Olhos de ver...
20/03/2019 | 11h20
Nos conta a lenda, que um dia diante da velha árvore torta, um pinheiro todo vergado pelo tempo, o sábio da aldeia ofereceu a sua própria casa para aquele discípulo que “conseguisse ver o pinheiro na posição correta”.
Todos se aproximaram e ficaram pensando na possibilidade de ganhar a casa e o prestígio, mas como seria “enxergar o pinheiro na posição correta”? O mesmo era tão torto que a pessoa candidata ao prêmio teria que ser no mínimo contorcionista.
Ninguém ganhou o prêmio e o velho sábio explicou ao povo ansioso, que ver aquela árvore em sua posição correta era “vê-la como uma árvore torta”.
Nós temos em nós, esse jeito, essa mania de querer “consertar as coisas, as pessoas, e tudo mais” de acordo com a nossa visão pessoal. Não que não tenhamos que evoluir e construir nossa evolução e corrigir erros em nosso contexto. Falo de ver as coisas de nosso único ângulo.
Quando olhamos para uma árvore torta é extremamente importante enxergá-la como árvore torta, sem querer endireitá-la, pois é assim que ela é. Se você tentar “endireitar” a velha árvore torta, ela vai rachar e morrer, por isso é fundamental aceitá-la como ela é.
Nos relacionamentos, é comum um criar no outro expectativas próprias, esperar que o outro faça aquilo que ele “sonha” e não o que o outro pode oferecer. Sofremos antecipadamente por criarmos expectativas que não estão ao alcance dos outros, porque temos essa visão de “consertar” o que achamos errado.
Se tentássemos enxergar as coisas como elas realmente são, muito sofrimento seria poupado.
Os pais sofreriam menos com os seus filhos, pois os conhecendo, não colocariam expectativas que são suas, na vida dos mesmos, gerando crianças doentes, frustradas, rebeldes e até vazias.
Tente, pelo menos tente, ver as pessoas como elas realmente são, pare de imaginar como elas deveriam ser, ou tentar consertá-las da maneira que você acha melhor. O torto pode ser a melhor forma de uma árvore crescer.
Não crie mais dificuldades no seu relacionamento. Se vemos as coisas como elas são muitas dos nossos problemas deixam de existir, sem mágoas, sem brigas, sem ressentimentos.
Perdemos muito tempo em nossa vida com pequenas coisas, com críticas vazias, lamentando o leite já derramado, sem entender que este tempo não voltará para nós, é um tempo jogado fora. Neste ínterim muitas outras coisas aconteceram ao nosso redor e nós deixamos passar: o nosso sorriso, a atenção com a nossa família, a partilha da alegria com os nossos amigos, a nossa atitude positiva diante da vida...
Ficamos sem forças para rezar, nos distanciamos de Deus e de nós mesmos, muitas vezes nos tornamos um templo vazio e abandonado... Tudo isso por tentarmos DESENTORTAR pessoas.
A vida passa muito rápido para tantas oportunidades jogadas fora. Vivamos intensamente com positividade!
O tempo passa. A vida acontece. As distâncias separam, mas não fazem esquecer o que realmente sentimos, pois não há distância capaz de superar os sentimentos.
Às vezes, vivemos amargurados, querendo que nossa opinião prevaleça. Implicamos com tudo e com todos. Só nos satisfazemos se tudo ocorrer exclusivamente de acordo com nossa vontade. E então nos tornamos egoístas, pequenos, e vemos todos como árvores tortas. Nos tornamos também diabéticos, pois como nos diz o poeta Mário Quintana, diabético é aquele que não consegue ser doce.
Que possamos, tortos ou não, darmos frutos doces, sombras frondosas, termos raízes fincadas em valores firmes, que mesmo o maior vendaval não tire o nosso chão. Que nossos galhos e folhas sejam flexíveis e estejam, acima de tudo, buscando sempre a luz do sol que aquece o nosso coração, e ao anoitecer, a lua com seus mistérios, nos encha a alma de paixão.
Olhe para você mesmo com os “olhos de ver” e enxergue as possibilidades, as coisas que você ainda pode fazer e não fez. Pode ser que a sua árvore seja torta aos olhos das outras pessoas, mas pode ser a mais frutífera, a mais bonita, a mais doce, a mais perfumada da região, e isso, não depende de mais ninguém para acontecer, depende só de você.
Há um tempo, como nos diz Fernando Pessoa, em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.
Com afeto,
Beth Landim
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Fechando ou abrindo a janela...
14/03/2019 | 13h33
Conta-nos uma lenda, que... A alvorada no templo chegou com alvoroço. Todos haviam madrugado e já esperavam o mestre chegar trazendo com ele derradeiras palavras de iluminação. O velho sábio iria retirar-se do templo e meditar por dez anos nas montanhas. Então esta seria uma oportunidade rara, senão a última, de ouvir o que o ancião tinha a dizer. O local sagrado estava lotado. O comentário sobre qual seria o tema do discurso ricocheteava pelas paredes de madeira do templo.
As grandes portas se abriram vagarosamente. Calmamente, o mestre foi entrando. Enquanto ele caminhava em direção ao altar, todos foram ficando em silêncio. Só ouvia-se o barulho dos passos lentos e dos corpos terminando de se ajeitar nos lugares, a madeira rangendo aqui e ali, um ou outro som da natureza vindo de fora.
- Por favor, fechem as janelas – instruiu o abade aos monges – para que nada atrapalhe o discurso do nosso mestre. E na mesma hora os aprendizes correram rumo às janelas e as fecharam com cuidado: Plaft! Ploft! Pfut! - Por favor, abram as janelas – retrucou o ancião – para que o calor não atrapalhe os ouvidos de todos e a brisa da manhã conduza as minhas palavras. Pfut! Ploft! Plaft! Quando o ancião se postou em sua cadeira todos os rangidos cessaram. Quando começou a respirar profundamente, era possível ouvir as respirações de homens, mulheres, crianças e idosos, lado a lado. Era como se, por alguns momentos, até os pensamentos tivessem silenciado. Inclusive os do sábio que iria proferir o discurso. Ele pressentiu que o momento propício havia chegado.
Abriu a boca, mas antes de pronunciar algo, deixou-se invadir pelo som que vinha de fora.
Era um pequeno pássaro que, ao longe, cantava a manhã. Por um tempo, ficou o mestre a ouvir o pássaro e todos a ouvir o que o mestre não dizia. Depois de um bom tempo, quase todos também começaram a ouvir o pássaro. Cedo ou tarde, começavam a ouvir outros pássaros ao redor do templo.
Depois de muito tempo, os pássaros silenciaram. O mestre, enfim, discursou: - O discurso já foi proferido. Os monges, aprendizes e visitantes se entreolharam, em silêncio, sem entender muito bem. O sábio não se explicou, apenas se despediu: - Obrigado a todos por virem até aqui e ouvirem isto. Espero que continuem ouvindo, todas as manhãs, este lindo discurso. Adeus...
Esta reflexão nos conduz ao despertar para o sagrado que existe em nós. Quando isto acontece somos capazes de verificar que ele – o sagrado – não está fora de nós, ele está dentro. Neste momento a mente acalma e o nosso coração brilha de amor incondicional a nós mesmos e a tudo e todos que nos cercam.
Como a flor do cacto, para acessar o nosso eu sagrado é preciso superar os espinhos do crescimento interior.
Pelas estradas diferentes da vida... tanto no oriente quanto no ocidente, não importa a denominação dada – sagrado, divino, essência, eu interior... o que importa é que o sagrado resida dentro das pessoas.
Pistas, sinais, pessoas, insights e coincidências permeiam a estrada de quem opta por encontrar Deus.
A busca constante pelo despertar da consciência tem sido cada vez mais divulgada por mestres, líderes e escritores dos nossos tempos. Em termos práticos, tudo isso significa - estar no presente, consciente do que se está fazendo, das decisões que toma e das escolhas que faz. Eckart Tole em seu livro O Despertar de uma Nova Consciência nos diz que a nossa consciência é o elo com a inteligência universal, e essa inteligência existe também dentro de nós, não há como acessar o divino interno sem expandi-la.
Na verdade o problema reside na mente que oscila o tempo todo entre o passado e o futuro, está sempre comparando uma situação com outra e julgando se algo ou alguém está certo ou errado ou é bom ou ruim.
Os conflitos geram ansiedade, medo, culpa, raiva e outros sentimentos negativos.
Durante a nossa caminhada de conexão com o sagrado, conforme se vai adquirindo maior consciência sobre si mesmo, muitas coisas que antes pareciam impossíveis de acontecer, acontecem, como a paz interior, felicidade e mente tranqüila, já que como seres sagrados, temos em nós tudo o que precisamos para vencer os obstáculos. E que tenhamos sempre em mente que não é porque nós nos encontramos com este sagrado que ficamos livres dos obstáculos e das dificuldades. Na verdade, o que esse encontro nos permite é o fortalecimento para passarmos pelas pedras do caminho.
Para este encontro, não precisamos de muito preparo, mas sim que a simplicidade da vida faça morada em nosso ser, nos tornando pessoas melhores, de bem com a vida, pessoas mais leves, positivas, com grande bom humor, sempre voltadas para o desenvolvimento da espiritualidade em nosso dia-a-dia, pois a prática dos nossos dons e valores, em nosso cotidiano, nos tornam cada vez mais próximos do sagrado que existe em nós.
 Com afeto,
Beth Landim
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Carnaval ... Delícia! Delícia!
14/03/2019 | 13h31
O brasileiro é realmente um privilegiado em termos de festividades, pois, logo após as comemorações de final de ano e o início das férias de verão, vem o carnaval que pode ser considerado a maior festa popular ao ar livre do mundo. Tendo como “comissão de frente” a incorrigível alegria de nosso povo, ele se apresenta como um autêntico abre-alas da indústria de turismo e garoto-propaganda das nossas exportações. O carnaval, a arte e o mundo dos negócios são destaques do mesmo carro alegórico.
O processo de evolução do nosso carnaval fez com que ele transcendesse o conceito de ópera de rua, para consolidar-se como uma das mais criativas e democráticas organizações de artes do planeta.
O carnavalesco, protagonista do núcleo de criação da escola de samba, está comprometido com a verdade ao associar a arte às circunstâncias históricas e geográficas. A imaginação e a emoção simbolizam o corpo e a alma do artista. Da mais famosa passarela, a Marquês de Sapucaí, a mais simples viela, a nossa musicalidade desfila a sua maior riqueza – a diversidade de seus ritmos - como o samba, originário do batuque africano. Ao lado da música, a literatura se faz presente com o samba-enredo que pode reescrever o nosso descobrimento ou relembrar os ciclos do nosso desenvolvimento e a pintura, retratar o colorido da nossa flora e da nossa fauna. Esculturas, carros alegóricos e fantasias homenageiam nossa cultura, nossos poetas, nosso povo e as celebridades. As artes plásticas transformam o lixo em luxo e a dança exibe todo o nosso “gingado e a nossa musicalidade”. O carnaval, que possui magia de transformar artistas em passistas e passistas em artistas, é responsável pelo mais abrangente acervo da nossa cultura popular. Se olharmos a nossa história e a associarmos ao carnaval, constataremos que tudo tem sido captado pela sensibilidade dos carnavalescos que, da tradição à globalização ou da tragédia à comédia, têm retratado nossos usos e costumes – festa para os mais diversos meios de comunicação. Diante disso, é essencial ressaltar também que, além de ser uma grande festa, o carnaval tem sido um ótimo destaque no campo empresarial devido ao seu formato empreendedor de gestão. Ele faz da ousadia, da criatividade e da empregabilidade – soma das competências e habilidades – o tripé de um modelo exemplar de organização competitiva. O mundo dos negócios ainda tem que se conscientizar que somente um ambiente de trabalho prazeroso poderá produzir a excelência. O prazer, no seu mais refinado conceito, é a energia insubstituível que gera vencedores.
É curioso perceber que a Escola de Samba é um fenômeno de gestão, pois em sua organização mantém uma das estruturas mais fantásticas de satisfação do cliente, tendo uma equipe integrada e altíssimos índices de motivação individual. Esse fenômeno, que encanta tanto o brasileiro como os estrangeiros - a escola de samba - pode ser visto como um processo de estruturação coletiva e individual da alegria, que é contagiante e enche os nossos sentidos de encantamento.
Atualmente, um dos resultados que as empresas mais buscam nos seus sistemas de gestão continua sendo uma fórmula para encantar ou satisfazer o cliente. E que ao mesmo tempo crie um clima interno de coesão grupal e comprometa seus colaboradores de forma criativa e com entusiasmo. Ou seja, associando os interesses coletivos e individuais de maneira satisfatória e produtiva, para ambos. Vale destacar que a escola de samba não é uma organização que funciona apenas no carnaval. Ela gera empregos, desenvolve sistemas, estimula a criatividade e, simultaneamente, exige um alto grau de gerenciamento e estruturação ao longo de todo ano. O magnífico espetáculo que assistimos na Sapucaí, combinando luz, cores, coreografia e som, é o resultado de muito trabalho, competência e dedicação.
Então, desejo que você caia na folia... Uma folia de alegria, de reunir amigos, de relembrar os corsos e mascarados sujos... Lembro-me bem de quantas vezes saí fantasiada de mascarado, e do quanto era bom brincar com as pessoas, dançar, caminhar pelas ruas de Grussaí. Uma folia onde a bebida não precisa ser a atração principal. Que não nos escondamos e nem tenhamos a "alegria ilusória" que ela traz. Mas que a música, a arte do encontro, as lembranças da infância nos levem a dançar, a curtir as ruas, a embalar nossos dias e noites! Que saibamos "ver" e aproveitar a lua que aparece todos os dias para abrilhantar a nossa noite. Que saibamos sentir o sol, que nos aquece gratuitamente e com isso, possamos passar calor humano a quem está ao nosso lado... Que os mergulhos no mar possam nos energizar para o ano que estamos começando... Aproveite estes dias para cultivar em sua alma a alegria interior, a festa que deve acontecer dentro de nossa alma, cultuando os nossos sonhos, que nos trazem o sabor da juventude... Uma boa folia para todos nós!!! Delícia! Delícia... Ai se...
 Com afeto,
Beth Landim
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Para Irmã Suraya em seus 60 anos de vida religiosa...
14/03/2019 | 13h28
A maneira como tratamos as pessoas, diz muito mais sobre nós do que os nossos discursos. É o exemplo que educa... Seu exemplo de vida, de ternura, de fé e de olhar sempre à frente do seu tempo, descortinando horizontes, nos faz ser sempre seus eternos aprendizes!
O seu amor pelos jovens e pela Educação Salesiana é exemplo para nós e continua semente que germina, sem fazer alarde. E é assim que nascem as florestas: em profundo estado de silêncio. Quem observar a calmaria que paira sobre o chão, nem imagina a força que está agindo sob a terra. E então o amor e os jovens seguem florescendo, fincando raízes por um mundo mais humanizado, através das suas plantações, Irmã Suraya. Sua lucidez e profundidade nos fazem sempre a pergunta certa, para que então busquemos pela resposta... isto nos faz crescer, nos faz melhores seres humanos e profissionais...
Você nos olha nos olhos... e através de seus olhos, vemos refletir seu empenho diário pela vida, por uma educação inovadora e libertadora, sempre a frente do nosso tempo... E é esse mesmo olhar que nos alimenta e nos alegra... Com você experimentamos o abraço de Deus...
Você dedica grande parte de sua vida a educação e a juventude da nossa Campos dos Goytacazes. Se entregou de corpo e alma ao nosso “Auxiliadora” e aos seus vários projetos que foram crescendo com a contemporaneidade do tempo... Contemporaneidade... palavra que marca muito sua personalidade, pois você sempre alinhou contextos e tempos com a maestria de antever o tempo futuro, isso implica em ter sensibilidade e ousadia para desbravar o novo.
Você é um exemplo de amor ao próximo, de compartilhamento de conhecimento, sabedoria e caráter humanitário a quantos mais possamos atingir.
Suas palavras firmes e macias nos alimentam de esperança. No Evangelho, temos o primeiro milagre de Jesus. Ele não curou um cego, um mudo ou ressuscitou um morto. O que Ele fez foi multiplicar o vinho, sinônimo de alegria.
Seu empenho diário é sempre renovar o amor pela vida, o compromisso com a alegria conosco, desviando e alimentando o nosso olhar para vermos sempre o melhor de cada situação.
“Menina! Que um dia eu conheci criança, me aparece assim de repente. Te carreguei no colo, menina, cantei prá ti dormir...” Menina que nasceu a Rua Direita com o azul do mar da praia de Imbetiba, em Macaé, como cenário a te embalar os sonhos. O azul que sempre nos conduz ao infinito... ao infinito da sua bondade, ao infinito da sua persistência, ao infinito da sua fé, ao infinito da sua coragem e de sua sempre bela juventude... Quando jovem, a caçula dos seus sete irmãos era a graça e alegria do lar de Alzira e Jorge Chaloub... Família Grande, família unida, família cheia de vida... “No conforto do seu lar, há fartura de carinho e a cortina da janela é o luar, mais o sol que bate nela... Basta pouco, pouquinho pra alegrar uma existência singela... É só amor, pão e vinho e um caldo verde, verdinho a fumegar na tigela.”
Em sua juventude aceitou o chamado de sua vocação. Sua sensibilidade religiosa... seu amor à educação e sua identificação com o projeto pedagógico de Dom Bosco, aliados ao desejo de um projeto de serviço a uma causa maior, levaram-na a absolutizar a vida religiosa, missionária em favor da educação da juventude. Ao invés de cruzar os braços, estendeu as mãos aos jovens, as muitas famílias, renunciando o convívio diário com a sua própria família. Mãos que agregam, mãos que escrevem história, mãos que fazem acontecer, que lutam junto com as nossas mãos, que indicam caminhos... Mãos que constroem sonhos... “Sonhar mais um sonho impossível, lutar quando é fácil ceder, vencer o inimigo invencível, negar quando a regra é vender. Sofrer a tortura implacável, romper a incabível prisão, voar num limite improvável, tocar o inacessível chão. É minha lei, é minha questão. Virar este mundo, cravar este chão, não me importa saber, se é terrível demais. Quantas guerras terei que vencer por um pouco de paz. E amanhã se este chão que eu beijei, for meu leito e perdão, vou saber que valeu, delirar e morrer de paixão. E assim, seja lá como for, vai ter fim a infinita aflição e o mundo vai ver uma flor, brotar do impossível chão.”
É uma honra celebrarmos juntos seus 60 anos de vida religiosa.
Que Deus lhe dê muita saúde e paz, que continue a iluminar o seu caminho, para que possamos através de sua luz refletir a nossa existência de eternos aprendizes, pois as mais lindas palavras de amor são ditas no silêncio de um olhar... e é este olhar que recebemos da senhora e amorosamente lhe ofertamos.
Com afeto,
Beth Landim
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A força do silêncio
14/03/2019 | 13h19
Nesta semana, recebi um e-mail no qual o autor Aldo Novak expressa uma reflexão fundamental no mundo atual em que vivemos. O autor em seu texto assim se expressa:
“Pense em alguém que seja poderoso... Essa pessoa briga e grita como um papagaio, ou olha e silencia, como um leão? Leões não gritam. Eles têm a aura de força e poder. Observam em silêncio. Somente os poderosos, sejam leões, homens ou mulheres, respondem a um ataque verbal com o silêncio. Além disso, quem evita dizer tudo o que tem vontade, raramente se arrepende por magoar alguém com palavras ásperas e impensadas. Exatamente por isso, o primeiro e mais óbvio sinal de poder sobre si mesmo é o silêncio em momentos críticos.
Se você está em silêncio, olhando para o problema, mostra que está pensando, sem tempo para debates fúteis. Se for uma discussão que já deixou o terreno da razão, quem silencia mostra que já venceu, mesmo quando o outro lado insiste em gritar a sua derrota. Olhe! Sorria! Silencie! Vá em frente e lembre-se de que há momentos de falar, que há momentos de silenciar. Escolha qual desses momentos é o correto, mesmo que tenha que se esforçar para isso. Por alguma razão, provavelmente cultural, somos treinados para a (falsa) idéia de que somos obrigados a responder a todas as perguntas e reagir a todos os ataques. Não é verdade! Você responde somente ao que quer responder e reage somente ao que quer reagir. Falar é uma escolha, não uma exigência, por mais que assim o pareça.
Você pode escolher o silêncio. Além disso, você não terá que se arrepender por coisas ditas em momentos impensados, como defendeu Xenocrates, mais de trezentos anos antes de Cristo, ao afirmar: “Responda com o silêncio, quando for necessário. Use sorrisos, não sorrisos sarcásticos, mas reais. Use o olhar, use um abraço ou use qualquer outra coisa para não responder em alguns momentos. Você verá que o silêncio pode ser a mais poderosa das respostas. E, no momento certo, a mais compreensiva e real delas”.”
E você, já parou para pensar no poder do silêncio? Já pensou que aprender a fazer silêncio pode ser tão importante quanto aprender a falar e a se relacionar com outras pessoas? É interessante perceber que em uma sociedade tão materialista como a nossa, que privilegia o TER em detrimento do SER, é urgente a necessidade de mergulharmos dentro de nós mesmos. Fazer silêncio é mais que não falar, que ficar quieto sem nada a dizer. Silenciar é uma arte que comunica tanto quanto outros sons. Nesta sinfonia que é a vida, cultivar instantes de silêncio pode nos proteger da impulsividade que invade nossa alma e pode nos auxiliar no contato com nossa essência. Assim, podemos descobrir coisas antes não observadas com a devida atenção. Na melodia da vida, as pausas remetem ao momento em que realmente passamos a entrar em nós. É claro que muitos poderão dizer que ficar quieto e silenciar pode ser uma atitude egoísta e covarde em alguns momentos em que se espera que algo seja dito ou feito.
Bem, realmente isso não é verdade! Precisamos olhar o silêncio por um outro ângulo. Aquele que educa a alma, que nos traz equilíbrio frente à vida. Aquele que nos auxilia a preservar nossa identidade. E, como tudo na vida, esse silêncio sábio pode ser aprendido, cultivado. Afinal, o silêncio deve ser muito importante, caso contrário não teríamos nascido com duas orelhas e apenas uma boca, concorda? Deste modo, devemos fazer do silêncio a paz que nos serena a alma e ilumina a vida nos instantes de agressões, dúvidas ou dor, mas também lembremos dele nas horas das alegrias mais profundas, de forma que sempre possa nos acompanhar em todos os instantes da vida como grande aliado. Ao desenvolvermos a habilidade de silenciar, evidenciamos a prudência, característica maior dos sábios. Enfim, o silêncio pode ser reconhecido como uma virtude que evita polêmicas desnecessárias e brigas perigosas.
Grandes sábios afirmam que quem muito fala, nada tem a dizer. Isto parece fazer bastante sentido, quando por prepotência, vaidade e orgulho, algumas pessoas defendem, de forma douta, graves erros, para os quais constroem justificativas totalmente mentirosas. O leitor certamente conhece casos e casos...
Assim, como homens e mulheres sensatos que somos, devemos desconfiar de todos os discursos apelativos que produzem entorpecimento da razão crítica! Todavia, devemos interpretar o silêncio como uma arma poderosa para responder, de forma harmoniosa, aos ataques de má fé! Precisamos da calma e do silêncio. Não o silêncio do fechamento, da indiferença, mas o silêncio da atenção, da escuta; o silêncio da sintonia com o sagrado, com o transcendente, o sobrenatural! O texto de Novak enfatiza que a característica própria de um homem corajoso é falar pouco e executar grandes ações. A característica de um homem de bom senso é falar pouco e dizer sempre coisas razoáveis. Não há menos fraqueza ou imprudência em calar, quando se é obrigado a falar, do que leviandade e indiscrição em falar, quando se deve calar.
O silêncio tem uma força de comunhão que não leva ao isolamento, mas nos coloca em sintonia com todas as criaturas, particularmente com todas as pessoas que pensam, esperam e amam. Mas, só é capaz de vivenciá-lo e usá-lo como arma, quem possui decisão interior e firmeza de caráter, conseguindo saborear e estabelecer uma comunicação autêntica consigo, com os outros, com a natureza e com Deus. Lembre-se: Silenciar é uma arte praticada com excelência por poucos! Sábios são os que conseguem!
Com afeto,
Beth Landim
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A beleza dos dias comuns...
14/03/2019 | 13h15
Outro dia li um texto do escritor Luis Eduardo Machado que poetizava sobre a beleza dos dias comuns e gostaria de compartilhá-lo com meus leitores. A seguir transcrevo o texto: “Hoje foi um daqueles terríveis dias comuns. É importante refletir sobre como temos uma visão errada sobre os “dias comuns”. Dias comuns são aqueles dias em que tudo foi exatamente como sempre havia sido antes. Normalmente eles são reconhecidos como tediosos e maçantes. Todavia prefiro observar os “dias comuns” de forma diferente (até porque a maior parte dos nossos dias são “comuns”, se eles forem chatos, a nossa vida tende a ser uma chatice só!). Para mim, os dias comuns têm grande valor. Quer ver?
Nos dias comuns eu não estou doente nem estou com dor (quando tenho alguma dor, o dia não é um dia comum). Nos dias comuns ninguém que eu amo faleceu ou está muito doente (quando alguém que eu amo está sofrendo, os dias não são comuns). Nos dias comuns não perco o meu emprego, nos dias comuns a minha vida não está envolvida em nenhum escândalo ou catástrofe. Nos dias comuns as pessoas que eu amo também me amam e não estão “de mal” comigo, nos dias comuns eu não passo fome e nem frio. Nos dias comuns eu não participo das guerras e nem vejo a morte bem perto de mim, nos dias comuns o sol não provocou uma seca e nem a chuva provocou uma enchente. Nos dias comuns não sou assaltado nem seqüestrado, nos dias comuns os amigos não me traem, nos dias comuns eu estou em paz.Viu? Dias comuns podem se tornar tediosos, mas dias “especiais” (não comuns) podem ser muito difíceis e sofridos. Por isso, prefiro os dias comuns e escolho valorizá-los. Há alguns dias tive um problema de saúde. Passei mal e tive dor. Nesse momento, fiquei lembrando do dia anterior... um “dia comum”. No ordinário dos “dias comuns” eu vejo a mão de Deus. Por isso, sou grato pela beleza dos “dias comuns”.
Esse texto gera uma reflexão acerca da felicidade e de como é importante o modo como vemos e lidamos com a nossa vida no cotidiano! Quantas vezes temos uma vida feliz, temos saúde, um amor, filhos, um trabalho e mesmo assim reclamamos e ficamos ansiosos esperando que algo extraordinário aconteça?
Precisamos compreender que tudo na vida depende da maneira como vemos e como interpretamos os fatos que acontecem em nosso dia-a-dia. Se temos uma postura positiva e otimista, temos também maior facilidade para resolver os problemas que por ventura surgirem. E ainda levamos a vantagem de valorizar as pequenas belezas da vida.Por outro lado, se a nossa postura é de valorizar as desgraças, se somos negativos em nossos pensamentos, palavras e atitudes, tudo se torna muito mais pesado e de difícil solução. Às vezes uma pequena contrariedade é transformada em um drama muito complicado, deixando as pessoas desesperadas e até deprimidas. Pessoas assim não valorizam as pequenas dádivas da vida, elas precisam de grandes acontecimentos para serem felizes.O que todos nós, otimistas ou não, não podemos esquecer é que muitas vezes, em muitas situações, precisamos simplesmente mudar o foco, olhar a vida, o mundo ou o próximo com outros olhos e assim nos surpreendermos diante de uma nova visão.
Todos os dias tudo recomeça. A cada amanhecer surge uma nova chance para iniciarmos um novo caminho que possa nos conduzir a destinos melhores do que antes. Olhe para você como um produto da vida e da natureza, que tem um ciclo importante a cumprir todos os dias. Se não deu certo, pense na magia da cura milagrosa do “dia seguinte”. Veja, sobretudo, o quão maravilhoso é poder ter a oportunidade do dia seguinte, a chance de consertar o que deu errado e poder tentar tudo outra vez.
Após a leitura desse texto espero que cada um de nós possa ao final de um dia comum agradecer a Deus pelo presente que nos oferta a cada nascer do sol!!! Boa semana!
Com afeto,
Beth Landim
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Sobre o autor

Elizabeth Landim

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