Rodrigo Gonçalves
25/06/2023 15:36 - Atualizado em 25/06/2023 17:37
Divulgação
Já à frente do Governo do Estado interinamente, o campista Rodrigo Bacellar (PL) tem mantido uma postura discreta em relação a assumir o cargo do governador Cláudio Castro (PL), que está viajando. No entanto, a alegria de aliados do deputado é grande nos bastidores e foi externada neste domingo (25) pelo também deputado estadual e amigo Chico Machado (SD). O macaense é um dos nomes de confiança de Bacellar, que o indicou para sucedê-lo na secretaria de Estado de Governo, cargo que Machado chegou a ocupar, mas que decidiu não permanecer e voltar à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).
"Parabenizo o meu amigo e irmão Rodrigo Bacellar por assumir como Governador interino do Estado. Nesses dias, o interior do Estado se mantém em destaque contigo. Tenho a certeza que você exercerá essa função brilhantemente. Que Deus continue guiando os seus passos. Conte comigo sempre, meu irmão", publicou na redes sociais com uma foto ao lado de Rodrigo.
Como a Folha já vem mostrando, após 17 anos, o Governo do Estado voltou a ser comandado por um campista. Treceiro na linha de sucessão, o presidente da Alerj assumiu o cargo em virtude de viagens do governador Cláudio Castro (PL) e do vice Thiago Pampolha (União). Neste fim de semana, Castro embarcou para Lisboa, em Portugal, onde irá participar do Fórum Jurídico organizado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes. Já Pampolha está em viagem pelo exterior com a família, que foi marcada antes da sua indicação para compor a chapa com Castro.
O mandato interino de Bacellar está previsto para acabar na terça-feira (27), já que, segundo a Comunicação do Governo do Estado, Castro estará de volta na quarta. Nos bastidores há rumores de uma possível visita de Bacellar a Campos como governador em exercício, mas a agenda ainda não foi confirmada pelo Governo do Estado e nem pela assessoria do deputado, conforme solicitado também neste domingo pelo blog.
O último campista que chegou a assumir o cargo de governador foi Rosinha Garotinho (União), que foi sucessora de seu marido Anthony Garotinho (União) e deixou o cargo em 2006.
Como mostrou a reportagem de sábado da Folha, a rápida ascensão de Rodrigo Bacellar na política fluminense é constantemente comentada por aliados e adversários. Ele, inclusive, é o primeiro campista a ocupar o cargo mais alto da Alerj e tem no seu histórico outros feitos que o colocam em evidência a política do interior.
Desde que se tornou o relator do processo de impeachment de Wilson Witzel (PSC), em 2020, quando deu o seu parecer favorável ao procedimento para o afastamento, Rodrigo se destacou, segundo analistas políticos, pelo seu pulso firme e técnico, que não daria brecha para Witzel sobreviver à frente do Governo do Rio. Daí para a frente caiu nas graças de muitos figurões da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) e também do, até então, pouco experiente Cláudio Castro, que, como vice, depois se tornaria o governador do Rio, reeleito no último pleito, também com o importante apoio de Bacellar.
Mas o caminho de Rodrigo até chegar à presidência da Alerj, passou por outros momentos marcantes na própria Assembleia e no Governo do Estado. O discurso feito por ele, quando foi eleito presidente da Alerj, não deixou de ter o mesmo tom de quando, ainda no seu primeiro mandato, foi eleito, por unanimidade, presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Alerj. “Nem nos meus melhores sonhos imaginei uma maneira tão rápida de trilhar passos tão grandes, tão altos. Nunca deixei de ter humildade de pedir ajuda e ir aprendendo aos poucos”, disse Bacellar, em junho de 2022.
Depois, ainda sairia da Alerj para se tornar um dos homens de maior confiança de Castro, à frente da secretaria de Governo, cargo que ocupou até a véspera de tomar posse para o seu segundo mandato. Ainda nos bastidores, há quem avalie que, ao assumir interinamente o Governo do Estado, Bacellar, já estaria sendo testado à sucessão de Castro.