... Quando jovem, a caçula dos seus sete irmãos era a graça e alegria do lar de Alzira e Jorge Chaloub... Família grande, família unida, família cheia de vida... “No conforto do seu lar, há fartura de carinho e a cortina da janela é o luar, mais o sol que bate nela... Basta pouco, pouquinho pra alegrar uma existência singela... É só amor, pão e vinho e um caldo verde, verdinho a fumegar na tigela.”
Em sua juventude aceitou o chamado de sua vocação. Sua sensibilidade religiosa... seu amor à educação e sua identificação com o projeto pedagógico de Dom Bosco, aliados ao desejo de um projeto de serviço a uma causa maior, levaram-na a absolutizar a vida religiosa, missionária em favor da educação da juventude. Ao invés de cruzar os braços, estendeu as mãos aos jovens, as muitas famílias, renunciando o convívio diário com a sua própria família. Mãos que agregam, mãos que escrevem história, mãos que fazem acontecer, que lutam junto com as nossas mãos, que indicam caminhos... Mãos que constroem sonhos...
“Sonhar mais um sonho impossível, lutar quando é fácil ceder, vencer o inimigo invencível, negar quando a regra é vender. Sofrer a tortura implacável, romper a incabível prisão, voar num limite improvável, tocar o inacessível chão. É minha lei, é minha questão. Virar este mundo, cravar este chão, não me importa saber, se é terrível demais. Quantas guerras terei que vencer por um pouco de paz. E amanhã se este chão que eu beijei, for meu leito e perdão, vou saber que valeu, delirar e morrer de paixão. E assim, seja lá como for, vai ter fim a infinita aflição e o mundo vai ver uma flor, brotar do impossível chão.”
Felizes os que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática. Lucas 11, 28. Seu exemplo de vida, de ternura, de fé e de olhar sempre à frente do seu tempo, descortinando horizontes, nos faz seus eternos aprendizes! Hoje celebramos sua vida com alegria e felicidade, com a mesma intensidade que você semeou, colheu e plantou ao longo de sua caminhada. Você, Ir. Suraya, dedicou grande parte de sua vida a educação e a juventude da nossa Campos dos Goytacazes. Se entregou de corpo e alma a nossa “Casa” e aos seus vários projetos que foram crescendo com a contemporaneidade do tempo... Contemporaneidade... palavra que marca muito sua personalidade, pois você sempre alinhou contextos e tempos com a maestria de antever o tempo futuro, isso implica em ter sensibilidade e ousadia para desbravar o novo. Somos um exemplo de seu amor ao próximo, de extrema dedicação em alavancar a cultura de nossa região e compartilhar conhecimento, sabedoria e caráter humanitário a quantos mais possamos atingir. Suas palavras firmes e macias nos enchem como o azul daquele mar, aquele lá de Imbetiba, que nos trouxe você para cá. E assim vamos colorindo e escrevendo a vida... Essas tintas sempre fortes e suaves que você imprime em nossas vidas já se tornaram aquarelas em muitos de nós, que carregamos em nosso íntimo um pouco do seu colorido. Ao seu lado sabemos que os anjos existem! Mas existem aqui na terra! Mensurá-la pelos títulos, cargos, conquistas... é muito pouco diante da grandeza do seu SER...
Assim, como o bom pastor, você dedica a sua vida pela obra Salesiana, pelo jovem, pelo próximo, por acreditar sempre que a vida é o maior dom de Deus e é bonita, é bonita e é bonita! Como nos diz a música de Gonzaguinha, nós ficamos com a bondade de sua alma e as respostas de seus ensinamentos sempre sábios. Que Deus lhe dê muita saúde e paz, que continue a iluminar o seu caminho, para que possamos através de sua luz refletir a nossa existência de eternos aprendizes, pois as mais lindas palavras de amor são ditas no silêncio de um olhar... e é este olhar que recebemos da senhora e amorosamente devolvemos.
“Se todos fossem iguais a você, que maravilha viver... Uma canção pelo ar, uma mulher a cantar, uma cidade a cantar, a sorrir, a cantar, a pedir a beleza de amar... como o sol, como a flor, como a luz. Amar sem mentir nem sofrer. Existiria verdade, verdade que ninguém vê, se todos fossem no mundo iguais a você.”
Desejo a você neste dia, dia de celebrar sua vida, que você sinta cada vez mais a presença do inexplicável, que tantas e tantas vezes nos faz sentir. O inexplicável que às vezes se torna invisível, pois carrega consigo muito de sentimento. O inexplicável que traz o invisível que se contrapõe ao inexistente e é esse invisível e esse inexplicável que você nos passa sempre, com seu jeito único de ser, menina, mulher, espiritualizada, sempre jovem e ousada, nos afetando cotidianamente como gotas de óleo a perfumar e embalar como bálsamo os nossos dias.
Com afeto,
Beth Landim
Compartilhe
A Delicadeza do Tempo
17/02/2018 | 09h36
Você já se deu conta do quanto nos deixa felizes e renovados fazer algo que nos leva a esquecer do tempo? Para viver em harmonia, precisamos ser orientados pelo tempo interior, que está naturalmente conectado com os ciclos do tempo exterior: o dia e a noite e as quatro estações do ano. No entanto, estamos tão condicionados à necessidade de cumprir as expectativas do tempo imposto pelo relógio, que não nos permitimos mais ser “naturais”, tornamo-nos mecanizados pela pressão do tempo, que exige, de nós, cada vez mais tempo.
O tempo é o adubo do amadurecimento. Forçar o tempo é impossível. Jamais podemos abrir mão da coerência entre o que sentimos e fazemos. Nossas ações devem brilhar de acordo com nossas palavras. Se nos sentimos coerentes em nosso caminho, estamos mantendo clareza de nossos propósitos.
A incoerência surge quando a distância entre o que sentimos dentro de nós e o que vivemos fora de nós torna-se grande demais. Quando perdemos a sintonia entre nossos mundos, interno e externo, sentimo-nos derrotados.
A sensação de estar “perdendo tempo” com alguma coisa, seja no trabalho ou num relacionamento, é um alerta de que estamos nos distanciando de nosso propósito espiritual: o uso significativo do tempo. A questão é que estaremos sempre insatisfeitos enquanto vivemos apenas para satisfazer as expectativas externas que surgem em cada momento da vida. Isto é, usar o tempo apenas para sermos pessoas cada vez mais eficientes não garante nossa felicidade. Para sentirmos felizes, é preciso mais que eficiência. É preciso sentir que estamos crescendo interiormente.
Mas quem já não escutou o “tic-tac” da ansiedade soar em seu interior quando está sob o peso do tempo do relógio?
Nas situações que não podemos mudar, devemos nos esforçar para reavaliar nossas reações internas, pois o tempo interior é tão vasto quanto o espaço infinito. Ele chama-se kairos.
O tempo que é cronológico, linear e, em seqüência, dita o ritmo de nossas vidas, chama-se cronos. A palavra kairos, em grego, significa o momento certo, o aspecto qualitativo do tempo. Sua correspondente em latim, momentum, refere-se ao instante, ocasião ou movimento, que deixa uma impressão forte e única por toda a vida.
Por isso, kairos refere-se a uma experiência temporal na qual percebemos o momento oportuno para determinada ação: saber a hora certa de estar no lugar certo. Sempre que agimos sob o tempo kairos, as coisas costumam se acertar. Por exemplo, quando estamos quase desistindo de algo e resolvemos “dar um tempo” para aliviar a pressão, repentinamente, surgem as pessoas certas que nos ajudam com soluções reais e práticas.
Agir no tempo regido por kairos é simular a um ato mágico!
Kairos é o tempo oportuno, livre do peso de cargas passadas e sem ansiedade de anteceder o futuro. Ele se manifesta no presente, instante após instante.
Quando vivemos no tempo kairos, aumentam as oportunidades em nossa vida. Basta pensar como surgiram nossas melhores chances e percebemos que nessas ocasiões estávamos, de certa forma, desprogramados das exigências do tempo cronológico.
Para os gregos, cronos representava o tempo que falta para a morte, em tempo que se consome a si mesmo. Por isso, seu oposto é kairos: momentos afortunados que transcendem as limitações impostas pelo medo da morte!
Portanto, para vivermos sob a regência de kairos, precisamos ir além das convenções mundanas: saber seguir cada momento, de acordo com a sintonia de nossas necessidades interiores. Isto não quer dizer que podemos fazer o que quisermos na hora que bem entendermos, mas sim que devemos estar atentos para não deixar que os comandos exteriores ultrapassem os interiores.
Já que a pressão externa é cada vez maior, temos que desenvolver cada vez mais a paz interna. Na maioria das vezes, não encontramos soluções indiretas para as situações externas, então, podemos contar apenas com nossa condição interna. Paz interior é a melhor forma de proteção contra desafios externos. Além de ficarmos mais leves, nos tornamos bonitos também!
A eternidade é tornar os momentos inesquecíveis... portanto vivamos como se fossemos morrer amanhã... sejamos intensos e inteiros em nossas atitudes e relações.
Uma boa e feliz semana para todos!
Com afeto,
Beth Landim
Compartilhe
Solte a panela...
17/02/2018 | 09h35
Conta-nos um mestre, que certa vez, um urso faminto perambulava pela floresta em busca de alimento. A época era de escassez, porém, seu faro aguçado sentiu o cheiro de comida e o conduziu a um acampamento de caçadores. Ao chegar lá, o urso, percebendo que o acampamento estava vazio, foi até a fogueira, ardendo em brasas, e dela tirou um panelão de comida. Quando a tina já estava fora da fogueira, o urso a abraçou com toda sua força e enfiou a cabeça dentro dela, devorando tudo. Enquanto abraçava a panela, começou a perceber algo lhe atingindo. Na verdade, era o calor da tina… Ele estava sendo queimado nas patas, no peito e por onde mais a panela encostava. O urso nunca havia experimentado aquela sensação e, então, interpretou as queimaduras pelo seu corpo como uma coisa que queria lhe tirar a comida. Começou a urrar muito alto. E, quanto mais alto rugia, mais apertava a panela quente contra seu imenso corpo. Quanto mais a tina quente lhe queimava, mais ele apertava contra o seu corpo e mais alto ainda rugia. Quando os caçadores chegaram ao acampamento, encontraram o urso recostado a uma árvore próxima à fogueira, segurando a tina de comida. O urso tinha tantas queimaduras que o fizeram grudar na panela e, seu imenso corpo, mesmo morto, ainda mantinha a expressão de estar rugindo.
Quando terminei de ouvir esta história de um mestre, percebi que, em nossa vida, por muitas vezes, abraçamos certas coisas que julgamos ser importantes. Algumas delas nos fazem gemer de dor, nos queimam por fora e por dentro, e mesmo assim, ainda as julgamos importantes. Temos medo de abandoná-las e esse medo nos coloca numa situação de sofrimento, de desespero. Apertamos essas coisas contra nossos corações e terminamos derrotados por algo que tanto protegemos, acreditamos e defendemos.
Fernando Pessoa nos ensina a prática do desapego nos falando que... “Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final. Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário... Perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver. Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos. Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos que já se acabaram. As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas possam ir embora. Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se. Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: Diga a si mesmo que o que passou jamais voltará. Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo... - Nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade. Encerrando ciclos, não por causa do orgulho ou por incapacidade... Mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais em sua vida. Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Quando um dia você decidir a pôr um ponto final naquilo que já não te acrescenta. Que você esteja bem certo disso, para que possa ir em frente. Desapegar-se, é renovar votos de esperança de si mesmo, é dar-se uma nova oportunidade de construir uma nova história melhor. Liberte-se de tudo aquilo que não tem te feito bem, daquilo que já não tem nenhum valor, e siga, siga novos rumos, desvende novos mundos. A vida não espera. O tempo não perdoa. E a esperança, é sempre a última a lhe deixar. Então, recomece, desapegue-se! Ser livre, não tem preço!”
O desapego não é desinteresse, indiferença ou fuga. Muitos dos problemas da vida são causados pelo apego. Todas as causas de infelicidade, tensão, teimosia e tristeza são devidas ao apego. Se você tem algum problema ou preocupação, examine a si mesmo e descobrirá que a causa pode ser o apego. Não devemos nos tornar indiferentes aos problemas da vida. Não devemos fugir da vida, pois não se pode fugir dela quando somos sinceros. A vida e seus problemas devem ser encarados de frente, mas não são coisas às quais devamos nos apegar. O apego às condições favoráveis leva à avidez e ao falso otimismo, enquanto que o apego às condições desfavoráveis leva ao ressentimento e ao pessimismo. Sem dúvida, nosso apego às coisas, condições, sentimentos e idéias é muito mais problemático do que imaginamos. Quando adoecemos, chegamos até mesmo a nos apegar à doença. Quando você estiver doente, aceite a doença e faça o possível para se recuperar. Aceite a doença e a transcenda… ou melhor, aceite transcendendo. A vida é mutável, todas as coisas são mutáveis, todas as condições são mutáveis. Por isso, “deixe ir” as coisas. Muitas pessoas se apegam ao passado ou ao futuro, negligenciando o importante presente. Devemos viver o melhor “agora”, com plena responsabilidade. Quando o sol brilha, desfrute-o, quando a chuva cai, desfrute-a. Todas as coisas nesta vida – deixe que venham e deixe que se vão. Este é um grande segredo da vida.
Tenha a coragem e a visão que o urso não teve.
Tire de seu caminho tudo aquilo que faz seu coração arder.
Solte a panela!
Com afeto,
Beth Landim
Compartilhe
Um dia...
08/02/2018 | 12h29
 
Assisti ao filme “Um Dia”... Impossível qualquer um de nós não se identificar com o enredo meio clássico dos desencontros entre duas pessoas que se amam e talvez nem saibam disso. Impossível não se arrepiar com uma história que mostra a inocência do amor verdadeiro, que vai crescendo enquanto a gente também cresce e permanece em meio a todas as nossas mudanças. Assistam!!!
O enredo nos conta que Emma e Dex ficam juntos na noite da formatura e, durante 20 anos, voltam a se encontrar no mesmo dia. Eles são protagonizados por Anne Hathaway e Jim Sturgess. Em 15 de julho 1988, Emma Morley e Dexter Mayhew passam juntos a noite após a formatura na Universidade de Edimburgo, um dia que irá marcar suas vidas para sempre. Eles se amam e a química rola facilmente, mas ambos sabem que no dia seguinte serão obrigados a trilhar caminhos diferentes. Ela é uma garota tímida, cheia de ambições, mas com pouca autoconfiança. Ele, um playboy mulherengo que quer se aventurar pelo mundo. Mesmo com tantas diferenças, um está sempre presente no pensamento do outro. Os dois se afastam, trocam cartas, se encontram, se desencontram - e o ponto de partida é sempre o dia 15 de julho de cada ano, por duas décadas, eles se encontram para reviver a noite em que se conheceram. Mas chega um momento em que apenas algumas horas juntos não é mais suficiente.
E aí podemos refletir em quantas vezes em nossas vidas deixamos de falar eu te amo... que bom que você está aqui... que saudade! Deixamos de dar um abraço carinhoso em nossos filhos, de sermos afetuosos com as pessoas, etc. Quantas decisões prorrogamos, quantas coisas deveríamos ter feito e só prorrogamos... Deixamos para “um dia”, mais na frente, quando estiver financeiramente equilibrado... quando estiver profissionalmente sólido... quando estiver emocionalmente melhor... e assim vamos passando a vida, sem vivê-la com a intensidade que devemos verdadeiramente vivê-la!
Parafraseando Mário Quintana, quando em meio aos seus pensamentos nos fala tão belas coisas ligadas aos sentimentos ... “Um dia percebemos que o comum não nos atrai... Um dia saberemos que ser classificado como "bonzinho" não é bom... Um dia perceberemos que a pessoa que nunca te liga é a que mais pensa em você... Um dia saberemos a importância da frase: "Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas..." Um dia percebemos que somos muito importante para alguém, mas não damos valor a isso... Um dia percebemos como aquele amigo faz falta, mas ai já é tarde demais... Enfim... Um dia descobrimos que apesar de viver quase um século esse tempo todo não é suficiente para realizarmos todos os nossos sonhos, para beijarmos todas as bocas que nos atraem, para dizer o que tem de ser dito...
O jeito é: ou nos conformamos com a falta de algumas coisas na nossa vida ou lutamos para realizar todas as nossas loucuras...” Quem não compreende um olhar tampouco compreenderá uma longa explicação.
Quando se trata de amor, então, não podemos “perder o tempo das coisas”, deixar de viver... deixar de falar... ter medo... ter timidez... Demonstre seus sentimentos... Não deixe para depois ... Não se feche...
Não podemos viver do passado. O passado constitui nossas raízes, nosso amadurecimento. Nem tão pouco viver do futuro... “Um dia”... ficar esperando só nos sonhos... O presente é a concretização dos nossos sonhos... que temos que conquistar, muitas vezes a duras penas, mas que depende de nós, pois quando queremos muito alguma coisa, o universo conspira a nosso favor... E depois de tantos desencontros, quando eles perdem o medo de assumirem o amor, o inesperado acontece... Não vou aqui relatar o filme, pois a surpresa também faz parte de nossas vidas. Esta parte deixo para que vocês assistam no cinema... que, aliás, é um ótimo lugar para namorar e se divertir, pois viajamos junto com o filme para os lugares e vidas dos personagens.
E como nos diz Charles Chaplin... “As melhores e as mais lindas coisas do mundo não se podem ver nem tocar. Elas devem ser sentidas com o coração. Não devemos ter medo dos confrontos. Até os planetas se chocam, e do caos nascem às estrelas. Não se mede o valor de um homem pelas suas roupas ou pelos bens que possui, o verdadeiro valor do homem é o seu caráter, suas idéias e a nobreza dos seus ideais.” e nos diz ainda… “Tua caminhada ainda não terminou… A realidade te acolhe dizendo que pela frente o horizonte da vida necessita de tuas palavras e do teu silêncio. Se amanhã sentires saudades, lembra-te da fantasia e sonha com tua próxima vitória. Vitória que todas as armas do mundo jamais conseguirão obter, porque é uma vitória que surge da paz e não do ressentimento. É certo que irás encontrar situações tempestuosas novamente, mas haverá de ver sempre o lado bom da chuva que cai e não a faceta do raio que destrói. Tu és jovem. Atender a quem te chama é belo, lutar por quem te rejeita é quase chegar a perfeição. A juventude precisa de sonhos e se nutrir de lembranças, assim como o leito dos rios precisa da água que rola e o coração necessita de afeto. Não faças do amanhã o sinônimo de nunca, nem o ontem te seja o mesmo que nunca mais. Teus passos ficaram. Olhes para trás… mas vá em frente, pois há muitos que precisam que chegues para poderem seguir-te.” Uma boa e amorosa semana para todos!!!
Com afeto,
Beth Landim
Compartilhe
Sobre o autor

Elizabeth Landim

[email protected]