Consequências da Lava Jato para 2018
Suzy Monteiro 19/03/2017 11:00 - Atualizado em 19/03/2017 19:47
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Sérgio Moro / Divulgação
A Lava Jato completou três anos nessa sexta-feira (17) e a operação, iniciada em Curitiba, no Paraná, já avança por mais 18 países, até o momento. O cientista político e professor da Uenf, Hugo Borsani, classifica a operação anticorrupção como um marco para a política no Brasil e, com suas repercussões internacionais, a compara a “Mãos limpas”, na Itália, que, na década de 90, desbaratou esquema de licitações irregulares e o uso do poder público em benefício particular e de partidos políticos. Ele avalia consequências positivas e negativas para o futuro político no País, em especial a eleição de 2018.
De acordo com o cientista político, as derivações do caso Odebrecht estão mostrando que a Lava Jato também pode chegar a ter repercussão importante em outros países da América Latina.
— Poucas vezes se viu ir a prisão tantos poderosos, dos negócios e da política. De fato, há poucos casos semelhantes no mundo, além da famosa operação Manos Limpias na Itália, mas todas de menor dimensão. Isso gera, sem dúvida, confiança nas instituições. Porém, na medida que ela atinge a quase a totalidade do espectro político, também acarreia consigo o inevitável descrédito dos políticos em geral — destaca.
O professor alerta para consequências, até certo ponto, negativas: “Há a possibilidade de que autodenominados ‘salvadores da pátria’, vindos de fora da política partidária ou das margens da mesma, se apropriem desse momento com propostas populistas e irresponsáveis. É de algum modo o que aconteceu na Itália após a Manos Limpas com o surgimento político do empresário multimilionário, e também muito corrupto, Silvio Berlusconi. Obviamente isso não é efeito somente das operações anticorrupção, mas da estendida corrupção no âmbito político e da dificuldade dos políticos não corruptos se posicionarem como opções atraentes para os eleitores.
Para o professor, as consequências para o próximo pleito ainda são imprevisíveis: “Em grande parte depende do como vai ser o desdobramento dos acontecimentos com a atual onda de denúncias no mundo político, do julgamento sobre a chapa Dilma-Temer, e também da recuperação, significativa, ou não, da economia.
Pressão cidadã como impulso de mudança
Efeitos positivos também são destacados pelo cientista político. Um dos mais importantes é a maior vigilância dos representantes políticos por parte de amplos segmentos da população e de todas as posições políticas: “Acredito que uma maior parte da cidadania brasileira está hoje mais atenta e vigilante sobre as coisas da política. Há mais debate político e mais pressão cidadã sobre a classe política e isso é bom. Inclusive sobre a própria operação Lava Jato, para que a mesma seja imparcial e se mantenha dentro dos procedimentos legais”, lembra.
Borsani destaca, também, que isso não elimina totalmente a corrupção “possivelmente isso nunca aconteça”, diz, e acrescenta que pode ser que parte dos políticos corruptos melhorem suas estratégias para ficar mais difícil a descoberta: “Porém, os riscos sem dúvida têm aumentado consideravelmente para eles o que, em princípio, deve funcionar como um freio com um peso importante. Acredito também que as diferentes instituições de controle político entre os poderes do Estado serão exigidas a aprimorar seu acionar porque continuam os esforços políticos por deter os avanços do Lava Jato”.

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