A Inutilidade e o Verdadeiro Amor
06/02/2019 | 21h31
A velhice é o tempo em que vivemos a doce inutilidade. Porque mais cedo ou mais tarde iremos experimentar esse território desconcertante da inutilidade. Esse é o movimento natural da vida. Perder a juventude é você perder a sua utilidade, é uma conseqüência natural da idade que chega. O sol do amanhã... Sob o olhar de uma cuidadora... Como você decide viver é o que faz a diferença no momento das provações, nos diz Padre Fábio de Melo, falando sobre a velhice... Quem tiver a oportunidade de assistir ao seu DVD “No meu interior tem Deus”, não deixe de ver e principalmente de ouvir com o “coração”. Vale muito a pena!!! Aqui vai um trechinho...
“... A velhice nos trás direitos maravilhosos. Enquanto a juventude é cheia de obrigações. A velhice é o tempo em que passa a utilidade e aí fica somente o significado da pessoa. É o momento que a gente se purifica. É o momento que a gente vai tendo a oportunidade de saber quem nos ama de verdade. Porque só nos ama pra ficar até o fim aquele que, depois da nossa utilidade, descobriu o nosso significado. É por isso que sempre rezo para envelhecer ao lado de quem me ama. Para poder ter a tranqüilidade de não ser útil, mas ao mesmo tempo não perder o valor. Se você quiser saber se alguém te ama de verdade, é só identificar se ele seria capaz de tolerar a sua inutilidade. Quer saber se você ama alguém? Pergunte a si mesmo, quem nesta vida que pode ficar inútil pra você sem que você sinta o desejo de jogá-lo fora. E é assim que nós descobrimos o significado do amor... Só o amor nos dá condições de cuidar do outro até o fim! Feliz daquele que tem ao fim da vida a graça de ser olhado nos olhos, e ouvir a fala que diz: - Você não serve pra nada, mas eu não sei viver sem você!”
O que falta muitas vezes para poder resolver os nossos problemas é a simplicidade em enxergá-los. Devemos retirar os excessos. Não permitir que os nossos excessos venham obscurecer a nossa visão, ou até mesmo de nos impedir de encaminhar uma solução para aquilo que nos faz sofrer. Isso é ter fé. É a gente acreditar que Deus está ao nosso lado no momento da nossa luta, no momento da nossa dor. E que, portanto, a gente tem o direito de ser simples.
É interessante observar os movimentos de nossas mudanças interiores. Nem sempre sabemos identificar o nascimento da inadequação que gera todo o processo. O fato é que um dia a gente acorda e percebe que a roupa não nos serve mais. Como se no curto espaço do descanso de uma noite a alma sofresse dilatação, deixando de caber no espaço antigo onde antes tão bem se acomodava. É inevitável. Mais cedo ou mais tarde, os sonhos da juventude perdem o viço. O que antes nos causava gozo, aos poucos, bem ao poucos deixa de causar. Nossos valores vão se tornando mais consistentes.
Mas não precisamos necessariamente chegar à velhice extrema, para entendermos o sentido da inutilidade que leva ao amor... Perder tempo, gastar tempo, ou melhor dizendo “Ter a utilidade do seu tempo” para as coisas que nos levam aos verdadeiros sentimentos... Se permitir “jogar conversa fora” com seus filhos, seus amigos, fazer piqueniques e voltar a ser criança, andar na chuva, sentir o cheiro da terra molhada, passear na praça, na praia, no bosque... sentir a liberdade do rosto te acariciando a pele... jogar frescobol, voleibol, “buraco”, seja o que for, apenas com o intuito de reunir os amigos, e a família... Assim como faziam os homens das cavernas. Ascendiam a fogueira e ao seu redor conversavam, conversavam e conversavam... e assim os laços iam se tecendo, os abraços se alongavam e a vida mesmo na rusticidade daqueles tempos, era aconchegante!!! Tempo... sempre o tempo do Senhor a nos ensinar... Assim como na história de Alice no País das Maravilhas em que seu coelho, corria com o relógio pendurado atrás do tempo... Estamos hoje nós a fazer o mesmo... Que o tempo da inutilidade amorosa, possa ser constante no tempo de nossa utilidade existencial. Que a simplicidade faça morada em nossos corações, atitudes e sentimentos. E que nossos sentimentos estejam sempre no ritmo e no compasso do “amor inútil” aquele que traz pleno significado. Que saibamos respeitar a dor de cada hora, a esperança de cada momento, sendo ao mesmo tempo de Aço e de Flores... Que possamos sentir a esperança brotar de cada coração, nos fazendo pessoas melhores, menos complicadas, de aço, para enfrentar os desafios, mas sem perder a doçura de ser simplesmente humano... Um tempo para nos purificar... Primeiro consigo mesmo, pois muitas vezes somos nosso maior carrasco e depois com todas as pessoas que nos cercam. É essa sensibilidade de enxergar cada tempo com sabedoria, que nos levará a conhecer o significado do amor...
Com afeto,
Beth Landim
Comentar
Compartilhe
Mais que existir, é fundamental viver!
06/02/2019 | 21h27
 Muitas pessoas não vivem. Apenas existem. E fazem grande esforço para suportar suas vidas. Na verdade, vão "levando a vida". Mas, onde fica o viver e ser feliz? Onde fica o nosso desejo latente de viver e não apenas existir?A natureza nos deu o dom de escolher como queremos ser. Temos o poder de conduzir nossa própria vida, ao invés de sermos "levados pela vida". No decorrer de nossa vida e com o passar dos anos assistimos o desenrolar dos fatos, desde a nossa realidade individual até a planetária e cósmica, com tal rapidez, que mal conseguimos digeri-los. E a palavra crise está por todos os lados. Seria ela a culpada da qualidade da nossa vida estar se deteriorando?
É claro que nem tudo depende de nossa vontade, mas, ao voltarmos a atenção para dentro de nós, constatamos que muitas coisas, além do que imaginamos, dependem unicamente do que fazemos ou de como percebemos a vida. Nosso mundo exterior é conseqüência do nosso mundo interior. Precisamos estar atentos a tudo que nos cerca e às outras pessoas, sintonizarmo-nos.
E dessa forma a crise desdobra-se em oportunidade de crescimento, reciclagem, reformulação. Vida nova! Será que nos basta nascer, crescer, trabalhar, reproduzir, existir por existir, "aproveitar a vida", envelhecer e depois morrer? Quem somos? De onde viemos? Para onde vamos? Para que estamos aqui? Por que vivemos? Por que sofremos? Qual o resultado de nossos esforços? Estamos contentes com o que somos? Qual é o objetivo real de nossa existência?Precisamos deixar de reagir mecanicamente diante das circunstâncias da vida. Muitas pessoas vivas estão de fato mortas para todo trabalho sobre si mesmas. E que este trabalho é característica fundamental, determinante da qualidade do nosso "viver”.Assim como existe uma grande diferença entre um homem grande e um grande homem, também poderemos constatar esta analogia na forma como efetuamos o nosso percurso existencial. Afinal, vivemos porque existimos, ou existimos porque vivemos?Quando andamos não quer dizer, necessariamente, que caminhamos. Andamos às vezes sem ter o menor objetivo traçado, sem nenhuma meta a ser atingida. E ao ouvirmos um som qualquer não implica jamais em afirmarmos que escutamos. Escuta aquele que sente, aquele que busca ouvir o que não foi dito; o que ficou implícito. Há muita gente ouvindo por aí sem escutar absolutamente nada. Esses pequenos exemplos nos remetem à seguinte reflexão: viver e existir são fatores completamente opostos.
Existir é o mesmo que passar pela vida sem tê-la vivido de forma correta e intensa. Aquele que apenas existiu esqueceu de se fazer presente no livro da história, digna e plenamente. Simplesmente passou despercebido. É lamentável vir ao mundo e ter perdido a chance de ter vivido satisfatoriamente.
Viver é realizar-se plenamente, sempre voltado às ações que engrandeçam o ser humano. Vive aquele que se sente parte integrante do Universo. Vive quem faz de tudo para ver a alegria estampada na face do outro. Viver é sentir prazer em amar a Deus. Vive quem ama e respeita a natureza e todas as formas de vida. Vive quem pratica o bem. Viver é amar sempre, sempre! Vive aquele que estende a mão ao amigo que necessita. E é certo que quando estendemos a mão ao nosso irmão, Deus nos estende de imediato. Viver e existir são diferentes em essência.
Existir, apenas, será uma forma extremamente redutora de viver, considerando a passividade, a inércia que o termo "existir" possa englobar.Viver, objetivamente, significa ter a capacidade de transformar, ser ativo, ter a noção de que qualquer ser humano é algo de único.
Temos a obrigação de, nessa trajetória singular, saber o que há de profundo em cada fase, em cada encontro, as mensagens que estão sendo passadas para a compreensão desse processo de crescimento. Precisamos questionar sempre o sentido do nosso viver. A luta pelo pão de cada dia, além da questão de sobrevivência, precisa ser impregnada de outros significados.Há quem se deixe dominar pela rotina da vida, assim como, pelo contrário, existirá quem faça de cada dia uma nova razão de viver. Duas formas distintas de trilhar o mesmo percurso, embora não seja difícil constatar a fronteira entre o existir e o viver. Sendo assim, fica a lição: não basta existir, é fundamental viver!
 Com afeto,
Beth Landim
Comentar
Compartilhe
O trem da vida
06/02/2019 | 21h24
 
Há algum tempo atrás, li um livro que comparava a vida a uma viagem de trem. Uma leitura muito interessante, quando bem interpretada. Isso mesmo, a vida não passa de uma viagem de trem, cheia de embarques, alguns acidentes, surpresas agradáveis em alguns embarques e grandes tristezas em outros.
Quando nascemos entramos nesse trem e nos deparamos com algumas pessoas que julgamos que estarão sempre conosco: nossos pais. Infelizmente, isso não é verdade, em alguma estação eles descerão e nos deixarão órfãos no carinho, amizade e companhia insubstituível... Mas isso não impede que durante a viagem, pessoas interessantes e que virão a ser mais que especiais para nós embarquem. Chegam nossos irmãos, amigos e amores maravilhosos.
Muitas pessoas tomam esse trem apenas a passeio. Outros encontrarão nessa viagem somente tristeza. Ainda outros circularão pelo trem, prontos a ajudar a quem precisa. Muitos descem e deixam saudades eternas, outros tantos passam por este trem de forma que, quando desocupam seu acento, ninguém sequer percebe.
Curioso é perceber que alguns passageiros que nos são tão queridos, acomodam-se em vagões diferentes dos nossos, portanto somos obrigados a fazer esse trajeto separados deles, o que não impede, é claro, que durante o percurso, atravessemos, mesmo que com dificuldades, o nosso vagão e cheguemos até eles... só que, infelizmente, jamais poderemos sentar ao seu lado para sempre.
Não importa, a viagem é assim, cheia de atropelos, sonhos, fantasias, esperanças, despedidas... porém, jamais retornos. Façamos essa viagem, então da melhor maneira possível, tentando nos relacionar bem com todos os passageiros, procurando, em cada um deles, o que tiverem de melhor, lembrando sempre que em algum momento do trajeto, eles poderão fraquejar e provavelmente precisaremos entender, pois nós também fraquejamos muitas vezes e, com certeza, haverá alguém que nos entenderá.
Eu me pergunto se quando eu descer desse trem sentirei saudades... acredito que sim. Separar-me de algumas amizades que fiz será, no mínimo, dolorido. Deixar minhas filhas continuar a viagem sozinhas será muito triste, mas me agarro à esperança de que em algum momento, estarei na estação principal e terei a grande emoção de vê-las chegar com uma bagagem que não tinham quando embarcaram... e o que vai me deixar mais feliz será pensar que eu colaborei para que elas tenham crescido e se tornado valiosas.
O grande mistério, afinal, é que jamais saberemos em qual parada desceremos, muito menos nossos companheiros, ou até aquele que está sentado ao nosso lado. Façamos com que a nossa estada nesse trem seja tranqüila, que tenha valido a pena e que, quando chegar a hora de desembarcarmos, o nosso lugar vazio traga saudades e boas recordações para aqueles que prosseguirem a viagem da vida.
Enquanto estivermos embarcados neste trem e pelas suas janelas pudermos refletir a grandeza de Deus através da natureza, devemos nos lembrar sempre da gratidão a Ele pelo dom da vida. Os momentos de dor e sofrimento são verdadeiras molas propulsoras para o nosso progresso. Os momentos de alegria deixam em nós lembranças tão especiais e recorrentes que nos trazem conforto e esperança, verdadeiros alimentos espirituais.
A vida é uma construção diária, devemos fazer sempre a nossa parte, e recomeçarmos o dia quantas vezes forem necessárias para vivê-lo com simplicidade e bom ânimo. Com as nossas metas em mente devemos alimentar o nosso coração com fé e coragem, e focar nos nossos reais objetivos.
Viva intensamente! Agradeça cada dia que chega para ser vivido por você! Olhe para os lados e veja como você é um ser humano privilegiado aos olhos de Deus. Agradeça a Ele pela sua família, pelo seu trabalho, pelos seus amigos, pelos seus dons, pela sua saúde tão preciosa ... pela sua VIDA!
Desejo a todos uma viagem muito tranqüila durante a próxima semana e que as paradas seguintes possam ser nas estações da Esperança, da Confiança, do Bom Ânimo, da Coragem, da Alegria, da Gratidão, da FÉ, do AMOR e da PAZ!
Com afeto,
Beth Landim
Comentar
Compartilhe
Sublime Vazio...
06/02/2019 | 21h22
 
Todo começo de ano paramos para refletir sobre a nossa vida. Começamos algumas mudanças, mas depois é acionado o automático e ficamos novamente no “velho” hábito da normalidade, do corre corre...
Porém, há um tempo em que é preciso tirar a roupa velha que já tem a forma do nosso corpo, para que possamos fazer a travessia... senão, corremos o risco de ficarmos a margem de nós mesmos...
E então... sem julgamentos, valoramos e analisamos nossa vida... Refletir o que temos de mais ou de menos, pensar em tudo que andamos guardando, tanto no mundo exterior, como no interior.
A milenar sabedoria oriental ensina que é preciso deixar espaço vazio para criar o novo.
Ninguém consegue colocar um móvel no lugar onde outro já se encontra. É simples assim.
Somente se desfazendo do que se tornou inútil, sem valor, podemos ir em frente e nos renovar.
Assim como não se corre atrás do vento, temos que abrir espaço para refrescar a alma, deixar de pensar no que nos decepcionou, nos amargurou ou nos deixou triste...
Deixemos o vento correr, arejar, sentir uma nova brisa acariciando e perfumando nosso corpo e nossa alma.
É a força imensurável do vazio. O vácuo tem a incrível capacidade de atrair coisas boas inéditas e trazer trepidantemente o novo. Que pode ser o “velho”, porém revigorado em energia. Mas se acumularmos objetos inúteis em casa e sentimentos negativos no coração, não sobra canto desocupado para o sublime vazio... e então nada acontece...
Pior ainda é quando guardamos por guardar, é como se não valorássemos o que temos.
A implacável lei de que é dando que se recebe, nos clarifica sempre, que quem doa sempre ganha.
Ganha por ter a consciência tranqüila do dever cumprido, do ajudar ao próximo, da escolha consciente...
Aproveite que 2019 já chegou e limpe as gavetas, armários, prateleiras, estantes e doe tudo aquilo que não serve pra você, mas que poderá ser uma grande alegria para outra pessoa. Aproveite e faça uma faxina igual nas suas emoções, no seu coração, na sua vida... Não guarde raiva, nem rancor, não gaste energia com o que não faz mais sentido... isso acorrenta a vida. Não se permita ser um depósito do “lixo emocional” dos que te cercam... Abra espaço e sinta a renovação do sublime vazio... que sempre nos traz a relativização do que realmente importa e tem valor em nossas vidas. A vida tem a cor que pintamos...
Um coração aprendiz está sempre pronto para qualquer desafio, disposto a tirar alguma lição...
Neste sentido, abrir espaços dentro de nós mesmos significa nos mantermos jovens! Não apenas jovens fisicamente, pois a saúde é imprescindível, mas principalmente jovens de espírito!!! Prontos para experimentarmos o novo, o que nunca fizemos, para nos lançarmos sem medo nos nossos desejos, ou nas mais simples coisas da vida, como correr, andar de bicicleta, cavalgar, nadar, pescar... porque não??? O vazio nos abre infinitas possibilidades de refrescar o gosto, o fazer e de sairmos da comodidade que nos deixa sempre na linha de conforto. Se arriscar faz bem ao coração, fazer o percurso invertido, nos deixa mais atentos, olhar o mundo com outras cores, muda a paisagem... ou seja se reinventar...
É isso que nos deixa bem, nos deixa vivos!!!
Muitas vezes é preciso sentir saudade de nós mesmos, para que possamos nos resgatar, nos revisitar e nos reconhecermos diante de nós mesmos... e é no sublime vazio, sem obstáculos ou censura, que podemos nos encantar olho a olho com nós mesmos, e então olhar para frente, enxergar o que somos, o que queremos ser e caminhar ao nosso encontro... experimente você com você mesmo, se esvaziar, sem censuras, refletir, para se reinventar novamente...
E por isso... os INTERVALOS são imprescindíveis... O intervalo dá pausa, nos faz parar para pensar, nos ajuda a reconhecer tudo de maravilhoso que temos... e sermos gratos! Mas penso, que sua principal missão é podermos olhar para dentro de nós e enxergarmos nossas misérias! Sim, olhar silenciosamente para nossas misérias, e tentarmos acertar o passo e o melhor compasso para uma vida simples, porém feliz... Sempre penso muito nisso... Na simplicidade das coisas... Poder sentar com a cadeira na “lagoinha” do mar, sentindo o cheiro de maresia, com a água indo e voltando a molhar nossos pés, fitando o horizonte e o pensamento livre, nas estrelas... Não há felicidade maior... E depois, um bom mergulho, furar ondas, submergir, sentir a sensação de liberdade com o sol acariciando a pele...
Então vamos nos permitir os intervalos da vida, sem pressa... eles são imprescindíveis.
Desejo a todos uma semana refrescante, de bons ventos, aproveitando todos os intervalos da melhor forma possível... e de sublimes vazios para todos...
Com afeto,
Beth Landim
Comentar
Compartilhe
Sobre o autor

Elizabeth Landim

[email protected]