MP aponta indícios de "organização criminosa" em gabinete de Flávio Bolsonaro
- Atualizado em 15/05/2019 23:05
Indícios da existência de uma “organização criminosa” no gabinete do então deputado estadual Flávio Bolsonaro (PSL), hoje senador e filho do presidente, foram apontadas pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro. O documento, com 87 páginas, descreve detalhes de movimentações financeiras suspeitas envolvendo Flávio e assessores parlamentares desde o ano de 2007, e foi usado pelo MP para pedir as quebras de sigilo bancário e fiscal de Flávio e outras 94 pessoas, sob suspeita dos crimes de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Ex-assessor de Flávio, Fabrício Queiroz, que teve movimentação financeira atípica detectada pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), seria integrante da organização. De acordo com o MP, “não parece crível” que Queiroz seria o líder da organização sem conhecimento de seus “superiores hierárquicos durante tantos anos”.
Segundo o jornal O Globo, que revelou trechos do documento nesta quarta-feira (15), o “esquema criminoso também usaria a nomeação de funcionários fantasmas para desviar recursos orçamentários da Alerj sem prestar serviços públicos e lavagem de dinheiro por meio da venda de imóveis”. Já a revista Veja trouxe a informação que, segundo promotores, entre 2010 e 2017, o então deputado estadual lucrou 3,089 milhões de reais em transações imobiliárias em que há “suspeitas de subfaturamento nas compras e superfaturamento nas vendas”.
Ainda de acordo com a revista, que também teve acesso ao documento do MP, Flávio Bolsonaro investiu R$ 9,425 milhões na compra de dezenove imóveis, entre salas e apartamentos. Faturou mais no mercado imobiliário do que como deputado.
Na última segunda, a Justiça do Rio autorizou a quebra dos sigilos bancário e fiscal do senador.

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