Campos poderá ter, em breve, uma pasta de Trabalho e Renda com status de secretaria. Isso quem afirma são pessoas ligadas ao próprio prefeito Wladimir Garotinho. A medida, segundo fontes, não atende apenas uma demanda crescente pela área no município, mas também seria uma solução para atrair à base do prefeito mais dois vereadores que hoje formam o grupo independentes/oposição na Câmara.
Nos bastidores, a informação é de que as conversas avançam para que indicações sejam feitas para o comando da nova "secretaria" por Rogério Matoso (União) e Helinho Nahim (Agir), ambos já integraram pastas na gestão do ex-prefeito Rafael Diniz (Cidadania), inclusive sendo Matoso ex-superintendente de Trabalho e Renda.
Atualmente os dois fazem parte do grupo dos Bacellar, que tem o presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo (PL), como líder maior. Na Câmara, foram importantes para a vitória do vereador de oposição Marquinho à presidência, junto com outros parlamentares, que hoje já não são mais maioria no Legislativo com a chegada de Nildo Cardoso (União) e Abdu Neme (Avante) à base do governo.
No governo Wladimir, Campos deixou de ter o Trabalho e Renda como status de secretaria, se tornando Espaço da Oportunidade, um órgão ligado à secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Turismo.
Com Campos vivendo um novo momento econômico com a "casa sendo arrumada" nos últimos dois anos, não faltariam justificativas para se ter criada mais uma pasta de tamanha importância na estrutura do governo.
Uma solução inteligente para atender também aqueles que pedem espaço no governo após fazerem parte da pacificação pela "governabilidade", acordada entre Wladimir e Rodrigo, em uma costura do governador Cláudio Castro (PL). Mesmo que os interesses sejam para além da planície goitacá, como mostrou o último Ponto Final, publicado no Blog Opiniões (
aqui), acalmar os ânimos de alguns por aqui também se faz necessário, inclusive de quem está na base.
A criação da nova pasta resolveria em partes, ainda, a insatisfação de alguns governistas que andam colocando pressão no prefeito para não perder espaço em secretarias e autarquias, como aconteceu na Empresa Municipal de Habitação (Emhab), hoje com a presidência indicada por Abdu com a participação de Nildo.
Mas, como já mostramos (
aqui), o pessoal da base quer mais... diz não aceitar que vereadores estejam no governo sem que de fato se assumam governistas e coloquem a cara na reta nas ruas e nas redes na defesa do prefeito.
Ainda nos bastidores, se fala que a decisão dos parlamentares independentes/oposição se tornou mais delicada após a saída de Nildo, marcada por declarações fortes (
aqui). Cardoso não gostou de ter a ele creditado o título de traidor e revelou o interesse de seus ex-aliados não só na Trabalho e Renda, mas também na Meio Ambiente e Fundação de Esportes, que, se não forem destinadas à indicação no acordo de pacificação, devem ser substituídas por outros cargos importantes no governo.
Que nem todos são bem-vindos no grupo de Wladimir não é segredo, mas os que tem total chance de entrar buscam um jeito de fazer isso sem se desgastar muito com os mais acalorados.
Jogar na conta do líder Rodrigo o aval para fazer parte do governo de Wladimir tem sido a saída mais segura, já que entre ele e o prefeito não há qualquer estranhamento.
Helinho, por exemplo, tem feito questão de reforçar que o líder político dele é o deputado Rodrigo Bacellar. Fez isso na tribuna, na última sessão, sem que fosse provocado. Na noite desta quinta-feira, ao ser questionado pelo blog sobre estar de malas prontas para o governo do primo, onde dividiria a Trabalho e Renda com Matoso, Helinho disse que ele não teve essa conversa com o prefeito ou qualquer interlocutor do mesmo.
Mesmo já com a maioria simples na Câmara com 13 dos 25 vereadores, algumas questões, mesmo que previamente acordadas na pacificação, podem depender de um pouco mais de apoio, como é o caso da votação das contas da mãe do prefeito, Rosinha Garotinho, que para ter revertido o parecer contrário do Tribunal de Contas do Estado (TCE), precisa de 17 votos.
Se serão 17 na base, o tempo vai mostrar, mas outros nomes, como o de Marquinho do Transporte (PDT), 1° vice-presidente da Câmara, já são ventilados nos bastidores.
Atualização - Sobre a possibilidade de indicar a uma futura pasta de Trabalho, Matoso respondeu que "entende que a pacificação institucional é necessária para o pleno desenvolvimento do município, mas isso não significa que esteja de olhos fechados para os problemas do município".
Ele disse ainda que o governo municipal já o ofereceu uma secretaria lá atrás. "Devolvi justamente por conta da minha opinião, porque votei contra o Código Tributário, o aumento de impostos, e fiquei ao lado dos servidores públicos. Continuarei fazendo as críticas de forma firme e veemente, sempre que for necessário. E, como sempre, apresentando caminhos e soluções. Meu compromisso é com a população", respondeu em nota.