CRÔNICA NB Em uma certa tarde cheguei à grande, silenciosa e maternal casa com um chapéu de cowboy e ela de cima de um sorriso divertido banhado por olhar brilhante, disse que eu estava igual ao John Wayne. Em todas as vezes que, à sua frente estive, brotavam histórias felizes, engraçadas, presentes e passadas. Era uma enciclopédia recheada de sabedorias, um romance vivo permanente, uma saga de quem veio para ser resiliente e vitoriosa. Me lembro de ter dirigido à uma outra cidade, levando-a, cheio de cuidados, consciente da preciosa passageira. Ao retornarmos, perguntei se tinha feito boa viagem e se, bom era o motorista. Respondeu-me “Sim é bom, mas muito devagar”, de um modo jocoso, zoando comigo e ria, um riso largo como um oceano. Amava os filhos, netos, nora e genros, de forma intensa, perceptível pelo acelerar da respiração, pelo fulgor dos belos olhos, e a tonalidade embalada da voz. Era de uma firme doçura, de uma doce firmeza, a realeza em pessoa, a vontade da vida pulsando em cada fala. Amava e era amada, cuidada, reverenciada, pude vivenciar como toda a família externava e praticava carinhoso amor central e poderoso com ela. Há uns 3 anos não a via presencialmente, mas ocupava ( e ocupará) um espaço grande na casarão do meu peito, onde só as mais importantes obras-primas de Deus vivem na forma das melhores memórias que, delas tenho, como tesouros incomparáveis. A acolhida leal, a palavra abençoadora, o caráter edificante, o esteio ereto, e todo um dicionário de excelentes adjetivos se aproximam da inenarrável, inestimável, enfim inesquecível D. Vanda, mas não a definem, pois anjos não se definem, chegam à Terra, cumprem missões e retornam ao Universo convocadas por Deus.
