LDO: oposição quer reduzir pela metade remanejamento proposto por Wladimir
24/06/2021 | 15h46
A Câmara de Campos vota na próxima semana (aqui) a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), um instrumento de orientação para a elaboração do orçamento e sua execução, aprovado antes da elaboração da Lei Orçamentária Anual (LOA). Entre as muitas questões que devem ser debatidas, deve esquentar o debate o trecho que trata da autorização para remanejamento orçamentária no próximo ano. A proposta do governo Wladimir Garotinho (PSD) é que seja de 40% do total do orçamento, mas vereadores de oposição já apresentaram emenda e querem reduzir esse valor pela metade, mantendo nos atuais 20%. Outra proposta é do vereador de Maicon Cruz (PSC), que entrou em contato com o blog para informar que apresentou uma emenda de “meio-termo”, com remanejamento de 30%. 
O percentual de remanejamento permite que o prefeito faça alterações nas dotações orçamentárias previstas na LOA, sem que precise passar pelo aval da Câmara. Por exemplo: um valor destinado para Saúde poderia, no meio do exercício financeiro, se retirado e colocado em outro setor, como Mobilidade Urbano (hipoteticamente). A ex-prefeita Rosinha Garotinho (Pros) governou com 50% de suplementação, o que a oposição chamava de um “cheque em branco”.
No governo passado, Rafael Diniz (Cidadania) teve 30% de suplementação nos primeiros anos. Na preparação do Orçamento de 2020, o último do ex-prefeito, os vereadores que eram de oposição e os que faziam parte do chamado G8 se uniram. A oposição, capitaneada pelo atual líder do governo, vereador Álvaro oliveira (PSD), queria entre 10% e 15%. Presidente da Casa à época, Fred Machado (Cidadania) entrou na articulação política, tendo que conversar inclusive com o então deputado federal Wladimir, para que articulasse junto ao seu grupo político, chegando ao remanejamento de 20%, mantido para o Orçamento deste ano de 2021.
As emendas passaram pelo plenário e prometem esquentar o debate, sobretudo relembrando as discussões e posturas de alguns vereadores na condução do processo na gestão Rafael Diniz.
Atualizado às 20h25 — Inclusão do posicionamento de Maicon.
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Juninho Virgílio vai para secretaria de Governo de Campos na próxima semana
24/06/2021 | 14h38
Diplomação de Juninho Virgílio
Diplomação de Juninho Virgílio / Foto: Aldir Sales
O vereador Juninho Virgílio (Pros) vai deixar o mandato na Câmara de Campos para assumir a secretaria de Governo do prefeito Wladimir Garotinho. A mudança será oficializada na próxima semana. A expectativa é que Virgílio ainda participe da votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), que o presidente Fábio Ribeiro (PSD) confirmou (aqui) na pauta da próxima semana. No Legislativo, o lugar de Juninho será ocupado por outro fiel escudeiro do grupo garotista, o ex-presidente da Câmara Edson Batista (Pros).
A saída de Juninho Virgílio da Câmara para a Prefeitura não vai afastá-lo da relação com os vereadores. Pelo contrário, caberá a ele reforçar o time de articuladores do prefeito Wladimir junto aos representantes da Casa do Povo.
O período de recesso, que começa em 1º de julho, será crucial para que o governo tente o voto necessário para chegar aos 13 (sem contar com Fábio Ribeiro) para aprovar as alterações no Código Tributário, sem falar na mais difícil tarefa, de chegar aos 17 votos (nesse caso, incluindo Fábio) necessários para aprovação das contas de Rosinha Garotinho (Pros) — que tiveram parecer contrário do Tribunal de Contas do Estado (TCE), foram reprovados pela Câmara em 2018, mas o julgamento foi anulado pela atual legislatura em fevereiro.
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Campos recebe royalties com alta de 300% em relação a junho de 2020
23/06/2021 | 21h56
Divulgação
Campos recebe, nesta quinta-feira (24), R$ 37.549.770,41 de royalties do petróleo referente à produção de abril deste ano. O repasse é 1,3% superior ao que foi feito em maio (R$ 37.076.891,18) e 300% maior que o valor pago em junho de 2020 (R$ 9.837.313,81).
Para São João da Barra, que recebe nesta quinta R$ 13.640.899,94, a oscilação positiva foi mínima, de 0,01%, em comparação com o mês passado (R$ 13.639.185,68). Já em relação ao ano passado, a alta foi de 323% sobre o valor repassado (R$ 3.222.095,02).
Entre os municípios da região, Macaé, novamente, foi o que recebeu o maior valor (R$ 78.695.189,71), o que representa uma queda de 1,9% em relação a maio (R$ 80.211.530,59), mas alta de 256% sobre o depósito de junho de 2020 (R$ 22.115.976,77).
O menor repasse do Norte Fluminense é o de Carapebus, que será de R$ 5.609.708,88, valor 3,3% menor que o depositado no mês passado (R$ 5.802.971,23) e 344% superior ao que foi pago no mesmo período do ano anterior (R$ 1.264.733,60).
O município de Quissamã recebe nesta quinta R$ 17.251.404,63, enquanto em maio o repasse foi de R$ 18.572.113,85 (queda de 7,1%) e em junho de 2020 de R$ 3.728.240,82 (+362,7%).
— Analisando os gráficos de câmbio e preço brent, vemos o motivo pelo qual os repasses praticamente permaneceram os mesmos do mês anterior. Tivemos um aumento do brent no mês de abril e também uma queda no câmbio no mesmo período, com uma produção petrolífera estável na Bacia de Campos e, como sempre, um aumento de produção no pré-sal da Bacia de Santos, porém, uma queda de 6% na produção da partilha. Em números, o câmbio teve uma queda de 12,3% e o brent um aumento de 17,2% de abril até o momento. A previsão é de repasses melhores para julho e agosto, com uma participação especial também melhor que a anterior, em maio. Sigamos acompanhando o mercado. Segundo a previsão do Banck Of America, o petróleo deve alcançar os US$ 100, com o avanço da campanha de vacinação no mundo e a retomada da demanda pela commodity. A pandemia não acabou, sigamos com foco na saúde e extrema cautela nos gastos, para não sofrermos consequências no fluxo de caixa durante este período. Temos muitas batalhas a travar, principalmente com o retorno do Paulo Ziulkoski à CNM, que tem como principal bandeira a redistribuição dos royalties. Olhos nas contas, na CPI da Alerj e nos movimentos de Brasília no que tange ao tema royalties. Atenção total e cautela ao extremo — destacou o consultor de Petróleo, Gás e Tecnologia Wellington Abreu.
 
 
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Vereadores querem convocar secretário de Saúde para explicar gestão dos hospitais
23/06/2021 | 17h00
Adelsir Barreto
Adelsir Barreto / Divulgação - Prefeitura de Campos
Um grupo de 10 vereadores quer convocar o secretário de Saúde de Campos, Adelsir Barreto, que acumula a presidência da Fundação Municipal de Saúde, para prestar esclarecimentos sobre o objetivo do município ao contratar uma empresa para a gestão das unidades hospitalares. Em documento — já entregue na Câmara, endereçado ao presidente Fábio Ribeiro (PSD) —, o grupo destaca o anúncio do contrato com a MX Gestão, com dispensa de licitação, no valor de R$ 33 milhões. Após denuncias de envolvimento de sócios com a holding dos hospitais de campanha que levaram ao impeachment do ex-governador Wilson Witzel, a Prefeitura recuou do contrato. Em entrevista (aqui) ao Folha no Ar da última sexta-feira (18), o vice-prefeito Frederico Paes falou sobre os valores e sobre a previsão de licitação até o fim de julho.
Os vereadores, porém, querem detalhes de como vai ser conduzido o processo. Assinam o documento Igor Pereira (SD), Nildo Cardoso (PSL), Abdu Neme (Avante), Rogério Matoso (DEM), Helinho Nahim (PTC), Anderson de Matos (Republicanos), Marquinho Bacellar (SD), Bruno Vianna (PSL), Fred Machado (Cidadania) e Raphael Thuin (PTB).
Eles solicitam ao presidente da Câmara que o pedido de convocação seja apreciado pelo plenário e que, em caso de aprovação, o comparecimento do secretário ´de Saúde seja em reunião presencial, “tendo em vista a importância do tema”.
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Justiça nega pedido para anular nomeação da companheira de Bruno Pezão
23/06/2021 | 14h16
Vereador Bruno Pezão
Vereador Bruno Pezão
 
 
O juiz Eron Sima, da 1ª Vara Cível de Campos, negou a tutela de urgência em uma ação popular que pede a anulação da portaria 1.355/2021, da Prefeitura de Campos, que nomeou Mariana Silva Barboza como subsecretária de Desenvolvimento Humano e Social. Ela, como o blog revelou (aqui), é esposa (ou companheira) do vereador Bruno Pezão (PL) e herdou a vaga de Andréa Vianna, mãe do também vereador Bruno Vianna (PSL), que pediu exoneração (aqui).
A postura dos dois vereadores tem sido diferente na Câmara. Enquanto Bruno Pezão tem se mantido fiel ao governo, votando nos 12 projetos enviados pelo prefeito Wladimir Garotinho (PSD), e não se mostrado contra as alterações do Código Tributário, o Bruno Vianna sinalizou um racha com o governo. Mesmo tendo votado em 12 dos 13 projetos do pacote do prefeito, ao se posicionar contra o Código Tributário, ele já teve cargos de confiança ligados a ele exonerados do governo.
De acordo com o juiz, ai negar a tutela de urgência, que chegou a ter parecer favorável do Ministério Público, “além da nomeada não ser parente da autoridade nomeante (o prefeito), o seu companheiro é vereador, de modo que não integra o Poder Executivo. Também não há prova do ajuste de nomeações recíprocas”. Eron, contudo, salienta: “Sob outro aspecto, ainda que se possa cogitar que a nomeação da companheira é a moeda oferecida pelo Prefeito para angariar o apoio político do Vereador - fato que não deixa de ser reprovável -, por ora, esta é apenas uma conjectura que os exemplos diários de arranjos políticos levam a elucubrar. As circunstâncias dessa nomeação, a qualificação da designada e eventual desvio de finalidade, contudo, deverão ser analisadas durante a instrução probatória”.
O autor da ação é o odontólogo Alexandre Buchaul, que chegou a disputar uma cadeira na Câmara no pleito de 2016, além de ter figurado entre os possíveis candidatos a prefeito no último pleito, mas sem concretizar a candidatura. A decisão é de 15 de junho.
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Carla Machado nomeia a própria vice para secretaria de Assistência Social
23/06/2021 | 09h47
Carla Machado e Carla Caputi durante a campanha
Carla Machado e Carla Caputi durante a campanha / Divulgação
A prefeita de São João da Barra, Carla Machado (PP), em edição suplementar do Diário Oficial dessa terça-feira (22), nomeou sua própria vice, Carla Caputi (DC), para o comando da secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos. O movimento no tabuleiro é visto como uma forma de projetar politicamente o nome da vice, uma vez que a pasta tem grande capilaridade no município. Apesar de ter feito parte da chapa vitoriosa “das Carlas”, a filha do ex-vereador Caputi nunca teve o nome diretamente testado nas urnas.
A composição para vice de Carla Machado foi a partir de uma escolha da prefeita por um nome considerado técnico, já que Carla Caputi já havia atuado como secretária de Administração na gestão dela, além de ter presidido a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de São João da Barra.
Alguns pontos, no entanto, não estão claros. Um deles é a urgência da exoneração da até secretária Angélica Rodrigues da Silva, às vésperas de um feriadão (a Prefeitura de SJB encerra o expediente nesta quarta-feira, 23, e só volta aos trabalhos na próxima quarta, dia 30). Nas redes sociais, inclusive, a atuação de Angélica vinha acumulando alguns comentários positivos — apesar, é claro, de não ser unanimidade. Contudo, a condução do trabalho não estaria deixando a prefeita satisfeita. 
Outra dúvida é com relação à possível intenção eleitoral da nomeação na Assistência Social: se seria com projeto para 2022 ou já de olho em 2024. Ao escolher o ex-aliado Neco (MDB) como nome do seu grupo na disputa de 2012, uma vez que ela estava exercendo seu segundo mandato consecutivo, foi para pasta da Assistência Social que Carla o nomeou. Parece cedo para afirmar se a estratégia é a mesma agora. O que não é tão simples é controlar dentro do grupo outros pretensos prefeitáveis para 2024. Um deles é o presidente da Câmara, Elísio Rodrigues (PL), que falou sobre o desejo em entrevista à Folha FM no início de março.
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Com Código Tributário e contas de Rosinha na gaveta, Câmara quer mudar Regimento
19/06/2021 | 10h11
Fôlego para o governo
Sem os 13 votos necessários para aprovar a mudança do Código Tributário de Campos, em que só não houve derrota na sessão da última quarta-feira (16) porque o regime de urgência foi reprovado (aqui), os aliados do governo não têm mais pressa de colocá-lo em pauta. As articulações continuam, mas aliados de primeira hora do prefeito Wladimir Garotinho (PSD) não veem com bons olhos o retorno das discussões agora. O Legislativo entrará em recesso no próximo mês e aliados governistas acreditam que esse tempo pode dar fôlego para o governo conseguir a maioria absoluta da Casa. Nessa conta, não entra o voto do presidente Fábio Ribeiro (PSD).
Prerrogativas do presidente
Em projetos que exigem maioria absoluta, Fábio não vota. Mas é dele a prerrogativa de pautar. Por ora, a expectativa é que o Código Tributário fique na gaveta, assim como a reanálise das contas de 2016 da ex-prefeita Rosinha Garotinho (Pros). A reprovação na Câmara (aqui), de 2018, seguindo parecer do Tribunal de Contas do Estado (TCE), foi anulada pela atual legislatura em fevereiro. Naquele tempo, Wladimir tinha ampla maioria na Casa. Só que tudo mudou. E o governo que encontra dificuldades para chegar a 13 votos e mudar o Código Tributário, sabe que é ainda mais difícil chegar aos 17 das contas, ainda que nesse caso Fábio Ribeiro vote.
Cálculos e mistérios
Muitos foram os cálculos para tentar saber se o governo tinha ou não maioria absoluta na Câmara. Com a volta de Thiago Rangel (Pros), que teve aliados nomeados (aqui) na Empresa Municipal de Habilitação (Emhab), o governo chegou a 12. Faltava um. Na mira estava Maicon Cruz (PSC), e havia expectativa de contar com o até então licenciado Marcione da Farmácia (DEM). Ele voltou aos trabalhos dia 16, chegou a assinar (aqui) emendas com a base — sinalizando apoio aos governistas. Além disso, assessores garantiram sua presença na sessão. Não apareceu e na quinta-feira (17) pediu mais 15 dias de licença (aqui): a contar da quarta da sessão.
Ligação decisiva?
Também na mira do governo, Maicon informou à coluna (aqui), na semana passada, que votaria contra as alterações do Código Tributário apresentadas em 25 de maio. Porém, aguardava as mudanças que seriam apresentadas pelo Executivo após o diálogo com o setor produtivo. Mas, como publicou o blog Opiniões, na quarta (aqui), até poucas horas antes da sessão o voto dele era considerado dúvida. Ele não respondeu à demanda gerada sobre o assunto, reforçando a dúvida. Ainda segundo o Opiniões (aqui), uma ligação do secretário estadual de Governo, Rodrigo Bacellar (SD), definiu a posição do edil. Maicon nega qualquer influência de Bacellar na sua decisão.
Regimento e DO
Com o Código Tributário na gaveta no mínimo até o recesso, salvo uma reviravolta que não é esperada nem mesmo por interlocutores governistas, a mesa diretora estuda mudanças no Regimento Interno, considerado por alguns uma “colcha de retalhos”. Já nos bastidores, os indicativos de como o governo conduzirá a relação com os vereadores contrários e favoráveis ao projeto do Código Tributário virão nas próximas edições do Diário Oficial. Afinal, foi derrota para o governo a não aprovação e a toda discussão era vista como um “divisor de águas”. Já quem se manteve na base, agora, cobra pelo desgaste que teve perante o setor produtivo.
Movimentos
Em edição suplementar do Diário Oficial dessa sexta-feira (18), alguns exemplos apareceram. Wladimir exonerou (aqui) da Fundação Municipal de Esportes (FME) nomes que são ligados aos vereadores Bruno Vianna (PSL) e Raphael Thuin (PTB). Eles, com Fred Machado (Cidadania), foram a favor de 12 dos 13 projetos do pacote do prefeito, mas retiraram o apoio no Código Tributário. Entre os exonerados, Fábio Cobosk, presidente da FME desde a gestão passada, quando Thuin deixou o cargo para disputa a vereador. Ainda esperando um voto, o movimento de Wladimir é brusco, e mostra como o caso será tratado, mas só o tempo dirá se é inteligente.
Pesquisa
O Laboratório Plinio Bacelar dá mais um passo e inicia, nos próximos meses, uma pesquisa inédita na região. O levantamento irá avaliar a produção de anticorpos em pessoas vacinadas contra Covid-19. A pesquisa analisará pacientes do laboratório para saber a quantidade de anticorpos produzidos pós-vacina e poderá servir de base para outros estudos científicos com objetivo de avançar e abrir novas frentes no combate e prevenção da doença provocada pelo novo coronavírus e que, somente no Brasil, já provocou a morte de quase 500 mil pessoas.
Agasalho
O inverno começa oficialmente no Brasil nos primeiros minutos desta segunda-feira (21) — exatamente à 0h32. E este final de outono tem sido frio na região. Varre-Sai, no Noroeste Fluminense, registrou 5°C na última quarta. Campos também tem passado por noites frias. E todos os anos campanhas são lançadas para oferecer agasalhos a quem não tem. Uma dessas campanhas é da Associação dos Docentes da Uenf (Aduenf), que todas as quintas-feiras recebe doações. O destino dos agasalhos é a ocupação das casas do Minha Casa, Minha Vida no conjunto habitacional Novo Horizonte.
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Frederico Paes anuncia que licitação para gestão da Saúde será em julho
19/06/2021 | 08h31
Vice-prefeito Frederico Paes
Vice-prefeito Frederico Paes / Genilson Pessanha
“O que a gente não pode ter hoje são desperdícios que ainda existem. Nós encontramos uma Prefeitura totalmente desarrumada. Não sabe se todo medicamento que é comprado chega com segurança lá na ponta, onde tem necessidade. Controle de estoques, aferição de ponto, aferição de quem está e quem não está trabalhando. Identifiquei muitas aberrações que precisam ser corrigidas”. A afirmação é o vice-prefeito de Campos, Frederico Paes, ao defender a necessidade de contratação de uma empresa para gestão das unidades hospitalares do município. Nessa sexta-feira (18), em entrevista ao Folha no Ar, da Folha FM 98,3, ele comentou sobre a desistência do polêmico contrato emergencial, de R$ 33 milhões por 180 dias, com a MX Gestão de Saúde e afirmou que a licitação vai acontecer em julho. Além de questões políticas, como as articulações quanto ao Código Tributário, Frederico, que é engenheiro agrônomo e presidente da Cooperativa Agroindustrial do Estado do Rio de Janeiro (Coagro), ele também falou sobre as perspectivas da safra e a importância do agronegócio para a economia campista.
Com experiência na gestão do Hospital dos Plantadores de Cana, Frederico disse que o município tem um orçamento dos mais privilegiados do país em termos de Saúde: “A última gestão gastava em média, e a palavra é gastar, não é nem investir, porque gastou-se mal, R$ 900 milhões na Saúde. O que falta na Saúde é administração, é gestão, é fazer com que esse recurso seja bem aplicado. E o município precisa, sim, profissionalizar, otimizar a gestão”.
O valor do contrato anunciado com a com a MX Gestão de Saúde com dispensa de licitação, e que depois houve recuou por parte da Prefeitura, foi outro ponto que Frederico explicou.
— O valor estimado de despesa ou investimento nesse projeto seria algo em torno de R$ 12 milhões. Por que os R$ 33 milhões? Previa-se ali um “cobertor” de horas médicas e horas de enfermagem, fisioterapia. Se tivesse algum problema, a gente contrataria médicos em cima dessas horas. Então, o valor estimado mensal para otimizar a gestão dos três hospitais (Ferreira Machado, Geral de Guarus e São José) e de seis UPH’s seria algo estimado em R$ 800 mil a R$ 1 milhão por mês. O restante ia ficar lá, se houvesse necessidade.
Na versão oficial, a suspensão do contrato com a MX foi pelo fato de a empresa não ter experiência com municípios do porte de Campos. Mas a imprensa revelou que sócios da MX Gestão estariam ligados à holding envolvida nos escândalos de corrupção dos hospitais de campanha, que levaram ao impeachment do ex-governador Wilson Witzel. Frederico admitiu que esse fato também pesou na decisão de cancelar o contrato: “A empresa precisa ter expertise com cidades do tamanho de Campos, isso é o principal. A gente quer transparência total nas empresas que vão trabalhar. Eu tenho um nome a zelar, uma vida pública e preciso ter total tranquilidade para trabalhar nossas ideias. Precisamos colocar uma empresa para atuar na gestão, mas sem outros tipos de preocupação”.
A intenção de contratar uma empresa para gestão da Saúde foi contestada pelo ex-presidente do Sindicato dos Médicos de Campos José Roberto Crespo, cobrando melhores condições de trabalho e defendendo que os próprios profissionais do município têm condições de administrar a rede. Frederico respondeu:
— Nós já estamos trabalhando com recurso para melhorar os equipamentos dos hospitais. Nós vamos entregar à população os hospitais públicos melhores, mais bem aparelhados, com condição. Existe já previsão orçamentária para isso. Agora, o médico tem que se dedicar à medicina ou deixar a medicina para fazer gestão. Não dá para misturar as coisas. Quem faz gestão são gestores, que podem ser médicos, mas têm que ter dedicação exclusiva. Campos tem, sim, pessoas capacitadas para isso. Mas, é preciso ter dedicação exclusiva, e não fazer gestão como penduricalho e complemento de salário.
HGG — Frederico confirmou que o início da obra do Hospital Geral de Guarus acontece ainda este ano. “Isso já deveria ter acontecido, (atrasou) pela questão da pandemia. Não tem como você fechar o hospital, você precisa transferir o hospital para algum lugar. Hoje, o HGG é importante não só para Guarus, mas para o município inteiro”.
No campo político, Frederico demonstrou otimismo com o mandato que vem desempenhando com o prefeito Wladimir Garotinho (PSD): “A coisa está caminhando bem, apesar dos percalços, o que é normal em cinco meses de governo. No final dos quatro anos, vamos entregas uma cidade melhor para as pessoas”. 
Pouco tempo para dialogar sobre o projeto
As polêmicas discussões do Código Tributário de Campos também foram analisadas pelo vice-prefeito. Frederico pontuou que o setor produtivo se propôs ao dialogo, mas sem nenhum tipo de concessão sobre o que estava sendo proposto. Ele também falou sobre a atuação dos vereadores no processo e defendeu a necessidade dos ajustes, ressaltando o Termo de Ajuste de Gestão (TAG) que o município pretende firmar com o Tribunal de Contas do Estado (TCE). Para Frederico, apesar da falta de votos no Código Tributário, o governo teve saldo positivo em relação ao pacote enviado ao Legislativo:
— Eu entendo que o governo saiu vitorioso. Dos 13 projetos enviados, 12 importantes projetos foram aprovados. Não tem como falar em derrota até porque esse 13º projeto não foi votado. Evidente, que em política tem o fator da negociação, e os próprios vereadores que se colocaram como independentes, também poderia negociar através de emendas. (...) Campos precisa de união. O prefeito tem dito isso e eu endosso porque é preciso trazer paz ao município.
Para Frederico, a reprovação do regime de urgência pode ajudar o governo. “Não faltou diálogo, faltou mais tempo para dialogar. Talvez, se o tempo fosse maior, teríamos como levar a mensagem do prefeito. Talvez o tempo que a gente não teve, tenhamos agora, que a gente consiga negociar, mostrar alguns pontos e quando tiver maduro, claro, com a determinação do presidente (da Câmara) Fábio Ribeiro (PSD), colocar na pauta”.
Expectativa em alta com a cana-de-açúcar
Engenheiro agrônomo e presidente da Coagro, Frederico também falou sobre as expectativas positiva para o agronegócio, sobretudo com a safra da cana-de-açúcar. Ele destacou que em três ano a produção foi dobrada na região e as previsões são promissoras:
— A injeção nos municípios é em torno de R$ 600 milhões, nas duas unidades que operam hoje na região, a Coagro e a Canabrava. É uma atividade que acredito que vá crescer muito. Nós vamos reabrir a usina Paraíso ano que vem. Vamos começar, a partir de julho, a reforma da usina. Serão gerados cerca de dois mil empregos diretos. É uma usina importante na margem direito do Paraíba. As duas usinas hoje são na margem esquerda. Vamos incentivar o plantio de cana na Baixada Campista. Daqui a dos anos, nossa expectativa é que o segmento possa estar injetando na economia algo em torno de R$ 1 bilhão.
Frederico também comentou sobre a necessidade de intervenções, em parceria com o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) para a recuperação dos canais. Ele ainda destacou os trabalhos desenvolvidos pela secretaria de Agricultura, afirmando que o governo encontrou “uma bagunça” na pasta, mas que a atual equipe já começa a apresentar resultados: “Fizemos em poucos meses mais de 100 quilômetros de estradas vicinais, para dar condições aos produtores de escoar a produção”. O vice-prefeito vê no setor um dos caminhos para Campos superar a crise.
Confira a entrevista:
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Wladimir Garotinho exonera DAS ligados a Bruno Vianna e Raphael Thuin
18/06/2021 | 20h40
O prefeito Wladimir Garotinho (PSD) exonerou, em edição suplementar do Diário Oficial nesta sexta-feira, cargos comissionados que seriam da cota dos vereadores Bruno Vianna (PSL) e Raphael Thuin (PTB), sobretudo na Fundação Municipal de Esportes (FME). Entre os exonerados está o presidente da FME, Fábio Gonçalves Coboski, que substituiu Thuin, desde que ele deixou a secretaria no governo Rafael Diniz (Cidadania) para disputar a cadeira de vereador; e também o vice, Marcelo Cordeiro Valentim, ligado a Bruno. As exonerações seguiram em vários setores da Fundação.
Bruno e Thuin votaram com o governo em 12 dos 13 projetos que foram encaminhados para o prefeito na sessão de 25 de maio. Contudo, junto com Fred Machado (Cidadania), se posicionaram contra as alterações do Código Tributário, o que geraria a derrota do governo no projeto que ainda tramita na Câmara. A posição foi encarada como suficiente para desligar qualquer indicação dos vereadores na estrutura administrativa da Prefeitura, uma vez que o projeto era apontado como "divisor de águas" pela articulação do governo.
As portarias também trazem nomeações na Fundação Municipal de Infância e Juventude (FMIJ). Antes o setor era comandado pelo vereador Igor Pereira (SD), que pediu exoneração e também se posicionou contra o governo.
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Vice-prefeito de Campos, Frederico Paes fecha a semana do Folha no Ar
17/06/2021 | 17h31
Vice-prefeito Frederico Paes
Vice-prefeito Frederico Paes / Genilson Pessanha
O vice-prefeito de Campos, Frederico Paes, é o entrevistado desta sexta-feira (18) do Folha no Ar, da Folha FM 98,3. Com atuação direta no setor da Saúde, dentro do organograma do governo Wladimir, ele comenta sobre a expectativa do governo de contratar, agora por meio de um pregão eletrônico, uma empresa para administrar as unidades hospitalares do município. Vale lembrar que o município chegou a anunciar o contrato, sem licitação, com a MX Gestão de Saúde, por 180 dias, no valor de R$ 33 milhões, mas recuou, alegando que a empresa não tinha experiência em cidades com perfil parecido com Campos.
Frederico ainda comenta sobre as movimentações quentes na política goitacá, acerca do projeto de alteração do Código Tributário, que tramita na Câmara, mas já saiu de pauta duas vezes — e, nos dois casos, por falta de votos da base governista para aprova-lo. Engenheiro agrônomo, produtor rural e presidente da Cooperativa Agroindustrial do Estado do Rio de Janeiro (Coagro), ele também vai falar sobre as perspectivas da safra da cana neste ano.
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Sobre o autor

Arnaldo Neto

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