Disputa pela Câmara de Campos e as projeções para as urnas em outubro
30/04/2022 08:37 - Atualizado em 15/07/2022 18:26
A briga pelo poder na Câmara de Campos, leia-se a conturbada disputa pela Mesa Diretora no próximo biênio, parece apenas um aperitivo para o duelo dos grupos políticos dos Garotinho e dos Bacellar nas eleições de outubro. Apesar de o prefeito Wladimir Garotinho (sem partido) e o deputado estadual Rodrigo Bacellar (PL) declararem apoio a Cláudio Castro (PL), na provável corrida à reeleição, a disputa por cadeiras nos parlamentos estadual e nacional vai esquentar ainda mais as questões paroquiais. Isso sem falar na possibilidade aventada por Anthony Garotinho (União) de entrar na corrida ao Guanabara, apesar de seu grupo político apostar que o caminho natural, caso não haja impedimento jurídico, seja o de disputar uma cadeira de deputado, a definir se estadual ou federal. E o desempenho dos grupos nas urnas pode ser decisivo para o fim da novela no Legislativo local, caso a estratégia governista de empurrar a disputa da Mesa para o fim do ano prospere.
No grupo dos Bacellar, a grande aposta é de reeleição fácil para Rodrigo na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Cacifado por ser ex-titular da robusta secretaria estadual de Governo (Segov), seu nome é cotado, inclusive, para presidir a Alerj, caso ele e Castro sejam reeleitos. Nas urnas de Campos, a projeção é de, no mínimo, dobrar os 13.265 votos conquistados em 2018, mas há expectativa de chegar a 30 mil (número que representa mais de 20% dos eleitores que compareceram no 1º turno da eleição municipal de 2020). No geral, a esperança é que a projeção da Segov alavanque o resultado em todo estado, onde Rodrigo teve 26.135 votos no último pleito.
Já entre os Garotinho, indefinições podem “embolar o jogo”, embora a expectativa de votos seja alta na cidade administrada por Wladimir — cerca de 40 mil a estadual, com dois candidatos, e entre 50 e 60 mil a federal, se o nome apoiado pela máquina for o do ex-governador. Apesar de o cartel principal ter apenas três nomes, não definidos ainda, outros candidatos devem contar com o apoio do governo, pelo fato de quem está no poder firmar compromissos com quem encaminha emendas ao município. Isso pode, inclusive, dividir os apoios entre os vereadores da base, hoje minoria na Câmara de Campos.
O grupo dos Bacellar, de fato, venceu por 13 a 12 a disputa pela Mesa. Contudo, a votação do dia 15 de fevereiro foi anulada pela atual Mesa, de maioria governista e a disputa, na qual Marquinho Bacellar (SD), irmão de Rodrigo, havia sido declarado vencedor, está judicializada. Porém, a bancada contra os Garotinho virou maioria na Casa. E essa maioria é uma das apostas para aumentar a votação em Campos. Rodrigo poderá ter o apoio de até nove dos 13 — embora as exceções concretas hoje são Fred Machado (Cidadania), que deverá apoiar a irmã, Carla Machado (PT); e Bruno Vianna (PSD), também pré-candidato a estadual.
INDEFINIÇÕES
No grupo que terá o apoio da máquina campista, a tendência é que Anthony Garotinho divulgue nos próximos dias qual será o cargo a que irá concorrer. Impedido por questões judiciais de votar e ser votado nas últimas eleições, ele publicou sua regularidade na Justiça Eleitoral, que o permite votar. A promessa é de publicar em breve a certidão que o habilite a ser candidato. Presidente do União no RJ, Waguinho, prefeito de Belford Roxo, em recente entrevista jogou água no chope do político da Lapa, declarando o apoio da sigla a Castro na corrida ao Guanabara. Entre os garotistas, a quem prefira que o ex-governador seja o nome forte do grupo na disputa a Alerj, mas a tendência é de que seja mesmo candidato a federal. Outros dois nomes ligados ao grupo — o vereador Cabo Alonsimar (Podemos) e Marcelo Mérida (União) — figuram como pré-candidatos, assim como o vereador Juninho Virgílio (União), que seria um eventual substituto de Garotinho, no caso de algum impedimento. 
“SINTONIA” COM CAIO
Sem nenhum nome próprio a federal para “dobrar” na cidade, os Bacellar caminham em boa sintonia com o pré-candidato Caio Vianna (PSD), segundo colocado na disputa a prefeito de Campos em 2020. O filho do ex-prefeito Arnaldo Vianna chegou a ter alinhado uma parceria no último pleito municipal com Rodrigo, mas a relação azedou. A reaproximação ocorreu neste ano, quando Caio, então presidente local do PDT, articulou dois nomes da sigla na Câmara, até então mais próximos da base para votarem com a oposição, garantindo a maioria para derrotar o nome dos Garotinho à reeleição na Mesa, Fábio Ribeiro (PSD).
NOMES GAROTISTAS
A corrida a Alerj entre garotistas passa pela definição da pré-candidatura de Garotinho. Apesar de “encantada” com a possibilidade de uma candidatura ao Senado, a deputada federal Clarissa Garotinho (União) deve mesmo ser um dos nomes do grupo na cidade a estadual neste ano. Aliás, Waguinho na mesma entrevista que falou sobre o apoio a Castro, declarou que o partido vai apoiar o presidente da Alerj, André Ceciliano (PT), como pré-candidato ao Senado. Outro nome cotado como possível candidato da máquina de Campos a estadual é Bruno Dauaire (União), antigo aliado de Wladimir, que estaria em busca do terceiro mandato. Apesar de algumas resistências dentro do grupo, o nome dele deve ser confirmado. Além disso, também podem tirar uma lasquinha do apoio da máquina Mauro Silva (PP), os vereadores Pastor Marcos Elias (PSC) e Thiago Rangel (Podemos), além do ex-prefeito de São Fidélis Davi Loureiro (União).
TABULEIRO
Para o grupo de oposição na Câmara, apesar de muitos outros pré-candidatos que buscam votos no município, o cálculo é simples: o apoio à eventual reeleição de Bacellar, com aparente liberdade na escolha a federal. No governo, até pelas alianças devido a emendas, a fórmula é mais complexa. Há dentro do grupo garotista uma forte expectativa para colocar o bloco da pré-campanha na rua, assim como existe a preocupação de a demora inviabilizar a eleição de representantes na Alerj. Dos dois lados, assim como parece claro o apoio a Castro, há a certeza de que o resultado de outubro refletirá no futuro do Legislativo e, mais ainda, na disputa eleitoral de 2024.
Câmara de Campos
Câmara de Campos / Rodrigo Silveira

Processos de cassação “no armário”

Na semana em que o Ministério Público se posicionou pela inconstitucionalidade dos processos de perda dos mandatos da oposição devido a faltas, a Câmara de Campos viveu dias mais tranquilos. Nos bastidores, existe a tentativa de um “acordão”, para acabar com os processos de cassação e o que pede a destituição da Mesa, aberto pela oposição.
Fábio Ribeiro, aliado de Wladimir, como havia antecipado a coluna Ponto Final de quarta-feira (27), quer jogar para o fim do ano a eleição da Mesa e diz que trancou no armário os processos de cassação. Marquinho Bacellar, irmão de Rodrigo e vencedor da disputa iniciada em 15 de fevereiro, já acionou a Justiça, junto com a oposição, e pede a retomada imediata da votação.
A estratégia da base, dizem articuladores, é aguardar que as urnas indiquem qual grupo está mais forte em Campos e, se for o deles, tentar mudar o peso das bancadas na Câmara.
Fábio disse que a abertura dos processos de perda de mandato surtiu efeito: “Em momento nenhum a gente quer declarar a perda de mandato. A única coisa que fiz foi dar falta a eles para que eles voltassem a trabalhar. Declarei a abertura dos processos de perda de mandato em uma sexta, na terça seguinte eles compareceram”.
Líder da oposição, Marquinho contestou as declarações de Fábio e rechaçou o acordo: “Conversa, estamos sempre abertos. Não eu apenas, mas todos nós do grupo independente ou da oposição. Estamos abertos ao diálogo, sim. Acordo, não. Acordo deixa muitas coisas em aberto”.
Na tentativa de reeleição antecipada, Fábio tinha um documento de apoio, com 13 assinaturas. No plenário, porém, Maicon Cruz (PSC) votou em Bacellar, garantindo a vitória e a maioria na oposição. Teve início uma confusão e a sessão foi encerrada. Depois, a Mesa anulou a votação, alegando que o voto de Nildo Cardoso (União) não foi colhido. Em protesto, a oposição começou a faltar às sessões e justificar as faltas. Fábio indeferiu as faltas e abriu processos de perda de mandato contra o grupo dos 13. Toda a questão aguarda decisão da Justiça.
* Publicado na edição deste sábado (30) da Folha da Manhã

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