O Terapeuta Ocupacional Drº Leonardo Castro Abrindo a Boca Para Marco Barcelos
17/11/2015 | 17h55
IMG-20151116-WA0002 (1) 1 – Drº Leonardo Castro, a Terapia ocupacional é uma especialidade que poucas pessoas conhecem e precisam deste tratamento para atingir seus objetivos de vida. Explique que pessoas podem ter acesso a este tratamento e com que finalidade? Primeiramente quero agradecer seu convite e dizer que admiro muito seu trabalho, sua história de vida e superação. Falar da profissão que escolhi é sempre um prazer. Há 12 anos, antes de entrar na graduação, também não tinha muita informação sobre essa profissão. Na cidade de Campos existiam poucos profissionais atuando, mesmo sendo uma profissão regulamentada há 46 anos pelo decreto Lei 938 desde 13 de Outubro de 1969. Hoje esse cenário mudou um pouco, e a profissão tende a ter maior visibilidade com abertura do curso de terapia ocupacional no Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ) e na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), duas grandes universidades federais que estão formando terapeutas ocupacionais, que auxiliarão na ampliação das áreas de atuação, divulgação da profissão e preenchimento dos espaços vazios nas cidades do interior do Estado do Rio nos próximos anos. Seguimos em busca de um reconhecimento semelhante ao que existe hoje em outros países, como nos Estados Unidos da América. Qualquer pessoa pode ter acesso ao tratamento.Temos terapeutas ocupacionais atuando em diversas frentes de trabalho: Hospitais Gerais; Hospitais de especialidades, como é o caso do Instituto Nacional do Câncer, Instituto Nacional de Cardiologia, Instituto Estadual de Cardiologia Aloysio de Castro, Instituto Fernandes Figueira/FIOCRUZ, Instituto Nacioanl de Traumatologia e Ortopedia; na Atenção Básica , como em postos de saúde, em Unidades de Estratégia Saúde da Família, nos Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASF) e em consultórios de rua; na saúde mental em Hospitais Psiquiátricos, ambulatórios, emergências, Centros de Atenção Psicossocial I , II, III, Álcool e outras drogas e infantil; em clínicas particulares; na área social, com crianças e jovens em situação de vulnerabilidade; no esporte, com o esporte adaptado; como também na área da gestão e consultoria. Enfim, uma série de áreas de atuação e locais em que o terapeuta ocupacional pode ser encontrado, buscando trabalhar com o máximo do desempenho ocupacional do cliente nas suas atividades de vida diária, no trabalho e no lazer, a partir da demanda do mesmo. 2 – A OMS a partir de 1980 considera uma pessoa com deficiência quando uma debilidade ou uma incapacidade interfere em suas atividades diárias. Qual a idade que pode se iniciar este tratamento e quais são as maiores dificuldades? Temos terapeutas ocupacionais que atuam dentro de Unidades de terapia intensiva neonatal, então dependendo da necessidade e indicação, podemos atender desde os primeiros dias de vida até a atuação em cuidados paliativos. Crianças, jovens adultos e idosos podem e devem se beneficiar dessa terapêutica ocupacional. Em relação às dificuldades, penso que o acesso ao tratamento terapêutico ocupacional ainda é um problema, a maioria da população não tem condições financeiras de arcar com esse tipo de tratamento. Para solucionar tal problema, o Sistema Único de Saúde deveria fornecer este serviço, porém, especificamente na rede pública de saúde do município de Campos dos Goytacazes, ainda há poucos profissionais para dar conta da demanda existente. Outra grande dificuldade é viver em um País que não dá condições da pessoa com deficiência de ter acesso aos serviços comuns a todos os cidadãos, não existe planejamento urbano, não existe compromisso com a pessoa com deficiência. No município de Campos, cidade em que vivo com minha família, percebo que também há pouco planejamento, o que acarreta em pouca ou quase nenhuma acessibilidade, para que uma pessoa com deficiência auditiva, visual, cadeirante, amputado ou com qualquer outro tipo de deficiência transite pela cidade com segurança e sem dificuldades no seu deslocamento. 3 – O terapeuta ocupacional trabalha em conjunto com quais especialidades e com que finalidade? Atendemos em conjunto com várias categorias, se tenho, por exemplo, que planejar uma grande adaptação na residência de uma pessoa com deficiência, para otimizar os espaços de circulação, facilitando o acesso aos ambientes, passagens de porta, adaptação em banheiro, rampas, etc., posso contar com o valioso auxílio dos arquitetos. Tenho hoje uma parceria de muito sucesso da terapia ocupacional com a enfermagem, atuando no Programa de Controle do Tabaco no município do Rio de Janeiro. Mas atendemos também em conjunto com psicólogos, pedagogos, fonoaudiólogos, musicoterapeutas, assistentes sociais, médicos e fisioterapeutas. Minha trajetória profissional foi sempre marcada pelo trabalho em equipe, pelo respeito e reconhecimento da importância de cada categoria profissional. A finalidade desses encontros são definidas a partir da análise das necessidades do cliente que está na nossa frente. 4 – Onde a pessoa com uma incapacidade começa a construir um novo conceito que a ajudará a navegar pela vida com diferentes habilidades funcionais e muitas vezes precisa também de tratamento na saúde mental. Quais os maiores obstáculos? Em 2009 concluí minha pós-graduação em terapia ocupacional na área de saúde mental pela UFMG e lembro que esse tema era e ainda é sempre muito debatido. Pelo que observo em minha prática profissional e acadêmica ao longo desses anos, é que esse start para a vida e a descoberta de novas possibilidades para construção desse novo conceito de vida acontece de maneira singular com cada sujeito. Tal singularidade está intimamente ligada com a qualidade dos relacionamentos sociais e laços afetivos que essas pessoas mantêm ao longo dos anos, isto inclui colegas, amigos, familiares, vizinhos, profissionais de saúde, animais de estimação, etc. Essa rede social é responsável por apresentar e conduzir a pessoa com deficiência para esse novo mundo. A pessoa com deficiência só voltará a navegar quando sair de casa e tiver condição de frequentar um espaço onde não será tratado como alguém que incomoda, por isso devemos criar condições de acesso em praias, restaurantes, escola/universidade, praças, cinema, teatro, transporte, vias públicas, clubes, centros esportivos. Dentro de casa a pessoa irá desenvolver transtornos mentais compatíveis com o isolamento, o medo e as angustias de quem está preso. Por isso temos como grande obstáculo para os proximos anos, o cumprimento do Estatuto da Pessoa com Deficiência aprovado este ano. 5 – Pacientes bipolar, com síndrome do pânico e agorafobia, são indicados para tratamento com terapeuta ocupacional? A saúde mental é sempre um desafio, cada vez mais nos isolamos do mundo, do contato social, permanecemos escondidos atrás das redes sociais criadas virtualmente. As cobranças por resultados, o stress com o trabalho, a rotina do dia a dia e a falta de tempo para o lazer tornam o ser humano uma bomba relógio capaz de explodir a qualquer momento. Esses fatores, dentre outros, contribuem para o aparecimento de compulsões, fobias e isolamento. Todas as desordens mentais têm indicação terapêutica ocupacional, seja quando o paciente está estável ou quando ele está em crise. A Terapia ocupacional, tanto nesses como em outros tipos de transtornos, contribui de forma a estabilizar o humor do paciente, cria laços afetivos, resgata a autonomia e independência, inclui no trabalho, nas atividades de vida diária e prática, etc. 6 – Paciente que tenha sequelas permanentes e que toda sua habilidade foi perdida, no caso de um cirurgião que perdeu toda capacidade de fazer cirurgia, como motiva-lo? Primeiro tenho que estabelecer uma relação de confiança com meu cliente, a escuta qualificada da história de vida da pessoa atendida e a construção de vínculo são fundamentais para iniciar a relação terapeuta-paciente. No caso exemplificado, voltar a fazer cirurgias pode ser o objetivo do cliente, o terapeuta não pode reprimir esse desejo ou fingir que não existe, esse pode ser sim um objetivo final, só que para alcançar esse objetivo maior, teremos que criar uma lista com outros objetivos menores, relembrando que a terapia ocupacional trabalha com o desempenho ocupacional nas atividades de vida diária, nas atividades do trabalho e no lazer, o cliente precisa primeiro ter condições de escovar seus dentes sozinho, ir ao banheiro de forma independente, trocar sua roupa sozinho, tomar banho, pentear os cabelos, enfim, uma serie de atividades que só serão realizadas se os grupos musculares e articulações de membros inferiores e superiores estiverem com respostas positivas no processo de reabilitação. Então a motivação é um processo, é um ganho a cada dia, cada dia um avanço, uma conquista, cada conquista uma comemoração, essas pequenas conquistas deixam o cliente querendo mais, buscando a cada dia um novo movimento que não existia. Não é uma caminhada fácil, possui muitos obstáculos, mas os obstáculos existem para serem superados. Agradeço mais uma vez a oportunidade de divulgar a minha profissão, agradeço ao grupo FOLHA por levar informações de qualidade ao povo Campista, deixo aqui meus contatos para dúvidas, informações e troca de experiência. [email protected] Tel:22-999159332 / 21-987730637
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Comissão de Esporte se reúne com técnicos e Atletas, para completar com Bolsa Atleta realmente quem merece.
06/11/2015 | 22h14
Foto OK Após audiência Pública, na Bolsa Atleta, o vereador Neném convocou técnicos e atletas para discutir e elaborar critérios para contemplar a Bolsa Atleta para quem realmente merece. Após verificar a relação de Atletas pelo FME de que alguns não eram nascidos e nem moravam no município, e quando a bolsa foi cortada não apareceram pra reclamar isto é uma prova que era contemplada quem não merecia. As reuniões têm sido com excelente aproveitamento, a partir de agora os atletas terão que ser Federados ou Confederados, terá que ser apresentado um relatório trimestral de suas atividades, participando de competições ou não, e será fundamental a participação dos técnicos no aspecto disciplinar e escolar de seus atletas, pois a partir de agora haverá uma maior integração junto a FME. A comissão avaliadora será composta por membros da FME e membros da Comissão de Desportes da Câmera de Vereadores e um membro representando todos os Técnicos. Desta forma acredita-se que será uma maneira democrática para escolher Atletas que receberão a Bolsa Atleta. A escolha será baseada no Ranking de cada modalidade respeitando a particularidade de cada uma delas. Para adquirir a Bolsa Atleta é a partir dos 12 anos e os Atletas se comprometem a representar o municípios em competições promovidas ou consideradas de interesse da FME, ou de interesse desportivos estadual, nacional ou internacional. O atleta beneficiado com o Bolsa Atleta oferecerá como contra partida autorização para o uso de sua imagem, e quando for campeão terá que visitar escolas para estimular os jovens a serem futuros campeões. Todos estes critérios foram discutidos em reunião, e ainda a mais há se discutir, para melhorar cada vez mais o incentivo ao atleta. Ao final destas reuniões a comissão irá aprovar as alterações.
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Marco Barcelos

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