Jejum Intermitente e Diabates
17/07/2018 | 08h04
Diabetes
Diabetes / googlesearch istock
A busca por resultados estéticos como emagrecimento sempre ocorreu na sociedade moderna. Todavia, o anseio por respostas rápidas tem gerado ao longo dos anos, várias abordagens de manejo de peso, que são digamos...questionáveis.
Uma dessas opções é o chamado Jejum Intermitente. Existem vários protocolos, mas em geral fica-se de 16 a 24 horas sem ingestão calórica e após esse período come-se uma carga calórica considerável. 
Há estudos que mostram melhora no perfil cardiovascular em alguns indivíduos e, ocorre sim a perda de peso com certa velocidade, se comparado com outras abordagens mais ortodoxas em nutrição clínica. 
No entanto, nesta segunda-feira foi apresentado um estudo, que sugere riscos à saúde no Jejum Intermitente:
_pesquisadores da USP mostraram dados obtidos com ratos, que sugerem forte relação entre o Jejum Intermitente e o risco de diabetes tipo II, principalmente a médio e longo prazos.
Os cientistas encontraram danos nas células pancreáticas secretoras de insulina, bem como níveis mais elevados de radicais livres e sinais de resistência à insulina, característicos do diabetes do tipo II. 
A pesquisa é pioneira na exibição de tais resultados, que devem ser considerados principalmente em indivíduos com histórico familiar de diabetes e de obesidade abdominal.
O trabalho foi apresentado pelo grupo da pesquisadora Ana Cláudia Munhoz Bonassa, na Reunião Anual da Sociedade Europeia de Endocrinologia, em Barcelona (ESP)
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Chás, Fitoterápicos e o seu Fígado
13/07/2018 | 07h02
google search viver bem
O consumo de chás e fitoterápicos tem crescido exponencialmente no Brasil nos últimos 8 anos, segundo a ANVISA.
A crença na melhora da saúde, ou mesmo o alcance de objetivos estéticos, como emagrecimento e, fins de bem estar como melhora do sono e tratamento da ansiedade, fazem dos chás e fitoterápicos uma opção teoricamente segura e saudável.
Contudo, vários estudos realizados com fitoterápicos popularmente bem conhecidos e, outros não tão comuns no nosso país, indicam risco de lesão hepática dentre outras.
Um exemplo é a Valeriana (Valeriana Officinalis L). Muito utilizada pelos seus efeitos sedativos, indutores de sono e mesmo levemente hipnóticos, o uso prolongado é associado a casos de hepatite tóxica. Obviamente o consumo de álcool, medicamentos e toxinas alimentares pode agravar o quadro, mas os fatores de risco na sua utilização são sim descritos na bibliografia médica e pouco esclarecidos.
Os chás de uso pouco tradicional no Brasil trazem outra preocupação: o abuso na ingestão. Nesse caso cito o chá de hibisco (Hibiscus sabdariffa). Preparado com as flores do hibisco, seus possíveis efeitos no emagrecimento e diurese o tornaram muito popular nos últimos 5 anos. 
Entretanto, o que esquecemos é que seu uso tradicional se refere a uma a duas xícaras ao dia, distintamente dos litros que vemos sendo consumidos pela população.
A infusão de uma planta (chá), promove a extração por calor de inúmeros princípios ativos, que serão ingeridos em conjunto. Na maioria dos casos, o que se busca para benefício se resume a um ou dois desses princípios ativos e os outros tantos vão "no bolo".
O problema é que algumas dessas substâncias pode ser estressante em termos hepáticos, podendo sim causar hepatite tóxica, principalmente em indivíduos com metabolismo hepático mais sensível.
Bom senso! Até água em demasia trará malefícios, como redução do teor de sódio no sangue (hiponatremia) e queda brusca da pressão arterial por exemplo...  
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Alergia ao Leite x Intolerância
09/07/2018 | 08h02
Leite
Leite / google search ruralpecuaria
Um tema controverso na seara da Nutrição e que envolve vários equívocos é a alergia às proteínas do leite e a intolerância à lactose. 
Antes de mais nada, é necessário que diferenciemos os dois quadros:
_A alergia às proteínas do leite (quase sempre a apenas uma delas) é um quadro tipicamente imunológico, onde o sistema imune de um indivíduo reage de forma equivocada à ingestão de leite, comumente bovino.
O leite apresenta como principais proteínas a lactoalbumina, lactoferrina, lactoglobulina e a caseína. Uma pessoa alérgica responde a uma delas como a qualquer outro alimento que cause alergia (alergênico), ou seja com reações que vão desde de dermatites a quadros respiratórios, podendo ocorrer diarréias e distensão abdominal.
A intolerância à lactose é um distúrbio digestório, onde um indivíduo produz pouca ou nenhuma enzima lactase, que deveria digerir a lactose. Esta é um açúcar presente no leite. Quando consumida e não digerida atrai água para os intestinos, provoca formação de gases (flatulência), cólicas notáveis e na grande maioria dos casos diarréia aguda. Para esses casos os produtos sem lactose são hoje abundantes e, resolvem a questão. Além da oferta em farmácias de enzima lactase para ingestão.
Os alérgicos às proteínas do leite devem sim evitar o seu consumo, mesmo que em pequenas quantidades, devendo se manter atentos aos rótulos do alimentos. 
Não pretendo entrar na questão de defesa ou condenação do consumo de leite bovino, mas poucas fontes de cálcio similares aos laticínios (exceto manteiga) são disponíveis para consumo regular (não adianta se fartar de couve em um dia e passar cinco sem consumi-la).
E convenhamos, o argumento de que o homem é o único mamífero que ingere leite após o desmame é um sofisma dos bons...afinal somos os únicos que ordenhamos, dentre outras exclusividades da espécie humana...  
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Bicarbonato de Sódio
05/07/2018 | 08h43
Bicarbonato de sódio
Bicarbonato de sódio / Google search: nedmed.info
Uma das maiores revistas sobre imunologia publicou em Abril deste ano um artigo impactante: o uso de bicarbonato de sódio via oral pode ter importantes efeitos anti-inflamatórios.
O estudo foi realizado com camundongos, que ingeriram água com bicarbonato de sódio por períodos variados e surpreendentemente observou-se mudança de células do sistema imune chamadas macrófagos (vulgos "PAC Mans" do sistema imune) de um padrão inflamatório (M1) para não inflamatório (M2), no baço dos camundongos.
O resultado é importante, pois fornece subsídios para um hábito que vem sido divulgado por médicos controversos; a ingestão de água com bicarbonato. Os dados precisam ser melhor avaliados e aprofundados, mas a possibilidade é empolgante, pois um produto barato e teoricamente inócuo teria o mesmo papel de medicamentos com vários efeitos colaterais, como corticóides e outros anti-inflamatórios.
Muita calma nesse momento, pois não estamos aqui sugerindo que ninguém beba água com bicarbonato desarvoradamente, mas que é um caso a se pensar, em pequenas quantidades, lá isso é... 
OBS: vários processo patológicos, incluindo infarto agudo do miocárdio se iniciam com inflamação nos vasos sanguíneos...para esclarecer a relevância do achado.
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Toxina na Carambola
02/07/2018 | 10h04
Fruto carambola
Fruto carambola / google search
 
Caros leitores,
é muito corriqueiro o conceito que consumir frutos é extremamente saudável e fundamental em uma dieta saudável, mas como em praticamente tudo, há o reverso da moeda; alguns frutos podem tóxicos. A carambola é um exemplo comprovado cientificamente. Ao contrário do muitos conterrâneos da pátria tupiniquim acreditam, a carambola (assim como a asiática banana) não é brasileira. De origem indiana, esse fruto tem amplo uso ornamental devido ao seu formato exótico e, seu consumo é muito difundido em algumas regiões do Brasil, seja in natura, em sucos ou em licores. No entanto, esse fruto apresenta uma substância com potencial tóxico ao sistema nervoso central de aves e mamíferos: a caramboxina. Essa substância é particularmente perigosa em indivíduos com insuficiência renal, podendo até causar óbito, se consumida em maiores quantidades. Há ainda o risco de cálculos renais por oxalato no consumo regular desse fruto. A carambola apresenta vitamina C, mas com tantos outros frutos abundantes nessa vitamina, não há grandes motivos para se correr o risco...
_ O que seria o consumo excessivo? Depende do peso corpóreo do indivíduo, mas 8 carambolas já seriam suficientes para causar toxicidade. 
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Ovos Falsos
29/06/2018 | 07h42
Caros leitores,
gostaria de esclarecer uma polêmica gerada nas redes sociais a partir de um vídeo, que mostra ovos de galinha adulterados ou falsificados. Na verdade trata-se de ovos "velhos" e muito provavelmente transportados em temperatura que oscilou entre muito quente e resfriamento. A parte interna da casca dos ovos apresenta uma membrana interna e outra externa. As mesmas, com a variação de temperatura sofrem cozimento e com o resfriamento enrijecem, ficando com aparência "plástica". No que concerne a textura da clara e gema, ovos velhos perdem integridade estrutural de suas proteínas, de forma que parecem mais líquidas. Uma dica para aferir o frescor dos ovos é a posição da gema em relação à clara, após abertos em um prato. Quanto mais centralizada a gema, teoricamente mais fresco é o ovo.
 
_Importante: não consuma ovos crus, nem mesmo gema mole, apesar de uma iguaria na opinião de muitos, o risco é grande de toxinfecção alimentar, incluindo salmonelose, que em formas graves pode ser fatal.
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Sobre o autor

Leonardo Gama

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