José Eduardo: O descalabro da insegurança pública
José Eduardo Pessanha - Atualizado em 07/10/2023 10:25
José Eduardo  Advogado e professor universitário
José Eduardo Advogado e professor universitário
Não se sabe bem, ainda ao certo, a razão (ou razões), mas é certo que a violência anda galopante. Até bem pouco tempo atrás tínhamos uma definição clara de limites, onde, apesar de ser um absurdo, um cidadão sabia, quase que delimitado, onde poderia ir ou não poderia ir, ou seja, onde o poder público existia (atuava) e onde o poder era... apenas, criminoso.
Atualmente, assistimos, pasmos a um “show de horrores” diário: são chacinas, assassinatos no meio da tarde, assaltos em plena manhã, feminicídios em dias seguidos, estupros, enfim, uma profusão de atos bárbaros que aprisionam o cidadão em casa, que limitam seus sonhos, que impedem de gozar os frutos do seu trabalho, tudo devido à preocupação de que, naquele momento, alguém com o coração maculado, à espeita está a observar, planejando atacar a vida e o patrimônio dos homens de bem.
Até quando isso ocorrerá? É... as coisas estão feias também para os agentes da lei; homens que diuturnamente saem à caça de bandidos, mas que são sempre os primeiros suspeitos dos crimes contra transeuntes. Parece que, nesta inversão de valores, somente a “bala perdida” do policial acerta aos circunvizinhos! A forma como os agentes públicos da segurança (os bons) vêm sendo tratados – como suspeitos em tudo – certamente faz esmorecer a faina diária, onde a vida do policial, infelizmente, pouco vale para os noticiários, bem menos que a do criminoso.
Ser um agente da lei, hoje, é buscar o criminoso; encontra-lo; dar “voz de prisão”; encetar tiro de alerta; verificar os residentes do local e afastá-los da linha de tiro, tudo isso enquanto o meliante descarrega suas armas, em tiros letais, visando ceifar a vida do policial. Não parece uma luta justa, parece? E tudo isso, na verdade, com o policiar defendendo a lei, a ordem e terceiros! Algo anda estranho no ar! Ah... não esqueçamos que, depois de tudo isso, o Judiciário “manda” soltar, sob a alegação que a lei assim determina... complicado!
Os marginais perderam a noção de estrito limite ou o receito da morte (porque da prisão já perderam há muito tempo, eis que as transformaram em academias do crime e em hotéis para planejamento e execução, via de organizações criminosas). Como tais coisas chegam aos criminosos presos? Nada pior que um agente da lei corrupto! É... além de manchar o sistema, coloca seus colegas em risco e alicerça a imagem maculada sobre os policiais. Aos corrutos, a severidade total da lei! Mas... e os chefes de família, policiais que honram as fardas, que tem sonhos? O que resta a esses abnegados? A luta e a honra! Afinal, “ser policial é, sobretudo, uma razão de ser; é enfrentar a morte; mostrar-se um forte, no que acontecer”!
A máxima do policial é “aqui nós todos aprendemos a viver demonstrando valor (...)”, logo, além de estrutura, incentivo, saúde mental, instrumental, é necessário hierarquia, caráter, respeito e, sobretudo, amparo em todos os momentos para os que arriscam, diariamente, suas vidas na roleta dos cassinos da vida no combate às organizações criminosas.
A atual (in) segurança pública, além do descalabro da violência, vem minando a saúde dos cidadãos com um terrorismo psíquico, capaz de deixar a todos catatônicos. As autoridades devem honrar seu manus e buscar o retorno da Paz Social, eis que hoje o clima de guerrilha civil está instaurado. De um lado, os traficantes; d’outro, os milicianos; acuados no “corner do ringue da vida”, está o Povo e, lutando para entender, separar e prender os criminosos, estão os agentes de segurança pública, imersos em um mundo onde as linhas divisórias não são tão claras, ou seja, as vezes o miliciano parece policial; a autoridade é que é criminosa; o traficante finge ser do povo, ou seja, essa luta ocorre diariamente em meio as brumas que embaçam a visão.
A verdade é que algo precisa (TEM) ser feito, com urgência máxima, pois este País, eis que não falamos somente do Estado do Rio de Janeiro (veja a guerrilha urbana baiana ou as organizações criminosas dos presídios do Rio Grande do Norte, entre outras), mas de uma Nação onde o crime (não apenas do colarinho branco) de barbárie está instaurado e nos ameaça e aos nossos familiares. FALEM ALTO, BRADEM, ALGO PRECISA SER FEITO!

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