Hortelã e Melhora na Digestão
10/11/2019 | 07h08
Pesquisadores da Universidade da Carolina do Sul (EUA) publicaram um estudo sobre os efeitos da hortelã (Mentha piperita) na deglutição. 
A conclusão a que chegaram é que o uso regular tanto de chá, quanto do óleo de hortelã melhora em até 65 % a função do esôfago.
Este órgão é responsável por conduzir o bolo alimentar da boca ao estômago. Há pessoas que não realizam essa condução de forma adequada, sendo que alguns chegam a sentir fortes dores após engolir o alimento. 
Vários fatores podem acarretar essa desordem e nem sempre os medicamentos disponíveis podem ser utilizados por todos. 
Os benefícios da hortelã na digestão são conhecidos há décadas. Inclusive há dados sobre importante melhora na Síndrome do Intestino Irritável. 
O uso do chá de hortelã ou mesmo o seu óleo, deve ser feito sem exageros, pois a máxima segue válida:
_a distinção entre o remédio e veneno pode ser a dose... o uso exacerbado da hortelã pode gerar irritação no esôfago e estômago, uma xícara de chá duas e três vezes ao dia logo antes das principais refeições é o suficiente.
Compartilhe
Exagero no Celular e Obesidade
05/11/2019 | 08h23
br.freepik.com
Pesquisadores da Universidade Simón Bolívar (Colômbia) confirmaram dados de um estudo anterior de Harvard e afirmam:
O Abuso no uso de smartphones tem relação direta com a obesidade!
Segundo o estudo, pessoas jovens que usem o dispositivo por 5 horas ou mais por dia, tem 43% de chances a mais de desenvolverem obesidade. 
Uma das causas é óbvia:
_indivíduos que usam o celular em excesso são duas vezes mais propensos ao consumo de produtos industrializados ricos em açúcar, como os refrigerantes, fast-foods e doces.
A disposição à prática de atividades físicas regulares também se mostrou bem menor no grupo citado.
Difícil é combater essa tendência em nossas crianças e jovens...e as tentativas de tornar o uso do aparelho mais dinâmico não foram muito bem sucedidas...haja vista o Pokemon Go... 
Compartilhe
Remédio de Pressão à Noite
26/10/2019 | 06h55
Segundo pesquisadores espanhóis, a melhor hora para usar medicação contra pressão alta é à noite.
Quem tem alterações de pressão arterial deve ter disciplina de usar o medicamento prescrito com regularidade monástica.
Caso haja esquecimento, o risco de elevação drástica da pressão é praticamente certo. 
Sugiro inclusive, que todo usuário dessa classe de medicamentos deve tê-los estrategicamente guardados em vários locais: no carro, mochila ou pasta, escritório.
Dessa forma, caso se esqueça e não encontre uma farmácia por perto, problema resolvido.
Mas voltando ao tema: em artigo publicado recentemente no European Heart Journal, a melhor hora de usar esses medicamentos seria à noite mesmo:
_20 000 hipertensos foram avaliados em dois grupos: um ingeria a medicação ao acordar, como classicamente recomendado pela maioria dos cardiologistas e outro grupo utilizava antes de dormir.
Observou-se redução de até 50 % no risco de AVC e infarto no grupo que utilizou à noite. 
A explicação é que durante o sono o metabolismo cai, assim como a pressão arterial, frequência cardíaca e temperatura corporal (dentre outras funções). 
Nesse período, picos de pressão podem ser catastróficos, uma vez que a variação de pressão seria bem maior...
imagine um salto de 100 x 70 mmHg (comumente chamado de 10 por 7) para 160 x 100 mmHg... o risco de danos é bem maior.
Gostaria de ressaltar que existem diferentes tipos de medicamentos para esta finalidade:
beta-bloqueadores, que causam vasodilatação...diuréticos, que obviamente nos fazem perder excesso de líquidos, etc.
O uso de um diurético antes do sono seria no mínimo incômodo...
Mas antes de mudar qualquer estratégia, converse com o seu cardiologista!!
Compartilhe
Primeira Cerveja Zero Carb
20/10/2019 | 09h07
O médico catarinenese Eduardo Bernhardt acaba de lançar a primeira cerveja com zero de carboidratos em sua composição.
A ideia surgiu a partir da queixa de pacientes e amigos, sobre o excesso de carboidratos ingeridos com essa bebida tão popular em todo mundo.
Como toda bebida alcoólica fermentada, as cervejas passam pela conversão de carboidratos em álcool no processo produção (fermentação alcoólica).
No caso da loura gelada (ou morena, etc) a fonte de carboidratos obviamente é malte de cevada. 
Porém nem todos os carboidratos presentes são convertidos em álcool. De forma que "sobram" muitos carboidratos na bebida pronta.
Foi então que Eduardo começou a pesquisar e testar fórmulas, até encontra uma onde os carboidratos não fermentáveis puderam ser convertidos em álcool.
O resultado foi a marca Don't Worry (não se preocupe)!
Disponível em duas variedades: 
a Premium Pilsner, totalmente sem carboidratos e a American Session IPA.
As duas apresentam médio teor alcoólico: a Premium com 4,1 % e a IPA com 5,1 %. 
Ambas fornecem em média, metade das calorias que uma cerveja comercial convencional. 
Ressaltamos que o uso dessas bebidas por diabéticos pode parecer uma grande alternativa, mas apenas para diabéticos do tipo II, que não utilizam insulina.
Diabéticos do tipo I podem ter problemas com o efeito do álcool em sua glicose sanguínea, que pode cair drasticamente.
Nesse caso os sintomas podem ser confundidos com uma embriaguez discreta, o que pode ser bastante sério em termos de consequências.
O médico pretende lançar outras variedades em breve e, os projetos incluem até um espumante zero carboidratos.
SAÚDE!!!
Compartilhe
Fast Food por Perto e Coração
13/10/2019 | 09h34
Segundo um amplo estudo da Universidade de New Castle (Austrália), quanto mais estabelecimentos de Fast Foods por perto, maior o índice de infartos.
A conclusão baseia-se em dados que avaliaram mais de 3000 pessoas, que sofreram infarto na Austrália entre 1996 e 2013.
Os prontuários dos pacientes foram analisados em vários aspectos, incluindo local de moradia.
Outros fatores de risco, como diabetes, hipertensão e obesidade foram excluídos.
O resultado foi que para cada loja de Fast Food na vizinhança, houve aumento de 4 infartos para 100 mil habitantes.
Os dados surpreenderam até os membros da Sociedade Internacional de Cardiologia, que não creditava tamanho impacto dos Fast-Foods na saúde cardíaca.
Em um país onde só em 2015 havia mais de 5000 mil estabelecimentos desse tipo de comércio, os dados nos servem de alerta, onde o crescimento do setor supera a expansão observada em países berço dos Fast-Foods de linha de produção.
_gostaria de fazer um parênteses:
há uma grande diferença entre Fast-Foods de linha e os artesanais, principalmente no que concerne à quantidade de saladas, sanidade das hortaliças, qualidade da carne e frescor no pré-preparo.   
Compartilhe
Vitamina D e Diabetes
06/10/2019 | 07h25
Um estudo publicado em agosto deste ano, no New England Journal of Medicine, avaliou a influência da vitamina D na prevenção do diabetes tipo II.
2423 pessoas foram acompanhadas por dois anos e meio.
Metade recebeu suplementação de vitamina D3 (4000 UI) e metade ingeriu cápsulas vazias. 
Havia a especulação sobre a suplementação de vitamina D ser capaz de prevenir o surgimento de diabetes do tipo dois, em pessoas com tendência genética/fatores de risco.
Infelizmente segundo Dr. Pittas, pesquisador chefe, não se observou nenhuma relação entre o surgimento desse tipo de diabetes e a suplementação ou não de vitamina D.
Lembramos aqui que a vitamina D tem ação praticamente hormonal e é fundamental à manutenção da massa óssea.
Entretanto, não faz todos os "milagres" que se especulava há alguns anos. 
O desenvolvimento de diabetes do tipo dois está diretamente relacionado aos maus hábitos alimentares, sedentarismo, obesidade e fatores genéticos.  
Referência:
 
Pittas AG et al. Vitamin D Supplementation and Prevention of Type 2 Diabetes. N Engl J Med. 2019 Aug 8;381(6):520-530.
Compartilhe
Vitamina B12 e Diabetes
29/09/2019 | 08h38
A vitamina B12 é fundamental para a formação dos chamados glóbulos vermelhos (hemácias) do sangue. 
São essa células que transportam oxigênio e gás carbônico e sem o seu funcionamento simplesmente morreríamos. 
A carência de B12 resulta em anemia, neuropatia (doença nos nervos) e em alguns casos até demência.
As principais fontes dessa vitamina são o leite, ovos, fígado, carne de porco, atum, salmão e truta.
Mas além de a ingerirmos na dieta, precisamos de uma substância produzida no estômago para absorver essa vitamina: o Fator Intrínseco.
OK... mas qual a relação entre diabetes e carência de B12?
No diabetes tipo I (depende de insulina) o sistema imune pode destruir as células do estômago que produzem o Fator Intrínseco. Dessa forma, diabéticos dependentes de insulina sofrem cinco vezes mais anemia perniciosa (por carência de B12) do que pessoas sem a doença.
Já os diabéticos do tipo II, que não precisam de insulina (na maioria dos casos), devem usar medicamentos como a metformina diariamente.
Esse medicamento reduz em muito a absorção de B12, podendo resultar na mesma anemia.
_Fica a nossa sugestão:
diabéticos devem monitorar as suas taxas de B12 com regularidade e consumir com frequência alimentos ricos em B12. Se necessário utilizar suplementos diariamente. 
Compartilhe
Osteoporose pode ser Fatal
25/09/2019 | 06h42
Segundo o IOF, sigla para Fundação Internacional de Osteoporose em inglês, cerca de 200 milhões de mulheres sofrem com osteoporose por ano no mundo. 
No Brasil estima-se que 10 milhões de mulheres sejam atingidas (dados da ABRASSO).
Mas segundo os últimos levantamentos cerca de 33% das mulheres brasileiras com mais de 50 anos sofrem da patologia.
Infelizmente apesar de ser bem divulgada, o seu diagnóstico é quase sempre tardio. Na maioria dos casos após a paciente já te sofrido alguma fratura. 
Além dos enormes impactos psicossociais, a osteoporose exerce forte pressão econômica: 
_De acordo com a consultoria americana Cornestone Research Group, só no Brasil por ano, gasta-se 1,2 bilhão de dólares com o tratamento de fraturas e lesões referentes à doença.  
Pesquisas recentes tem levantado um dado chocante: a relação entre fraturas por osteoporose e a morte.
O Dr Ben-Hur Albergaria, professor de Epidemiologia Clínica da UFES e vice-presidente da Comissão Nacional de Osteoporose da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), afirma que as fraturas podem ocorrer mesmo sem traumas, como em tosses e espirros.
Ainda segundo Ben-Hur de cada 4 pacientes que sofram fratura de fêmur, 1 vai a óbito por complicações decorrentes do trauma (embolia, infecções).
Dentre as pacientes que não vão a óbito, quase 80 % passa a ter limitações para atividades básicas, como se vestir ou tomar banho.
A ABRASSO estima que 1 a cada 3 mulheres com mais de 50 anos sofrerá alguma fratura relacionada à osteoporose no próximo ano no Brasil. Nos homens a proporção é 1 a cada 5 indivíduos.
As mulheres são mais susceptíveis devido à redução nos estrógenos com a idade e, os ossos masculinos tendem a ser naturalmente mais fortes e resistentes. 
Obviamente além do fator sexo/idade, uma dieta pobre em cálcio (ou má absorção) e vitamina D ao longo da vida é determinante na evolução da patologia. 
O auge de produção óssea na espécie humana ocorre aos 30 anos de idade. Sendo que a partir daí há uma tendência natural a perdas.
Por exemplo: em 3 ou 4 anos após a menopausa, a mulher perde cerca de 22% de massa óssea. Dessa forma ter uma "poupança" é determinante.
_pratique exercícios físicos.
_pegue sol por ao menos 10 minutos/dia.
_Ingira cálcio e vitamina D! Se não pode com leite, implemente outras fontes ou use suplementos.
_Evite tabaco e excesso de álcool.
Faça exames regularmente, pois a osteoporose não perdoa.
Compartilhe
Sem Glúten é melhor?
20/09/2019 | 08h05
veja.com.br
Segundo artigo publicado na Gastroenterology este ano, o consumo de glúten não afeta a saúde intestinal de indivíduos saudáveis.
O estudo analisou dois grupos de pessoas saudáveis, que receberam dieta contendo glúten ou não. 
A conclusão a que se chegou foi que indivíduos que não apresentam sensibilidade não celíaca ao glúten, muito menos eram celíacos, não exibiram nenhuma melhora na sua saúde gastrintestinal. 
O glúten é um composto proteico que contem glutenina e gliadina, encontrado em cereais como trigo, centeio e cevada. 
Importante frisar que a aveia naturalmente não apesenta glúten, mas pode ser contaminada devido ao processamento nas mesmas fábricas que beneficiam o trigo.
Pessoas com Doença Celíaca desenvolvem alergia/intolerância ao glúten, com quadros de distensão abdominal, cólicas e diarreia.  
Estima-se que cerca de 2 % da população mundial apresente intolerância ao glúten.
Há uma crendice popular que o glúten teria efeito semelhante ao ópio em indivíduos autistas, o que foi desconsiderado por vários estudos científicos. 
Em relação à perda de peso e emagrecimento, uma dieta sem glúten tende a apresentar até 35 % menos carboidratos, o que justificaria seus efeitos na redução de gordura corporal.
Ainda segundo estudos científicos, se houver substituição por outros carboidratos sem glúten, como arroz, batatas e aipim, os efeitos de emagrecimento são irrisórios.  
Obviamente a escolha por cereais integrais, com até o triplo de fibras em comparação aos refinados, é no mínimo prudente. Afinal de contas, pós brancos tendem a não serem bons para a saúde quando ingeridos (açúcar, sal, farinha refinada, cocaína...)
Compartilhe
Dieta Cetogênica: o que fato e o que é fake
12/09/2019 | 06h36
uol.com.br
A chamada Dieta Cetogênica ou alimentação cetogênica baseia-se na redução acentuada no consumo de carboidratos de todos os tipos. Esses nutrientes ficariam compondo menos de 10% da alimentação diária.
A intenção é fazer com que o organismo use outras fontes de nutrientes para a sua manutenção: gorduras e proteínas.
Esse protocolo é utilizado há anos para o tratamento de certos tipos de epilepsia, onde parece reduzir em muito os sintomas. 
No caso de diabéticos os dados também parecem positivos. Segundo um estudo amplo realizado no ano passado, alguns pacientes chegaram a parar de utilizar completamente medicações. 
Na perda de peso e emagrecimento, essa dieta inicialmente parece uma ótima opção, uma vez que a redução na balança é observada com certa rapidez na maioria dos casos. 
Contudo, este ano foi publicado um artigo no Journal of the American Medical Association, por médicos da Escola de Medicina de Nova York, no qual questiona-se os benefícios dessa dieta em médio e longo prazos.
Uma questão levantada é que esse tipo de dieta, se interrompida, pode provocar danos consideráveis, além da recuperação com sobra do peso perdido. Há inclusive dados científicos que demonstram uma desregulação drástica no controle da glicose sanguínea no abandono da dieta ou mesmo pequenos escorregões.
Segundo o endocrinologista e presidente da ABESO (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica) Mário Carra, em termos de emagrecimento os resultados são positivos apenas em curto prazo:
_o organismo entenderia que as inúmeras restrições dessa dieta são um "desafio de sobrevivência" provocando adaptações, que em suma resultariam em um gasto de energia bem menor no dia-a-dia. 
Outras questões levantadas envolvem a redução importante no consumo de fibras, uma vez que há limitação no consumo de frutas e cereais;
Ah sim...em algumas abordagens o consumo de gorduras chega a 90%...e para que se alcance esse nível é comum o consumo de gorduras saturadas, que aumentam o "mau colesterol" LDL, associado ao infarto e AVC por centenas de estudos. 
Outras consequências relatadas na literatura científica envolvem halitose, constipação intestinal, dores de cabeça, diarreias agudas, fraturas ósseas e carência de vitaminas e minerais.
Há também dados científicos, que relacionam a dieta descrita como causadora de importante estresse hepático, devido à utilização constante de gorduras como fonte energética. 
Citarei um caso clínico que acompanhei:
_uma paciente obesa de 34 anos adotou a dieta cetogênica sob orientação de um colega da região por 3 meses.
Houve sim perda de cerca de 6 Kg de massa corpórea, mas boa parte de massa muscular e, observamos importantes efeitos colaterais:
queda de cabelos, fragilidade de unhas e uma deficiência grave de vitamina C...a ponto de apresentar sangramentos nas gengivas...
Não estou aqui para defender ou condenar essa dieta. Mas dificilmente um padrão tão rígido e drástico conseguirá ser mantido por um prazo longo.
Como sempre em ciência, dificilmente algo será excelente para todos e, o que pode parecer uma ótima alternativa em curto prazo, pode tornar-se fonte de muitos problemas em médio e principalmente longo prazo.
Compartilhe
Sobre o autor

Leonardo Gama

[email protected]