Trabalhadores RPA da infância e juventude de Campos paralisam atividades
20/05/2020 | 23h16
Acumulando 5 meses sem pagamento, profissionais dos centros de acolhimento de Campos paralisam por 24 horas na próxima sexta-feira
Em meio ao agravamento da pandemia de Covid-19 na cidade de Campos, a crise do governo Rafael Diniz parece não encontrar fim, mesmo após as graves demissões de professores, estagiários e da suspensão dos salários de diversos colaboradores.
Nesta quarta-feira (20), funcionários RPA ligados à Fundação Municipal de Infância e Juventude (FMIJ) anunciaram paralisação de 24 horas na próxima sexta-feira para reivindicar a regularização dos 5 meses de salários em atraso.
São motoristas, cozinheiras, porteiros e educadoras que, sem salários e sem condições de acessar o auxílio-emergencial da Caixa Econômica, se encontram em uma grave situação de vulnerabilidade ao não conseguirem levar comida para casa e estarem diariamente expostos aos riscos da pandemia em seus locais de trabalho.
A promotora de tutela coletiva da Infância e da Juventude de Campos, Anik Assed, se reuniu com diversos coordenadores para tratar sobre os pagamentos atrasados e determinou que em 7 dias a prefeitura regularize a situação, embora o governo já tenha sinalizado que pagará apenas um dos cinco salários em atraso.
Os funcionários, que estão sem receber qualquer pagamento desde o dia 24 de março deste ano — os pagamentos atrasados ainda incluem vencimentos de 2019 — garantem que caso não haja regularização dos salários, podem estender a paralisação por mais dias.
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Um dia após suspender salários de RPAs, Rafael Diniz segue nomeando mais cargos DAS
07/05/2020 | 17h56
Apoiadores e integrantes do governo entram em rota de colisão
Ao que parece, o argumento da queda na arrecadação não se aplica às indicações políticas de Rafael.
As medidas irresponsáveis aplicadas pelo poder municipal no início desta semana agravam ainda mais a situação da população campista frente à crise do Covid-19. Centenas de demissões entre os profissionais da limpeza pública, suspensão do contrato de professores e estagiários, além da suspensão do pagamento de RPAs.
A repercussão negativa não foi somente entre a oposição, que de imediato se manifestaram, a exemplo da contundente nota do diretório municipal do Partido dos Trabalhadores, divulgada aqui.
Informações apontam que diversos apoiadores e integrantes do governo entraram em rota de colisão com Rafael após a suspensão do pagamento de RPAs. Alguns, mais oportunistas, por acreditarem nestes profissionais como essenciais para um tentativa de reeleição de Rafael, outros, mais sensíveis, por compreenderem os impactos cruéis a vários trabalhadores que já amargavam diversos salários atrasados e, agora, se veem abandonados pela prefeitura em meio a crise do Covid-19.
Em grupos de whatsapp de apoio ao governo Rafael a noite foi agitada. Integrantes do PSB, por exemplo, partido que sustenta apoio a Rafael em Campos, reprovaram publicamente as medidas do governo. 
Na Câmara de Vereadores, o mesmo silêncio ensurdecedor de sempre, com poucos representantes se manifestando no legislativo mais apático e omisso da história de Campos.
DAS continuam sendo nomeados
O Diário Oficial desta quinta-feira, 07 de maio, dois dias após o início das suspensões de contratos e salários chamou atenção pela continuidade na intensa movimentação dos nomeados para ocupar cargos políticos no governo.
A maioria das nomeações envolve as Unidades Pré Hospitalares (UPH) da prefeitura, que enfrentam cenário de completo abandono e ingerência, conforme exemplo desta matéria (clique) divulgada aqui mesmo no Blog do Gilberto
Mas chama atenção um nome entre os nomeados: Mackoul Moussallem. Embora Mackoul já tivesse se colocado em oportunidades passadas como crítico de práticas políticas nocivas ao município de Campos, desde sua saída do PT o médico não parece se importar de caminhar com o que há de mais nefasto na cidade.
Embora já tivesse sido nomeado por Rafael Diniz em julho/2019, Mackoul volta a ser nomeado pelo governo neste dia 07/05, como Assessor Especial no gabinete do prefeito, com vencimentos de R$ 7.623,65.
A economia pretendida por Rafael não se aplica aos seus secretários e assessores.
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PT divulga nota e define medidas de Rafael: "ataque aos trabalhadores campistas"
06/05/2020 | 21h49
Em nota, partido reitera oposição às medidas, denota a insensibilidade do governo Rafael Diniz e se apresenta como alternativa.
As últimas medidas apresentadas pelo governo Rafael Diniz geraram imediata reação entre a população e nos bastidores políticos de Campos.
A redução aplicada aos serviços de limpeza urbana resultaram na demissão de centenas de trabalhadores Vital Engenharia, empresa responsável pela coleta de lixo no município. O pacote de medidas ainda inclui a suspensão do pagamento de RPAs e suspensão dos contratos de professores substitutos e estagiários.
Em resposta, o diretório municipal do Partido dos Trabalhadores, que apresentará no próximo mês seu nome que irá disputar as eleições à prefeitura de Campos, divulgou nota enfática, definindo Rafael Diniz como inimigo dos trabalhadores campistas.
Confira abaixo a nota na íntegra:
 
 
Reprodução da internet
NOTA DO PT CAMPOS DOS GOYTACAZES
O governo de Rafael Diniz mostra que não está disposto a fazer o trabalho para o qual foi eleito.

Ao demitir trabalhadores da limpeza pública em meio a uma pandemia, a Prefeitura expõe sua falência enquanto administração pública, deixando desamparada uma população que em breve será a clientela de um sistema de saúde igualmente falido.
Ao cancelar o contrato de professores temporários, agudiza a crise da educação que tem se intensificado durante a gestão Diniz.
Ao permitir a aglomeração de pessoas nas ruas de Campos, mostra como a insensibilidade ao longo destes 4 anos produziu também ineficácia e incompetência no necessário momento da ação. A contratação de um serviço para alunos de escola pública que ganhou o apelido de “kit fome” ou “kit humilhação” é só um dos capítulos diários de mau uso dos recursos públicos.

Temos urgência na resolução das problemas que envolvem a saúde pública e a assistência social na cidade. E parte dos recursos destinados a comunicação deveriam ser gastos com o pagamento de funcionários que seguem cumprindo seu compromisso sem saber como saldar as próprias dívidas. Literalmente em Campos, se paga para trabalhar!

Este governo alia-se ao pior. Não investe na população e mascara a realidade social. Entrega políticas públicas pífias como as de transporte e zomba daqueles que precisam usar conduções públicas para chegar ao trabalho ou retornar para casa.

É necessário que os trabalhadores tomem espaço na construção de outra forma de governar. Na câmara, na prefeitura e nos conselhos.

Por isso, a alternativa do Partido dos Trabalhadores para Campos é a da mudança: valorização dos profissionais no campo e na cidade, salário justo, economia participativa, emprego para todos!

Chega de descaso e de desemprego! Chega de humilhações aos servidores e a população!

Quem mudou e deu dignidade ao povo brasileiro pode dar dignidade ao povo campista!
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Negligência em Travessão: jovem relata abusos e falta de assistência em hospital
03/05/2020 | 20h20
Publicação nas redes sociais revoltou a população e revela as consequências da precariedade da saúde em Campos
SupCom / PMCG
Nos últimos dias uma publicação no facebook chamou atenção da população de Travessão.
A última sexta-feira era véspera do aniversário de 19 anos de Fabiely Moraes, estudante do curso de direito na FDC e moradora do distrito de Travessão, mas pode-se dizer que foi um verdadeiro pesadelo.
A jovem que faz acompanhamento médico para tratamento de depressão e ansiedade, males que afetam uma parcela cada vez mais significativa da juventude, procurou assistência na unidade pré-hospitalar de Travessão após acordar com um quadro de dispneia (falta de ar) e taquicardia.
Fabiely queria entender porque seus medicamentos não estariam surtindo efeito naquele dia. Algo que numa consulta simples poderia ser esclarecido por qualquer médico de plantão.
Mas não foi o que aconteceu. A jovem enfrentou uma verdadeira via crucis em busca de atendimento na unidade que revelou o descaso, a negligência, falta de estrutura e profissionalismo, consequência direta do maior abandono histórico da saúde no município de Campos.
Como também morador do 7º distrito e autor deste blog, logo fui procurado por alguns amigos que me trouxeram o relato angustiante de Fabiely, para auxiliar na repercussão do caso e na busca por providências e reparações.
Ao adentrar a unidade, a jovem não conseguiu passar sequer pela fase de triagem. Mesmo com aparente desconforto ocasionado pela falta de ar e pela taquicardia, necessitou aguardar longos minutos enquanto a responsável por avaliar a gravidade dos casos estava ao telefone.
Após passar pela triagem, já apresentando piora no quadro, foi encaminhada para registrar sua ficha de entrada na unidade e, mais uma vez, necessitou aguardar longos minutos enquanto alguém procurava a profissional responsável por esta etapa que, ao chegar, agiu de forma abusiva com a jovem, a esta hora já apresentando um quadro ainda mais grave. 
Já se seguia quase 1 hora desde sua entrada.
Ao buscar contato com a chefia do hospital, Fabiely registrou o ápice da crise que estava enfrentando. Foi insultada por um médico que, indo contra qualquer princípio básico de ética médica, se negou a atendê-la pois, ao buscar explicar para a chefe do hospital tudo que estava enfrentando, estaria "mais preocupada em bater boca", nas palavras do médico.
A todo momento os profissionais trataram o caso da jovem com descaso, como alguém que estivesse querendo chamar ou atenção ou fazer escândalo, sem levar em consideração a gravidade dos quadros relacionados à saúde mental.
Somente com o intenso agravamento do quadro e ao entenderem a seriedade da situação, encaminharam a jovem, em estado de choque, para um consultório, que neste momento já não conseguiria sequer sair de lá sozinha e precisou entrar em contato com sua família e namorado.
Como se não bastasse toda humilhação enfrentada, o hospital ainda tentou impedir o acesso de uma das familiares de Fabiely, também profissional da área da saúde e que havia identificado e apontado toda negligência da unidade.
O caso desta jovem é apenas mais um diante dezenas de outros relatos que recebemos com frequência sobre o hospital de Travessão e tantos outros que são silenciados. Resultado do abandono da saúde em Campos, que já vem de longa data mas intensificado durante o governo Rafael Diniz, da falta de estrutura, salários e a infeliz consequência da ausência de profissionalismo. Fabiely teve a coragem de se expor para garantir a repercussão do caso e, de alguma forma, colaborar para que casos assim não se tornem tão frequentes.
A ausência de médicos, estrutura e medicamentos, os salários constantemente atrasados e a negligência com diversos pacientes são resultado de uma crise sem precedentes, que penaliza cada vez mais o povo.
A partir desta semana este blog assume a tarefa de concentrar informações a respeito de situações similares que estejam ocorrendo na saúde de Campos, em especial de Travessão. Casos que muitas vezes são silenciados e permitem a continuidade de um ciclo que afeta diretamente a vida de pessoas que necessitam da saúde publica. As denúncias podem ser enviadas para o email: [email protected]
A publicação original de Fabiely pode ser conferida no link a seguir:
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Entidades estudantis, universidades e parlamentares reagem ao projeto de privatizações de Witzel
26/04/2020 | 15h36
O governo tentou, em meio à pandemia do coronavírus, enviar o projeto longe dos holofotes, mas não obteve sucesso
Amanda Durães (UENF), Dani Monteiro (PSOL) e Waldeck Carneiro (PT)
Amanda Durães (UENF), Dani Monteiro (PSOL) e Waldeck Carneiro (PT)
SEMELHANÇAS
Apesar de na macro política Wilson Witzel (PSC) e Jair Bolsonaro (sem partido) estarem apresentando rupturas, desde a condução das políticas de enfrentamento ao coronavírus, até convites pessoais para que o mais novo desafeto de Bolsonaro, Sérgio Moro, integre o governo do RJ, nas estratégias ambos seguem equivalentes.
A arte do “desmentir e voltar atrás” parece ser compartilhada por presidente e governador. Este último, por exemplo, fez campanha em 2018 prometendo a privatização das universidades estaduais, ao lado de outros ávidos defensores de propostas que ferem a autonomia universitária no estado, como o deputado Rodrigo Amorim. Após sua posse, alegou que não havia intenção de privatizar UENF, UERJ e UEZO.
ESTADO À VENDA
Nas últimas semanas, Witzel volta a colocar o caráter público e gratuito das universidades do RJ em xeque com um projeto enviado à ALERJ que pretende privatizar, sem restrições, universidades, fundações e empresas públicas ou se economia mista do estado.
Novamente, poucos dias após, Witzel “esclarece” que jamais teve a intenção de privatizar as universidades estaduais, mesmo que o discurso seja recorrente e estas imprescindíveis ferramentas para o desenvolvimento educacional, científico e tecnológico do Rio de Janeiro estejam inclusas no projeto apresentado à ALERJ, junto à importantes empresas públicas do estado, como a CEDAE.
REAÇÃO
Witzel esperava uma menor reação ao projeto visto que a maioria dos holofotes estão voltados para o combate à pandemia do coronavírus e uma vez que, diante a inépcia do presidente, tenha assumido um certo protagonismo junto a outros governadores neste momento.
Witzel se enganou.
O PL 2419/2020 que abre uma brecha para que as universidades públicas estaduais, fundações, sociedades de economia mista e todas as empresas públicas do Estado do Rio de Janeiro sejam privatizadas, levou a uma imediata reação das universidades, dirigentes estudantis e parlamentares.
UENF, UERJ e UEZO divulgaram nota conjunta em que destacam que as privatizações propostas significam a “extinção dos interesses da sociedade e do próprio futuro do estado, pois um estado sem ciência e tecnologia é um estado sem futuro.”
A Diretora Geral do DCE-UENF e estudante de Administração Pública, Amanda Durães, que também integra a executiva nacional da Federação Nacional dos Estudantes do Campo de Públicas (FENECAP) e é vice-presidente Norte Fluminense da União Estadual dos Estudantes (UEE-RJ), foi enfática ao afirmar que o projeto apresentado por Witzel deixa claro seu teor político e ideológico:
“Sabemos que apesar de Witzel negar, reabrir o PED (Programa Estadual de Desestatização) em meio de uma crise sanitária, mostra o quão político e ideológico ele é. Desde sua campanha em 2018 ele deixava claro seus planos de privatização e apesar de dizer que não irá privatizar as universidades estaduais através de um tweet, ele não cita, por exemplo, a FAPERJ, que é a fundação de apoio à pesquisa e também não cita a Fundação CECIERJ, que coordena a graduação pública à distância no RJ. O projeto deixa claro que irá atingir as universidades estaduais e nós não vamos permitir que a educação pública estadual seja ainda mais sucateada. Os estudantes irão lutar para que nenhum dos nossos direitos seja retirado”, pontuou Amanda.
Parlamentares também reagiram ao projeto enviado por Witzel à Alerj. Para a deputada estadual Dani Monteiro (PSOL), "as dificuldades impostas pelo novo coronavírus ao povo fluminense tem nos lembrado da importância do investimento do Estado em desenvolvimento tecnológico e científico por meio das universidades estaduais de excelência. UEZO, UERJ e UENF tem sido referência, além da pesquisa, na prestação de serviços em combate ao vírus. Falar em redução do Estado e privatização agora nos soa bastante ofensivo e vai na contramão do que é necessário para superar a crise."
Waldeck Carneiro (PT), presidente da Comissão de Ciência e Tecnologia na ALERJ, vai na mesma linha e lembra o papel do Estado frente à pandemia: "No mundo inteiro, se nós não estamos perdendo mais vidas, é porque o poder público, o Estado e as diferentes esferas, servidores públicos e órgãos estão atuando na linha de frente no enfrentamento à pandemia", disse o deputado.
As reações indicam que, mesmo diante a pandemia enfrentada, e ainda que Witzel siga tentando desmentir aquilo que sempre disse, o projeto não terá vida fácil na ALERJ e irá encarar forte resistência nas universidades.
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Longas filas por comida em Campos comprovam: reabertura do restaurante popular é urgente
23/04/2020 | 23h02
Com estimativas de 40% dos funcionários do comércio demitidos e caminhando para o momento mais grave da pandemia, Rafael necessita entender que, assim como o Covid, a fome também precisa ser combatida e compreendida como urgência de saúde pública 
Circulação internet
Nas últimas semanas as longas filas que se formam nas proximidades do Jardim São Benedito, pelo menos 3 vezes ao dia, tem chamado atenção. São cerca de 150 pessoas, a grande maioria ainda não coberta pelo auxílio-emergencial da Caixa, atingidas pelos efeitos da pandemia, buscando diariamente o direito de se alimentarem junto à iniciativa das freiras do Mosteiro da Santa Face.
As freiras redentoristas realizam este trabalho já há cerca de 40 anos em Campos, no entanto, o número cada vez maior de pessoas tem demandado cada vez mais insumos e mobilizado diversas pessoas em campanhas de arrecadação de alimentos para a continuidade da distribuição das refeições.
No entanto, nem só da providência divina a população mais carente de Campos pode sobreviver.
ECONOMIA ÀS AVESSAS
A interrupção do restaurante popular em Campos foi um dos mais severos ataques à população mais carente, trabalhadores informais, desempregados e população em situação de rua. Juntamente ao fim da passagem popular, foi o cartão de boas vindas do prefeito Rafael Diniz, que seguindo uma cartilha de austeridade para alcançar uma suposta economia nas contas públicas, provocou o crescimento da pobreza e do desemprego na cidade.
A situação marcante da fome em Campos já vinha sendo denunciada por diversos grupos organizados pela reabertura do restaurante popular ao longo dos últimos anos. Nos conselhos, os embates eram constantes uma vez que a prefeitura tentava emplacar uma retomada que segregava e limitava o número de usuários potenciais da política.
A FOME VAI AUMENTAR
Algumas estimativas já apontam que cerca de 40% dos funcionários do comércio de Campos foram demitidos, o que deverá intensificar ainda mais a procura por comida na cidade.
As mobilizações pela reabertura do restaurante popular já vinham deixando claro a urgência da retomada de uma política que pudesse aplacar a fome de uma população marcada por uma prefeitura gerida por técnicos incapazes de possuir qualquer sensibilidade social, responsáveis por contribuir na intensificação da gritante desigualdade em nosso município.
Agora, com o avanço do Covid-19, a diminuição das doações para a população em situação de rua e o aumento do desemprego, não há alternativa mais viável que a reabertura do restaurante.
A CDL em Campos deverá pressionar nos próximos dias o prefeito Rafael Diniz pela reabertura gradual do comércio. Tendo isso em vista, conforme a quarentena estiver sendo afrouxada ao longo das próximas semanas, a procura por emprego deverá ser intensa, denotando mais uma vez o caráter assistencial do restaurante popular não só à população de rua e às famílias abaixo da linha da pobreza, conforme desejava Rafael e sua equipe, mas a todos trabalhadores que necessitarão se alimentar na busca por ocupar novamente algum posto de trabalho.
Diretamente proporcional deverá ser o crescimento do número de infectados, atingindo diversas famílias, em especial das classes mais baixas, o que ressalta a necessidade desta parcela da população estar bem nutrida para enfrentar o pior momento da pandemia.
OPERAÇÃO
A retomada do funcionamento do Restaurante Popular deveria dialogar com diversas outras políticas implementadas ao longo desta quarentena, sendo entendida como ferramenta essencial para a preservação da vida das pessoas.
Para evitar que se repita o cenário de aglomeração identificado nos arreadores do Jardim São Benedito, a reabertura do restaurante ainda permitiria uma maior organização da logística de distribuição das refeições, seja a partir da entrega de quentinhas ou controlando o acesso das pessoas ao espaço.
O Decreto de Calamidade Pública permite a Rafael implementar a retomada do restaurante em caráter de urgência, uma vez que flexibiliza o cumprimento das obrigações financeiras, licitatórias, orçamentárias e fiscais, diante da necessidade de adoção de medidas de enfrentamento da emergência em saúde pública.
Em resumo, enquanto toda a população carente não estiver coberta por qualquer política de proteção social como, por exemplo, o auxilio-emergencial, é impossível descartar a necessidade da reabertura do restaurante popular numa cidade tão desigual e com boa parte de seus moradores atuantes na informalidade, que mesmo com a pressão de alguns setores para o afrouxamento do isolamento social, ainda irá sofrer muito, seja pelo vírus ou pela fome.
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Mentiras na saúde: médico campista desmente prefeitura e denuncia caos para receber COVID-19
17/03/2020 | 00h34
Confira o vídeo em que médico plantonista do HGG denuncia inércia da prefeitura de Campos
Reprodução Folha1
Um vídeo que tem circulado nas redes sociais nesta segunda-feira a noite tem chamado atenção da população campista. Nele, um médico plantonista do Hospital Geral de Guarus (HGG), orienta a população a seguir as recomendações de segurança para impedir a propagação do coronavírus e cobra das autoridades condições de trabalho.
O médico desmente ações que estariam sendo implementadas pela prefeitura de Campos para contenção do vírus, informando que no último fim de semana diversas unidades de saúde encontravam-se sem médicos e que, até o momento, não houve nenhum treinamento ou capacitação para enfrentar o vírus COVID-19.
Ele ainda denuncia a ausência de máscaras, aventais, luvas e álcool em gel em diversas unidades, chamando atenção para o fato das equipes de assistência à saúde estarem expostas.
No fim do vídeo, o médico destaca que a ausência de profissionais em postos de saúde, como do Farol, acarretará em ausência de atendimentos para pacientes sintomáticos.
As denúncias fazem coro a um texto que também tem circulado nas redes sociais, em que profissionais da saúde de Campos que estão há 4 meses sem receber denunciam a precariedade do trabalho nas unidades de saúde. 
Confira os vídeos abaixo:
 
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Para reafirmar candidatura própria, executiva do PT-RJ quer coletiva de imprensa em Campos
07/03/2020 | 17h01
A coletiva deverá contar com a presença do presidente estadual João Maurício.
Divulgação / PT-RJ
O diretório municipal não recebeu bem algumas informações veiculadas na última semana de que o Partido dos Trabalhadores poderia abrir mão da candidatura própria que vem construindo para a cidade de Campos em troca de compor uma determinada coligação.
Ao que parece, tem muita gente interessada no peso eleitoral que a sigla representa e tentam emplacar diferentes versões sobre o posicionamento do partido no município.
O único fato é que o PT não abrirá mão de sua candidatura e da sólida plataforma, nos moldes do programa democrático-popular, que vem construindo de forma coletiva para o município, através das bases e com contribuições de importantes intelectuais.
Prova disso é que em breve a cidade deverá receber a visita da executiva estadual do partido, que pretende chamar uma coletiva de imprensa para reafirmar a candidatura própria.
O que ainda não se sabe é se isto deverá ocorrer antes ou depois da definição do nome que disputará a prefeitura.
O PT tem três importantes sindicalistas locais cotados para o pleito: Odisseia Carvalho, dos professores, Zé Maria Rangel, dos petroleiros e Helinho Anomal, dos trabalhadores do saneamento.
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Desemprego em Campos aumenta informalidade e o número de entregadores que pedalam para aplicativos
26/01/2020 | 16h25
Apps como o Ifood e o recém-chegado UBER Eats facilitam vida do consumidor mas revelam o desemprego, a informalidade e a precariedade do trabalho, principalmente entre os jovens, na cidade de Campos.
Marina Silva/CORREIO
Campos, que já foi um polo de geração de empregos a partir da indústria do petróleo, com os grandes investimentos na Petrobras durante os governos petistas, nos últimos anos voltou a ser dependente do setor sucroalcooleiro, que disponibiliza vagas somente em período de safra.
O governo Diniz não foi capaz de atrair investimentos e superar a dependência do mercado petrolífero deixada pelos governos anteriores, tal como o governo Bolsonaro também não apresenta soluções, além da Reforma Trabalhista já ter provado que tinha como único intuito retirar direitos. O resultado são as constantes filas de desempregados à procura de oportunidades no Balcão de Empregos, por exemplo, revelando a agonia da população.
A solução encontrada por muitos é a informalidade, prova disso é o aumento dos vendedores de doces e balas nos coletivos, flanelinhas e guardadores de carro. Mas outra modalidade chama atenção na cidade.
Como em boa parte do país, aplicativos de entrega de comida são cada vez mais comuns. Ao longo dos últimos 4 anos, o número de entregadores acompanha a crise de desemprego que perdura na região.
Já não é difícil encontrar em nossas ruas diversos entregadores, em sua maioria jovens que, ao invés de pilotarem uma moto, estão pedalando pela cidade, principalmente em bairros da região central como Pelinca, Parque Tamandaré, Dom Bosco e Parque São Caetano. Fazem entregas desde pequenas lanchonetes até grandes restaurantes da cidade.
A “opção” pela bicicleta, apesar de mais econômica, revela a precariedade deste serviço, que obriga os entregadores a depositarem ainda mais força de trabalho por uma remuneração, em média, abaixo do salário mínimo.
Pedalar uma bicicleta para entregar comida devido ao desemprego não pode ser visto como “liberdade”, “oportunidade” ou “empreendedorismo” como gostam de afirmar alguns influenciadores.
Não podemos romantizar histórias de trabalhadores que enfrentam longas jornadas, sem direito a hora-extra, vale-alimentação, transporte, férias remuneradas, auxílio-acidente e 13º, principalmente em uma cidade como Campos que já foi um oásis de oportunidades na área do petróleo e em empreendimentos como o Porto do Açú e o Complexo Barra do Furado.
Uma pesquisa da Associação Aliança Bike traçou o perfil destes trabalhadores com base em centenas de entrevistas em diversas cidades brasileiras e assim levantou que eles são 99% do sexo masculino, 71% negros, mais de 50% tem entre 18 e 22 anos de idade e a jornada de trabalho pode chegar a 14 horas seguidas por um ganho médio mensal inferior a um salário mínimo.
Na cidade de Salvador/BA, entregadores realizaram um protesto no final de 2019, denunciando as condições injustas de trabalho.
Entre as principais reivindicações está a segurança, uma vez que os trabalhadores não conseguem visualizar o destino final de sua entrega, que os coloca em risco. Também exigem aumento dos pagamentos, em média R$ 0,60 por quilômetro rodado.
Arriscando a vida no trânsito cada vez mais caótico de Campos, nossa população não pode seguir vítima de um pacote de austeridade municipal, estadual e nacional, parceiros do ultraliberalismo e da “uberização”, fenômenos que justificam o discurso do “empreendedorismo”, como se alguém escolhesse pedalar dezenas de quilômetros por dia, caso tivesse oportunidades de emprego formal.
O município possui capacidade de apresentar alternativas dignas para os trabalhadores campistas, gerar postos de trabalho formais, atrair investimentos e diversificar nossa economia, apostando em outros modelos que não sejam dependentes da indústria do petróleo.
*Gilberto Gomes é blogueiro do Folha1, estudante universitário e secretário de comunicação do Partido dos Trabalhadores em Campos dos Goytacazes.
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Política contestável parte II: por que o Anda Campos não foi implementado no setor C?
24/01/2020 | 12h16
Linhas operadas pela São João não implementaram o Anda Campos e ofertam milhares de usuários para a Riocard
Divulgação/Prefeitura de Campos
Tem chamado a atenção de diversos usuários do transporte público de Campos que, em linhas atendidas pela Empresa São João, em especial todo o Terminal C, não foi implementado o cartão de integração "Anda Campos", prometido pela prefeitura de Campos para o novo sistema de transporte.
Embora operante nos demais terminais, no Terminal C o Anda Campos não é aceito.
Para os usuários que utilizam somente o Terminal C e que já haviam adquirido o cartão Anda Campos, nenhuma possibilidade de ressarcimento e o cartão virou enfeite. Para os usuários que passam pelo Terminal C e outros terminais como, por exemplo, quem sai de Travessão [C] com destino a Goytacazes [A], fica a necessidade de sempre ter que recarregar dois cartões de integração diferentes.
Os motoristas das vans no setor C, inclusive, já haviam se preparado para operar com o Anda Campos, instalando as máquinas leitoras, que se diferem do equipamento da Riocard.
Mas fica a pergunta: por que o Anda Campos não foi implementado no setor C?
E por que a Riocard?
A empresa de bilhetagem Riocard é ligada à Fetranspor (Federação das Empresas de Transporte), entidade que reúne dez representações e atua como ponte entre o poder público e os empresários do ramo. É responsável pela gestão do Bilhete Único fluminense e movimenta cerca de R$ 6 bilhões por ano.
Após a adoção do Riocard no Terminal C, se espalharam pela cidade funcionários da empresa, pontos de recarga automatizados e muitos outdoors apresentando o novo cartão. Uma operação de divulgação maior até mesmo que em relação ao Anda Campos, utilizado em outros 5 terminais. 
Em 2017, a Operação Ponto Final começou a apurar irregularidades na Riocard, apontando possível retenção irregular de créditos e manipulação dos números da bilhetagem, além de outras práticas ilícitas cometidas pela Fetranspor, como reajustes injustificados de tarifas e prevaricação de funcionários responsáveis por fiscalizar o setor.
Mesmo sob investigação, em 2018 o governo estadual renovou todos os contratos com a Riocard.
Já em 2019, o ex-presidente Fetranspor, Lélis Teixeira, em delação premiada, afirmou que pelo menos 30 autoridades fluminenses concederam benefícios fiscais e tarifários em troca de pagamentos sistemáticos de propina e de doações irregulares para financiar campanhas eleitorais.
Na delação, Lélis Teixeira entregou nomes conhecidos ligados ao esquema, como Anthony Garotinho e Sérgio Cabral.
Os fatos acima mencionados podem não ter relação alguma com o caso de Campos, mas levam a questionar porque somente o Terminal C aderiu ao Riocard como sistema de bilhetagem, uma vez que a proposta era de um sistema único projetado exclusivamente para Campos. 
Tem cheiro de pergunta que nunca vai ter resposta.
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