Festival de Rock e Festejar na agenda cultural
21/01/2017 | 16h33
Na agenda cultural do Folha no Ar, dois eventos se destacam e foram temas de entrevistas. Um deles é o Christian Rock Festival, que acontece no IFF- Campus Centro, amanhã, a partir das 17h. Vão se apresentar as bandas I.N.R.I, Colisão secular, Reação viral, Origens, A Morte do eu e Metal Alpha. Desta última banda, alguns integrantes participaram da entrevista. Também esteve no Folha no Ar a cantora Maria Fernanda, que destacou o show acústico do pré-lançamento do seu Cd Festejar, que acontece neste sábado, às 20h, no teatro do Sesi, em Guarus. As entradas são gratuitas nos dois eventos.
Compartilhe
Cirurgias seguem suspensas por falta de sangue
21/01/2017 | 16h32
Ainda sem previsão de retomada, as cirurgias eletivas — não consideradas de urgência — dependem de doações ao Hemocentro Regional de Campos para voltarem a acontecer. A falta de sangue na unidade, que funciona no Hospital Ferreira Machado, resultou na suspensão dos procedimentos não emergenciais desde a última segunda-feira. A situação se agravou na última semana com uma redução drástica no número de doações, com uma média de 20 doadores por dia, quando o número considerado ideal deveria ser 70. Nesta terça-feira, cerca de 40 doadores compareceram à unidade, sendo a maioria familiares e amigos de pacientes que tiveram suas cirurgias suspensas. De acordo com a assistente social do Hemocentro, Cristiane Barros, que participou do Folha no Ar desta terça-feira,  a situação continua  alarmante. “Se as pessoas não comparecerem ao hemocentro para doar, não poderemos atender aos pedidos recebidos pelos hospitais e infelizmente os pacientes que tem cirurgias agendadas vão precisar esperar. Da forma que está, não temos nem uma previsão de retomada”, comentou. Ainda segundo ela, o hemocentro atende hospitais públicos e particulares de Campos e mais 16 municípios do Norte e Noroeste Fluminense, mas atualmente só o município de Pádua contribui efetivamente. “Semanalmente recebemos uma média de 15 doadores de Pádua e esta atitude deveria servir de exemplo para os demais municípios da região, que são assistidos pelo Hemocentro Regional de Campos”, disse. O hemocentro, que é uma das unidades da Fundação Municipal de Saúde, funciona diariamente, das 7 às 18h, inclusive aos sábados, domingos e feriados. Para doar é preciso levar um documento original de identidade com foto, ter peso superior a 50 Kg, idade entre 16 e 67 anos, não estar em jejum e não ter ingerido alimentos gordurosos nas últimas três horas. Doadores com 16 e 17 anos devem comparecer ao Hemocentro Regional de Campos acompanhados pelos seus representantes legais, preencher formulário próprio, com o consentimento formal do responsável legal para cada doação, com cópia da identidade oficial do responsável anexada. Candidatos com idade superior a 60 anos só poderão doar se realizaram doações de sangue anteriormente. Itinerante — A unidade móvel do hemocentro também vem sendo usada com uma importante ferramenta de captação. Na próxima quinta-feira, dia 28, o ônibus vai estar no Colégio Estadual Thierres Cardoso, a partir das 7h30, atendendo a um pedido do Grêmio Estudantil. Outras datas já agendadas são os próximos dias 15 e 31, na Igreja Adventista de Guarus e no Superporto do Açu, respectivamente.  Quem quiser agendar o serviço pode ligar para o 27324260.
Compartilhe
Combate à dengue
21/01/2017 | 16h32
O diretor de Programas do O Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), Eufrázio Lisboa, participou do Folha no Ar desta segunda-feira e ressaltou mais uma vez a importância do combate o Aedes Aegypti.  Cerca de 500 agentes de endemias continuam envolvidos no trabalho de prevenção à dengue. Durante o último mutirão realizado entre o bairro Fazenda Grande e Jóquei o que mais chamou a atenção do diretor foi a grande quantidade de recipientes propícios para a proliferação do mosquito. “Foram recolhidos 2.856 sacos de lixo e 154 pneus”, disse. A velocidade em que os casos de dengue do tipo 4 aumentam em diferentes bairros de Campos, é outra grande preocupação. Dos 14 casos registrados até agora, 11 são em bairros diferentes. “O importante é prevenir agora para evitar uma epidemia futuramente. No momento, não há risco de epidemia, mas, volto a falar que a população precisa se conscientizar. É hora de trabalharmos, governo e população, cada pessoa, a prevenção, para que não tenhamos casos mais graves da doença ou uma epidemia no final do ano”, ressaltou.
Compartilhe
Vagas disponíveis no Cetep-Campos
21/01/2017 | 16h32
Mais 840 vagas estão sendo oferecidas pela Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec), desta vez no Centro de Educação Tecnológica e Profissionalizante (Cetep), em Campos. Na semana passada, 5.800 oportunidades já haviam sido anunciadas em cursos profissionalizantes nos Centros Vocacionais Tecnológicos (CVTs) e Ceteps localizados nas Regiões Norte e Noroeste Fluminense. De acordo com o coordenador de Informática do Cetep-Campos, Kleus Corrêa, das vagas disponibilizadas na unidade, que funciona no Colégio Estadual Visconde do Rio Branco, 615 são para o Centro de Informática e 225 no de Línguas. Os interessados têm até o dia 2 de julho para realizar a inscrição, que só poderá ser feita pela internet, no site da Faetec (www.faetec.rj.gov.br). Para se inscrever, basta acessar o link "Cursos Profissionalizantes - FIC / Inscrições Online". Na página, os interessados encontrarão todas as informações necessárias para fazer a inscrição, que é gratuita. Quem não tiver acesso à internet pode procurar a própria unidade dos CVTs e Ceteps que deseja cursar ou uma Faetec Digital mais próxima da sua residência para realizar a inscrição. Monitores e funcionários auxiliarão no processo de inscrição. No dia 3 de julho, a partir das 10 horas, será feito o Sorteio das Vagas, sendo a listagem completa publicada logo no dia seguinte no site da Rede Faetec. Os candidatos sorteados terão de 4 a 13 de julho para se matricular. Restando vagas, a Faetec chamará outros candidatos que ficaram na lista de espera, sendo a matrícula destes prevista para ocorrer de 16 a 27 de julho. O início das aulas será em 6 de agosto. Para se matricular, os candidatos contemplados no sorteio devem comparecer à unidade escolhida para cursar levando os originais do documento de identidade, do CPF e os comprovantes de residência e escolaridade. Isso porque, para alguns cursos, as vagas são para quem tem, no mínimo, 16 anos e está cursando o Ensino Fundamental. Os requisitos de idade e escolaridade mínima variam de acordo com o curso. Relação de Vagas, Cursos e Unidades de Ensino NORTE CVT Campos Cerâmica (576 vagas) Assistente Administrativo – 120 vagas AUTO CAD 2D – 48 vagas AUTO CAD 3D – 48 vagas Mecânico de Manutenção de Máquinas Industriais (Cerâmicas) – 120 vagas Operador de Logística Portuária – 240 vagas   CVT Campos Solda (474 vagas) Caldeireiro Nível I – 54 vagas Caldeireiro Nível II – 18 vagas Inspetor de Solda Nível I – 72 vagas Instalador de Tubulações Industriais – 36 vagas Operador de Solda e Arco Submerso – 24 vagas Soldador no Processo Arame Tubular de Aço – 36 vagas Soldador no Processo Eletrodo Revestido de Aço Carbono e Aço Baixa Liga – 36 vagas Soldador no Processo MIG / MAG – 36 vagas Soldador no Processo TIG em Aço – 54 vagas Soldador Oxiacetilêncio – 108 vagas   Cetep São João da Barra (250 vagas) Espanhol – 25 vagas Informática I – 100 vagas Inglês – 125 vagas   Cetep Macaé (838 vagas) Montagem e Manutenção de Computadores – 10 vagas Desenhista de Moda – 48 vagas Espanhol – 48 vagas Informática I – 240 vagas Inglês – 396 vagas Produtor Cultural – 48 vagas Operador de Editoração Eletrônica – 48 vagas   NOROESTE   Cetep Itaocara (595 vagas) Auxiliar de Programação de Redes – 20 vagas Espanhol – 75 vagas Informática I – 160 vagas Inglês – 150 vagas Lógica de Programação e Banco de Dados – 20 vagas Montagem e Manutenção de Computadores – 40 vagas Operador de Editoração Eletrônica – 40 vagas Programador de Sistemas (PHP) – 40 vagas Programador Web – 20 vagas Teclado – 30 vagas   Cetep Itaperuna (490 vagas) Espanhol – 60 vagas Informática I – 180 vagas Inglês – 120 vagas Modelista – 60 vagas Montagem e Manutenção de Computadores  - 70 vagas   Cetep Laje do Muriaé (759 vagas) Almoxarife – 10 vagas Assistente Administrativo – 40 vagas Cabeleireiro – 24 vagas Confeiteiro – 30 vagas Costureiro – 40 vagas Eletricista Instalador Predial de Baixa Tensão – 40 vagas Encanador Instalador Predial – 40 vagas Espanhol – 150 vagas Informática I – 80 vagas Inglês – 150 vagas Manicure e Pedicure – 20 vagas Modelista – 40 vagas Montagem e Manutenção de Computadores – 15 vagas Operador de Telemarketing – 40 vagas Promotor de Vendas – 10 Salgadeiro – 36 vagas   Cetep Santo Antonio de Pádua (505 vagas) Análise de Dados com Excel – 60 vagas Espanhol – 75 vagas Informática I – 140 vagas Inglês – 150 vagas Montagem e Manutenção de Computadores – 40 vagas Operador de Editoração Eletrônica – 20 vagas Programador Web – 20 vagas   Cetep São Fidélis (290 vagas) Espanhol – 84 vagas Informática I – 84 vagas Inglês – 79 vagas Montagem e Manutenção de Computadores – 15 vagas Operador de Editoração Eletrônica – 28 vagas  
Compartilhe
Greve no IFF pode ter mais adesão
21/01/2017 | 16h32
Com o resultado da eleição para diretor geral do campus Guarus do Instituto Federal Fluminense (IFF), previsto para hoje à noite, a unidade poderá já nesta quarta-feira aderir ao movimento de greve dos servidores federais. A informação foi passada pelo presidente do Sinasef, Paulo Caxinguelê, que participou do Folha no Ar por telefone. Cerca de mil servidores das unidades do IFF na região estão com suas atividades paralisadas desde o último dia 13. Cerca de dez mil estudantes estão sem aula na Região dos Lagos, Norte e Noroeste Fluminense. Nesta quarta-feira, às 17h, está prevista uma assembléia da categoria em Guarus. Também haverá ato dos grevistas na Rio +20.
Compartilhe
Atriz Sylvia Massari participa do Folha no Ar
21/01/2017 | 16h32
A atriz Sylvia Massari participou do Folha no Ar desta sexta-feira. Ela tem dado importante contribuição na campanha para angariar recursos para a ONG Orquestrando a Vida. A ONG promoverá, amanhã (às 18h e 20h30) e domingo (às 18h), no Centro de Convenções da Uenf, o espetáculo “Canto Alla Vita”, uma série de três concertos beneficentes da Orquestra Sinfônica Mariuccia Iacovino com a participação especial dos cantores Geraldo Mathias e Max Wilson e apresentação da atriz Sylvia Massari. A regência é de Luis Mauricio Carneiro e a direção de Jony William Villela Vianna. O objetivo do “Canta Alla Vita” é arrecadar recursos para que a organização mantenha suas atividades. Recentemente, a ONG suspendeu seus trabalhos por falta de recursos financeiros. No programa, Sylvia Massari falou um pouco da sua versatilidade como atriz e cantora, que sempre foi uma marca em mais de 30 anos de carreira. Ela já fez dezenas de peças, incluindo musicais, e participações em TV. Sylvia Massari, aos 3 anos, já cantava nas rádios de Ribeirão Preto, cidade onde morava.  Como cantora fez alguns shows, como Radio Stars, Cinema e Finalmente Juntos. Gravou discos e trilhas sonoras, com destaque para as das novelas A Gata Comeu e As Filhas da Mãe. Estreou no teatro em São Paulo, ao vencer o concurso para o papel de protagonista do musical Os Fantástikos, ao lado de Moacyr Franco, direção de Amir Haddad. Tem uma invejável bagagem em musicais que inclui, entre outros, Noviças Rebeldes e A Estrela Dalva. Na tevê tem uma carreira extensa: a minissérie Amazônia, de Glória Perez, a novela A Lua Me Disse, de Miguel Falabella, entre outras, além de participar de vários programas como Moacyr Franco Show, Bar Academia, Os Trapalhões, Chico Anysio Show, Escolinha do Professor Raimundo e Zorra Total. Foi apresentadora do Vídeo show e fez A Praça é Nossa, onde surgiu a boneca Maria Santa, um marco em sua carreira. Ela fez também cinema.
Compartilhe
Campos terá o 1º Fórum Municipal de Trabalho e Renda
21/01/2017 | 16h32
O secretário municipal de Trabalho e Renda, José Alberto Nogueira, participou do Folha no Ar desta quinta-freira e informou que Campos já está preparando o  1º Fórum Municipal de Trabalho e Renda. O evento está marcado para o dia 31 de agosto, das 8h às 18h, no auditório da Santa Casa de Misericórdia. — A proposta é discutir com as entidades representativas, empresários e poder público, caminhos para a elaboração do Plano Municipal de Trabalho e Renda, que vai nos nortear no levantamento de recursos Federais para a qualificação de acordo com a demanda apresentada neste fórum — destacou o secretário, ressaltando que o município também foi escolhido para sediar 9º Encontro Estadual de Trabalho e Renda, em 2015.
Compartilhe
Exemplo de superação
21/01/2017 | 16h32
No Folha no Ar desta quarta-feira, o terapeuta Luciano Maurício Silva dos Santos, conhecido como o “Sobrevivente”, contou um pouco da sua história do trabalho que pretende realizar em Campos com os familiares de dependentes químicos. Ele mantém em Cachoeiro de Itapemirim, no Espírito Santo, a Casa da Paz, que recebe vários pacientes campistas. Luciano Maurício é um exemplo de superação e de que é possível sair das drogas e do narcotráfico. Em Campos, ele utiliza o espaço da Associação de Pais de Pessoas Especiais (Apape) para fazer um trabalho com familiares de dependentes uma vez por semana. Luciano foi entrevistado na Isto É, na qual contou a sua vida e a gente reproduz aqui no blog. Por Celina Côrtes Aos nove anos de idade, Luciano Maurício Silva dos Santos começou a fumar maconha. Aos 15, se viciou em cocaína. Em seguida, passou a traficar drogas e esteve preso quatro vezes. Chegou a sonhar em ser o maior traficante do Brasil. Capixaba de 38 anos, Luciano ainda enfrentou preconceito com requintes de maldade por ser negro. Só encontrou forças para sair do poço quando chegou ao fundo. Buscou Deus, procurou a ajuda da mãe e começou a mudar de lado. Passou, aos poucos, a trabalhar na recuperação de dependentes químicos. Em 1994, deu início às atividades da Fundação Esperança, em Cachoeiro do Itapemirim, no Espírito Santo, onde tem alcançado os melhores resultados. Entusiasmados com o índice de 70% de recuperação entre os internos de sua Fundação, portugueses de Setúbal o convidaram para dar palestras em um encontro de dependentes químicos. Luciano Maurício, único brasileiro a participar do encontro, saiu de lá com um convênio de intercâmbio firmado. Já enviou dois ex-internos para Portugal e volta a Setúbal para um seminário no mês que vem, quando traz outro grupo de portugueses para conhecer sua experiência vitoriosa em Cachoeiro. Sem arrogância, ele mudou a condição de ex-viciado e traficante para a de exportador de know-how na cura de dependentes. É radicalmente contra a liberação das drogas, mas não concorda com a prisão de ninguém pelo porte de um cigarro de maconha. “Essas pessoas têm de ser enviadas para centros de recuperação”, acredita. Também tem uma opinião formada a respeito de como barrar o avanço do tráfico: “As crianças precisam ser conscientizadas desde pequenas nas escolas sobre os riscos das drogas”. Luciano é casado há sete anos com Marcelle Falce Vianna, 33, também ex-viciada em maconha e cocaína. Quando se conheceram, ambos estavam separados dos primeiros casamentos e se sentiram atraídos pela experiência comum. Hoje, Marcelle o ajuda na Fundação e é mãe do único filho do casal, Rafael, de seis anos. “Minha vida agora é de amor”, exulta Maurício.   Istoé - Como começou seu envolvimento com drogas? Luciano Maurício Silva dos Santos - Aos nove anos. Somos seis irmãos. O mais velho já usava e vendia maconha. Nessa idade tinha experimentado cigarro, quando aprendi a tragar. Pegava as guimbas que encontrava e acendia. Um dia me vi fumando maconha e achei que era cigarro. Engasguei, comecei a tossir, passei mal, vomitei, mas fiquei rindo muito. Achei bem legal. Os outros mais velhos fumavam maconha e não passavam mal. Nessa época, meus pais estavam se separando. Eu era o caçula e muitas vezes dormia entre os dois. Uma noite acordei e meu pai não estava mais ali. Foi aí que a droga entrou de forma profunda na minha vida. Istoé - Em que momento você percebeu que estava viciado? Luciano - Experimentei cocaína aos 15 anos. Antes tinha muito medo, via as pessoas usarem e ficarem totalmente travadas. No primeiro dia cheirei muito. Passei mal e mesmo assim não queria parar de cheirar. Comecei a ficar deprimido, o dia estava passando e eu cheirando. A droga estava acabando e a depressão já estava forte. Jurei que ia parar. Fiquei dois dias sem usar a droga. Quando o arrependimento e a ressaca passaram, tentei não usá-la, mas não consegui. Me senti um derrotado. Depois disso, emburaquei. Para que lutar contra uma coisa que não conseguia vencer? Istoé - De que forma você se envolveu com o tráfico de drogas? Luciano - Tinha um pai que me mandava para a escola com motorista particular, mas depois que ele se separou da minha mãe muitas vezes passei fome. Constatei que meu irmão conseguia manter seu padrão vendendo drogas. Fui enviado para uma escola pública e matava muita aula. Aos 15 anos parei de estudar. Comecei a roubar droga de meu irmão, sem que ele soubesse, e depois vendia. Gostei daquilo e busquei fontes para poder vender. Istoé - Você não tinha medo de morrer? Luciano - Vi meu pai dando coças no meu irmão, que foi preso muitas vezes. Mas o dependente, quando usa drogas e trafica, não tem medo da morte. O traficante tem um poder na mão, que é a droga. O que eu mais gostava quando vendia era de ver aqueles que me desprezavam virem atrás de mim. Não tinha medo de nada nem amava ninguém. Me tornei uma pessoa absolutamente fria. Gostava quando os outros ficavam ao meu redor por causa da droga. Era uma sensação grande de poder. Istoé - Você acha que a maconha pode levar a outras drogas? Luciano - No meu caso, percebi que a cocaína me dava muito mais força do que a maconha. Só fumava para aliviar a tensão quando estava muito travado. Na maioria das vezes, o usuário de maconha passa para a cocaína e não quer saber de outra coisa. Istoé - Você foi preso mais de uma vez. Como conseguiu sair? Luciano - Fui preso quatro vezes. Por incrível que pareça, em nenhuma delas me pegaram vendendo droga. Era preso em blitz como suspeito, ou por desacato, ao reagir à prisão. Quando vendia droga, ela ficava sempre com outra pessoa, longe de mim. Já tinha convivido com as prisões de meu irmão e sabia como as coisas aconteciam. Minha primeira prisão, aos 14 anos, foi injusta e marcou muito minha vida. Roubaram um canário de briga do vizinho e disseram que fui eu. Me deram umas palmatórias e isso me marcou. Conheci bandidos e assassinos na cadeia. A partir daí, comecei a pensar: agora vou dar motivo para ser preso.   Istoé - Você sofreu muito preconceito por ser negro? Luciano - Muito. Eles tratam usuário de droga branco diferentemente do negro. Estava no carro uma vez e era o único negro. Paramos em uma batida policial. Deram uma geral e pegaram quatro baseados. Ninguém falou nada com os outros. Só eu fui preso, e a droga nem estava comigo. Antes de vender, eu já tinha fama de traficante, só porque era negro. Istoé - O que era mais difícil, o vício ou o tráfico? Luciano - O vício. Foi ele que me levou ao tráfico. Conheci poucos traficantes que não eram viciados. O vício me fazia ser frio, calculista, ambicioso. Meu sonho era ser o maior traficante do Brasil. A mística de ver os Escadinhas da vida era um incentivo. (Escadinha é um ex-traficante do Rio, fundador do Comando Vermelho, que cumpre pena em regime semi-aberto) Istoé - Qual foi o momento mais difícil que você passou durante esse período? Luciano - Aos 19 anos fui dispensado do Exército. Queria ser pára-quedista, tinha vontade de parar com as drogas e ter um futuro. Me perguntaram o que eu fazia e eu contei que era usuário de drogas, mas queria parar. Me mandaram para a Polícia do Exército. Não sei se fui dispensado por isso ou por excesso de contingente. Me arrependi de ter falado a verdade. Depois fui para um apartamento em Vitória e fiquei cheirando cocaína com minha turma. Começamos a disputar quem ia tomar conta do ponto-de-venda fazendo roleta-russa. Quando chegou minha vez, já tinha cheirado e bebido muito uísque. Então fui lá na minha infância. Há muito não me lembrava de algo afetivo. Pensei que, por pior que fosse minha vida, ela não poderia acabar ali. Foi o único momento em que ouvi Deus colocar minha vida em minhas mãos. Não era nem cristão. Empurrei a arma para a frente e disse: “Vocês vão me ajudar, quero mudar de vida.” “Broxou”, eles caçoaram. Levantei, peguei um ônibus e fui para a casa da minha mãe, em Cachoeiro do Itapemirim. Istoé - Em que momento você tomou a firme decisão de mudar? Luciano - Quando voltei para Cachoeiro, ia na igreja e dizia para mim mesmo que não ia mais usar drogas. Naquela época, não havia tratamentos como hoje. Uma vez estava na igreja e vi o pessoal na fila comungando. Resolvi entrar também, sem saber bem o que era aquilo. Falei uma coisa e acho que fui ouvido por Deus: “Se você está presente mesmo, muda a minha vida, porque não estou aguentando mais.” E minha vida mudou. Comecei a sentir vontade de ajudar as pessoas. Me separei dos amigos drogados. Olhava no espelho e pensava: acredito em mim, mereço ser feliz. Entrei para um grupo de mútua ajuda e passei a ter uma causa dentro de mim. Istoé - Como começou seu trabalho de recuperar viciados? Luciano - Primeiro trabalhei em uma clínica de recuperação, onde recebi muita ajuda, aos 23 anos. Quando saí de lá, um ano depois, fui para um terraço e chamei três pessoas que também tinham saído da clínica para partilhar nossa experiência. Depois de um ano e meio, passamos para um salão maior, cedido pela Igreja. O grupo aumentou e a sala ficou pequena. Depois fomos para uma igreja, em Cachoeiro. Já eram 500 pessoas, mas o grupo havia perdido a característica de reunir só ex-usuários. Passei então a me reunir na sala de minha casa, aos 28 anos.  O grupo foi aumentando e meu sogro me cedeu uma sala, onde comecei a atender pessoas e a me especializar. Fiz cursos em vários lugares e países e participei de muitos congressos sobre dependência química. Sabia como parar, mas não sabia como transformar essa experiência em prática de cura. Onde aprendi mesmo foi aqui na Fundação Esperança. Tenho internos de 13 a 57 anos, viciados em maconha, cocaína e heroína.   Istoé - O que difere sua clínica no Espírito Santo das demais? Luciano -A clínica foi inaugurada em 1997, mas o trabalho começou em 1994. Fizemos os 12 passos da recaída, adaptados dos Alcoólicos e Narcóticos Anônimos. A dependência química é uma doença de sentimentos. Trabalhamos com a restauração e a reintegração da pessoa consigo mesma e em relação ao outro. Temos psicólogos, médicos, um professor de educação física especializado em desintoxicação. A partir do momento em que o dependente começa a curtir seu corpo, passa a acreditar que pode mudar. É obrigado então a fazer atividade física três vezes por semana. Também oferecemos um estudo da Bíblia, porque sem Deus não há saída. A estadia mínima é de 60 dias. Quando a pessoa ficar pronta, ela sai, não há limites preestabelecidos. Cada um tem um tempo, uma história. Estamos com 70% de recuperação. Istoé - O que se passa no íntimo de um dependente químico? Luciano - O viciado perde o contato com o mundo porque perde a percepção. Passa a não compreender mais o que acontece a seu redor. Vive um isolamento emocional, de uma forma totalmente alienada. Só que não se dá conta disso e acha que está sendo rejeitado. Esse isolamento emocional é mantido pela dependência química, que dá uma falsa sensação de bem-estar. Istoé - Você acha que as clínicas efetivamente recuperam os viciados ou há muitas caça-níqueis? Luciano - Há muitas que recuperam, existem ótimos profissionais. O Brasil está muito avançado em relação a outros países nessa área. Há uma quantidade de drogas muito grande na Europa, por exemplo, e eles não oferecem tratamentos de qualidade. Mas é verdade que aqui também existem clínicas que visam somente o lucro, embora não sejam muitas. Istoé - Você foi o único brasileiro a participar do seminário em Portugal, em Setúbal, no mês de setembro. Quais os resultados desse encontro? Luciano - Eles conheceram minha clínica e me convidaram, mas pensei que era só uma participação. Só soube que ia dar um seminário uma semana antes. Tremi. Mas fui com a cara e a coragem e vi que eles não sabiam nada, embora já fizessem um trabalho de recuperação havia quatro anos. Firmamos um convênio e uma parceria: eles mandam profissionais para cá e nós mandamos os nossos para lá. Depois disso vem um de Setúbal se especializar. Me impressionou a oferta de drogas em Lisboa. Os traficantes andam de preto. A polícia vê e não faz nada. Istoé - Hoje, os traficantes são um exército altamente armado. Como você vê o futuro próximo do tráfico? Eles continuarão cada vez mais poderosos? Luciano - Se a sociedade não se mobilizar para forçar o governo a elaborar uma lei que obrigue as escolas a conscientizar as crianças sobre os riscos das drogas desde pequenas, os traficantes vão ficar cada vez mais fortes. Se o tráfico aumenta, é porque tem gente comprando droga. Istoé - Os viciados de hoje são parecidos com os do seu tempo? O que mudou? Luciano -  Há uma diferença muito grande. Quando eu ainda usava, não havia tanta agressividade, era uma coisa mais pacífica. O mundo há dez anos era menos agressivo e o tráfico era diferente. Hoje, o cara cheira cocaína, pega uma pistola e vai para a rua. O que mudou foi o sistema, que ficou mais violento. Além disso, o vício está começando cada vez mais cedo. Mães me telefonam dizendo que o filho de 15 anos está quebrando tudo. Antigamente não era assim. Istoé - Qual deve ser o comportamento de um pai ao descobrir que o filho é usuário de drogas ou viciado?   Luciano - Deve chamá-lo para uma conversa e cativá-lo. Quando o dependente leva droga para casa, está pedindo ajuda. Precisa confiar nos pais, é uma situação que compromete seu comportamento, sua moral. A família tem de passar muita confiança para ele. E depois buscar ajuda profissional. Istoé - Você já sentiu medo de ter uma recaída? Luciano - No início sim. Mas há dez anos que não sinto medo nenhum.
Compartilhe
Rio + 20 começa nesta quarta-feira
21/01/2017 | 16h32
A conferência Rio + 20 começa amanhã, dia 13, no Rio de Janeiro.  Promovida pela Organização das Nações Unidas (ONU) até o dia 22, o evento tem objetivo de discutir sobre o meio ambiente, a economia verde, erradicação da pobreza e governança internacional para o desenvolvimento sustentável. A prefeitura de Campos vai estar representada na conferência que reúne chefes de estado e regiões de mais de 100 países. Na oportunidade, o secretário de Meio Ambiente, Wilson Cabral, participa do Encontro de Secretários de Meio Ambiente Estaduais e Municipais, da Cúpula Mundial de Chefes de Estado e Regiões Nacionais e Internacionais e do Seguimento de Alto Nível, que acontece de 18 a 22 deste mês, na Barra da Tijuca. Para Wilson Cabral, que participou do Folha no Ar desta terça-feira, a ocasião será de troca de experiências, aprendizado e avaliação em relação ao momento em que se vive e aos avanços do município na área sustentável. A programação do Rio + 20 conta com uma série de atividades, entre elas, palestras, debates, troca de experiências e interação dos chefes de estado e regiões com os visitantes. — Campos já avançou muito na sustentabilidade. Não se pode falar em desenvolvimento sustentável sem falar em inclusão social e erradicação da pobreza. Avanços como o aterro sanitário de Conselheiro Josino, a Usina de Reciclagem da Codin, a demarcação das 22 lagoas e a retirada das famílias de área de risco e de preservação ambiental foram feitos para dar dignidade, meios para se ter uma vida com saneamento básico, esgoto tratado e toda a estrutura necessária para garantir a saúde da população. Hoje, 80% do esgoto no município é tratado e já é um grande avanço, mas pretendemos chegar aos 100%. Como é importante discutir essas questões de sustentabilidade, afinal, nosso patrimônio ambiental precisa ser protegido e preservado — destaca Wilson Cabral. O Rio + 20 marca os 20 anos da Eco 92 e reúne discussões nos três eixos da questão sustentável: econômico, social e ambiental.
Compartilhe
Mais casas demolidas
21/01/2017 | 16h32
O secretário de Defesa Civil, Henrique Oliveira, participou do Folha no Ar desta segunda-feira. Teve início nesta segunda-feira (11), a demolição das casas localizadas à margem da Lagoa Maria do Pilar, no Parque Prazeres, em Guarus. Trata-se de uma área de risco demarcada pela Defesa Civil Municipal. Uma retroescavadeira está na Travessa Gladstone de Melo de onde, na semana passada, foram retiradas dezenas de moradores contemplados pelas moradias do Programa Morar Feliz do Parque Prazeres. Já na margem da Lagoa do Vigário, no Jardim Carioca, o trabalho de demolição inicia amanhã (terça-feira, 12). O Programa Morar Feliz é o maior programa habitacional do país e que já contemplou mais de quatro mil famílias que moravam em áreas de risco e em condições subumanas.
Compartilhe
Sobre o autor

Rodrigo Gonçalves

[email protected]

Arquivos