Tradicional bar Ao Gato Preto volta a fechar as portas
Matheus Berriel 05/08/2022 11:12 - Atualizado em 05/08/2022 11:57
Bar Ao Gato Preto fecha as portas
Bar Ao Gato Preto fecha as portas / Foto: Wellington Cordeiro
Primeiro bar tombado pelo Conselho de Preservação do Patrimônio Histórico e Cultural de Campos (Coppam) e com cerca de 100 anos de funcionamento, o Ao Gato Preto fechou novamente as portas. A informação foi divulgada na manhã desta sexta-feira (5) pelo presidente da Associação de Imprensa Campista (AIC), Wellington Cordeiro, há muitos anos frequentador do estabelecimento.
Ao Gato Preto foi tombado como patrimônio imaterial histórico e cultural de Campos em 2014. Por conta de alto valor de aluguel do ponto, ele já havia fechado em março de 2019, no seu endereço histórico, à rua 21 de Abril, no Centro, dois meses após a morte do seu proprietário, José Carlos Barbosa. Zé Psiu, como José Carlos era popularmente conhecido, comandava o bar desde a década de 1980. O legado foi mantido pelo filho Paulo César Barbosa, que reabriu o Ao Gato Preto dias depois do fechamento, mas à rua Barão de Amazonas, quase na avenida XV de Novembro. Porém, agora o funcionamento foi novamente interrompido.
— A imortalidade do tombamento não foi suficiente para manter a "alma de boteco", e muitos dos frequentadores do antigo endereço não acompanharam a mudança do local. Não perdemos apenas um bar, mas sim um ambiente de promoção de cultura, que garantia uma convivência democrática, independente do status social, onde bebiam desde o empresário ao operário — lamenta Wellington Cordeiro.
— Num município que tem sua memória sendo apagada ao longo dos tempos, essa perda tem o sabor amargo que lembra o jiló que era um dos petiscos do bar. Na parede onde fotografias homenageavam os frequentadores falecidos, agora haverá de ter espaço para a foto da fachada do bar. Mas, dizem que a esperança nunca morre. Imaginemos o gato numa transmutação de se tornar uma fênix, com sua capacidade de renascimento. Por hora, o que nos resta é beber o morto e superar a ressaca da saudade — complementa o presidente da AIC.

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