Passando Emoção Através da Sustentabilidade e da Floresta Amazônica no Camarote Folia Tropical com Rodrigo Dinelli Abrindo a Boca para Marco Barcelos
09/03/2017 | 13h15

1- Rodrigo Dineli, há vários anos você é responsável pelo projeto de arquitetura do Camarote Folia Tropical na Sapucaí, o que motivou escolher o tema Desmatamento da Floresta Amazônica e Sustentabilidade para o carnaval de 2017?

Desde que o camarote Folia Tropical nasceu, há cinco anos atrás, a minha preocupação foi sempre estampar a “cara do Brasil” em suas paredes, valorizando as nossas riquezas; bichos, plantas, tecidos, fibras e cores. Agora, em 2017, a grande novidade foi unir o tropical ao sustentável em respeito à natureza e, em especial, à nossa Floresta Amazônica. Esta, com certeza, foi a minha maior inspiração para o projeto. Escolhi esse tema pois o desmatamento da maior floresta do mundo cresceu quase 30% no ano passado, segundo o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia. São quase 8 mil quilômetros do nosso verde que desapareceram do mapa. Em vista disso, o projeto da fachada consistiu em emoldurar um pedaço da Floresta Amazônica na Sapucaí, assim como uma obra de arte, protegendo o nosso verde. O interessante disso tudo é que, ao invés de utilizar plantas naturais, reproduzi espécies tropicais em material reciclável. Folhas de palmeiras, bananeiras, costelas-de-adão, e outros exemplares tropicais foram recortados à mão para criar o maior jardim vertical artesanal já visto na Sapucaí.

2- Como um projeto de arquitetura de um camarote pode refletir na arquitetura do nosso dia-a-dia?

A Conscientização da reciclagem está cada dia maior para preservação do meio ambiente. Para mim, a arquitetura atual está diretamente ligada à Sustentabilidade. Em todos os meus projetos, por menor que seja ele, procuro utilizar recursos que contribuam, de alguma maneira, para a preservação do nosso planeta. Além de sempre usar materiais recicláveis nos meus projetos, utilizo madeira de reflorestamento ou ecológica. Outro item importantíssimo nesse quesito é a iluminação. Atualmente utilizo, em todos os meus projetos, as lâmpadas de led. Hoje em dia elas fazem tudo que as incandescentes faziam e ainda economizam energia! Posso ter um projeto bonito e ficar com a consciência tranquila de estar contribuindo para um futuro melhor do nosso planeta!

3- Quanto tempo leva para você pensar num tema para o camarote a cada ano e quanto tempo leva para você desenvolver o tema e a execução da obra?

Depende muito da minha sensibilidade em um determinado local que esteja. Por exemplo, no ano passado a ideia dos guarda-sóis veio, de repente, quando cheguei na praia de ipanema num domingo ensolarado e pensei: isso será a fachada do Folia Tropical esse ano! E, assim, em um mês já estavam prontas todas as plantas. Geralmente a obra dura 3 meses antes do Carnaval.

4- Várias celebridades não pouparam elogios ao seu trabalho, qual depoimento que mais te sensibilizou?

No ano passado o que mais me surpreendeu foi o comentário que o artista internacional Sir Ian McKellen (que viveu o Magneto do X-Man e o Gandalf do Senhor dos Anéis) fez diretamente a mim dizendo que eu consegui resumir o Brasil com a arquitetura do camarote. Esse ano, dois elogios eu vou levar pra sempre no coração: o da Wanessa Camargo e da sua mãe, Zilu, ex-mulher de Zezé di Camargo. A Zilu disse que, como mãe, conseguiu sentir toda a emoção que eu tentei passar com a decoração e a minha preocupação com a natureza. Já a Wanessa se empolgou com os tetos de folhas, com as flores e frutas espalhadas pelo camarote inteiro e gritou, dizendo que estava se sentindo a rainha tropical naquele espaço lúdico, alegre e fora do comum! Fiquei muito feliz com tudo aquilo, pois todos sabem que a minha maior preocupação com os meus projetos é passar emoção e fazer as pessoas se sentirem mais felizes em ambientes confortáveis e diferentes.

5- O carnaval do Rio é visto mundialmente, você aspira participar desenvolvendo seu trabalho em algum evento internacional?

Claro! Pode ter a certeza de que o primeiro que aparecer eu estarei dentro! Adoro novos desafios e adoro viajar pra fora do Brasil. Será um prazer mostrar a nossa cultura pelo mundo representada pela minha arquitetura!

6- Neste ano o carnaval da Sapucaí tivemos um episódio desagradável, os incidentes com os carros alegoricos. Na sua avaliação quais as medidas para prevenir outros incidentes?

Infelizmente, as pessoas só começam a se preocupar, quando acontece algo grave. Esses acidentes são provas de que devemos sempre nos prevenir e que as escolas de samba deveriam contratar mais engenheiros e arquitetos para o projeto dos carros alegórios. Vejo essas alegorias como grandes edifícios cada vez mais tecnológicos e inovadores, por isso a LIESA (Liga internacional das Escolas de Samba) deveria exigir mais registros de responsabilidade técnicas mediante aos conselhos de engenharia e arquitetura para garantirem projetos mais estruturados e seguros. Se me convidarem para projetar carros alegóricos numa dessas escolas, com certeza eu aceitaria! – brinca o arquiteto.

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Marco Barcelos

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