Não existe receita de bolo para os relacionamentos...
24/07/2017 | 11h52
amores
amores / Blog Melhor com Saúde
 Saudade e distância são dois registros que nos suscitam inúmeros questionamentos. Muitas vezes, é na ausência que dimensionamos a imensidão dos espaços ocupados em nossa vida. Família... trabalho...amigos... tudo parece infinitamente maior quando estamos longe. Mas qual será o verdadeiro entendimento que temos a cerca daqueles que tanto nos completam e nos fazem felizes?
Como disse o poeta Rainer Maria Rilke, “A alma do outro é uma floresta escura”.
Podemos conviver décadas com filhos, pais, parceiros e amigos sem nunca conseguirmos, de fato, uma intensa relação.
Sorrir e chorar junto, gostar da mesma coisa e até mesmo superar, lado a lado, grandes conflitos não significa, necessariamente, alcançar o íntimo do outro e romper as barreiras do individualismo.
Quantos aborrecimentos surgem daí? Alguns mal-entendidos, brigas e mágoas se dão, não porque somos maus ou porque temos a intenção de ferir o outro, mas, exatamente, pelo fato de avaliarmos de forma errada as relações e os sentimentos alheios.
Relacionar-se é uma deliciosa aventura e, ao mesmo tempo, uma fonte imensurável de alegria e risco.
Em todo mal-entendido reside muito desgaste e sofrimento desnecessário. Por isso, é preciso estar atento àqueles que amamos, aos anseios e necessidades daqueles que nos cercam. Atenção à palavra que devia ter sido pronunciada, mas ficou fechada na garganta e era hora de falar e, sobretudo, ao silêncio que não foi erguido no momento exato quando era momento de calar.
São nos relacionamentos que as personalidades se confrontam, os medos se comunicam e a sutil necessidade de impor, característica inerente ao ser humano, se aflora e se disfarça em zelo e proteção. Se somos todos tão dependentes de amar e receber amor, precisamos lapidar nossas emoções e fixar atitudes que alarguem nossos passos e abram nosso coração em direção ao outro.
Partilhar a vida com alguém é a oportunidade divina de enriquecê-la. Sempre vale a pena apostar nos relacionamentos quando entre os pares, sejam eles, filhos, pais, companheiros ou amigos, existe a vontade de descobrir esse outro, tocar sua alma, entender o que deseja, do que precisa, o que pode e o que lhe é possível fazer.
Não há manuais de instrução, guias rápidos ou receitas capazes de aprimorar os relacionamentos humanos. Nem seria preciso. Temos mecanismos, fundamentalmente, mais poderosos: a sinceridade, a abertura, a humildade e, prioritariamente, o amor. Esses mecanismos nos permitem sair de nossas próprias varandas e olhar em torno. Compreender que a existência humana é bem maior que nossas pequenas certezas individuais. Se nos escondemos nelas, perdemos a oportunidade de escutarmos o outro e renovarmos nossos conteúdos. Sequer compreendemos que as inevitáveis perdas podem pesar menos que os possíveis ganhos e elas dependem de nossas atitudes. Viver deve ser a arte de compartilhar e a chance de recriar-se. A vida e, em conseqüência, os relacionamentos, deve ser elaborada e, quantas vezes forem necessárias, recriada.
Ansiando por coisas prontas e procurando, no outro, os modelos exatos das coisas que nos completam, jamais encontraremos a cumplicidade tão necessária nos relacionamentos diários. Admitir a liberdade do outro é tarefa árdua e fundamental para o próprio crescimento. A alma daqueles que amamos será sempre uma terra inexplorada e não-mapeada, mas a humildade e a coragem de habitá-la sempre serão facilitadores desse sinuoso caminho.
Erguemos muralhas difíceis de invadir porque, inseguros de nossos potenciais, precisamos disfarçar-nos em ares imponentes e inabaláveis. Enquanto isso, impedimos que o outro nos descubra e se aproxime.
O convívio humano já foi comparado ao exercício do amor na corda bamba. Grande é o risco, como deliciosas são as recompensas. O abraço das almas é o mais satisfatório dos encontros, mas é preciso tirar os disfarces, aposentar as máscaras, avaliar e permitir-se.
O risco faz parte do processo e as desilusões são tropeços necessários ao amadurecimento... não existe definitivamente uma receita de bolo para seguirmos em nossos relacionamentos...
Seja como for, desejo que a alma daqueles que você ama, seja sempre a busca constante de seu encontro e crescimento pessoal, para que os relacionamentos floresçam e o estreitamento dos laços afetivos sejam instrumentos de reescrita de sua história.
Com afeto,
Beth Landim
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"A pessoa vê a capa e acha que leu o livro..."
14/07/2017 | 13h05
 
capa e conteúdo
capa e conteúdo / google
 Na maioria das vezes temos o hábito de julgar... julgar apressadamente, julgar pela aparência, julgar com preconceito. E sempre que o fazemos, nos colocamos na condição de apontar para alguém... nos esquecendo que somos humanos, esquecendo nossa fragilidade, esquecendo de que os erros são puro aprendizado... E mais do que isso, não contextualizando a situação e muito menos as dificuldades das pessoas. É lógico que todo juízo nos serve de bússola, aprendizado, caminho, de equilíbrio para nos reerguer de situações. Mas nunca para diminuirmos, depreciarmos, ganhar audiência com a dificuldade alheia. E o que assistimos hoje em dia, por uma parcela da população, infelizmente é vilipendiar o sofrimento do outro. Pessoas que utilizam as redes sociais para propagar a dificuldade do outro, a queda impensada. “Cuidado, o julgamento preconceituoso pode lhe privar da verdade...” nos diz o Padre Fábio de Melo. O episódio que envolveu o ator Fábio Assunção no dia 24 de junho, após se envolver em uma confusão na festa São João do Arcoverde, no Sertão de Pernambuco nos faz refletir sobre o momento que estamos vivendo. Em vídeo que circula nas redes sociais, é possível ver o ator alterado e discutindo com um grupo de moradores locais. Em outro vídeo, o artista aparece dentro de uma viatura policial. Fábio foi levado ao Hospital Memorial de Arcoverde com ferimentos leves e lá, apresentava sinais de embriaguez e teria discutido com funcionários do hospital. Da unidade de saúde, ele voltou para o Pátio de Eventos, onde acontecia a festa. Por meio de sua conta oficial no Instagram, o ator lamentou o ocorrido e garantiu que não utilizou nenhum tipo de droga ilícita. "Não fiz uso de nenhuma droga ilícita — o que será comprovado pelo exame toxicológico que eu mesmo pedi para ser feito. Serei responsável pelos danos causados", diz um trecho do post. No comunicado, o ator global confirma que se envolveu em uma briga e que errou ao se "exceder". "Agora estou bem. Agradeço pelas tantas manifestações de carinho e apoio que recebi. Peço a todos sinceras desculpas. Não é fácil, mas reconhecer meus erros e procurar sempre aprender com eles é o que eu desejo", escreveu. Diversas pessoas se manifestaram nas redes sociais. O escritor Fabrício Carpinejar comenta: "Vergonha do que fizeram com Fábio Assunção" e critica exposição do ator em situação delicada: "É ser cúmplice de vandalismo psicológico". Fiquei chocado com os vídeos do ator Fábio Assunção estirado no chão e preso em viatura em Arcoverde (PE) na madrugada desse sábado (24/6). Pasmo não por aquilo que ele fez, fora de si, mas pelo deboche de todos à volta, sóbrio e serenos, com consciência para ajudar e que não demonstraram nenhum interesse para socorrer e amparar alguém claramente necessitado e com dificuldades de se manter em pé e articular um raciocínio lógico. Em vez de ajudar, ridicularizavam o profissional em uma fase difícil da vida e apenas aumentavam a sua agressividade. Atiçar um bêbado é armar um circo de horrores, é se divertir com o sofrimento alheio, é renunciar à educação pelo bullying anônimo e selvagem de massa.” . Outros artistas também saíram em defesa do ator, através das redes sociais, demonstrando solidariedade ao colega. “Seja acolhido pelo carinho e amor das pessoas que te conhecem”, escreveu a cantora Ivete Sangalo no Instagram. O autor Walcyr Carrasco também declarou apoio ao ator. “Eu acho incrível como as pessoas gostam de julgar sem conhecer todos os fatos. Fábio se explicou. Mas antes disso houve uma onda terrível de meias notícias e comentários”, publicou. Nos diz o pensador e filósofo Osho... “O julgamento é feio - ele fere as pessoas. Ame-as, aceite-as e, talvez, seu amor e respeito possa ajudá-las a mudar muitas de suas fraquezas, muitas de suas falhas - porque o amor lhes dará uma nova energia, um novo significado, uma nova força...”
Dias atuais... turbulências nos visitam em todas as instâncias, nos tirando a força e o foco em vencermos a nós mesmos. Julgamentos prontos, pensamentos desconexos, tecnologia que se desfoca mostrando na rede inverdades e maldade. Esse é o mundo em que vivemos. Que tenhamos a sabedoria e o discernimento de entendermos que somos humanos, portanto falhamos, todos nós, sem exceção. Que este episódio que envolveu o ator Fábio Assunção sirva como reflexão para todos nós que desejamos um mundo melhor, mais humano, tecnológico sim, porém verdadeiro. Que o nosso tempo seja gasto nas redes... plantando e semeando sementes do bem, do amor, falando do calor do sol, da chuva que lava a alma, dos amigos, da família, das nossas crenças, repartindo a nossa poesia... e de tudo de bom que nos conduz a uma vida verdadeira, com emoção, sem falsos sorrisos, sem julgamentos e que não seja apenas uma vida de aparência... pois, segundo o Padre Fábio de Melo... “A pessoa vê a capa e acha que leu o livro”... nada é simples assim... Somos o que verdadeiramente carregamos no coração, e este, na maioria das vezes, não conseguimos enxergar, tocar, acessar sem amor... não façamos com o outro o que não queremos para nós. E como nos diz Clarice Lispector... “Atitude é uma pequena coisa que faz uma grande diferença.” Que sejamos, então, essas pessoas capazes de fazermos a diferença nas trilhas por onde andarmos... Não sejamos capas... e sim um ótimo e prazeroso conteúdo.
Com afeto,
Beth Landim
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Descomplicando... a fila indiana...
07/07/2017 | 13h02
Fila indiana
Fila indiana / Fila Indiana
Nucci tem uma excelente imagem a respeito do nosso comportamento. Segundo ele, os homens caminham pela face da terra em fila indiana, cada um carregando uma sacola na frente e outra atrás. Na sacola da frente nós colocamos as nossas qualidades. Na sacola de trás, guardamos todos os nossos defeitos. Por isso, durante a jornada pela vida, mantemos os olhos fixos nas virtudes que possuímos presas em nosso peito. Ao mesmo tempo, reparamos impiedosamente nas costas do companheiro que está adiante, em todos os defeitos que ele possui e nos julgamos melhores do que ele, sem perceber que a pessoa andando atrás de nós está pensando a mesma coisa a nosso respeito.
Então, como nos diz o terapeuta Sérgio Savian, se eu tivesse que escolher uma palavra, apenas uma, para ser item obrigatório no nosso vocabulário, esta palavra seria um verbo de quatro sílabas: descomplicar. Já passa da hora de aprendermos a viver com mais leveza: exigir menos dos outros e de nós próprios, cobrar menos, reclamar menos, carregar menos culpa, olhar menos para o espelho.
Descomplicar talvez seja o atalho mais seguro para chegarmos à tão falada qualidade de vida que queremos e merecemos ter. Mas há outras palavras que não podem faltar em nosso kit existencial. Amizade, por exemplo. Acostumados a concentrar nossos sentimentos (e nossa energia...) nas relações amorosas, acabamos deixando os amigos em segundo plano. E nada, mas nada mesmo, faz tão bem para todos nós quanto à convivência com os amigos. Ir ao cinema, sair sem ter hora para voltar, compartilhar uma taça de vinho e repetir as histórias que já nos contamos mil vezes, isso sim, faz bem para a pele. Para a alma, então, nem se fala. Ao menos uma vez por mês, deixe o seu namorado(a) em casa, prometa-se que não vai ligar para ele(a) nem uma vez (desligue o celular, se for preciso) e desfrute os prazeres que só uma boa amizade consegue proporcionar. E já que falamos em desligar o celular, incorpore ao seu vocabulário duas palavras que têm estado ausentes do nosso cotidiano: pausa e silêncio. Aprenda a parar, nem que seja por cinco minutos, três vezes por semana, duas vezes por mês, ou uma vez por dia não importa, e a ficar em silêncio. Essas pausas silenciosas nos permitem refletir, contar até 100 antes de uma decisão importante, entender melhor os próprios sentimentos, reencontrar a serenidade e o equilíbrio quando é preciso. Também abra espaço, no vocabulário e no cotidiano, para o verbo rir. Não há creme antiidade nem botox que salve a expressão de uma pessoa mal-humorada. Azedume e amargura são palavras que devem ser banidas do nosso dia a dia. Preste atenção na conversa de duas crianças, marque um encontro com aquela amiga engraçada, veja um filme de comédia na TV a cabo, faça qualquer coisa, mas ria. O riso nos salva de nós mesma, cura nossas angústias e nos reconcilia com a vida.
Quanto à palavra dieta, cuidado: pessoas que falam em regime o tempo todo costumam ser péssimas companhias. Deixe para discutir carboidratos e afins no banheiro ou no consultório do endocrinologista. Nas mesas de restaurantes, nem pensar. Se for para ficar contando calorias, descrevendo a própria culpa e olhando para a sobremesa do companheiro de mesa com reprovação e inveja, melhor ficar em casa e desfrutar sua salada de alface e seu chá verde sozinha. Uma sugestão? Tente trocar a obsessão pela dieta por outra palavra que, essa sim, deveria guiar nossos atos 24 horas por dia: gentileza. Gentileza gera gentileza... Pois ter classe não é usar roupas de grife: é ser delicada. Saber se comportar é infinitamente mais importante do que saber se vestir. Resgate aquele velho exercício que anda esquecido: aprenda a se colocar no lugar do outro e trate-o como você gostaria de ser tratada, seja no trânsito, na fila do banco, na empresa onde trabalha, em casa, no supermercado, na academia.
E, para encerrar, não deixe de conjugar dois verbos que deveriam ser indissociáveis da vida:
sonhar e recomeçar...
“Sonhe com aquela viagem ao exterior, aquele fim de semana na praia, o curso que você ainda vai fazer, a promoção que vai conquistar um dia, aquele homem que um dia (quem sabe?) ainda vai ser seu, sonhe que está beijando o Richard Gere...”
Sonhar é quase fazer acontecer. Sonhe até que aconteça. E recomece, sempre que for preciso: seja na carreira, na vida amorosa, nos relacionamentos familiares. A vida nos dá um espaço de manobra: use-o para reinventar a si mesmo. E, por último, risque do seu Aurélio a palavra culpa. O dicionário das pessoas interessantes inclui fragilidades, inseguranças, limites. Pare de brigar com você mesmo para se tornar perfeito. Pessoas reais são pessoas imperfeitas. E pessoas que se aceitam como imperfeitas são pessoas livres. Viver não é (e nunca foi) fácil, mas, quando se elimina o excesso de peso da bagagem (e a busca da perfeição pesa toneladas), a tão sonhada felicidade fica muito mais possível.
Descompliquemos... Desarrumemos a fila indiana... Vivamos intensamente a vida!!!
Uma bem humorada e excelente semana para todos nós!!!
Com afeto,
Beth Landim
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Perdoar... um santo remédio!
04/07/2017 | 16h14
 
Flores do perdão
Flores do perdão / Mensagens
 
Nos diz o psicólogo Antônio Roberto Soares que em todos os caminhos de crescimento humano, tanto psicológico quanto espiritual, uma ênfase especial é dada à questão da mágoa. Não só pelo sofrimento que ela produz, mas também pelo transtorno que provoca nos relacionamentos. Qualquer que seja o nome que damos a esse sentimento, seja mágoa, rancor, ressentimento ou vingança, ele se caracteriza pela amargura na alma, uma sensação de injustiça a partir do mal que alguém nos fez. Além da dor, o componente fundamental da mágoa é a sua permanência. É uma incapacidade de parar de sofrer, mesmo com o passar do tempo. E como é impossível levar nossas vidas sem sermos machucados pelas outras pessoas, de vez em quando, tendo em vista a imperfeição da natureza humana, corremos o risco de acumular feridas e nos tornarmos pessoas amargas, desiludidas e sofredoras. A mágoa é uma forma de guardarmos para depois, coisas que não queremos resolver na hora.
Uma das características da vida é que ela só pode ser vivida no presente. O passado e o futuro, apesar de existirem na nossa cabeça, não têm existência real. Seria uma grande tolice imaginarmos que podemos respirar para amanhã, que podemos viver ontem. O natural é que as coisas sejam vividas, mesmo as ruins, no momento em que elas ocorrem.
O sentimento de raiva, que é natural, tem o objetivo de nos ajudar a resolver nossos problemas, incluindo as ofensas, traições ou quaisquer outros atos que as pessoas produzam. Quando somos inibidos na nossa raiva, quando temos medo de expressá-la, ela esfria dentro de cada um de nós e se transforma em mágoa. Mágoa é toda a raiva que ficou para depois. É a raiva dentro da geladeira. É o medo de resolvermos nossos conflitos com outras pessoas no momento em que aparecem. Guimarães Rosa define, magistralmente, a mágoa no seu livro Grande Sertão Veredas: “Mágoa é lamber frio o que o outro cozinhou quente demais para nós”. A pessoa rancorosa apresenta as seguintes dificuldades: aceitar a imperfeição humana, idealizando uma realidade onde as pessoas nunca falhem com ela; expressar a raiva na colocação clara do seu desagrado diante do outro; viver o momento presente, sendo extremamente apegada ao passado. Por isso, quem guarda mágoa, em geral, é também um saudosista e culposo, características dos que vivem no passado. Uma vez, porém, instalada a mágoa, só nos resta uma saída: o perdão. Se a mágoa nos envenena e machuca, o perdão nos alivia e cura.
Pode-se medir a sanidade psicológica de alguém por sua capacidade de perdoar. O perdão é a ponte que nos faz sair da depressão para a alegria: “Perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos aqueles que nos têm ofendido”.
Por que tanta dificuldade em perdoar? Porque há equívocos em torno do perdão que dificultam o exercício dele. Primeiramente há uma crença falsa de que o beneficiário do perdão é a pessoa que nos ofendeu. O perdão é algo bom para quem perdoa. Perdoar é ficar livre da dor causada pelo outro. É ficar livre daqueles que nos magoaram. É um presente dado a mim mesmo. Em segundo lugar, há uma idéia igualmente falsa de que, ao perdoarmos, devemos esquecer o mal que nos fizeram e voltar a ter com a pessoa o mesmo relacionamento de antes. Perdoar não é esquecer. É apenas parar de sofrer. “Devemos, porém, aprender com a experiência e podemos, a partir daí, escolher qual relacionamento teremos com o ofensor”. Perdoar não significa fazer de conta que nada aconteceu. Pelo contrário, temos de levar em conta a experiência, revendo a relação, e por isso mesmo, nos livrando do sofrimento. Perdoar os outros é o presente que oferecemos a nós mesmos.
Chega de carregar na alma as ofensas e os que nos ofenderam. Melhor do que perdoar é não se ofender.
E então, quando lavamos nossa alma com o perdão, deixamos também de ser vítima dos problemas e nos tornamos autores da própria história. É saber atravessar desertos fora de si, mas também ser capaz de encontrar um oásis no interior de nossa alma. Quando aprendemos a perdoar, passamos a ter mais segurança e maturidade para receber uma crítica, mesmo que injusta, pois o perdão nos deixa inteiros, nos renova, nos deixa LIVRE...
E a liberdade vem junto com a felicidade... "És precária e veloz, felicidade. Custa a vir, e, quando vens, não se demoras. Foste tu que ensinaste aos homens que havia tempo, e, para te medir, se inventaram as horas..." Cecília Meireles expressou tão bem, em seus versos, o que tanto buscamos... a felicidade.
E para saborear a tão sonhada felicidade, precisamos aprender a perdoar, a não olhar pelo retrovisor, a não guardar mágoas, aprender inclusive a nos perdoar, para depois compreendermos o outro...
Livre-se então do sentimento de culpa, olhe-se por inteiro e terá a inteireza para olhar, perdoar e ser feliz... Uma boa semana para todos...
Com afeto,
Beth Landim
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Sobre o autor

Elizabeth Landim

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