Murillo Gouvêa avalia primeiros meses na Câmara Federal
Rodrigo Gonçalves, Cláudio Nogueira e Matheus Berriel 29/04/2023 08:13 - Atualizado em 29/04/2023 09:22
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Único representante da região na Câmara dos Deputados, o deputado federal Murillo Gouvêa (União) foi o entrevistado dessa sexta-feira (28) do Folha no Ar, da Folha FM. Eleito com 49.921 votos, ele fez uma avaliação dos primeiros meses de mandato e sobre o que espera do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A integração com os municípios da região, Governo do Estado e Alerj também foi destacada. “Nosso maior desafio é salvar todos os municípios da situação de calamidade financeira que estão vivendo pela queda de ICMS e por extrapolar os tetos da saúde. A gente está muito próximo do interior, dos prefeitos. Nós estamos aqui para somar, de qualquer lado político que for”. Sempre que pode, Murillo está por Itaperuna, sua terra natal, cujo prefeito Alfredão é seu pai. Ciente dos desafios, o deputado, além de direcionar sua atenção à região, terá pela frente discussões importantes na Câmara Federal, onde é alinhado com o presidente Arthur Lira (PP). Gouvêa vem ganhando ainda mais destaque dentro do seu partido, que recentemente passou por mudança no comando no diretório do Rio de Janeiro. Apesar de alguns deputados terem ingressado com ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pedindo a desfiliação, Murillo resolveu ficar e já vislumbra a possibilidade de ter o presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar à frente da sigla no estado.
 
Início de mandato — É tudo muito novo, mas não é nada que a gente não já estava caminhando (...) Não cheguei lá como um soldado que nunca viu política. A gente está tendo um relacionamento com outros deputados, com amigos senadores. Nós estamos conversando muito com os ministros do governo atual, que a gente tem que dar um voto de confiança. Sei que eles estão um pouco perdidos por ser começo de governo, mas eu acho que a gente tem que dar um voto de confiança. Quem está no Executivo passa por um momento de ser muito apedrejado. Quem está fora fica apedrejando. Mas, a gente que vem de um trabalho do Executivo, como eu trabalhei com meu líder, com meu pai, o prefeito Alfredão, a gente sabe que dentro do Executivo as coisas não funcionam do tipo que a gente imagina. Tem as burocracias, tem as leis que a gente tem que seguir, e às vezes a gente não consegue. É uma série de fatores, e a gente tem que ter muito carinho e muita atenção em falar, porque as pessoas cobram do poder público. Infelizmente, hoje a política tomou um rumo que ficou manchando. Mas, não são todos políticos que estão ali para fazer algo que não é em benefício para o povo. A gente não pode generalizar.

Relação com o governo Lula — Eles (integrantes do governo) estão com dificuldade de botar as coisas do governo para votar, ou seja, com insegurança de colocar e ser derrotado. A Câmara está muito unida e está com muita vontade de dar oportunidade de o governo trabalhar. Tem oposição? Tem. Mas, tem a oposição também sadia, que está com o intuito de dar voto de confiança, porque todo mundo quer que dê certo. Hoje, o presidente é o Lula, e a gente torce para dar certo, porque, se der errado, quem está sendo prejudicado é o Brasil, é o Estado, é o povo. Então, nesse momento, o governo, em termos de relacionamento com a Câmara Federal e com o Senado, está um pouco perdido. Mas, é um começo de governo. Até se achar, até conseguir se consolidar ali, eles vão ter um entendimento diferente. Está tendo muita conversa. A gente também tem que ver o que é em favor do povo para votar.

Ligação com Lira — Sou muito alinhado com o presidente (da Câmara, Arthur Lira). É equilibrado, é um cara muito ético, é um cara de palavra, é um cara sensato, é um cara que não está ali para jogar, pressionar governo, pressionar deputado, ficar barganhando com deputados. Eu me identifiquei muito com o presidente Lira, votei nele. Tudo está começando agora, mas começando de forma muito sólida. A gente tem um posicionamento firme, que não é por uma ou outra pessoa colocando pilha. A gente escuta um, escuta outro, estuda o nosso grupo de trabalho, escuta os outros deputados experientes. Quando a gente tem uma decisão, a gente tem opinião própria.

Arcabouço fiscal e PL das fake news — São pautas muito polêmicas. Não são as primeiras, mas também não vão ser as últimas. Vão ser pautas com rotina dentro do nosso Parlamento. Estou tendo muita cautela para falar, até mesmo porque eu tenho que discutir mais. O arcabouço fiscal é uma pauta que eu vou deixar até mais um pouco para frente, porque eu tenho que me aprofundar, tenho que discutir mais com a equipe, discutir mais com deputados. Mas, tem pautas que já estão de imediato. Semana que vem tem a PL das fake news. Eu mesmo sou a favor da PL. Sou a favor, por conta de que a gente tem que ter a liberdade de se expressar, mas liberdade para expressar coisa verdadeira. Expressar coisa que é mentira, não pode. (...) As pessoas têm que ter respeito. O político chora, o político come, o político tem que ter seu momento de diversão... Político trabalha muito. Então, as pessoas têm que entender isso.

Unir forças — Hoje, o Congresso está muito dividido entre direita e esquerda. Mas, às vezes vai para um lado de direita radical ou esquerda radical. Eu tenho o meu posicionamento, não vou mudar dele: acho que a gente tem que pensar em fazer pontes. Aprendi muito isso com o meu pai, tenho orgulho de ser filho do prefeito Alfredão. O município (de Itaperuna) está passando uma das maiores dificuldades, o Noroeste está passando uma das maiores dificuldades, os municípios do Rio estão passando uma das maiores dificuldades, pela queda de ICMS. Tem que ter união com os prefeitos, tem que ter união com os deputados. Isso precisa não é de um deputado abraçar, mas de todos os deputados abraçarem. Os municípios sobrevivem de arrecadação. As demandas da saúde não acabam, as demandas dos buracos da rua não acabam. Nós temos uma saúde em que há 10 anos não é revista a tabela SUS. O governo precisa olhar com seriedade é nisso, porque é aí que nós vamos crescer, é aí que nós vamos avançar. A gente tem que ter essa união, tem que ter essa maturidade. Vai haver muitos projetos polêmicos lá, muitas PECs polêmicas. Vai ter umas em que o Murillo, deputado federal, vai levar porrada, não tem problema. Estou preparado para isso! Porque tem coisa que às vezes eu estou votando lá, e a pessoa aqui da ponta não está entendendo, mas eu estou votando lá com um interesse maior aqui no Norte e Noroeste Fluminense.

Presídio de segurança máxima — Entrei em contato com o Governo do Estado, com a secretária de Administração Penitenciária. Queriam colocar um presídio de segurança máxima em Itaperuna ou em Macaé. Eu pedi para não botar nem em Itaperuna e nem em Macaé, nem em nenhum lugar do interior do estado. Instalem em outro lugar. O que nós estamos precisando aqui é de investimento, é de aeroporto funcionando, é de empresas que venham para cá, é de policiais que estão fora trabalharem na sua área... Há policiais que se formaram há 10, 12 anos, e não conseguiram vir para a sua região. Nós precisamos de ter isso equacionado. Não é trazer presídio para a nossa região, isso não pode. Estava mesmo programado para vir para Itaperuna. Ainda não estava certo de vir. Mas, já deu um intervalo e isso não vai vir no momento. E eu vou aonde for preciso para o nosso povo do interior do estado não receber presídio. Isso não pode acontecer (...) O Governo do Estado é um governo do bem, é um governo sensível, é um governo que ajuda a todos os municípios por igual, tanto no interior quanto na capital. Mas, precisa ter uma atenção melhor com a região Noroeste, com a região Norte, porque senão a gente fica esquecido. Hoje, eu sou o único deputado federal do Norte, Noroeste, de todo o interior do estado.

Relação com prefeitos — Eu tenho uma relação boa com todo mundo. Estou aqui pronto a servir a todos que me procuram. Estou vendo algumas demandas, no estado e lá em Brasília, do que é da região para atender. Eu sei que tem alguns prefeitos que têm compromisso com A ou com B, só que eu tenho compromisso é com o povo do interior. Eu estou aqui para atender a todos os prefeitos, porque eles são representantes de cada cidade (...) Existem as articulações políticas, isso faz parte, porque é política, se não tiver articulação não tem jeito. Eu sou um cara da paz, eu sou um cara do diálogo, eu sou um cara de fazer pontes. Já tive erros no passado, como qualquer um de nós terá. Mas, hoje a minha responsabilidade é muito grande, e eu arco com ela com muita seriedade, com muita transparência, com muita verdade e, principalmente, com muita vontade de fazer algo para o interior do estado.

Demandas — A gente já tem conversado sobre as bacias hidrográficas. Já estive na Uenf, onde tem um estudo, porque há as cheias e as secas todo ano. Tem um projeto que começou com o prefeito Wladimir, enquanto deputado, sobre o semiárido e a gente tem que dar segmento. São várias coisas. Estou pronto aqui a seguir, a andar. Eu não olho pelo retrovisor. Peço também que as pessoas não olhem. Vamos andar para frente! Estou aqui para atender a todo mundo, atender à região.

Visita a Atafona — Avançamos com um grupo para a gente tentar buscar uma saída com a bancada do Rio para resolver a questão do avanço lá na praia. Às vezes a gente pode entrar com uma contrapartida com o Governo Federal e equacionar aquilo dali. Está acabando com casas tradicionais, casas de pessoas que viveram a história, há muito tempo, e hoje não estão podendo ir. Então, a gente vai fazer um trabalho ali. Vou convidar o ministro para ir ali, vou chamar outros colegas deputados que ajudam o Norte e Noroeste. A gente precisa plantar a primeira semente. Eu fiz um compromisso com os vereadores lá, fiz um compromisso com as lideranças lá. O projeto, se eu não me engano, fica em R$ 4 milhões. Esse ano, eu destino verba do nosso gabinete para fazer o projeto. E a partir do ano que vem a gente entra numa força-tarefa com outros deputados, articulando com todo mundo lá. Uma semente nós vamos plantar lá. Eu não posso afirmar que nós vamos resolver. Mas, uma semente do nosso mandato nós vamos mandar para lá, porque é importantíssimo.

Força do interior — É para isso que nós estamos aqui: para dialogar com o Governo do Estado, para dialogar com o Governo Federal, para dialogar com os deputados da nossa região. Temos aí uma referência muito grande, que é o Rodrigo Bacellar, hoje presidente da Alerj. O interior do estado está num protagonismo que há muito tempo não tinha. O Chico Machado é um cara que está dentro da Assembleia com bastante influência; tem o deputado Jair Bittencourt, que é da nossa cidade, é um grande amigo. O Rodrigo chegou a ser secretário de Governo e ajudou muito ao governador Cláudio Castro. Muitas dessas obras em todo o estado têm dedo de Bacellar. Ele criou o programa Segurança Presente junto com o governador. Isso salvou muitas vidas! A gente está buscando trazer também para a nossa região. Então, o estado está tendo uma fase muito boa, e o interior do estado está com muita representatividade no momento. Tem a gente como deputado federal. Estamos lá para somar, sem divergência.

Permanência no União — Eu tenho o meu mandato independente e quis seguir com a nacional. Não tenho divergência com nenhum deputado, mas entendi que não é o momento de eu trocar de partido (...) Minha construção agora não é de escolher partido, e sim de escolher investimento para a nossa região. Optei por isso e estou tranquilo, estou em paz comigo. O que eu quero é trabalhar para a nossa região. Partido é quando tem eleição a prefeito, quando tem a minha reeleição a deputado (...) Achei que o entendimento não estava coerente e segui com a nacional, junto com o vice-governador Thiago Pampolha, junto com o secretário Bruno Dauaire e junto com outros personagens do União Brasil... Márcio Canela e outros deputados mais, com quem a gente dialogou, conversou.

Bacellar presidindo o partido? — Fiquei muito alegre, não foi uma notícia que me pegou de surpresa. A gente está em Brasília e sabe dos bastidores, está participando das conversas. Rodrigo é um cara de quem gosto muito, tenho amizade com Rodrigo desde a infância. Não na política, porque na política a gente começou agora. Mas, fico muito feliz de ter o Rodrigo na presidência, se isso se concretizar mesmo, e tem tudo para se concretizar. Fico muito feliz. Tenho certeza de que vou ser útil para ele, vou ajudar a somar. Eu sou um cara que não quero estar em cabeça de nada. Quero estar ali como um soldado, trabalhando. Já tenho aval de que eu vou para a executiva estadual do partido, vou fazer parte junto com eles, e fiquei muito feliz com essa construção do Rodrigo. Ele é um cara que tem visão, é um cara que lida com vários deputados, lidou com o estado todo, ajudou o estado todo, tem entrada em todos os municípios. Tenho certeza de que nós vamos fazer do União Brasil um dos maiores partidos do Rio de Janeiro. Pode ter certeza disso, porque estou com muita vontade de trabalhar, e o Rodrigo, se for da vontade de Deus de ele estar mesmo na frente, torço muito para oficializar isso. Está muito maduro. Isso oficializado, tenho certeza de que a gente vai trabalhar com muita seriedade, muita verdade, muita transparência (...) Hoje Bacellar é o segundo homem do estado, com muita responsabilidade, com muita clareza. É o presidente da Alerj, um cara que está trabalhando, conduzindo a Casa com muita coerência, com muito diálogo.

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