Rio quer produzir mais no campo
Paulo Renato Porto 23/11/2019 17:36 - Atualizado em 02/12/2019 13:47
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O Rio possui o segundo mercado consumidor do país, atrás apenas de São Paulo. No entanto, importa a maior parte do que consome em alimentos. Em Campos, nas gôndolas dos supermercados, grande parte do que vai para a mesa do campista vem de outras regiões. Para reduzir estas importações de produtos procedentes de outros estados, o governador Wilson Witzel (PSC) promete concentrar esforços com investimentos na agricultura em diferentes segmentos. Na quinta-feira, foi lançado o AgroRJ (I Encontro de Ações Estratégicas da Agricultura do Estado), em meio a um debate entre empresas do setor para a elaboração do Plano Estratégico 2020-2023, com metas e ações para nos próximos anos. O Orçamento da Secretaria é de R$ 100 milhões para 2020.
Entre os programas, o projeto de irrigação da cana em Campos, que conta com R$ 30 milhões para a revitalização do setor; o projeto para a dobrar a produção de leite do Estado a partir da melhoria nutricional dos rebanhos com recursos de R$ 10 milhões; o programa de criação de galinhas caipiras para comercialização; as estratégias para a o cultivo e comercialização do arroz gourmet em Italva-RJ; e o programa de recuperação de estradas para escoamento da produção com investimentos de R$ 80 milhões, entre outros.
Em maio deste ano, Witeze esteve em Campos, onde anunciou recursos da ordem de R$ 30 milhões, através da Agerio (Agência de Desenvolvimento do Rio), para financiar projetos de irrigação e revitalização dos canais da Baixada Campista, a fim de fortalecer a lavoura canavieira da região. A intenção é também dobrar o volume de cana plantada para produção açúcar e etanol.
A propósito, Witzel anunciou que a Agerio conta com R$ 400 milhões em 2010 para financiar projetos de investimentos em negócios no Estado, também no agronegócio. “Nosso teto é de R$ 400 milhões, mas se houver mais projetos, a gente aumenta esse teto”, disse em visita a Campos na quinta-feira.
Em Italva e Laje do Muriaé, representantes de associações de produtores, técnicos da Emater-Rio e da Pesagro em Campos traçam estratégias para a exploração de nichos de mercado do arroz gourmet. O pesquisador Silvino Amorim Neto, da Pesagro, identifica perspectivas de bons negócios com a produção.
Silvino destacou as oportunidades de mercado surgidas com a introdução de materiais especiais de arroz utilizado principalmente na alta gastronomia, o que eleva o ganho financeiro do produtor. Silvino ressaltou, também, que é imprescindível a qualidade final do produto e que, para isso, é necessário um bom beneficiamento, uma boa embalagem e mecanismos para a comercialização do produto. “O Estado do Rio importa a quase totalidade do arroz que consome. E temos aqui terras férteis para a cultura do arroz, que mantém sempre boa cotação no mercado”.
Em Campos, programas de incentivo em várias frentes
Supcom Campos
Em Campos, o secretário de Agricultura do município, Robson Vieira, destaca os esforços locais para incrementar a produção local. — Campos tem vocação e um grande potencial agropecuário e, para alavancar ainda mais essa vertente, a Prefeitura vem buscando alternativas para além dos royalties. Através dos programas oferecidos pela Secretaria Municipal de Agricultura, estamos trabalhando em diversas frentes, por meio de parcerias de entidades e das esferas governamentais estaduais e federais, como por exemplo, oferecendo incentivos ao plantio com técnicas inovadoras, produção de grãos, preparação do solo, beneficiamento do leite, por meio do incentivo à pequena indústria de queijo nas propriedades dos agricultores familiares com inspeção municipal através do Selo de qualidade SIM. Com isso, vamos agregando valor ao produto para abertura no mercado local, com melhoramento genético do rebanho, melhoramento de pastagem com técnicos que vão ao campo. Estamos também desenvolvendo a avicultura com a diversificação da criação de galinhas, pelo programa Avicultura Caipira, entre outros programas. Todo esse trabalho que estamos construindo no governo Rafael Diniz fez com que a nossa política atual se aproximasse do produtor ao oferecer assistência técnica especializada, sem tirar a autonomia do homem do campo”, concluiu o secretário.
Feijão tem Macaé como exemplo maior
Silvino também lembra a necessidade de aumento da produção de feijão. Macaé é o maior produtor de feijão preto do Estado. Segundo o IBGE, foram produzidas 586 toneladas de feijão preto, fradinho e verde em 2017. Ao todo, são 800 hectares de área plantada em propriedades que geram cerca de 450 toneladas do produto às margens da BR-101.
Em Rio das Ostras, em 53 hectares, 62 agricultores que aderiram ao Projeto Feijão, em Cantagalo, zona rural do município.
O feijão que chega aos supermercados fluminenses vem de grandes centros como Paraná e Minas. O arroz, do Rio Grande do Sul e Santa Catarina.
A intenção de dobrar a produção de leite do Estado passa pelo programa para a melhoria nutricional dos rebanhos em 21 municípios, também pela Pesagro. Em regiões de períodos longos de estiagem como o Norte/Noroeste Fluminense, a implantação de áreas de produção de cana forrageira permite ao produtor rural manter a alimentação do gado durante o período seco e, assim, aumentar a produção de leite.
 
 
 
 
Parceria para produção de hortaliça e o café de Varre Sai
A Pesagro e Secretaria de Agricultura de Campos mantêm convênio para produção de sementes de arroz, feijão, milho e quiabo. A parceria rendeu a produção de 1 milhão de mudas de hortaliças por ano, distribuídas para 65 produtores. O projeto tem sido responsável pelo aumento considerável da oferta de hortaliças no município. Em Campos, esforços estão sendo feitos para a retomada da antiga Ceasa, que passaria a se chamar Ceascam visando escoamento e comercialização da produção agrícola regional.
Hortaliças, por sinal, são produtos que o Rio menos importa de outros estados. Pequenos produtores da Região Serrana produzem mais da metade da oferta de folhosas consumidas no Estado. A produção é variada e inclui vários tipos de alfaces, chicória, espinafre, salsa, cebolinha, couve-flor, brócolis, repolho e couve. Dessa mesma região, também chegam ao Rio hortaliças como o pimentão, tomate, jiló, berinjela e inhame. Os alimentos são distribuídos pela Ceasa em cinco unidades no Estado a grandes atacadistas até chegarem à nossa mesa.
Outro nicho que precisa ser fortalecido é a produção cafeeira de Varre-Sai. O secretário de Agricultura, Antônio Celebrini, destaca a necessidade de investimentos para ampliar a produção. “Vendemos nosso café no mercado interno, para a capital e até em outros estados. Já estamos consolidados, mas queremos ampliar”, frisou Celebrini.

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