Inovando na Sapucaí Trazendo Arquitetura de Verdade para Dentro dos Camarotes, Comparado ao Ícone Paulo Barros o Surpreendente Arquiteto Rodrigo Dinelli, Abrindo a Boca Para Marco Barcelos
16/03/2019 | 14h38
1 - Rodrigo Dinelli, este ano, várias escolas de samba, principalmente a Mangueira, campeã do Carnaval, cantaram enredos fortes gritando por um Brasil melhor. Você, com a sua arquitetura, já faz isso há anos com o projeto do camarote Folia Tropical. Conte quais foram os seus maiores apelos com seus variados temas que nos surpreende a cada ano e qual foi o tema para este Carnaval?
Parece que foi ontem que vi o camarote nascer e este foi o sétimo ano como arquiteto do Folia Tropical. Ao longo dessa jornada, sempre me preocupei em estampar a “cara do Brasil” em seus interiores e passar mensagens importantes com o projeto, trazendo para a sua fachada diversos temas marcantes e brasileiros, como nossos bichos e aves em extinção, a floresta amazônica em alerta ao desmatamento e, até mesmo, a zona norte carioca para não deixar morrer a origem do samba. Este ano, a idéia foi trazer algo ainda mais forte e mais humano, que pudesse servir de espelho para reconhecermos e valorizarmos as nossas verdadeiras origens. O Folia Tropical representou as faces do Brasil na Sapucaí, com sua diversidade de cores, culturas e etnias! O Brasil é considerado um país com uma enorme miscigenação étnica, como os indígenas, portugueses, holandeses, italianos, negros, japoneses, árabes, e etc. E foi por isso que o projeto focou em nossas variadas etnias, que somadas, formam um só povo de muito amor, calor humano e beleza natural!
 
 
2 - Rodrigo Dinelli, este ano você trabalhou com o artista goiano Hal Wildson no projeto do camarote, conte mais sobre essa parceria e qual foi a mensagem que você quis passar para os foliões?
Todos já sabem que o Folia Tropical valoriza a arte original brasileira e, por isso, convidamos o Hal para estampar por todo o projeto, tanto na fachada, como nos interiores, a sua arte de “amor, raízes ancestrais e tramas do afeto”, como ele mesmo define. Para este trabalho, Hal usou a técnica de colagem e ilustração com caneta esferográfica, explorando cores vibrantes, o povo, a fauna e a flora do nosso país. Ampliamos tudo isso em gigantescos painéis e espalhamos por todo o camarote para reforçar ainda mais a mensagem que queríamos passar: Fazer o foliões se sentirem orgulhosos filhos de nossa terra e, juntos, num grito de união, respeito e liberdade, mostrar a verdadeira face do Brasil que queremos para todos os nossos Carnavais.
3 - Fiquei sabendo que durante o maior espetáculo da Terra você foi chamado de “Paulo Barros dos camarotes”! Como você se sente ao ser comparado a este revolucionário carnavalesco brasileiro?
De fato, Paulo Barros é o rei do Carnaval! Um mago da criatividade que surpreende e encanta o mundo todo a cada ano. Ser comparado com este ícone é um imenso privilégio. Tenho orgulho de dizer que inovei na Sapucaí trazendo Arquitetura de verdade pra dentro dos camarotes. Fui o primeiro a tratar uma fachada de um mega camarote como se trata um grande carro abre-alas e, por isso, me emociono com essa comparação. A maior intenção com um projeto dentro do Carnaval é, acima de tudo, surpreender! E saber que, assim como ele, eu consegui criar surpresas e chamar a atenção dos foliões, é simplesmente a minha maior realização dentro da minha profissão.
4 - O Folia Tropical já está famoso por receber em seu palco reis e rainhas da musica brasileira e por atrair renomados artistas para curtir o carnaval dentro dos seus dois mil metros quadrados de comodidades. Como vocês conseguiram isso e como foi, por exemplo, estar “cara a cara” com a Gal Costa este ano?
O Folia Tropical é um camarote fundado por uma família de amigos meus e, por isso, desde o seu início em 2013, quando recebi o convite para projetá-lo, tudo foi pensado para que o ambiente fosse o mais familiar possível. A idéia era criar a casa do samba para receber um público que amasse o samba de verdade! E foi exatamente isso que fizemos! Deixamos a farra para os outros camarotes e o Folia Tropical se tornou a tão querida casa de família que atrai pessoas do bem e com boas energias para assistir com conforto ao maior espetáculo da Terra. Com tudo isso, tive o privilégio de estar ao lados de várias celebridades e receber delas muitos elogios pelo meu projeto. Imagina só receber um elogio da Gal Costa! Quase morri do coração! Essa mulher que sempre esteve presente em minha vida pelos discos de vinil que a minha mãe ouvia durante toda minha infância, estava alí cantando na nossa frente dentro de um ambiente projetado por mim mesmo! Ainda não caiu a ficha...
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Cautela com as Dificuldades e Transtornos de Aprendizagem na Visão da Neuropsicopedagoga Jossana Bartolazzi Abrindo a Boca para Marco Barcelos.
10/03/2019 | 11h44
1 - Jossana Bartolazzi, que é Neuropsicopedagogia?
 
 
A neuropsicopedagogia é uma ciência que estuda como o cérebro aprende , unindo pesquisas da neurociência, psicologia e pedagogia. Dessa forma, busca procedimentos e práticas eficazes para lidar com situações de dificuldades de aprendizagem, que muitas vezes podem estar ligadas à linguagem escrita, tanto na matemática quanto na comunicação, ou até mesmo em transtornos emocionais.
 
 
2 - Jossana Bartolazzi, cada dia que passa percebemos que aumentam os números de crianças com dificuldade de aprendizagem. Como a neuropsicopedagogia pode ajudar nesse processo?
 
 
É preciso ter cautela quando se fala em dificuldade de aprendizagem e em transtornos de aprendizagem, uma vez que o diagnóstico deve ser minucioso e responsável. Uma simples dificuldade de aprendizagem não pode ser confundida com transtorno, o que acarretaria em um protocolo totalmente desfavorável ao aluno. Uma dificuldade de aprendizagem pode ser consequência de vários fatores como a falta de integração da família, infrequência, problemas de cunho social, ou até mesmo, uma metodologia ineficiente por parte do docente. Já os transtornos de Aprendizagem possuem uma incapacidade específica, como matemática, leitura ou escrita, em alunos que apresentam um resultado bem abaixo do esperado em relação ao seu ano de escolaridade.
 
 
3 - Então, quando a família pode começar a se preocupar com a possível dificuldade e como saber se é uma dificuldade ou um transtorno de aprendizagem?
 
 
Boa sua pergunta. A família desde sempre deve acompanhar o desenvolvimento escolar da aluno. Estar atenta às tarefas de casa, traçar uma rotina de estudo e entrar em contato com a escola sempre que perceber algo diferente. As dificuldades começam a ser mais aparentes na fase de alfabetização, por volta dos 6 anos de idade de acordo com a metodologia adotada por cada escola. Porém, alguns comprometimentos no desenvolvimento psicomotor, seja na coordenação motora fina ou grossa, movimento de pinça, lateralidade, noção espacial e temporal, já podem ser observadas na Educação Infantil.
 
 
4 - Jossana Bartolazzi, a partir da percepção de um possível diagnóstico de transtorno, o que a escola e/ou a família devem fazer?
 
 
Cada caso é um caso. Como falei, a interação da família com a escola é essencial nesse processo. Cada situação caberá um proceder diferente. Muitas vezes apenas a ajuda de um pedagogo resolve. Atuei como Orientadora de Estudos no PNAIC (Programa Nacional de Alfabetização na Idade Certa) em uma parceria com a UFRJ, onde pude orientar vários alfabetizadores. Obtivemos um grande avanço nos resultados dos alunos no ciclo alfabetizador apenas com a orientação nos cursos presenciais e acompanhamento nas escolas. Porém, em outros casos será necessário a avaliação e intervenção de um neuropsicopedagogo, outras ainda de um tratamento interdisciplinar, como terapeutas ocupacionais, médicos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos e até mesmo, medicações.
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Marco Barcelos

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