Inimigos? Grupos de Garotinho e Rafael Diniz se unem contra prorrogação do auxílio emergencial
18/07/2020 | 17h27
Wladimir Garotinho (PSD) e Marcão Gomes (PL) votaram contra estender o auxílio-emergencial do governo federal até dezembro deste ano
Reprodução da internet
Se em Campos os grupos políticos ligados a Rafael Diniz e à família Garotinho parecem não se entender, em Brasilia/DF estão bem unidos sob o mesmo ideal.
Na última quarta-feira ocorreu a votação para ampliação do auxílio-emergencial até dezembro deste ano, destinado aos milhões de trabalhadores desempregados e penalizados pela pandemia.
Com 309 votos contrários e 109 a favor da extensão do auxílio, chamou atenção a presença de alguns votos que, em Campos, se pintam como inimigos, mas em Brasília andam de mãos dadas contra o povo. O prefeitável Wladimir Garotinho (PSD) e Marcão Gomes, ex-vereador e, por mais incrível que pareça, ex-secretário de assistência social de Campos, votaram contrários à prorrogação do auxílio que tem socorrido milhões de desempregados, jovens, pais e mães de família. 
Os dois representantes de Campos na Câmara dos Deputados a favor de acentuar a barbárie social que toma conta do país, como pode ser conferido aqui
Outros aliados de Rafael Diniz, como Marcelo Calero (Cidadania — mesmo partido de Rafael), também votaram contrários a prorrogação do benefício.
Em bloco, todos parlamentares do PT, PSOL e PCdoB votaram favoráveis à prorrogação do auxílio, assim como parte do PDT e PSB, com votações divididas.
Aos olhos da população campista, mais um claro sinal que os inimigos não são tão inimigos assim.
Representam, sob óticas diferentes, o mesmo projeto econômico de poder. 
Nota: a repercussão desta matéria provocou acusações infundadas sobre as informações aqui apresentadas. A votação foi aberta e o voto de cada deputado aqui citado é público, não havendo qualquer falsa afirmação. O voto de cada deputado pode ser conferido neste link abaixo. 
Por Gilberto Gomes para o Folha1 Blogs.
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#BrequeDosApps: Entregadores de aplicativo em Campos confirmam adesão à paralisação nacional neste dia 01º
30/06/2020 | 21h13
O Blog do Gilberto conversou com um destes trabalhadores sobre a adesão à paralisação nacional em Campos, que busca melhores condições de trabalho
Folha1
No final de janeiro deste ano, publicado neste blog e repercutido pela redação do Folha1, (aqui) observamos a relação entre a crescente informalidade decorrente do desemprego em Campos e o consequente aumento do número de trabalhadores que buscavam oportunidade de renda junto aos aplicativos de entrega.
De lá pra cá, o fenômeno, além de crescer, tomou proporções ainda mais intensas com a chegada do Covid-19 ao Brasil, que trouxe à tona a importância destes profissionais que, mesmo em meio à pandemia, enfrentam diariamente os riscos para garantir que a população muitas das vezes não precise sair de casa para comprar comida e outros itens.
Em meio a crescente onda de manifestações antirrascistas e antifascistas nas últimas semanas, surgiu em São Paulo uma mobilização de motoboys e entregadores de apps por melhores condições de trabalho, agravadas pela pandemia. A mobilização se espalhou pelo Brasil e resultou na paralisação que deverá ocorrer amanhã (01), em todo o país. 
E, pelo visto, não será diferente em Campos. Conversamos com Gabriel Fernandes, jovem de 19 anos, estudante e entregador de aplicativos no município, que relatou as dificuldades do trabalho junto às plataformas, comentou sobre a paralisação de amanhã e confirmou a adesão dos entregadores campistas. 
Gabriel relata que decidiu começar a trabalhar com as entregas em Campos, de bicicleta, aos 18 anos, pois pretendia garantir uma maior independência financeira, pagar a faculdade e tirar sua 1ª habilitação. No começo, segundo ele, a remuneração parecia ser justa e agradava.
No entanto, com o passar do tempo, surgiram as primeiras dificuldades: "o maior problema é o suporte do aplicativo. Há um dispositivo nos apps chamado score, em que toda vez que o cliente não é localizado, por exemplo, e isso é relatado, a pontuação do entregador fica menor e a consequência disso são bloqueios temporários e menos entregas disponibilizadas. Ainda é possível observar uma preferência dos aplicativos pelo "novatos", em detrimento de quem está há mais tempo". 
Gabriel continua: "sempre tive boas pontuações no aplicativo, possuía um score alto, fazia minhas entregas corretamente. Mas sempre que algum cliente colocava endereço errado ou não aparecia para buscar a entrega, minha pontuação diminuía e as próximas entregas disponibilizadas sempre eram em locais distantes, em média num raio de 6km - distância máxima permitida para entregadores de bicicleta - que não são remunerados por km percorrido." 
Soma-se isto, segundo Gabriel, o constante risco de acidentes, assaltos e furtos que não recebem nenhum suporte dos aplicativos: "o Ifood não se importa com os entregadores e sob qualquer alegação de clientes, que muitas vezes mentem sobre não ter recebido corretamente as entregas para receber descontos ou reembolsos, somos bloqueados e precisamos nos virar para buscar outra fonte de renda."
Sobre a paralisação nacional de amanhã, Gabriel relata que, no início, em Campos, temia pela falta de unidade dos entregadores, pois não acreditava que "apenas um ou dois parando surtiria algum efeito", porém, observa que nas últimas horas tem havido uma intensa repercussão e organização nos grupos de whatsapp dos entregadores da cidade, que já anunciam que irão aderir à mobilização que vem sendo chamada de #BrequeDosApps nas redes sociais: "vamos parar mesmo, só faltava essa organização inicial".
Nas mesmas redes sociais, clientes tem sido convidados a compreender as situações de abuso e exploração que muitos destes trabalhadores sofrem e, no dia de amanhã, boicotarem os aplicativos em solidariedade aos entregadores.
A orientação é que se você precisar de alguma entrega, entre em contato diretamente com o entregador ou motoboy e faça seus pedidos, sem intermédio dos apps.
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Unidade: em São Fidélis-RJ, PSOL e PT apresentam proposta de coligação para as eleições 2020
23/06/2020 | 20h34
Chapa consolidará alternativa à esquerda para a população do município
Nesta terça-feira (23), São Fidélis recebeu, através de uma carta aberta, a informação da coligação dos dois principais partidos de esquerda do município: o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) e o Partido dos Trabalhadores (PT).
Numa eleição que será marcada pelos debates acerca da importância da saúde pública, a chapa contará com dois profissionais da saúde concorrendo ao pleito: os médicos Dr. Sebastião Neto (PSOL) para prefeito e Dra. Dídia Gouveia (PT) para vice-prefeita.
Para Cláudio Cunha, advogado e militante do PT em São Fidélis, os próximos dias serão essenciais para o fortalecimento das propostas ao município, através da formação do grupo que conduzirá os debates sobre o plano de governo.
A unidade consolidada entre os partidos representa o surgimento de uma forte alternativa para a população fidelense.
Segundo Dr. Sebastião, pré-candidato a prefeito da chapa, a unidade “resgata a mais profunda e necessária defesa dos interesses da maior parte do povo da cidade de São Fidélis, que são os trabalhadores e trabalhadoras, pequenos e médios produtores da cidade, do interior e de toda luta contra o racismo, a homofobia, o machismo a intolerância religiosa, qualquer tipo de discriminação e também a luta intransigente contra a corrupção e a apropriação dos bens públicos.”
Confira abaixo, na íntegra, a carta aberta divulgada pelos dois partidos:
"CARTA AO POVO DE SÃO FIDÉLIS
Somos um grupo de cidadãos fidelenses que sonham e desejam uma cidade melhor, um Município progressista, desenvolvido e com crescimento econômico.
Sonhamos com um Município com uma agropecuária forte, com empresas que gerem renda e empregos para os nossos jovens.
Sonhamos com uma cidade em que a saúde e a educação sejam de qualidade, acessível a todos os seus moradores.
Sonhamos com uma cidade com o meio ambiente sustentável, com justiça social, com a participação democrática dos cidadãos nos seus destinos.
E não sonhamos em vão, mas acreditamos firmemente que podemos contribuir para que São Fidélis seja essa cidade, com seu povo feliz.
Acreditamos numa forma de administração ouvindo a população e atendendo seus anseios, somos cidadãos que não se omitem quanto o destino de nossa cidade e queremos o melhor para ela.
Por isso o PSOL, Partido Socialismo e Liberdade e o PT, Partido dos Trabalhadores uniram esforços para apresentar uma chapa de coligação a ser apreciada em suas convenções, com dois nomes que representam o que há de melhor para os que têm compromisso com o destino de nosso Município, Dr Sebastião Neto para Prefeito e Dra Didia Gouveia para Vice-prefeita. Dois nomes dignos, comprometidos ética e socialmente com nossa cidade.
Paulo Souza
Presidente do PSOL
Sidney Siqueira
Presidente do PT
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Odisseia Carvalho é candidata a prefeita pelo PT Campos dos Goytacazes
05/06/2020 | 19h47
O direitório municipal do Partido dos Trabalhadores de Campos dos Goytacazes já tem definido o nome que disputará as eleições municipais de 2020 em Campos.
Trata-se de Odisseia Carvalho, atual presidenta do diretório municipal, professora e coordenadora do SEPE. Odisseia já foi vereadora em Campos em um dos mandatos mais atuantes e combativos na história da Câmara de Vereadores local.
Após a saída do nome de José Maria Rangel, petroleiro e presidente da FUP, dois nomes se consolidaram na reta final da escolha da pré-candidatura petista: a própria Odisseia e o sindicalista Helinho Anomal que, numa postura louvável, reconheceu a importância da unidade partidária e abriu mão da disputa de prévias que ocorreria no próximo dia 14 de junho.
Helinho ressaltou a importância do nome de Odisseia enquanto mulher, configurando o Partido dos Trabalhadores como a única candidatura feminina à prefeitura de Campos, até o momento.
Após muitos boatos sobre possibilidades de interferência quanto à candidatura própria do PT em Campos, ainda no início deste ano, o partido mostra que teve força em garantir a posição junto ao diretório estadual do partido, como noticiado aqui
ORGANIZAÇÃO
O Partido dos Trabalhadores reafirma que apresentará a população campista uma plataforma nos moldes do programa democrático-popular, que vem sendo construída de forma coletiva para o município, através das bases e com contribuições de importantes intelectuais do município.
A exemplo disto, o diretório municipal organizou na noite desta sexta-feira, um seminário de formação que contou com a participação de diversos militantes, filiados e acadêmicos que estarão dedicados à construção das candidaturas de vereadores, vereadoras e prefeita em Campos, além da apresentação de um programa de governo que promete ser o mais viável e avançado em nível garantias sociais, principalmente aquelas perdidas durante o governo Rafael Diniz, em relação a transporte, alimentação, emprego e renda.
Neste mesmo seminário foi reafirmada a confirmação da candidatura de Odisseia Carvalho, que também havia sido sinalizada mais cedo pela própria pré-candidata em reunião com o diretório nacional do PT.
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Trabalhadores RPA da infância e juventude de Campos paralisam atividades
20/05/2020 | 23h16
Acumulando 5 meses sem pagamento, profissionais dos centros de acolhimento de Campos paralisam por 24 horas na próxima sexta-feira
Em meio ao agravamento da pandemia de Covid-19 na cidade de Campos, a crise do governo Rafael Diniz parece não encontrar fim, mesmo após as graves demissões de professores, estagiários e da suspensão dos salários de diversos colaboradores.
Nesta quarta-feira (20), funcionários RPA ligados à Fundação Municipal de Infância e Juventude (FMIJ) anunciaram paralisação de 24 horas na próxima sexta-feira para reivindicar a regularização dos 5 meses de salários em atraso.
São motoristas, cozinheiras, porteiros e educadoras que, sem salários e sem condições de acessar o auxílio-emergencial da Caixa Econômica, se encontram em uma grave situação de vulnerabilidade ao não conseguirem levar comida para casa e estarem diariamente expostos aos riscos da pandemia em seus locais de trabalho.
A promotora de tutela coletiva da Infância e da Juventude de Campos, Anik Assed, se reuniu com diversos coordenadores para tratar sobre os pagamentos atrasados e determinou que em 7 dias a prefeitura regularize a situação, embora o governo já tenha sinalizado que pagará apenas um dos cinco salários em atraso.
Os funcionários, que estão sem receber qualquer pagamento desde o dia 24 de março deste ano — os pagamentos atrasados ainda incluem vencimentos de 2019 — garantem que caso não haja regularização dos salários, podem estender a paralisação por mais dias.
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Um dia após suspender salários de RPAs, Rafael Diniz segue nomeando mais cargos DAS
07/05/2020 | 17h56
Apoiadores e integrantes do governo entram em rota de colisão
Ao que parece, o argumento da queda na arrecadação não se aplica às indicações políticas de Rafael.
As medidas irresponsáveis aplicadas pelo poder municipal no início desta semana agravam ainda mais a situação da população campista frente à crise do Covid-19. Centenas de demissões entre os profissionais da limpeza pública, suspensão do contrato de professores e estagiários, além da suspensão do pagamento de RPAs.
A repercussão negativa não foi somente entre a oposição, que de imediato se manifestaram, a exemplo da contundente nota do diretório municipal do Partido dos Trabalhadores, divulgada aqui.
Informações apontam que diversos apoiadores e integrantes do governo entraram em rota de colisão com Rafael após a suspensão do pagamento de RPAs. Alguns, mais oportunistas, por acreditarem nestes profissionais como essenciais para um tentativa de reeleição de Rafael, outros, mais sensíveis, por compreenderem os impactos cruéis a vários trabalhadores que já amargavam diversos salários atrasados e, agora, se veem abandonados pela prefeitura em meio a crise do Covid-19.
Em grupos de whatsapp de apoio ao governo Rafael a noite foi agitada. Integrantes do PSB, por exemplo, partido que sustenta apoio a Rafael em Campos, reprovaram publicamente as medidas do governo. 
Na Câmara de Vereadores, o mesmo silêncio ensurdecedor de sempre, com poucos representantes se manifestando no legislativo mais apático e omisso da história de Campos.
DAS continuam sendo nomeados
O Diário Oficial desta quinta-feira, 07 de maio, dois dias após o início das suspensões de contratos e salários chamou atenção pela continuidade na intensa movimentação dos nomeados para ocupar cargos políticos no governo.
A maioria das nomeações envolve as Unidades Pré Hospitalares (UPH) da prefeitura, que enfrentam cenário de completo abandono e ingerência, conforme exemplo desta matéria (clique) divulgada aqui mesmo no Blog do Gilberto
Mas chama atenção um nome entre os nomeados: Mackoul Moussallem. Embora Mackoul já tivesse se colocado em oportunidades passadas como crítico de práticas políticas nocivas ao município de Campos, desde sua saída do PT o médico não parece se importar de caminhar com o que há de mais nefasto na cidade.
Embora já tivesse sido nomeado por Rafael Diniz em julho/2019, Mackoul volta a ser nomeado pelo governo neste dia 07/05, como Assessor Especial no gabinete do prefeito, com vencimentos de R$ 7.623,65.
A economia pretendida por Rafael não se aplica aos seus secretários e assessores.
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PT divulga nota e define medidas de Rafael: "ataque aos trabalhadores campistas"
06/05/2020 | 21h49
Em nota, partido reitera oposição às medidas, denota a insensibilidade do governo Rafael Diniz e se apresenta como alternativa.
As últimas medidas apresentadas pelo governo Rafael Diniz geraram imediata reação entre a população e nos bastidores políticos de Campos.
A redução aplicada aos serviços de limpeza urbana resultaram na demissão de centenas de trabalhadores Vital Engenharia, empresa responsável pela coleta de lixo no município. O pacote de medidas ainda inclui a suspensão do pagamento de RPAs e suspensão dos contratos de professores substitutos e estagiários.
Em resposta, o diretório municipal do Partido dos Trabalhadores, que apresentará no próximo mês seu nome que irá disputar as eleições à prefeitura de Campos, divulgou nota enfática, definindo Rafael Diniz como inimigo dos trabalhadores campistas.
Confira abaixo a nota na íntegra:
 
 
Reprodução da internet
NOTA DO PT CAMPOS DOS GOYTACAZES
O governo de Rafael Diniz mostra que não está disposto a fazer o trabalho para o qual foi eleito.

Ao demitir trabalhadores da limpeza pública em meio a uma pandemia, a Prefeitura expõe sua falência enquanto administração pública, deixando desamparada uma população que em breve será a clientela de um sistema de saúde igualmente falido.
Ao cancelar o contrato de professores temporários, agudiza a crise da educação que tem se intensificado durante a gestão Diniz.
Ao permitir a aglomeração de pessoas nas ruas de Campos, mostra como a insensibilidade ao longo destes 4 anos produziu também ineficácia e incompetência no necessário momento da ação. A contratação de um serviço para alunos de escola pública que ganhou o apelido de “kit fome” ou “kit humilhação” é só um dos capítulos diários de mau uso dos recursos públicos.

Temos urgência na resolução das problemas que envolvem a saúde pública e a assistência social na cidade. E parte dos recursos destinados a comunicação deveriam ser gastos com o pagamento de funcionários que seguem cumprindo seu compromisso sem saber como saldar as próprias dívidas. Literalmente em Campos, se paga para trabalhar!

Este governo alia-se ao pior. Não investe na população e mascara a realidade social. Entrega políticas públicas pífias como as de transporte e zomba daqueles que precisam usar conduções públicas para chegar ao trabalho ou retornar para casa.

É necessário que os trabalhadores tomem espaço na construção de outra forma de governar. Na câmara, na prefeitura e nos conselhos.

Por isso, a alternativa do Partido dos Trabalhadores para Campos é a da mudança: valorização dos profissionais no campo e na cidade, salário justo, economia participativa, emprego para todos!

Chega de descaso e de desemprego! Chega de humilhações aos servidores e a população!

Quem mudou e deu dignidade ao povo brasileiro pode dar dignidade ao povo campista!
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Negligência em Travessão: jovem relata abusos e falta de assistência em hospital
03/05/2020 | 20h20
Publicação nas redes sociais revoltou a população e revela as consequências da precariedade da saúde em Campos
SupCom / PMCG
Nos últimos dias uma publicação no facebook chamou atenção da população de Travessão.
A última sexta-feira era véspera do aniversário de 19 anos de Fabiely Moraes, estudante do curso de direito na FDC e moradora do distrito de Travessão, mas pode-se dizer que foi um verdadeiro pesadelo.
A jovem que faz acompanhamento médico para tratamento de depressão e ansiedade, males que afetam uma parcela cada vez mais significativa da juventude, procurou assistência na unidade pré-hospitalar de Travessão após acordar com um quadro de dispneia (falta de ar) e taquicardia.
Fabiely queria entender porque seus medicamentos não estariam surtindo efeito naquele dia. Algo que numa consulta simples poderia ser esclarecido por qualquer médico de plantão.
Mas não foi o que aconteceu. A jovem enfrentou uma verdadeira via crucis em busca de atendimento na unidade que revelou o descaso, a negligência, falta de estrutura e profissionalismo, consequência direta do maior abandono histórico da saúde no município de Campos.
Como também morador do 7º distrito e autor deste blog, logo fui procurado por alguns amigos que me trouxeram o relato angustiante de Fabiely, para auxiliar na repercussão do caso e na busca por providências e reparações.
Ao adentrar a unidade, a jovem não conseguiu passar sequer pela fase de triagem. Mesmo com aparente desconforto ocasionado pela falta de ar e pela taquicardia, necessitou aguardar longos minutos enquanto a responsável por avaliar a gravidade dos casos estava ao telefone.
Após passar pela triagem, já apresentando piora no quadro, foi encaminhada para registrar sua ficha de entrada na unidade e, mais uma vez, necessitou aguardar longos minutos enquanto alguém procurava a profissional responsável por esta etapa que, ao chegar, agiu de forma abusiva com a jovem, a esta hora já apresentando um quadro ainda mais grave. 
Já se seguia quase 1 hora desde sua entrada.
Ao buscar contato com a chefia do hospital, Fabiely registrou o ápice da crise que estava enfrentando. Foi insultada por um médico que, indo contra qualquer princípio básico de ética médica, se negou a atendê-la pois, ao buscar explicar para a chefe do hospital tudo que estava enfrentando, estaria "mais preocupada em bater boca", nas palavras do médico.
A todo momento os profissionais trataram o caso da jovem com descaso, como alguém que estivesse querendo chamar ou atenção ou fazer escândalo, sem levar em consideração a gravidade dos quadros relacionados à saúde mental.
Somente com o intenso agravamento do quadro e ao entenderem a seriedade da situação, encaminharam a jovem, em estado de choque, para um consultório, que neste momento já não conseguiria sequer sair de lá sozinha e precisou entrar em contato com sua família e namorado.
Como se não bastasse toda humilhação enfrentada, o hospital ainda tentou impedir o acesso de uma das familiares de Fabiely, também profissional da área da saúde e que havia identificado e apontado toda negligência da unidade.
O caso desta jovem é apenas mais um diante dezenas de outros relatos que recebemos com frequência sobre o hospital de Travessão e tantos outros que são silenciados. Resultado do abandono da saúde em Campos, que já vem de longa data mas intensificado durante o governo Rafael Diniz, da falta de estrutura, salários e a infeliz consequência da ausência de profissionalismo. Fabiely teve a coragem de se expor para garantir a repercussão do caso e, de alguma forma, colaborar para que casos assim não se tornem tão frequentes.
A ausência de médicos, estrutura e medicamentos, os salários constantemente atrasados e a negligência com diversos pacientes são resultado de uma crise sem precedentes, que penaliza cada vez mais o povo.
A partir desta semana este blog assume a tarefa de concentrar informações a respeito de situações similares que estejam ocorrendo na saúde de Campos, em especial de Travessão. Casos que muitas vezes são silenciados e permitem a continuidade de um ciclo que afeta diretamente a vida de pessoas que necessitam da saúde publica. As denúncias podem ser enviadas para o email: [email protected]
A publicação original de Fabiely pode ser conferida no link a seguir:
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Entidades estudantis, universidades e parlamentares reagem ao projeto de privatizações de Witzel
26/04/2020 | 15h36
O governo tentou, em meio à pandemia do coronavírus, enviar o projeto longe dos holofotes, mas não obteve sucesso
Amanda Durães (UENF), Dani Monteiro (PSOL) e Waldeck Carneiro (PT)
Amanda Durães (UENF), Dani Monteiro (PSOL) e Waldeck Carneiro (PT)
SEMELHANÇAS
Apesar de na macro política Wilson Witzel (PSC) e Jair Bolsonaro (sem partido) estarem apresentando rupturas, desde a condução das políticas de enfrentamento ao coronavírus, até convites pessoais para que o mais novo desafeto de Bolsonaro, Sérgio Moro, integre o governo do RJ, nas estratégias ambos seguem equivalentes.
A arte do “desmentir e voltar atrás” parece ser compartilhada por presidente e governador. Este último, por exemplo, fez campanha em 2018 prometendo a privatização das universidades estaduais, ao lado de outros ávidos defensores de propostas que ferem a autonomia universitária no estado, como o deputado Rodrigo Amorim. Após sua posse, alegou que não havia intenção de privatizar UENF, UERJ e UEZO.
ESTADO À VENDA
Nas últimas semanas, Witzel volta a colocar o caráter público e gratuito das universidades do RJ em xeque com um projeto enviado à ALERJ que pretende privatizar, sem restrições, universidades, fundações e empresas públicas ou se economia mista do estado.
Novamente, poucos dias após, Witzel “esclarece” que jamais teve a intenção de privatizar as universidades estaduais, mesmo que o discurso seja recorrente e estas imprescindíveis ferramentas para o desenvolvimento educacional, científico e tecnológico do Rio de Janeiro estejam inclusas no projeto apresentado à ALERJ, junto à importantes empresas públicas do estado, como a CEDAE.
REAÇÃO
Witzel esperava uma menor reação ao projeto visto que a maioria dos holofotes estão voltados para o combate à pandemia do coronavírus e uma vez que, diante a inépcia do presidente, tenha assumido um certo protagonismo junto a outros governadores neste momento.
Witzel se enganou.
O PL 2419/2020 que abre uma brecha para que as universidades públicas estaduais, fundações, sociedades de economia mista e todas as empresas públicas do Estado do Rio de Janeiro sejam privatizadas, levou a uma imediata reação das universidades, dirigentes estudantis e parlamentares.
UENF, UERJ e UEZO divulgaram nota conjunta em que destacam que as privatizações propostas significam a “extinção dos interesses da sociedade e do próprio futuro do estado, pois um estado sem ciência e tecnologia é um estado sem futuro.”
A Diretora Geral do DCE-UENF e estudante de Administração Pública, Amanda Durães, que também integra a executiva nacional da Federação Nacional dos Estudantes do Campo de Públicas (FENECAP) e é vice-presidente Norte Fluminense da União Estadual dos Estudantes (UEE-RJ), foi enfática ao afirmar que o projeto apresentado por Witzel deixa claro seu teor político e ideológico:
“Sabemos que apesar de Witzel negar, reabrir o PED (Programa Estadual de Desestatização) em meio de uma crise sanitária, mostra o quão político e ideológico ele é. Desde sua campanha em 2018 ele deixava claro seus planos de privatização e apesar de dizer que não irá privatizar as universidades estaduais através de um tweet, ele não cita, por exemplo, a FAPERJ, que é a fundação de apoio à pesquisa e também não cita a Fundação CECIERJ, que coordena a graduação pública à distância no RJ. O projeto deixa claro que irá atingir as universidades estaduais e nós não vamos permitir que a educação pública estadual seja ainda mais sucateada. Os estudantes irão lutar para que nenhum dos nossos direitos seja retirado”, pontuou Amanda.
Parlamentares também reagiram ao projeto enviado por Witzel à Alerj. Para a deputada estadual Dani Monteiro (PSOL), "as dificuldades impostas pelo novo coronavírus ao povo fluminense tem nos lembrado da importância do investimento do Estado em desenvolvimento tecnológico e científico por meio das universidades estaduais de excelência. UEZO, UERJ e UENF tem sido referência, além da pesquisa, na prestação de serviços em combate ao vírus. Falar em redução do Estado e privatização agora nos soa bastante ofensivo e vai na contramão do que é necessário para superar a crise."
Waldeck Carneiro (PT), presidente da Comissão de Ciência e Tecnologia na ALERJ, vai na mesma linha e lembra o papel do Estado frente à pandemia: "No mundo inteiro, se nós não estamos perdendo mais vidas, é porque o poder público, o Estado e as diferentes esferas, servidores públicos e órgãos estão atuando na linha de frente no enfrentamento à pandemia", disse o deputado.
As reações indicam que, mesmo diante a pandemia enfrentada, e ainda que Witzel siga tentando desmentir aquilo que sempre disse, o projeto não terá vida fácil na ALERJ e irá encarar forte resistência nas universidades.
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Longas filas por comida em Campos comprovam: reabertura do restaurante popular é urgente
23/04/2020 | 23h02
Com estimativas de 40% dos funcionários do comércio demitidos e caminhando para o momento mais grave da pandemia, Rafael necessita entender que, assim como o Covid, a fome também precisa ser combatida e compreendida como urgência de saúde pública 
Circulação internet
Nas últimas semanas as longas filas que se formam nas proximidades do Jardim São Benedito, pelo menos 3 vezes ao dia, tem chamado atenção. São cerca de 150 pessoas, a grande maioria ainda não coberta pelo auxílio-emergencial da Caixa, atingidas pelos efeitos da pandemia, buscando diariamente o direito de se alimentarem junto à iniciativa das freiras do Mosteiro da Santa Face.
As freiras redentoristas realizam este trabalho já há cerca de 40 anos em Campos, no entanto, o número cada vez maior de pessoas tem demandado cada vez mais insumos e mobilizado diversas pessoas em campanhas de arrecadação de alimentos para a continuidade da distribuição das refeições.
No entanto, nem só da providência divina a população mais carente de Campos pode sobreviver.
ECONOMIA ÀS AVESSAS
A interrupção do restaurante popular em Campos foi um dos mais severos ataques à população mais carente, trabalhadores informais, desempregados e população em situação de rua. Juntamente ao fim da passagem popular, foi o cartão de boas vindas do prefeito Rafael Diniz, que seguindo uma cartilha de austeridade para alcançar uma suposta economia nas contas públicas, provocou o crescimento da pobreza e do desemprego na cidade.
A situação marcante da fome em Campos já vinha sendo denunciada por diversos grupos organizados pela reabertura do restaurante popular ao longo dos últimos anos. Nos conselhos, os embates eram constantes uma vez que a prefeitura tentava emplacar uma retomada que segregava e limitava o número de usuários potenciais da política.
A FOME VAI AUMENTAR
Algumas estimativas já apontam que cerca de 40% dos funcionários do comércio de Campos foram demitidos, o que deverá intensificar ainda mais a procura por comida na cidade.
As mobilizações pela reabertura do restaurante popular já vinham deixando claro a urgência da retomada de uma política que pudesse aplacar a fome de uma população marcada por uma prefeitura gerida por técnicos incapazes de possuir qualquer sensibilidade social, responsáveis por contribuir na intensificação da gritante desigualdade em nosso município.
Agora, com o avanço do Covid-19, a diminuição das doações para a população em situação de rua e o aumento do desemprego, não há alternativa mais viável que a reabertura do restaurante.
A CDL em Campos deverá pressionar nos próximos dias o prefeito Rafael Diniz pela reabertura gradual do comércio. Tendo isso em vista, conforme a quarentena estiver sendo afrouxada ao longo das próximas semanas, a procura por emprego deverá ser intensa, denotando mais uma vez o caráter assistencial do restaurante popular não só à população de rua e às famílias abaixo da linha da pobreza, conforme desejava Rafael e sua equipe, mas a todos trabalhadores que necessitarão se alimentar na busca por ocupar novamente algum posto de trabalho.
Diretamente proporcional deverá ser o crescimento do número de infectados, atingindo diversas famílias, em especial das classes mais baixas, o que ressalta a necessidade desta parcela da população estar bem nutrida para enfrentar o pior momento da pandemia.
OPERAÇÃO
A retomada do funcionamento do Restaurante Popular deveria dialogar com diversas outras políticas implementadas ao longo desta quarentena, sendo entendida como ferramenta essencial para a preservação da vida das pessoas.
Para evitar que se repita o cenário de aglomeração identificado nos arreadores do Jardim São Benedito, a reabertura do restaurante ainda permitiria uma maior organização da logística de distribuição das refeições, seja a partir da entrega de quentinhas ou controlando o acesso das pessoas ao espaço.
O Decreto de Calamidade Pública permite a Rafael implementar a retomada do restaurante em caráter de urgência, uma vez que flexibiliza o cumprimento das obrigações financeiras, licitatórias, orçamentárias e fiscais, diante da necessidade de adoção de medidas de enfrentamento da emergência em saúde pública.
Em resumo, enquanto toda a população carente não estiver coberta por qualquer política de proteção social como, por exemplo, o auxilio-emergencial, é impossível descartar a necessidade da reabertura do restaurante popular numa cidade tão desigual e com boa parte de seus moradores atuantes na informalidade, que mesmo com a pressão de alguns setores para o afrouxamento do isolamento social, ainda irá sofrer muito, seja pelo vírus ou pela fome.
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Sobre o autor

Gilberto Gomes

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