Nino Bellieny
16/01/2024 17:36 - Atualizado em 16/01/2024 17:36
Ilustração
/
Arquivo
Segundo a Firjan, Campos dos Goytacazes já tem mais 10 mil usinas solares instaladas em residências, pontos comerciais e industriais:10.218 unidades.
Um número maior do que a de 10 capitais brasileiras, como Vitória (ES), Recife (PE) e Curitiba (PR) - as últimas, com população três vezes superior à campista. Os dados fornecidos pela Aneel.
De acordo com o Atlas Solarimétrico do Rio, estudo realizado pelo governo estadual que, analisou dados de incidência solar em todo o Estado, as regiões Norte e Noroeste são as que oferecem os maiores índices do Rio. A média estadual de irradiação solar global anual varia de 1.460 a 2.010 kWh/m² - superior, por exemplo, à Alemanha, líder mundial na instalação de sistemas fotovoltaicos, cujo nível médio é de 1.700 kWh/m².
“A indústria do Norte Fluminense foi pioneira nos investimentos em energia solar na região. Tivemos um gigantesco salto nessa produção nos últimos anos, e até a próxima década nos tornaremos referência nacional nos mais diversos tipos de energia limpa. Para isso, é preciso que o poder público acompanhe a iniciativa privada, em especial o Porto do Açu, cujos projetos necessitam de regulações e de infraestrutura adequada, como a ferrovia 118”, destacou o presidente da Firjan Norte Fluminense, Francisco Roberto de Siqueira.
O salto na instalação de usinas solares em Campos começou a ser observado em 2018: de 220, aumentou para 825 instalações no ano seguinte, chegando a 1.292 em 2020, 2.837 em 2021 e 3.444 no ano passado.
Mais de 90% correspondem a residências, e o restante se divide entre instalações comerciais e rurais, principalmente. A cidade está atrás apenas da capital (19.879), e a frente de Niterói, que tem a mesma densidade demográfica que Campos. Em seguida vem Maricá, São Gonçalo, Nova Friburgo, Macaé, Rio das Ostras e Itaperuna.
Em Campos, entre os pioneiros estão as indústrias de cerâmica. Segundo Matheus de Azevedo Henriques, presidente do Sindicato dos Ceramistas de Campos, mais de um terço das cerâmicas campistas (45 das 112 indústrias) contam com energia fotovoltaica, com capacidade de gerar 15 mil kwh por mês – o suficiente para abastecer um condomínio de 75 casas, considerando um consumo médio de 200 kwh, segundo estudos da Empresa de Pesquisa Energética (EPE).
“É uma energia mais limpa, que por si só já é de suma importância, e faz com que tenhamos maior competitividade pois conseguimos também reduzir nosso custo. Com isso podemos gerar mais emprego e desenvolver ainda mais o setor”, afirma Matheus.
Energia solar pode tornar a indústria mais competitiva
Também na Região Norte Fluminense, além de Macaé (3.549), destacam-se São Fidélis (1.481) e São João da Barra (1.025). O Rio de Janeiro é a oitava capital com maior quantidade de usinas fotovoltaicas, cujo ranking é liderado por Florianópolis-SC.
Além disso, o setor elétrico tem passado por grandes mudanças estruturais, com destaque para as fontes renováveis, como a solar e a eólica offshore, que criam oportunidades para o Norte Fluminense.
Nessa região estão previstos cerca de US$ 85 bilhões em investimentos em eólica offshore nos próximos anos.
A geração limpa associada à digitalização do setor e a ampliação do mercado livre criará um ambiente de negócios mais eficiente e equilibrado para o setor industrial, que se tornará mais competitivo e sustentável.
De acordo com um estudo da Firjan, o Estado do Rio continua disparado com a maior tarifa de energia elétrica para o setor industrial em toda a federação. Segundo dados da ANEEL do último ano, são, em média, R$ 1.035,11 por hora de megawatt (MWh), para o segundo lugar, Mato Grosso, com uma tarifa média de R$ 925,52 por MWh.