Eu posso dormir enquanto os ventos sopram em minha vida?
28/11/2016 | 12h33

Resultado de imagem para eu posso dormir enquanto os ventos sopram em minha vida É preciso ter uma resposta para esta pergunta... Que cada um de nós faça essa pergunta interiormente... Divido com vocês duas pequenas histórias que nos fazem refletir sobre a nossa caminhada.

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Certa vez, um homem tanto falou que seu vizinho era ladrão, que o vizinho acabou sendo preso. Algum tempo depois, descobriram que o rapaz era inocente, ele foi solto, e, após muita humilhação resolveu processar seu vizinho caluniador. No tribunal, o caluniador disse ao juiz: Comentários não causam tanto mal... e o Juiz respondeu: - Escreva os comentários que você fez sobre ele num papel, depois pique o papel e jogue os pedaços pelo caminho de casa e amanhã volte para ouvir a sentença!

O homem obedeceu e voltou no dia seguinte, quando o juiz disse: - Antes da sentença, terá que catar os pedaços de papel que espalhou ontem! Não posso fazer isso, meritíssimo! Respondeu o homem. - O vento deve tê-los espalhados por tudo quanto é lugar e já não sei onde estão! Ao que o juiz respondeu: Da mesma maneira, um simples comentário que pode destruir a honra de um homem, espalha-se a ponto de não podermos concertar o mal causado... e, continuou: Se não se pode falar bem de uma pessoa, é melhor que não se diga nada! Sejamos senhores de nossa língua, para não sermos, escravos de nossas palavras! No mundo sempre existirão pessoas que vão te amar pelo que você é... e, outras que vão te odiar pelo mesmo motivo. Acostume-se! Quem ama não vê defeitos... quem odeia não vê qualidades... e quem é amigo...  vê as duas coisas! Preste atenção em seus pensamentos, pois eles se tornarão palavras. Preste atenção em suas palavras, pois elas se tornarão atos. Preste atenção em seus atos, pois eles se tornarão hábitos. Preste atenção em seus hábitos, pois eles se tornarão seu caráter. Atenção em seu caráter, pois ele determinará seu destino!

Portanto, antes de Falar... Escute... Antes de Escrever... Pense... Antes de Gastar... Ganhe... Antes de Julgar... Espere... Antes de Orar... Perdoe... Antes de Desistir... Tente...

A nossa segunda história nos diz que há alguns anos atrás, um fazendeiro possuía terras ao longo do litoral do Atlântico. Ele constantemente anunciava estar precisando de empregados. A maioria das pessoas estava pouco disposta a trabalhar em fazendas ao longo do Atlântico. Temiam as horrorosas tempestades que varriam aquela região, fazendo estragos nas construções e nas plantações. Procurando por novos empregados, ele recebeu muitas recusas. Finalmente, um homem baixo e magro, de meia-idade, se aproximou do fazendeiro. - Você é um bom lavrador? Perguntou o fazendeiro. - Bem, eu posso dormir enquanto os ventos sopram, respondeu o pequeno homem. Embora confuso com a resposta, o fazendeiro, desesperado por ajuda, o empregou. O pequeno homem trabalhou bem ao redor da fazenda, mantendo-se ocupado do alvorecer até o anoitecer e o fazendeiro estava satisfeito com o trabalho do homem. Então, uma noite, o vento uivou ruidosamente. O fazendeiro pulou da cama, agarrou um lampião e correu até o alojamento dos empregados. Sacudiu o pequeno homem e gritou, - Levanta! Uma tempestade está chegando! Amarre as coisas antes que sejam arrastadas! O pequeno homem virou-se na cama e disse firmemente: - Não senhor. Eu lhe falei: eu posso dormir enquanto os ventos sopram. Enfurecido pela resposta, o fazendeiro estava tentado a despedi-lo imediatamente. Em vez disso, ele se apressou a sair e preparar o terreno para a tempestade. Do empregado, trataria depois. Mas, para seu assombro, ele descobriu que todos os montes de feno tinham sido cobertos com lonas firmemente presas ao solo. As vacas estavam bem protegidas no celeiro, os frangos nos viveiros, e todas as portas muito bem travadas. As janelas bem fechadas e seguras. Tudo foi amarrado. Nada poderia ser arrastado. O fazendeiro então entendeu o que seu empregado quis dizer. Então retornou para sua cama para também dormir enquanto o vento soprava. O que se quer dizer com esta história, é que quando se está preparado - espiritualmente, mentalmente e fisicamente - não se tem nada a temer. Perguntamos-nos, então: Eu posso dormir enquanto os ventos sopram em minha vida?

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Que possamos então criar o nosso tempo de refletir, pois nós somos os senhores do nosso tempo, não devendo deixar a nossa vida passar em vão, sem buscas, sem metas, sem sentido. 

Vamos tomar as rédeas enquanto é tempo, pois somente nós seremos os responsáveis diante do nosso tempo que é um presente muito precioso para passar em vão.

Portanto, os verbos escutar, pensar, esperar, perdoar, tentar... devem ser verbos recorrentes em nossa vida, fazendo ecoar em nós a nossa melhor forma de conduzir a nossa caminhada.

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Como nos diz Saint-Exupèry: “Os seres são vazios, se não são como janelas ou clarabóias abertas para Deus.”. Que sejamos, efetivamente, essas janelas e clarabóias, sempre abertas, deixando a luz penetrar e ao mesmo tempo, sendo luzes e iluminando as pessoas que conosco dividem as trilhas do caminho.

Com afeto,

Beth Landim

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Levante...
25/11/2016 | 12h37
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Com afeto,

Beth Landim

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Como a chuva que cai lentamente...
19/11/2016 | 11h39

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Se pararmos para observar a chuva, constatamos a grande diferença da chuva que cai torrencialmente e da chuva que cai lentamente... A primeira arrasta a terra, faz cair casas e pessoas nas suas enxurradas, inunda na maioria das vezes de forma abrupta e irracional a vida no seu dia-a-dia... Já a chuva que cai lentamente faz a semente germinar, a terra ficar produtiva, a vida florescer e gerar frutos... Na verdade, precisamos sempre destas doses homeopáticas, tanto da chuva como das orações que Francisco nos tem demonstrado desde que iniciou seu Papado. Existe uma frase dos judeus, no evangelho, que de alguma maneira resume o confronto que se reflete nos evangelhos desses dias e que culminará na morte de Jesus: “Mas quem pensas que és tu?” Jesus não tinha um bom currículo, não pertencia a uma família famosa, não estudou com nenhum rabi de categoria, não nasceu em Jerusalém. Era só um judeu marginal procedente da Galiléia pagã. E foi com Ele que aprendemos tudo. São Pedro também não teria a menor chance de ser eleito em um Conclave. Seu currículo era bem fraco e nada entusiasmante. Oriundo da Galiléia, pescador do lago de Genesaré, só falava uma língua em dialeto e não tinha grandes estudos. E a historia muitas vezes se repete... Jorge Mario Bergoglio não estava entre os favoritos e a escolha foi uma surpresa para alguns representantes da igreja e para todos nós. Chama a atenção que ele não abre mão de recordar que é um jesuíta, conservando o emblema da Companhia de Jesus (SJ), isto é, um sol com as primeiras letras, maiúsculas, do vocábulo “Jesus” em língua grega (IHS).

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O Papa Francisco fez uma homilia onde chamou atenção a referência que fez de São José como guardador. Guardar significa cuidar. Com isso, o Papa afirma que todos somos chamados a termos a função de guardiões da criação e da natureza. Ele insiste que não podemos permitir a destruição, tanto da natureza, quanto da humanidade. Além disso, temos que ser guardiões uns dos outros, pois o ser humano merece o cuidado do outro ser humano. Isso tudo é uma referência explícita a São Francisco, que foi o grande incentivador do amor à natureza e ao ser humano. A preocupação dele, enquanto pastor da Igreja, na sua dimensão de universalidade, é que a natureza hoje clama por quem a defenda verdadeiramente, não apenas no discurso. A defesa tem que ser uma prática completa na vida de cada pessoa. O que a gente percebe é que ele tem preocupação com cada pessoa e, em seu espírito franciscano, se preocupa com todas as pessoas, independentemente delas serem cristãs ou não. A colocação “guardemos com amor aquilo que Deus nos deu”, usada na homilia, é humana, transcendental e universal. Não importa o modo que cada um conceba Deus, mas sim que ele considere que Deus fez tudo e com amor.

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Neste trecho de sua homilia: “Queria pedir, por favor, a quantos ocupam cargos de responsabilidade em âmbito econômico, político ou social, a todos os homens e mulheres de boa vontade: sejamos "guardiães" da criação, do desígnio de Deus inscrito na natureza, guardiões do outro, do ambiente; não deixemos que sinais de destruição e morte acompanhem o caminho deste nosso mundo! Mas, para "guardar", devemos também cuidar de nós mesmos. Lembremo-nos de que o ódio, a inveja, o orgulho sujam a vida; então guardar quer dizer vigiar sobre os nossos sentimentos, o nosso coração, porque é dele que saem as boas intenções e as más: aquelas que edificam e as que destroem. Não devemos ter medo de bondade, ou mesmo de ternura. A propósito, deixai-me acrescentar mais uma observação: cuidar, guardar requer bondade, requer ser praticado com ternura. Nos Evangelhos, São José aparece como um homem forte, corajoso, trabalhador, mas, no seu íntimo, sobressai uma grande ternura, que não é a virtude dos fracos, antes pelo contrário denota fortaleza de ânimo e capacidade de solicitude, de compaixão, de verdadeira abertura ao outro, de amor. Não devemos ter medo da bondade, da ternura!”

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Francisco é este rasgo de luz no meio de tantas nuvens, que nos traz o calor da esperança aos nossos corações... Deixemos que a chuva caia lentamente em nossos corações como gotas de orvalho e óleos perfumados que amaciam e abrandam nossa experiência divina nesta oportunidade humana de viver.  O Papa nos mostra que a Igreja é feita de homens, é humana, feita de erros e acertos, mas acima de tudo, ele nos fala com seu exemplo de olhar olho no olho, da simplicidade, da ternura, da espontaneidade, de gente querendo cuidar de gente... “Cai chuva lentamente lava minha alma e o meu espírito. Fertiliza as idéias e a inspiração, cria uma fonte no meu coração... Nasça a planta, de uma pura semente, que seja do céu o maior presente... Rega a emoção o corpo e a razão, faça um lindo canteiro, cuide também do jardineiro. E perfumada as flores brotarão, enfeitando a vida e o coração... como o pingo de orvalho, respinga com uma brisa suave... e a solidariedade promove. Cai chuva, cai lentamente uma chuva de harmonia, toca com sabedoria, cura a alma faço um apelo, deixa o mundo mais belo.”

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Abrir um rasgo de luz no meio de tantas nuvens é levar o calor da esperança e deixar que a chuva caia lentamente em nossos corações como gotas de orvalho e óleos perfumados que amaciam e abrandam nossa experiência divina nesta oportunidade humana de viver.

Com afeto,

Beth Landim

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Areias movediças...
11/11/2016 | 12h01

“Não queiras ter pátria, não dividas a terra, não arranques pedaços ao mar. Nasce bem alto, que todas as coisas serão tuas...” Cecília Meireles

Se formos ler ao pé da letra, areia movediça é aquela que afunda, quando caminhamos sobre ela... por uma outra interpretação de linguagem, pode ser a areia que não tem base consistente, que se move sem ritmo, que fica ao “léo”, que não nos traz segurança, volúvel, que não inspira confiança para caminharmos...

Hoje quero abordar um assunto que pode ser espinhoso, mas que para mim jamais pode ser desumano! Temos várias formas de areias movediças, mas quero hoje enfatizar as areias de Atafona, que insistem em invadir as casas... Deixo claro desde já, que não possuo casa em Atafona, praia que adoro, em especial por sua singularidade e astral, mas por isto mesmo, por entender e ver a dor do outro, o que chamamos de compaixão, que redijo estas linhas... Penso que todo o cuidado ambiental e de preservação da natureza, existe pela própria natureza, e também pela sustentabilidade do universo, nosso ecossistema, nossa casa universal. Penso acima de tudo, que não só somos beneficiários como preservadores desta natureza, mas acima de tudo, temos que conjugar a preservação, especialmente, quando este não lesa em nada a natureza.

Não vou entrar aqui, no que tange ao recuo do Rio Paraíba, as razões deste recuo, e ao avanço do mar. Leio muito sobre estes estudos técnicos, e tenho minha opinião. Isto ficará para outro artigo, embora interligados. Mas quero abordar a incoerência, intransigência e a desumanização para com os proprietários das casas que vêem suas casas invadidas pelas areias que o vento traz. Estas casas não foram construídas invadindo areia nenhuma... Pelo contrário, além desta rua, já existiram duas ruas à frente, que foram tomadas pelo mar. 

Será que devolver as areias para o mar, não deixar que avancem e tomem o lugar das pessoas e suas casas é algo insano? Será que seremos condenados a ficar de braços cruzados, assistindo incólumes, a tristeza, e a desgraça do outro, inertes, como se nada estivesse acontecendo? No verão, estes mesmos proprietários e veranistas ainda têm que conviver com pessoas que surfam nas dunas, andam de moto, fazendo com que cada vez mais, a areia desça e invada as casas... Ter esta percepção, de não prejudicar o outro, é também uma forma de ajudar. Penso que com engenheiros florestais, ambientalistas e pessoas competentes podemos pensar na desobstrução das ruas, na não invasão das casas (devolvendo as areias de onde partiram) e na plantação de um grande bosque de vegetação adequada à beira mar, para a fixação das areias.

Árvores aliadas à vegetação rasteira, que fixariam as areias, trariam mais verde e oxigênio para o meio ambiente, de grande valor na beleza natural da restinga que estaríamos preservando e multiplicando... 

Nenhuma lei pode servir para tirar do homem, principalmente retirar o que ele não usurpou da terra.

É hora de nos unirmos, por estas pessoas, por Atafona, por um mundo melhor, porém, sobretudo mais humano. É hora de termos respostas dignas das autoridades, que impassíveis a tudo assistem. Tenho certeza de que a Prefeita eleita Carla Machado, com toda a sensibilidade que possui, não vai se abster de abordar e encontrar uma solução plausível para o assunto... Que tenhamos olhos para enxergar o problema do outro que não é só dele, mas, sobretudo, que nos coloquemos no lugar do outro e busquemos soluções adequadas para minimizar, resolver e trazer soluções para um problema que deve ser de todos... Meu desejo sincero, é que não permaneçamos num mundo de areias movediças, que a dor do doutro em mim, refletida, sirva de ensinamento, mas, sobretudo de ação por um mundo mais humano, mais coerente, menos individualista, em que possamos caminhar com os pés no chão... mas sabendo que não caminhamos sozinhos... 

Se o verão em nossas praias que se inicia desde o ano que se vai... adentrando com fogos e luzes o ano que desponta... é sempre sinal de esperança... que essa mesma esperança não seja levada pelas areias... do coração dos moradores das casas nas dunas... Que a energia dos reencontros, da união das famílias, da espera do luar que chega banhando as varandas das casas, das tardes frescas nas redes, das mesas de café da tarde com amigos queridos, dos picolés que saboreamos a qualquer momento do dia, dos banhos de mar que se estendem a luz do luar, da alegria partilhada em cada casa onde o sorriso sempre é solto e bem vindo... enfim... a energia da renovação tão necessária a cada ano... chegue para todos nós... em cada casa de praia... para cada família que busca a felicidade nas praias... inclusive para as famílias que perderam suas casas e para aquelas que estão no meio das areias movediças...

Deixo a todos este Convite, de Lia Luft... “Não sou a areia onde se desenha um par de asas ou grades diante de uma janela. Não sou apenas a pedra que rola nas marés do mundo, em cada praia renascendo outra. Sou a orelha encostada na concha da vida, sou construção e desmoronamento, servo e senhor, e sou Mistério. A quatro mãos escrevemos este roteiro para o palco de meu tempo: o meu destino e eu. Nem sempre estamos afinados, nem sempre nos levamos a sério...”

Que sejamos em nossa vida sempre construção, mesmo em meio as dunas do mar!!!

Um maravilhoso feriado a todos!!!

Com afeto,

Beth Landim

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Os sete sapatos sujos...
05/11/2016 | 10h50

"Os Sete Sapatos Sujos"

Hoje divido com vocês trechos do escritor moçambicano Mia Couto, que compartilha as suas impressões acerca do futuro da África e do mundo, destacando que mais do que gente preparada para dar respostas, necessitamos de capacidade para fazer perguntas... “Não podemos entrar na modernidade com o atual fardo de preconceitos. À porta da modernidade precisamos de nos descalçar. Eu contei sete sapatos sujos que necessitamos deixar na soleira da porta dos tempos novos. Haverá muitos. Mas eu tinha que escolher e sete é um número mágico.

Primeiro Sapato A idéia de que os culpados são sempre os outros.

O primeiro sapato é a idéia que os culpados são sempre os outros e nós somos sempre vítimas.

Nós já conhecemos este discurso. A culpa já foi da guerra, do colonialismo, do imperialismo, do apartheid, enfim, de tudo e de todos. Menos nossa. É verdade que os outros tiveram a sua dose de culpa no nosso sofrimento. Mas parte da responsabilidade sempre morou dentro de casa. Estamos sendo vítimas de um longo processo de desresponsabilização. Esta lavagem de mãos tem sido estimulada por algumas elites africanas que querem permanecer na impunidade. Os culpados: são os outros, os da outra etnia, os da outra raça, os da outra geografia. Estou completamente cansado de pessoas que só pensam numa coisa: queixar-se e lamentar-se num ritual em que nos fabricamos mentalmente como vítimas. Choramos e lamentamos, lamentamos e choramos. Queixamo-nos até à náusea sobre o que os outros nos fizeram e continuam a fazer. E pensamos que o mundo nos deve qualquer coisa. Lamento dizer-vos que isto não passa de uma ilusão. Ninguém nos deve nada. A desresponsabilização é um dos estigmas mais graves que pesa sobre nós.

Segundo Sapato A idéia de que o sucesso não nasce do trabalho.

O segundo sapato é a idéia de que o sucesso não nasce do trabalho.

Ainda hoje despertei com a notícia que refere que um presidente africano vai mandar exorcizar o seu palácio de 300 quartos porque ele escuta ruídos “estranhos” durante a noite. O palácio é tão desproporcionado para a riqueza do país que demorou 20 anos a ser terminado. As insônias do presidente poderão nascer não de maus espíritos, mas de uma certa má consciência. Nunca ou quase nunca se vê o êxito como resultado do esforço, do trabalho como um investimento a longo prazo. As causas do que nos sucede (de bom ou mau) são atribuídas a forças invisíveis que comandam o destino.

Terceiro Sapato O preconceito de que quem critica é um inimigo.

O terceiro sapato é o preconceito de quem critica é um inimigo.

Muitos acreditam que, com o fim do mono partidarismo, terminaria a intolerância para com os que pensavam diferente. Mas a intolerância não é apenas fruto de regimes. É fruto de culturas, é o resultado da História. Muito do debate de idéias é, assim, substituído pela agressão pessoal. Basta diabolizar quem pensa de modo diverso. Existe uma variedade de demônios à disposição: uma cor política, uma cor de alma, uma cor de pele, uma origem social ou religiosa diversa.

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O quarto sapato é a idéia que mudar as palavras muda a realidade.

Uma vez em Nova Iorque um compatriota nosso fazia uma exposição sobre a situação da nossa economia e, a certo momento, falou de mercado negro. Foi o fim do mundo. Vozes indignadas de protesto se ergueram e o meu pobre amigo teve que interromper sem entender bem o que estava a se passar. No dia seguinte recebíamos uma espécie de pequeno dicionário dos termos politicamente incorretos. Estavam banidos da língua termos como cego, surdo, gordo, magro, etc… Nós fomos a reboque destas preocupações de ordem cosmética. Estamos reproduzindo um discurso que privilegia o superficial e que sugere que, mudando a cobertura, o bolo passa a ser comestível. Hoje assistimos, por exemplo, a hesitações sobre se devemos dizer “negro” ou “preto”. Como se o problema estivesse nas palavras, em si mesmas. O curioso é que, enquanto nos entretemos com essa escolha, vamos mantendo designações que são realmente pejorativas.

Quinto Sapato A vergonha de ser pobre e o culto das aparências.

O quinto sapato é a vergonha de ser pobre e o culto das aparências.

A pressa em mostrar que não se é pobre é, em si mesma, um atestado de pobreza. A nossa pobreza não pode ser motivo de ocultação. Quem deve sentir vergonha não é o pobre, mas quem cria pobreza. Vivemos hoje uma atabalhoada preocupação em exibirmos falsos sinais de riqueza. Criou-se a idéia que o estatuto do cidadão nasce dos sinais que o diferenciam dos mais pobres. É triste que o horizonte de ambições seja tão vazio e se reduza ao brilho de uma marca de automóvel entre outras coisas... É urgente que as nossas escolas exaltem a humildade e a simplicidade como valores positivos. A arrogância e o exibicionismo não são, como se pretende, emanações de alguma essência da cultura africana do poder. São emanações de quem toma a embalagem pelo conteúdo.

Sexto Sapato A passividade perante a injustiça.

O sexto sapato é a passividade perante a injustiça.

Estarmos dispostos a denunciar injustiças quando são cometidas contra a nossa pessoa, o nosso grupo, a nossa etnia, a nossa religião. Estamos menos dispostos quando a injustiça é praticada contra os outros. Persistem em Moçambique zonas silenciosas de injustiça, áreas onde o crime permanece invisível. Refiro-me em particular à  violência domestica.

Sétimo Sapato A idéia de que, para sermos modernos, temos que imitar os outros.

O sétimo sapato é a idéia de que para sermos modernos temos que imitar os outros.

Todos os dias recebemos estranhas visitas em nossa casa. Entram por uma caixa mágica chamada televisão. Criam uma relação de virtual familiaridade. O resultado é que a produção cultural nossa se está convertendo na reprodução macaqueada da cultura dos outros. O futuro da nossa música poderá ser uma espécie de hip-hop tropical, o destino da nossa culinária poderá ser o Mac Donald’s. Falamos da erosão dos solos, da deflorestação, mas a erosão das nossas culturas é ainda mais preocupante. Temos que gostar de nós mesmos, temos que acreditar nas nossas capacidades. Mas esse apelo ao amor-próprio não pode ser fundado numa vaidade vazia, numa espécie de narcisismo fútil e sem fundamento. A razão dos nossos atuais e futuros fracassos mora também dentro de nós. Mas a força de superarmos a nossa condição histórica também reside dentro de nós. Saberemos, como já soubemos antes conquistar certezas, que somos produtores do nosso destino.”

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O texto de Mia parece que foi escrito para nós... fica então a reflexão... tirarmos os sapatos sujos... e se possível calçarmos as sandálias da humildade e do trabalho...

Com afeto,

Beth Landim

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É primavera...
03/11/2016 | 10h47

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"Não se pode dizer para a primavera?

'tomara que chegue logo e dure bastante'.

Pode-se apenas dizer:

'venha, me abençoe com sua esperança, e fique o máximo de tempo que puder'.

Paulo Coelho

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Com afeto,

Beth Landim

 
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Tempo...
01/11/2016 | 15h59

Algumas coisas levam tempo:

Com afeto,

Beth Landim

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Sobre o autor

Elizabeth Landim

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