Bebidas com açúcar e câncer
12/07/2019 | 08h34
abril.com.br
Pesquisadores franceses publicaram ontem um estudo abrangente sobre a associação entre câncer e bebidas açucaradas.
Cem mil indivíduos adultos de ambos os sexos, com idade em torno de 42 anos, foram acompanhados por nove anos.
O estudo avaliou a ingestão de bebidas contendo açúcar em comparação ao consumo de bebidas sem açúcar (diet ou in natura, mas de baixa frutose). Foi feita a relação entre o surgimento de tumores e o consumo ou não de bebidas contendo açúcar (refrigerantes, sucos prontos, sucos naturais ricos em frutose, refrescos, achocolatados).
Observou-se que a ingestão de apenas 100 ml de bebidas açucaradas por dia aumentou em 18% o risco de surgimento de câncer em termos gerais.
O risco de câncer de mama aumentou 22% com o consumo dessa quantidade de bebidas com açúcar. 
Houve aumento similar no risco de tumores intestinais e de próstata. 
Curiosamente o consumo de sucos de frutas doces (manga, laranja, melancia) também apresentou relação com surgimento de tumores, mas em menor escala. 
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Café contra Obesidade
06/07/2019 | 07h30
Cientistas da Universidade de Nottingham publicaram este mês um artigo sobre a relação entre café e obesidade.
O estudo avaliou várias substâncias na capacidade de ativar o tecido gorduroso marrom:
Todos os mamíferos apresentam proporções diferentes de tecido adiposo marrom e pardo.
O tecido gorduroso pardo compõe a grande maioria das gorduras nos humanos e outras espécies como porcos e bovinos. É aquela gordura branca ou amarelo-claro. 
Esta gordura tem metabolismo baixo (gasta pouca caloria) e praticamente não produz calor. Está diretamente associada ao diabetes, risco cardíaco e síndrome metabólica. 
Já a gordura marrom ocorre em maior quantidade em animais de climas frios, como focas e leões marinhos. 
Este tecido gorduroso apresenta metabolismo alto e dessa forma consome muitas calorias, produzindo muito calor. 
Uma das questões pensadas para o combate da obesidade, envolve a ativação da gordura marrom em humanos. 
De todas as substâncias testadas, a cafeína se mostrou a mais eficaz. Novos estudo devem ser realizados, mas os dados são animadores. 
Obviamente não haverá milagre. Controle dos abusos alimentares, exercício físico, redução de sal e açúcares seguirão sendo a recomendação de base para se evitar a obesidade.  
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Cafeína na Gestação
29/06/2019 | 09h57
revistacrescer
Um estudo publicado este mês sugere que há uma forte relação entre o consumo de café por gestantes e aumento no risco de obesidade infantil.
O trabalho analisou 558 mães e filhos, com o registro do padrão alimentar e ingestão de cafeína (café, bebidas estimulantes), correlacionando com IMC (Índice de Massa Corporal) e medida da circunferência da cintura de crianças de 6 e 9 anos.
Observou-se que o consumo de 200 mg de cafeína /dia ou mais pelas mães apresentou relação direta com o risco de obesidade nas crianças estudadas. 
A cafeína presente no café mostrou-se mais efetiva nessa relação. 
Acredita-se que a ingestão de café pelas gestantes, possa desencadear alguma alteração metabólica nas crianças ou mesmo alterações na sensação de apetite/saciedade.
Na dúvida, gestantes devem consumir muito pouco ou nenhuma cafeína, mesmo porque há estudos que relacionam aumento de ansiedade pré-natal com o consumo frequente de cafeína por gestantes e mesmo má nutrição placentária.
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Vitamina D3 ou D2?
23/06/2019 | 07h30
veja.abril.com
A vitamina D tem recebido atenção especial da comunidade científica a partir do início desta década. Tem sido publicados estudos que defendem a sua suplementação como fundamental à saúde óssea e metabólica, estando envolvida na produção de insulina, na função da tireóide e até na produção de hormônios sexuais.
Existem várias fontes naturais de vitamina D:  sardinha, atum, fígado, ovos, queijos amarelos, manteiga, iogurtes, óleo de fígado de bacalhau, cogumelos, etc.
No entanto, para se alcançar a ingestão de cerca de 15 mcg/dia com regularidade, a suplementação acaba sendo a forma mais eficaz nessa correria do dia-a-dia moderno.
Pois bem, mas existem formas diferentes de vitamina D: D2 ou ergocalciferol e D3 ou colecalciferol. Qual seria mais efetiva na suplementação?
Um estudo realizado no ano passado testou ambas as formas de suplementação e após 12 semanas avaliou os níveis no sangue do 25(OH) colecalciferol em 335 indivíduos de várias idades. 
A vitamina D3 se mostrou mais eficaz em aumentar as taxas sanguíneas de vitamina D em até 28%.
Seguimos sempre a linha clássica, que defende o uso de alimentos que supram nossas necessidades nutricionais. Mas um bom suplemento polivitamínico pode sim ter seu lugar.
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Aplicativo para Anemia
16/06/2019 | 09h16
Em torno de dois bilhões de pessoas apresentam anemia em todo mundo. De forma que essa doença pode ser considerada a principal desordem sanguínea da atualidade.
Existem diferentes tipos de anemia, mas em termos gerais trata-se de um número insuficiente de hemácias (glóbulos vermelhos) ou má função das mesmas. 
Como são as células responsáveis pelo transporte de oxigênio aos tecidos, pessoas anêmicas exibem notável desânimo, taquicardia e em alguns casos pode ser confundida com depressão.
O diagnóstico normalmente é realizado com o hemograma (exame de sangue). 
Como alternativa, pesquisadores americanos da Universidade Emory desenvolveram um aplicativo, que pode detectar o nível de hemoglobina no sangue através de fotos das unhas.
Através de um smartphone, as fotos podem ser submetidas a algoritmos do aplicativo e sugerir risco de anemia ou não. 
O tecido das unhas e abaixo das mesmas não produz melanina, que poderia atrapalhar a percepção da coloração da pele. 
O estudo foi publicado na revista científica Nature Communications e pode fornecer mais uma ferramenta útil ao disgnóstico precoce dessa patologia, que muitas vezes passa despercebida.
https://www.nature.com/articles/s41467-018-07262-2
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Mel e Diabetes
07/06/2019 | 06h35
O mel é um líquido viscoso de sabor altamente adocicado, produzido pelas abelhas a partir do néctar de flores. 
Creio que todos sabem. Mas recentemente tenho lido algumas sugestões de consumo meio suspeitas, por assim dizer.
Apesar do índice glicêmico do mel não ser tão alto quanto do açúcar refinado, o seu consumo promove elevação na glicose sanguínea de forma rápida.
O que o torna um bom alimento para refeições antes e durante atividades físicas, para pessoas saudáveis.
Porém tenho visto a sugestão de uso para diabéticos, como alternativa saudável aos adoçantes.
Definitivamente, salvo raros casos, não concordo com essa indicação. Da mesma forma que o açúcar mascavo, que possui apelo de ser menos danoso que o açúcar branco, não deve ser consumido por  diabéticos.
Ouça o seu médico e/ou nutricionista, mas não custa nada buscar alguma leitura em sites das grandes Universidades e Sociedades Científicas.
Meça a sua glicose com regularidade. Diabetes não tratado pode trazer inúmeras patologias, algumas graves como lesão na retina, lesões renais, vasculares, etc. 
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O Azeite é Falsificado?
02/06/2019 | 09h26
Na busca por saúde, tentamos consumir o que a ciência sugere como saudável. 
Um alimento alardeado com razão e suporte científico é o azeite de oliva. Inúmeros dados experimentais comprovam a melhora nas taxas de lipídios (gorduras) sanguíneas: aumento de HDL e redução de VLDL, IDL e LDL (os maus "colesteróis").
Na verdade as substâncias citadas são lipoproteínas produzidas no fígado e não moléculas de colesterol como o termo sugere.
Pois bem, dentre os tipos de azeites disponíveis na maioria dos supermercados, existem alguns questionáveis e óleos de alta qualidade, como os azeites extravirgens. 
O problema é que estamos falando de Brasil. E aqui é corriqueira a adulteração de produtos de toda sorte...mas como saber se o azeite é "gato ou lebre"?
Seguem-se algumas dicas de Susana Romera, da ESAO (Escola Superior de Azeite, ESP):
_ Azeites devem trazer na embalagem a sua estirpe: virgem ou extravirgem. Não havendo nada especificando no rótulo, provavelmente se trata de óleo misto.
_ Os bons azeites trazem a data da colheita das azeitonas no rótulo e os de colheita mais recente devem ser preferidos.
_ Os azeites superiores trazem o tipo de azeitona usada na produção. Não há problema em ser feito com mais de uma variedade cultivar, mas deve ser especificado (monovarietal ou multivarietal).
_ O nível de acidez dos melhores azeites deve ser de até 0,8%.
E como já colocamos em outras postagens, os óleos vegetais quando aquecidos ao ponto de fumaça* perdem em muito a sua qualidade e podem se tornar até mesmo danosos à saúde vascular e estomacal. 
* Ponto no qual ocorre produção de fumaça no óleo e indica ruptura de duplas ligações (insaturações) e formação de compostos nocivos como a acroleína.
 
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Lecitina e Menopausa
26/05/2019 | 06h04
dentalpress
Pesquisadores japoneses publicaram no ano passado, um artigo onde sugerem que o uso de lecitina de soja pode reduzir sintomas da menopausa, como fadiga, doenças degenerativas e cardiovasculares.
96 mulheres de 40 a 59 anos foram divididas em 3 grupos:
1) Recebeu altas doses de lecitina de soja (1200 mg/dia),
2) Baixa dosagem de lecitina (600 mg/dia),
3) Grupo placebo (0 lecitina);
Após 8 semanas foram avaliados vários parâmetros, como fadiga, Peso corporal, Índice de Massa Corporal, tecido adiposo, qualidade do sono e função cardiovascular:
_não houve alteração na composição corporal (emagrecimento, IMC), mas o grupo que recebeu altas doses de lecitina mostrou melhora sensível na função cardiovascular e sensação de fadiga.
A lecitina de soja é um tipo de óleo, obviamente obtido de grãos de soja, que teoricamente pode auxiliar na reparação de danos nas membranas de células nervosas. Esse efeito seria o responsável pelos dados positivos apresentados no estudo.
Há outros dados que sugerem melhora na função cognitiva e libido em mulheres após menopausa, com o uso prolongado de lecitina de soja como suplementação nutricional.
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Probióticos e Seu Fígado
19/05/2019 | 08h28
entergermina
O uso regular de probióticos tem sido alardeado em todo o mundo científico, já há algumas décadas. Pesquisadores japoneses e chineses são particularmente dedicados a essa seara.
Um grupo de pesquisa chinês publicou no fim do ano passado, um estudo onde demonstra que o consumo de probióticos melhora vários marcadores de esteatose hepática.
Os probióticos são microorganismos benéficos, que se ingeridos regularmente alteram a composição da nossa microbiota intestinal (antiga flora bacteriana intestinal) para melhor. 
Os impactos na saúde humana são vários e vão desde redução no risco de câncer de intestino, redução do mau colesterol (LDL), melhora na função imunológica, dentre outros.
A esteatose hepática é um quadro onde o fígado fica infiltrado com gordura. Há vários artigos correlacionando a esteatose hepática com outras doenças hepáticas como a cirrose. 
Muitos fatores podem levar à esteatose...consumo de álcool, obesidade, consumo de carboidratos simples e/ou processados (doces) em excesso, fatores genéticos, dietas radicais, etc.
Segundo Won-Gyeong e sua equipe o consumo de probióticos diariamente (como suplementação) é capaz de reduzir marcadores de inflamação hepática, bem como a infiltração gordurosa no fígado. 
Os resultados se devem provavelmente ao retorno de uma função intestinal saudável, com a presença de bactérias benéficas em alta proporção em todo o intestino grosso.
A relação não surpreende quem é da área...pois cada vez mais descobre-se relação entre nossos intestinos e nossa imunidade, nosso sistema nervoso, principalmente memória, comportamento e humor...
Como curiosidade, a cultura popular conhece bem a relação entre um intestino muito lento e o mau humor. E não é mito. Estudos descrevem essa correlação.
No entanto, contrariando os saberes populares, o termo enfezado não vem de fezes, mas do latim "infensare": ficar raivoso com, ser hostil com. 
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Mate x Chá Verde
12/05/2019 | 07h11
taek
Um artigo científico publicado no Nutrition Journal este mês, comparou os efeitos do consumo de chá mate e chá verde na saúde humana. 
 142 pessoas de ambos os sexos foram divididas em três grupos: o grupo 1 ingeriu chá mate, o grupo 2 ingeriu chá verde e o grupo 3 consumiu chá de maçã. 
Todos beberam 1 litro ao dia dos referidos chás por 8 semanas.
Após esse período avaliou-se parâmetros de metabolismo, de ação antioxidante (pela enzima PON-1) e controle de apetite (produção de leptina), além do Índice de Massa corporal (IMC).
Os resultados surpreenderam os pesquisadores:
_O consumo de chá mate aumentou a enzima que combate radicais livres (PON-1) e o bom colesterol (HDL), além de aumento na produção de leptina (hormônio que reduz o apetite). Também houve redução no IMC dos participantes;
_O uso de chá verde reduziu a enzima que combate radicais livres (PON-1), não alterou os níveis de HDL ou Leptina nem o IMC.
_O chá de maçã foi usado como controle e não afetou, como esperado, nenhum dos parâmetros analisados.
Resumindo:
segundo o estudo o chá mate tem bem mais efeitos positivos sobre o metabolismo e saciedade do que o tão festejado chá verde.
Um estudo anterior comparando o chá de hibisco com chá mate também foi favorável à erva mate (Ilex paraguariensis), seja quente ou gelado, com ou sem limão. 
E obviamente devemos evitar os industrializados...
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Sobre o autor

Leonardo Gama

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