Saber ouvir... uma arte...
01/11/2019 | 19h33
Conta a história que um casal tomava café da manhã no dia de suas bodas de prata. A mulher passou a manteiga na casca do pão e o entregou para o marido, ficando com o miolo. Ela pensou: “Sempre quis comer a melhor parte do pão, mas amo demais o meu marido e, por 25 anos, sempre lhe dei o miolo. Mas hoje quis satisfazer meu desejo. Acho justo que eu coma o miolo pelo menos uma vez na vida”.
Para sua surpresa, o rosto do marido abriu-se num sorriso sem fim e ele lhe disse: - Muito obrigado por este presente, meu amor. Durante 25 anos, sempre desejei comer a casca do pão, mas como você sempre gostou tanto dela, jamais ousei pedir!
Você precisa dizer claramente o que deseja, não espere que o outro adivinhe... Você pode pensar que está fazendo o melhor para o outro, mas o outro pode estar esperando outra coisa de você... Deixe-o falar, peça-lhe para falar e quando não entender, não traduza sozinho. Peça que ele se explique melhor. Desta forma, em nossos relacionamentos, homem/mulher, entre pais e filhos, entre amigos, entre colegas de trabalho, devemos ter em mente que a liberdade de pensamento e a liberdade de expressão são duas invioláveis direitos inerentes ao ser humano. Invioláveis porque são direitos naturais. Mas o exercício do pensar e do expressar estão, ontologicamente, dentro de uma outra lógica: a arte de saber ouvir. Essa arte de ouvir é difícil, especialmente quando a pessoa perdeu o contato com o silêncio de seu coração e, de outro lado, sempre se considera cheia de razão. E, por isso, só tem valor o que pensa e o que lhe interessa. Menospreza e desvaloriza outros pensarem, ainda que cheios de virtudes.
Isso é catastrófico ao homem e às suas relações interpessoais. E por quê? Porque não o deixa ouvir o conteúdo real das palavras, não o deixa pensar com a pureza do silêncio e, por isso, perde o sentido da arte de saber ouvir. O não saber ouvir leva ao desastre de não saber pensar e ao melancólico resultado de não saber se expressar. Acaba não havendo comunicação interativa. E as conseqüências disso, regra geral, são as incompreensões, são as desavenças e o afastamento do outro. Isso que isola o homem de si mesmo e dos outros.A arte de ouvir não se confunde com o mero escutar. Quem sabe ouvir tem sempre o espírito aberto ao seu próprio silêncio. E à voz do outro. Ou seja, pacientemente ouve o outro como ouve o seu próprio coração. A arte de saber ouvir é, antes de tudo, o respeito ao pensamento e à expressão do outro, ainda que não comungue com aquele pensar.
Eis, precisamente, a questão para a qual o evangelista Tiago chamava a atenção: “(…) todo homem deve estar pronto para ouvir, ser tardio para falar e tardio para se irar”. O evangelista Tiago deixou um legado para a humanidade: a capacidade de ouvir e como natural resultado, promover a comunicação através dela, promover o reencontro com o silêncio do próprio coração.
A arte de saber ouvir é, pois, uma virtude. Exercitá-la é um gesto de coragem que deve ser cultivado diariamente. Disso resultará o verdadeiro princípio da liberdade de pensamento e da liberdade de expressão, pois esses princípios são caros à tolerância das idéias contrárias e caras ao cultivo do respeito à dignidade humana.
A arte de ouvir exercita a virtude da tolerância – virtude que revela outra virtude: a sabedoria, bem vivida por muitos homens sábios e tão bem como expressada pela cultura árabe: “se o que você vai dizer não é mais belo que o silêncio, não diga”, Ou como disse o escritor Rubens Alves: “Somente sabem falar os que sabem fazer silêncio e ouvir”. “É no vazio da jarra” – ensina a filosofia oriental – “que se colocam as flores”. Assim posso concluir: ouvir o silêncio não é ouvir o nada. Nem ficar tateando no vazio. É ouvir e entender o conteúdo real por trás da palavra, na voz ou na escrita do outro, com a mesma intensidade sincera que se ouve o próprio coração. E, então, começaremos a entender o significado dos princípios ao respeitoso exercício da liberdade de pensamento e da liberdade de expressão – filhos naturais da arte de saber ouvir, e, essa mãe da tolerância, a virtude que precisa ser mais exercitada.E como nos diz Fernando Pessoa... “Às vezes ouço passar o vento... e só de ouvir o vento passar, vale a pena ter nascido...”.
As relações humanas seriam melhores se entendêssemos isso!!!
Com afeto,
Beth Landim
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Centro de Gravidade...
01/11/2019 | 19h31
 “A vida é difícil para todos nós. Saber disso nos ajuda porque nos poupa da autopiedade. Ter pena de si mesmo é uma viagem que não leva a lugar nenhum. A autopiedade, para ser justificada, nos toma um tempo enorme na construção de argumentos e motivos para nos entristecermos com uma coisa absolutamente natural: nossas dificuldades. Não vale a pena perder tempo se queixando dos obstáculos que têm de ser superados para sobreviver e para crescer. É melhor ter pena dos outros e tentar ajudar os que estão perto de você e precisam de uma mão amiga, de um sorriso de encorajamento, de um abraço de conforto. Use sempre suas melhores qualidades para resolver problemas, que são: capacidade de amar, de tolerar e de rir. Muitas pessoas vivem a se queixar de suas condições desfavoráveis, culpando as circunstâncias por suas dificuldades ou fracassos. As pessoas que se dão bem no mundo são aquelas que saem em busca de condições favoráveis e, se não as encontram se esforçam por criá-las. Enquanto você acreditar que a vida é um jogo de sorte vai perder sempre. A questão não é receber boas cartas, mas usar bem as que lhe foram dadas.” Dr.Luiz Alberto Py
Repensando a nossa vida, as cartas que recebemos até agora, voltamos no tempo e nos permitimos pensar... Qual foi a última vez que você riu com uma amiga até sua barriga doer, ou deixou as crianças com uma babá e passou o fim-de-semana todo inteiro fora? Falando de forma mais específica, se sua vida acabasse amanhã , o que você se arrependeria de não ter feito? Se hoje fosse o seu último dia de vida, você o passaria como está passando agora?
Um vez vi um cartaz que me chamou a atenção. Dizia: “Aquele que morre com mais brinquedos que os outros já está morto do mesmo jeito.” Qualquer um que já está perto da morte poderá lhe dizer que, no fim da vida, você provavelmente não ficará pensando nas horas extras que fez no trabalho, ou em quanto você possui no seu fundo de investimento. O que estará na sua cabeça serão perguntas do tipo “o que teria acontecido se...”, como Que tipo de pessoa eu teria me tornado se enfim tivesse me dedicado às coisas que sempre quis fazer?
O maior benefício de decidir encarar a sua mortalidade sem medo está em reconhecer que, como vai morrer, você precisa viver o agora. O fracasso ou o sucesso está sempre em suas mãos – é você quem tem a maior influência sobre a sua própria vida.
Sua jornada começa com a decisão de se levantar, sair e viver plenamente. Todo desafio que assumimos tem o poder de nos derrubar. Mas o que é ainda mais desconcertante do que o golpe em si é nosso medo de não conseguir suportá-lo. Quando sentimos o chão tremer sob os nossos pés entramos em pânico. Esquecemos tudo o que sabemos e nos deixamos paralisar de medo. A simples idéia do que pode acontecer basta para nos desestabilizar.
O que eu sei de verdade é que a única maneira de superarmos o terremoto é nos prepararmos melhor para ele. Os tremores do dia a dia são inevitáveis. Eles fazem parte de estar vivo. Mas acredito que essas experiências são presentes que nos obrigam a dar um passo à direita ou à esquerda em busca de um novo centro da gravidade. Não tente lutar contra elas. Deixe que elas o ajudem a se equilibrar melhor.
O equilíbrio só existe no presente. Quando sentir a terra sacudir, obrigue-se a voltar para o agora. Você lidará com qualquer tremor que o próximo momento trouxer quando estiver nele. Agora você ainda está respirando. Agora você sobreviveu. Agora você está encontrando uma maneira de ir além.
Como nos diz Mário Quintana... “No dia em que estiveres muito cheio de incomodações imagina que morreste anteontem... Confessa: Tudo aquilo teria tanta importância?”.
Viva intensamente o momento precioso que é o seu AGORA e lembre-se que devemos sempre REcomeçar... REdescobrir, RElembrar, REpaginar, REver, REpensar... enfim nos REinventar a cada ano, a cada dia... e buscar nosso centro de gravidade, que, com certeza, muda de lugar como as ondas do mar, que vão e vem, mas continuam a molhar a areia...
E hoje, dia de Nossa Senhora, nossa Mãe, vamos agradecer e pedir que ela cuide de nós, sempre!
Com afeto,
Beth Landim
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Sobre o autor

Elizabeth Landim

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