Reorganização do PT em Campos promete agitar bastidores de 2020
04/09/2019 | 23h43
Neste domingo (08) eleições internas deverão definir a próxima executiva e direção da legenda no município
Militância petista em Campos
O PED (processo de eleições diretas do PT) ocorrerá em todo o território nacional no próximo dia 08 e marcará um momento decisivo para o partido que possui o maior número de diretórios permanentes do Brasil, em cerca de 3 mil cidades. A luta pela liberdade do presidente Lula ganha contornos cada vez mais intensos com a divulgação das mensagens vazadas entre Sérgio Moro e procuradores do MP. Soma-se a isto o desastroso governo bolsonaro, que em seus primeiros meses de mandato já acumula rejeição recorde e coleciona escândalos, além dos mais severos ataques a direitos sociais, à educação, ao meio ambiente e ao desenvolvimento de ciência e tecnologia.
O PT deve se preparar para este PED com a certeza que cada vez mais o povo compreende os riscos do governo bolsonaro. Os dados da última pesquisa DataFolha apontam: se as eleições fossem hoje, Bolsonaro perderia para Fernando Haddad.
Em Campos, o partido compreende de maneira similar a disputa do município. Estas eleições são primordiais para a reorganização do partido, que há mais de uma década não tem figurado como protagonista na cidade, nem no estado, mas que pode se desenhar como via alternativa e popular para as polarizações historicamente colocadas no município.
Muito deste apagamento que o PT sofreu nos últimos anos se deve a conduções suspeitas e antidemocráticas do atual presidente estadual do partido, Washington Quaquá, ex-prefeito de Maricá. Quaquá ficou marcado pela defesa intransigente das políticas de conciliação, distantes da real síntese do partido e por sua associação direta ao PMDB, posturas que levaram o PT a uma posição de coadjuvante no estado e deixou dezenas de diretórios e candidaturas desassistidas no interior nos últimos anos.
Mas o cenário é de novos tempos para o PT no Rio de Janeiro. Quaquá tem a continuidade de seu grupo fortemente ameaçada pelo advogado e ex-deputado federal Wadih Damous, candidato de oposição que promete colocar o partido de volta às ruas, principalmente no interior. Wadih é ex-presidente da OAB-RJ e presidiu a Comissão Estadual da Verdade. É advogado do presidente Lula e conta com o apoio de amplos setores do partido, na capital e no interior.
E é neste cenário que o PT Campos pode depositar ainda mais confiança. O partido prepara para assumir a presidência do partido na cidade um de seus quadros mais experientes, Odisseia Carvalho, professora, sindicalista e ex-vereadora, que terá condições de assumir a tarefa de preparar as negociações e o caminho para 2020.
No entanto, se na presidência deverá assumir uma conhecida de longa data da política local, a chapa inscrita está repleta de novidades.
O PT passa por uma de suas maiores renovações na cidade de Campos, contando com a presença de dezenas de jovens organizados, em especial mulheres jovens, que prometem tomar pra si o compromisso de reconduzir o PT ao protagonismo no município. Esta renovação se deu principalmente a partir do ano de 2016, um dos mais difíceis para a história do partido, mas que marcou o ressurgimento de uma importante juventude organizada.
Para retornar com força total, o PT prepara para 2020 uma expressiva nominata para disputar o legislativo municipal, que deverá surpreender muita gente e contar com as mais diversas representações. Mulheres, jovens, negros, petroleiros, professores, estudantes, advogados, acadêmicos, ambientalistas e lideranças de bairro são alguns dos perfis que o PT apresentará para a população de Campos, carente de referências populares compromissadas com o trabalhador.
Internamente o PT já aposta na composição de um bloco de esquerda com outros partidos para disputar a prefeitura em 2020. As eleições deste dia 08 serão primordiais para definir os próximos passos na planície goitacá do maior partido de esquerda da América Latina.
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Raul e Rosana consolidam vantagem em eleição e evidenciam sentimento de defesa da UENF
04/09/2019 | 05h44
Dupla se destaca e larga na frente com forte votação entre os estudantes.
Nesta terça-feira ocorreram as eleições para escolha da nova reitoria da UENF. Na universidade do terceiro milênio de Darcy Ribeiro, quem despontou foi a chapa composta pelos professores Raul Palácio e Rosana Rodrigues.
Raul e Rosana caminham para o segundo turno com considerável vantagem, alcançando 42% dos votos válidos, enquanto as chapas concorrentes, num episódio histórico e improvável, empataram com 28,52% cada. As chapas que empataram são compostas pelos professores Medina e Rodrigo / Carlão e Juraci.
A comissão eleitoral, presidida pelo professor Sérgio Arruda, indica que a decisão da chapa que concorrerá ao segundo turno com Raul e Rosana deverá ocorrer somente nesta quarta-feira, de acordo com os critérios de desempate estabelecidos pelo edital da eleição. Há que se salientar e parabenizar o incansável e dedicado trabalho desta comissão, composta por professores, técnicos e estudantes, que se debruçaram por mais de 6 horas na apuração dos votos.
Vale destacar também o expressivo desempenho de Raul e Rosana entre os estudantes, que deram à chapa 651 votos, mais que o dobro da segunda colocada na preferência dos discentes, que obteve 315 votos. Os estudantes da UENF se encontram num momento chave para a escolha do novo reitor, que deverá se dedicar nos próximos anos a pautas prioritárias para o corpo discente, como a moradia estudantil, a creche universitária e a implementação do auxílio-moradia.
Num momento tão grave para a ciência no Brasil, com diversos cortes promovidos pelo governo Bolsonaro em programas e instituições essenciais para as universidades e para o avanço tecnológico, como o CNPq e a Capes, o desempenho expressivamente positivo da chapa aponta para o resgate do sentimento de defesa da UENF, que nos últimos anos também foi duramente atacada pelo governo estadual e contou com os professores Raul e Rosana ocupando as trincheiras não somente do enfrentamento, mas também as institucionais, que por vezes se mostraram mais difíceis e sacrificantes.
A eleição teve um total de 1868 votos válidos, sendo 250 votos de docentes, 405 votos de técnicos e 1213 de discentes. Foram contabilizados 10 votos brancos e 26 votos nulos.
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Mais uma novidade no transporte de Campos: motoristas acumulando função de cobrador
01/09/2019 | 23h20
Esta medida, se ampliada, ainda ameaça o emprego de centenas de trabalhadores campistas, uma vez que possibilita demissão em massa de cobradores.
Isaías Fernandes / Folha1
A vida do governo Rafael Diniz na implantação do novo sistema de transporte não anda fácil. Ao longo dos últimos dois meses a transição enfrenta graves problemas, com modificações quase que diárias no sistema, e o presidente do IMTT, Felipe Quintanilha, mais perdido que cego em tiroteio.
Neste domingo, por exemplo, foi apresentada uma "tarifa promocional” de R$1,50 para tentar suprimir a opinião popular que se mostra cada dia mais revoltada. E com razão. O trabalhador tem saído cada vez mais prejudicado deste esquema que tem por principal intuito salvar os empresários de suas respectivas falências. Um projeto inovador e corajoso de verdade, apontaria para a municipalização do transporte público como na cidade de Maricá, que oferece transporte gratuito em parte da cidade. O modelo campista, ao não prever a aquisição de nova frota e sufocar o transporte alternativo, apenas protege empresários e cria novos problemas.
Agora, a novidade é o relato de cada vez mais passageiros que tem presenciado motoristas acumulando a função de cobrador, principalmente nos distritos e aos fins de semana. É o caso, por exemplo, de Travessão, que é atendido pelas empresas Jacarandá e São João. No distrito, os veículos que possuem embarque pela porta da frente, com catraca próxima ao motorista, não contam com cobrador, cabendo ao motorista realizar todas as funções da viagem.
A dupla função motorista-cobrador, além de acarretar em maior demora na viagem, uma vez que o motorista precisa, além de dirigir, receber dinheiro, dar troco e operar elevador para deficientes físicos, oferece riscos pois atenta contra a atenção ao trânsito, possibilitando acidentes e até mesmo facilitando a ocorrência de assaltos.
A prática de dupla função já foi advertida e punida várias vezes pelas mais diversas esferas da Justiça do Trabalho, além do Ministério Público, em diversas cidades do país, considerando que a prestação de serviços em acúmulo de funções de motorista e cobrador precariza a relação de trabalho, uma vez que é evidente o perigo manifesto de mal considerável, não só nos riscos de assalto, como também na altíssima probabilidade de ocorrência de falhas na condução do veículo em virtude do estresse acumulado em conjunto com a função de cobrador.
Na cidade do Rio de Janeiro, a prática foi recentemente banida através de um projeto de lei do vereador Reimont (PT), que além de proibir a dupla função, garantiu o retorno do emprego de cobradores que haviam sido demitidos.
Se o Código de Trânsito não permite nem o uso do celular na direção, por que os passageiros deveriam aceitar normal a prática da dupla função motorista-cobrador? Em cidades onde a dupla função foi estabelecida, as viagens ficaram muito mais longas e ônibus mais lotados. A dupla função explora e agride o motorista, retira empregos, coloca em risco a vida de condutores, usuários e pedestres e perturba o trânsito.
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Arnaldo aproxima Caio da turma bolsonarista e se distancia de vez da realidade
14/08/2019 | 22h42
Movimentação deixa claro que o caminho para a esquerda campista em 2020 é a unidade, através da composição de um forte bloco partidário.
Foto: Genilson Pessanha - Folha 1
Foto: Genilson Pessanha - Folha 1
A última semana foi marcada por uma articulação pra lá de risível entre algumas peças da política campista. O ex-prefeito de Campos, Dr. Arnaldo Vianna, decidiu reaproximar seu filho Caio, que se define como um jovem progressista, de Gil Vianna, que na eleição passada foi vice na chapa de Caio e hoje é o nome da família Bolsonaro na cidade.
Em Campos, assim como em muitas cidades do país, o compromisso ideológico nunca foi uma coisa levada muito a sério nas eleições municipais. A movimentação de Arnaldo não causa espanto uma vez que o mesmo já apoiou figuras como Geraldo Pudim na cidade.
Mas a questão aqui é que já há algum tempo Caio namora a possibilidade de costurar uma articulação do PDT com os partidos de esquerda da cidade, em especial com o Partido dos Trabalhadores (PT), que ainda reserva um considerável tempo de campanha e militância organizada em Campos, principalmente nas universidades com a juventude e em importantes sindicatos.
Em junho deste ano, o senador Flávio Bolsonaro declarou o deputado estadual Gil Vianna como “comandante” do PSL em Campos e candidato da família para as eleições de 2020. Flávio é o filho de Jair que, segundo o MP, possuía uma organização criminosa que movimentava milhões em seu gabinete, através do desaparecido Fabrício Queiroz. 
Gil Vianna disse ser motivo de orgulho compor o PSL, partido responsável pela condução do maior desmonte social do país, que tem atacado o direito à aposentadoria, ameaçado a pesquisa científica e o acesso ao ensino superior, conduzido uma desastrosa política ambiental e protagonizado as mais vergonhosas declarações através de Jair Bolsonaro.
Arnaldo parece não identificar que a massa que elegeu Bolsonaro tem rapidamente se dissolvido. Quer atrelar seu filho a uma turma delirante, sustentada pelas fake news, que apesar de ainda ser muito barulhenta e conseguir aglutinar parte da classe média, têm demonstrado nas manifestações de apoio a Bolsonaro em Campos que não conseguem reunir mais que 120 pessoas após os últimos escândalos como a “Vaza-Jato”, enquanto as manifestações em defesa da educação e contra a reforma da previdência movimentaram milhares de pessoas, muitos que já abandonaram o barco do bolsonarismo.
Caio se mostrava como um potencial candidato à polarização Diniz x Garotinho, mas a que depender de suas articulações, está fadado a ser mais um candidato sem compromisso popular e que vive à sombra de seus antepassados políticos. Se esta movimentação de acordo com a turma bolsonarista se confirmar, perde qualquer possibilidade de diálogo com o campo progressista.
Cabe aos partidos de esquerda em Campos reconhecerem o momento que está colocado: somente a composição de um bloco em unidade pode apontar soluções para superar nossa ainda gritante desigualdade, em uma cidade marcada pelo peso do sobrenome e pela influência dos “donos do poder”. Inverter esta ordem e se firmar como uma terceira via real, com capacidade de ameaça, exige trabalho árduo e organização de longo prazo, no entanto, tendo em vista a tática adotada pelos nomes se colocam como alternativa à polarização, talvez o resultado não esteja tão distante.
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Gilberto Gomes

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