Alto Índice De Homícidios Em Campos Dos Goytacazes Com o Delegado Títular Da 134º DP Geraldo Rangel Abrindo A Boca Para Marco Barcelos.
29/11/2016 | 16h25
delegado 1- Dr. Geraldo Rangel a criminalidade de Campos vem aumentando assustadamente. Segundo o Instituto de Segurança Pública (ISP) a cada 6 horas tem 1 assalto em Campos neste ano de 2016. Quais os fatores que você atribui para este crescimento?
- Sempre quando há uma grande repressão ao tráfico de drogas há uma tendência de migração para o crime de roubo. Temos trabalhado sistematicamente junto com a polícia militar visando diminuição dos índices. Trata-se de crime de oportunidade, em que os autores se aproveitam de uma situação favorável para pratica-lo; Além do mais há um número considerável de pessoas praticando, até mesmo pela crise econômica, mas a polícia está trabalhando muito.    

2- Neste ano Campos já teve 222 homicídios, sendo que neste mês de novembro já temos média de mais de um por dia até hoje. Qual o trabalho que a Policia Civil está fazendo para elucidar estes casos? E quantos já foram solucionados?
- A 134ª DP- Centro tem um alto índice de elucidação de homicídios. No último dia 22 fizemos a "operação sicário" que cumpriu mandados de prisão de homicídios de 2016. Foram 13 pessoas presas só nessa operação. Muitas vezes não há como evitar o crime, mas cabe a polícia civil dar a resposta e é exatamente isso que estamos fazendo.   


3- Dr. Geraldo Rangel, segundo a Pm só primeiro semestre tivemos 610 roubos de rua junto com roubo de celular. Qual a importância de registrar ocorrência, por que as pessoas acham que não vai da em nada e acabam não indo?
- O policiamento é fixado de acordo com os crimes registrados. Se não houver registro a polícia acaba por não saber e isso atrapalha o planejamento. Assim o registro é de extrema importância. 

4- Em junho no Rio bandidos invadiram o Hospital Souza Aguiar deixando diversos feridos e um morto, achamos que isso nunca iria acontecer em Campos. Porém no ínicio deste mês bandidos invadiram o Hospital São José em Goitacazes e mataram um homem. Este caso já foi solucionado? Os hospitais precisam reforçar sua segurança?
- Não podemos nos manisfestar sobre casos em investigação, mas podemos garantir que esta está em avançado estágio para conclusão.

5- Dr Geraldo Rangel desde de 2013 que é titular da 134ª Delegacia de Polícia (DP) de Campos. Quais são as maiores dificuldades encontradas para trabalhar e solucionar os homicídios?
- O Estado passa por uma grave crise como todos sabem. A polícia trabalha com pessoas e equipamentos. É disso que precisamos cada vez mais.  
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Viabilidade da Mobilidade Urbana com Felipe Quintanilha Abrindo a Boca para Marco Barcelos.
08/11/2016 | 17h36
1239816_10201762918415812_1157060345_n 1- Felipe Quintanilha a mobilidade urbana se apresenta como um desafio não só nos centros urbanos do Brasil, mas também nas grandes metrópoles do mundo, com deslocamento de pessoas em busca de bens e serviços de qualidade. Quais são os maiores desafios para Campos se adequar a esta demanda ?   Primeiro precisamos entender a Mobilidade Urbana como algo maior, como um grande ecossistema que tem por objetivo viabilizar o deslocamento de pessoas e bens no espaço público, num tempo considerado ideal, de maneira segura e com um mínimo de conforto. Neste sentido, o “ecossistema’ Mobilidade Urbana possui seus sistemas interligados, ou como eu gosto de dizer, seus pilares fundamentais: Planejamento Viário (infraestrutura, vias integrais); Trânsito; Transporte coletivo; Transporte alternativo; Veículos de aluguel (táxi, uber, sharing economy, etc); TNM (Transporte não motorizado); Monitoramento e Controle. Baseado neste entendimento, verificamos que Campos possui problemas em todos os pilares da Mobilidade Urbana, e que medidas isoladas e desconexas, ainda que bem intencionadas, não se mostraram eficazes. Diante disso, penso que o primeiro grande desafio para Campos é justamente pensar a Mobilidade Urbana de maneira integrada, partindo de uma análise esmiuçada da realidade existente, mediante estudo apurado dos dados e estatísticas dos órgãos oficiais (IMTT, DETRAN, etc) e, principalmente, dos estudos constantes das prateleiras de nossas Universidades, onde se encontram inúmeros trabalhos acadêmicos de extrema qualidade, para realizar um Planejamento Estratégico adequado à Mobilidade Urbana do Município. Tal estudo deverá resultar na elaboração do Plano Municipal de Mobilidade Urbana, que inclusive, já deveria existir. Com o Plano devidamente elaborado, a Cidade precisará atacar a causa de cada problema diagnosticado, que desde já observamos, como a ordenação do trânsito, os veículos de aluguel e, especialmente, o transporte coletivo, que apesar de ser beneficiado com um programa social de subsídio tarifário, não se mostra eficaz como elemento de integração territorial e indutor do crescimento ordenado. 2- O notório inchaço urbano obriga com urgência a harmonia e agilidade o deslocamento de bens e pessoas com eficiência, conforto e segurança. Quais são os fatores que podem ser adotados em uma cidade como Campos que tem uma extensão territorial imensa ? Como dito na resposta anterior, a partir de uma visão macro e integrada da Mobilidade Urbana, materializada pelo Plano Municipal, entendo que o transporte coletivo é a chave para a integração territorial de nossa Cidade, uma vez que o transporte de massa é capaz de interligar os mais longínquos pontos do Município valorizando as atividades existentes em cada um deles, e permitindo que a população explore as atividades comerciais, educacionais, sociais e culturais de cada localidade, bairro ou distrito. Precisamos entender que se não houver um transporte de massa que funcione de maneira eficiente e eficaz, as pessoas tendem a querer se mudar de sua localidades, aumentando o famigerado êxodo e desvalorizando a localidade eventualmente desatendida. 3- O planejamento do transporte a longo prazo são adotas em grandes metrópoles com o modelo rodoviarista. Na sua avaliação o que precisa ser melhorado ?   Desde Juscelino Kubistchek, na década de 50, o País experimenta a implantação desde modelo Rodoviarista, a partir da construção, ampliação e melhoramento das rodovias. É difícil tecer críticas sobre este modelo, considerando que à época, o Brasil era pouquíssimo povoado em comparação com sua extensão territorial, o que por conseguinte, encontrou no modelo de Rodovias, a maneira mais fácil de promover a integração territorial. Valorizar o modelo Rodoviarista não deve, nem pode, significar o abandono dos modelos ferroviário, aéreo e aquático. Ora, os modelos de transporte podem conviver tranquilamente de maneira harmônica, desde que sejam pensados de maneira integrada de acordo com a demanda existente de deslocamento de pessoas e bens nos espaços públicos, que como muito bem ensina Hanna Arendt, são múltiplos. 4- Campos sofre com muito congestionamento pelo crescente número de carros. Como incentivar a população para ter uma melhor qualidade de vida e utilizar o transporte público ? Fazer com que as pessoas optem por utilizar o transporte coletivo é o resultado da aplicação de política pública de Mobilidade Urbana. Não há como convencer qualquer cidadão a usar o transporte coletivo se ele não confia no sistema, até porquê, os exemplos na imensa maioria do país é sempre de sistemas de transportes ineficientes e ineficazes, lembrando que eficiência está relacionada à processo, e eficácia à resultados. Penso que a opção pelo transporte coletivo virá de maneira gradativa a partir da implantação de política pública de Mobilidade Urbana que valoriza o espaço público, que ordene o trânsito, que regulamente as práticas de compartilhamento de veículos, que incentive o transporte não motorizado e, especialmente, priorize o transporte de massa ao invés do transporte individual. 5- Felipe o transporte sobre trilhos é viável em Campos ? Marco, não se pode falar em viabilidade sem analisar todos os dados necessários para um adequado estudo de viabilidade do projeto. Todavia, sabemos que nossa Cidade historicamente sempre foi servida pelo transporte sobre trilhos. Vejo com muito bons olhos o retorno dos investimentos neste modelo de transporte, especialmente para o transporte de cargas. 6- Muitas pessoas confundem o transporte público com mobilidade urbana. Qual a diferença ?   Na verdade acho que a maioria acaba por entender Mobilidade Urbana somente como transporte coletivo. Como já exposto, Mobilidade Urbana é algo muito maior, é a capacidade de deslocamento de pessoas e bens no espaço urbano para a realização das atividades cotidianas em tempo considerado ideal, de modo confortável e seguro. Transporte coletivo, por sua vez, é um dos pilares da Mobilidade Urbana de uma cidade, e pode ser resumido como um meio de transporte proporcionado pelo Poder Público, diretamente ou por meio de delegação, que atende a todos os cidadãos. Como se vê, definitivamente não podemos resumir Mobilidade Urbana à transporte coletivo, ao contrario, temos que pensá-la como algo maior que precisa ser pensado de maneira integrada.
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Marco Barcelos

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