O Pai é nosso...
28/03/2018 | 22h08
 
Páscoa para mim é ouvir sem interromper, falar sem acusar, dar sem poupar, orar sem cessar, responder sem brigar, partilhar sem fingir, desfrutar sem reclamar, confiar sem vacilar, perdoar sem ferir... Como nos diz Pe Fábio de Melo... “Uma das coisas que eu acho fascinante em Jesus, é a capacidade que ele tinha de encontrar no meio da multidão, pessoas. Ele era capaz de reconhecer em cima de uma árvore um homem, e descobrir nele um amigo. Bonito, uma amizade que nasce a partir da precariedade, quando você chega desprevenido, o outro viu o que você tem de pior, e mesmo assim, ele se apaixonou por você. Amor concreto, cotidiano, diário. Jesus se apaixonava assim pelas pessoas e as tornava suas amigas. As trazia para perto Dele. É fascinante olhar para a capacidade que esse homem, que esse Deus tem, de investigar a miséria do outro e encontrar a pedra preciosa que está escondida. Isso é Páscoa, isso é ressurreição. É quando no sepulcro do nosso coração, alguém descobre um fio de vida, e ao puxar esse fio, vai fazendo com que a gente se torne melhor. Não há nada mais bonito do que você ser achado quando você está perdido. Não há nada mais bonito do que você ser encontrado, no momento que você não sabe para onde ir e não sabe nem onde está... O amor humano tem a capacidade de ser o amor de Deus na nossa vida, por causa disso: porque Ele nos elege! Por isso que é bom termos amigos, porque na verdade, as pessoas amigas antecipam no tempo, aquilo que acreditamos ser eterno... Quando elas são capazes de olhar para nós e descobrir o que temos de bonito... mesmo que isso, às vezes, costume ficar escondido por trás daquilo que é precário. Por isso, agradeço muito a Deus pelos amigos que tenho. Pelas pessoas que descobriram, no que eu tenho de pior, uma coisinha que eu tenho de bom, e mesmo assim continuam ao meu lado, me ajudando a ser gente, me ajudando a ser mais de Deus, ajudando a buscar dentro de mim, a essência boa que acreditamos que Deus colocou em cada um de nós. Ter amigos é como arvorear: lançar galhos, lançar raízes... Para que o outro quando olhar a árvore, saiba que nós estamos ali... Que nós permanecemos para fazer sombra, para trazer ao outro, um pouco de aconchego que às vezes ele precisa na vida...” Isso é Páscoa...
Para os judeus, a Páscoa também é a festa mais importante do ano e há a reunião de parentes e amigos. Devemos ensinar aos nossos filhos e netos que ser um homem livre implica em responsabilidades de ser humilde e levar a liberdade aos outros que não tem. Jesus, humildemente, dobrou-se até o chão para lavar os pés dos discípulos. Gesto de extrema humildade e serviço, à semelhança de um escravo. Faz-se irmão verdadeiro, servindo, e pede que façamos o mesmo. Eis o caminho que nos conduz à redenção, à liberdade, à vida. Nossos gestos de amor tornam-se sacramentos: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei”.
É fácil condenar. Exigente é amar, servir e dispor-se em favor da vida. Porém a vida é vitoriosa sempre. Romperam-se os laços da morte e a plenitude da vida penetrou todo o universo, em cada ser humano.
O exemplo do lava-pés caracteriza-se por uma ação pontual e simbólica de Jesus Cristo. Envolve uma série de passos práticos: levantar-se, tirar o manto, cingir-se com a toalha, tomar a jarra com água e a bacia, lavar os pés dos discípulos. Diversos atos em função de uma atitude. Apesar do conjunto (atitude) parecer mais importante do que as partes (atos), eles não sobrevivem isoladamente. Os atos sem atitude tornam-se ações mecânicas, passageiras. A atitude sem atos também não sobrevive, porque se revela estéril. A relação é recíproca.
No caso de Jesus Cristo, cada etapa do gesto era impulsionada pela atitude fundamental de Deus: estar a serviço do homem. O cristão precisa, desta maneira, mergulhado no ensinamento que vem do alto, colocar-se por inteiro nas ações de promoção da vida, e vida em abundância (cf. Jo 10, 10).
O PÃO é o alimento símbolo do inteiro, não só substância. No pão o ser humano reconhece os elementos fundamentais do mundo: a TERRA que recebe a semente e faz crescer o trigo, a ÁGUA na mistura com a farinha, o FOGO e o AR para o cozimento. O pão é, em todas as culturas e em todas as linguagens, metáfora do alimento. A palavra pão vem do grego “pân” que significa TUDO.
O vinho, diferente do pão, não é uma necessidade. Porém, ao lado do pão da necessidade, do pão que sacia, do pão cotidiano, é sinal da gratuidade, da festa, da alegria. Que sabor teria a vida ou para que serviria sem o símbolo da gratuidade, da alegria e da plenitude da vida?
Assim, pão e vinho são sinônimos de partilha e de humanização. Uma celebração da vida. Anunciam a família que se reúne, a mãe que o amassou, o pai que o ganhou e os filhos que se alimentam. Jamais um sem o outro! Numa sociedade na qual predomina o mais forte, a partilha é uma ameaça onde triunfa o individualismo. A partilha nos recorda o destino comum de toda humanidade. Numa sociedade onde predomina o desperdício, a partilha é sinal de comunhão e de fraternidade.
Portanto, o Pai não é seu, não é meu... O Pai é nosso!!! Que possamos vivenciar a Páscoa, todos os dias do ano... com erros e acertos, mas sobretudo com amor sincero...
Feliz Páscoa!
Com afeto,
Beth Landim
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E você seria salvo?
23/03/2018 | 13h24
 
Duas estórias e uma reflexão...
No ventre de uma mulher grávida estavam 2 bebês. O primeiro pergunta ao outro: 1.Você acredita na vida após o nascimento? 2.Certamente. Algo tem de haver após o nascimento. Talvez estejamos aqui principalmente porque nós precisamos nos preparar para o que seremos mais tarde. 1.Bobagem, não há vida após o nascimento. Como verdadeiramente seria essa vida? 2.Eu não sei exatamente, mas certamente haverá mais luz do que aqui. Talvez caminhemos com nossos próprios pés e comeremos com a boca. 1.Isso é um absurdo! Caminhar é impossível. E comer com a boca? É totalmente ridículo! O cordão umbilical nos alimenta. Eu digo somente uma coisa: A vida após o nascimento está excluída - o cordão umbilical é muito curto. 2.Na verdade, certamente há algo. Talvez seja apenas um pouco diferente do que estamos habituados a ter aqui. 1.Mas ninguém nunca voltou de lá, depois do nascimento. O parto apenas encerra a vida. E afinal de contas, a vida é nada mais do que a angústia prolongada na escuridão. 2.Bem, eu não sei exatamente como será depois do nascimento, mas com certeza veremos a mamãe e ela cuidará de nós. 1.Mamãe? Você acredita na mamãe? E onde ela supostamente está? 2.Onde? Em tudo à nossa volta! Nela e através dela nós vivemos. Sem ela tudo isso não existiria. 1.Eu não acredito! Eu nunca vi nenhuma mamãe, por isso é claro que não existe nenhuma. 2.Bem, mas às vezes quando estamos em silêncio, você pode ouvi-la cantando, ou sente, como ela afaga nosso mundo. Saiba, eu penso que só então a vida real nos espera e agora apenas estamos nos preparando para ela...
A outra estória é de um empregado em um frigorífico da Noruega.
Certo dia ao término do trabalho foi inspecionar a câmara frigorífica. Inexplicavelmente, a porta se fechou e ele ficou preso dentro da câmara. Bateu na porta com força, gritou por socorro mas ninguém o ouviu, todos já haviam saído para suas casas e era impossível que alguém pudesse escutá-lo. Já estava quase 5 horas preso, debilitado com a temperatura insuportável. De repente a porta se abriu e o vigia entrou na câmara e o resgatou com vida. Depois de salvar a vida do homem, perguntaram ao vigia: Porque foi abrir a porta da câmara se isto não fazia parte da sua rotina de trabalho? Ele explicou: Trabalho nesta empresa há 35 anos, centenas de empregados entram e saem aqui todos os dias e ele é o único que me cumprimenta ao chegar pela manhã e se despede de mim ao sair. Hoje pela manhã disse “Bom dia” quando chegou. Entretanto não se despediu de mim na hora da saída. Imaginei que poderia ter-lhe acontecido algo. Por isto o procurei e o encontrei… Pergunta: Será que você seria salvo?
A violência e a intolerância têm dominado o mundo. Observe como elas estão ao seu redor, nos noticiários da televisão, nas páginas dos jornais e das revistas, nas conversas em rodas de amigos. Impotentes que nos sentimos diante de sua escalada, recorremos às leis – contratos firmados entre os homens para regular a convivência em sociedade. Uns passam a defender a pena de morte, um maior rigor na aplicação das normas, a antecipação da maioridade penal, etc. Buscamos proteção e sequer percebemos que pouco contribuímos para alcançá-la. Os males que nos afligem decorrem de nossa natureza individualista. Queremos sempre mais. Mais posses, mais bens, mais exposição. Mais coisas quantificáveis, palpáveis, que possam ornamentar uma parede ou serem vistas sobre um móvel de mármore. E, em contrapartida, temos menos carinho, companhia, afeto. Beijamos poucos e abraçamos menos ainda. Todo jovem, em algum momento de sua vida, nutre a utopia de construir uma sociedade mais justa, onde as diferenças socioeconômicas sejam abrandadas. Ele sabe de sua força e da importância de suas ações para obter esse feito. Mas a idade adulta nos visita e passamos a acreditar que a humanidade não pode ser salva e que uma atitude pontual é suficiente para surtir efeito. Aqui reside a grande quebra de paradigma. São as pequenas ações individuais, tomadas coletiva e sucessivamente, a gênese da transformação. Lembro-me de um provérbio chinês que diz: Antes de iniciares a tarefa de mudar o mundo, dá 3 voltas na tua própria casa. Este processo contínuo e envolvente é chamado de Espiral da Ética. A imagem da espiral remete a algo flexível e em constante movimento ascendente. E a ética invoca aos preceitos morais que habitam com naturalidade nosso íntimo. Alimentamos esta Espiral da Ética através de nossos comportamentos e atitudes. Poderíamos desfilar aqui muitos exemplos, mas você poderá fazer sua própria lista e começar a colocá-la em prática imediatamente. O Poder da Gentileza nos torna conscientes e nos faz agir em direção a práticas mais nobres e menos superficiais. Você encontrará sua essência, a paz e a calma que tanto merece. Ao fazer isso por você, estará fazendo por todos nós. Blaise Pascal gênio da matemática, inventor da máquina de calcular e filósofo nos diz: “O espírito de gentileza nunca ganhou centralidade, por isso somos tão vazios e violentos. Hoje ele é urgente. Ou seremos gentis e cuidantes ou nos entre devoraremos.” Embora insistamos em acreditar que a essência de nossa busca deva ser por “coisas”, no fundo, nada mais desejamos – genuinamente – além de felicidade, o que, definitivamente, não está nas “coisas” e sim na relação que mantemos com as pessoas. É isso que pode realmente nos fazer sentir satisfeitos, preenchidos e em paz! Pois: Cego é aquele que é incapaz de enxergar outro mundo. Mudo é aquele que é incapaz de dizer palavras amáveis no momento certo. Pobre é aquele que é atormentado por ambição desmedida... e Rico é aquele cujo o coração está em paz!
E você seria salvo?
Com afeto,
Beth Landim
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A bolacha e o paraquedas...
16/03/2018 | 13h29
 
Era uma vez uma moça que estava à espera de seu vôo, na sala de embarque de um grande aeroporto. Como ela deveria esperar por muitas horas, resolveu comprar um livro para matar o tempo. Comprou, também, um pacote de bolachas. Sentou-se numa poltrona, na sala VIP do aeroporto, para que pudesse descansar e ler em paz. Ao seu lado sentou-se um homem. Quando ela pegou a primeira bolacha, o homem também pegou uma. Ela se sentiu indignada, mas não disse nada. Apenas pensou : “Mas que cara de pau! Se eu estivesse mais disposta, lhe daria um soco no olho para que ele nunca mais esquecesse!!!”
A cada bolacha que ela pegava, o homem também pegava uma. Aquilo a deixava tão indignada que não conseguia nem reagir. Quando restava apenas uma bolacha, ela pensou: “Ah. O que será que este abusado vai fazer agora?” Então o homem dividiu a última bolacha ao meio, deixando a outra metade para ela. Ah! Aquilo era demais! Ela estava bufando de raiva! Então, ela pegou o seu livro e as suas coisas e se dirigiu ao local de embarque.
Quando ela se sentou, confortavelmente, numa poltrona já no interior do avião olhou dentro da bolsa para pegar uma caneta, e, para sua surpresa, o pacote de bolachas estava lá… ainda intacto, fechadinho! Ela sentiu tanta vergonha! Só então ela percebeu que a errada era ela sempre tão distraída! Ela havia se esquecido que suas bolachas estavam guardadas, dentro da sua bolsa… O homem havia dividido as bolachas dele sem se sentir indignado, nervoso ou revoltado, enquanto ela tinha ficado muito transtornada, pensando estar dividindo as dela com ele. E já não havia mais tempo para se explicar… nem para pedir desculpas!
Quantas vezes, em nossa vida, nós é que estamos comendo as bolachas dos outros, e não temos a consciência disto? Antes de concluir, observe melhor! Talvez as coisas não sejam exatamente como você pensa! Não pense o que não sabe sobre as pessoas. Existem quatro coisas na vida que não se recuperam:
a pedra, depois de atirada; a palavra, depois de proferida; a ocasião, depois de perdida; e o tempo, depois de passado...
Outra história nos conta que Charles Plumb era piloto de um bombardeiro na guerra do Vietnã que depois de muitas missões de combate, seu avião foi derrubado por um míssil. Plumb saltou de paraquedas, foi capturado e passou seis anos numa prisão norte-vietnamita. Ao retornar aos Estados Unidos, passou a dar palestras relatando sua odisséia e o que aprendera na prisão. Certo dia, num restaurante, foi saudado por um homem: - Olá, você é Charles Plumb, era piloto no Vietnã e foi derrubado, não é mesmo? - Sim, como sabe?, perguntou Plumb.
- Era eu quem dobrava o seu paraquedas. Parece que funcionou bem, não é verdade?" Plumb quase se afogou de surpresa e com muita gratidão respondeu: - Claro que funcionou, caso contrário eu não estaria aqui hoje. Muito obrigado!
Ao ficar sozinho naquela noite, Plumb não conseguia dormir, lembrando-se de quantas vezes havia passado por aquele homem no porta-aviões e nunca lhe disse nem um "bom dia". Era um piloto arrogante e aquele sujeito, um simples marinheiro. Pensou também nas horas que o marinheiro passou humildemente no barco enrolando os fios de seda de vários paraquedas, tendo em suas mãos a vida de alguém que não conhecia. Agora, Plumb inicia suas palestras perguntando à sua platéia: "Quem dobrou seu paraquedas hoje?". Todos temos alguém cujo trabalho é importante para que possamos seguir adiante. Precisamos de muitos paraquedas durante o dia: físico, emocional, mental, espiritual... portanto jamais deixemos de agradecer.
Muitas vezes comemos a bolacha dos outros e em outras não sabemos quem preparou a nossa bolacha ou quem dobrou nosso paraquedas... Nestas duas situações está o nosso olhar ao outro... Será que enxergamos sempre pelo nosso prisma? Será que a vida caminha sempre pelo nosso olhar? Abrir os horizontes e ter uma visão periférica nos sentidos e sentimentos com certeza nos trará uma visão de mundo em que a cooperação e o compartilhar estarão aliados em nos fazer pessoas melhores...
Quando você dá de si mesmo, você recebe mais do que dá.
Como nos diz Exupéry: “Um monte de pedras deixa de ser um monte de pedras no momento em que um único homem o contempla, nascendo dentro dele a imagem de uma catedral.”...
Portanto seja você fazer a diferença, seja você a oferecer a bolacha e a dobrar o paraquedas.
Com afeto,
Beth Landim
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A mosca cega...
12/03/2018 | 18h04
 Estava sossegada no quarto de uma aconchegante pousada campestre, escondida entre os pinheiros, numa tarde noite muito agradável... Ao tempo do por do sol escuto o som de uma desesperada luta de vida ou morte perto de mim. Uma mosca está gastando as últimas energias de sua curta vida na vã tentativa de voar através da vidraça. O zumbido das asas rápidas conta a pungente historia da estratégia da mosca: tentar sempre! Mas não está dando certo. Os esforços frenéticos não dão esperança de sobrevivência. Ironicamente, luta é parte da armadilha. Por mais que tente, é impossível para a mosca atravessar a vidraça. Contudo, esse pequeno inseto empenha a vida para atingir sua meta através de puro esforço e determinação. A mosca está condenada. Vai morrer na vidraça. A três metros dela, a porta está aberta. Dez segundos de vôo e essa criaturinha poderia chegar ao mundo externo que deseja. Apenas uma fração desse esforço desperdiçado bastaria para se livrar da armadilha criada por ela mesma. A possibilidade de travessia está ali. Seria tão fácil. Por que a mosca não tenta algo drasticamente diferente? Como se fechou tanto na idéia de que determinada via e determinado esforço prometem? Como se fechou tanto na idéia de que determinada via e determinado esforço prometem o sucesso? Que lógica há em continuar até a morte procurando chegar a um lugar diferente através da mesmice? Sem dúvida, essa solução faz sentido para a mosca. Infelizmente, é uma idéia que leva à morte. Tentar sempre não é necessariamente a solução para chegar a um fim. Pode não ser uma promessa verdadeira de obter o que se quer na vida. De fato, às vezes, é uma boa parte do problema. Se você empenha suas esperanças de travessia, tentar sempre a mesma coisa, pode matar as oportunidades de sucesso. Como nos diz Confúcio: “Nada é bastante para quem considera pouco o que é suficiente.” Muitas vezes insistimos em uma única tecla, ficamos cegos, a bater insistentemente ou porque não dizer cegamente, naquele “único caminho”... E então, não levantamos a cabeça para vislumbrar o horizonte a nosso frente... não nos permitimos tirar os “óculos escuros” que tiram nossa visão... não arejamos o cérebro... na maioria das vezes, nossa teimosia nos cega... Já repararam que as pessoas que tem maior poder de inventividade, de criar o novo, são aquelas que procuram mudar sempre... São aquelas que gostam da mudança e não se desestabilizam com ela, são aquelas que não se acomodam, buscam a satisfação na simplicidade, que é bem diferente da “mesmice”... Saint Exupéry nos fala que... “Só se vê bem com o coração, pois o essencial é invisível aos olhos.” Quantas vezes ficamos a bater na vidraça da janela? Quantas vezes deixamos de olhar para o lado e ver uma imensa porta a nos chamar? Mais do que uma tentativa, isto é um exercício diário que temos que fazer várias vezes ao dia... Não devemos reclamar da vida, e sim levantar a cabeça, pois dias ruins são necessários para que os dias bons valham à pena. Steve Jobs nos deixou um legado de acreditar, de sonhar, e mais do que isso, tentar sempre outras portas: “Cada sonho que você deixa para trás é um pedaço do seu futuro que deixa de existir.” Não podemos, nem devemos gastar as nossas energias para “desafinar o piano”, batendo na mesma tecla... Enquanto reclamamos da vida, tem gente lutando por ela... Não nos condenemos como a mosca na vidraça... sempre existirão milhares de possibilidades e caminhos... aprendamos a exercitar a nossa liberdade interior para que possamos olhar para o mundo sem nos aprisionarmos, pois na maioria das vezes, nós é que colocamos as grades do nosso cárcere... Quantas armadilhas você cria para você mesmo? Pois o ideal é ser feliz e não perfeito!!! A perfeição exacerbada nos leva a cobranças e aprisionamentos, e nos impede também de exercitar o perdão! Pense nisso... Há sempre uma porta, um rasgo de sol, uma fresta de luz para aquecer nossos dias e descortinar o horizonte de beleza colorida que é viver! Voemos sempre... em liberdade... rumo às montanhas e aos vales... Pois muitas vezes não podemos escalar as grandes montanhas, mas podemos contorná-las através dos vales... Bater de frente na maioria das vezes não demonstra sabedoria e contornar não significa subterfúgio, mas sim uma gama de alternativas que nos possibilita ver outros caminhos que o horizonte nos apresenta... É sempre bom sermos vales na nossa vida e instrumento na vida dos que nos cercam, porque é maravilhoso escalar as montanhas, é um desafio instigante, e nos traz emoções e vivências maravilhosas, mas quando se torna impossível, nada como caminhar pelos vales... Pense nisso e tire a venda dos olhos... pare de criar suas próprias armadilhas... deixe de dar cabeçadas na vidraça para que possa vislumbrar as várias frestas e portas que existem ao seu redor...
Com afeto,
Beth Landim
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A Lei do Caminhão de Lixo
05/03/2018 | 09h55
 
Divido com vocês pequenas histórias que são capazes de nos fazer refletir na nossa caminhada.
Um dia peguei um táxi... Estávamos rodando na faixa certa, quando de repente um carro preto saltou do estacionamento na nossa frente. O taxista pisou no freio, deslizou e escapou por um triz do outro carro!
O motorista do outro carro sacudiu a cabeça e começou a gritar para nós nervosamente. Mas o taxista apenas sorriu e acenou para o cara, fazendo um sinal de positivo. E ele o fez de maneira bastante amável e amigável. Indignada lhe perguntei: — Porque você fez isto? Este cara quase arruína o seu carro e nos manda para o hospital! Foi quando o motorista do táxi me ensinou o que eu agora chamo de: A Lei do Caminhão de Lixo.
Ele explicou que: Muitas pessoas são como caminhões de lixo. Andam por ai carregadas de lixo, cheias de frustrações, cheias de raiva, traumas e de desapontamento. À medida que suas pilhas de lixo crescem, elas precisam de um lugar para descarregar, e às vezes descarregam sobre a gente. Não tome isso pessoalmente. Isto não é problema seu! Apenas sorria, acene, deseje-lhes o bem, e vá em frente. Não pegue o lixo de tais pessoas e nem o espalhe sobre outras pessoas no trabalho, em casa, ou nas ruas. Fique tranqüilo... respire e deixe o lixeiro passar.
O princípio disso é que pessoas felizes não deixam os caminhões de lixo estragarem o seu dia. A vida é muito curta, não leve lixo. Limpe os sentimentos ruins, aborrecimentos do trabalho, picuinhas pessoais, ódio e frustrações. Ame as pessoas que te tratam bem. E trate bem as que não o fazem, pois a vida é 10% o que você faz dela e 90% a maneira como você a recebe!
Conta-nos uma lenda que...
Certa manhã, meu pai convidou-me a dar um passeio no bosque e eu aceitei com prazer. Ele se deteve numa clareira e depois de um pequeno silêncio me perguntou: - Além do cantar dos pássaros, você está ouvindo mais alguma coisa? Apurei os ouvidos alguns segundos e respondi: - Estou ouvindo um barulho de carroça. - Isso mesmo, disse meu pai. É uma carroça vazia... Perguntei ao meu pai: - Como pode saber que a carroça está vazia, se ainda não a vimos? - Ora, respondeu meu pai. É muito fácil saber que uma carroça está vazia, por causa do barulho. Quanto mais vazia a carroça maior é o barulho que faz. Tornei-me adulto, e até hoje, quando vejo uma pessoa falando demais, inoportuna, interrompendo a conversa de todo mundo, tenho a impressão de ouvir a voz do meu pai dizendo:
Quanto mais vazia a carroça, mais barulho ela faz...
É necessário entendermos que temos a responsabilidade de sermos seres com conhecimento, valores, princípios... pois “carroças vazias” trepidam, trepidam, fazem barulho, mas não possuem consistência para o conhecimento profissional, humano e familiar. Isso significa entender que nossa busca por aprender deve ser diária e constante, pois vivemos na era do pensamento complexo, que corresponde à multiplicidade, ao entrelaçamento e a interação contínua da infinidade de sistemas e de fenômenos que compõem o mundo, e para tanto, temos que nos desafiar a todo o momento, buscando sempre a complementaridade das relações e do conhecimento.
Não é possível reduzir a complexidade a explicações simplistas, a regras rígidas, a fórmulas simplificadoras ou a esquemas fechados. Pois não podemos viver na simbologia do “ou” e sim do “e”... O mundo é feito para agregar, completar, preencher, somar e crescer, para que possamos preencher corretamente “nossas carroças”...
E então de uma coisa podemos ter certeza: de nada adianta querer apressar as coisas. Tudo vem ao seu tempo, dentro do prazo que lhe foi previsto. Mas a natureza humana não é muito paciente. Temos pressa em tudo! Aí acontecem os atropelos do destino, aquela situação que você mesmo provoca, por pura ansiedade de não aguardar o tempo certo. Mas alguém poderia dizer: - Mas qual é esse tempo certo?
Bom, basta observar os sinais. Geralmente quando alguma coisa está para acontecer ou chegar até sua vida, pequenas manifestações do cotidiano, enviarão sinais indicando o caminho certo. Pode ser a palavra de um amigo, um texto lido, uma observação qualquer. Mas com certeza, o sincronismo se encarregará de colocar você no lugar certo, na hora certa, no momento certo, diante da situação ou da pessoa certa! Basta você acreditar que nada acontece por acaso! E talvez seja por isso que você esteja agora lendo essas linhas. Tente observar melhor o que está a sua volta. Com certeza alguns desses sinais já estão por perto, e você nem os notou ainda. Lembre-se que o universo, sempre conspira a seu favor, quando você possui um objetivo claro e uma disponibilidade de crescimento.
Tenha um maravilhoso fim-de-semana, livre dos lixos e das carroças vazias que surgem em nossos caminhos, nos fazendo perder um tempo precioso que não voltará para vivermos novamente!!!
 Com afeto,
Beth Landim
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Sobre o autor

Elizabeth Landim

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