A terça-feira está sendo movimentada para os políticos fluminenses em Brasília. Além do governador Cláudio Castro (PL), que se reuniu com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), como mostrado mais cedo aqui, quem também está acompanhando agendas no Planalto Central é o presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar (PL), que, inclusive, está presidindo também a Frente Parlamentar em defesa dos royalties e deve participar, às 19h, na Câmara Federal, de uma reunião junto com deputados federais da bancada do RJ para discutir estratégias ao possível julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a partilha dos recursos provenientes da produção de petróleo.
Entre as agendas já cumpridas em Brasília, o próprio Rodrigo postou em suas redes sociais um encontro que teve com o governador Cláudio Castro e outras autoridades do estado.
“Participamos nesta manhã de reunião no Ministério dos Transportes com o ministro Renan Filho. Na pauta, parcerias com o governo federal, investimentos e obras importantes nas rodovias federais que cortam nosso estado. Discutimos também o Porto do Açu, importante empreendimento da região Norte Fluminense, com valor estratégico e capacidade para gerar ainda mais empregos, renda e desenvolvimento para todo o Rio de Janeiro”, escreveu Bacellar.
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Renan é filho do senador Renan Calheiros (MDB-AL), que recentemente postou que o STF irá rever, em breve, a questão da partilha dos royalties, o que representaria a falência estado do Rio e municípios produtores de petróleo. Foi a partir da publicação do senador, que voltou a se desencadear as movimentações políticas para evitar as perdas e tentar um acordo.
No encontro, Renan Filho destacou obras importantes em rodovias estratégicas para o desenvolvimento do Estado do Rio. E fez questão de citar, por diversas vezes, o Porto do Açu, como grande protagonista. “Muito bom ver esse olhar do governo federal pelo Porto do Açu. O Porto do Açu fascina a todos pelos seus dois terminais, um offshore e outro, tão gigantesco e emblemático quanto o primeiro, que avança território adentro. O desenvolvimento do Estado do Rio passa pelo Porto do Açu”, completou Bacellar, que, segundo fontes ligadas a ele, permanecia em Brasília até por volta das 15h30, onde aguardaria para a reunião com os deputados. Já o governador Cláudio Castro não deve ficar para o encontro, conforme também revelaram as mesmas fontes.
Jefferson Azevedo e Marcelo Freixo
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O reitor do Instituto Federal Fluminense (IFF), Jefferson Azevedo, se reuniu nesta segunda-feira (12) com o presidente da Embratur, Marcelo Freixo, para discutir parcerias com cursos do IFF, como o de Gastronomia e de Hotelaria.
"Estou com o professor Jefferson, reitor. Uma figura que eu conheço há muitos anos, em Campos dos Goytacazes, e conheço também todo o trabalho do Instituto Federal Fluminense. E a gente está aqui numa parceria da Embratur com o IFF, que tem uma formação em hotelaria, tem uma formação em gastronomia, e a gente quer colocar a Embratur a serviço da formação, capacitação e geração de emprego, porque o turismo é uma solução, e a gente tem muitos destinos no Rio de Janeiro que recebem turistas e podem gerar mais emprego. Eu sou fã do Instituto Federal Fluminense, essa é uma grande conquista do governo Lula, e a gente quer juntar turismo com educação para gerar mais emprego e perspectiva", destacou Freixo.
"Tenho certeza que, por meio do nosso campus Cabo Frio do Instituto Federal Fluminense, nós vamos ser parceiros, não só a nossa unidade de Cabo Frio, mas colocar à disposição toda a rede federal no Brasil inteiro. Mesmo naquelas escolas que não temos esses cursos específicos, mas colocar as nossas infraestruturas a serviço da formação de pessoas para essa área tão importante que é o turismo, que é a área de serviços, para a gente acolher bem os visitantes e assim também ter um um ciclo de acesso ao trabalho para aqueles que mais precisam", afirmou o reitor do IFF.
Jefferson Azevedo está no seu último ano como reitor do IFF e tem estado com frequência em Brasília por parcerias. Sem poder se reeleger ao Instituto, ele tem aparecido como um possível nome do PT à disputa para a Prefeitura de Campos, como já mostraram em algumas postagens o Blog Opiniões, do jornalista Aluysio Abreu Barbosa, hospedado na Folha 1, e também a coluna Ponto Final.
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O governador Cláudio Castro (PL) ainda não se pronunciou oficialmente sobre a ameaça levantada pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL) de que o Supremo Tribunal Federal (STF) irá rever em breve a questão da partilha dos royalties, o que representaria a falência estado do Rio e municípios produtores de petróleo. Nesta segunda-feira (12), ele teve uma reunião de trabalho junto com figuras importantes do seu governo e o presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (PL), que vai presidir na Assembleia uma Frente Parlamentar em defesa dos royalties. Entre as pautas esteve a discussão de uma ação conjunta sobre o tema envolvendo o Estado + Alerj.
Na última quarta-feira (7), Castro se reuniu com o prefeito de Campos, Wladimir Garotinho (PP), que também é presidente da Organização dos Municípios Produtores de Petróleo (Ompetro), e garantiu que tem uma estratégia para lidar com a situação. No entanto, o prefeito informou que não pode, ainda, adiantar qual é linha que o governador vai seguir, mas pregou pela união de todas as correntes políticas do estado neste momento para um melhor resultado em um acordo.
Castro também foi convidado pelos deputados federaias, que fazem parte da bancada fluminense, para o encontro que farão nesta terça-feira (13) para tratar também sobre o tema em Brasília. O blog perguntou à secretaria de Comunicação do Estado se ele estará presente, mas ainda não obteve retorno. Segundo a jornalista Berenice Seara, do “Extra”, o Governo do Estado recebeu a informação de que a votação só vai acontecer em setembro deste ano, o que ainda não foi confirmado ao blog pelo STF. Calheiros chegou a falar que o julgamento para rever a decisão monocrática, dada por liminar de Cármen Lúcia, há 10 anos, que garante aos municípios e estados produtores o repesasse de recursos com base na lei antiga, aconteceria até o próximo dia16, mas não há qualquer movimentação no Supremo que aponte isso.
Está confirmada para esta terça-feira (13), às 19h, na Câmara Federal, a reunião da bancada de deputados do Rio para tratar sobre a questão da partilha dos royalties, que pode voltar à pauta de julgamento do Supremo Tribunal Federal. Na semana passada, uma publicação feita nas redes socais pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL) agitou a política fluminense com um alerta de que o STF iria rever a decisão monocrática, dada por liminar de Cármen Lúcia, há 10 anos, que garante aos municípios e estados produtores o repesasse de recursos com base na lei antiga.
Representante de Campos na Câmara Federal, o deputado Caio Vianna (PSD) disse que estará presente na reunião desta terça.
— Iremos propor a bancada ir até ao STF para explicarmos os impactos negativos na economia do estado, que se encontra em regime de recuperação fiscal e os riscos do RJ entrar em colapso, afetando diversas áreas, tais como a saúde pública, segurança pública, educação, área ambiental e social”, disse o deputado.
Outro representante do Norte e Noroeste Fluminense, o deputado itaperunense Murillo Gouvêa (União) também já garantiu presença no encontro da bancada. “Teremos uma semana decisiva pela frente, na luta pela manutenção dos recursos dos royalties para o estado do Rio. A arrecadação, que já vem caindo sistematicamente em inúmeras cidades, não pode sofrer mais esse abalo que prejudicaria muito a gestão municipal. Vamos trabalhar pelo nosso estado”, postou Murillo.
Como mostrado mais cedo no Blog Opiniões, do jornalista Aluysio Abreu Barbosa, tem o lançamento do livro “Direito à Saúde: o papel do município na execução das políticas públicas”, nesta quinta (15), às 19h, no Isecensa. E para falar sobre a publicação, o Folha no Ar, da Folha FM 98,3, desta terça-feira (13), recebe o autor da obra, José Paes Neto, advogado e procurador concursado da Câmara de Campos, além de ter sido procurador-geral no governo Rafael Diniz.
A partir das 7h, ao vivo, ele falará como surgiu a iniciativa do livro e trará detalhes sobre a publicação. O atual cenário de Campos e os reflexos disso na saúde e outras áreas do governo municipal também estarão em pauta.
Para acompanhar a entrevista é só sintonizar na Folha FM 98,3 ou ainda acessar o site e a redes sociais da rádio.
Postagem de Renan Calheiros
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Reprodução rede social
Se foi pressão o que o senador Renan Calheiros (MDB-AL) quis colocar ao anunciar que o Supremo Tribunal Federal (STF) iria julgar até o próximo dia 16 a questão da partilha dos royalties, a medida surtiu efeito e trouxe à tona mais uma vez preocupação de falência aos estados e municípios produtores de petróleo, provocando uma reação de políticos de diferentes correntes, principalmente do Rio de Janeiro e da região, até mesmo pela grande dependência financeira que há não só dos royalties, mas da participação especial, que cai a cada três meses.
Só para se ter uma noção, o orçamento de Campos para 2024 prevê a arrecadação de R$ 2,7 bilhões, sendo R$ 1,1 bilhão vindos de receitas da exploração de petróleo, o que representa cerca de 40% da arrecadação. Com uma folha de pagamento e encargos dos servidores municipais estimados em R$ 1,2 bilhão, sem a receita dos royalties, o município não conseguiria nem dar conta de pagar o seu funcionalismo e ainda manter os serviços básicos de Saúde e Educação, por exemplo.
Está claro que Campos já perdeu muito tempo na dependência dos recursos vindos do petróleo, que em um passado de fartura sem medidas causou um inchaço da máquina pública, ao ponto de a arrecadação própria da Prefeitura não cobrir a folha de pagamento, o que tem sido garantido justamente por meio dos royalties, graças a um Termo de Ajustamento de Gestão feito junto ao Tribunal de Contas do Estado, válido de forma gradativa até o fim de 2024. Sendo assim, sem os recursos, qual seria a saída, demitir ou incorrer em crime, descumprindo a Lei de Responsabilidade Fiscal?
Apesar de ser um assunto de longa data, muitos campistas ainda não têm a exata noção do que acontecerá se o STF validar a nova lei de partilha dos royalties do petróleo, aprovada em 2013 no Congresso Nacional. Um levantamento da Organização dos Municípios Produtores de Petróleo (Ompetro) revela que, em Campos, as perdas médias de royalties seriam de 80%, e as de participação especial de 60%. Em dinheiro, tomando como base o arrecadado em 2022, por exemplo, o município, que recebeu R$ 869,6 milhões em royalties, faturaria R$ 173,9 milhões; enquanto em participação especial cairia dos R$ 190,7 milhões para R$ 76,2 milhões. As perdas de Campos não seriam as únicas. Todos os municípios classificados como produtores de petróleo teriam quedas substanciais de receita.
A planície goitacá viveu um exemplo, principalmente na gestão do então prefeito Rafael Diniz (Cidadania), de como a queda brusca na arrecadação dos recursos vindos do petróleo pode impactar uma cidade, principalmente quando se registra, historicamente, duas participações especiais zeradas.
Independentemente da questão judicial, tivemos um exemplo de como é arriscado ter boa parte do orçamento baseado em uma commodity com precificação internacional e volátil, e ainda calculada em cima da incerteza do câmbio e da produção nas plataformas de petróleo muitas vezes declinante. Só para se ter uma noção, em 2008, Campos viveu o auge, com uma arrecadação anual de royalties e PE de mais de R$ 2 bilhões, sendo que em 2019, penúltimo ano do governo Rafael, o município faturou R$ 366 milhões. O reflexo disso, todos lembram, salários atrasados e muitos problemas na administração municipal, que ainda herdou uma “venda do futuro” da gestão anterior, quando a ex-prefeita Rosinha Garotinho (União) fez um empréstimo dando como garantia royalties para ajustar as contas que já estavam de mal a pior, justamente pela instabilidade dos repasses vindos da produção de petróleo.
Como imaginar que passadas mais de duas décadas desde o primeiro repasse gordo a Campos e região, ainda não termos uma situação econômica confortável? Seriam más administrações? Há quem se aproveite desse argumento justamente para engrossar o coro de pedido pela federalização dos royalties, sob a alegação de “que o petróleo é uma riqueza do país, portanto, todos estados e municípios supostamente teriam direito sobre ele”.
Infelizmente, o risco de queda da liminar da ministra Cármen Lúcia, que deu estabilidade aos produtores em 2013, sempre é apontado como iminente quando casos de corrupção envolvendo o Rio de Janeiro acontecem, inclusive em Campos, que amarga exemplos da má aplicação dos royalties no passado. Só que isso, como pressão de outros entes federativos, é até entendível, mas de forma alguma pode ser o argumento maior, até mesmo porque muitos dos que reivindicam esse recurso também não são exemplos de administração pública e estão marcados por casos de corrupção.
O argumento tem que ser o preço que os municípios produtores de petróleo pagam com os impactos sociais, que vão além do que define a lei em vigor de que os royalties são para compensar os estados e municípios produtores dos danos ambientais causados pela extração do petróleo, sendo uma forma de captura de recursos não só para investimentos em preservação do meio ambiente, mas também de desenvolvimento das regiões produtoras.
Mas, até mesmo o estado do Rio de Janeiro, que é o primeiro autor da ação que resultou na liminar, não está mais certo de que esse argumento é suficiente e já trabalha por um acordo desde 2020 com as outras partes. Ao reacender o assunto, Renan Calheiros, que presidia o Congresso na época da votação da nova partilha, parece estar conseguindo trazer de volta uma discussão que estava em alta um pouco antes da pandemia da Covid-19, mas o processo acabou sendo retirado do calendário de julgamento do STF em 2020, a pedido dos estados do Rio e Espírito Santo e, ainda, pela Ompetro, além de outras partes nas ações, sob o argumento de que as tratativas para a elaboração de uma decisão consensual, bem como as iniciativas legislativas compreendidas na agenda de reformas políticas, foram temporariamente impactadas e naturalmente suspensas pela necessidade de priorização das medidas de combate à pandemia.
Mas passado esse período avassalador de danos à saúde pública e à economia mundial, era de se esperar que o assunto da partilha dos royalties voltaria a movimentar o Judiciário e o cenário político, mesmo que no STF alguns assuntos têm tomado bastante espaço, como os julgamentos dos ataques aos Três Poderes. E pensar que nós, municípios produtores, estamos tão fragilizados que uma postagem feita por um senador nas redes sociais, sem nem que seja confirmada pelo STF, seria o que nos despertaria mais uma vez para um assunto tão importante e de gravidade tão avassaladora.
O que virá daqui para frente é incerto, mas serviu para fazer com que todos se unam em busca de uma saída. Desde setembro de 2020, o estado do Rio de Janeiro aderiu a uma proposta de acordo apresentada pelo governo do Espírito Santo para encerrar a discussão que se arrasta há 10 anos no STF.
Se essa será a estratégia mantida pelo governador Cláudio Castro (PL) não se sabe, já que ainda não houve qualquer pronunciamento oficial sobre o assunto. Mas, segundo o prefeito de Campos, Wladimir Garotinho (PP), que se reuniu com Castro na última quarta-feira (7), o governador já tem uma estratégia para lidar com a situação. No entanto, o prefeito informou que não pode, ainda, adiantar qual é. O discurso de Wladimir, que também é o presidente da Ompetro, é de que a união de todas as correntes políticas neste momento é indispensável ao melhor resultado em um acordo, principalmente por se considerar que o cenário hoje é diferente de quando o Congresso aprovou a nova partilha, pois atualmente outros estados também passaram a produzir petróleo e engrossariam a defesa.
As articulações precisam ganhar força para afastar de vez esse fantasma que volta e meia assombra o estado, principalmente a região. É torcer por efeitos práticos também da Frente Parlamentar em defesa dos royalties criada na Alerj, que será presidida pelo campista Rodrigo Bacellar (PL), e até mesmo pelo movimento iniciado pelos deputados federais da bancada do Rio, que vão se reunir na próxima terça-feira para juntos buscarem no STF uma segurança maior sobre o tema.
Não há por que ter protagonistas neste momento, qualquer garantia de que não viveremos uma falência é bem-vinda, assim como a mesma união é necessária para que possamos ser menos dependentes da produção de petróleo, explorando todo potencial de desenvolvimento que temos, e que agora parece estar sendo mais enxergado.
*Artigo publicado na edição da Folha da Manhã deste sábado 10/06
Cláudio Castro com Wladimir
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Na reunião de reunião de trabalho que o prefeito de Campos, Wladimir Garotinho (futuro PP), teve na manhã desta quarta-feira (7), com o governador Cláudio Castro, no Palácio Laranjeiras, a situação do possível julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) da partilhas dos royalties também esteve em pauta.
Segundo Wladimir, o governador tem uma estratégia para lidar com a situação, mas o prefeito informou que não pode, ainda, adiantar qual é.
— O governador tem uma estratégia, posso concordar ou não, mas ele tem uma e precisamos atuar em conjunto. Não vai adiantar cada um atirar para um lado, fazendo movimentos desconexos. O governador vai conduzir com os atores, seja deputados estaduais/federais, entidades e com o judiciário. Mas a estratégia, para funcionar, precisa ser construída e realizada em conjunto. Não cabe a ninguém tentar ser protagonista em uma hora tão delicada, o importante é o resultado — declarou o prefeito.
Também presidente da Organização dos Municípios Produtores de Petróleo (Ompetro), Wladimir também apresentou um levantamento que mostra que, só para os municípios da Ompetro, as perdas médias de royalties são de 80%, e as de participação especial são de 60%.
É sustentada por uma liminar de 2013 que a distribuição dos royalties, como é hoje, está mantida aos estados e municípios produtores de petróleo. Mas, se depender da pressão do senador Renan Calheiros (MDB-AL) isso pode não se sustentar por muito tempo.
Uma postagem feita por ele na segunda (05) apontou um suposto prazo para que o Supremo Tribunal Federal possa mudar a decisão monocrática sobre a partilha, o que representaria a falência do estado e municípios. Mesmo sem o STF confirmar a pauta, políticos, inclusive da região vão se reunir por um acordo.
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O presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Rodrigo Bacellar, vai presidir uma frente parlamentar em defesa dos royalties do petróleo. O pedido de instalação da Frente foi feito pelo líder do governo, Dr. Serginho e adesão foi em massa: do PSOL ao PL, passando pelo PT e União Brasil.
A Frente em defesa dos royalties vai levar o debate a Brasília. “Essa redistribuição dos royalties representa um gravíssimo impacto financeiro aos municípios e estados produtores. É preciso mobilização política e diálogo para demonstrar os danos irreversíveis. O caminho mais estratégico passa por um acordo. Um momento importante para se discutir também caminhos para a reforma tributária e temas como a impossibilidade de estados produtores de petróleo tributarem esses insumos na origem, conforme a regra vigente para todo país. Com isso, vamos restituir um direito que o Estado do Rio vem perdendo ao longo dos anos”, disse Bacellar.
Esta semana o tuíte do senador Renan Calheiros, afirmando que até o próximo dia 16 o Supremo Tribunal Federal (STF) deverá mudar a decisão monocrática que suspendeu a redistribuição dos royalties, gerou grande repercussão.
— Tomamos a iniciativa, em conjunto com toda a Assembleia Legislativa, de iniciar uma Frente Parlamentar, entendendo que o momento é de se unir, todo o estado do Rio de Janeiro, todos os parlamentares, independentemente de qualquer bandeira partidária, para que juntos consigamos impedir que o estado do Rio de Janeiro chegue ao estado de calamidade pública, de falência, em decorrência de eventual perda dos royalties do petróleo. É uma maneira de, institucionalmente, dialogarmos, tanto com o Poder Executivo Federal, tanto com o Poder Judiciário, o Supremo Tribunal Federal, e todas as instâncias políticas. O Petróleo é nosso e os Royalties também — postou Dr. Serginho em sua rede social.
Deputado de Campos, o presidente da Comissão de Minas e Energia da Alerj, Thiago Rangel (de saída do Podemos), disse que está empenhado na mobilização em defesa dos royalties.
— A defesa dos royalties e da nossa população, assim como a busca de alternativas que sejam viáveis é o nosso desafio. Estamos na luta para que a conta não chegue na mesa do cidadão e o nosso estado se mantenha firme rumo ao progresso — comentou.
Para o deputado estadual licenciado e secretário de Estado de Habitação de Interesse Social, Bruno Dauaire a redistribuição dos royalties vai ser fatal para o estado, principalmente para os municípios produtores de petróleo. “Ter a Frente na Alerj é uma ótima maneira de concentrarmos esforços no parlamento, e com o Governo do Estado, para buscarmos um acordo para defender o Rio de Janeiro e impedir um caos financeiro”, opinou.
A Folha enviou mensagens aos outros deputados estaduais da região, sendo que Carla Machado (PT) e Jair Bittencourt (PL), não retornaram; já Chico Machado (SD) disse que só falaria nesta segunda.
Em 2022, o governo do estado recebeu R$ 30,7 bilhões de royalties. O valor cairia para R$ 19,4 bilhões, 37% menos, caso a lei já estivesse valendo. O problema é ainda maior para os municípios que produzem petróleo: Macaé, Campos, Niterói e muitos outros podem perder até 60% do valor repassado dos royalties. No caso de Campos, representaria a falência da cidade.
Postagem de Renan Calheiros
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Uma publicação feita, nessa segunda-feira (5), pelo senador de Alagoas Renan Calheiros (MDB) traz destaque mais uma vez à assombração da partilha dos royalties, o que representaria a falência do estado do Rio de Janeiro, principalmente de muitos municípios da região, em especial Campos, que tem boa parte do seu orçamento de R$ 2,7 bilhões para 2024, por exemplo, baseada em recursos vindos da produção de petróleo. Sem esse dinheiro, o município não quita nem sua folha mensal de pagamento dos servidores.
"Até o dia 16 o STF deverá mudar a decisão monocrática de 2013, que suspendeu a distribuição de royalties. Os prejuízos para Estados e Municípios superam 150 bi. A aprovação da lei foi em uma das sessões mais difíceis que presidi. É um esqueleto de uma década que precisa ser resolvido logo", escreveu o senador Renan Calheiros.
A mensagem ameaçadora postada por Calheiros se refere à Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) 4.917, na qual o Estado do Rio de Janeiro contesta o modelo de partilha dos royalties aprovado pelo Congresso Nacional na Lei 12.734/2012. Uma liminar da ministra Cármen Lúcia, de março de 2013, mantém a atual forma de distribuição.
O Blog até consultou a ação pelo sistema do STF, mas, por lá, não consta qualquer alteração no processo. Uma demanda também foi enviada ao órgão e o retorno é esperado, assim como foi feito com as assessorias de representantes do Governo do Estado, Alerj e Câmara Federal.
O presidente da Organização dos Municípios Produtores de Petróleo (Ompetro) e prefeito de Campos, Wladimir Garotinho (futuro PP), disse que irá buscar mais detalhes sobre a situação e que não há nada pautado pelo STF, até o momento. Ele também ressaltou que o caminho é um acordo entre os estados. "Dá pra compor, a realidade hoje é outra diferente da época da propositura do PL. A esmagadora maioria dos estados litorâneos hoje produz petróleo, e tem perspectiva que desde o RS (Rio Grande do Sul) até a Amazônia pode ter petróleo. Essa era minha principal bandeira como deputado federal, minha convicção sempre foi no acordo, pois visitei todos os ministros à época. O sentimento é que se fosse julgado, perderíamos", disse.
Segundo o jornal O Dia, o líder da bancada do Rio de Janeiro na Câmara Federal, Áureo (SDD), já acionou o grupo de deputados no WhatsApp para tentar uma audiência com a corte para tratar do assunto o quanto antes.
Segundo cálculos divulgados ainda em 2019 pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), a estimativa era de que entre 2020 e 2023 a administração estadual pudesse ter uma perda de R$ 25,7 bilhões, caso a partilha passasse a valer. Para os municípios produtores de petróleo, no mesmo período, a estimativa era de queda na arrecadação na casa de R$ 30,1 bilhões.
Ainda segundo dados da Firjan de 2019, na época divulgados pela coluna Ponto Final, a redistribuição privilegiando estados e municípios não produtores colocava em risco o abastecimento de água para 95.931 pessoas, a manutenção de 566 mil alunos no sistema de ensino e a disponibilidade de mais de 4 milhões de atendimentos no sistema de saúde pública.
O risco de queda da liminar da ministra Cármen Lúcia que deu estabilidade aos produtores em 2013 sempre é apontado como eminente e vem à tona, principalmente, quando casos de corrupção envolvendo o Rio de Janeiro acontecem, inclusive em Campos, que amarga exemplos da má aplicação dos royalties no passado.
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O prefeito Wladimir Garotinho (futuro PP) segue nas articulações para trazer mais partidos ao seu grupo e tentar diminuir, cada vez mais, a possiblidade de um maior número de candidaturas à Prefeitura para 2024, reduzindo as chances da eleição ser levada ao segundo turno. Como mostrou o Ponto Final do último sábado (3), publicado também pelo Blog Opiniões (aqui), até o momento, além de Wladimir e o reitor do IFF, Jefferson Manhães (PT), outros nomes ao pleito municipal dependem da conjuntura.
Ainda incerta, por exemplo, segundo mostrou o Ponto Final, está a pré-candidatura do deputado Thiago Rangel (ainda no Podemos). Há cerca de um mês o nome dele começou a surgir como um possível nome no Republicanos ao pleito à Prefeitura de Campos. No entanto, como mostrou o próprio Wladimir, no último fim de semana, ele já está alinhado com o novo presidente no diretório estadual do Republicanos no Rio de Janeiro, o prefeito de Belford Roxo, Wagner Carneiro.
“Recebi hoje o amigo Waguinho de Belford Roxo que veio a Campos selar a parceria do partido Republicanos com nosso governo”, escreveu Wladimir como legenda de uma foto, que também foi publicada por Waguinho. “Momento importante de diálogo e troca de ideias sobre temas relevantes para a região norte”, postou, de forma mais contida sobre o encontro, o presidente dos Republicanos, partido conhecido, até então, pela ligação com a Igreja Universal.
O deputado estadual Thiago Rangel já entrou com um pedido de justa causa na Justiça para tentar se desfiliar do Podemos sem arriscar o mandato. Thiago já se aproximava do Republicanos, inclusive se encontrou, no início do mês passado em Brasília, com o Waguinho, Eduardo Cunha e mais deputados estaduais, Arthur Monteiro e Léo Vieira.
Na ocasião, Thiago confirmou ao Blog o encontro e o convite de Waguinho e Eduardo Cunha para colocar o seu nome ao pleito ao Executivo de Campos. “Me identifico muito com o Waguinho por sua liderança produtiva e realmente há o convite dele e do Eduardo Cunha”, comentou Rangel.
Essa não é a primeira vez que Waguinho conversa com Rangel, inclusive já havia colocado o União Brasil, de onde saiu recentemente, à disposição do campista.
O Blog enviou mensagem a Rangel para saber como está a situação dele no Podemos e se o encontro de Waguinho com Wladimir muda alguma coisa sobre a possiblidade dele seguir para o Republicanos, mas ainda não obteve retorno.
Além de Thiago, a chegada do Republicanos ao governo anunciada por Wladimir, pode também ter reflexos na Câmara, já que o único vereador do partido na cidade, o pastor da Universal Anderson de Matos, é o atual líder da oposição no Legislativo.