Possível candidatura de Garotinho à Alerj volta a ganhar força dentro do grupo
Arnaldo Neto - Atualizado em 16/07/2022 10:17
Garotinho à Alerj?
O ex-governador Anthony Garotinho (União) ainda mantém o discurso “serei candidato a governador ou nada”, antecipado pela coluna, desde 18 de maio (aqui). Porém, dentro do seu grupo político, prevalece outra possibilidade aventada antes, como mostrou a Folha (aqui) no dia 30 de abril: a de que o político da Lapa pode acabar se candidatando a deputado estadual. A despeito de qualquer declaração pública, Garotinho só se decidirá na convenção estadual do União, que se projeta para 31 de julho. Mas, enquanto não se decide, quem esquentará a vaga da candidatura de Garotinho à Alerj é Davi Loureiro (União), ex-prefeito de São Fidélis (aqui).

Definições no grupo
Para apoiar a pré-candidatura — por enquanto — de Davi, o vereador Juninho Virgílio (União) retirou a sua. No que já estaria costurado entre Garotinho, a ex-prefeita Rosinha (União) e o prefeito Wladimir (sem partido), Juninho seria o candidato a presidente da Câmara, em eleição que tem até o fim do ano para acontecer. E na qual o governo hoje tem pouca chance contra Marquinho Bacellar (SD), eleito em 15 de fevereiro no pleito depois anulado pela atual Mesa. Nessas costuras, primo de Juninho e seu principal cabo eleitoral, Thiago Virgílio (União) pode ser o próximo secretário de Governo de Wladimir, cargo hoje ocupado por Angelo Rafael.


Estratégias definidas
Tudo depende, como a própria elegibilidade de Garotinho, da anulação das condenações da Chequinho no Supremo Tribunal Federal (STF). O placar parcial está em 3 a 2 pela nulidade das provas, após a reviravolta no voto do ministro Nunes Marques. O que parece certo é afunilar os nomes do grupo à Alerj em dois: David/Garotinho e Bruno Dauaire (União), natural à reeleição. Sem contar as pré-candidaturas dos vereadores da base Thiago Rangel (Podemos) e Pastor Marcos Elias (PSC). Fechado também parece estar o apoio do Garotinhos à reeleição de Clarissa (União) a federal. O que deixaria de fora o líder lojista Marcelo Mérida (União).

Situação jurídica
Explicar a situação jurídica de Garotinho nunca foi tarefa fácil. Na quinta, ele conseguiu no Superior Tribunal de Justiça (STJ) a suspensão dos efeitos da condenação por desvio de R$ 234 milhões da Saúde do Estado. A decisão restabelecia seus direitos políticos, mas poucas horas depois, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) confirmou sua sentença a 13 anos e nove meses de prisão na Chequinho, o deixando inelegível. Pelo menos enquanto o STF não conclui — até 5 de agosto — o julgamento de recurso onde já há maioria para anular as provas da operação.

Resistência
Mesmo que consiga resolver dentro do prazo sua situação com a Justiça, Garotinho enfrenta resistência dentro do seu próprio partido. E não é de agora. Quando se lançou pré-candidato, foi desautorizado pelo presidente nacional do União (aqui), Luciano Bivar. No quadro estadual, já viu um manifesto de parte dos membros da sigla em apoio ao governador Cláudio Castro (PL), que é pré-candidato à reeleição. Nessa sexta-feira (15), o presidente do diretório estadual partido, o prefeito de Belford Roxo, Waguinho, participou de uma reunião com Castro. Segundo a colunista do Extra Berenice Seara, ele subiu no palco e “rasgou elogios” ao governador.

Pesquisa
Outro obstáculo para Garotinho é a alta rejeição. A pesquisa Genial/Quaest divulgada (aqui) na quinta-feira (14) mostra que 71% do eleitorado diz não votar de jeito nenhum nele. O levantamento aponta, ainda, empate técnico na corrida ao Guanabara. Castro está numericamente à frente, com 24%, seguido por Marcelo Freixo (PSB), com 22%; Garotinho e Rodrigo Neves (PDT), 6%; Cyro Garcia (PSTU), Felipe Santa Cruz (PSD) e Eduardo Serra (PCB), 2%; e Paulo Ganime (Novo) e Coronel Emir Larangeira (PMB), com 1%. A margem de erro é de 2,8 pontos percentuais.

Composição
Um dia antes da divulgação da Genial/Quaest, um movimento no tabuleiro político diminuiu o número de pré-candidatos a governador (aqui). O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, anunciou a correligionários a volta da aliança do seu partido, o PSD, com o PDT de Neves. Ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Santa Cruz, que não decolou nas sondagens de intenção de votos, patinando entre 1% e 2%, será o vice do pedetista. Neves também encontra dificuldades em crescer nas pesquisas, oscilando entre 6% e 7%. A aliança chegou a ser feita em março, mas desandou, em abril, por falta de consenso sobre quem seria cabeça de chapa.

Reajuste
O desembargador Adriano Celso Guimarães, da 8ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, concedeu liminar (aqui) que autoriza a Concessionária Águas do Paraíba a aumentar o valor da tarifa de água e esgoto em Campos em 18,10%. A decisão também permite que seja feita a cobrança retroativa desde janeiro deste ano. No dia 29 de junho, o juiz Leonardo Cajueiro, da 3ª Vara Cível de Campos, havia negado o pedido de autorização do aumento. A concessionária informou que as contas de agosto já contarão com o reajuste, que eleva para R$ 5,471 o valor por m³. Os valores retroativos serão cobrados de forma parcelada.
*Com os jornalistas Aldir Sales e Aluysio Abreu Barbosa
Publicado na edição deste sábado (16) da Folha da Manhã

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