Taxista de São Paulo foi amarrado e jogado em ribanceira, afirma delegado da 134ª DP
Verônica Nascimento 06/09/2018 12:21 - Atualizado em 10/09/2018 13:17
Divulgação
A morte do taxista de São Paulo José de Oliveira Filho, 64 anos, foi tema de coletiva de imprensa no final da manhã desta quinta-feira (6). De acordo com o delegado adjunto da 134ª Delegacia de Polícia (Centro), Pedro Emílio Braga, as investigações buscam descobrir o que teria ocorrido no percurso entre São Gonçalo e Rio Bonito, quando a vítima teria sido rendida e, com os braços amarrados, passada para o banco do carona. A possibilidade de luta corporal não foi descartada e a polícia solicitará exames para verificar se o sangue encontrado no táxi é somente do taxista. O táxi, um Cobalt branco, foi achado com marcas de sangue na manhã de terça-feira (4) em Campos, abandonado à margem da BR 101, em Ibitioca. O corpo de José foi encontrado horas depois, à noite, em Rio Bonito.
O delegado contou que José, taxista há 40 anos, foi contratado para trazer duas famílias de São Paulo para Campos. “Ele saiu da rodoviária de Tietê, na capital paulista, por volta das 12h30, trazendo dois casais e cinco crianças, uma de colo e quatro pequenas. A vítima veio fazendo contato com a família e o último contato, com a esposa, foi às 19h50, quando ele estava próximo a São Gonçalo. Nessa noite, entre São Gonçalo e Rio Bonito, algo ocorreu e resultou na morte dele. O corpo foi deixado à margem da BR 101, ribanceira abaixo, em São Gonçalo, com os braços amarrados e uma perfuração no crânio com saída pelo globo ocular. Os passageiros seguiram com o táxi roubado, que foi abandonado em Campos”, ressaltou Pedro Emílio.
Para convencer o taxista a aceitar a corrida, o grupo teria contado que estava vivendo na rua, em São Paulo, e que não tinha condições de pagar a passagem de ônibus para Campos, onde teria parentes. “Ele cedeu ao argumento das famílias, porque disseram que estavam vivendo sem condições em São Paulo e que em Campos, onde tinham parentes, teriam mais chance de conseguir uma residência e trabalho. Pagaram R$ 900, empenhando um celular que seria recuperado no final da corrida, em Campos, onde alguém arcaria com mais R$ 600”.
A polícia ainda não sabe se o crime foi premeditado. “Em determinado ponto da viagem, o taxista foi rendido e pode ter havido luta corporal. Ele pode ter reagido, porque amarraram os braços dele e devem tê-lo passado para o banco do carona, onde foram encontrados mais vestígios de sangue e também no painel e no chão, na direção do banco do carona. Algo ocorreu quando ele foi rendido e conduzido para um segundo local, resultando em sua morte, mas ainda estamos verificando e não temos como dizer se o crime havia sido planejado”.
No veículo, a polícia apreendeu comprovantes de pedágios, cujas câmeras foram verificadas. “As imagens serviram só para definir os horários do táxi na estrada, mas não mostram o motorista e os passageiros. O delegado disse, ainda, que um exame de confronto genético será solicitado para averiguar se o sangue encontrado no carro e em algumas roupas deixadas no veículo são somente de José. “Não há suspeitas de um segundo crime, mas as famílias ainda estão sendo procuradas e as investigações seguem abertas”, concluiu Pedro Emílio.

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