Há 30 anos na Prefeitura, Seu Zé é entrevistado na Folha FM
01/05/2019 08:46 - Atualizado em 04/05/2019 10:49
No Dia do Trabalho, nesta quarta-feira, 1º de Maio, o entrevistado do programa Folha no Ar, na Rádio Folha FM 98,3, foi José da Conceição Viana, o Seu Zé da Prefeitura, garçom que, há mais de 30 anos, atua nas sedes do Executivo Campista, acompanhando os bastidores da política em 10 gestões. A partir do seu famoso cafezinho, servido na abertura do expediente a cada prefeito, Seu Zé comenta o estilo e o convívio com Zezé Barbosa, Anthony Garotinho, Arnaldo Viana, Carlos Alberto Campista, Alexandre Mocaiber, Roberto Henriques, Rosinha Garotinho, Nelson Nahim e Rafael Diniz, destacando sua confiança de que a atual administração, que, destaca ele, pegou a Prefeitura endividada, já conseguiu tomar fôlego e deixará sua marca. Já nesta quinta (2), a entrevistada será a prefeita de Quissamã, Fátima Pacheco.
De café em café, Seu Zé segue desde os anos 80 nos gabinetes dos chefes do Executivo Municipal. A discrição é a marca do trabalho do garçom de 77 anos, que foi levado para a Prefeitura pelo prefeito Zezé Barbosa e não pretende deixar a bandeja de lado tão cedo. “Depois de uma semana, a gente pega a mania deles, descobre os gostos. O garçom é como um segurança do prefeito. Ele entra, faz o trabalho dele e sai: tem de ser cego, surdo e mudo. E todos os políticos gostam de mim”, disse seu Zé, que declarou como seu preferido o primeiro prefeito que serviu e que, apesar de ser um pouco fechado, mantinha um bom convívio e deixou de recordação no trabalho o fato de servir, em reuniões, caldo de cana. “A Prefeitura era na Vila Maria e ele chegava cedo, tomava um cafezinho. Mas ele gostava muito era de jambo e de manga espada. Ele conversava um pouco, o convívio com ele era ótimo. Ele tinha mania de dizer: Zé, quando você quiser pedir alguma coisa, não pede nem na chegada nem na saída, porque eu posso ter chegado ou estar saindo com o pé esquerdo”, brincou o lendário garçom.
Nova Constituição, mudança na forma de votar e, em Campos, mudança de grupo político: sai Zezé, entra Garotinho. Seu Zé permanece no trabalho. Em 1989, ainda na Vila Maria, o garçom passa a servir um prefeito extrovertido. “Garotinho chegava e já levava para ele água gelada com limão e um cafezinho. Era fácil lidar com ele, que era brincalhão. E ele tomava vários cafezinhos durante o dia”, falou sobre o então jovem político, que retorna à Prefeitura em 96, depois de ter, inclusive, concorrido ao governo do Estado. “Aí Prefeitura já funcionava no Cesec. Ele voltou com mais experiência, mais exigente com horários, com os secretários, mas continuava uma pessoa de fácil convívio, brincando com todo mundo”.
Mas antes do retorno de Garotinho, Seu Zé atuou no gabinete do prefeito Sérgio Mendes e, depois, em 98, no primeiro mandato de Arnaldo Vianna. “Sérgio Mendes também era uma pessoa boa de se lidar, só que mais fechado. E ele não era muito de beber café, só um, quando chegava, que eu servia com um copo de água”, contou o garçom, que apresentou o prefeito Arnaldo Viana como o mais popular. “Doutor Arnaldo era muito brincalhão. Ele ia para cozinha, pedia 'um cafezinho para começar bem o dia' e ficava ali, conversando. Com ele a Prefeitura era mais movimentada. Era o mais extrovertido. Se chegava gente aborrecida, saia sorrindo, contente com ele. Se a pessoa estava irritada, eu também já servia uma água e um café e a pessoa saía tranquila”.
O período era conturbado, novas eleições em Campos, mas Seu Zé apontou o mandato de Mocaiber como “um período muito bom”. “Ele era muito educado, muito bom para atender. Chegava cedinho”. E o garçom também elogiou Geraldo Pudim, que teve uma passagem relâmpago pela chefia do Executivo. “Também muito muito simpático e brincalhão no trato com as pessoas”. Outra passagem rápida à frente da Administração Municipal foi a de Roberto Henriques, de março a abril de 2008. “Ele gostava muito de conversar. Teve um dia que mandou me buscar em casa, para fazer o cafezinho dele. Até hoje, se me vê na rua, vem falar comigo”.
Em 2009, assume Rosinha e, lá está, Seu Zé, que já a conhecia dos anos em que foi a primeira-dama do município. “Ela foi muito boa como prefeita, fez muitas coisas. Era agradável com todo mundo, mas não era de muita brincadeira, como Garotinho. E gostava de café forte e bem quente, também de um copinho de água com limão”. Falou o senhor que, no período em que a prefeita foi afastada, também serviu a Nelson Nahim, que era presidente da Câmara de Vereadores e ocupou o lugar de Rosinha de julho a dezembro de 2010. “Ele só não bebia café. Eu fazia bananinha assada para ele e nem assim ele tomava café”.
Rosinha retornou e, ao fim de sua gestão, assume o prefeito Rafael Diniz, em cuja gestão seu Zé deposita muito confiança. “Ele já chegou me abraçando”, disse o senhor, que lembrou do neto de Zezé Barbosa criança, correndo e fazendo bagunça no gabinete da Vila Maria. “Ele também chega cedo e é muito trabalhador. Entrou querendo fazer um bom governo, fazer tudo como o avô fazia, mas achou a Prefeitura em dificuldade e foi fazendo aos poucos. Agora está ajustando as coisas e começou a esquentar. Começou trabalhando sem dinheiro, com atraso nos pagamentos, mas até o pagamento dos RPAs está fazendo. Rosinha fez muita coisa, mas não entendo essas dívidas que ficaram na Prefeitura. Rafael, mesmo com todo o ‘imprensa’, está acertando o governo e tenho certeza de que deixará sua marca em Campos”, afirmou o servidor da Prefeitura.

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