"Sonhos" no Cineclube Goitacá
Jhonattan Reis 28/03/2017 17:34 - Atualizado em 31/03/2017 13:20
Divulgação
Filme Cineclube / Divulgação
O Cineclube Goitacá exibe, na noite desta quarta-feira (29), o filme “Sonhos” (Yume, 1990), dirigido pelos japoneses Akira Kurosawa e Ishirô Honda. O longa-metragem será apresentado pelo professor, poeta, membro da União Brasileira de Trovadores e da Academia Pedralva de Letras e Artes, Carlos Augusto Souto de Alencar. A sessão começa às 19h, na sala 507 do edifício Medical Center, localizado à esquina da rua Conselheiro Otaviano com a Treze de Maio, no Centro. A entrada é gratuita.
Carlos Augusto explicou o porquê da escolha do filme.
— Eu gosto muito de filmes que lidam com filosofia, em especial com questões de filósofos existencialistas, que são os meus prediletos. E esse filme é bastante existencialista. Ele propõe discussões que a gente precisa fazer, pensar. Precisamos pensar muito no mundo de hoje, sobre a nossa relação com a natureza, sobre o quanto a tecnologia parece querer nos aprisionar num mundo de eternas inovações — disse ele, que emendou:
— Durante a vida, a gente se desliga de uma questão muito importante, que é a consciência de que a gente vai morrer. E, se a gente vai morrer, a vida precisa ser vivida dentro de parâmetros que não são materialistas, tem que ter parâmetros de uma realização plena. Para isso, é necessário valorizar mais a vida em sociedade, a cultura. Isso tudo está muito bem trabalhado nesses episódios todos. O filme abre muitas discussões e pensamentos em especial sobre como levamos a vida individualmente e como nós a estamos levando socialmente.
“Sonhos” é composto por oito segmentos: “A Raposa”, “O Jardim dos Pessegueiros”, “A Nevasca”, “O Túnel”, “Corvos”, “Monte Fuji em Vermelho”, “O Demônio Chorão” e “Povoado dos Moinhos”.
— Akira fala muito, nesses oito episódios, sobre temas que são muito caros não só para ele, mas para toda a humanidade. Ele fala sobre ecologia, guerra, o amor à vida, a vida em sociedade, a influência da tecnologia, a perda de tradições, a morte, temas muito relevantes para todo mundo. E Akira mostra isso dentro de uma visão filosófica muito embasada no existencialismo, em ideias de autores como (Martin) Heidegger e (Jean-Paul) Sartre — disse Carlos Augusto.
O apresentador da noite lembrou, ainda, que o filme é uma autobiografia.
— Mas não é uma obra autobiográfica comum, não é contando a vida dele. O filme mostra como ele via a vida como um todo, vamos dizer assim. Ele está falando dos conceitos filosóficos que nortearam ele, como o amor à arte, e também aproveita para falar do mundo, da humanidade. Em um dos episódios, a personagem entra em quadros do Van Gogh. Isso mostra um conceito de união com a arte, pois, a partir do momento em que você olha para a arte, você também a transforma e faz parte dela.
Além da direção de Akira Kurosawa, Carlos Augusto ressaltou a direção de fotografia e o figurino.
— A fotografia, que está nas mãos de Takao Saito e Shoji Ueda, é muito bonita e inteligente, porque há uma “brincadeira” com ela, de forma interessante. Quando se fala de assuntos referentes à natureza e de busca de plenitude de vida, a fotografia e o figurino são muito bem cuidados, são verdadeiros quadros, parecem pinturas, é algo maravilhoso. Mas, propositalmente, quando se fala de mazelas e coisas ruins, a fotografia fica turva, aparentemente mal feita, e há um figurino aparentemente primário, sendo isso para mostrar pobreza de espírito, algo denso, para indicar que a sociedade está desvirtuada. Há uma mensagem artística por trás disso.
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Filme Cineclube / Divulgação

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