Por que a Polícia que ameaça parar o Rio defende o estado na Alerj?
09/02/2017 22:33 - Atualizado em 09/02/2017 22:43
Principal instrumento estatal de defesa, a Polícia Militar provoca pavor naqueles que sempre confiaram nesse braço para manter a situação do jeito que ela está (o famoso status quo).
Como falha de diversas formas — e não garante saúde, educação, não assiste seus participantes na velhice ou na doença — o Estado vem sistematicamente insistindo em sua competência em garantir a segurança pública. O Estado aparece como aquele que tem toda a força necessária para me proteger do medo que eu tenho dos outros. Pelo monopólio da força, pelo discurso do medo. E o discurso no medo funciona. Ele elegeu Trump nos Estados Unidos. Ele garante base eleitoral a Bolsonaros no Brasil.
Reprodução
Protesto em frente à Alerj / Reprodução
Em toda manifestação de movimentos sociais e sindicais, o Estado sempre usou do monopólio da força, instrumentalizada pela polícia militar, para manter no poder governos de qualidade ruim. Governos contestados por toda qualidade de protestos e manifestação usam da força da PM para calar aquele que diverge e questiona.
Mas no melhor estilo “quem vigia o vigilante?”, a questão que a cúpula do poder do Rio se esforça para descobrir é quem irá parar seu principal instrumento paralisante.
De toda forma, fica difícil entender como a organização que está prestes a colocar um governador do estado do Rio de Janeiro em um de seus piores pesadelos, estava nesta quinta, em frente à Assembleia Legislativa, trabalhando a serviço daquele a quem faz estremecer as bases.
Quem vai vencer? A esperteza ou a força?
Em uma análise baseada no livro “A Revolução dos Bichos”, escrito por George Orwell (citado recorrentemente neste blog), os governos são os porcos – aqueles que possuíam a esperteza –, as polícias, os cachorros – aqueles que se garantem na força. Numa relação de ‘toma lá da cá’, eles mantêm seus privilégios e tomam as decisões que impactam todos os animais que vivem na mesma fazenda.
No Espírito Santo, desde último sábado (4), os dois grupos se enfrentam. Nesta sexta (10), estamos com medo de que a mesma coisa aconteça no Rio. O que é difícil de aguentar, é que nessa guerra dos moradores da Casa Grande, não é difícil perceber que quem vai sofrer são os animais que vivem no paiol.

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