Os sete sapatos sujos...
29/05/2015 | 22h14

Hoje divido com vocês trechos do escritor moçambicano Mia Couto, que compartilha as suas impressões acerca do futuro da África e do mundo, destacando que mais do que gente preparada para dar respostas, necessitamos de capacidade para fazer perguntas... “Não podemos entrar na modernidade com o atual fardo de preconceitos. À porta da modernidade precisamos de nos descalçar. Eu contei sete sapatos sujos que necessitamos deixar na soleira da porta dos tempos novos. Haverá muitos. Mas eu tinha que escolher e sete é um número mágico.

O primeiro sapato é a idéia que os culpados são sempre os outros e nós somos sempre vítimas.

Nós já conhecemos este discurso. A culpa já foi da guerra, do colonialismo, do imperialismo, do apartheid, enfim, de tudo e de todos. Menos nossa. É verdade que os outros tiveram a sua dose de culpa no nosso sofrimento. Mas parte da responsabilidade sempre morou dentro de casa. Estamos sendo vítimas de um longo processo de desresponsabilização. Esta lavagem de mãos tem sido estimulada por algumas elites africanas que querem permanecer na impunidade. Os culpados: são os outros, os da outra etnia, os da outra raça, os da outra geografia. Estou completamente cansado de pessoas que só pensam numa coisa: queixar-se e lamentar-se num ritual em que nos fabricamos mentalmente como vítimas. Choramos e lamentamos, lamentamos e choramos. Queixamo-nos até à náusea sobre o que os outros nos fizeram e continuam a fazer. E pensamos que o mundo nos deve qualquer coisa. Lamento dizer-vos que isto não passa de uma ilusão. Ninguém nos deve nada. A desresponsabilização é um dos estigmas mais graves que pesa sobre nós.

O segundo sapato é a idéia de que o sucesso não nasce do trabalho. 

Ainda hoje despertei com a notícia que refere que um presidente africano vai mandar exorcizar o seu palácio de 300 quartos porque ele escuta ruídos “estranhos” durante a noite. O palácio é tão desproporcionado para a riqueza do país que demorou 20 anos a ser terminado. As insônias do presidente poderão nascer não de maus espíritos, mas de uma certa má consciência. Nunca ou quase nunca se vê o êxito como resultado do esforço, do trabalho como um investimento a longo prazo. As causas do que nos sucede (de bom ou mau) são atribuídas a forças invisíveis que comandam o destino.

O terceiro sapato é o preconceito de quem critica é um inimigo.

Muitos acreditam que, com o fim do mono partidarismo, terminaria a intolerância para com os que pensavam diferente. Mas a intolerância não é apenas fruto de regimes. É fruto de culturas, é o resultado da História. Muito do debate de idéias é, assim, substituído pela agressão pessoal. Basta diabolizar quem pensa de modo diverso. Existe uma variedade de demônios à disposição: uma cor política, uma cor de alma, uma cor de pele, uma origem social ou religiosa diversa.

O quarto sapato é a idéia que mudar as palavras muda a realidade.

Uma vez em Nova Iorque um compatriota nosso fazia uma exposição sobre a situação da nossa economia e, a certo momento, falou de mercado negro. Foi o fim do mundo. Vozes indignadas de protesto se ergueram e o meu pobre amigo teve que interromper sem entender bem o que estava a se passar. No dia seguinte recebíamos uma espécie de pequeno dicionário dos termos politicamente incorretos. Estavam banidos da língua termos como cego, surdo, gordo, magro, etc… Nós fomos a reboque destas preocupações de ordem cosmética. Estamos reproduzindo um discurso que privilegia o superficial e que sugere que, mudando a cobertura, o bolo passa a ser comestível. Hoje assistimos, por exemplo, a hesitações sobre se devemos dizer “negro” ou “preto”. Como se o problema estivesse nas palavras, em si mesmas. O curioso é que, enquanto nos entretemos com essa escolha, vamos mantendo designações que são realmente pejorativas.

O quinto sapato é a vergonha de ser pobre e o culto das aparências.

A pressa em mostrar que não se é pobre é, em si mesma, um atestado de pobreza. A nossa pobreza não pode ser motivo de ocultação. Quem deve sentir vergonha não é o pobre, mas quem cria pobreza. Vivemos hoje uma atabalhoada preocupação em exibirmos falsos sinais de riqueza. Criou-se a idéia que o estatuto do cidadão nasce dos sinais que o diferenciam dos mais pobres. É triste que o horizonte de ambições seja tão vazio e se reduza ao brilho de uma marca de automóvel entre outras coisas... É urgente que as nossas escolas exaltem a humildade e a simplicidade como valores positivos. A arrogância e o exibicionismo não são, como se pretende, emanações de alguma essência da cultura africana do poder. São emanações de quem toma a embalagem pelo conteúdo.

O sexto sapato é a passividade perante a injustiça.

Estarmos dispostos a denunciar injustiças quando são cometidas contra a nossa pessoa, o nosso grupo, a nossa etnia, a nossa religião. Estamos menos dispostos quando a injustiça é praticada contra os outros. Persistem em Moçambique zonas silenciosas de injustiça, áreas onde o crime permanece invisível. Refiro-me em particular à  violência domestica.

O sétimo sapato é a idéia de que para sermos modernos temos que imitar os outros.

Todos os dias recebemos estranhas visitas em nossa casa. Entram por uma caixa mágica chamada televisão. Criam uma relação de virtual familiaridade. O resultado é que a produção cultural nossa se está convertendo na reprodução macaqueada da cultura dos outros. O futuro da nossa música poderá ser uma espécie de hip-hop tropical, o destino da nossa culinária poderá ser o Mac Donald’s. Falamos da erosão dos solos, da deflorestação, mas a erosão das nossas culturas é ainda mais preocupante. Temos que gostar de nós mesmos, temos que acreditar nas nossas capacidades. Mas esse apelo ao amor-próprio não pode ser fundado numa vaidade vazia, numa espécie de narcisismo fútil e sem fundamento. A razão dos nossos atuais e futuros fracassos mora também dentro de nós. Mas a força de superarmos a nossa condição histórica também reside dentro de nós. Saberemos, como já soubemos antes conquistar certezas, que somos produtores do nosso destino.”

 O texto de Mia parece que foi escrito para nós... fica então a reflexão... tirarmos os sapatos sujos... e se possível calçarmos as sandálias da humildade e do trabalho...

Com afeto,

Beth Landim

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De 1925 a 2015... Somos filhos de sonhadores...
26/05/2015 | 10h47

B1Eu quando entrei no "Auxiliadora"

Cheguei a esta casa pelas mãos de minha mãe e de meu pai... E de mãos dadas com eles dei meus primeiros passos nos enormes e acolhedores corredores desta Casa Salesiana. E por onde passei, passaram e passam milhares de jovens, crianças, adultos, homens e mulheres, doutores, professores, médicos, engenheiros, profissionais brilhantes, mas acima de tudo e principalmente, comprometidos com a humanidade e a espiritualidade do mundo. Sim, sempre chegávamos ao portão sendo acolhidos por uma irmã, até os dias de hoje...

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Como não lembrar da nossa saudosa gruta, que em todos os recreios era nossa cúmplice nos “segredos” escutados e divididos, na capela que era nosso refúgio para agradecer e pedir, no Ginásio de Esportes – capítulo a parte em minha vida – tive a oportunidade de inaugurá-lo como atleta de vôlei da escola e ganharmos do time adversário, numa partida disputadíssima! A inauguração do Parque Aquático quando a maioria das escolas em Campos não tinham nem piscina! Do nosso Teatro... quantas peças encenadas, me lembro de cada uma delas...

B3Participando da festa junina ...

Passei 48 anos, sendo 35 de trabalho, dos 90 que o Auxiliadora comemora, presenciando sua construção, seu crescimento, sua dedicação aos jovens, ao trabalho, a educação, a abertura do mercado de trabalho em nossa cidade, as lutas e vitórias das irmãs que aqui chegaram em 1925, e das que aqui estão hoje, frutificando este legado. Falar do Auxiliadora é falar da minha vida, sua historia se mistura a minha, ao nascimento das minhas filhas, ao meu crescimento profissional, mas vai anos luz além disso, pois falar do Auxiliadora é refletir esta mesma vivência na vida de milhares de pessoas, que depois de lá terem estudado, “vivido” sua juventude, continuam na família salesiana passando de pai para filho e assim sucessivamente! São 90 anos de pura emoção!!!

B4

Da nossa banda marcial, toquei corneta e depois tarol.

A banda era a sensação e orgulho dos alunos nos desfiles de 7 de setembro! 

B5 B6

Nossas acolhidas pelas irmãs, sempre no início das aulas. A dedicação de cada irmã, de cada professor, de cada funcionário a esta casa, nos são exemplos de família, caráter e fé! Me lembro dos festivais de música e poesia... das nossas Olimpíadas e dos nossos Jogos! Como jogávamos!!! Respirávamos e respiramos o esporte! Me lembro tão bem quanto entrou a primeira turma masculina no colégio. Julião, meu marido, foi um dos primeiros alunos desta turma, quando nos conhecemos nestes corredores. Ah!!! Quantas lembranças... Lembranças da nossa curiosidade em conhecer a clausura... dos nossos retiros tão animados... do hábito das irmãs sempre impecáveis e nada práticos para quem trabalha o dia todo!

Das Novenas e das Festas de Maria que até hoje tocam os nossos corações de forma indescritível! Das missas dominicais que fazem parte da minha rotina de domingo com toda a minha família... Das formaturas dos terceiros anos... quanta choradeira... Impossível não nos lembrar e trazer as nossas mentes as doces memórias guardadas das nossas viagens e excursões... Quantos momentos de alegria partilhada, amigos, risadas, diversões, laços que se criaram que a vida sempre nos trará de volta em seus abraços... rostos que para sempre iremos encontrar e reencontrar... onde quer que estejam no universo... e nos trarão de forma instantânea flashes salesianos de amor e de ternura, de amizades para todo o sempre...

E hoje, transcorridos 90 anos, o Auxiliadora se rejuvenesce cada vez mais! Se torna robusto e sólido no seu conhecimento e competência, alarga suas fronteiras através do ISECENSA, com seus 10 cursos de Graduação, Pós-Graduação, Extensão e Pesquisa. Com o Censatec com os seus 3 cursos técnicos, com a Clínica Escola Maria Auxiliadora de Fisioterapia, com a Clínica Anita Balestieri de Psicologia, com a Clínica Luzia Alves de Carvalho de Psicopedagogia, com o Censanet – provedor de internet, os Projetos Sociais Estrela do Amanhã e Universidade Bairro Tamarindo, que simbolizam a concretude dos nossos valores.

B7

  Hoje olhamos para trás e vemos as pegadas do passado que nos solidificou. Sentimos os frutos de todos que trabalharam e trabalham junto as Irmãs Salesianas, nesta casa de Nossa Senhora Auxiliadora. Aqui reunimos conhecimento, tecnologia, arte, cultura, espiritualidade, esporte, fé e sobretudo humanidade. Esta mística, este sentimento que nos toma a todos... seus ex-alunos, funcionários, professores, pais de alunos... reflete tudo que vivemos nesse lugar de comunhão: Auxiliadora. Parabéns pelos 90 anos de história, de lutas bem vividas, de desafios vencidos, de avanços educacionais, pois nesta casa, sentimos a presença d’Ela... Ela que tudo fez, Auxiliadora... Nossa Mãe... Nossa Rainha...

Filhos do próprio tempo, João Bosco, Mazzarello, as irmãs que aqui chegaram em 1925, as que por aqui passaram e as que aqui estão, souberam ler com inteligência e coração a realidade histórica. Nós educadores salesianos, comprometidos com esta casa e com a educação integral dos nossos alunos, concretizamos em nosso cotidiano, o legado de Valdocco e de Mornese, numa caminhada lado a lado com as irmãs salesianas. Por isso nossa responsabilidade se torna ainda maior, pois levar a frente este legado é a única forma de agradecer. Agradecer a todas as irmãs que por aqui passaram e deixaram suas marcas na dedicação aos jovens de nossa cidade, que nos permitiram sonhar os seus sonhos. Agradecer a essas mulheres que aqui estão e que perfumam as nossas vidas, Irmã Suraya, Irmã Luzia, Irmã Aparecida, Irmã Carmelita, Irmã Giulliana e Irmã Emília,  por terem multiplicado este legado e dedicado a sua vida aos jovens, a esta casa, a este chão que nos é sagrado.

O sonho e concretude de Dom Bosco, que comemora junto com o nosso Auxiliadora o seu bicentenário, neste ano de 2015... Ambos marcados pelo mesmo relógio do sol que fez a primeira saudação a Dom Bosco quando adentrou no Seminário, lá pelos idos de 1834, onde se lia na parede do relógio... “Para os tristes lentas, velozes para os alegres (passam) as horas.”... É o mesmo relógio que faz o compasso do tempo que marca as nossas horas... de 1925 até os nossos dias... efetivamente são essas mesmas horas que passamos nesta Casa de Maria Auxiliadora!

B S

Um reconhecimento especial a Irmã Suraya Chaloub, minha mestra, que guia os meus passos e os passos de todos nesta casa com maestria, nesses mais de 30 anos a frente desta Instituição. Mulher visionária que mantém vivo em todos nós o espírito de Mornese, nos convidando a cada dia a continuar a escrever essa história.

Os 90 anos do Auxiliadora não nos pesam! Ao contrario, trazem o frescor da juventude, da descoberta, de estarmos com os tempos... e a certeza de que estaremos sempre juntos a vocês, irmãs salesianas, neste compromisso de levarmos a frente este legado.

Com afeto,

Beth Landim

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Tocando o Céu sem Braços...
20/05/2015 | 20h50
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Jéssica nasceu sem braços, devido a uma rara enfermidade congênita.

Como qualquer criança, não entendia porque  não tinha braços como as demais pessoas.

“Era difícil ser diferente.”

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Sem embargo, tomou parte em diversas atividades como ginástica,

ballet e canto para crianças

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Quando era jovem se enfadava, batendo os pés e gritando em suas birras por não ter braços;

 Não obstante, centrou toda sua energia na prática de esportes.

Para Jéssica, o maior desafio por ter nascido sem braços, mais que a adversidade física,

eram os olhares constantes das pessoas ...

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“Eu me irritava muito quando as pessoas me olhavam

caminhando pela rua ou pela  maneira de comer com os pés.

Porém tinha aprendido a ver o lado positivo dessas situações que me deram a oportunidade

de utilizar esse canal de vibrações positivas e ser um exemplo de otimismo. “

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Seus pais foram seus modelos de conduta e seus pilares de apoio.

"Minha mãe é meu modelo e sempre me diz que posso fazer qualquer coisa a que eu me propor. 

“Meu pai não derramou uma lágrima quando nasci porque não me vê como uma vítima.

É difícil ser pai de um filho incapaz.

Papai foi minha rocha durante os tempos difíceis e é quem formou a pessoa que eu sou atualmente“.

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Quando pela primeira vez aprendeu a dirigir um auto,

foi graças ao uso de modificações especiais. 

Sem embargo, depois de ter aprendido bem, decidiu suprimir as modificações

e agora é titular de uma permissão para dirigir sem restrições.

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Graduada em Psicologia pela Universidade do Arizona,

ainda atrai olhares quando abastece seu carro nas bombas de gasolina.

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Ela pode escrever 25 palavras por minuto,

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secar o cabelo, e maquiar-se normalmente.

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Trocar as lentes de contacto como qualquer outra pessoa.

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Jéssica com 26 anos e 1,55 metros de altura,

é a primeira mulher piloto na historia da aviação que pilota sem braços.

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Esta mulher, inspiradora e heroína para muitos, irradia felicidade e um grande senso de humor;

no Dia  das Mães em maio do ano passado, voou sozinha com um letreiro suspenso que acertadamente dizia:

“Olha mamãe, sem mãos!"

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Até a data, tinha contabilizado aproximadamente 130 horas de vôo sozinha.

E afirma: o medo pode basear-se no desconhecimento.

Quando ainda não voava, me dei conta de que meu temor era porque eu não sabia muito sobre isto.

 “Há um medo universal na gente, é o temor da insuficiência e da falta de fé em nós mesmos" .

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Graças a sua confiança, perseverança, preparação e ambição,

Jéssica tem percorrido um longo caminho para converter-se em quem é hoje em dia.

Além de ser uma oradora motivacional (www.rightfooted.com),

ela também tem sido incentivadora na Rede Internacional de Crianças Amputadas nos últimos cinco anos.

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Jéssica espera casar-se e ter filhos.

"Sei que será difícil ter uma família, mas sei que serei uma boa mãe.”

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E diz entre risos:

difícil vai ser para o pretendente pedir minha “mão” a meus pais.

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“Não tenho braços, mas não é isso que determina até onde eu posso chegar".

"Nosso temor mais profundo não é que sejamos insuficientes, é que sejamos poderosos além da medida".

“o ser humano precisa ter momentos baixos na vida, para sentir, ainda mais fortes, os momentos emocionantes.”

“Quanto maior for a dificuldade, maior será a gloria.”

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E  você, o que te faz falta para “tocar” o céu?

Com afeto,

Beth Landim

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Casa Daros ...
20/05/2015 | 11h22

A cultura reúne nossa história...

Nos traz a preciosidade do passado...

constrói a base do presente e nos remete ao futuro...

Um povo sem história, sem raízes, sem passado...

não terá presente e muito menos futuro...

E a história de um povo está nas artes,que nas suas várias linguagens... arquitetura, escultura, pintura, poesia, cinema, dança,música... não pode morrer.

A casa DAROS, como tantos outros espaços de cultura, não podem fechar...

O artigo de Elio Gaspari, no Globo, levanta muito bem esta questão!!!

Nos mobilizemos !!!!

 

Com afeto,

Beth Landim

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Abraham LincoLn...
19/05/2015 | 11h50

unnamedPara pensarmos e colocarmos em prática ...

Com afeto,

Beth Landim

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Descomplicando... a fila indiana...
18/05/2015 | 21h39

  

Nucci tem uma excelente imagem a respeito do nosso comportamento. Segundo ele, os homens caminham pela face da terra em fila indiana, cada um carregando uma sacola na frente e outra atrás. Na sacola da frente nós colocamos as nossas qualidades. Na sacola de trás, guardamos todos os nossos defeitos. Por isso, durante a jornada pela vida, mantemos os olhos fixos nas virtudes que possuímos presas em nosso peito. Ao mesmo tempo, reparamos impiedosamente nas costas do companheiro que está adiante, em todos os defeitos que ele possui e nos julgamos melhores do que ele, sem perceber que a pessoa andando atrás de nós está pensando a mesma coisa a nosso respeito.

Então, como nos diz o terapeuta Sérgio Savian, se eu tivesse que escolher uma palavra, apenas uma, para ser item obrigatório no nosso vocabulário, esta palavra seria um verbo de quatro sílabas: descomplicar. Já passa da hora de aprendermos a viver com mais leveza: exigir menos dos outros e de nós próprios, cobrar menos, reclamar menos, carregar menos culpa, olhar menos para o espelho.

Descomplicar talvez seja o atalho mais seguro para chegarmos à tão falada qualidade de vida que queremos e merecemos ter. Mas há outras palavras que não podem faltar em nosso kit existencial. Amizade, por exemplo. Acostumados a concentrar nossos sentimentos (e nossa energia...) nas relações amorosas, acabamos deixando os amigos em segundo plano. E nada, mas nada mesmo, faz tão bem para todos nós quanto à convivência com os amigos. Ir ao cinema, sair sem ter hora para voltar, compartilhar uma taça de vinho e repetir as histórias que já nos contamos mil vezes, isso sim, faz bem para a pele. Para a alma, então, nem se fala. Ao menos uma vez por mês, deixe o seu namorado(a) em casa, prometa-se que não vai ligar para ele(a) nem uma vez (desligue o celular, se for preciso) e desfrute os prazeres que só uma boa amizade consegue proporcionar. E já que falamos em desligar o celular, incorpore ao seu vocabulário duas palavras que têm estado ausentes do nosso cotidiano: pausa e silêncio. Aprenda a parar, nem que seja por cinco minutos, três vezes por semana, duas vezes por mês, ou uma vez por dia não importa, e a ficar em silêncio. Essas pausas silenciosas nos permitem refletir, contar até 100 antes de uma decisão importante, entender melhor os próprios sentimentos, reencontrar a serenidade e o equilíbrio quando é preciso. Também abra espaço, no vocabulário e no cotidiano, para o verbo rir. Não há creme antiidade nem botox que salve a expressão de uma pessoa mal-humorada. Azedume e amargura são palavras que devem ser banidas do nosso dia a dia. Preste atenção na conversa de duas crianças, marque um encontro com aquela amiga engraçada, veja um filme de comédia na TV a cabo, faça qualquer coisa, mas ria. O riso nos salva de nós mesma, cura nossas angústias e nos reconcilia com a vida.

Quanto à palavra dieta, cuidado: pessoas que falam em regime o tempo todo costumam ser péssimas companhias. Deixe para discutir carboidratos e afins no banheiro ou no consultório do endocrinologista. Nas mesas de restaurantes, nem pensar. Se for para ficar contando calorias, descrevendo a própria culpa e olhando para a sobremesa do companheiro de mesa com reprovação e inveja, melhor ficar em casa e desfrutar sua salada de alface e seu chá verde sozinha. Uma sugestão? Tente trocar a obsessão pela dieta por outra palavra que, essa sim, deveria guiar nossos atos 24 horas por dia: gentileza. Gentileza gera gentileza... Pois ter classe não é usar roupas de grife: é ser delicada. Saber se comportar é infinitamente mais importante do que saber se vestir. Resgate aquele velho exercício que anda esquecido: aprenda a se colocar no lugar do outro e trate-o como você gostaria de ser tratada, seja no trânsito, na fila do banco, na empresa onde trabalha, em casa, no supermercado, na academia.

E, para encerrar, não deixe de conjugar dois verbos que deveriam ser indissociáveis da vida:

sonhar e recomeçar...

“Sonhe com aquela viagem ao exterior, aquele fim de semana na praia, o curso que você ainda vai fazer, a promoção que vai conquistar um dia, aquele homem que um dia (quem sabe?) ainda vai ser seu, sonhe que está beijando o Richard Gere...”

Sonhar é quase fazer acontecer. Sonhe até que aconteça. E recomece, sempre que for preciso: seja na carreira, na vida amorosa, nos relacionamentos familiares. A vida nos dá um espaço de manobra: use-o para reinventar a si mesmo. E, por último, risque do seu Aurélio a palavra culpa. O dicionário das pessoas interessantes inclui fragilidades, inseguranças, limites. Pare de brigar com você mesmo para se tornar perfeito. Pessoas reais são pessoas imperfeitas. E pessoas que se aceitam como imperfeitas são pessoas livres. Viver não é (e nunca foi) fácil, mas, quando se elimina o excesso de peso da bagagem (e a busca da perfeição pesa toneladas), a tão sonhada felicidade fica muito mais possível.

Descompliquemos... Desarrumemos a fila indiana... Vivamos intensamente a vida!!!

Uma bem humorada e excelente semana para todos nós!!!

Com afeto,

Beth Landim

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Não se admire se um dia...
15/05/2015 | 11h59

[youtube]https://www.youtube.com/watch?v=pL5oixkdt78[/youtube]

Não se admire se um dia... um beija flor invadir a porta da tua casa... te der um beijo e partir...

Foi eu que mandei um beijo pra matar meu desejo... Faz tempo que eu não te vejo... ai que saudade do cê...

Se um dia você se lembrar... escreva uma carta pra mim. Bote logo no correio com frases dizendo assim...

Faz tempo que eu não te vejo, quero matar o meu desejo, te mando um monte de beijo...

Ai que saudade sem fim...

E se quiser recordar aquele nosso namoro Quando eu ia viajar você caia no choro... Eu ia chorando pela estrada mas o que eu posso fazer...

Trabalhar é minha sina... Eu gosto mesmo é de ocê...

 Com afeto,

Beth Landim

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Abrace...
13/05/2015 | 12h19

11139521_10206303149167691_17596999_nMaravilhoso abraço....quando inesperado ...

Insuperável ...

Aproveite todas as oportunidades sempre!!!

Com afeto,

Beth Landim

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As mulheres da minha vida...
10/05/2015 | 18h12

A maternidade chegou pra mim maravilhosamente em dose dupla! Quando recebi Juliana e Rafaela em meus braços, pude sentir o verdadeiro sentimento do Amor, do cuidar, da generosidade, do perfume que traz o aconchego... Três anos depois, com Carolina, vivenciei ainda mais estes sentimentos, pois a experiência nos traz sabedoria do que nos é imprescindível vivenciar... O amor mais puro e sincero, o amor visceral, o amor que um simples olhar, um cheiro, um colo, nos traz uma felicidade indescritível...

Desde então, vivemos todos os momentos intensamente... Desde nossos banhos de mar nas lagoinhas de Chapéu de Sol, em Grussaí, as brincadeiras de subir nas árvores, aos nossos acampamentos de final de semana na fazenda, na barraca de camping, quando ainda não tínhamos nossa casa... a falta de luz que nos presenteava com a linda lua. Nossa barraca era sempre acariciada com a brisa suave que sopra do Rio Paraíba. Com o raiar do sol, a copa das árvores, faziam lindas cortinas para embalar nosso sono ainda cedinho... Nas enchentes de janeiro, me lembro que Julião cavalgava dentro do Rio, e as meninas segurando pelo rabo do cavalo, brincavam como se fosse um jet ski... Me lembro tanto de nossas cavalgadas noturnas, nossos piqueniques que depois de uma tarde à cavalo, nos sentávamos para saborear... Das nossas viagens sempre juntos, e todas as perguntas vindo à tona... da bagunça na viagem, na praia, no campo... estarmos juntos é sempre a maior e melhor festa... Me lembro ainda de vocês me acompanhando no esporte, dando os seus primeiro passos no vôlei e no handebol... Nossos passeios de barco e sempre mais um piquenique... Nos estudos, vocês sempre se superavam e me surpreendiam... Hoje, jovens mulheres, cada uma seguindo sua profissão, com dedicação e determinação. Olho para trás e sinto a verdadeira alegria de Ser Mãe... e quando olho pra frente vejo que vocês serão mães maravilhosas, porque tem coração puro, valores, amor incondicional a mim, à nossa família... trazem consigo a atenciosidade e o cuidado do bem querer... nos entendemos num simples olhar... Nem sempre pensamos igualmente... porém, pensamos sempre na mesma direção... no amor que nos une... Por isso, hoje quero agradecer a vocês: Juliana, Rafaela e Carolina, pelas filhas maravilhosas que me oportunizaram crescer como Mãe! Aprender com vocês, sentir o amor de vocês é um bálsamo e uma infinita alegria... Me orgulho e admiro imensamente cada uma...

E então, vou lá atrás e trago a lembrança de uma mulher maravilhosa que eu tento passar para minhas filhas, uma mulher que mesmo distante de meu olhar físico me faz muita falta, como também às suas filhas... mas que dentro do meu coração vive cada vez mais forte, nos seus ensinamentos, exemplos, bom humor, vitalidade e jovialidade sempre... Mulher pequena na estatura, mas grande na generosidade, no coração, no acolhimento... Sua casa sempre cheia refletia o perfume de nossa família, o aconchego e a segurança da fé, de que tudo tem jeito, de não desistir nunca, da cultura e da sabedoria do dia-a-dia... Aos domingos todos estávamos lá para o jantar que era sagrado, no real sentido da palavra, momento único de aconchego, de abraços e carinhos, mas acima de tudo de escuta, de olhar para cada um e acompanhar suas belezas e necessidades... Sentávamos sempre à enorme mesa, das suas três grandes salas...

Sua comida, sempre deliciosa, tinha um sabor diferente, porque em seus ingredientes tinha sempre várias pitadas de bom humor, de alegria de viver, de disponibilidade em servir... Seus doces deliciosos junto ao chocolate quente, fumegavam em nossas bocas, e tinham suas mãos registradas na delicadeza de fazê-los... seu bolo de café, a ambrósia e o seu manjar eram suas marcas registradas... sinto seu gosto sempre... não só dos seus doces... mas da doçura do seu ser, com tanta firmeza contida numa mulher... Sempre desprendida da vida, adorava trabalhar e tinha no trabalho sua fonte de juventude... cuidava da casa e dos seus seis filhos, netos e bisnetos, da família. Costurava como ninguém, e em muitos dos meus vestidos sentia seu alinhavo forte... suas mãos bordavam maravilhas em nossos corações, sempre que nos acolhia nos inesquecíveis verões de Grussaí, todos juntos na enorme casa... bem como zelava pelos nossos sonhos... Suas mãos seguravam a todos com linhas mágicas, sejam em suas orações, no seu exemplo e no seu testemunho de vida diária. Ela sempre me chamava por “Elizabeth” e sua voz tinha suavidade e ao mesmo tempo uma energia forte e alegre, e todos nós a ouvíamos com atenção... E hoje, olhando a distância e com maturidade, entendo o porquê meu avô chegou tão longe como pessoa e profissional... Era ela que na retaguarda de tudo, previa, sustentava, alinhavava, dava doçura e firmeza, rumo certo a todos de nossa família. Dagmar é seu nome... minha querida avó... e por isso que sugestivamente pensei neste título... pois para conhecermos as mães, basta conhecermos seus filhos...

E minha mãe Elza, junção perfeita de Everaldo e Dagmar... não só seguiu seus passos, mas alargou seu caminho, abriu muitos horizontes em nossas vidas. Sua mãe foi um exemplo para ela que passa o seu exemplo para frente para nós seus filhos e netos... Pelas mãos da minha mãe, poderia aqui enumerar inúmeras realizações, mas a maior delas, é o perfume que exala, com sua voz sempre serena e firme nos seus ensinamentos, a sua forma de falar com os olhos, seu silêncio que tanto nos diz.

Sua presença é única e constante em nossas vidas, mesmo quando não está fisicamente ao nosso lado, pois o seu SER transcende em nossas almas. Seu sorriso sempre tranqüilo, de quem sempre nos entende, sua intuição tão aguçada, que prevê nossos sentimentos, se antecipando a eles em vários momentos de nossa vida, a tornam mais que especial. Mãe, te admiro muito! Quero sempre poder seguir os teus passos! Por fim, parabenizo a todas as mães, Elzas, Surayas, Marys, Elisas, Marias, Denises, Patrícias, Lilianas, Vandas, Eleonoras, Martas, Reginas, Veras, Divas, Simones que exercem a maternidade sem limite, sem tempo, sem hora, luz que não se apaga quando sopra o vento e a chuva desaba, que se faz água pura, ar puro, puro amor em nossas vidas que se transmite de geração em geração... infinitamente de avó para mãe, de mãe para filhas, de filhas para os filhos... e assim a maternidade vai sucessivamente construindo a sua história de amor sem fim...

Com afeto,

Beth Landim

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NOMES CURIOSOS...
05/05/2015 | 11h21

Os nomes das espécies dizem muito sobre elas...

Podem justificar alguma característica da planta ou revelar particularidades de seu comportamento. Descubra a seguir a história por trás de algumas espécies bastante conhecidas...

Gloriosa (Foto: Evelyn Müller/Editora Globo) 1. Gloriosa O nome-adjetivo combina perfeitamente com esta trepadeira da família do lírio. Suas flores, vermelhas e amarelas, são muito vistosas. Sofrem uma torção, ou seja, os estames ficam totalmente à vista sob as pétalas recurvadas. Aparecem na primavera e no verão.

Boca de leão (Foto: Evelyn Müller/Editora Globo)

 Boca-de-leão

Pressione as flores tubulares, com dois lábios desiguais, e entenderá por que esta herbácea da região Mediterrânea leva este nome. A boca-de-leão é produzida em diversas cores, na primavera e no inverno. Precisa de pleno sol para formar maciços em jardineiras ou bordaduras.

 Brinco de princesa (Foto: Evelyn Müller/Editora Globo)

 Brinco-de-princesa As flores pendentes justificam o nome popular desta herbácea cultivada a pleno sol em vasos e jardineiras. Saiba que a cor fúcsia surgiu após a designação científica do brinco-de-princesa.

 dama da noite (Foto: Evelyn Müller/Editora Globo)

 Dama-da-noite O perfume forte, exalado à noite, assim que as flores se abrem, é um atrativo a mais para a polinização, feita por mariposas. Não é à toa que esta trepadeira ganhou o título de dama-da-noite. Floresce várias vezes por ano e é cultivada em parques e jardins, cobrindo cercas.

flor da paixão (Foto: Evelyn Müller/Editora Globo)

 Flor-da-paixão

O nome popular da flor do maracujá foi dado por monges e está associado à paixão de Cristo. Isso porque a flor tem uma franja que remete à coroa de Jesus e cinco estames que simbolizam suas chagas. A trepadeira nativa do Brasil produz o maracujá doce.

 copo de leite (Foto: Evelyn Müller/Editora Globo)

 Copo-de-leite Da mesma família da jibóia e da costela-de-adão, esta herbácea africana tem uma excepcional flor de corte que lembra uma taça cheia de leite, daí copo-de-leite. Está associada a locais brejosos, muito úmidos, mas aceita cultivo a pleno sol e à meia-sombra.

 lança-de-são-jorge (Foto: Evelyn Müller/Editora Globo)

 Lança-de-são-jorge A herbácea leva o nome de um orixá porque é comumente usada nos cultos de umbanda. Suas folhas são cilíndricas, longas e pontiagudas, por isso são chamadas de lanças. Existe a crença popular de que essa espécie protege contra o mau-olhado.

Gota-de-orvalho (Foto: Evelyn Müller/Editora Globo)

8. Gota-de-orvalho Ao contrário de sua parente, a dama-da-noite, esta herbácea rasteira tem flores que se abrem com o amanhecer. Quando substitui a grama, formando um conjunto, suas flores brancas e pequenas parecem gotas de orvalho sobre o verde de suas folhas.

amansa-senhor (Foto: Evelyn Müller/Editora Globo)

9. Amansa-senhor Curioso, o nome popular desta árvore explica o uso de suas folhas como sedativo na medicina popular. O vermelho intenso de sua flor, formada entre os meses de maio e junho, a torna bastante ornamental. Ideal para a arborização de parques, praças e jardins.

comigo-ninguém-pode (Foto: Evelyn Müller/Editora Globo)

10. Comigo-ninguém-pode

A explicação é científica: com o auxílio de um microscópio, nota-se a presença de pequenos cristais dentro das células de suas folhas. Se ingeridos, instalam-se na traquéia e criam um edema que pode levar à morte.

maria-sem-vergonha (Foto: Evelyn Müller/Editora Globo)

11. Maria-sem-vergonha

Com saudades do Palácio de Viena, o imperador d. Pedro 1º trouxe sementes de Impatiens, que foram plantadas no Jardim Botânico. O que não se imaginava na época é que a espécie se adaptaria tão bem. Por “dar” em qualquer clima e local, ganhou o nome vulgar de maria-sem-vergonha.

agapanto (Foto: Evelyn Müller/Editora Globo)

12. Agapanto O nome científico desta herbácea africana, cultivada em jardineiras, canteiros ou bordaduras a pleno sol ou à meia-sombra, é Agapanthus africanus. Vem do grego ágape, que significa amor, e anthos, flor.

Primavera (Foto: Edu Castello/Editora Globo)

13. Primavera O arbusto brasileiro ganhou o mundo e compõe jardins por todos os lados. Suas flores nascem entre o outono e a primavera – vem daí o nome popular mais conhecido. No entanto, a parte mais chamativa da planta é formada pelas suas brácteas: folhas modificadas e coloridas que atraem polinizadores e dão proteção à flor minúscula.

dinheiro-em-penca (Foto: Evelyn Müller/Editora Globo)

14. Dinheiro-em-penca O nome sugestivo está relacionado ao crescimento rápido desta herbácea com folhas em forma de moeda. É freqüentemente usada em projetos de Feng Shui para atrair prosperidade. Utilizada como forração, à meia-sombra, forma volumosos canteiros e, em vasos, ganha aspecto pendente.

flor-batom (Foto: Evelyn Müller/Editora Globo)

15. Flor-batom O vermelho-carmim das flores explica o seu nome popular, mas há quem diga que o formato também é bem parecido com o de um batom. É cultivada em vasos e jardineiras como planta pendente ou como forração, à meia-sombra ou em locais livres de sol direto.

Tudo tem um  porquê...

Com afeto,

Beth Landim

 
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A fábula do rei e suas quatro esposas...
04/05/2015 | 10h08

 

Era uma vez um rei que tinha 4 esposas. Ele amava a 4ª esposa demais, e vivia dando-lhe lindos presentes, jóias e roupas caras. Ele dava-lhe de tudo e sempre do melhor. Ele também amava muito sua 3ª esposa e gostava de exibi-la aos reinados vizinhos. Contudo, ele tinha medo que um dia, ela o deixasse por outro rei. Ele também amava sua 2ª esposa. Ela era sua confidente e estava sempre pronta para ele, com amabilidade e paciência. Sempre que o rei tinha que enfrentar um problema, ele confiava nela para atravessar esses tempos de dificuldade. A 1ª esposa era uma parceira muito leal e fazia tudo que estava ao seu alcance para manter o rei muito rico e poderoso, ele e o reino. Mas, ele não amava a 1ª esposa, e apesar dela o amar profundamente, ele mal tomava conhecimento dela.      Um dia, o rei caiu doente e percebeu que seu fim estava próximo. Ele pensou em toda a luxúria da sua vida e ponderou: É, agora eu tenho 4 esposas comigo, mas quando eu morrer, com quantas poderei contar? Então, ele perguntou à 4ª esposa:

- Eu te amei tanto, querida, te cobri das mais finas roupas e jóias. Mostrei o quanto eu te amava cuidando bem de você. Agora que eu estou morrendo, você é capaz de morrer comigo, para não me deixar sozinho?

 - De jeito nenhum! Respondeu a 4ª esposa, e saiu do quarto sem sequer olhar para trás. A resposta que ela deu cortou o coração do rei como se fosse uma faca afiada. Tristemente, o rei então perguntou para a 3ª esposa:    - Eu também te amei tanto a vida inteira. Agora que eu estou morrendo, você é capaz de morrer comigo, para não me deixar sozinho?                  - Não! Respondeu a 3ª esposa. A vida é boa demais! Quando você morrer, eu vou é casar de novo.                                 O coração do rei sangrou e gelou de tanta dor. Ele perguntou então à 2ª esposa:   - Eu sempre recorri a você quando precisei de ajuda, e você sempre esteve ao meu lado. Quando eu morrer, você será capaz de morrer comigo, para me fazer companhia?        - Sinto muito, mas desta vez eu não posso fazer o que você me pede! Respondeu a 2ª esposa. O máximo que eu posso fazer é enterrar você! Essa resposta veio como um trovão na cabeça do rei, e mais uma vez ele ficou arrasado. Daí, então, uma voz se fez ouvir: Eu partirei com você e o seguirei por onde você for... O rei levantou os olhos e lá estava a sua 1ª esposa, tão magrinha, tão mal nutrida, tão sofrida... Com o coração partido, o rei falou:  Eu deveria ter cuidado muito melhor de você enquanto eu ainda podia...        Na verdade, nós todos temos 4 esposas nas nossas vidas... Nossa 4ª esposa é o nosso corpo. Apesar de todos os esforços que fazemos para mantê-lo saudável e bonito, ele nos deixará quando morrermos... Nossa 3ª esposa são as nossas posses, as nossas propriedades, as nossas riquezas. Quando morremos, tudo isso vai para os outros. Nossa 2ª esposa são nossa família e nossos amigos. Apesar de nos amarem muito e estarem sempre nos apoiando, o máximo que eles podem fazer é nos enterrar...  E nossa 1ª esposa é a nossa ALMA, muitas vezes deixada de lado por perseguirmos, durante a vida toda, a riqueza, o poder e os prazeres do nosso ego... Apesar de tudo, nossa alma é a única coisa que sempre irá conosco, não importa onde estivermos ou formos. Então cultive, fortaleça, bendiga e enobreça sua alma agora! Este se constitui no maior presente que você, trabalhador, pode dar ao mundo e a si mesmo.

E hoje, após comemoramos o dia do trabalho, devemos ter em mente que o trabalho liberta a alma, quando tem em seu objetivo o crescimento coletivo.

O trabalho nos enobrece, quando nos leva a liberdade! Uma liberdade que não adianta procurarmos em lugar algum do mundo, pois ela só é verdadeira quando é encontrada dentro de nós.

Que possamos sempre nos orgulhar do nosso ofício, sermos respeitados e valorizados honrando sempre o chão em que pisamos do nosso local de labor.

Com afeto,

Beth Landim

 

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Sobre o autor

Elizabeth Landim

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