Ponto Final: Reforma administrativa daria capilaridade à pacificação
Rodrigo Gonçalves 08/07/2023 08:24 - Atualizado em 08/07/2023 10:20
Ponto Final
Ponto Final / Ilustração
Conversas
Com as articulações partidárias por nominatas à disputa municipal para 2024 em Campos, fortalecer, reconstruir e construir novas relações é necessário tanto para quem está na base do governo, quanto fora dela. São algumas as apostas de que a pacificação entre os Garotinho e os Bacellar pela governabilidade, costurada pelo governador Cláudio Castro (PL), não se sustente até o pleito à Prefeitura e Câmara, a exemplo do que disse o deputado federal Lindbergh Farias (PT/RJ), ao participar do Folha no Ar, da Folha FM 98,3 (aqui), de sexta-feira (30): “Será que é uma pacificação mesmo ou é uma trégua?”
Nomes no governo
Por muitas vezes na própria Câmara a pacificação estremeceu, com alguns vereadores ressaltando que um mal-entendido pode colocar tudo abaixo. Não é desconhecido também que alguns ajustes volta e meia precisem ser feitos para realinhar a pacificação, como aconteceu quando o prefeito Wladimir Garotinho (PP) voltou a ter maioria na Câmara, ao receber em seu grupo Abdu Neme (Avante) e Nildo Cardoso (União), antes do grupo oposição/“independentes” (aqui). Logo, nomes ligados aos dois vereadores foram nomeados no governo, como aconteceu na Empresa Municipal de Habitação (Emhab) (aqui) e na superintendência do Ceascam (aqui).
Novos aliados
Se Abdu e Nildo não escondem a participação no governo, só o fato de uma declaração ter sido dada, de que vereadores ligados ao grupo dos Bacellar poderiam ser beneficiados em uma reforma administrativa na Prefeitura, causou reações na Câmara. Ao participar do Folha no Ar da última quarta, Angelo Rafael, secretário de Governo do prefeito, disse que a reforma virá após o recesso Legislativo (aqui). “A reforma administrativa vai acontecer. É natural que você, tendo novos aliados; não vamos ser hipócritas aqui; é lógico que esses novos aliados terão espaço no grupo. Isso é lógico em qualquer administração pública”, disse Angelo.
Rebateram
No mesmo dia à tarde, a declaração foi rebatida pelo presidente da Câmara e irmão de Rodrigo Bacellar (PL), Marquinho (SD): “Ele (Angelo) falou que está para criar cargos na Prefeitura dando a entender que seriam para oposição, dentro de um acordo de pacificação (...) Se está havendo alguma criação ou exclusão, problema do prefeito com sua administração (...) Então, secretário, não tem tipo de acordo para criar cargo para vereador de oposição”. Quem também rebateu foi Helinho Nahim (Agir): “Uma besteira dessa não pode ser dita, porque, se está falando com alguém do grupo dos vereadores ligados a Bacellar, esqueceu de falar comigo, com Marquinho, com muita gente, porque até agora ninguém falou absolutamente nada de organograma com essa Casa”.
Já aconteceu
Não é a primeira vez que a mudança de organograma na Prefeitura é atrelada ao fato de abrigar nomes politicamente ligados a vereadores dos Bacellar (aqui). Foi assim quando foram criadas, em março deste ano, as secretarias de Emprego e Turismo (aqui). Inclusive, quando surgiu a hipótese das pastas, Helinho chegou a dizer que desconhecia o fato de nomes ligados a ele ocuparem cargos nessas secretarias, o que se confirmou depois, sendo admitido pelo próprio na ocasião (aqui). “Sobre a nomeação do secretário (de Emprego), o Robson, trabalhou, sim, no meu gabinete e tem ligação comigo politicamente”.
Ocupação
Mas não é só naquela secretaria que nomes próximos de Helinho estão no governo. No próprio Turismo, está Fabiano Gomes, que foi superintendente adjunto dele, quando esteve à frente da superintendência de Entretenimento e Lazer no governo Rafael Diniz (Cidadania). Vale lembrar que, como secretário do Turismo de Wladimir, hoje, está Hans Muylaert, que também atuou na gestão anterior, e afirmou, em entrevista no Folha no Ar, que seu nome para a pasta foi avalizado por Rodrigo Bacellar (aqui). Na mesma secretaria, também tem indicação ligada ao vereador Dandinho de Rio Preto (PSD), outro nome do grupo dos Bacellar. Independentemente do lado político, bom ressaltar a qualidade técnica dos nomeados.
Fora da base?
Mas ter nomes no governo não faz do vereador base, segundo disse Helinho ao confirmar a sua ligação com o atual secretário de Emprego. “Continuo vereador independente (...) Essas movimentações são, sim, para que eu possa estar, supostamente, apoiando o prefeito em 2024, mas eu vou continuar fazendo críticas daquilo que eu não concordo (...) Só caminho do lado com total aval do meu líder político, que é e continuará sendo Rodrigo Bacellar”, afirmou na época. Se a nova conversa agora não é confirmada por Helinho, uma fonte do Blog Opiniões, hospedado na Folha 1, garantiu que diálogos individuais estão, sim, ocorrendo entre alguns edis e o governo, mas não uma movimentação do grupo.
A conferir
Fato é que com a acomodação de novos nomes ligados a vereadores de “oposição/independentes” em seu grupo político, Wladimir daria capilaridade à pacificação com os Bacellar. Que, se durar até o pleito de 6 de outubro de 2024, ampliará o favoritismo do prefeito em sua tentativa natural de reeleição. Se pessoas ligadas ao grupo dos Bacellar terão espaço com o novo organograma, não será difícil de conferir, já que as nomeações ficarão públicas no Diário Oficial. E, como colocou Angelo Rafael, é “lógico em qualquer administração pública” dar espaço a aliados, como é nítido na relação, por exemplo, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com o Congresso. Se o acordo será republicano ou não, isso sim é que faz diferença.

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