Adoçantes e Câncer
14/09/2018 | 07h27
Galileu.com.br
Assisti a entrevista em um jornal local com uma nutricionista neófita, que foi mais do que enfática sobre os riscos de desenvolver-se câncer com o consumo de edulcorantes artificiais (adoçantes). 
Sou formado há quase 25 anos pela UFF, pós-graduação na UFRJ e mesma UFF, mestrado e doutorado na nossa querida UENF nos seus áureos tempos. Pela forja dos grandes pesquisadores da época, me baseio em artigos científicos de fato e sempre o farei.
Pois bem, não há um artigo sequer que traga relação científica entre causa e efeito no consumo moderado de adoçantes e surgimento de tumores em humanos. 
Nem mesmo o aspartame teve essa correlação comprovada.
Há poucos anos um pesquisador na UNICAMP (químico) publicou um artigo sobre a sucralose, que ao ser aquecida sofreria alterações químicas a tornando tóxica aos mamíferos...
Obviamente fui ler o tal artigo...os dados são categóricos, onde o aquecimento a mais de 97 graus centígrados provocaria tais alterações, abaixo dessa temperatura nada. 
A água ferve (ebule) a 100 graus...fervura...ao invés de polemizar e sugerir a proibição do uso do adoçante, o pesquisador deveria trazer a simples sugestão de só se utilizar sucralose alguns momentos após a passagem do café (p quem usa coador) e nunca na cocção dos alimentos.
Outra questão é que as cafeteiras aquecem a água a até 90 graus, não é à toa que a recomendação é que se use água filtrada. 
Um outro estudo de 1970 relacionou sacarina e ciclamato ao surgimento de câncer em ratos...os mesmos pesquisadores fizeram posteriormente uma "mea culpa"onde assumiram que as dosagens usadas no estudo eram absurdas: equivalente a um humano consumir meio frasco de adoçante por dia, em 30 dias consecutivos...
A stévia segue sendo a mais abonada, devido à sua origem "natural", mas o paladar costuma desagradar bastante, sendo que surgiram formulações recentes que a tornam mais agradável.
O xilitol, queridinho de muitos colegas é um álcool, com metade das calorias do açúcar e, que promove alteração no paladar, com sensação de "menta", pois trata-se de um álcool...mas também não temos relação científica com tumores. 
E por aí vai....sugiro como sempre, pesquisa científica e não achismo. Discurso politicamente correto é lindo, quero ver na prática promover o consumo de alimentos completamente sem o uso de açúcar nem adoçantes. 
É claro que o abuso de adoçantes não é prudente, assim como de qualquer outro aditivo sintético, mas que o açúcar continua sendo o maior dos problemas, isso continua.
Abaixo link da página do National Cancer Institute (Instituto Nacional do Câncer) com a posição do mesmo sobre os adoçantes...
https://www.cancer.gov/about-cancer/causes-prevention/risk/diet/artificial-sweeteners-fact-sheet
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Arginina e Saúde
12/09/2018 | 07h46
googlesearch
A arginina é um aminoácido semi essencial precursor de óxido nítrico, substância que atua nos vasos sanguíneos promovendo a sua dilatação.
Ou seja, o óxido nítrico melhora o fluxo sanguíneo e como vasodilatador auxilia na redução da pressão arterial. Esse efeito tem sido estudado na Universidade da Flórida, dentre outros centros de pesquisa, na prevenção de obstrução vascular, infarto do miocárdio, disfunção erétil, varizes, etc.
O uso de 500 mg duas vezes ao dia, parece ser suficiente para os efeitos positivos relacionados ao seu consumo.
Um outro efeito interessante da arginina é agir como transportadora de ureia no sangue, sendo interessante para quem utiliza dietas ricas em proteínas.
Há também artigos que sugerem efeito imunomodulador positivo (melhora da imunidade) no uso crônico de arginina.
Vários produtos contem arginina em sua fórmula, com preços variáveis, cabe ao consumidor pesquisar, pois não pretendemos aqui divulgar marcas. 
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Óleo de Côco, Herói ou Vilão ?
07/09/2018 | 08h00
OGlobo
De tempos em tempos surgem os chamados alimentos funcionais milagrosos. Contudo, a maior parte não cumpre nem um décimo do que se propõe e pior, podem trazer riscos à saúde.
Houve a moda do goji berry, do chá de hibisco, e uma das vedetes recentes, o óleo de côco.  Na teoria o produto apesentaria várias funções e propriedades benéficas:
melhoraria o sistema imune, subiria o metabolismo e a função tireoidiana, propiciando emagrecimento, além de agir na prevenção das mais diversas doenças, desde câncer à fibromialgia. 
Na verdade um grande engano!
A minha opinião é a mesma de vários pesquisadores, como a Dra  Karin Michels, professora da Universidade de Harvard. 
O nosso maior argumento são os altos níveis de gordura saturada do óleo de coco (86% desse óleo é gordura saturada). A manteiga, por exemplo, tem cerca 52% de gordura saturada e, até a banha de porco contem cerca de 35% dessas gorduras maléficas.
O problema das gorduras saturadas é que aumentam os níveis de LDL (lipoproteína de baixa densidade), popularmente conhecido como mau colesterol, que pode obstruir veias e aumentar o risco de doenças cardiovasculares, como infarto e AVC. 
Um argumento dos defensores do óleo de côco é o chamado de ácido láurico, uma gordura saturada que ajudaria a elevar o bom colesterol (HDL). No entanto não temos artigos sérios, com metodologia científica, que comprovem o benefício. 
Os azeites de qualidade ainda seguem sendo os melhores óleos para uso na nossa alimentação. Mas evite o ponto de fumaça!
Todo óleo quando aquecido e que chegue a produzir fumaça, está sendo alterado da pior forma possível: se tornando saturado (mais saturado) e desenvolvendo substâncias cancerígenas, como a acroleína.
_Os azeites extravirgens são melhores devido à sua extração a frio. Os azeites comuns são obtidos por prensagem a quente dos frutos da oliveira o que reduz a sua qualidade (reduz as insaturações, que elevam o HDL = bom colesterol).   
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Probióticos, Prebióticos e Saúde
01/09/2018 | 07h06
probióticos
probióticos / seupediatra.com
Os probióticos e prebióticos tem ganhado relevância médica com o passar dos anos e recentemente galgaram o posto de opções fundamentais na manutenção de boa saúde.
Os primeiros estudos sobre probióticos datam do início do século, com o pesquisador Metchnikoff no renomado Instituto Pasteur (FRA). Esses estudos sugeriram, que bactérias não patogênicas (causadoras de doenças) sofriam competição e mesmo eram combatidas, por bactérias "do bem" (não patogênicas).
Todo mamífero apresenta uma quantidade enorme de bactérias nos intestinos, chagando a perfazer 1 kg em pessoas maiores!
Essas bactérias estimulam o sistema imunológico e literalmente ocupam a mucosa intestinal, evitando que bactérias contaminantes se estabeleçam; literalmente como agricultores que ocupam a terra, evitando que seja invadida por malfeitores.   
Os probióticos são bactérias vivas, que ao serem ingeridas chegam vivas aos intestinos e os colonizam. Os prebióticos são substâncias que agem como alimento para essas bactérias. 
Os leites fermentados, coalhadas e iogurtes naturais são exemplos de probióticos (além de produtos farmacêuticos). Já os prebióticos são encontrados em vários alimentos como cebola, frutos, cereais e mel, dentre outros.
Uma dica importante em nutrição clínica:
_sempre que se utilizar antibióticos ou vermífugos, faça a reposição de sua "flora intestinal"(microbiota é o termo correto), afinal de contas esses medicamentos não são um tiro de precisão nas bactérias que se quer destruir. Eles agem como torpedeiros, matando os bons e os maus. 
Isso explica em grande parte as diarreias durante e após o uso de antibióticos e remédios contra vermes. Cuide suas bactérias do bem, pois elas cuidam muito bem de você!   
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Como medir a obesidade
29/08/2018 | 07h25
Fat man holding a measuring tape. Weight Loss.
Fat man holding a measuring tape. Weight Loss. / google pt
O conhecido IMC, Índice de Massa Corporal, vem sendo criticado por muitos profissionais de saúde, inclusive eu, uma vez que não leva em consideração quanto de gordura e massa muscular um indivíduo apresenta de fato.
 De acordo com o IMC (peso em Kg dividido pelo quadrado da altura em metros) uma pessoa acima de 25 estaria com sobrepeso e com 30 seria obesa. A grande questão é que pessoas com massa muscular mais proeminente são classificadas no IMC como obesos, sem estarem nem perto disso.
 Pois bem, eis que surge a revolução!
Pesquisadores do Centro de Pesquisa e Bem-Estar e Obesidade da Cedars-Sinai (Los Angeles) publicaram no Scientific Reports um amplo estudo onde defendem o uso da relação entre a altura e perímetro abdominal no cálculo chamado de Índice de Massa Gorda Relativa (RFM = Relative Fat Mass).
Mais de 300 fórmulas foram testadas em um banco de dados com mais de 12 000 adultos. Chegou-se à conclusão que o método RFM é mais fidedigno e acurado na avaliação da obesidade e risco cardiovascular.
 O cálculo é bem simples:
 HOMENS: 64 - (20 x altura / circunferência da cintura) = RFM
MULHERES: 76 - (20 x altura / circunferência da cintura) = RFM
 Em primeira mão aqui, para todos os colegas e pessoas que buscam monitorar seu estado de saúde da melhor forma possível.
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Cerveja Puro Malte é Melhor?
26/08/2018 | 09h31
cerveja
cerveja / medium
A cerveja é provavelmente a bebida alcoólica mais consumida no mundo e, existem registros do comércio da loura gelada desde 4000 a.C. na Mesopotâmia. Aliás, os sumérios eram tão encantados com a cerveja que veneravam Ninkasi, deusa da cerveja (sou fã de Conan ...).
A cerveja é produzida através da fermentação alcoólica de malte de cereais, principalmente a cevada. No entanto a cerveja pode ser produzida por cereais não maltados, como é o caso do milho.
De acordo com a legislação, a bebida deve apresentar no mínimo 55% de malte. Dessa forma, até 45% podem ser feitos com os chamados cereais não maltados. Estes variam de acordo com a disponibilidade de matéria-prima e as características que se quer dar à cerveja, principalmente leveza, uma vez que os cereais não maltados formam álcool sem deixar a bebida mais encorpada.
Na América do Sul é mais comum o uso de milho, assim como o arroz nos EUA, a aveia na Europa e o sorgo na África.
Os cereais não maltados barateiam a produção da cerveja e em grande parte por isso, passaram a ser vistos como vilões. O que não faz sentido na verdade. Da mesma maneira que cerveja "Puro Malte" não é sinônimo de cerveja de melhor qualidade. As cervejas de milho ou arroz, podem ser muito boas!
Um exemplo é a dinamarquesa Amager, que (em parceria com a carioca 2cabeças) fez a Marry Me in Rio, que contem milho, cevada e arroz e recebeu a nota louvável 87 no site de avaliações RateBeer.
Dessa forma, há muito "entre o céu e a terra" na qualificação de uma boa cerveja, principalmente a ausência de conservantes e estabilizantes, zelo no transporte evitando variações drásticas de temperatura e estresse mecânico (chacoalhar nas estradas...), entre outras variáveis. 
Infelizmente para os apreciadores, na maioria dos casos, as melhores cervejas são mais caras, até mesmo pela qualidade da matéria-prima utilizada, critério na fermentação e investimentos tecnológicos. 
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Os Benefícios do Chá Mate
18/08/2018 | 07h33
mate
mate / tuasaude
lex paraguariensis Saint Hilaire (Aquifoliaceae), popularmente chamado erva-mate, é nativa da América do Sul, sendo encontrada naturalmente no Brasil, Paraguai e Argentina. A infusão da erva pode ser consumida na forma de chimarrão, tererê ou chá mate gelado.
De sabor suave, muito apreciada pelas populações do sul e sudeste brasileiro, além dos vizinhos continentais, apresenta propriedades diuréticas, digestivas e antioxidantes. Na verdade há estudos que sugerem atividade de combate aos radicais livres tão eficiente quanto da vitamina C. 
Uma polêmica a cerca do mate é a presença de altas doses de cafeína, segundo alguns médicos, em concentração superior ao café, o que não é verídico.
100 ml de café expresso podem apresentar até 14 vezes mais cafeína do que o chá mate. Outra questão é que o chá mate comercial tostado perde boa parte de sua cafeína, enquanto o chimarrão, preparado com a erva mate verde, apresenta teor mais pronunciado de cafeína. 
Portanto, se você é fã de chás, considere o mate como uma bebida para o dia-a-dia, seja quente ou gelado, com gotas de limão, com leite, etc, mas sem açúcar.
Dica importante: não ferva a erva no preparo! Use água filtrada e quando bolhas se tornarem aparentes no aquecimento, desligue o fogo e adicione a erva-mate. Tampe por 10 a 15 minutos e fique à vontade para desfrutar desse aliado da boa saúde. 
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Açúcar, o mal do Século
13/08/2018 | 06h37
Açúcar
Açúcar / uniaodasdistrofias
Segundo a Organização Mundial da Saúde devemos consumir no máximo 25 g de açúcar por dia, ou seja, menos que três colheres de sopa. 
O problema é que os alimentos, principalmente industrializados, são ricos nesse aditivo. Mas porque tanto alarde em torno do doce veneno?
Durante os duzentos mil anos de evolução do Homo sapiens não dispúnhamos de fontes de açúcar concentrada, com exceção do mel. E, a coleta do mel de abelhas não era algo tão comum quanto nos dias de hoje. A maturação dos frutos também não apresentava a qualidade que se observa com a tecnologia dos dias atuais, tornando-os mais doces. 
Em termos metabólicos, os açúcares são os grandes indutores de secreção de insulina. Que por sua vez é o principal hormônio que produz gorduras no organismo dos mamíferos, resultando em sobrepeso, obesidade aparente e visceral. 
O Diabetes tipo II, cada vez mais frequente em indivíduos após os 40 anos, apresenta relação direta com a obesidade e o consumo desregrado de açúcares. 
As cardiopatias e desordens hepáticas também apresentam relação direta com o consumo de açúcares em demasia.
E para piorar, quando ingerimos açúcares, nossa glicose sanguínea se eleva e produzimos serotonina no sistema nervoso, que acaba nos dando sensação de relaxamento, auto satisfação e bem estar...
O consumo de açúcares apresenta sim uma relação de vício, semelhante aos narcóticos, criando dependência química e psicológica. Portanto, o conselho é o mesmo de qualquer droga: EVITE!
Quanto de açúcar ingerimos nos alimentos do dia a dia:
Um leite achocolatado de caixinha contem cerca de 29 g de açúcar
Uma garrafinha de iogurte (de 180 ml) = 25 g de açúcar.
Uma garrafinha de 200 ml de chá mate industrializado = 55 g de açúcares.
Uma lata de refrigerante = 40 g de açúcar.
Uma latinha de energético = 27 g de açúcar. 
 O conselho é simples: observem os rótulos do que ingerem e principalmente, do que oferecemos às nossas crianças.
 
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Remover Agrotóxicos de Alimentos
09/08/2018 | 08h09
EcoDebate
A contaminação de alimentos por defensivos agrícolas é uma preocupação crescente na população, que felizmente tem buscado uma alimentação mais saudável.
O problema é que a grande maioria dos frutos e legumes consumidos pelo brasileiro recebe um bombardeio de agrotóxicos, que não são facilmente removidos dos alimentos, mesmo após extensa lavagem em água.
Para alento dos consumidores, pesquisadores chineses publicaram no Journal of Agricultural and Food Chemistry um artigo, onde demonstram que água com bicarbonato de sódio é capaz de remover até 90% dos pesticidas contaminantes de maçãs.
O resultado pode ser extrapolado para outros frutos como tomate e morangos. Os pesquisadores usaram a proporção de 10 mg/ml de bicarbonato em água (cerca de uma colher de sopa /litro) e deixaram as maçãs imersas por 15 minutos. Após esse período os frutos podem ser lavados em água corrente para consumo.
Boa notícia para melhorar a qualidade do que trazemos à mesa. 
 
 
 
 
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Espuma que remove agrotóxicos
04/08/2018 | 08h34
Tomate com defensivo
Tomate com defensivo / GreenMe
Pesquisadores da UFMG desenvolveram um produto, que pode vir a ser revolucionário: uma espuma que é capaz de remover agrotóxicos dos alimentos!
Criado a partir de resíduos industriais petroquímicos, a espuma de poliuretano seria capaz de detectar e sequestrar agrotóxicos e pesticidas, tanto na água quanto em alimentos.
Durante os experimentos os cientistas comprovaram, que o produto é capaz de remover defensivos agrícolas de alimentos sem interferir no perfil nutricional dos mesmos. 
A espuma ainda pode ser reutilizada por até cinco ciclos de uso, sem perda de sua capacidade de limpeza. 
As próximas etapas da pesquisa envolvem o desenvolvimento de um filme plástico, que será capaz de retirar agrotóxicos e outros resíduos químicos dos alimentos que sejam embalados com o filme.
Com toda essa polêmica atual sobre os defensivos e agrotóxicos, a pesquisa chega em momento oportuno e pode ser um divisor de águas na relação entre sanidade alimentar e melhora na produtividade agrícola.
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Sobre o autor

Leonardo Gama

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