Corpo de Bombeiros do RJ alerta população para o cuidado com produtos altamente inflamáveis
Ingrid Silva - Atualizado em 21/05/2024 22:37
Funcionário não resistiu aos ferimentos
Funcionário não resistiu aos ferimentos / Reprodução
Na noite de 29 de abril deste ano, um incêndio numa churrascaria no Jóquei, em Campos, deixou três funcionários feridos e encaminhados para o Hospital Ferreira Machado (HFM). Porém, no último final de semana, um deles, o jovem Gabriel Alves, de 20 anos, morreu na unidade hospitalar após quase um mês internado em estado grave no Centro de Tratamento Intensivo (CTI). O corpo dele foi sepultado na tarde dessa segunda-feira (20), no cemitério Campo da Paz. Os outros dois que foram vítimas de queimaduras durante o incidente tiveram alta hospitalar.

Gabriel sofreu queimaduras na região do pescoço, braço direito e esquerdo e no tórax. As queimaduras, segundo o hospital, foram de primeiro e segundo grau. O caso aconteceu há quase um mês e um vídeo chegou a circular nas redes sociais mostrando o momento da “explosão” na churrascaria, que funciona na rua Ricardo Quitete. O vídeo mostra um funcionário manuseando uma garrafa, que aparenta estar cheia com algum produto inflamável.

De acordo com o Corpo de Bombeiros, que esteve no local e socorreu as vítimas, uma fagulha dentro da churrasqueira causou um forte deslocamento de ar quente que atingiu os jovens. No vídeo também é possível ver que funcionários, na tentativa de apagar as chamas nas pessoas, utilizam extintores de incêndio.

Segundo o Ministério da Saúde, são registradas cerca de 150 mil internações por ano no país em decorrência de queimaduras. Com base em levantamentos e consultas com participação da sociedade, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) explica que, em geral, a situação mais perigosa envolvendo queimaduras está relacionada ao uso do álcool no momento em que as pessoas acendem churrasqueiras e fogueiras.
“No gerenciamento de risco são considerados vários fatores para se avaliar o potencial perigo de um produto para o ser humano. No caso do álcool, um desses fatores é a facilidade de espalhamento do produto antes e durante a combustão quando em estado líquido, o que é inversamente proporcional quando com viscosidade. Assim, quando há acidente com o álcool na forma física líquida, a extensão e o dano à pele são grandes”, informou a agência.
O Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro orientou, através de nota para a Folha da Manhã, que as pessoas leiam atentamente as orientações contidas nas embalagens dos produtos considerados inflamáveis para se certificar quanto aos cuidados com a segurança, ressaltando também sobre a importância de evitar produtos altamente inflamáveis para acender churrasqueiras.

“Nunca utilize gasolina, querosene ou álcool para acender a churrasqueira. Esses produtos são altamente inflamáveis e podem causar grandes acidentes. Opte por usar tabletes de álcool sólido ou acendedores elétricos. Contudo, é necessário seguir as orientações dos fabricantes e verificar se o item é certificado. Em caso de acidentes, acione imediatamente o Corpo de Bombeiros”, diz a nota.

A corporação ainda separou algumas dicas para se acontecer algum acidente: “Verificando que há queimaduras, nunca passe gelo, manteiga, pasta de dente, pomada, ou qualquer outro produto que não sejam os indicados pelos médicos; Lave sempre o local com água corrente em temperatura ambiente para refrescar o local para que a queimadura não atinja camadas mais profundas da pele; Jamais fure ou estoure as bolhas, pois elas servem como um curativo natural que protege o local queimado; Nunca tente tirar roupas ou objetos que estejam grudados a pele no local queimado; Encaminhe a vítima o quanto antes a uma unidade hospitalar através do socorro especializado”.
Proibição da venda de álcool volta a acontecer no Brasil

A venda de álcool líquido 70% voltou a ser proibida no Brasil pela Anvisa desde o dia 30 de abril devido aos acidentes domésticos. Ele foi permitido novamente para o público geral apenas por causa da pandemia de covid-19, mas o prazo terminou em 31 de dezembro do ano passado. Depois de acabado o estoque, o produto só pode ser vendido no formato em gel, como também informado pela agência. A proibição existe desde 2002 no país. (I.S.) (A.N.)

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