Nossas músicas
21/01/2017 | 18h42
Nossas músicas
Cãndida Albernaz
Está ouvindo a música? “... Ouça, vá viver a sua vida com outro bem. Hoje, eu já cansei de pra você, não ser ninguém...” Há quantos anos não a escutava? Lembra-me um dos verões que passamos juntos. Que ano era aquele? Você também não sabe, não é? Tanto tempo... A gente conseguia rir de tudo. Era isso mesmo, naquela época não tínhamos motivo para não aproveitar.
“... Nunca mais vou fazer o que meu coração pedir. Nunca mais vou ouvir o que meu coração mandar...” essa música me recorda cada coisa. O Antenor atrás da Vilminha e ela nem ligando para ele. O sujeito tomava um porre atrás do outro! E todos nós achando engraçado o sofrimento dele. Ninguém conseguia levar aquilo a sério. Dizia que sem ela ia acabar se matando. Vivia nos extremos, o Antenor. Até que uma noite você chegou com uma amiga e ele com o dia quase amanhecendo, veio falar que agora sim, conhecia o que era amar. O que sentira no passado pela Vilminha fora um engano. Amor à primeira vista, meu irmão. Isso é que é amor real. E olhávamos para ele, ríamos da cara de bobo que fazia e continuávamos rindo imaginando o quanto sua amiga ia penar com esse amor de perseguição que ele ia entornar com vontade em cima dela.
Estou vendo nos seus olhos que está rindo também. Gosto quando a vejo mais animada. Não está com frio? Se preferir, podemos entrar. Mas acho que você também quer ficar mais um pouco. A noite está bonita e amanhã fará sol. Céu estrelado. Será que nossa estrela ainda está lá? Todo jovem de nossa época tinha uma.
Ouve essa que está tocando agora? Alguém que viveu nossa juventude relembra. Como nós.
“... Ainda é cedo, amor. Mal começaste a conhecer a vida. Já anuncias a hora da partida...” adorava, não é mesmo? Lembro de ouvir você cantando algumas vezes. Voz linda. Nunca falei, mas quando a ouvia sentia um desejo enorme de você. É isso mesmo. Sua voz cantando me deixava louco. Rindo de novo? Acho que fazia de propósito. Sabia que mexia comigo. Às vezes, tínhamos brigado e daqui a pouco você passava por mim interpretando alguma música. Baixinho. Mal me aguentava de vontade de fazer as pazes. Fale a verdade. Quantas vezes usou isso para me seduzir?
Ei! Que olhar triste é esse agora? Só porque não pode mais cantar? E daí? Também já não posso fazer tanta coisa... E você sempre me atraiu. Corpo, olhos, boca, voz. Sabe disso, não sabe?
Ouve “... Eu sei que vou te amar, por toda a minha vida eu vou te amar...”
Você adorava me ver remando. Eu era um bocado forte. Sei do que você mais sentia atração em mim. Meu peito, que era largo, musculoso, costumava passar os dedos nele e quando me abraçava, apertava seu rosto ali. Gostava de remar por nosso clube. Depois a vida, o trabalho, fez com que eu parasse.
Sabe quem vi no outro dia? Romualdo. Lembra dele? Está velho, encurvado. Acho que pensou o mesmo de mim. Mas não estou tão velho assim. Claro que ando evitando os espelhos. Essa porcaria de espelho não mostra como me sinto. E aquele que vejo ali refletido não tem nada a ver comigo. É apenas a casca, porque ainda tenho um fôlego danado. Fala para mim: sou bonitão apesar da idade, e esse cabelo branco me dá charme. Você dizia isso quando eles começaram a aparecer. Falava que me deixava ainda mais interessante e que ia precisar me vigiar em dobro, porque mulher adora homem começando a ficar grisalho.
Está esfriando, melhor entrarmos. A música também parou. Acho que quem ouvia resolveu dormir.
Deixe ajeitar a manta em seus joelhos. Pronto. Essa cadeira que comprei é melhor do que a antiga. Mais leve para empurrar.
Sabe qual a parte que mais gosto do dia? Quando tiro você daí, a hora de deitá-la na cama. Coloco-a no meu colo e sinto seu corpo. Vejo o rosto tão próximo do meu e sinto saudades. Mas hoje é uma saudade boa. Deixou de ser doída.
12-10-2010.
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Pequena parte
21/01/2017 | 18h42
Pequena parte
Cândida Albernaz
Ele sentou na cadeira da sala enquanto ela se acomodava na outra e ficou olhando-a. Talvez esperasse algum comentário. Ou simplesmente pensava no melhor momento de tocá-la.
Ela perguntou sobre seu trabalho. Ele começou a falar do jornal, dos horários inusitados, a busca por matérias que atraíssem o leitor, o desejo de um dia poder publicar o que quisesse... E seguiu falando do time de futebol pelo qual torcia, o técnico que deveria ser trocado, o jogador tal que mal sabia chutar uma bola e por isso e aquilo o time continuava a perder...
Ela o ouvia absorvendo suas palavras como se fossem únicas, observando-o. O jeito como mexia a boca grande e cheia, aliás, foi aquela boca a primeira coisa que chamou sua atenção. A forma como passava as mãos nos cabelos negros.
O assunto agora era o amigo Bruno, de quem ela nunca ouviu falar, que terminara com a namorada e aproveitava todas. Ele fazia o mesmo.
Os olhos pretos embaixo da sobrancelha grossa, a olhavam durante a conversa em que ela fazia uma nova pergunta ou concordava com algo dito por ele.
As mãos com dedos longos pareciam hipnotizá-la, no movimento de pegar a taça de vinho tinto sobre a mesa e beber. Percebeu seus olhos sobre ele e sorriu confiante. Dentes brancos iluminaram o rosto jovem com a barba por fazer.
Não entendia bem porque estava ali. Sabia muito bem porque estava ali.
Notou que era ele quem a examinava agora. Sua vez de sorrir e comentar sobre o que gostava, de um filme ou outro que assistira, ou alguma história interessante que vivera. Sempre evitara falar de si mesma, preferia ouvir.
Fez uma nova pergunta a ele, queria saber sobre suas expectativas dentro da profissão. O que pretendia mesmo era ouvir sua voz mais um pouco. Respondeu com empolgação, gostava do trabalho e tinha prazer em conversar sobre o assunto.
Ela olhou em volta, sabia que no cômodo ao lado havia um quarto e uma televisão que ele ligara. O som chegava baixinho até eles.
Conheceram-se há um mês, e vinham se encontrando. Dançaram e conversaram um pouco na primeira vez. Na segunda ele tentou levá-la a um “lugar mais tranqüilo”, mas ela teve receio. No terceiro e quarto encontro, a proposta se repetiu, até que resolveu ceder. Sentia-se atraída.
Agora estava ali, naquela sala sentada diante dele e morrendo de vontade que a tocasse. Ele deve ter percebido, porque levantou, e chegando perto dela, puxou-a pela mão.
* * *
Deitados um ao lado do outro, ele estendeu o braço para que encostasse a cabeça em seu ombro. Falou sobre qualquer coisa sem importância e ela pensou que gostaria de mais um beijo e de sentir as mãos dele em seu rosto. Não pediu que fizesse isso e ele não fez.
Era tarde, precisavam ir. Vestiram-se e na saída ele abriu a porta para que passasse.
Dentro do carro, colocou um cd. Ouviram música durante o curto trajeto até a casa.
Em frente ao portão, um beijo rápido e um ligo para você.
Desceu do carro e parada na calçada, olhou enquanto este se afastava.
Entrou na sala e não tocou no interruptor.
Ele não sabia que quando uma mulher se entrega a um homem, não é apenas seu corpo que ela está oferecendo, pequena parte de sua alma está indo junto.
Desculpe por querer mais
21/01/2017 | 18h42
Cândida Albernaz
Foi naquele dia em que eu não estava aqui. Esse o dia que você escolheu ir para todo o sempre.
Não consigo aceitar e por muitas vezes tenho raiva de seu egoísmo. E uma culpa enorme por não ter percebido que não bastava te amar de forma incondicional. Era necessário que estivesse presente o tempo todo, para que os minutos não fossem desperdiçados e cada lembrança viesse ainda mais rica de detalhes.
Eu podia ter desistido de mim se soubesse antes o quão pouco ainda estaria comigo.
Fui à praia, como em quase todos os feriados e você não quis ir. Não era a primeira vez que desistia e não me incomodei. “Talvez seja bom ficar sozinha, terei mais tempo para não fazer nada”, porque apesar de não parecer a olhos alheios, você exigia minha presença todo instante.
Quantas vezes fiquei chateada por estar pronta para sair e você entrando no quarto reclamava da “única camiseta que gosto” estar amarrotada. O armário abarrotado delas, mas era aquela que queria. Não falava mais nada, mas achava ler em seus olhos um pedido de ajuda. Armava a tábua e impaciente passava a camiseta, a calça, a bermuda ou qualquer outra peça que quisesse usar no momento em que estava atrasada para um compromisso. Às vezes nem um obrigado escutava.
Quando o vi pela primeira vez, os olhos bem abertos me impressionaram, porque percebi que exigiria de mim o máximo de tudo que eu faria questão de dar.
E foi exatamente assim. A cada pedido, a ordem era obedecida e na grande maioria com prazer. Nunca quis dar menos a você do que dei, ao contrário, se conseguisse iria além.
Não haviam muitos “obrigados”, mas de quantos “eu te amo” me alimentei? Você não media seus carinhos, vinham na mesma proporção de suas exigências. Como sinto falta das duas coisas!
Nesse dia em questão, saiu tarde de casa com os amigos. Não estava ali para dizer mais uma vez sobre os perigos de qualquer dia ou noite em que eu não pudesse estar por perto. Disseram-me que se divertiu muito contando todas as histórias engraçadas que sabia, fazendo com que eles rissem. Dançaram, beberam e só quando voltava para casa com a garota que o escolheu para “ficar” , como vocês costumam dizer, é que tudo deu errado.
Estavam em frente a casa dela, dentro do carro que ganhou de seu pai havia poucos meses. Quanto alertei sobre ficar namorando na rua! Sei que era uma chata, mas a gente tem que falar e repetir todas as vezes porque na maioria delas, vocês não costumam levar em consideração.
Os caras chegaram e armados conseguiram que você levasse o carro para aquele lugar deserto. Parece que estou vendo sua garota daquela noite pedindo ajuda, e mesmo sob a mira de uma arma não conseguiu ficar apenas olhando. Reagiu tentando tirar um deles de cima dela, enquanto o outro atirou. Não adiantou nada não querer engolir seco e apenas olhar enquanto tudo se desenrolava. Perdeu a vida e não evitou que ela fosse machucada pelos dois.
Desculpe menina, por eu pensar que se estivesse ali teria pedido a ele que ficasse quieto em vez de defendê-la.
Desculpe por achar que mesmo se fosse eu no seu lugar teria preferido que ele não se metesse. Dessa forma eu ainda o teria, humilhado, machucado também, mas estaria aqui e eu cuidaria para que esquecesse de tudo.
Quando soube do que havia acontecido, só me entregaram o corpo sem vida. Ainda queria falar tanta coisa! Explicar mais uma vez que viver normalmente, como a maioria das pessoas vive, pode ser perigoso. Queria poder ser chata e repetitiva e nem precisaria me agradecer por nada que fizesse. O que queria mesmo era ver seus olhos bem abertos me observando exigentes, sem falar nada.
Podia ser pior
21/01/2017 | 18h42
Podia ser pior
Cândida Albernaz
E essa fila que não anda? Vou chegar atrasada no serviço e a patroa vai encher o saco. O Nandinho está com febre outra vez e não dormi a noite inteira. Vou ter que ir com ele para a casa de dona Márcia. Já sei como será. Vai dizer que não tem problema, coitadinho, mas quando o patrão chegar, não deixe que o menino faça barulho. Sabe como ele é...
Sei sim. Sei que impedir que meu filho, com dor de ouvido e febre não faça nenhum barulho, é impossível. E se ele chorar? Tem só três anos. Nós que somos adultos quando sentimos alguma coisa botamos a boca no mundo e choramos... Imagina uma criança.
Eu devia ir para casa quando saísse daqui. Mas dona Márcia vai oferecer, é, O-FE-RE-CER um jantar esta noite para os amigos. Prometi que faria a comida. Ela falou que vai me dar um dinheirinho por fora. Estou precisando, não posso recusar, principalmente agora que minha mãe foi morar com a gente. Estava na casa do meu irmão, mas a nora começou a implicar porque ela dormia na sala e com isso a desarrumava.
Não quer ter trabalho aquela lá. Também não é mãe dela, não tem obrigação. A diferença é que minha cunhada tem uma pessoa que cozinha, limpa, o mesmo que eu faço na casa de dona Márcia. Meu irmão vive com mais fartura do que eu. A mulher dele botou mamãe para dormir na sala de propósito. Bem que podia ficar no quartinho onde ela guarda uns pratos e panos que pinta. Diz que é artista e que precisa de um espaço só para ela.
Pois sim! Nunca vendeu um daqueles pratos ou panos. Já vi vários iguais. Copia tudo de umas revistas que compra. Se tivesse talento, mas sai tudo mal feito. Outro dia me levou até lá como se fosse um santuário, e mostrou o que estava fazendo. Falei que era bonitinho. Pensa que gostou? Que nada! Disse que bonitinho não era adjetivo para o trabalho dela. E eu lembro o que é adjetivo? Fiz escola faz tanto tempo. Hoje só sei o que a vida me ensina.
A verdade é que botou mãe na sala com tanto espaço sobrando para uma cama naquele lugar. Claro que ela não conseguia dormir direito, e quando a porta da rua abria, entrava um vento que fazia com que gripasse.
Tirei de lá e trouxe para minha casa. Cuido melhor dela e não fico devendo nada para ninguém. Cunhada artista! Dá até vontade de rir.
Está chegando a minha vez. Nandinho continua quente. Dormiu um pouquinho, sinal de que a dor diminuiu. Não gosto de ver meu filho sofrer, não. Tão engraçado quando está com saúde. Eu e o pai ficamos iguais a bobos com ele, rimos de qualquer gracinha que faz.
Essa noite ele quis ajudar. Falou para eu dormir que ele olhava nosso filho. Não deixei. Sabe por quê? Ele trabalha o dia inteiro também, como eu, mas mexe com máquina. Um amigo perdeu um dedo dia desses. Falta de atenção. Não quero que meu marido se arrisque.
Bom pai, ele. Vivemos uma vida apertada, mas não falta o principal.
Homem trabalhador, responsável. Um pouco sério demais, mas não dá para ter tudo nessa vida.
Quando falei que mãe teria que viver com a gente, olhou nos meus olhos: trás para cá, damos um jeito. É isso que admiro nele. A segurança que me dá. Está sempre pronto para proteger a mim e a nosso filho, nunca deixei de contar com ele.
Enfim vamos ser atendidos por um médico. Espero que esse tenha paciência para me ouvir falar sobre o que meu filho sente, porque tem uns, que mal dão tempo de explicar. Olham para a criança, vêem como está a garganta e receitam. Não gosto desses, nem sei por que estão ali. Deviam trabalhar em outra profissão.
Vai dar tempo de preparar tudo na casa de dona Márcia. Coloco o Nandinho num colchonete lá atrás e faço meu serviço. Espero que ele não chore, não é do meu feitio incomodar os outros. Menos ainda ser chamada a atenção. Quero ver quanto dona Márcia vai me pagar.
Chamaram meu número: -boa tarde, doutor. Meu filho está com febre há dois dias...
Vamos dançar?
21/01/2017 | 18h42
VAMOS DANÇAR?
Cândida Albernaz
- Você não vive dizendo que adora dançar?
- E daí?
- E daí que estamos aqui há uma hora e você não sai desta cadeira.
- Pode ir, nem ligo.
- Como assim? Vou dançar sozinho? Melhor irmos embora.
- Quero não.
- Mas, eu sim. Ontem você disse que estava louca para dançar. Viemos ao forró pra isso e nada.
- Poxa! Não posso mudar de idéia?
- Sem explicação? Não.
- Você não vive dizendo que gosta de me ver feliz?
- E?
- Estou felizinha sentadinha aqui.
- Só que eu estou de saco cheio de continuar sentado. Olha lá nossos amigos. Todos colados nas garotas deles.
- Estou vendo. Inclusive a disfarçada da Lucinha. Parece que vai engolir o Fábio. Viu como ela se gruda nele?
- E o que você tem com isso?
- Isso o quê?
- Que história é essa de ficar com ciúmes do Fábio?
- E quem disse que estou com ciúmes?
- Você... reparando muito em quem gruda nele ou não.
- Eu nada. Não gosto dela.
- E posso saber por quê?
- Porque, porque...você pergunta muito!
- Deu para gaguejar agora?
- Gaga nada. Falo até muito bem.
- Estou esperando a sua explicação.
- Olha,meu amor... você me convenceu. Vamos dançar.
- Quem não quer dançar agora, sou eu.
- Ih... Começou!
- Você ainda não disse o porque da raiva da Lucinha.
- Está bem, já que deseja... pensa que não vi o jeito que você olhou para ela quando chegou?
- Eu?!?
- Não faça essa cara de bobo.
- Então, você resolve virar o jogo contra mim!
- Sei que ela é linda. Aquele corpão... todo o mundo sabe que ela toma bomba. Olha o tamanho da bunda! E as pernas então? Ne-nhu-ma celulite!
- E o que isso tem a ver?
- Todos ficam loucos quando ela passa.
- Ela é bonita, é verdade. Mas... louco mesmo, eu sou apenas por você.
- E não mude de assunto! Vai me dizer que vocês não ficam comentando sobre ela? Que é gostosa, isso e aquilo...
- Não tem nada disso.
- Olha lá! Acabou de dar um beijo no pescoço de Fábio. Parece uma vampira. É uma vagaba...
- E o que é que você tem com isso?
- Nada, já disse. Só não aguento ver como ela se joga para cima de todo o mundo.
- Fábio não é "todo o mundo". E, pelo que sei, não está namorando ninguém. Ela também não.
- É, ele não namora ninguém.
- Está repetindo o que falei. Por quê?
- Ai! Para com isso. Vem, vamos dançar. Adoro essa música.
- Nós vamos dançar em casa. Vou pedir a conta e avisar que aos outros que já vamos.
- Não, amor. Deu uma vontade danada de dançar agarradinha com você...
- Chega, já disse!
- Amor, me deixa sentar no seu colinho. Agora me abraça, vai. Dá um beijo daqueles?
- Por que mudou de repente?
- Mudei não, amor. É que não gosto de ver você zangado... me beija, vai...
- ...
- Adoro quando você me beija desse jeito!
- Mesmo? Então vem cá.
- ...
- Vamos para casa, vamos. Quero ficar sozinho com você. Aqui tem muita gente.
- Está bem querido. Mas antes dança só uma musiquinha comigo?
- Você quer mesmo? Tem certeza?
- Hum-hum. Quero sim. Vamos mostrar à Lucinha e ao Fábio como é que se dança um forró.
- De novo?!?
Sua mente dentro da minha
21/01/2017 | 18h42
Sua mente dentro da minha
Cândida Albernaz
Ele está me esperando. Chegou cedo, não sei o porquê. Ou melhor, é claro que sei. Vive tentando me pegar em alguma atitude que jamais cometi.
Olha com desconfiança enquanto arrumo as frutas que comprei, no pote em cima da mesa da cozinha.
Com os braços cruzados, fixa em mim olhos de acusação. Tento fingir que não percebo aquele fogo que parece deixar rastros no meu corpo. Sinto-me queimar e uma culpa pelo que não fiz começa a me consumir.
Mesmo que tente, não consigo transmitir firmeza ao falar, sinto insegurança e com medo de sua imaginação.
Em alguns momentos sua loucura parece ser minha, fazendo com que duvide de mim mesma.
Começo a preparar o jantar e comento que o esperava mais tarde. “Saí para comprar frutas. Trouxe maçã verde, que você adora”.
Aproxima-se e me beija a testa. Beijo com respeito, que eu detesto. Ele sabe. Avisa que vai tomar um banho e me pede os jornais. “... não tive tempo de ler hoje de manhã”.
De olhos baixos, vou até a mesinha onde os coloquei. Entrego a ele.
* * *
Ela não firma o olhar no meu. Onde esteve realmente? Antes de chegar, verifiquei os armários e a geladeira. Tem abacaxi e pêssegos. Para que foi comprar mais frutas?
Talvez seja uma desculpa para encontrar alguém.
Cheguei mais cedo e ela não contava com isso. Dessa vez não fiz de propósito, apenas eu e meu sócio resolvemos almoçar juntos,comemorar as boas vendas e decidimos não voltar para a corretora.
Noto que ela treme quando faço perguntas. Está insegura. Tenho certeza de que fez algo que não devia. Acho que vou colocar alguém atrás dela. Já fiz isso outras vezes. Deu em nada.
* * *
Foi tomar banho. É um alívio sair debaixo de seus olhos.
Sempre consegue fazer com que me sinta culpada. Não sei de quê.
Não tive tempo de preparar o jantar. Vai reclamar.
Adoro cozinhar. Antes de sair, a cozinheira deixou tudo adiantado, mas sempre preparo algo diferente para nós dois. Ele gosta.
Vou ao quarto trocar de roupa, colocar alguma coisa mais confortável.
Ele já está na sala lendo os jornais.
* * *
Depois que ela colocar o vestido no cesto de roupas, pego e verifico se tem algum cheiro diferente.
Hoje não vou falar sobre a demora do jantar. Quero ver até onde vai. Vou dar corda por uns dias, ficar mansinho.
Mais cedo ou mais tarde vai se trair.
* * *
Jantamos em silêncio. No que será que ele está pensando?
Durante a sobremesa, começo a falar sobre o fim de semana. “Seu irmão convidou para irmos à praia com ele. O que acha querido?”.
Diz que até amanhã resolve. Combinou com o sócio uma reunião no sábado de manhã, vão discutir sobre um novo prédio que foi lançado no mercado.
Fico triste. Na casa do irmão ele se solta, parece mais tranquilo. Quando estamos lá, volta a ser o homem com quem casei.
* * *
Jantamos em silêncio. No que será que ela está pensando?
Pede para irmos à praia. Vou desmarcar a reunião com meu sócio, mas só respondo a ela amanhã. Não quero que tenha tempo para fazer planos.
Na casa do meu irmão fico à vontade. Nunca tem ninguém de que não goste. Foi bom este convite, estou precisando descansar.
* * *
No quarto, aproximo e beijo seu pescoço. Abraça-me com força. Sinto a pressão do seu corpo quando me cobre, noto o coração disparando, tenho um amor forte por ele. Pena as dúvidas que tem. Pena a mágoa que deixa em mim.
* * *
No quarto ela se aproxima e beija meu pescoço. Sei o que quer. O mesmo que eu.
Seu corpo quente embaixo do meu faz o coração acelerar, sinto que a amo mais do que tudo. Pena as dúvidas que tenho.
Agora não tem jeito
21/01/2017 | 18h42
Agora não tem jeito
Cândida Albernaz
- Não vem que não tem. Você foi avisado e mais de uma vez. Insistiu, cara. Insistiu.
- Fala com ele. Juro que entro nos eixos. Foi o Maneco que veio me cobrar uma dívida e não tive de onde tirar.
- Você entrou pelo cano. Não posso te ajudar, brother. Já era! E tem mais. Vou indo que não quero que me vejam conversando com você.
- Que é isso? Vai me largar na pior? Sou teu companheiro, somos como irmãos.
- Se ferrou brother. Perdeu e eu tô fora.
Tucão virou as costas e saiu correndo como se alguém o perseguisse.
Preciso pensar no que vou fazer. Talvez tenha sorte e eles aceitem me ouvir. Duvido!
Poxa! Só peguei a carteira daquela dona, porque não tinha nem para o pão. Dei também um soco na cara dela quando tentou resistir. Como podia adivinhar que era tia do Pedro Zarolho? A velha nem mora aqui. Devia ter ido para outra área, dei bobeira e agora me dei mal.
Nunca fiz nada muito sério. Não aqui dentro! Uma carteira aqui, uma tv ali, só bobagem. Mas também, o que ia fazer? Minha cara está manjada lá fora. Se os homens me pegam, não chegaria nem no xadrez. No caminho mesmo, já pagava o que devia.
Não tirei nada de importante daqui do bairro, e olhe que tenho capacidade. Fui muito respeitado no meio. Agora é que tô meio caidaço porque tinha que dar um tempo. Mas fome não dá para passar.
A mulher em casa embuchada. Meu primeiro herdeiro. Macho sim senhor. Macho como o pai que não costuma fugir de nada.
Falei com Soninha que não era hora, mas a danada me enrolou. Sabe como é, carne fraca, fui com tudo!
Não me arrependo. Era hora de ter um garoto correndo por aqui. Se bem que agora não sei como vai ser. Ela não trabalha, porque proibi. Mulher minha só sai de casa comigo.
Soninha sempre foi bonita e eu tava de olho nela fazia tempo. Não me dava a menor, até que apareci com um carrão e reformei o barraco. Foi uma fase boa. Tinha sobrando e quando consegui chegar perto dela, sabia que seria minha. Mando uma conversa que não é para qualquer um e depois, quando as garotas vêm comigo uma vez, já se amarram. O gosto do negão aqui é bom demais.
Fase ruim, essa. Mas em casa não falta nada. A mulher pede, eu arranjo. De um jeito ou de outro.
Tivemos uma discussão dia desses porque ela queria uma televisão maior. E Soninha não é fácil, quando coloca alguma coisa na cabeça, não pára de falar. E ofende também, me chamando de frouxo. Dei uns tapas e ela calou a boca, mas por pouco tempo, que não tem medo. É isso que gosto na minha garota. É atrevida. Dá o maior tesão essa valentia dela.
Chegando a casa, pego uns trapos e tento sumir por uns tempos. Vou mandar ficar com a mãe dela até tudo se acalmar.
Não gosto da velha, não. Ela não queria que a filha fosse morar comigo. Dizia que eu ainda ia acabar mal. A desgraçada rogou praga e agora tô eu aqui.
A casa escura ainda? Será que minha mulher saiu sem minha ordem? Não vou poder fazer nada por enquanto, mas deixa voltar...
Meto a mão no interruptor. Soninha está sentada no único sofá que temos. A cabeça recostada parece dormir, não fosse o fio grosso de sangue que desce de sua testa. As duas mãos abraçam a barriga. Quis proteger nosso filho.
Pedro Zarolho está em pé ao lado dela. Os outros dois com um sorrisinho idiota no meio da cara.
Não tento falar, que não adianta. Sigo os três e na rua olho para cima. Sei aonde vão me levar e não preciso dizer nada. Só rezar para que acabe rápido.
Decisão
21/01/2017 | 18h42
Decisão
Cândida Albernaz
Sentada em frente ao piano, olhou a foto na parede. Nela usava um vestido branco, com os ombros à mostra. As mãos em posição correta sobre o teclado branco e preto davam a impressão de que a qualquer momento começariam a se mover.
Lembrava-se bem dessa noite. As notas musicais fluíam de seus dedos numa melodia forte que em alguns momentos parecia sumir. Quando se levantou para agradecer, procurou por Antônio na platéia.
Ao encontrá-lo sorriu, mas ainda a tempo de ver que as mãos dele soltaram rapidamente das mãos finas da garota que estava ao lado.
Seus olhos se encheram de um líquido que escorreu pela face sem obedecer ao desejo de não demonstrar o que sentia.
Ouviu quando alguém falou que estava emocionada com a música que acabara de executar. Melhor assim.
Há algum tempo sentia que havia algo errado entre eles.
Já havia notado antes um olhar fugidio aqui, um toque ali e a urgência de estar junto conversando sobre assuntos que muitas vezes não a interessavam.
Foram comemorar o sucesso do recital num restaurante onde haviam feito uma reserva antes. A garota foi com eles, era sua irmã.
Estavam noivos nessa época e o casamento marcado para dali a três meses.
Em casa, discutiu com a irmã, chocando a mãe com as palavras que usavam. No final, depois de um tapa onde seus dedos marcavam o rosto muito branco da outra, ouviu que eles não tinham culpa, se amavam e não fora proposital. Estavam esperando o melhor momento para contar.
Trancou-se no quarto e viu o dia amanhecer. Avisou a mãe que tocaria ainda esta noite, mas que no dia seguinte faria uma viagem. Pensou em ficar na casa de uns parentes em Minas. Eles possuíam piano e não deixaria de exercitar sua música. Falou que a irmã poderia fazer o que quisesse, o noivado estava desfeito e não pretendia conversar com Antônio. Fossem felizes. Ou não.
Sua estada lá se prolongou por alguns meses. Estudava muito e fez duas apresentações.
Soube pela mãe que a irmã e o ex-noivo resolveram casar. Como ele era representante farmacêutico e viajava muito, não havia necessidade de morarem ali. Alugaram uma casa numa cidade próxima.
Durante o período em que estivera fora, recebera a visita dos pais por duas vezes, que na época, reclamaram dizendo que ela estava engordando muito. Nunca fora desleixada, e deveria continuar não sendo.
Sete meses depois, estava de volta.
Quando abraçou sua mãe, esta não se conteve e olhando a barriga proeminente que ostentava, chorou. Não havia motivo. Sentia-se feliz. Tinha agora sua própria família. Por que sua tia não me falou nada? Você já sabia quando saiu daqui... Afirmou com a cabeça e disse que precisava organizar tudo. Nasceria em um mês.
A foto ao lado da primeira mostrava uma menina com dez anos, abraçada a ela. Sorriam as duas.
Gostava de olhar aquelas fotos, uma ao lado da outra. A primeira já não trazia tristeza alguma, só nostalgia e a segunda provocava nela um sorriso aberto.
Ouviu a voz da filha chamando e levantou-se para ver o que queria.
Sua mãe não estava mais entre elas. Se fora no ano anterior. Durante o velório, foi uma das poucas vezes onde encontrou a irmã e Antônio. Tocaram-se formalmente. Esqueceu o amor da juventude, não se lembrou de perdoar a irmã. Não quis.
Apressou a filha, ou se atrasaria para sua audição. Agora possuía um empresário e fazia apresentações em muitos lugares.
Em suas viagens, a menina estava sempre com ela.
Sua vida era organizada e tranqüila. O único problema era quando a filha falava em conhecer o pai. Dissera uma vez que ele havia morrido em um acidente. Mas ela queria fotos, sobrenome, lugar onde morou.
A filha crescia e a curiosidade aumentava. De qualquer forma, não havia tempo para refletir sobre isso agora.
Conseguiu resolver sua vida, que parecia em pedaços, uma vez. O faria de novo se fosse preciso,
Pensaria em algo. Sempre fora boa em pensar.
Correndo atrás de sonhos.
21/01/2017 | 18h42
Correndo atrás de sonhos Cãndida Albernaz
Ontem à tarde, minha menina caiu de cama mais uma vez. Desde que a mãe foi embora, e isso tem seis meses, ela adoece toda semana. Nem posso cuidá-la direito. Deixo com minha mãe, que já está velha demais, mas nada reclama. Não tenho mais ninguém para pedir ajuda. Trabalho o dia inteiro, sou eletricista, e graças a Deus não me falta serviço. Não foi sempre assim. Fiquei um ano parado, sem poder trabalhar. Pressão alta, pressão baixa, parei no hospital algumas vezes. Nem sei como não parti dessa para uma outra. Acho que foram as orações de minha mãe, porque fé ela tem de sobra. O que falta mesmo são olhos para enxergar melhor e força nas pernas para andar. Não reclama de nada. Em alguns dias fica na cama com dores sem gemido, mas através dos olhos e caretas que faz quando pensa que ninguém está olhando, sei que são fortes.
Quando ela decidiu nos deixar, minha mãe chamou Arlinda para conversar. Falou sobre os filhos em idade difícil, Ruizinho com treze anos e Néli com catorze. Disse que eu não conseguiria cuidar dos dois, e que nessa idade, a filha precisa dos conselhos da mãe. Todos ali necessitavam de uma mulher-mãe por perto.
Arlinda escutou tudo bem quietinha, porque quando mãe falava, apesar de magrinha e miúda, nenhum de nós costumava retrucar. Mas não era filha, e assim que deu as costas, arrumou a bolsa, despediu dos filhos e me olhando nos olhos, disse que precisava tentar. Sua vida estava difícil e se ia para longe, era porque queria voltar logo. A irmã, que morava em São Paulo, convidou-a para que ela ajudasse a cuidar de um salão de beleza que abriu. Propôs um salário razoável e quem sabe sociedade. Quem sabe para mim, é o mesmo que nunca-vou-te-dar-sociedade-nenhuma.
Ela disse que precisava tentar, o nosso casamento estava complicado, não era essa a vida que imaginara, os filhos estavam crescidos e que enfim, seria apenas por algum tempo. Respondi que a amava, pedi que tentasse mais um pouco ao nosso lado. Prometi abrir um salão para ela no próximo ano. Riu na minha cara, não foi um riso de deboche, foi pior, riso de pena. Abaixei a cabeça, e insisti quase num sussurro que ficasse, porque não saberia viver sem ela. Colocou as mãos no meu cabelo e acariciou meu pescoço, como sabia eu gostava. Olhou-me e afirmou que voltaria. Precisava de um tempo. Ou talvez pudéssemos ir para lá e morarmos juntos. Foi a minha vez de sorrir com pena. Tristeza por todos nós, porque sabia que os sonhos, eram só dela e não meus ou dos filhos. Nossa vida estava aqui, nessa cidade pequena, com amigos de infância e família por perto. Com meu trabalho, sempre consegui que não faltasse nada, menos no ano passado, é claro. Nunca tivemos luxo ou dinheiro sobrando, mas na mesa colocava o que precisávamos.
Não deixo de compreender Arlinda. Casamos muito jovens, ela quase quinze anos a menos que eu. Logo tivemos Néli e ela ainda queria estudar fora, conhecer pessoas e crescer na vida. Eu a convenci que daria tudo o que queria e ainda mais. Estava apaixonado e tinha medo de perdê-la para seus desejos. Não adiantou. Perdi de qualquer forma.
Sei que ela vai voltar, mas já estarei amargurado e desconfiado o suficiente para ser o mesmo homem. Nem vou dizer que torço para que realize o que quer. Porque o que espero mesmo é que ela se decepcione e apareça aqui pedindo colo.
Nossos filhos sentem sua falta, e Néli que sempre possuiu a saúde frágil, vive tendo desmaios e fraqueza no corpo. Marquei médico para ela mais uma vez. Agarrada com a mãe, que só vendo. Falou outro dia que queria morar com ela. Ah, filha. Deixo não. Sua mãe não posso segurar, mas você fica comigo. Olhou-me com raiva. Virei as costas e saí. Desculpe minha Néli, mas você se parece tanto com Arlinda quando a conheci... Não vou conseguir ficar longe de sua mãe duas vezes. Olhando para você, é como se um pedaço dela ainda estivesse aqui. E depois, sei que vai se arrepender. Qualquer dia desses ela entra por essa porta e pede desculpas. Então vou levá-la para dentro e cumprir todas as promessas que não pude.
Apenas eu
21/01/2017 | 18h41
Cândida Albernaz 2-8-2010
Esperava em vão que o telefone chamasse. Não o ouviria mais. Sabia que acabara e era melhor assim. Não sentia dor ou angústia, apenas constatava o fato de que não eram necessárias despedidas ou explicações.
Encheu a banheira com água morna e despejou um pouco de sabão líquido. Sentia um perfume suave.
Entrou, sentou e em seguida mergulhou. A espuma formada cobriu-a por inteiro
A música que colocara era lenta, mas não melancólica. Fechou os olhos enquanto se tocava, buscando sentir o corpo. A mente deixara de pensar no cotidiano, concentrando-se na sensação que provocava. Conhecia cada centímetro de sua pele e o gosto de si mesma.
Pena não poder ficar ali por muito mais tempo. O dia seguinte seria de trabalho intenso. Carecia dormir.
Sentiu-se relaxada quando deitou e cobriu-se com o lençol.
Vivera sem alguém na rotina do dia a dia por muitos anos, até que numa noite qualquer, de um lugar qualquer, Artur apareceu e foi se metendo em sua vida, sem cerimônia alguma.
Talvez por isso tenha conseguido chegar tão perto de onde outros tentaram sem sucesso. O jeito simples e arrogante não deixou espaço para que criasse a distância habitual.
Quando deu por si, iam aos lugares juntos, rindo das mesmas coisas, enxergando com os mesmos olhos.
Só não permitiu quando ele tentou mudar-se para sua casa. Não suportaria dividir a privacidade conquistada, com outra pessoa. Ansiava por solidão de vez em quando. Principalmente não estar sob olhares diários, o que com certeza, com o tempo, viriam tomar satisfações por hábitos adquiridos ou atitudes tomadas.
Ele ainda insistiu algumas vezes, mas depois se conformou. No início falava em filhos, estabilidade, dizia ser um sonho formar a própria família. Sonho dele, não dela.
Ultimamente, começaram com desentendimentos por tudo e coisa nenhuma. Brigou com um colega de trabalho e discutiram quando contou o motivo e ela não lhe deu razão.
Quis viajar num momento em que ela não poderia se ausentar da firma, mas não entendeu. Pediu a ele que fosse, já que queria tanto. Não o fez e ainda ficou insinuando de como poderia ter sido bom, mas por culpa dela...
Enfim, o relacionamento não estava como antes. Costumavam se divertir, o que não ocorria mais.
Conversaram há dois dias e ele pediu um tempo para reorganizar a vida. Concordou na hora. Também necessitava refletir sobre como gostaria de estar vivendo.
Pensou que talvez fosse melhor assim. Se o telefone viesse a tocar outro dia, resolveu que não atenderia. Precisava estar consigo mesma. Queria sua solidão de paz outra vez.
Quem sabe em outra noite qualquer, em um lugar qualquer, com uma pessoa qualquer, voltasse a imaginar estar junto com alguém mais uma vez.
A única coisa que queria agora era a própria companhia, o que sabia ser o bastante.
Virou-se e ajeitou melhor o corpo entre os lençóis. O sono estava chegando.
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Candida Albernaz
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