Candidatura do PT à Prefeitura de Campos em 2024 — Sinceramente, eu estou muito animado com a possibilidade da gente ter um candidato a prefeito. Nós somos o partido do presidente da República. As coisas mudam de forma muito rápida na política. Lembro de quanto o Lula ganhou a eleição e assumiu em 2003. Eu fui eleito prefeito de Nova Iguaçu em 2004, ganhamos vários municípios. Aqui (na região), nós temos os nomes de Carla Machado, que foi prefeita de São João da Barra, e é um nome de forte influência aqui. A Carla foi prefeita, reeleita, agora virou deputada. E nós temos um nome que vocês sabem do meu entusiasmo com essa possibilidade: o Jefferson Manhães, reitor do IFF, uma instituição que tem um peso aqui. Eu sei a capacidade administrativa e política do Jefferson, um homem seríssimo. É uma pessoa que fala muito bem. E eu acho que Campos tem uma situação diferente. Aqui tem transmissão, pela TV Globo, dos programas eleitorais, dos debates... Então, aqui, creio que haja uma situação aberta para se apresentar uma alternativa da qualidade do Jefferson. Eu me lembro que, em 2012, teve eleição e o Makhoul foi candidato contra Rosinha Garotinho. Makhoul, que é uma pessoa que eu respeito muito, foi candidato. Acompanhei muito de perto a campanha dele, inclusive ajudei a pensar nos programas de televisão do Makhoul. E a campanha foi um sucesso. Makhoul ameaçou ganhar da Rosinha. Ele teve problema em um debate da TV Globo (Inter TV), onde se saiu mal, deu uma travada, e foi o que atrapalhou. Até então, ele estava muito bem. Eu andava aqui com ele em Campos, era uma sensação. Eu acho que um nome como o Jefferson vai empolgar. Tenho experiência, estou com 53 anos e disputo eleição desde os 14, no movimento estudantil. Já disputei eleições para deputado, para senador, para prefeito, para governador. Ganhei umas, perdi outras. Fui deputado com 24 anos. De lá para cá, disputei 11 eleições. Eu tenho uma certa experiência nesse negócio e, quando olho para Jefferson, vejo que ele pode dar uma animada grande na cidade de Campos. O Wladimir teria um adversário muito qualificado, alguém que elevaria o nível do debate, e acho que isso é bom para Campos. E nós não somos como a turma do Bolsonaro, não somos pessoas agressivas. Nós fazemos um debate de alto nível, queremos fazer um debate de alto nível. Então, eu acho que a construção da candidatura do Jefferson seria algo fantástico, e é também um processo de construção de um nome para a cidade.
Fortalecer nomes — Aqui nós temos o Zé Maria Rangel, que teve uma votação maravilhosa e agora está trabalhando na diretoria de responsabilidade da Petrobras. O Zé Maria tem uma votação muito grande, mas acabou não sendo eleito porque a gente não montou uma chapa de vereadores com força para eleger. É o que a gente está fazendo aqui agora. Temos o Gilberto, inclusive, que é pré-candidato a vereador, é um nome que a gente trabalha, nós vamos apoiar. Mas, o fundamental é construir vários outros nomes. Então, nós estamos vivendo esse processo com muito entusiasmo. Eu diria que Campos vai ser uma das cidades em que a gente mais vai se dedicar nesse processo eleitoral.
Importância do apoio da ex-prefeita — Carla Machado é uma grande liderança. Tem a possibilidade jurídica (de ela não poder ser candidata a prefeita por vir de uma reeleição em São João da Barra), a gente está acompanhando. Mas, o fundamental é envolvê-la no processo, tê-la participando. Se a gente vai para uma candidatura do Jefferson, se tem o apoio da Carla Machado aqui, a gente sai com muita força, porque ela é uma grande liderança da região. A administração dela em São João da Barra é reconhecida, as pessoas da rua falam. Eu andei, caminhei no segundo turno da eleição presidencial em Campos, e ela estava. Vinha alguém, passava de moto e gritava: “Carla, vem prefeita”. Ela tem essa força. Então, acho que ela vai ser uma eleitora forte.
Estratégia para crescer — É necessário ter outras candidaturas que joguem o processo para o segundo turno. Nosso fundamental é que a gente lança uma candidatura dessa querendo ganhar a eleição, mas eu ficaria muito satisfeito também mesmo na hipótese de você não ganhar a eleição, mas projetar um quadro para a região que, depois, pode ser deputado federal, pode ser deputado estadual, pode estar preparado para o futuro... Um Jefferson desse. O Lula ganhou a eleição dele na quarta eleição. O Mitterrand ganhou na França na quarta eleição. Às vezes você não ganha na primeira. Em Nova Iguaçu, eu ganhei na primeira, mas quando me lancei, não me lancei pensando que fosse ganhar na primeira. É um processo. Então, a gente vai ter que entrar com esse espírito. E quando a gente encontra alguém de qualidade, com capacidade, eu me animo, fico muito feliz. É assim com o Jefferson. A gente tem que melhorar a política. Tem que pensar no nosso lado, no outro lado... Quando se pega gente que tenha capacidade de fazer um debate democrático, sem agressão... Nesse último período bolsonarista, (tenho destacado) essa coisa de você fazer um debate civilizado, trocar ideias. Então, acho que Campos pode ter uma eleição de altíssimo nível. É algo que ia orgulhar. O prefeito pode ficar tranquilo, porque o Jefferson ia fazer um debate de propostas. É muito importante a gente restaurar essa civilidade e esse debate de nível. E para vereador, é fundamental.
De olho na Câmara — Temos aqui o Gilberto, que é pré-candidato a vereador; sei que a Odisseia é pré-candidata também. Ontem (quinta), a gente fez uma plenária em que eu estimulei que muitas pessoas se lançassem candidatas. Essa é uma construção de articulação política. A gente vai ter que fazer isso em Campos. Tivemos com Zé Maria um exemplo do que não podemos repetir. O Zé Maria teve uma grande votação e não entrou. Eu tive uma eleição em que fui um dos candidatos mais votados a deputado federal e não entrei. Isso significa que tem que ir lá, conversar com as pessoas, puxar um candidato daqui... É um trabalho de formiguinha que vai ter que ser feito, e eu quero acompanhar isso aqui.
Perfil bolsonarista em Campos — O Bolsonaro criou uma pauta e tentou instrumentalizar muito os evangélicos nessa pauta. Eu acho que a nossa é uma pauta que pode reconquistar uma parte desses setores. Qual é a nossa pauta central? A vida do povo, emprego, preço dos alimentos. Eu acho que isso interfere muito no debate. É a gente voltar o crescimento da economia do país e a vida do povo mais pobre melhorar. Eles fizeram um grande processo de desconstrução do Lula. O Lula saiu do mandato com aprovação de 87% ou 83% em ótimo e bom. Quando acabou o governo anterior do Lula, as pessoas tinham aquilo muito presente na vida delas. Então, acho que o caminho para reconquistar aqui, ganhar espaço em Campos, é com esse discurso. É PT é o partido que olha para os mais pobres, que vê a inclusão, que está pensando em como colocar o filho do trabalhador na universidade pública. E vamos construir o programa. Com uma candidatura do Jefferson, eu tenho certeza de que a gente vai fazer um programa que dialogue com esse povo. Temos que estar presentes. Isso é a nossa genética, nosso discurso central é esse.
Diferencial — Acho que o Jefferson vai trazer uma outra coisa, que é perspectiva de futuro para a juventude: educação, emprego. Esse Instituto Federal teve uma revolução nos governos do PT. É uma beleza. Estive várias vezes com o Jefferson, que faz um trabalho maravilhoso. Acho que é muito forte essa coisa de poder falar para a juventude sobre futuro, educação, emprego de qualidade. Acho que isso vai ter um impacto muito grande. Então, eu acho que o Jefferson vai conseguir também falar para essa juventude. E talvez a diferença do discurso em relação ao do Wladimir seja um pouco os programas sociais mais estruturantes. Eu acho que o Jefferson vai ter esse discurso. Eu acho os institutos federais uma das grandes obras do governo do presidente Lula. Eu sei que a escola técnica já existia há muito tempo, mas a transformação para instituto federal (foi fundamental). Ali tem curso superior de uma qualidade impressionante. A turma vai gostar do discurso, da cara, das propostas que o Jefferson vai apresentar. Eu sou um torcedor muito grande do Jefferson aqui. E volto a dizer: disputei muita eleição. Tenho certeza de que estamos colocando um nome que vai crescer. Se vai ganhar, é outra história, mas que vai crescer, vai crescer.
Possibilidade de aliança PT-PSD da capital ao interior — Seria muito bom. A gente vai querer ampliar, fazer uma coligação mais ampla. Como falei, aqui em Campos nós temos a TV Globo transmitindo. Quando se faz aquela aliança ampla de partidos, você tem mais tempo de televisão (...) Em determinados momentos, o PT deixou de lançar candidato e praticamente acabou no Rio de Janeiro, ficou uma situação muito ruim (...) O PT se reconstruiu no Rio de Janeiro, nós elegemos na federação seis deputados federais. A gente cresceu fora do governo, com resistência. Não pode agora, que nos tornamos governo (federal), a gente se anular. Falo muito isso. Apoiar Eduardo Paes para prefeito agora no primeiro turno, apoiar Eduardo Paes para governador também no primeiro turno? E nós? E o PT? E a cara da esquerda? Se o PT abre mão disso, outros vão ocupar esse espaço. Então, aqui em Campos, a gente quer fazer a aliança mais ampla do mundo. Lá no Rio de Janeiro, eu vou começar a abrir uma certa polêmica no PT, com a tese de que, no primeiro turno, a gente tem que montar uma frente com PCdoB, com PV, chamando o PSB, chamando o Psol, e não deixar de ter, porque isso não se justifica. Eleição em dois turnos é isso. No primeiro turno, você vem com a sua cara, já deixando claro ao Eduardo que, se houver segundo turno entre ele e um candidato de direita, a gente vai com o Eduardo. Mas eu defendo que a gente tenha uma cara própria e lance candidatura.
Pacificação entre os Garotinho e os Bacellar — Eu soube desse processo de pacificação um pouco antes dessa visita, mas a chance de isso sair dos trilhos é muito grande também. Basta uma coisa que... (gere atrito). Então, nós temos que observar. Eu tenho uma boa relação com o Rodrigo Bacellar, sempre tive. Agradeço muito ao pai dele, pois me apoiaram na minha eleição a senador. (O Rodrigo) é uma liderança que cresce no estado do Rio de Janeiro. Independente de apoio (ao PT) ou não, porque eu sei que não é simples, tem essa pacificação, mas a gente quer conversar com ele também. Vamos conversar, vamos falar da candidatura do Jefferson, do que vai ser. Vamos construindo! A disputa entre Bacellar e o prefeito é muito apaixonada. Essa é uma paz difícil de ser mantida, qualquer fagulha pode criar uma situação de separação. Já vi isso em muitas coisas. Era igual com Brizola e Garotinho, que brigavam, depois tentavam amansar, depois brigavam de novo. Basta uma fala, nem precisa ser do prefeito, mas do Garotinho, contra Rodrigo Bacellar. Nós temos que acompanhar. Eu não acredito que esse processo de pacificação seja um processo. Eu diria que é uma trégua, não uma pacificação mesmo. Será que é uma pacificação mesmo ou é uma trégua? Essa é uma boa questão a ser colocada.
Pesquisas — Campos é uma das cidades que a gente vai considerar como prioritárias. Vamos fazer pesquisa, vamos tentar construir um bom programa de televisão, com um bom pessoal de comunicação. Às vezes, a comunicação hoje é mais nas redes sociais, mas aqui tem um fato diferente. Eu quero ajudar o Jefferson nisso. É diferente quando você começa um programa com a cara boa. As pessoas sentem: “Opa, aqui tem firmeza, aqui o jogo é para valer”. Então, eu defendo que Campos esteja entre nossas prioridades nacionais. O Rio de Janeiro é um estado muito importante, que a gente tem que reconquistar, e eu acho que Campos vai ser uma das cidades escolhidas pelo PT nacional como prioridade. É assim que a gente quer trabalhar. Sobre pesquisa, eu acho que o mais importante do que a pesquisa quantitativa é a pesquisa qualitativa (...) Você consegue antecipar muitas coisas. Então, eu acho que a gente tem que começar esse ano aqui fazendo uma pesquisa qualitativa, vendo a situação do Jefferson, analisando Carla Machado, que é uma eleitora forte também aqui, com peso num processo como esse. Eu acho que isso é fundamental para a gente construir a candidatura do próximo ano. Porque se você fizer uma pesquisa quantitativa, agora, o Jefferson não vai aparecer pontuando lá em cima. A gente sabe que é um processo, é quando a campanha começa. Tem vantagens de você não ter um nome super conhecido. Há vantagens e desvantagens em tudo. Você lançar um nome relativamente novo... Tem muita gente que conhece o Jefferson, mas a ampla massa não conhece ainda. Acho que isso é mais vantajoso do que desvantajoso, porque, no processo eleitoral, todo mundo vai conhecer. Ele vai ser apresentado. É uma coisa que pode facilitar uma subida mais forte quando começar o processo eleitoral.
Conversa com Carla — Eu tenho o maior respeito e estima pela Carla Machado, e eu quero conversar isso com ela também. Eu acho que ela tem que ser a grande condutora de um processo aqui em Campos. O Jefferson sendo candidato, ela tem que aparecer todo dia, ela tem que estar falando todo dia, junto com o Jefferson. Há essa dificuldade jurídica de uma terceira eleição seguida, mas eu acho que essa junção... mesmo não sendo candidata, ela tem que estar no programa, ela tem que conduzir o processo, ela tem que aparecer. Isso seria todo um diferencial.
Aliança da esquerda — (Na última eleição), aqui na cidade saíram (com candidatos a prefeito) o PT e o Psol. Agora, eu tenho convicção de que nós vamos estar juntos numa construção. Não tem espaço para mais do que uma candidatura. Já começa muito mal se houver a divisão.
Professora Natália do Psol — Seria uma grande vereadora. Já a conheci pessoalmente, fiquei muito bem impressionado. Ela teve uma grande votação (a prefeita). É isso que acho que o PT tem que fazer, que o Psol tem que fazer. É assim que se começa um processo de reconstrução.