Feliz ano velho
paulavigneron 05/01/2017 18:25
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Cinco de janeiro de dois mil e dezessete. Quinto dia de um ano novo para o qual pessoas reuniram esperanças de vivenciar experiências melhores e mais positivas. Vontade de mudar a realidade e encontrar caminhos que as afastassem dos últimos doze meses. Estes entraram para a lista de alguns dos piores da história do Brasil e do mundo. Mas o quinto dia do novo ano amanheceu com ares de um retrocesso que caracterizou 2016.
Os jornais e o Facebook estamparam a foto de um bebê de 16 meses, chamado Mohammed Shohayet, que não conseguiu sobreviver a um naufrágio durante a fuga de Myanmar (ou Birmânia) para Bangladesh. Ele e seus familiares tentavam escapar da perseguição étnica. O corpo da criança, da etnia Rohingya (considerada pelo governo birmanês como grupo de imigrantes ilegais), foi fotografado à margem do rio Naf. Também morreram sua mãe, seu irmão (de três anos) e um tio. Somente o pai sobreviveu.
A foto de Mohammed, tragicamente, traz à lembrança a imagem de Aylan Kurdi, um garoto de três anos encontrado morto em situação semelhante. O corpo da criança foi fotografado em uma praia da Turquia, também após um naufrágio. Na época, o jornal Independent fez um alerta, veiculado em periódicos brasileiros: “se estas imagens com poder extraordinário de uma criança síria levada a uma praia não mudarem as atitudes da Europa com relação aos refugiados, o que mudará?” Passados quase dois anos, a mudança esperada permanece em sonho.
E, no Brasil, com cinco dias de 2017, a população engole mortes individuais e coletivas e cenas diárias de violências enquanto vê o início do desaparecimento da esperança em dias mais calmos e positivos, que foram pedidos na passagem do ano.
A melhor definição sobre os sentimentos gerados pelos primeiros cinco dias de 2017 foi feita, por meio de rede social, pela professora e jornalista Jacqueline Deolindo: “Que época triste vivemos... As notícias, que quase nunca comento, são tristes, e a vida de tanta gente é uma tristeza só. Não dá nem pra dizer ‘oi, tudo ótimo’. Dizer ‘tudo ótimo’ é quase um desrespeito a essas dores. Reconheço, agradecida, tudo de bom, todo conforto, toda alegria e liberdade, todas as conquistas da minha família, mas, vendo pela janela o mar de lama que afoga nossos iguais, aqui perto, lá longe, o que circula no fundo da minha alma é compaixão, tristeza e dúvida. Não tem como não sofrer junto com os outros homens nem deixar de pensar na espantosa natureza humana.””

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