Vamos dançar?
candida 18/09/2010 15:35
VAMOS DANÇAR?                                                                                                           Cândida Albernaz - Você não vive dizendo que adora dançar?             - E daí?             - E daí que estamos aqui há uma hora e você não sai desta cadeira.             - Pode ir, nem  ligo.             - Como assim? Vou dançar sozinho? Melhor irmos embora.             - Quero não.             - Mas, eu sim. Ontem você disse que estava louca para dançar. Viemos ao forró pra isso e  nada.             - Poxa! Não posso mudar de idéia?             - Sem explicação? Não.             - Você não vive dizendo que gosta de me ver feliz?             - E?             - Estou  felizinha  sentadinha aqui.             - Só que eu estou de saco cheio de continuar sentado. Olha lá nossos amigos. Todos colados nas garotas deles.             - Estou vendo. Inclusive a disfarçada da Lucinha. Parece que vai engolir o Fábio. Viu como ela se gruda nele?             - E o que você tem com isso?             - Isso o quê?             - Que história é essa de ficar com ciúmes do Fábio?             - E quem disse que estou com ciúmes?             - Você... reparando muito em quem gruda nele ou não.             - Eu nada. Não gosto dela.             - E posso saber por quê?             - Porque, porque...você pergunta muito!             - Deu para gaguejar agora?             - Gaga nada. Falo até muito bem.             - Estou esperando a sua explicação.             - Olha,meu amor... você me convenceu. Vamos dançar.             - Quem não quer dançar agora, sou eu.             - Ih... Começou!             - Você ainda não disse o porque da raiva da Lucinha.             - Está bem, já que deseja... pensa que não vi o jeito que  você olhou para ela quando chegou?             - Eu?!?             - Não faça essa cara de bobo.             - Então, você resolve virar o jogo contra mim!             - Sei que ela é linda. Aquele corpão... todo o mundo sabe que ela toma bomba. Olha o tamanho da bunda! E as pernas então? Ne-nhu-ma celulite!             - E o que isso tem a ver?             - Todos  ficam loucos quando ela passa.             - Ela é bonita, é verdade. Mas... louco mesmo, eu sou apenas por você.             - E não mude de assunto! Vai me dizer que vocês não ficam comentando sobre ela? Que é gostosa, isso e aquilo...             - Não tem nada disso.             - Olha lá! Acabou de dar um beijo no pescoço de Fábio. Parece uma vampira. É uma vagaba...             - E o que é que você tem com isso?             - Nada, já disse. Só não aguento ver como ela se joga para cima de todo o mundo.             - Fábio não é "todo o mundo". E, pelo que sei, não está namorando ninguém. Ela também não.             - É, ele não namora ninguém.             - Está repetindo o que falei. Por quê?             - Ai! Para com isso. Vem, vamos dançar. Adoro essa música.             - Nós vamos dançar em casa. Vou pedir a conta e avisar que aos outros que já vamos.             - Não, amor. Deu uma vontade danada de dançar agarradinha com você...             - Chega, já disse!             - Amor, me deixa sentar no seu colinho. Agora me abraça, vai. Dá um beijo daqueles?             - Por que mudou de repente?             - Mudei não, amor. É que não gosto de ver você zangado... me beija, vai...             - ...             - Adoro quando você me beija desse jeito!             - Mesmo? Então vem cá.             - ...             - Vamos para casa, vamos. Quero ficar sozinho com você. Aqui tem muita gente.             - Está bem querido. Mas antes dança só uma musiquinha comigo?             - Você quer mesmo? Tem certeza?             - Hum-hum. Quero sim. Vamos  mostrar à Lucinha e ao Fábio como é que se dança um forró.             - De novo?!?

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    Sobre o autor

    Candida Albernaz

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    Candida Albernaz escreve contos desde 2005, e com a necessidade de publicá-los nasceu o blog "Em cada canto um conto". Em 2012, iniciou com as "Frases nem tão soltas", que possuem um conceito mais pessoal. "Percebo ser infinita enquanto me tornando uma, duas ou muitas me transformo em cada personagem criado. Escrever me liberta".

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