Tempo de Recomeçar...
30/03/2013 | 12h36

A palavra sacrifício vem da união dos termos "sacro" e "ofício", quer dizer "trabalho sagrado". Sacrifício significa satisfazer... nosso templo, nosso corpo, nossos sentimentos e os do outro também, do nosso próximo. Fazer sacrifício significa estarmos espiritualmente envolvidos em uma causa do bem. As nossas realizações vem da nossa busca constante, enquanto pessoa individual, realizada com a vida, mesmo que ela não seja exatamente o que planejamos, mas algo que nos dá condições de realizar planos, e perseveramos no caminho da realização pessoal. Devemos aprender a amar o invisível, a desejar o quase impossível e a acreditar que realmente tudo passa... Como nos diz Saint Exupéry, “o essencial é invisível aos olhos”... Assim é a fé que permeia nossa vida e nos enche de bênçãos renovadas a cada dia. A nossa fé habita a mais alta de todas as capelas – o nosso templo interno – que necessita ser alimentado diariamente com as nossas orações, interiorizações, meditações...

Esse fato muitas vezes fica perdido na correria da sobrevivência diária. Ficamos presos nas buscas frenéticas e na corrida da vida, totalmente absorvidos e orientados pelas exigências do mundo! A Páscoa trata da ressurreição de Jesus e da nossa ressurreição também... Em Jesus, os cristãos descobriram que fazer-se presente nos outros é o verdadeiro sentido da ressurreição. Vêem neste momento que o plano completo para suas vidas vai se concretizar, realizar e ser compreendido ao longo da vida, na perspectiva do eterno. Essa é a verdadeira essência da Páscoa. As palavras ecoam por toda a criação: Ele não está mais aqui no plano físico, mas vive em nossos corações, através da mensagem viva e iluminada que deixou para a humanidade! É tempo de Páscoa! Tempo de relembrar o símbolo da cruz e comemorar a ressurreição através de lições que despertam em nós o desejo de crescer como indivíduo, como profissional, como amigo, como cristão...

Cada dia é um presente único e deve ser vivido intensamente, buscando uma vida melhor, de um Brasil de mais justiça, de um mundo mais humano! Mas isso depende de cada um e de todos nós, somando forças, cada um dando sua contribuição e não apenas estendendo as mãos... Páscoa é renascimento, é recomeço, é uma nova chance para melhorarmos as coisas que não gostamos em nós, para sermos mais felizes por conhecermos a nós mesmos mais um pouquinho e vermos que hoje somos melhores do que fomos ontem.

Páscoa é tempo de começar tudo de novo! Tempo de abandonar tudo o que é velho e antigo e olhar pra frente com coragem. Tempo de nos dedicarmos à uma vida nova que temos a oportunidade de iniciar. Vamos nos renovar! Marcar presença com a vida que faz desabrochar coisas novas. Cantar com alegria a vida fazendo da caminhada uma canção da esperança. Sentir a felicidade de transformar-se em homem novo. Páscoa é tornar as coisas novas. É libertar-se... É o encantamento do amanhecer. Páscoa é você deixar rastros de paz e caminhar salpicando sementes de esperança por onde vai. Jesus é o sentido pleno da PÁSCOA. Procuremos seguir a mensagem de amor deixada pelo grande exemplo de Jesus. Seu sacrifício de amor não foi em vão. Que em nossa imperfeição possamos melhorar a cada dia para superarmos os obstáculos e não nos esquecermos de transmitir às novas gerações os exemplos do bem viver e as palavras do nosso Mestre. Que as belas mensagens enviadas sejam fixadas em nossas mentes e em nossos corações para todo o sempre e não apenas no período da Páscoa. Desejo a todos os meus leitores uma Páscoa plena de renovação e de libertação!!!

Com afeto,

Beth Landim

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Prêmio Laureus homenageia atletas mais importantes do esporte!
27/03/2013 | 10h59

Prêmio Laureus homenageia atletas mais importantes do esporte.

A cerimônia de entrega do prêmio foi realizada pela primeira vez no Brasil, no Theatro Municipal do Rio. O teatro iluminado, a produção de cinema e os astros do esporte. Uma prévia, em traje de gala, do que vem em 2016.

O brasileiro Daniel Dias recebeu o Laureus como melhor atleta paralímpico. Usain Bolt, Jessica Ennis e Andy Murray também foram premiados. O jamaicano Usain Bolt foi o grande vencedor do Prêmio Laureus, o mais importante do esporte mundial. Mas teve prêmio para o Brasil também: o nadador Daniel Dias recebeu o Laureus como melhor atleta paralímpico.

Jessica Ennis, ouro no heptatlo, melhor atleta. O também britânico Andy Murray, ouro no tênis, revelação. Superando Neymar.

Na categoria atletas com deficiência concorriam os campeões paralímpicos Alan Fonteles e Daniel Dias. Daniel, seis ouros nas Paralimpíadas do ano passado. Foi o segundo Laureus dele. “É algo incrível, é algo que realmente não dá para descrever a emoção que estou sentindo. Nem sabia o que dizer na hora lá, fiquei muito nervoso”, conta.

O melhor atleta masculino foi Usain Bolt. O jamaicano não pôde vir, mas apareceu no palco em um holograma. O homem mais rápido mundo saiu de cena com estilo.

Já Michael Phelps, recém aposentado, pretende fazer do Brasil um destino frequente. “Estive duas vezes no Rio, visitei favelas, vi a alegria das crianças nadando”, disse o dono de 22 medalhas olímpicas, recordista histórico e ganhador do Laureus pelo conjunto da obra. Em 2016 alguns, como Phelps, voltarão como turistas. Outros, competindo. Mas todos estão convidados para a premiação do ano que vem. Novamente, o Rio estenderá o tapete vermelho aos melhores atletas do planeta. O Daniel Dias é o primeiro brasileiro a receber duas vezes o Laureus, mas também já ganharam o prêmio o Ronaldo Fenômeno, Pelé, o skatista Bob Burnquist, Raí, além da seleção brasileira de futebol que conquistou a Copa do Mundo do Japão e da Coreia.

Com afeto,

Beth Landim

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Como a chuva que cai lentamente...
23/03/2013 | 15h40

Se pararmos para observar a chuva, constatamos a grande diferença da chuva que cai torrencialmente e da chuva que cai lentamente... A primeira arrasta a terra, faz cair casas e pessoas nas suas enxurradas, inunda na maioria das vezes de forma abrupta e irracional a vida no seu dia-a-dia... Já a chuva que cai lentamente faz a semente germinar, a terra ficar produtiva, a vida florescer e gerar frutos... Na verdade, precisamos sempre destas doses homeopáticas, tanto da chuva como das orações que Francisco nos tem demonstrado desde que iniciou seu Papado. Existe uma frase dos judeus, no evangelho, que de alguma maneira resume o confronto que se reflete nos evangelhos desses dias e que culminará na morte de Jesus: “Mas quem pensas que és tu?” Jesus não tinha um bom currículo, não pertencia a uma família famosa, não estudou com nenhum rabi de categoria, não nasceu em Jerusalém. Era só um judeu marginal procedente da Galiléia pagã. E foi com Ele que aprendemos tudo. São Pedro também não teria a menor chance de ser eleito em um Conclave. Seu currículo era bem fraco e nada entusiasmante. Oriundo da Galiléia, pescador do lago de Genesaré, só falava uma língua em dialeto e não tinha grandes estudos. E a historia muitas vezes se repete... Jorge Mario Bergoglio não estava entre os favoritos e a escolha foi uma surpresa para alguns representantes da igreja e para todos nós. Chama a atenção que ele não abre mão de recordar que é um jesuíta, conservando o emblema da Companhia de Jesus (SJ), isto é, um sol com as primeiras letras, maiúsculas, do vocábulo “Jesus” em língua grega (IHS).

Com um estilo pastoral diferente de Bento XVI, o Papa Francisco fez uma homilia onde chamou atenção a referência que fez de São José como guardador. Guardar significa cuidar. Com isso, o Papa afirma que todos somos chamados a termos a função de guardiões da criação e da natureza. Ele insiste que não podemos permitir a destruição, tanto da natureza, quanto da humanidade. Além disso, temos que ser guardiões uns dos outros, pois o ser humano merece o cuidado do outro ser humano. Isso tudo é uma referência explícita a São Francisco, que foi o grande incentivador do amor à natureza e ao ser humano. A preocupação dele, enquanto pastor da Igreja, na sua dimensão de universalidade, é que a natureza hoje clama por quem a defenda verdadeiramente, não apenas no discurso. A defesa tem que ser uma prática completa na vida de cada pessoa. O que a gente percebe é que ele tem preocupação com cada pessoa e, em seu espírito franciscano, se preocupa com todas as pessoas, independentemente delas serem cristãs ou não. A colocação “guardemos com amor aquilo que Deus nos deu”, usada na homilia, é humana, transcendental e universal. Não importa o modo que cada um conceba Deus, mas sim que ele considere que Deus fez tudo e com amor.

Neste trecho de sua homilia: “Queria pedir, por favor, a quantos ocupam cargos de responsabilidade em âmbito econômico, político ou social, a todos os homens e mulheres de boa vontade: sejamos "guardiães" da criação, do desígnio de Deus inscrito na natureza, guardiões do outro, do ambiente; não deixemos que sinais de destruição e morte acompanhem o caminho deste nosso mundo! Mas, para "guardar", devemos também cuidar de nós mesmos. Lembremo-nos de que o ódio, a inveja, o orgulho sujam a vida; então guardar quer dizer vigiar sobre os nossos sentimentos, o nosso coração, porque é dele que saem as boas intenções e as más: aquelas que edificam e as que destroem. Não devemos ter medo de bondade, ou mesmo de ternura. A propósito, deixai-me acrescentar mais uma observação: cuidar, guardar requer bondade, requer ser praticado com ternura. Nos Evangelhos, São José aparece como um homem forte, corajoso, trabalhador, mas, no seu íntimo, sobressai uma grande ternura, que não é a virtude dos fracos, antes pelo contrário denota fortaleza de ânimo e capacidade de solicitude, de compaixão, de verdadeira abertura ao outro, de amor. Não devemos ter medo da bondade, da ternura!”

Francisco é este rasgo de luz no meio de tantas nuvens, que nos traz o calor da esperança aos nossos corações... Deixemos que a chuva caia lentamente em nossos corações como gotas de orvalho e óleos perfumados que amaciam e abrandam nossa experiência divina nesta oportunidade humana de viver.  O Papa nos mostra que a Igreja é feita de homens, é humana, feita de erros e acertos, mas acima de tudo, ele nos fala com seu exemplo de olhar olho no olho, da simplicidade, da ternura, da espontaneidade, de gente querendo cuidar de gente... “Cai chuva lentamente lava minha alma e o meu espírito. Fertiliza as idéias e a inspiração, cria uma fonte no meu coração... Nasça a planta, de uma pura semente, que seja do céu o maior presente... Rega a emoção o corpo e a razão, faça um lindo canteiro, cuide também do jardineiro. E perfumada as flores brotarão, enfeitando a vida e o coração... como o pingo de orvalho, respinga com uma brisa suave... e a solidariedade promove. Cai chuva, cai lentamente uma chuva de harmonia, toca com sabedoria, cura a alma faço um apelo, deixa o mundo mais belo.”

Abrir um rasgo de luz no meio de tantas nuvens é levar o calor da esperança e deixar que a chuva caia lentamente em nossos corações como gotas de orvalho e óleos perfumados que amaciam e abrandam nossa experiência divina nesta oportunidade humana de viver.

Com afeto,

Beth Landim

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Cabeça cheia ou cabeça feita...
16/03/2013 | 20h48

Lendo uma entrevista de Dr. Paulo Niemeyer Filho, em que ele nos relembra dos cuidados que devemos ter para uma mente sã, ou melhor, uma “cabeça feita” que é muito diferente de uma “cabeça cheia”. Filho do lendário Paulo Niemeyer, microneurocirurgião pioneiro no Brasil, e sobrinho do arquiteto Oscar Niemeyer, escolheu a medicina ainda adolescente. Aos 17 anos, entrou na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Quinze dias depois de formado, com 23 anos, mudou-se para a Inglaterra, onde foi estudar neurologia na Universidade de Londres. De volta ao Brasil, fez doutorado na Escola Paulista de Medicina. Ao todo, sua formação levou 20 anos de empenho absoluto. Mas foi uma recompensa à altura. Apaixonado por seu ofício, Dr. Paulo chefia hoje os Serviços de Neurocirurgia da Santa Casa do Rio de Janeiro e da Clínica São Vicente.

Divido então com você, meu leitor, esta entrevista da Revista Eletrônica Poder, que nos leva a refletir sobre a necessidade de estimular constantemente o nosso cérebro, colhendo desta forma frutos sadios, como nos fala a famosa citação latina do poeta romano Juvenal: Mens sana in corpore sano. Esta frase é parte da resposta do poeta à questão sobre o que as pessoas deveriam desejar na vida... A leitura, por exemplo, é uma forma contínua de estimulo ao nosso cérebro, eu particularmente leio muito, e de tudo um pouco... Porque a variedade também oxigena as nossas mentes... É a miscigenação da aquarela que faz as cores se tornarem vibrantes, por isso devemos trabalhar um pouquinho de todas as nossas faces dentro de nós...

Nos diz então Dr. Paulo Niemeyer Filho:

“Você tem de tratar do espírito. Precisa estar feliz, de bem com a vida, fazer exercício. Se está deprimido, reclamando de tudo, com a auto-estima baixa, a primeira coisa que acontece é a memória ir embora; 90% das queixas de falta de memória são por depressão, desencanto, desestímulo. Para o cérebro funcionar melhor, você tem de ter alegria. Acordar de manhã e ter desejo de fazer alguma coisa, ter prazer no que está fazendo e ter a auto estima no ponto. Eu acredito que a alma está na cabeça. Quando um doente está com morte cerebral, você tem a impressão de que ele já está sem alma... Isso não dá para explicar, o coração está batendo, mas ele não está mais vivo. Isto comprova que os sentimentos se originam no cérebro e não no coração.”

E a vida moderna atrapalha?

“Não, eu acho a vida moderna uma maravilha. A vida na Idade Média era um horror. As pessoas morriam de doenças que hoje são banais de ser tratadas. O sofrimento era muito maior. As pessoas morriam em casa com dor. Hoje existem remédios fortíssimos, ninguém mais tem dor.” Existe algum inimigo do bom funcionamento do cérebro? “Todo exagero. Na bebida, nas drogas, na comida, no mau humor, nas reclamações da vida, nos sonhos, na arrogância, etc. O cérebro tem de ser bem tratado como o corpo. Uma coisa depende da outra. É muito difícil um cérebro muito bom num corpo muito maltratado, e vice-versa.” Qual a evolução que você imagina para a neurocirurgia? “Até agora a gente trata das deformidades que a doença causa, mas acho que vamos entrar numa fase de reparação do funcionamento cerebral, cirurgia genética, que serão cirurgias com introdução de cateter, colocação de partículas de nanotecnologia, em que você vai entrar na célula, com partículas que carregam dentro delas um remédio que vai matar aquela célula doente que te faz infeliz. Daqui a 50 anos ninguém mais vai precisar abrir a cabeça.” Você acha que nós somos a última geração que vai envelhecer? “Acho que vamos morrer igual, mas vamos envelhecer menos. As pessoas irão bem até morrer. É isso que a gente espera. Ninguém quer a decadência da velhice. Se você puder ir bem mentalmente, com saúde e bom aspecto, até o dia da morte, será uma maravilha.”

Hoje a gente lida com o tempo de uma forma completamente diferente. Você acha que isso muda o funcionamento cerebral das pessoas? “O cérebro vai se adaptando aos estímulos que recebe, e às necessidades. Você vê pais reclamando que os filhos não saem da internet, mas eles têm de fazer isso porque o cérebro hoje vai funcionar nessa rapidez. Ele tem de entrar nesse clique, porque senão vai ficar para trás. Isso faz parte do mundo em que a gente vive e o cérebro vai correndo atrás, se adaptando.” Você acredita em Deus? “Geralmente depois de dez horas de cirurgia, aquele estresse, aquela adrenalina toda, quando acabamos de operar, vamos até a família e dizemos: Ele está salvo. Aí, a família olha pra você e diz: Graças a Deus! ... Então, a gente acredita que não fomos apenas nós, que existe algo mais, independente de religião.”

E como nos diz com propriedade Shakespeare... “O meu corpo é um jardim, a minha vontade o seu jardineiro.

” Que sejamos então suficientemente determinados em sermos os melhores jardineiros dos nossos próprios jardins, tornando-os únicos no mundo, como o exemplo o jardim de Exupéry no Pequeno Príncipe... “Os homens cultivam cinco mil rosas num mesmo jardim e não encontram o que procuram. E, no entanto, o que eles buscam poderia ser achado numa só rosa.” Não busquemos encher a nossa cabeça como quem corre atrás do vento... Busquemos ter uma “cabeça feita”, na saciedade de que às vezes uma só rosa nos satisfaz e não um jardim inteiro... Busquemos o essencial sempre... pois ele é invisível aos olhos...

Com afeto,

Beth Landim

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Perfume da Mulher...
09/03/2013 | 14h56

Ontem, Dia Internacional da Mulher, quero comemorar não só a data internacional, mas a alegria de SER MULHER TODOS OS DIAS... Ser mulher é um mistério divino! Choramos facilmente, rimos com o coração. Nem sempre quando dizemos "não" significa que estamos dizendo "não." Descobrimos que um sorriso pode produzir milagres... e uma lágrima também! Damos à luz sob uma dor terrível e nos esquecemos imediatamente depois de termos nossos filhos nos braços.

Corajosas, frágeis e fortes, vamos à luta sem capacete e sem espada. Temos um coração ao lado do cérebro. Não temos músculos, temos garra. Como mulheres, agimos como mães sempre, para os outros e para nós mesmas. Não buscamos igualdade! Buscamos reconhecimento na singularidade! Mesmo se nós pudermos exercer várias profissões, há emoções que correm como turbilhões dentro de nós que jamais poderão ser experimentadas pelo sexo oposto, a dor e o prazer de oferecer a luz do dia a um anjo, por exemplo. Não estamos mais à espera de príncipes encantados montados em cavalos brancos! Há muito entendemos que esses só existem nos contos de fadas. O que queremos é simplesmente sermos amadas.

Nada mais, nada menos. Não nos preocupamos com músculos e caras, queremos simplesmente alguém que possa nos amar. Parece complicado e, no entanto, é tão simples: só precisamos ser amadas! Dentro de nós habita uma veia romântica, uma estrela que brilha constantemente que nem os desenganos, nem os casamentos e nem os anos poderão matar. Talvez seja essa uma das diferenças básicas entre um homem e uma mulher: o duende morre mais rápido, morre depois da conquista... Nós, mulheres, seremos sempre... jovens, idosas, maduras, imaturas, belas, fortes, dengosas, charmosas, mimadas, vaidosas ou não... apaixonadas ou à espera... mas sempre, sempre, vai pulsar no nosso peito esse coração de mulher. Coração que ninguém entende, mas que sabe muitas vezes adivinhar a vida!

A verdade é que o mundo é feito por diversos tipos de mulheres: mulheres que curam com a força do seu amor... mulheres que aliviam dores com a sua compaixão... mulheres que deixam para trás tudo o que têm, em busca de uma vida nova... mulheres que, todos os dias, encontram-se diante de um novo começo... mulheres que sofrem diante de perdas inexplicáveis... mães amorosas. Nós mulheres temos uma força que impressiona os homens. Suportamos dificuldades, mas mantemos a alegria, o amor e o contentamento. Lutamos por aquilo que acreditamos e nos erguemos contra a injustiça. Não aceitamos "não" como resposta quando acreditamos que há uma solução melhor. Amamos incondicionalmente, pois nosso coração é o que faz o mundo continuar girando! Temos compaixão e ideais. Como mulheres, não devemos ser apenas fortes, devemos ser mulheres de força! Mas existe diferença entre ser forte e ter força? Claro que sim!

Uma mulher forte malha todo dia para manter seu corpo em forma. Uma mulher de força constrói relacionamentos para manter sua alma em forma. Uma mulher forte não tem medo de nada. Uma mulher de força demonstra coragem, em meio a seus medos. Uma mulher forte não permite que ninguém tire o melhor dela. Uma mulher de força dá o melhor de si a todos. Uma mulher forte comete erros e evita-os no futuro. Uma mulher de força percebe que os erros na vida, também podem ser bênçãos inesperadas e aprende com eles. Uma mulher forte tem o olhar de segurança na face. Uma mulher de força tem a graça. Uma mulher forte acredita que ela é forte o suficiente para a jornada. Mas uma mulher de força tem fé que é durante a jornada que ela se tornará forte.

É por todos esses motivos que me orgulho de ser mulher e de ter em minha vida tantas mulheres que fazem a diferença. A todas essas mulheres... Elzas, Marias, Surayas, Luzias, Elisas, Lilianas, Eleonoras, Marys, Camilas, Érikas, Rafaelas, Julianas, Carolinas, Reginas, Anitas, Veras, Divas, Denises, Marilenas, Martas...a minha homenagem neste dia tão especial. Essas mulheres me ensinam, todos os dias, ser como a terra que, fertilizada, faz nascer todas as flores, perfumando os campos... sendo o campo que recebe o sol e a chuva que faz florescer o mundo.

Desejo a cada mulher que, ao ler este texto, lembre-se de que, com sensibilidade e sabedoria, tem o dom de transformar a vida dos que se aproximam!

Finalizo, então, com Cora Coralina que traz a nossa alma de mulher perfuma e poesia:

“Não sei se a vida é curta ou longa para nós, mas sei que nada do que vivemos tem sentido, se não tocarmos o coração das pessoas. Muitas vezes basta ser: colo que acolhe, braço que envolve, palavra que conforta, silencio que respeita, alegria que contagia, lágrima que corre, olhar que acaricia, desejo que sacia, amor que promove. E isso não é coisa de outro mundo, é o que dá sentido à vida. É o que faz com que ela não seja nem curta, nem longa demais, mas que seja intensa, verdadeira, pura enquanto durar. Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina.”

Que possamos sempre ser este perfume que encanta e inspira todos a nossa volta...

Feliz Dia da Mulher!

Com afeto,

Beth Landim

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Porque julgamos?
04/03/2013 | 21h55

Deixo-lhes hoje uma entrevista de um jovem que li e me levou a refletir sobre a nossa caminhada, até porque temos o hábito de julgarmos os outros incessantemente, constantemente. Na maioria das vezes fazemos um julgamento preconceituoso e precipitado. Precisamos acostumar os nossos olhos a enxergar cada situação diante da complexidade da vida. Mais do que isso, precisamos educar nossos ouvidos e olhos de que situações complexas nos trazem soluções e respostas complexas... Muitas vezes a linearidade das nossas respostas e o hábito de simplificarmos tudo nos leva a julgamentos injustos...

Reproduzo então a entrevista para vocês...

“Tenho 23 anos e ainda não entendo muitas coisas. E há muitas coisas que não se podem entender às 8 da manhã quando te dirigem a palavra para dizer com a maior simplicidade: "Daniel, o papa se demitiu". Eu sou católico. Um entre tantos. Destes católicos que durante sua infância foi levado à missa, depois cresceu e foi tomado pelo tédio. Foi então que, a uma certa altura, joguei fora todas as minhas crenças e levei a Igreja junto. Porém a Igreja não é para ser levada nem por mim, nem por ninguém. Depois a uma certa altura de minha vida, voltei a ter gosto por meu lado espiritual, e, assim, de forma quase banal e simples, continuei por um caminho pelo qual hoje eu digo: sou católico. Um entre muitos, sim, porém, mesmo assim, católico. Porém, quer você seja um doutor em teologia ou um analfabeto em escrituras, o que todo mundo sabe é que o Papa é o Papa. Odiado, amado, objeto de zombaria e de orações, o Papa é o Papa, e o Papa morre como Papa. Por que renuncias, senhor Ratzinger? Ficou com medo? Foi consumido pela idade? Perdeu a fé? Ganhou a fé? E hoje, depois de 12 horas, acho que encontrei a resposta: o Senhor Ratzinger renunciou, porque é o que ele fez a sua vida inteira. É simples assim. O Papa renunciou a uma vida normal. Renunciou a ter uma esposa, a ter filhos, a ganhar um salário, à mediocridade, às horas de sono, em troca de horas de estudo, a ser um padre a mais, porém também renunciou a ser um padre especial. Renunciou a encher sua cabeça de Mozart, para enchê-la de teologia. Renunciou a chorar nos braços de seus pais, a estar aposentado aos 85 anos, desfrutando de seus netos na comodidade de sua casa e no calor de uma lareira. Renunciou a desfrutar de seu país, a comodidade de dias livres, a vaidade, a se defender contra os que o atacavam. Pois bem, para mim a coisa é óbvia: o Papa é um sujeito apegado à renúncia. E hoje ele volta a demonstrá-lo. Um Papa que renuncia a seu pontificado, quando sabe que a Igreja não está em suas mãos, mas na de algo ou alguém maior, parece-me um Papa sábio. Ninguém é maior que a Igreja. Nem o Papa, nem os seus sacerdotes, nem seus leigos, nem os casos de pederastia, nem os casos de misericórdia. Ninguém é maior do que ela. Porém, ser Papa a esta altura da história, é um ato de heroísmo. Eu me lembro sem dúvida da história do primeiro Papa. Um tal... Pedro. Como foi que morreu? Sim, numa cruz, crucificado como o seu mestre, só que de cabeça para baixo. Nos dias de hoje, Ratzinger se despede da mesma maneira. Crucificado pelos meios de comunicação, crucificado pela opinião pública e crucificado por seus próprios irmãos católicos. Crucificado à sombra de alguém mais carismático. Crucificado na humildade, essa que custa tanto entender. É um mártir contemporâneo, destes a respeito dos quais inventam histórias, destes que são caluniados, destes que são acusados, e não respondem. E quando responde, a única coisa que fazem é pedir perdão. "Peço perdão por minhas faltas". Nem mais, nem menos. Que coragem, que ser humano especial. Vivo num mundo onde a hipocrisia alimenta as almas de todos nós. Onde podemos julgar um sujeito que, com 85 anos, quer o melhor para a Instituição que representa. Nós, porém, vamos com tudo contra ele porque, "com que direito ele renuncia?" Claro, porque no mundo ninguém renuncia a nada. Como se ninguém tivesse preguiça de ir à escola. Como se ninguém tivesse preguiça de trabalhar. Como se vivesse num mundo em que todos os senhores de 85 anos estivessem ativos e trabalhando e ajudando a multidões. Pois é. Pois agora eu sei, senhor Ratzinger, que vivo em um mundo que irá achá-lo muito estranho. Num mundo que não leu seus livros, nem suas encíclicas, porém que daqui a 50 anos ainda irá recordar como, com um gesto simples de humildade, um homem foi Papa e, quando viu que havia algo melhor, decidiu afastar-se por amor à Igreja. Morra então tranqüilo, senhor Ratzinger. Sem homenagens pomposas, sem corpo exibido em São Pedro, sem milhares chorando e esperando que a luz de seu quarto seja apagada. Morra então como viveu, embora fosse Papa: humilde. Bento XVI, muito obrigado por suas renúncias.”

Finalizo este artigo com a mensagem de humildade, fé e esperança que Bento XVI nos deixou:

“Caros irmãos, agradeço sinceramente por todo o amor e trabalho com que vocês me apoiaram em meu ministério, e peço perdão por todos os meus defeitos. E agora, vamos confiar a Sagrada Igreja aos cuidados de nosso Supremo Pastor, Nosso Senhor Jesus Cristo, e implorar a sua santa mãe Maria para que ajude os cardeais com sua solicitude maternal, para eleger um novo Sumo Pontífice. Em relação a mim, desejo também devotamente servir a Santa Igreja de Deus no futuro, através de uma vida dedicada à oração.”

Vaticano, 10 de fevereiro de 2013. BENEDICTUS PP. XVI"

Uma boa e reflexiva semana para todos nós com esta oportuna reflexão na Quaresma, com relação aos nossos julgamentos.

Com afeto,

Beth Landim

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Sobre o autor

Elizabeth Landim

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