Travessia...
31/10/2017 | 12h12
 
Um dia todo mundo tem que atravessar seus desertos. Momentos onde a solidão se faz tão presente que parece ter um corpo. A dor faz o tempo ficar lento, demorado, e tudo parece parar. É neste momento que o ser humano descobre o que são fardos, os fortes encontram a escada que os fará subir, os fracos se perdem em lamentações, saem buscando os culpados…
Aí está a diferença entre passar pelo deserto e o permanecer nele. Os que resistem, os que persistem, racionam a água, caminham um pouco mais, dão um passo além das forças.
Os que desanimam, bebem toda a água do cantil, esperam pelo milagre que não virá, pois todo milagre é fruto de uma ação positiva, de fé. Se hoje você está atravessando o seu deserto, seja ele o mais seco do mundo, não importa, em algum canto dele, você encontrará um oásis.
Na nossa vida, oásis são os amigos que não nos abandonam, são aquelas pessoas desconhecidas que se preocupam com o próximo, é a fé que todos nós temos e renova a esperança. Mantenha a racionalidade e uma certeza: você vai atravessá-lo! Não desista de nada, não desista de você! A poeira vai abaixar, a tempestade vai passar, e depois de tudo, o sol vai brilhar por você. A esperança é essa brisa que sopra seus cabelos, e a força que nos empurra para a vitória, é o amor de Deus que nunca nos abandona. Procure por Ele. Converse com Ele. Mesmo que você às vezes não O escute, Ele te escuta sempre!
Lembre-se: cultive o silêncio, pois muitas vezes o silêncio é o som mais doce para o momento que atravessamos.
O silêncio mantém os segredos, portanto, o som mais precioso é o som do silêncio. É como se fosse uma canção da alma. Alguns escutam o silêncio na oração, outros cantam a oração.
Ouvir nosso coração é o primeiro passo para o equilíbrio. Não podemos reprimir nossos sentimentos todo o tempo, temos que começar por entendê-los.
Mas às vezes, o equilíbrio precisa de um empurrão, ou de um desequilíbrio para acordarmos e ver o quanto somos felizes, e que se não temos tudo, temos muito!
Saber ouvir a canção da alma nos fortalece para encarar as adversidades como também as alegrias.
Diz um ditado que nunca devemos tomar uma decisão quando sofremos uma grande decepção ou uma grande alegria, pois tanto a euforia quanto a tristeza nos tiram de nosso equilíbrio. Por isso, para atravessarmos o deserto precisamos tanto de EQUILÍBRIO.
Conta-nos a lenda que a águia empurra gentilmente seus filhotes para a beirada do ninho. Seu coração maternal se acelera com as emoções conflitantes, ao mesmo tempo em que ela sente a resistência dos filhotes aos seus persistentes cutucões: “Por que a emoção de voar tem que começar com o medo de cair?”, ela pensou. Esta questão secular ainda não estava respondida para ela.... Como manda a tradição da espécie, o ninho estava localizado bem no alto de um pico rochoso, nas fendas protetoras de um dos lados da rocha. Abaixo dele, somente o abismo e o ar para sustentar as asas dos filhotes. “E se justamente agora isto não funcionar?”, ela pensou. Apesar do medo, a águia sabia que aquele era o momento. Sua missão maternal estava prestes a se completar. Restava ainda uma tarefa final.... o empurrão. A águia tomou-se da coragem que vinha de sua sabedoria interior. Enquanto os filhotes não descobrirem suas asas, não haverá propósito para sua vida. Enquanto eles não aprenderem a voar, não compreenderão o privilégio que é nascer uma águia. O empurrão era o maior presente que ela podia oferecer-lhes. Era seu supremo ato de amor. E então, um a um, ela os precipitou para o abismo... e eles voaram!
Às vezes, na nossa vida, as circunstâncias fazem o papel da águia. São elas que nos empurram para o abismo. E, quem sabe, não são elas, as próprias circunstâncias, que nos fazem descobrir que temos asas para voar. Pense sobre isto, atravesse seus desertos, pois TUDO PASSA! Só os sentimentos sinceros ficam!
Neste momento de recomeçar temos que nos munir de toda a bagagem que já temos dentro de nós e sermos capazes de sentir que nada nesta vida é em vão. As nossas dores, as nossas lutas, as nossas alegrias, as nossas esperanças, os nossos sentimentos, os dons que recebemos ao começar esta jornada... toda a nossa essência divina que Ele nos confiou, desabotoa em nós em forma de muita luz e sustentação, suavizando o nosso fardo e nos tornando fortes e capacitados para todas as batalhas do caminho. Não somos seres humanos passando por uma experiência divina, somos seres divinos passando por uma experiência humana.
É como nos diz Fernando Sabino: De tudo ficaram três coisas... A certeza de que estamos começando... A certeza de que é preciso continuar... A certeza de que podemos ser interrompidos antes de terminar... Façamos da interrupção um caminho novo... Da queda, um passo de dança... Do medo, uma escada... Do sonho, uma ponte... Da procura, um encontro! Então ..... voe!!!
Com afeto,
Beth Landim
Comentar
Compartilhe
Relacionamentos...
26/10/2017 | 12h17
 
Muitos de nós nos perguntamos qual é a receita para construir relacionamentos duradouros. As experiências nos mostram que não há uma receita pronta a ser seguida. Mas então, qual é o segredo?
Outro dia encontrei um texto belíssimo que nos revela esse segredo e gostaria muito de partilhar com vocês meus leitores...
Conta uma lenda dos índios sioux que, certa vez, Touro Bravo e Nuvem Azul chegaram de mãos dadas à tenda do velho feiticeiro da tribo e pediram:
- Nós nos amamos e vamos nos casar. Mas nos amamos tanto que queremos um conselho que nos garanta ficar sempre juntos, que nos assegure estar um ao lado do outro até a morte. Há algo que possamos fazer?
E o velho Pajé emocionado ao vê-los tão jovens, tão apaixonados e tão ansiosos por uma palavra, disse:
- Há o que possa ser feito, ainda que sejam tarefas muito difíceis. Tu, Nuvem Azul, deves escalar o monte ao norte da aldeia apenas com uma rede, caçar o falcão mais vigoroso e trazê-lo aqui, com vida, até o terceiro dia depois da lua cheia. E tu, Touro Bravo, deves escalar a montanha do trono; lá em cima, encontrarás a mais brava de todas as águias. Somente com uma rede deverás apanhá-la, trazendo-a para mim viva! Os jovens se abraçaram com ternura e logo partiram para cumprir a missão.
No dia estabelecido, na frente da tenda do feiticeiro, os dois esperavam com as aves. O velho tirou-as dos sacos e constatou que eram verdadeiramente formosos exemplares dos animais que ele tinha pedido.
- E agora, o que faremos? Os jovens perguntaram.- Peguem as aves e amarrem uma à outra pelos pés com essas fitas de couro. Quando estiverem amarradas, soltem-nas para que voem livres. Eles fizeram o que lhes foi ordenado e soltaram os pássaros.A águia e o falcão tentaram voar, mas conseguiram apenas saltar pelo terreno. Minutos depois, irritadas pela impossibilidade do vôo, as aves arremessaram-se uma contra a outra, bicando-se até se machucar.
Então o velho disse: - Jamais esqueçam do que estão vendo, esse é o meu conselho. Vocês são como a águia e o falcão. Se estiverem amarrados um ao outro, ainda que por amor, não só viverão arrastando-se, como também, cedo ou tarde, começarão a machucar um ao outro. Se quiserem que o amor entre vocês perdure, voem juntos, mas jamais amarrados. Libere a pessoa que você ama para que ela possa voar com as próprias asas. Essa é uma verdade no casamento e também nas relações familiares, de amizade e profissionais. Respeite o direito das pessoas de voar rumo ao sonho delas.
A lição principal é saber que somente livres as pessoas são capazes de amar.
Assim podemos constatar que não há uma fórmula especial para relacionamentos duradouros, o que é essencial é transformar as pequenas coisas cotidianas em grandes coisas. É jamais se achar muito velho para dar-se as mãos. É lembrar de dizer "te amo", pelo menos uma vez ao dia. É nunca ir dormir zangado. É ter valores e objetivos comuns. É estar unidos ao enfrentar o mundo. É formar um círculo de amor que una toda a família. É proferir elogios e ter capacidade para perdoar e esquecer. É proporcionar uma atmosfera onde cada qual possa crescer na busca recíproca do bem e do belo.
É não só casar-se com a pessoa certa, mas ser o companheiro perfeito. E para ser o companheiro perfeito é preciso ter bom humor e otimismo. Ser natural e saber agir com tato. É saber escutar com atenção, sem interromper a cada instante. É mostrar admiração e confiança, interessando-se pelos problemas e atividades do outro. Perguntar o que o atormenta, o que o deixa feliz, por que está aborrecido. É ser discreto, sabendo o momento de deixar o companheiro a sós para que coloque em ordem seus pensamentos. É distribuir carinho e compreensão, combinando amor e poesia, sem esquecer galanteios e cortesia.
É ter sabedoria para repetir os momentos do namoro. Aqueles momentos mágicos em que a orquestra do mundo parecia tocar somente para os dois. É ser o apoio diante dos demais. É ter cuidado no linguajar, é ser firme, leal. É ter atenção além do trivial e conseguir descobrir quando um se tiver esmerado na apresentação para o outro. É saber dar atenção para a família do outro, pois, ao se unir o casal, as duas famílias formam uma unidade. É cultivar o desejo constante de superação. É responder dignamente e de forma justa por todos os atos. É ser grato por tudo o que um significa na vida do outro.
O amor real, por manter as suas raízes no equilíbrio, vai se firmando dia a dia, através da convivência estreita. O amor, nascido de uma vivência progressiva e madura, não tende a acabar, mas amplia-se, uma vez que os envolvidos passam a conhecer vícios e virtudes, manias e costumes de um e de outro. O equilíbrio do amor promove a prática da justiça e da bondade, da cooperação e do senso de dever, da afetividade e advertência amadurecida. O segredo dos relacionamentos está em regá-lo todos os dias, com liberdade...
Pense nisso! 
Com afeto,
Beth Landim
Comentar
Compartilhe
300 Anos de Bênçãos...
17/10/2017 | 12h41
 
Nossa Senhora Aparecida
Nossa Senhora Aparecida / Google
 
 
 
 
 
 
 
 
 
“Senhora Aparecida, Mãe Padroeira, em vossa singela imagem, há 300 anos aparecestes nas redes dos três benditos pescadores no Rio Paraíba do Sul. Como sinal vindo do céu, em vossa cor, vós nos dizeis que para o Pai não existem escravos, apenas filhos muito amados. Diante de vós, embaixadora de Deus, rompem-se as correntes da escravidão! Assim, daquelas redes, passastes para o coração e a vida de milhões de outros filhos e filhas vossos. Para todos tendes sido bênção: peixes em abundância, famílias recuperadas, saúde alcançada, corações reconciliados, vida cristã reassumida. Nós vos agradecemos tanto carinho, tanto cuidado! Hoje nós vos acolhemos como Mãe, e de vossas mãos recebemos o fruto de vossa missão entre nós: o vosso Filho Jesus. Recordai-nos o poder, a força das mãos postas em prece! Amém!”
Nesta semana em que a Igreja Católica comemora os 300 anos do aparecimento da imagem de Nossa Senhora Aparecida a três pescadores em São Paulo, a história se repete, mas no Rio Grande do Sul. Outra imagem da santa foi encontrada, também por três homens que pescavam. O fato ocorreu em São Domingos do Sul, cidade gaúcha situada na Região Norte do estado. Era para ser só mais um dia que os amigos se encontravam para pescar. Em um pequeno barco, eles entraram no Rio São Domingos em busca de peixes. “Nós fomos pescar em outro lugar, e não pegamos nada. Aí eu disse: “Vamos lá embaixo”, que há 50 anos eu pescava com meu pai e nós pegávamos peixes”, lembra um dos pescadores, José Castelani. Depois de lançar a rede várias vezes no rio sem capturar um só peixe, eles decidiram repetir o processo pela última vez. E foi aí que tiveram a surpresa: a rede veio cheia de peixes e junto deles a pequena imagem de Nossa Senhora Aparecida. “O que chamou a atenção é que no momento que eu estava recolhendo a rede, eu vi um negocinho vermelho. Disse para o meu colega: “Olha uma coisinha vermelha embaixo da rede, o que será que é?”. Fui puxando, puxando e vi imagem de Nossa Senhora Aparecida”, descreve Olvide Bassani, outro pescador. Os amigos, que são devotos da santa, quase não acreditaram no que viram. “Foi de arrepiar. Uma única rede cheia de peixe e encontrar uma imagem de Nossa Senhora, é muito gratificante”, diz Diego Klaus, o terceiro pescador.
Que possamos renovar a nossa fé nos sinais que recebemos de Nossa Senhora Aparecida em seus 300 anos.
Esta semana foi rica em comemorações... datas que uníssonas significam o futuro e a história de um povo... interligadas pela vida, que se traduzem em liberdade, autonomia, conhecimento e plenitude espiritual...
Comemoramos a criança, que em sua pureza, singeleza, sinceridade e transparência de sentimentos, nos ensina que a vida é rica e simples! As crianças não discriminam, não separam, não julgam, pelo contrário, agregam e se solidarizam, encontram na simplicidade respostas e pontes que tornam o caminho mais acessível. O sorriso da criança, sua entrega, seus sonhos, são tão reais e palpáveis que nos trazem fé na vida!
A pureza se mistura à fé, e então, reflito sobre o dia de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, que comemoramos no mesmo Dia da Criança... Nossa Senhora nos traz humildade, a confiança irrestrita em seu filho Jesus, a mulher que agregou os apóstolos para vivermos uma fé viva em Jesus de Nazaré!
Que possamos sempre enxergar com olhos de pureza, sinceridade, simplicidade e solidariedade... os sinais do mundo, percebendo a importância da fé, de professar o conhecimento e de agirmos com a liberdade de uma criança que busca sempre uma convivência sincera e um mundo pacífico, que tenha as cores do arco íris, refletida em cada um de nós. É como nos diz o Papa Francisco... “As crianças são um sinal de esperança, sinal de vida, mas também sinal de "diagnóstico" para compreender o estado de saúde duma família, duma sociedade do mundo inteiro. Quando as crianças são acolhidas, amadas, protegidas, tuteladas, a família é sadia, a sociedade melhora, o mundo é mais humano”.
Comemoramos amanhã o Dia do Professor... Falar da docência é falar das várias profissões que transpõem e se sobrepõem a esta. Enquanto professores, somos mágicos, ao fazermos malabares com diversas situações que atingem nossa imagem e a vida pessoal. Somos atores, somos atrizes, que interpretam a vida como ela é, sentimos e transmitimos emoções ao conviver com tantas performances. Somos médicos, ao receber crianças adoentadas pela miséria, pela falta de tempo da família, pela carência de tempo de viver a própria infância. Somos psicólogos, ao ouvir as lamentações advindas de uma realidade dura, que quase sempre nos impede de agir diante do pouco a se fazer. Somos faxineiros, ao tentarmos lavar a alma dos pequenos, das mazelas que machucam estes seres tão frágeis e tão heroicos ao mesmo tempo. Somos arquitetos, ao tentarmos construir conhecimentos, que nem sabemos se precisos, que nem sabemos se adequados. Ao parar e pensar, talvez seja possível encontrar, em cada profissão existente, um traço de nós professores. Por isso, apesar de sermos muitos... somos um só... múltiplos na unidade e únicos na multiplicidade... somos professores... educadores que professam sua fé no Humano.
Que fique conosco a composição do Padre Zezinho para os 300 anos de bênçãos: “... Nestas colinas de Aparecida, solidários no sacrário, missionários queremos ser, pequenina, restaurada a sua Imagem nos ensinou a ser um povo que não sabe esmorecer e se acaso for ferido, oprimido e esmagado, esquecido e machucado, outra vez reencontrado, nosso povo saberá renascer...”
Com afeto,
Beth Landim
Comentar
Compartilhe
Sobre o autor

Elizabeth Landim

[email protected]