O ATO DE PERDER
31/01/2011 | 11h22

Outro dia, li algo interessante sobre "perder" e fiquei a pensar... muitas vezes valorizamos as perdas mais que a vitória. Damos tanta importância a "perda" que não conseguimos seguir em frente.

Quando "perdemos" alguma coisa ou alguém devemos aprender a relativizar. Fazer da perda uma reflexão para seguirmos em frente mais fortes ainda. Devemos fazer da "perda" um ato de NORMALIDADE.

E aí sim,

não vamos supervalorizá-la mais do que é, tiramos o aprendizado e seguimos nosso caminhar...

Saber perder é tão importante quanto saber ganhar....

Relativizemos nossas perdas e ganhos, e então, saberemos temperar nossa vida com paixão e paz, equilíbrio e sabedoria!

Por mais sucesso e felicidade que tenhamos, "os mais fortes" se comportam freqüentemente com uma ameaça: com a queda, com o ferimento, com a dor, eventualmente com a morte. Porém, "os mais fortes" são o que são, exatamente porque aprendem a trabalhar essas anti-realidades. Incorpora-as e assim as supera criativamente. Sejamos fortes sem perder a ternura, busquemos sempre a felicidade dentro de nós, pois fomos feitos essencialmente para sermos felizes!

As dores são "apenas" pedras no meio do caminho, podemos recolhe-las e carregá-las, e o fardo ficará pesado ao longo da caminhada, ou podemos simplesmente seguir em frente, com o coração limpo e livre, a alma lavada com a sensação de que fizemos o nosso melhor...

Com afeto,

Beth Landim

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Os encantos do "Pontal"!
27/01/2011 | 20h52

Os encantos do Pontal de Atafona são muitos! Toda geração que por ali passa conhece um Pontal diferente!

Cada um, em seu tempo, traz seus mistérios e seus encantos.

O  jornalista, poeta, intelectual e grande apreciador do Pontal, Aluysio Abreu Barbosa, escreveu de forma encantadora e poética a peça “Pontal”, retratando com requinte os mistérios e nuances que o Pontal nos faz sentir... Composta também por obras de Adriano Moura, Artur Gomes, Antonio Roberto Kapi e de Adriana Medeiros. A peça tem a brilhante  Direção de Kapi. O elenco traz os atores Yve Carvalho, Sidney Navarro e Saullo Oliveira com excelente atuação.

Se você ainda não teve a oportunidade de se encantar com esta peça, aproveite o fim-de-semana que se aproxima e prestigie esta deliciosa apresentação nos dias 28 e 29 de janeiro e nos dias 4 e 5 de fevereiro, sempre às 21 horas, em cartaz no restaurante Canto do Meio, em Chapéu do Sol, em São João da Barra.

Eu recomendo.

Realmente, o "Pontal" é imperdível!

Com afeto,

Beth Landim

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A ÚLTIMA TECNOLOGIA
24/01/2011 | 11h29
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A VITÓRIA DA VIDA....
21/01/2011 | 20h15

Foi assim, de repente, que a cadeia de montanhas que encantam os cariocas há mais de um século abandonou a aparência sólida e se liquefez. A chuva era purista. Mas não houve prevenção, fiscalização nas ocupações das encostas, nem planos de contingências. Não houve sequer aviso de emergência para desocupações das casas. O resultado foi a tragédia vivida e vista por todos nós.

Aliás, é desta forma que devemos encarar nossa vida, de forma líquida. Quando agimos assim, valorizamos cada segundo vivido. E quanta diferença faz um segundo em nossas vidas, quando a tragédia se impõe.

Nestes dias, temos assistido chocados as imagens da destruição que assolou a região serrana do Rio. Vários são os fatores: moradores em área de risco, chuva excessiva, encostas sem proteção… Mas não cabe aqui procurar a causa, deixo esta tarefa para os especialistas que já  apontaram várias. Tenho certeza de que o aviso aos moradores da quantidade estrondosa de chuva, bem como seus efeitos, com a evacuação dos moradores, já teria minimizado em muito o número de mortos. O que nos cabe neste momento é engrossarmos a corrente de solidariedade  formada neste momento.

Uma tragédia que nos enche de exemplos, como o do pai que alimentou seu filho (bebê ainda) soterrado por vários dias, com a saliva de sua boca. O instinto maternal se sobrepôs a dor e ao desmoronamento, e a vida sobrepujou a tragédia. Pai e filho foram resgatados, e mais do que isso, reafirmaram os laços da paternidade que protege, que acredita, que luta, que traz a fé no peito e não desiste nunca de lutar pela vida.

Um momento de dor vivido pelas famílias que passam pela perda não só de seus bens materiais, mais principalmente de seus familiares. Assistimos a crianças que ficaram órfãs, famílias destroçadas, mas ao mesmo tempo temos o exemplo de pessoas que mesmo depois de terem perdido toda sua família, não fugiram da raia, e como voluntários auxiliam as equipes de resgate.

Este pra mim é o maior dos exemplos, dar o que não temos. Sim, porque estas pessoas estão destroçadas pela dor, mas tiram de dentro de si  uma força extraordinária  para dividir solidariedade, ajuda, cooperação, um abraço que seja… Às vezes em nossas vidas passamos por revezes tão pequenos, e somos incapazes de termos uma atitude de luta, de continuar de cabeça erguida, de procurar o sol…..

Que este terrível acidente nos una na solidariedade,  ajudando cada vez mais aos que precisam, e não apenas neste momento dramático. Vários postos de coleta estão recebendo donativos em nossa cidade. Que nossas mãos possam se juntar a de milhares de pessoas na busca por minorizar os problemas daqueles que sofrem neste momento. Não nos acomodemos, façamos a nossa parte. Alguém precisa da nossa ajuda, ela é significativa!

O povo brasileiro, em especial do estado do Rio, dá uma demonstração de solidariedade, de afeto, de desprendimento, de compaixão, ao se mobilizar imediatamente na ajuda aos desabrigados e no resgate das vítimas. Homens, mulheres, jovens e até crianças, todos mobilizados em ajudar ao próximo de todas as formas! Esta é uma grande lição desta tragédia. A união trazida pela dor mobilizando milhares de pessoas em todos os cantos do país, nos dá a alegria de constatar o quanto o brasileiro é solidário e humanitário.

Tudo pode parecer desmoronar em nossa vida, mas quando mantemos a nossa fé de pé, nos erguemos, mesmo que demore… A vida é uma roda gigante, uma hora estamos em cima, outra hora estamos embaixo. A roda gira devagar,  mas com toda a certeza, ela gira.

Que saibamos nos sustentar na fé nos momentos mais difíceis, e se não pudermos ajudar de alguma forma mais efetiva, podemos rezar por aqueles que precisam. Com certeza, nossas orações chegarão a Jesus e ao acalento dos corações das pessoas que precisam.

Não poderia deixar de registrar o desprendimento de dois voluntários, um espanhol e um português, com cães farejadores que viajam o mundo socorrendo vítimas de tragédias como estas, como terremotos, tissunames, etc. Realmente, são reflexões assim, de voluntários e de limites da vida, que nos fazem parar e saborear cada minuto vivido por nós, sem reclamações, sem resmungações, sem o "se" que às vezes nos deixa infelizes por pequenas coisas da vida.

Que possamos tirar a melhor das lições, com o exemplo dos que estão lutando, recolhendo todas as forças, para após todo este desmoronamento, se manter de pé, caminhar em frente com a esperança de um recomeçar... pois  cada um que foi salvo, foi uma Vitória da Vida.

Com flores e afeto,

Beth Landim

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PRAIA DO SANCHO
20/01/2011 | 20h33

Sempre é bom poder limpar a vista, a mente, o coração.

Conhecer outros lugares outras culturas, novas tribos.....

Parece que quando nos distanciamos  do nosso dia-a-dia, nos tornarmos mais abertos, mais livres para apreciar e revigorar nosso pensar. É como se dessemos um "del ", para então começarmos a preencher novamente com outras cores, formando matizes inigualáveis...

Assim foi quando conheci a Praia do Sancho, linda, linda, linda....

Só se chega a ela de barco, nadando ou descendo 250 degraus encrustados dentro de uma falésia (totalmente  escura  e sem possibilidade de se mexer). Fomos nandando, mais ou menos uns 7kms  até chegarmos a terra firme!  O azul do mar chega a doer os olhos de tão forte e transparente que é! Nadavamos naquelas  "massas d`água" , que às vezes nos dava medo,  mas o sabor da aventura, a beleza da terra à vista, a mata verde que se avistava do mar, nos impulsionava a nadar, nadar, nadar... Estávamos com snorkel, o que nos possibilitava mergulhar e ver um pouco a  exuberância  daquele mar. Nosso guia, sempre atento, tinha um fôlego incrível, era como se fosse um peixe! Enfim... chegamos a beira mar, éramos mais ou menos 10 pessoas, e sentamos para apreciar não só o nosso feito, mas aquela paisagem indescritível.... sim, indescritível.

Assim é a praia do Sancho, assim é Fernando de Noronha, um arquipelágo com 3.500 habitantes que nos faz parecer estarmos fora do mundo, tamanha sua beleza, suas encostas, suas ladeiras e morros. Fomos ao bar do "cachorro " onde comemos e dançamos muito... Enfim, Fernando de Noronha e a Praia do Sancho possuem o  "dedo de Deus "!!!

Com afeto,

Beth Landim

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A DOR QUE UNE O RIO
19/01/2011 | 20h51

Nestes dias, temos assistido chocados as imagens da destruição que assolou a região serrana do Rio. Vários são os fatores: moradores em área de risco, chuva excessiva, encostas sem proteção.... Mas não cabe aqui procurar a causa, deixo esta tarefa para os especialistas que já  apontaram várias. Tenho certeza de que o aviso aos moradores da quantidade estrondosa de chuva, bem como seus efeitos, com a evacuação dos moradores, já teria minimizado em muito o número de mortos. O que nos cabe neste momento é engrossarmos a corrente de solidariedade  formada neste momento.

Um momento de dor vivido pelas famílias que passam pela perda não só de seus bens materiais, mais principalmente de seus familiares. Assistimos a crianças que ficaram órfãs, famílias destroçadas, mas ao mesmo tempo temos o exemplo de pessoas que mesmo depois de terem perdido toda sua família, não fugiram da raia, e como voluntários auxiliam as equipes de resgate.

Este pra mim é o maior dos exemplos, dar o que não temos. Sim, porque estas pessoas estão destroçadas pela dor, mas tiram de dentro de si  uma força extraordinária  para dividir solidariedade, ajuda, cooperação, um abraço que seja... Às vezes em nossas vidas passamos por revezes tão pequenos, e somos incapazes de termos uma atitude de luta, de continuar de cabeça erguida, de procurar o sol..... Que este terrível acidente nos una na solidariedade,  ajudando cada vez mais aos que precisam, e não apenas neste momento dramático. Vários postos de coleta estão recebendo donativos em nossa cidade. Que nossas mãos possam se juntar a de milhares de pessoas  na busca por minorizar os problemas daqueles que sofrem neste momento.

Não nos acomodemos, façamos a nossa parte.

Alguém precisa da nossa ajuda, ela é significativa!

Brasil unido: GTA do Maranhão em socorro as vítimas.

Tudo pode parecer desmoronar em nossa vida, mas quando mantemos a nossa fé de pé, nos erguemos, mesmo que demore... A vida é uma roda gigante, uma hora estamos em cima, outra hora estamos embaixo. A roda gira devagar,  mas com toda a certeza, ela gira.

Que saibamos nos sustentar na fé nos momentos mais difíceis, e se não pudermos ajudar de alguma forma mais efetiva, podemos rezar por aqueles que precisam. Com certeza, nossas orações chegarão a Jesus e ao acalento dos corações das pessoas que precisam.

Com afeto,

Beth Landim

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CORRER RISCOS...
17/01/2011 | 11h47

Essa semana li uma história muito interessante que gostaria de comentar com você, leitor. A partir dela podemos fazer uma reflexão, principalmente para mudarmos o curso de nossas ações e pensamentos neste início do ano. Leia e reflita: Se existem três sapos numa folha, e um deles decide pular da folha para a água, quantos sapos restam na folha?

A resposta certa é: Restam três sapos. Porque o sapo apenas decidiu pular. Ele não pulou realmente.

Agora pense: Nós não somos como o sapo, muitas vezes? Decidimos fazer isso, fazer aquilo, mas ao final acabamos não fazendo nada? Na vida, temos que tomar muitas decisões. Algumas fáceis... algumas difíceis... A maior parte dos erros que cometemos não se deve a decisões erradas. A maior parte dos erros se deve a indecisões. Temos que viver com a conseqüência das nossas decisões. E isto é arriscar. Tudo é arriscar.

Ao contrário do que muitos apregoam, Aristóteles comentou certa vez que nós não somos somente o que pensamos ser e nem aquilo que falamos ser, mas sim aquilo que pensamos, falamos e, principalmente, fazemos repetidas vezes. Muitos de nós passamos a vida transferindo para o amanhã o que queremos fazer hoje e, assim, transferimos para um futuro incerto o anseio de nossa alma. Assim para sermos felizes é essencial correr riscos. Se não fizermos nada de diferente hoje, amanhã será igual. Você está satisfeito com a sua vida? Está feliz desta forma? Então continue! Mas se não está feliz, faça algo de diferente, pois só agindo, indo à luta, a vida poderá ser melhor ou pior.

Os riscos precisam ser enfrentados, porque o maior fracasso da vida é não arriscar nada. A pessoa que não arrisca nada, não faz nada, não tem nada, é nada. Ela pode evitar o sofrimento e a dor, mas não aprende, não sente, não muda, não cresce ou vive. Presa à sua servidão, ela é uma escrava que teme a liberdade. Apenas quem arrisca é livre. Mas enquanto alguns correm  consideráveis riscos, em esportes radicais, por exemplo, pela busca de emoções fortes, de adrenalina, de desafiar os próprios limites, outros têm de fazê-lo pela simples necessidade de mudança.

É a necessidade de avançar que faz-nos correr riscos e ao longo da história tem sido assim com os grandes empreendedores. Thomas Edison, por exemplo, quando Nova York vivia iluminada por lampiões a gás, correu o risco de falir ao apostar todos os recursos de que dispunha na criação da lâmpada elétrica e, assim, iluminar gratuitamente quarteirões inteiros, para provar que sua invenção viria para mudar definitivamente o mundo. Mahatma Ghandi, sem canhões e sem exércitos, só pelo exemplo de vida, arriscou-se anos a fio na luta para libertar o povo indiano das garras do Império Britânico.

A vida é, em si, o risco de enfrentar constantes mudanças. Mas alguns mudam para ficarem os mesmos de sempre. Como um rio. As águas passam, o rio não é mais o mesmo; mas é o mesmo rio de sempre. Viver é correr riscos. Foi assim com Deus. Por amor, Ele preferiu correr o risco de dotar o ser humano de livre arbítrio — para que pudéssemos fazer escolhas morais e optássemos por amá-lo ou não — do que não correr risco nenhum e vir a criar “robôs” programados apenas para acertar. Foi assim com Jesus. Por amor, Ele correu o risco de enfrentar a cruz e a morte, para vencê-los e, assim, oferecer sua vida por nós.

É preciso correr riscos, pois só entendemos direito o milagre da vida quando deixamos que o inesperado possa se manifestar. A cada dia Deus nos dá – junto com o sol – um momento em que é possível mudar tudo que nos deixa infelizes. Todos os dias procuramos fingir que não percebemos este momento, que ele não existe, que hoje é igual a ontem e será igual a amanhã. Mas, quem presta atenção, descobre o instante mágico. Ele pode estar escondido na hora em que enfiamos a chave na porta pela manhã, no silêncio logo após o jantar, no infinito do mar, nas estrelas que brilham, no barulho das ondas do mar, na lua que se põe todos os dias somente para iluminar a nossa noite, nos olhos que se encontram.... Este momento existe – um momento em que toda a força das estrelas passa por nós, e nos permite fazer milagres.

Coitado daquele que tem ou teve medo de correr os riscos. Porque este talvez não se decepcione nunca, nunca se desiluda, nem sofra como aqueles que têm um sonho a seguir. No entanto, quando olhar para trás – porque sempre olhamos para trás – escutará seu coração dizendo: O que fez com todas as oportunidades que você teve? Pobre de quem escuta estas palavras. Porque então acreditará em milagres, mas os instantes mágicos da vida já terão passado.

É essencial escutar nosso interior, se não desenvolvermos o olhar positivo para com a vida e perdemos a pureza da infância, não existirá mais sentido viver. A felicidade às vezes é uma bênção – mas geralmente é uma conquista. Dessa forma, tudo depende da forma que encaramos cada risco que corremos, cada decisão tomada, porque o pessimista, queixa-se dos ventos, o otimista espera que mudem e o realista, ajusta as velas para partir. Assim, a felicidade é proporcional ao risco que se corre. Quem se protege contra o sofrimento, protege-se contra a felicidade. Quem se torna invulnerável, torna sem sentido a existência. O homem feliz aceita ser vulnerável. O homem feliz aceita depender dos outros, mesmo pondo em risco sua própria felicidade. É a condição do amor e de todas as relações humanas, sem o que a vida não teria sentido.

Então, neste ano de 2011, permita-se correr riscos, lute para realizar seus sonhos, com certeza haverá momentos difíceis, mas tudo isso é passageiro, inevitável, e terminaremos nos orgulhando das marcas que foram deixadas pelos obstáculos. No futuro, poderemos olhar para trás com orgulho e fé, felizes por termos tentado..... Uma boa semana para você !!!!

Com afeto,

Beth Landim

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Ferreira Gullar Imperdível!
11/01/2011 | 01h06

Exposição em cartaz no Rio de janeiro até 13 de março de 2011 presta homenagem aos 80 anos de Ferreira Gullar.

Nascido em São Luis do Maranhão, em 1930, Ferreira Gullar, procurou apontar em sua obra a problemática da vida política e social do homem brasileiro.

De uma forma precisa e profundamente poética traçou rumos e participou ativamente das mudanças políticas e sociais brasileiras, o que lhe levou à prisão juntamente com Paulo Francis, Caetano Veloso e Gilberto Gil em 1968 e posteriormente ao exílio em 1971 .

Poeta, crítico, teatrólogo e intelectual, Ferreira Gullar entra para a história da literatura como um dos maiores expoentes e influenciadores de toda uma geração de artistas dos mais diversos segmentos das artes brasileiras.

A exposição "Ferreira Gullar 8 e 80" está instalada no Museu Nacional de Belas Artes. Duas frases de Gullar expressam bem sua personalidade: "Ser feliz é o que sempre quis, é o que queremos" e "Nunca tenho ou tive planos. Eu improviso."

Talvez seja isso, a busca da felicidade no improviso, que traga sempre este estilo irreverente   porém sensível, do poeta. Para mim, Gullar não tem idade, tem versos...

Deixo para vocês um trecho do poema Poema Sujo - um fragmento: "Velocidades"

         E por ser pouco era muito,          que pouco muito era o verde fogo da grama, o musgo do muro, o galo que vai morrer, a louça na cristaleira, o doce na compoteira, a falta de afeto, a busca do amor nas coisas.

                 Não nas pessoas: nas coisas, na muda carne das coisas, na cona da flor, no oculto falar das águas sozinhas:                          que a vida passava por sobre nós,                          de avião.

Não tem a mesma velocidade o domingo          que a sexta-feira com seu azáfama de compras          fazendo aumentar o tráfego e o consumo          de caldo de cana gelado, nem tem          a mesma velocidade a açucena e a maré com seu exército de borbulhas e ardentes caravelas          a penetrar soturnamente o rio          noutra lentidão que a do crepúsculo          que, no alto, com sua grande engrenagem escangalhada moía a luz.                   Outra velocidade tem Bizuza sentada no chão do quarto          a dobrar os lençóis lavados e passados          a ferro, arrumando-os na gaveta da cômoda, como                 se a vida fosse eterna.                         E era naquele seu universo de almoços e temperos          de folhas de louro e de pimenta-do-reino          mastruz para tosse braba, universo          de panelas e canseiras entre as paredes da cozinha          dentro de um surrado vestido de chita, enfim,          onde batia o seu pequenino coração.                     E se não era eterna a vida, dentro e fora do armário,          o certo é que tendo cada coisa uma velocidade                    (a do melado escura, clara a da água a derramar-se)          cada coisa se afastava desigualmente          de sua possível eternidade.                   Ou se se quer desigualmente          a tecia sua própria carne escura ou clara          num transcorrer mais profundo que o da semana.                   Por isso não é certo dize          que é no domingo que melhor se vê a cidade          - as fachadas de azulejo, a Rua do Sol vazia          as janelas trançadas no silêncio -                   quando ela parada                   parece flutuar...

           e a dica da Exposição.

Com afeto,

Beth Landim

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Nas dunas ao luar.....
06/01/2011 | 19h16

Outro dia, já tarde da noite, por volta de 1 hora da manhã, depois de muita conversa na varanda da minha amiga Eleonora Martins e muita risada solta, ficamos apreciando as dunas de Atafona. Sim, porque as dunas quase entram em sua varanda. Sua casa está na encosta das dunas, ou melhor, as dunas é que quase se encostam e querem se apossar de sua casa, mas este é um assunto para um outro post...

Aí, que após um silêncio ensurdecedor, resolvemos ir  passear nas dunas, ou melhor, "explorar" tudo que as dunas e aquele luar maravilhoso tinham para nos oferecer e encantar...

Éramos um grupo de mais ou menos 20 a 25 pessoas, entre filhos, amigos, namorados, maridos... enfim, todos inebriados pelo encanto do mar e o barulhinho das ondas, que de tão vasto, não se avista o fim... é a imensidão...

O vento acariciava nossa pele, fazia com que a areia batesse em nosso corpo, mas o melhor, era que com isso éramos obrigados a nos abrigar nos braços dos nossos amados...

Assim como a areia fina, que dança ao sabor do vento, e se avoluma formando dunas, assim é a nossa vida... Porém, temos o poder das escolhas, do que avolumar, onde avolumar, com quem e como juntar os os nossos grãos de areia...

Ficamos ali por um bom tempo... ouvindo o barulho das ondas, vendo a lua cintilar no mar, sentindo o friozinho do vento, entrelaçados nos braços que nos aquecem o corpo, mas também a alma...

E aí, percebemos que na maioria das vezes as coisas mais simples, os passeios mais improvisados, nos trazem um prazer inigualável! O prazer de conversar muito, trocar confidências, se aconchegar nos braços do nosso amor, ouvir as músicas que tocam em nossos corações e contemplar, contemplar, contemplar...

Contemplar a vida, pois não há felicidade maior, principalmente quando o nosso coração está em ebulição e está em paz...

Com afeto,

Beth Landim

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APENAS PERMITA-SE...
04/01/2011 | 20h19

Essa semana, peço licença a Danuza Leão para citar essa história e a partir dela refletir com meus amigos leitores sobre a armadilha das mudanças drásticas de coisas que não precisam de alteração, apenas aprimoramento.

“Não há nada que me deixe mais frustrada do que pedir sorvete de sobremesa, contar os minutos até ele chegar e aí ver o garçom colocar na minha frente uma bolinha minúscula do meu sorvete preferido. Uma só. Quanto mais sofisticado o restaurante, menor a porção da sobremesa. Aí a vontade que dá é de passar numa loja de conveniência, comprar um litro de sorvete bem cremoso e saborear em casa com direito a repetir quantas vezes a gente quiser, sem pensar em calorias, boas maneiras ou moderação. O sorvete é só um exemplo do que tem sido nosso cotidiano. A vida anda cheia de meias porções, de prazeres meia-boca, de aventuras pela metade. A gente sai pra jantar, mas come pouco. Vai à festa de casamento, mas resiste aos bombons. Conquista a chamada liberdade sexual, mas tem que fingir que é difícil (a imensa maioria das mulheres continua com pavor de ser rotulada de 'fácil'). Adora tomar um banho demorado, mas se contém pra não desperdiçar os recursos do planeta. Tem vontade de ficar em casa vendo um DVD, esparramada no sofá, mas se obriga a ir malhar. E por aí vai. Tantos deveres, tanta preocupação em 'acertar', tanto empenho em passar na vida sem pegar recuperação... Aí a vida vai ficando sem tempero, politicamente correta e, existencialmente, sem-graça, enquanto a gente vai ficando melancolicamente sem tesão...

Às vezes dá vontade de fazer tudo 'errado'. Deixar de lado a régua, o compasso, a bússola, a balança e os 10 mandamentos. Ser ridícula, inadequada, incoerente e não estar nem aí pro que dizem e o que pensam a nosso respeito. Recusar prazeres incompletos e meias porções. Até Santo Agostinho, que foi santo, uma vez se rebelou e disse uma frase mais ou menos assim: 'Deus, dai-me continência e castidade, mas não agora'... Nós, que não aspiramos à santidade e estamos aqui de passagem, podemos (devemos?) desejar várias bolas de sorvete, bombons de muitos sabores, vários beijos bem dados, a água batendo sem pressa no corpo, o coração saciado.

Um dia a gente cria juízo. Um dia. Não tem que ser agora. Por isso, garçom, por favor, me traga: cinco bolas de sorvete de chocolate, um sofá pra eu ver 10 episódios do 'Law and Order', uma caixa de trufas bem macias e o Richard Gere, nu, embrulhado pra presente. OK? Não necessariamente nessa ordem. Depois a gente vê como é que faz pra consertar o estrago...”

Esse texto nos convida a refletir sobre a necessidade atual de nos liberarmos das nossas culpas e sermos mais autênticos em nossas escolhas. A vida corrida, o estresse que nos visita, todas as nossas atividades diárias sejam elas familiares ou profissionais nos acumulam de pressões que muitas vezes não sabemos como lidar com as mesmas.

Culpa, aliás, é uma palavra que persegue em demasia os sentimentos das pessoas na atualidade. Culpa por fazer, culpa por não fazer, por fazer de menos, por ter pouco tempo, por desperdiçar o tempo, parece que vivemos em conflito constante e a culpa nos atormenta tirando o prazer dos nossos sentimentos e sentidos. Não que tenhamos que agir impensadamente, mas uma vez conscientes de nosso fazer, não podemos dividir a experiência de vida com a culpa. Devemos ter sempre em mente que quem não faz, nunca erra, porque nem se dá o direito de tentar. O medo nos imobiliza, a culpa nos faz reviver um passado sem aprendizado.

Como dizia Franklin Roosevelt: “O único limite às nossas realizações futuras são as nossas dúvidas no presente.” Portanto, não alimentemos meias porções de nada em nossas vidas, sejamos inteiros em pensamentos, sentimentos e atitudes. Tenhamos fé, acima de tudo, pois TUDO PASSA. Aliás, esta é das  frases que mais admiro: TUDO PASSA! Tanto nos momentos de tristeza quanto os momentos de alegria.....

Com afeto e confetes,

Beth Landim

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Sobre o autor

Elizabeth Landim

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