Na base, Nildo expõe cobiça da oposição por cargos no governo
Rodrigo Gonçalves 28/02/2023 23:37 - Atualizado em 01/03/2023 10:41
Rodrigo Silveira
No mesmo dia em que os vereadores Nildo Cardoso (União) e Abdu Neme (Avante) foram anunciados pelo prefeito Wladimir Garotinho (sem partido) como integrantes da base do governo e maioria dele na Câmara de Campos, a sessão legislativa, desta terça-feira (28), serviu para que, pelo menos, Nildo pudesse expor os motivos de agora ser oficialmente aliado do prefeito. Na tribuna também não poupou os vereadores de oposição ao revelar o interesse de alguns deles em ocupar cargos no governo.
— Existe o entendimento, no sentido da própria governabilidade, para ser dada ao prefeito, por parte da oposição, de espaço na Fundação de Esporte; Trabalho e Renda; e no Meio Ambiente, mas não estava inclusa a Emhab (Empresa Municipal de Habitação). (...) Não adianta chegar aqui na frente e dar um de bom moço e dizer: “nós vamos meter o pau, fazer e acontecer”. Mas, para que vai pedir espaço no governo? Faz oposição gente — discursou Nildo.
O vereador ainda relembrou uma reunião, na qual alguns parlamentares estiveram alinhando o apoio a Wladimir, condicionado a cargos no governo. O encontro, segundo ele, aconteceu na casa de Rodrigo Bacellar. Irmão do deputado, o vereador Marquinho Bacellar, pediu licença da presidência da Câmara para ir ao púlpito e informar que a reunião mencionada por Nildo foi quando Wladimir, ainda no segundo turno da eleição de 2020, foi pedir apoio de alguns vereadores para a sua eleição.
Até o último dia 15, quando aconteceu a primeira sessão ordinária do ano, Abdu e Nildo chegaram a assinar com outros 11 vereadores, dando a liderança da oposição e independentes ao vereador Anderson de Matos (Rep). Os dois também integraram o grupo que deu a vitória à oposição para a Mesa Diretora da Câmara, com a presidência a Marquinho.
Na sessão desta terça, Nildo não escondeu a insatisfação com o seu antigo grupo, inclusive se queixando do pouco espaço em Comissões importantes na Casa, que têm nas suas presidências Igor Pereira (SD), Helinho Nahim (Agir) e Fred Machado (Cidadania),
— Tiveram muitas reuniões acontecendo, nas quais eu não participei. Outra coisa, eu estava na Comissão de Constituição de Justiça, na hora de colocar em votação meu nome não estava. Na Comissão do Meio Ambiente, na hora de votar meu nome não estava. Me colocaram na Juventude. Só está faltando colocar eu, Dr. Abdu e Dr. Edson. Tá de sacanagem, não tá? Então, eu acho que tem que colocar a bola no meio do campo, colocar um juiz para não precisar de VAR, e vamos ver onde isso vai parar — declarou Nildo.
Agora, com os dois nomes na base, Wladimir passa a ter, mais uma vez, maioria no Legislativo com 13 dos 25 vereadores. Nas suas redes sociais, o prefeito colocou uma foto com os dois vereadores no gabinete, acompanhados do vice-prefeito Frederico Paes (MDB), apontado por Nildo como intermediador da aproximação.
“Alinhando as demandas com os novos integrantes da base do governo na Câmara. Obrigado pela confiança vereadores Dr. Abdu Neme e Nildo Cardoso, vamos juntos ajudar nossa cidade”, postou na legenda o prefeito.
Apesar do discurso de alguns vereadores da oposição, demonstrando que respeitam a decisão de Nildo e Abdu, não faltaram também aqueles que colocaram em xeque a decisão dos dois, questionando se irão permanecer na base quando forem colocadas em votação pautas que de alguma forma possam não estar de acordo.
— Eu e Doutor Abdu temos a competência de achar importante o que queremos para o bem da população. Nós temos independência de tomar as atitudes que nós acharmos que é importante para o município, para o nosso posicionamento político — comentou Nildo, reafirmando que tem garantido, por parte de Wladimir, a confirmação de que vai poder acompanhar de perto a reativação da Central de Abastecimento (antigo Ceasa), que o vereador tentou emplacar no governo do ex-prefeito Rafael Diniz (Cidadania), tornando-a municipal.
Já Abdu Neme, que assim como Nildo recebeu as boas-vindas à base dada pelo vereador Juninho Virgílio (União) na sessão, preferiu não comentar na tribuna sua chegada ao governo, mas fora dela falou que a função dele é fazer com que a cidade funcione.
— A gente tem que entender que o nosso trabalho é para a comunidade (...) haja vista que eu fui o mais votado de Campos nestas eleições. Então a minha responsabilidade é muito grande. E eles um dia vão me cobrar se eu estiver errado. E se eu estiver certo, eles vão me elogiar — comentou Abdu, que também fez parte do governo passado, como secretário de Saúde, e agora assume projetos de relevância, como o “SOS Coração”.
O próprio Nildo, que chegou a falar da sua indicação para a Emhab no início de fevereiro, agora credita a Abdu a presidência da empresa, endossada por ele.
Votação - Alvo de impasse na primeira sessão ordinária do ano, o projeto enviado pelo prefeito, em caráter de urgência, relacionado à Fundação Municipal de Saúde, foi aprovado por unanimidade. No dia 15, Marquinho não pautou o projeto sob a alegação de que chegou “em cima da hora”, descumprindo parte do acordo de pacificação que o prefeito fez com ele em enviar projetos com antecedência.
Na tribuna, o vereador Fred Machado informou que não votaram o projeto antes, porque continha erro que tirava R$ 7 milhões do orçamento da Câmara, cuja correção chegou a 20 minutos do início da sessão. Fred negou que a matéria não tenha sido pautada por conta de pressão de vereadores aos cargos do governo.

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