Pesquisa e Elaboração do Projeto de Energia Alternativa Com Hellder Benjamim abrindo a Boca para Marco Barcelos
20/04/2017 | 20h03
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1 - Hellder Benjamim, com diversos trabalhos no exterior na área de petróleo, o que o motivou a pesquisar e elaborar um projeto de energia alternativa?
R: Marco, essa pergunta é muito simples de ser respondida. Quando estava trabalhando no exterior não tinha tempo para pensar, e agora com a crise do preço baixo do petróleo, tempo é o que mais tenho. As empresas petrolíferas não investem mais como antes e com isso milhares como eu ficaram sem trabalho. Como diz o ditado, ""a necessidade faz o sapo pular"". Me lembrei de um projeto que participei na Inglaterra chamado Wind Farm e desde então pensei: “Se este projeto vier pra nossa região resolveremos a crise do desemprego, criaremos novos postos de trabalho, reduziremos os custos da energia elétrica, haverá um aumento da renda familiar e a energia a um custo mais baixo, empresas poderão ter interesse em se instalar aqui criando ainda mais vagas de trabalho”.
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2 - Este projeto de energia alternativa tem previsão para ser apresentado e precisa de parcerias para se concretizar ?
R: Este projeto tem previsão de ser apresentado a sociedade na JCI, (Antiga Câmara Júnior), e nesta oportunidade serão convidadas entidades como UENF, IFF, SENAI, FIRJAN, prefeitura de Campos, Petrobras, entre outros. É um projeto grandioso, inovador e eu acrescentei algo mais que o torna ainda mais inovador. Envolverá pesquisadores das nossas universidades, órgãos ambientais, parcerias com petrolíferas e o mais importante, vai trazer investimento externo que permitirá nossa cidade e região reagir a esta crise que parece não ter fim.
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3 - A região Norte Fluminense vem atravessando a pior crise de sua história com um alto índice de desemprego. Este projeto poderá aquecer o mercado de trabalho?
R: Sem dúvida alguma. Como disse anteriormente, por ser algo novo e relacionado a eficiência energética, linhas de crédito serão acionadas junto ao BNDES. Torço para concretizar a instalação deste parque eólico no mar, pois assim, poderemos contar com as mesmas mãos de obra que o setor petrolífero utilizava na manutenção e construção de navios e plataformas e com essa mão de obra construiremos as bases ou mini plataformas para instalação destas torres eólicas. Isso irá manter centenas de profissionais qualificados trabalhando que temos desempregados na nossa região devido a crise que o setor petrolífero está atravessando.
4 - Existem cidades no Brasil que já desenvolvem este projeto de energia alternativa ? R: Sim. já é do meu conhecimento que bem pertinho de nós na cidade de Gargaú existem 5 destas torres em operação, mas na Bahia, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Ceará, Piauí e Goiás, parques eólicos já tem montados dezenas destas torres funcionando e outras dezenas serão montadas nos próximos anos. Penso que não será diferente na nossa região.
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5 - Com a implantação deste projeto em nossa região, na sua avaliação qual será o impacto na nossa economia e quais benefícios a população poderá alcançar?
R: Além dos descritos nas respostas anteriores e da forma como desejo concretizar este projeto, a sociedade será a maior beneficiada e tendo o controle deste campo produtor de energia limpa, poderemos oferecer energia limpa e mais barata a sociedade e empresários que quiserem instalar suas empresas em nossa região. Teremos um baixo custo na produção devido a energia mais barata a oferecer e com isso esses empresários terão enorme interesse em instalar suas empresas aqui. Penso que energia caminha lado a lado com todos, quer sejamos pessoa fisica ou juridica. Se o preço da energia cai o preço do pão e produtos produzidos aqui poderá cair e toda sociedade será beneficiada.  
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Passando Emoção Através da Sustentabilidade e da Floresta Amazônica no Camarote Folia Tropical com Rodrigo Dinelli Abrindo a Boca para Marco Barcelos
09/03/2017 | 19h03

1- Rodrigo Dineli, há vários anos você é responsável pelo projeto de arquitetura do Camarote Folia Tropical na Sapucaí, o que motivou escolher o tema Desmatamento da Floresta Amazônica e Sustentabilidade para o carnaval de 2017?

Desde que o camarote Folia Tropical nasceu, há cinco anos atrás, a minha preocupação foi sempre estampar a “cara do Brasil” em suas paredes, valorizando as nossas riquezas; bichos, plantas, tecidos, fibras e cores. Agora, em 2017, a grande novidade foi unir o tropical ao sustentável em respeito à natureza e, em especial, à nossa Floresta Amazônica. Esta, com certeza, foi a minha maior inspiração para o projeto. Escolhi esse tema pois o desmatamento da maior floresta do mundo cresceu quase 30% no ano passado, segundo o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia. São quase 8 mil quilômetros do nosso verde que desapareceram do mapa. Em vista disso, o projeto da fachada consistiu em emoldurar um pedaço da Floresta Amazônica na Sapucaí, assim como uma obra de arte, protegendo o nosso verde. O interessante disso tudo é que, ao invés de utilizar plantas naturais, reproduzi espécies tropicais em material reciclável. Folhas de palmeiras, bananeiras, costelas-de-adão, e outros exemplares tropicais foram recortados à mão para criar o maior jardim vertical artesanal já visto na Sapucaí.

2- Como um projeto de arquitetura de um camarote pode refletir na arquitetura do nosso dia-a-dia?

A Conscientização da reciclagem está cada dia maior para preservação do meio ambiente. Para mim, a arquitetura atual está diretamente ligada à Sustentabilidade. Em todos os meus projetos, por menor que seja ele, procuro utilizar recursos que contribuam, de alguma maneira, para a preservação do nosso planeta. Além de sempre usar materiais recicláveis nos meus projetos, utilizo madeira de reflorestamento ou ecológica. Outro item importantíssimo nesse quesito é a iluminação. Atualmente utilizo, em todos os meus projetos, as lâmpadas de led. Hoje em dia elas fazem tudo que as incandescentes faziam e ainda economizam energia! Posso ter um projeto bonito e ficar com a consciência tranquila de estar contribuindo para um futuro melhor do nosso planeta!

3- Quanto tempo leva para você pensar num tema para o camarote a cada ano e quanto tempo leva para você desenvolver o tema e a execução da obra?

Depende muito da minha sensibilidade em um determinado local que esteja. Por exemplo, no ano passado a ideia dos guarda-sóis veio, de repente, quando cheguei na praia de ipanema num domingo ensolarado e pensei: isso será a fachada do Folia Tropical esse ano! E, assim, em um mês já estavam prontas todas as plantas. Geralmente a obra dura 3 meses antes do Carnaval.

4- Várias celebridades não pouparam elogios ao seu trabalho, qual depoimento que mais te sensibilizou?

No ano passado o que mais me surpreendeu foi o comentário que o artista internacional Sir Ian McKellen (que viveu o Magneto do X-Man e o Gandalf do Senhor dos Anéis) fez diretamente a mim dizendo que eu consegui resumir o Brasil com a arquitetura do camarote. Esse ano, dois elogios eu vou levar pra sempre no coração: o da Wanessa Camargo e da sua mãe, Zilu, ex-mulher de Zezé di Camargo. A Zilu disse que, como mãe, conseguiu sentir toda a emoção que eu tentei passar com a decoração e a minha preocupação com a natureza. Já a Wanessa se empolgou com os tetos de folhas, com as flores e frutas espalhadas pelo camarote inteiro e gritou, dizendo que estava se sentindo a rainha tropical naquele espaço lúdico, alegre e fora do comum! Fiquei muito feliz com tudo aquilo, pois todos sabem que a minha maior preocupação com os meus projetos é passar emoção e fazer as pessoas se sentirem mais felizes em ambientes confortáveis e diferentes.

5- O carnaval do Rio é visto mundialmente, você aspira participar desenvolvendo seu trabalho em algum evento internacional?

Claro! Pode ter a certeza de que o primeiro que aparecer eu estarei dentro! Adoro novos desafios e adoro viajar pra fora do Brasil. Será um prazer mostrar a nossa cultura pelo mundo representada pela minha arquitetura!

6- Neste ano o carnaval da Sapucaí tivemos um episódio desagradável, os incidentes com os carros alegoricos. Na sua avaliação quais as medidas para prevenir outros incidentes?

Infelizmente, as pessoas só começam a se preocupar, quando acontece algo grave. Esses acidentes são provas de que devemos sempre nos prevenir e que as escolas de samba deveriam contratar mais engenheiros e arquitetos para o projeto dos carros alegórios. Vejo essas alegorias como grandes edifícios cada vez mais tecnológicos e inovadores, por isso a LIESA (Liga internacional das Escolas de Samba) deveria exigir mais registros de responsabilidade técnicas mediante aos conselhos de engenharia e arquitetura para garantirem projetos mais estruturados e seguros. Se me convidarem para projetar carros alegóricos numa dessas escolas, com certeza eu aceitaria! – brinca o arquiteto.

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As Dificuldades Iniciais Do Atual Prefeito é Equilibrar o Técnico Com o Político, Dando Embasamento Teórico/Prático. Na análise de Sileno Martinho, Abrindo a Boca para Marco Barcelos.
22/02/2017 | 16h27
1- Sileno Martinho, após o primeiro mês o prefeito Rafael Diniz analisou um início de governo bem pior que esperava. Com sua experiência política, como avalia a situação encontrada, e quais serão as maiores dificuldades para colocar a casa em ordem ?
R: Toda mudança de governo, seja em que nível for, traduz-se em dificuldades iniciais fruto da adaptação de uma nova equipe ao ambiente político e administrativo, some-se a isto a cultura interna de cada município, além das mudanças que invariavelmente serão operadas pelos novos gestores. Este tempo de maturação sempre vai acontecer, pois a máquina pública é complexa e precisa estar aderente a diversos parâmetros legais, sob pena de responsabilizar o gestor junto aos órgãos fiscalizadores. Creio que a dificuldade inicial do atual prefeito é equilibrar o técnico com o político, dando embasamento teórico/prático a sua equipe de governo, e tendo a sabedoria para colocar a pessoa certa no lugar certo. Fazendo isto, todo o resto vai se encaixando naturalmente, é questão de tempo!
2 - A crise mundial econômica, consequentemente afeta o Barsil, e concomitantemente reflete na nossa cidade. De que forma o prefeito pode viabilizar o caminho para uma economia sustentável do município ?
R: É voz corrente que precisamos retomar a sustentabilidade econômica independente dos royalties do petróleo, que são bem vindos, mas são finitos. O município de Campos tem grande extensão territorial e deve diversificar sua economia criando eixos de desenvolvimento, aproveitando o corredor logístico da BR 101 para atração de empresas através de polos industriais; retomando o projeto do complexo logístico Farol-Barra do Furado; incentivando a agricultura irrigada para fixar o homem no campo; fomentando a indústria pesqueira; provendo financiamentos aos pequenos e médios empresários; além de liderar a gestão integrada de territórios com os municípios limítrofes visando negociar em bloco os interesses macros da região.
3 - Como a iniciativa privada poderá contribuir com projetos para nosso munícipio ? E a nível regional ?
R: Através de parceiras público privada, o poder público atrairia o capital privado para atuar em projetos sustentáveis, onde não fosse sua expertise ou onde tivesse limitações legais ou funcionais, com foco basicamente na infraestrutura urbana e rural. Diminuir o tamanho do estado em alguns setores é fundamental para ganhar agilidade nas soluções dos grandes gargalos que impactam diretamente a melhoria da qualidade de vida da população. O poder público com as limitações financeiras atuais, deve estar aberto a estas parceiras!
4 - Sabemos que Campos é um celeiro de excelentes políticos, desde Nilo Pessanha. Agora temos vários prefeitos campistas, como Carlos Augusto de Rio das Ostras, Cláudio Linhares de Conceição de Macabu, Fátima Pacheco de Quissamã, Francimara Barbosa Lemos de São Francisco e nosso prefeito Rafael Rafael Diniz, como avalia esta excelência da nossa cidade ?
R: O mundo passa por mudanças e nas democracias ela se manifesta com mais vigor. Passamos pela primavera árabe, atravessamos turbulências mundiais, mas vivemos outra realidade. O mundo mudou e nós também! A mesma população que coloca no poder, tem o poder de destituir; seja por cansaço de um modelo de gestão, seja porque deseja experimentar o novo. Neste momento em que questões éticas estão em debate no cenário nacional envolvendo, a renovação é um sopro de esperança em novas formas de governar. Necessário porém que não decepcionem a população, pois se as expectativas não se confirmarem a reação contrária é imediata e em proporção talvez até maior. A voz rouca das ruas deve ser sempre o termômetro da classe política sob todos os aspectos.
5 - A PF junto com a operação lava jato, nunca prendeu tantos políticos e empresários no país. Essas prisões estão afetando a economia do nosso país de que forma ?
R: A Petrobrás que respondia direta ou indiretamente por grande parte do PIB nacional, uma vez paralisada, afetou os níveis de emprego no país, mas principalmente na nossa região em função da cadeia produtiva que girava no seu entorno. Nos últimos anos, segundo dados do CAGED, foram 12 milhões de desempregados e este enorme contingente afeta de maneira superlativa o país, impactando diretamente todos os segmentos econômicos nacionais, indo do pequeno produtor, ao grande empresário e até as transnacionais. Este é o efeito cascata indesejável, pois se diminui o emprego, desaquece a economia, vem a recessão! Estamos pagando um alto preço em função de erros que não cometemos. Felizmente, creio que o mercado começa a reagir. Sinto que o pior já passou!!!
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Investir Na Base Com Parceria Com A Secretaria De Educação Será O Caminho Para Massificar O Esporte Acredita Raphael Thuin Abrindo A Boca Para Marco Barcelos
08/02/2017 | 15h43
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1 - Rafhael Thuin, com sua experiência como atleta, e campeão de natação, e subsecretario de esportes de Rio das Ostras. Qual seu planejamento e projetos para Campos dos Goytacazes ?
Resposta - Em primeiro lugar, precisamos investir na base, em parceria com a Educação e espalhar a oferta de esporte e melhoria de qualidade de vida no máximo de lugares em Campos. Após a massificação do esporte, iremos selecionar os talentos descobertos, e a partir dai começar a formar equipes competitivas e representativas de Campos.
2 – Como foi aceitar o convite e o desafio de ser Secretário do Prefeito Rafael Diniz em Campos dos Goytacazes ?
Resposta - Recebi o convite com muita alegria, pois meu coração sempre esteve em Campos, apesar de ter rodado o mundo e estar muito tempo fora da cidade, estou muito empolgado com esse novo desafio e temos a certeza que faremos um grande governo.
3 - A parceria entre a Fundação Municipal de Esportes e o Clube Náutico de Farol de São Tome tem como objetivo promover o esporte e garimpar novos talentos?
Resposta - O objetivo principal dentro de um contexto geral é promover o esporte e a melhoria de qualidade de vida de um número máximo de cidadãos campistas. Os talentos e o esporte competitivo surgem naturalmente.
4 - Rafhael Thuin, como pretende massificar o esporte em uma cidade que tem a maior extensão territorial do estado do Rio de Janeiro?
Resposta - Em parceria com a Educação e usando as vilas olímpicas, mini ginásios, quadra poliesportivas e praças, buscaremos fomentar a prática esportiva no contra turno escolar dividindo a cidade em setores.
5 – A formação de atletas e principalmente jovens de caráter, parte de uma base sólida e com planejamento a longo prazo. Como pretende utilizar as vilas Olímpicas, e o que precisa ser melhorado para que tenhamos no futuro nossos campeões campistas ?
Resposta - Precisamos enxergar o esporte a médio e longo prazo, pois, não conseguimos construir campeões com políticas imediatistas e individuais. Precisamos massificar para descobrir mais talentos.
6 – Existem várias Universidades em nossa cidade, de Educação Física, Fisioterapia e Nutrição. Acredita que estes acadêmicos que são uma mão de obra qualificada, poderão contribuir com a grande demanda que existe em nosso município ?
Resposta - O grande número de Universidades em nossa cidade, é sim de grande ajuda para o desenvolvimento do esporte, onde encontrarão em nosso governo um campo de trabalho, tanto para estagiários quanto para professores recém formados e profissionais da área.
7 – Quais os projetos para os esportes Paralímpicos ?
Resposta - Um dos principais projetos da nova Fundação Municipal de Esportes, é a criação do departamento de paradesporto, para pessoas com deficiência, buscando a melhoria da qualidade de vida e as inserindo no esporte, inclusive competitivo.
 
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Desfecho Da Operação Chequinho Na Visão Do Advogado Adilson Rangel
23/01/2017 | 16h23
1 . Dr. Adilson Rangel , foram cassados onze vereadores eleitos ,e ainda faltam serem julgados vinte e seis candidatos. Juridicamente se forem todos condenados como fica o coeficiente eleitoral para assumir os suplentes ?
Resposta – Tudo vai depender de como as Instâncias Superiores vão se posicionar. Se mantiverem o teor das decisões que vem sendo prolatadas, teremos uma recontagem dos votos, fazendo com que ocorra grandes mudanças na configuração da Câmara de Vereadores.
Ocorre que a Jurisprudência das Instâncias Eleitorais Superiores são dinâmicas, variando de acordo com a composição destes Tribunais, especificamente quanto ao TSE parte de sua composição é recente, podendo nos trazer surpresas quanto as interpretações da possibilidade de recorrer no cargo e anular votos daqueles que eventualmente tenham o diploma cassado (ou com a manutenção da não expedição do diploma). Assim qualquer posicionamento mais contundente acerca do que os Desembargadores e Ministros possam decidir, me parece mais um exercício de futurologia do que de realmente uma análise de precedentes. Tal incerteza se dá pelo fato de que o Brasil, diferentemente dos Estados Unidos não segue as lições do sistema do direito anglo-saxão (Common Law).
1
Adilson Rangel / 1
2. Os vereadores diplomados que foram cassados , certamente entrarão com recurso. Pela sua experiência, eles ficarão no cargo até o julgamento da última instância, podendo ficar no cargo até o final do mandato ,em virtude da justiça ser muito lenta ?
Resposta – A Justiça Eleitoral tem como um de seus Princípios a Celeridade, com prazos muitos curtos para que as decisões possam ser efetivamente aplicadas, antes do fim do mandato . Ocorre que a quantidade de processos podem atrasar o julgamento nas instâncias superiores, fazendo com que os casos em que seja possível recorrer no cargo, ocorra a possibilidade de cumprir o mandato sem afastamento, sofrendo apenas a sanção de inexegibilidade para concorrer a eleições em pleitos futuros.
Não obstante acreditar que as decisões dos Tribunais Superiores da Justiça Eleitoral possam nos surpreender, a princípio, considerando que nosso Sistema Jurídico defende os Princípios da Presunção de Inocência, do Duplo Grau de Jurisdição, do Devido Processo Legal e do Aproveitamento do voto, é grande a possibilidade que eventuais condenados em primeira Instância recorram no cargo e exerçam o mandato em sua integralidade.
Mas, volto a dizer, não seguimos, como regra, os preceitos do direito anglo-saxão (apesar do Novo Código de Processo Civil ter inserido algumas regras deste sistema) , assim os precedentes não possuem a força que tem nos países que seguem este sistema.
3. A polícia federal nos últimos anos tem atuado com muita eficiência ,, mas grande parte dos presos estão soltos ,será que não frustra meses de trabalho em vão ?
Resposta – Marco Barcelos, não tenho conhecimento do número de presos pela Polícia Federal que estão soltos, por isso não posso entrar no mérito de sua pergunta. Entretanto, devemos ter cuidado ao sair acusando as pessoas que são presas ‘provisoriamente’, pois em grande parte destas prisões o indivíduo nem réu é ainda e para que seja considerado culpado deve passar por todo o Devido Processo Legal.
O que posso afirmar é que o papel da polícia judiciária, dentro dos limites de sua atuação, é essencial na elucidação dos crimes.
4 –Em virtude dos escândalos que a cada dia estão piores, o Código Penal não precisa sofrer uma adequação para nossa realidade atual ?
Resposta – Sim, entendo que precisamos sempre atualizar o Direito Material, principalmente o Código Penal, que apesar de várias ‘atualizações’ é de 1940, mas não podemos esquecer que o magistrado possui independência em suas decisões, podendo utilizar também outras fontes do Direito para que faça valer a vontade da sociedade.
Contudo, acredito que não será somente a adequação do código, como você disse, que acabará com os escândalos, entendo que somente a evolução do Sistema Educacional e participação efetiva de cada pessoa, conseguiremos promover as verdadeiras mudanças.
Antes de ter um Código com punições severas, devemos educar nossos filhos para que entendam que ao respeitar o próximo, será também respeitado e com isso todos terão uma realidade melhor.
Observações Finais: Por Fim, gostaria de agradecer a oportunidade, mas principalmente gostaria de parabenizá-lo pelo exemplo de vida que você é para todos nós. Sabemos de suas limitações, mas também sabemos de sua gana em vencer os desafios diários que para você são mais latentes, continue assim, lutando por seus objetivos e tenho certeza que os atingirá, você já é um vencedor
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Privatização da CEDAE Na Visão Do Ex-Superintendente Afonso Celso - Abrindo A Boca Para Marco Barcelos
22/01/2017 | 01h04
Foto Afonso Celso
01- Afonso Celso você foi superintendente da CEDAE em Campos dos Goytacazes, na década de 90 , como avalia a concessão da Águas do Paraíba?
Resposta -  A CEDAE sempre foi uma excelente empresa. Sempre primou por dar água de qualidade à população. Porém, o interior do Estado sempre sofreu com a falta de investimentos necessários para atender a demanda na ampliação da rede de água potável e iniciar o tratamento do esgoto coletado. Se olharmos por esse ângulo podemos dizer com certeza que a privatização veio para melhorar os serviços em todos os aspectos.
2 - O governador Pezão foi a Brasília negociar a privatização da CEDAE para tentar resolver o caos financeiro que vive o Estado do Rio de Janeiro.Você acha que isto é a solução?
Resposta -  Enquanto os governantes não administrarem as finanças com seriedade sempre vamos ter caos financeiro de vez em quando. E quando não houver mais ativos para vender o que fará o estado para sanear suas finanças? Não creio que a venda da CEDAE seja a solução para a crise atual.
03- Existe uma polêmica na cobrança na taxa de esgoto, no qual teria que ser tratado com alta eficácia tendo um resultado de alta qualidade. Faça uma análise dessa questão?
Resposta - O esgoto deve ser tratado conforme as exigências dos órgãos ambientais e nada mais. A fiscalização deve ser rigorosa quanto ao produto final.
04 - Afonso Celso, dentro das dificuldades que tinha como superintendente, ainda existe alguma delas nos dias de hoje?
Resposta - Acho que esta pergunta tem que ser respondida por algum servidor da concessionária atual do serviço de água e esgoto de Campos. Dificuldades com certeza sempre existirão. Como usuário do serviço dou me por satisfeito.
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A Não-Violência: Estilo De Uma Política Para A Paz
22/01/2017 | 01h04

Foto Francisco

1. No início deste novo ano, formulo sinceros votos de paz aos povos e nações do mundo inteiro, aos chefes de Estado e de governo, bem como aos responsáveis das Comunidades Religiosas e das várias expressões da sociedade civil. Almejo paz a todo o homem, mulher, menino e menina, e rezo para que a imagem e semelhança de Deus em cada pessoa nos permitam reconhecer-nos mutuamente como dons sagrados com uma dignidade imensa. Sobretudo nas situações de conflito, respeitemos esta «dignidade mais profunda»[1] e façamos da não-violência ativa o nosso estilo de vida.

Esta é a Mensagem para o 50º Dia Mundial da Paz. Na primeira, o Beato Papa Paulo VI dirigiu-se a todos os povos – e não só aos católicos – com palavras inequívocas: «Finalmente resulta, de forma claríssima, que a paz é a única e verdadeira linha do progresso humano (não as tensões de nacionalismos ambiciosos, nem as conquistas violentas, nem as repressões geradoras duma falsa ordem civil)». Advertia contra o «perigo de crer que as controvérsias internacionais não se possam resolver pelas vias da razão, isto é, das negociações baseadas no direito, na justiça, na equidade, mas apenas pelas vias dissuasivas e devastadoras». Ao contrário, citando a Pacem in terris do seu antecessor São João XXIII, exaltava «o sentido e o amor da paz baseada na verdade, na justiça, na liberdade, no amor».[2] É impressionante a atualidade destas palavras, não menos importantes e prementes hoje do que há cinquenta anos.

Nesta ocasião, desejo deter-me na não-violência como estilo duma política de paz, e peço a Deus que nos ajude, a todos nós, a inspirar na não-violência as profundezas dos nossos sentimentos e valores pessoais. Sejam a caridade e a não-violência a guiar o modo como nos tratamos uns aos outros nas relações interpessoais, sociais e internacionais. Quando sabem resistir à tentação da vingança, as vítimas da violência podem ser os protagonistas mais credíveis de processos não-violentos de construção da paz. Desde o nível local e diário até ao nível da ordem mundial, possa a não-violência tornar-se o estilo caraterístico das nossas decisões, dos nossos relacionamentos, das nossas ações, da política em todas as suas formas.

Um mundo dilacerado

2. Enquanto o século passado foi arrasado por duas guerras mundiais devastadoras, conheceu a ameaça da guerra nuclear e um grande número de outros conflitos, hoje, infelizmente, encontramo-nos a braços com uma terrível guerra mundial aos pedaços. Não é fácil saber se o mundo de hoje seja mais ou menos violento que o de ontem, nem se os meios modernos de comunicação e a mobilidade que carateriza a nossa época nos tornem mais conscientes da violência ou mais rendidos a ela.

Seja como for, esta violência que se exerce «aos pedaços», de maneiras diferentes e a variados níveis, provoca enormes sofrimentos de que estamos bem cientes: guerras em diferentes países e continentes; terrorismo, criminalidade e ataques armados imprevisíveis; os abusos sofridos pelos migrantes e as vítimas de tráfico humano; a devastação ambiental. E para quê? Porventura a violência permite alcançar objetivos de valor duradouro? Tudo aquilo que obtém não é, antes, desencadear represálias e espirais de conflitos letais que beneficiam apenas a poucos «senhores da guerra»?

A violência não é o remédio para o nosso mundo dilacerado. Responder à violência com a violência leva, na melhor das hipóteses, a migrações forçadas e a atrozes sofrimentos, porque grandes quantidades de recursos são destinadas a fins militares e subtraídas às exigências do dia-a-dia dos jovens, das famílias em dificuldade, dos idosos, dos doentes, da grande maioria dos habitantes da terra. No pior dos casos, pode levar à morte física e espiritual de muitos, se não mesmo de todos.

A Boa Nova

3. O próprio Jesus viveu em tempos de violência. Ensinou que o verdadeiro campo de batalha, onde se defrontam a violência e a paz, é o coração humano: «Porque é do interior do coração dos homens que saem os maus pensamentos» (Marcos 7, 21). Mas, perante esta realidade, a resposta que oferece a mensagem de Cristo é radicalmente positiva: Ele pregou incansavelmente o amor incondicional de Deus, que acolhe e perdoa, e ensinou os seus discípulos a amar os inimigos (cf. Mateus 5, 44) e a oferecer a outra face (cf. Mateus 5, 39). Quando impediu, aqueles que acusavam a adúltera, de a lapidar (cf. João 8, 1-11) e na noite antes de morrer, quando disse a Pedro para repor a espada na bainha (cf. Mateus 26, 52), Jesus traçou o caminho da não-violência que Ele percorreu até ao fim, até à cruz, tendo assim estabelecido a paz e destruído a hostilidade (cf. Efésios 2, 14-16). Por isso, quem acolhe a Boa Nova de Jesus, sabe reconhecer a violência que carrega dentro de si e deixa-se curar pela misericórdia de Deus, tornando-se assim, por sua vez, instrumento de reconciliação, como exortava São Francisco de Assis: «A paz que anunciais com os lábios, conservai-a ainda mais abundante nos vossos corações».[3]

Hoje, ser verdadeiro discípulo de Jesus significa aderir também à sua proposta de não-violência. Esta, como afirmou o meu predecessor Bento XVI, «é realista pois considera que no mundo existe demasiada violência, demasiada injustiça e, portanto, não se pode superar esta situação, exceto se lhe contrapuser algo mais de amor, algo mais de bondade. Este “algo mais” vem de Deus».[4]E acrescentava sem hesitação: «a não-violência para os cristãos não é um mero comportamento tático, mas um modo de ser da pessoa, uma atitude de quem está tão convicto do amor de Deus e do seu poder que não tem medo de enfrentar o mal somente com as armas do amor e da verdade. O amor ao inimigo constitui o núcleo da “revolução crist㔻.[5] A página evangélica – amai os vossos inimigos (cf. Lucas 6, 27) – é, justamente, conside rada «a magna carta da não-violência cristã»: esta não consiste «em render-se ao mal (…), mas em responder ao mal com o bem (cf. Romanos 12, 17-21), quebrando dessa forma a corrente da injustiça».[6]

Mais poderosa que a violência

4. Por vezes, entende-se a não-violência como rendição, negligência e passividade, mas, na realidade, não é isso. Quando a Madre Teresa recebeu o Prê mio Nobel da Paz em 1979, declarou claramente qual era a sua ideia de não-violência ativa: «Na nossa família, não temos necessidade de bombas e de armas, não precisamos de destruir para edificar a paz, mas apenas de estar juntos, de nos amarmos uns aos outros (…). E poderemos superar todo o mal que há no mundo».[7] Com efeito, a força das armas é enganadora. «Enquanto os traficantes de armas fazem o seu trabalho, há pobres pacificadores que, só para ajudar uma pessoa, outra e outra, dão a vida»; para estes obreiros da paz, a Madre Teresa é «um símbolo, um ícone dos nossos tempos».[8] No passado mês de setembro, tive a grande alegria de a proclamar Santa. Elogiei a sua disponibilidade para com todos «através do acolhimento e da defesa da vida humana, a dos nascituros e a dos abandonados e descartados. (…) Inclinou-se sobre as pessoas indefesas, deixadas moribundas à beira da estrada, reconhecendo a dignidade que Deus lhes dera; fez ouvir a sua voz aos poderosos da terra, para que reconhecessem a sua culpa diante dos crimes – diante dos crimes! – da pobreza criada por eles mesmos».[9] Como resposta, a sua missão – e nisto representa milhares, antes, milhões de pessoas – é ir ao encontro das vítimas com generosidade e dedicação, tocando e vendando cada corpo ferido, curando cada vida dilacerada.

A não-violência, praticada com decisão e coerência, produziu resultados impressionantes. Os sucessos alcançados por Mahatma Gandhi e Khan Abdul Ghaffar Khan, na libertação da Índia, e por Martin Luther King Jr contra a discriminação racial nunca serão esquecidos. As mulheres, em particular, são muitas vezes líderes de não-violência, como, por exemplo, Leymah Gbowee e milhares de mulheres liberianas, que organizaram encontros de oração e protesto não-violento (pray-ins), obtendo negociações de alto nível para a conclusão da segunda guerra civil na Libéria.

E não podemos esquecer também aquela década epocal que terminou com a queda dos regimes comunistas na Europa. As comunidades cristãs deram a sua contribuição através da oração insistente e a ação corajosa. Especial influência exerceu São João Paulo II, com o seu ministério e magistério. Refletindo sobre os acontecimentos de 1989, na Encíclica Centesimus annus (1991), o meu predecessor fazia ressaltar como uma mudança epocal na vida dos povos, nações e Estados se realizara «através de uma luta pacífica que lançou mão apenas das armas da verdade e da justiça».[10] Este percurso de transição política para a paz foi possível, em parte, «pelo empenho não-violento de homens que sempre se recusaram a ceder ao poder da força e, ao mesmo tempo, souberam encontrar aqui e ali formas eficazes para dar testemunho da verdade». E concluía: «Que os seres humanos aprendam a lutar pela justiça sem violência, renunciando tanto à luta de classes nas controvérsias internas, como à guerra nas internacionais».[11]

A Igreja comprometeu-se na implementação de estratégias não-violentas para promover a paz em muitos países solicitando, inclusive aos intervenientes mais violentos, esforços para construir uma paz justa e duradoura.

Este compromisso a favor das vítimas da injustiça e da violência não é um património exclusivo da Igreja Católica, mas pertence a muitas tradições religiosas, para quem «a compaixão e a não-violência são essenciais e indicam o caminho da vida».[12] Reitero-o aqui sem hesitação: «nenhuma religião é terrorista».[13] A violência é uma profanação do nome de Deus.[14] Nunca nos cansemos de repetir: «jamais o nome de Deus pode justificar a violência. Só a paz é santa. Só a paz é santa, não a guerra».[15]

A raiz doméstica duma política não-violenta

5. Se a origem donde brota a violência é o coração humano, então é fundamental começar por percorrer a senda da não-violência dentro da família. É uma componente daquela alegria do amor que apresentei na Exortação Apostólica Amoris laetitia, em março passado, concluindo dois anos de reflexão por parte da Igreja sobre o matrimónio e a família. Esta constitui o cadinho indispensável no qual cônjuges, pais e filhos, irmãos e irmãs aprendem a comunicar e a cuidar uns dos outros desinteressadamente e onde os atritos, ou mesmo os conflitos, devem ser superados, não pela força, mas com o diálogo, o respeito, a busca do bem do outro, a misericórdia e o perdão.[16] A partir da família, a alegria do amor propaga-se pelo mundo, irradiando para toda a sociedade.[17] Aliás, uma ética de fraternidade e coexistência pacífica entre as pessoas e entre os povos não se pode basear na lógica do medo, da violência e do fechamento, mas na responsabilidade, no respeito e no diálogo sincero. Neste sentido, lanço um apelo a favor do desarmamento, bem como da proibição e abolição das armas nucleares: a dissuasão nuclear e a ameaça duma segura destruição recíproca não podem fundamentar este tipo de ética.[18] Com igual urgência, suplico que cessem a violência doméstica e os abusos sobre mulheres e crianças.

O Jubileu da Misericórdia, que terminou em novembro passado, foi um convite a olhar para as profundezas do nosso coração e a deixar entrar nele a misericórdia de Deus. O ano jubilar fez-nos tomar consciência de como são numerosos e variados os indivíduos e os grupos sociais que são tratados com indiferença, que são vítimas de injustiça e sofrem violência. Fazem parte da nossa «família», são nossos irmãos e irmãs. Por isso, as políticas de não-violência devem começar dentro das paredes de casa para, depois, se difundir por toda a família humana. «O exemplo de Santa Teresa de Lisieux convida-nos a pôr em prática o pequeno caminho do amor, a não perder a oportunidade duma palavra gentil, dum sorriso, de qualquer pequeno gesto que semeie paz e amizade. Uma ecologia integral é feita também de simples gestos quotidianos, pelos quais quebramos a lógica da violência, da exploração, do egoísmo».[19]

O meu convite

6. A construção da paz por meio da não-violência ativa é um elemento necessário e coerente com os esforços contínuos da Igreja para limitar o uso da força através das normas morais, mediante a sua participação nos trabalhos das instituições internacionais e graças à competente contribuição de muitos cristãos para a elaboração da legislação a todos os níveis. O próprio Jesus nos oferece um «manual» desta estratégia de construção da paz no chamado Sermão da Montanha. As oito Bem-aventuranças (cf. Mateus 5, 3-10) traçam o perfil da pessoa que podemos definir feliz, boa e autêntica. Felizes os mansos – diz Jesus –, os misericordiosos, os pacificadores, os puros de coração, os que têm fome e sede de justiça.

Este é um programa e um desafio também para os líderes políticos e religiosos, para os responsáveis das instituições internacionais e os dirigentes das empresas e dos meios de comunicação social de todo o mundo: aplicar as Bem-aventuranças na forma como exercem as suas responsabilidades. É um desafio a construir a sociedade, a comunidade ou a empresa de que são responsáveis com o estilo dos obreiros da paz; a dar provas de misericórdia, recusando-se a descartar as pessoas, danificar o meio ambiente e querer vencer a todo o custo. Isto requer a disponibilidade para «suportar o conflito, resolvê-lo e transformá-lo no elo de ligação de um novo processo».[20] Agir desta forma significa escolher a solidariedade como estilo para fazer a história e construir a amizade social. A não-violência ativa é uma forma de mostrar que a unidade é, verdadeiramente, mais forte e fecunda do que o conflito. No mundo, tudo está intimamente ligado.[21] Claro, é possível que as diferenças gerem atritos: enfrentemo-los de forma construtiva e não-violenta, de modo que «as tensões e os opostos [possam] alcançar uma unidade multifacetada que gera nova vida», conservando «as preciosas potencialidades das polaridades em contraste».[22]

Asseguro que a Igreja Católica acompanhará toda a tentativa de construir a paz inclusive através da não-violência ativa e criativa. No dia 1 de janeiro de 2017, nasce o novo Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, que ajudará a Igreja a promover, de modo cada vez mais eficaz, «os bens incomensuráveis da justiça, da paz e da salvaguarda da criação» e da solicitude pelos migrantes, «os necessitados, os doentes e os excluídos, os marginalizados e as vítimas dos conflitos armados e das catástrofes naturais, os reclusos, os desempregados e as vítimas de toda e qualquer forma de escravidão e de tortura».[23] Toda a ação nesta linha, ainda que modesta, contribui para construir um mundo livre da violência, o primeiro passo para a justiça e a paz.

Em conclusão

7. Como é tradição, assino esta Mensagem no dia 8 de dezembro, festa da Imaculada Conceição da Bem-Aventurada Virgem Maria. Nossa Senhora é a Rainha da Paz. No nascimento do seu Filho, os anjos glorificavam a Deus e almejavam paz na terra aos homens e mulheres de boa vontade (cf. Lucas 2, 14). Peçamos à Virgem Maria que nos sirva de guia.

«Todos desejamos a paz; muitas pessoas a constroem todos os dias com pequenos gestos; muitos sofrem e suportam pacientemente a dificuldade de tantas tentativas para a construir».[24]No ano de 2017, comprometamo-nos, através da oração e da ação, a tornar-nos pessoas que baniram dos seus corações, palavras e gestos a violência, e a construir comunidades não-violentas, que cuidem da casa comum. «Nada é impossível, se nos dirigimos a Deus na oração. Todos podem ser artesãos de paz».[25]

Vaticano, 8 de dezembro de 2016.

Francisco

…………………………………………………………………………..

[1] Francisco, Exort. ap. Evangelii gaudium, 228.

[2] Mensagem para a celebração do 1º Dia Mundial da Paz, 1° de janeiro de 1968.

[3] «Legenda dos três companheiros»: Fontes Franciscanas, n. 1469.

[4] Angelus, 18 de fevereiro de 2007.

[5] Ibidem.

[6] Ibidem.

[7] Discurso por ocasião da entrega do Prémio Nobel, 11 de dezembro de 1979.

[8] Francisco, Meditação «O caminho da paz», Capela da Domus Sanctae Marthae, 19 de novembro de 2015.

[9] Homilia na canonização da Beata Madre Teresa de Calcutá, 4 de setembro de 2016.

[10] N. 23

[11] Ibidem.

[12] Francisco, Discurso na Audiência inter-religiosa, 3 de novembro de 2016.

[13] Idem, Discurso no III Encontro Mundial dos Movimentos Populares, 5 de novembro de 2016.

[14] Cf. Idem, Discurso no Encontro com o Xeque dos Muçulmanos do Cáucaso e com Representantes das outras Comunidades Religiosas, Baku, 2 de outubro de 2016.

[15] Idem, Discurso em Assis, 20 de setembro de 2016.

[16] Cf. Exort. ap. pós-sinodal Amoris laetitia, 90-130.

[17] Cf. ibid., 133.194.234.

[18] Cf. Francisco, Mensagem à Conferência sobre o impacto humanitário das armas nucleares, 7 de dezembro de 2014.

[19] Idem, Carta enc. Laudato si’, 230.

[20] Idem, Exort. ap. Evangelii gaudium, 227.

[21] Cf. Idem, Carta enc. Laudato si’, 16.117.138.

[22] Idem, Exort. ap. Evangelii gaudium, 228.

[23] Idem, Carta apostólica sob a forma de “Motu proprio” pela qual se institui o Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, 17 de agosto de 2016.

[24] Francisco, Regina Caeli, Belém, 25 de maio de 2014.

[25] Apelo, Assis, 20 de setembro de 2016.

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Fonte: http://noticias.cancaonova.com/especiais/pontificado/francisco/mensagem-do-papa-francisco-para-dia-mundial-da-paz-2017/

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Um Sonho Para Alcançar O ITA E Depois A NASA Com Mylena Peixoto Abrindo A Boca Para Marco Barcelos
22/01/2017 | 01h04
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1- Mylena Peixoto, você foi à NASA, sabemos que você correu muito atrás desse sonho e conseguiu realizá-lo. O que mais te motivou a ir atrás do que sonhava? 
 A motivação surge sempre quando relembro toda minha história, a minha relação com a escola e o amor pelos estudos. A motivação surge sempre quando relembro toda minha história, a minha relação com a escola e o amor pelos estudos. A dedicação pelo projeto não fora apenas momentânea, é resultado de um histórico de muita dedicação e sucesso, podendo ser comprovada a partir do momento em que, aos seis anos de idade, fui promovida ao segundo ano do ensino fundamental, devido ao aprendizado avançado e, portanto, não cursando a alfabetização. Além disso, o apoio de familiares e pessoas do Brasil inteiro - que passaram a conhecer minha história através dos meios de comunicação - foi essencial para que eu lutasse ainda mais pelos meus sonhos.
2- Mylena com apenas 16 anos, foi para um país de língua estrangeira e teve cursos. Como foi essa experiência em lidar com outro idioma e pessoas de cultura diferente? 
 Estar em outro continente, longe do meu país, da minha família, demonstrava ser um grande desafio. Eu não tive medo em nenhum momento, pelo contrário, a minha vontade de estar lá, de realizar os meus sonhos, se transformaram em coragem. O maior desafio era estar longe da família. Quanto ao idioma, enfrentei dificuldades nos primeiros dias de viagem, devido a timidez; com o tempo, tudo foi ficando mais fácil, pois eu já dominava o idioma. Sem dúvida alguma, foram os melhores dez dias de minha vida, em um período que pude vivenciar experiências inesquecíveis, conhecer novas culturas, construir amizades e amadurecer no âmbito pessoal e acadêmico.
3- O que você obteve de mais importante nessa jornada à NASA? 
Posso dizer que é um aprendizado gradativo, pois minha vida mudou completamente. Pude compreender a importância de um trabalho em equipe, dos conhecimentos científicos e do desenvolvimento acadêmico . Além do curso, onde obtive conhecimentos na área, pude aprender com cada experiência vivenciada: desde o início de uma grande batalha, para que tudo ocorresse, até a realização do grande sonho; podendo concluir que a minha história, a dedicação pelos estudos, me levaram não somente à um continente distante, mas, também, à um mundo de sonhos ainda maiores.
4- Depois de toda essa experiência, quais são seus próximos passos?
Meu maior sonho é se preparar para iniciar os estudos de Engenharia Aeroespacial no ITA (Instituto Tecnológico da Aeronáutica), para posteriormente, vir a integrar a NASA. Além disso, planejo conquistar espaço na divulgação (há projetos para um canal no YouTube, por exemplo), para que outros jovens, ao conhecerem minha história, possam se sentir motivados, obtendo o acesso à oportunidades como as que eu tive.
5- Como foi o contato com os astronautas? O que mais te encantou?
 O contato com os astronautas foi um dos momentos mais marcantes na viagem. O que mais me encantou foi o quanto eles foram receptivos, conselheiros e humildes. Além de serem uma referência para mim, os astronautas me deram as melhores direções possíveis para que eu possa seguir na carreira, além de se disporem para possíveis ajudas no futuro.
6- Se você pudesse deixar um recado para todas as pessoas que estão desmotivadas a correr atrás de seus sonhos, que mensagem você deixaria?
 Acho que todos podem escolher o seu próprio futuro, lutar por isso e se dedicar para que os objetivos sejam alcançados. Não há limites para nossos sonhos, e mesmo que pareçam distantes, a sensação de batalhar para que se tornem realidade, é gratificante. Acreditar na educação e nos próprios sonhos, é acreditar em um futuro melhor. Assim como nós conseguimos que meus sonhos se tornassem realidade, gostaria de ouvir, um dia, que outros jovens também puderam vivenciar experiências como as que eu tive. Me coloco à disposição, seja pessoalmente ou através das redes sociais, para qualquer possível ajuda, direcionamento ou motivação.
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Alto Índice De Homícidios Em Campos Dos Goytacazes Com o Delegado Títular Da 134º DP Geraldo Rangel Abrindo A Boca Para Marco Barcelos.
22/01/2017 | 01h04
delegado 1- Dr. Geraldo Rangel a criminalidade de Campos vem aumentando assustadamente. Segundo o Instituto de Segurança Pública (ISP) a cada 6 horas tem 1 assalto em Campos neste ano de 2016. Quais os fatores que você atribui para este crescimento?
- Sempre quando há uma grande repressão ao tráfico de drogas há uma tendência de migração para o crime de roubo. Temos trabalhado sistematicamente junto com a polícia militar visando diminuição dos índices. Trata-se de crime de oportunidade, em que os autores se aproveitam de uma situação favorável para pratica-lo; Além do mais há um número considerável de pessoas praticando, até mesmo pela crise econômica, mas a polícia está trabalhando muito.    

2- Neste ano Campos já teve 222 homicídios, sendo que neste mês de novembro já temos média de mais de um por dia até hoje. Qual o trabalho que a Policia Civil está fazendo para elucidar estes casos? E quantos já foram solucionados?
- A 134ª DP- Centro tem um alto índice de elucidação de homicídios. No último dia 22 fizemos a "operação sicário" que cumpriu mandados de prisão de homicídios de 2016. Foram 13 pessoas presas só nessa operação. Muitas vezes não há como evitar o crime, mas cabe a polícia civil dar a resposta e é exatamente isso que estamos fazendo.   


3- Dr. Geraldo Rangel, segundo a Pm só primeiro semestre tivemos 610 roubos de rua junto com roubo de celular. Qual a importância de registrar ocorrência, por que as pessoas acham que não vai da em nada e acabam não indo?
- O policiamento é fixado de acordo com os crimes registrados. Se não houver registro a polícia acaba por não saber e isso atrapalha o planejamento. Assim o registro é de extrema importância. 

4- Em junho no Rio bandidos invadiram o Hospital Souza Aguiar deixando diversos feridos e um morto, achamos que isso nunca iria acontecer em Campos. Porém no ínicio deste mês bandidos invadiram o Hospital São José em Goitacazes e mataram um homem. Este caso já foi solucionado? Os hospitais precisam reforçar sua segurança?
- Não podemos nos manisfestar sobre casos em investigação, mas podemos garantir que esta está em avançado estágio para conclusão.

5- Dr Geraldo Rangel desde de 2013 que é titular da 134ª Delegacia de Polícia (DP) de Campos. Quais são as maiores dificuldades encontradas para trabalhar e solucionar os homicídios?
- O Estado passa por uma grave crise como todos sabem. A polícia trabalha com pessoas e equipamentos. É disso que precisamos cada vez mais.  
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Viabilidade da Mobilidade Urbana com Felipe Quintanilha Abrindo a Boca para Marco Barcelos.
22/01/2017 | 01h04
1239816_10201762918415812_1157060345_n 1- Felipe Quintanilha a mobilidade urbana se apresenta como um desafio não só nos centros urbanos do Brasil, mas também nas grandes metrópoles do mundo, com deslocamento de pessoas em busca de bens e serviços de qualidade. Quais são os maiores desafios para Campos se adequar a esta demanda ?   Primeiro precisamos entender a Mobilidade Urbana como algo maior, como um grande ecossistema que tem por objetivo viabilizar o deslocamento de pessoas e bens no espaço público, num tempo considerado ideal, de maneira segura e com um mínimo de conforto. Neste sentido, o “ecossistema’ Mobilidade Urbana possui seus sistemas interligados, ou como eu gosto de dizer, seus pilares fundamentais: Planejamento Viário (infraestrutura, vias integrais); Trânsito; Transporte coletivo; Transporte alternativo; Veículos de aluguel (táxi, uber, sharing economy, etc); TNM (Transporte não motorizado); Monitoramento e Controle. Baseado neste entendimento, verificamos que Campos possui problemas em todos os pilares da Mobilidade Urbana, e que medidas isoladas e desconexas, ainda que bem intencionadas, não se mostraram eficazes. Diante disso, penso que o primeiro grande desafio para Campos é justamente pensar a Mobilidade Urbana de maneira integrada, partindo de uma análise esmiuçada da realidade existente, mediante estudo apurado dos dados e estatísticas dos órgãos oficiais (IMTT, DETRAN, etc) e, principalmente, dos estudos constantes das prateleiras de nossas Universidades, onde se encontram inúmeros trabalhos acadêmicos de extrema qualidade, para realizar um Planejamento Estratégico adequado à Mobilidade Urbana do Município. Tal estudo deverá resultar na elaboração do Plano Municipal de Mobilidade Urbana, que inclusive, já deveria existir. Com o Plano devidamente elaborado, a Cidade precisará atacar a causa de cada problema diagnosticado, que desde já observamos, como a ordenação do trânsito, os veículos de aluguel e, especialmente, o transporte coletivo, que apesar de ser beneficiado com um programa social de subsídio tarifário, não se mostra eficaz como elemento de integração territorial e indutor do crescimento ordenado. 2- O notório inchaço urbano obriga com urgência a harmonia e agilidade o deslocamento de bens e pessoas com eficiência, conforto e segurança. Quais são os fatores que podem ser adotados em uma cidade como Campos que tem uma extensão territorial imensa ? Como dito na resposta anterior, a partir de uma visão macro e integrada da Mobilidade Urbana, materializada pelo Plano Municipal, entendo que o transporte coletivo é a chave para a integração territorial de nossa Cidade, uma vez que o transporte de massa é capaz de interligar os mais longínquos pontos do Município valorizando as atividades existentes em cada um deles, e permitindo que a população explore as atividades comerciais, educacionais, sociais e culturais de cada localidade, bairro ou distrito. Precisamos entender que se não houver um transporte de massa que funcione de maneira eficiente e eficaz, as pessoas tendem a querer se mudar de sua localidades, aumentando o famigerado êxodo e desvalorizando a localidade eventualmente desatendida. 3- O planejamento do transporte a longo prazo são adotas em grandes metrópoles com o modelo rodoviarista. Na sua avaliação o que precisa ser melhorado ?   Desde Juscelino Kubistchek, na década de 50, o País experimenta a implantação desde modelo Rodoviarista, a partir da construção, ampliação e melhoramento das rodovias. É difícil tecer críticas sobre este modelo, considerando que à época, o Brasil era pouquíssimo povoado em comparação com sua extensão territorial, o que por conseguinte, encontrou no modelo de Rodovias, a maneira mais fácil de promover a integração territorial. Valorizar o modelo Rodoviarista não deve, nem pode, significar o abandono dos modelos ferroviário, aéreo e aquático. Ora, os modelos de transporte podem conviver tranquilamente de maneira harmônica, desde que sejam pensados de maneira integrada de acordo com a demanda existente de deslocamento de pessoas e bens nos espaços públicos, que como muito bem ensina Hanna Arendt, são múltiplos. 4- Campos sofre com muito congestionamento pelo crescente número de carros. Como incentivar a população para ter uma melhor qualidade de vida e utilizar o transporte público ? Fazer com que as pessoas optem por utilizar o transporte coletivo é o resultado da aplicação de política pública de Mobilidade Urbana. Não há como convencer qualquer cidadão a usar o transporte coletivo se ele não confia no sistema, até porquê, os exemplos na imensa maioria do país é sempre de sistemas de transportes ineficientes e ineficazes, lembrando que eficiência está relacionada à processo, e eficácia à resultados. Penso que a opção pelo transporte coletivo virá de maneira gradativa a partir da implantação de política pública de Mobilidade Urbana que valoriza o espaço público, que ordene o trânsito, que regulamente as práticas de compartilhamento de veículos, que incentive o transporte não motorizado e, especialmente, priorize o transporte de massa ao invés do transporte individual. 5- Felipe o transporte sobre trilhos é viável em Campos ? Marco, não se pode falar em viabilidade sem analisar todos os dados necessários para um adequado estudo de viabilidade do projeto. Todavia, sabemos que nossa Cidade historicamente sempre foi servida pelo transporte sobre trilhos. Vejo com muito bons olhos o retorno dos investimentos neste modelo de transporte, especialmente para o transporte de cargas. 6- Muitas pessoas confundem o transporte público com mobilidade urbana. Qual a diferença ?   Na verdade acho que a maioria acaba por entender Mobilidade Urbana somente como transporte coletivo. Como já exposto, Mobilidade Urbana é algo muito maior, é a capacidade de deslocamento de pessoas e bens no espaço urbano para a realização das atividades cotidianas em tempo considerado ideal, de modo confortável e seguro. Transporte coletivo, por sua vez, é um dos pilares da Mobilidade Urbana de uma cidade, e pode ser resumido como um meio de transporte proporcionado pelo Poder Público, diretamente ou por meio de delegação, que atende a todos os cidadãos. Como se vê, definitivamente não podemos resumir Mobilidade Urbana à transporte coletivo, ao contrario, temos que pensá-la como algo maior que precisa ser pensado de maneira integrada.
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