Segundo pesquisadores da Universidade do Colorado, o consumo excessivo de frutose está diretamente ligado a desordens de comportamento, como hiperatividade, transtorno bipolar e até comportamento agressivo.
O estudo foi publicado na Evolution and Human Behavior este mês e traz informações novas nessa seara.
De acordo com artigo, os xaropes de milho, muito utilizados pela indústria de alimentos na produção de doces, refrigerantes, etc, podem ter uma relação direta com o surgimento de comportamentos alterados e mesmo aumento de agressividade.
Teoricamente o organismo dessas pessoas responderia de forma similar à centenas de milhares de ano atrás, desencadeando uma espécie de "comportamento de caça".
Decisões mais rápidas e muitas vezes impulsivas, maior agressividade e menor ponderamento foram observados em indivíduos que consomem frutose regularmente em produtos industrializados.
Obviamente são necessários novos estudos e não se exclui de forma alguma a interação com fatores genéticos, bases familiares, etc.
Pesquisadores do King's College London publicaram esta semana um novo estudo sobre a alergia ao glúten.
O artigo foi publicado em uma das principais revistas científicas do Reino Unido e sugere que a introdução precoce de glúten na alimentação infantil pode prevenir a Doença Celíaca.
O estudo necessita de novas confirmações segundo os próprios pesquisadores, mas teoricamente a oferta de alimentos contendo essa proteína estaria relacionada a taxas muito reduzidas de alergia ao Glúten.
Como trata-se de uma doença inflamatória de base autoimune, o sistema imune das crianças provavelmente aprenderia a tolerar o glúten, sem iniciar uma resposta exagerada e danosa ao próprio indivíduo.
De acordo com os dados publicados a introdução precoce de pães e massas derivadas do trigo estariam relacionadas à redução da incidência de outras doenças autoimunes, como o diabetes tipo 1.
Os resultados são polêmicos, uma vez que sugere-se que haja oferta de derivados do trigo antes mesmo dos 6 meses de vida, o que contraria todas as normas de nutrição pediátrica conhecidas.
A ciência é sujeita a revisões impactantes, que estão ligadas à forma como nos relacionamos com o mundo, seja na seara alimentar ou a nossa interação com o meio ambiente.
Na década de 60 estimulava-se abertamente a queima e devastação de áreas florestais...
Pesquisadores da Universidade de Columbia (Columbia University Irving Medical Center) publicaram um estudo onde esclarecem que existem outras alergias ao Glúten que não a Doença Celíaca.
O glúten, uma proteína presente no trigo e seus derivados, está envolvido em polêmicas desde a década de 60, onde se identificou que certas pessoas sofriam várias desordens quando consumiam pães, biscoitos e macarrões.
Os sintomas da Doença Celíaca podem variar e, vão desde quadros com poucos sintomas até diarreias, cólicas, fraqueza, desânimo, dores de cabeça, inflamações na língua (gossite) e aftas.
Contudo, recentemente tem se observado muitas pessoas que não se enquadram no diagnóstico clássico de D. Celíaca e apresentam alguns dos sintomas descritos acima.
Nesse sentido os pesquisadores analisaram os anticorpos de vários indivíduos com sensibilidade ao glúten e compararam com o padrão de pessoas celíacas. A conclusão é que pode haver dois diagnósticos nesses casos:
1) Doença Celíaca Clássica;
2) Sensibilidade ao Glúten.
No primeiro caso, o organismo elabora uma forte resposta inflamatória nos intestinos de quem consome glúten. Já na Sensibilidade ao Glúten o indivíduo gera a resposta inflamatória, mas com menos gravidade.
O sistema imune de quem apresenta Sensibilidade ao Glúten parece aprender com as primeiras vezes que a pessoa ingeriu Glúten e se adapta para não responder de forma tão exacerbada.
A intenção dos pesquisadores é compreender melhor essa resposta mais controlada e tentar induzir o sistema imune dos Celíacos a responder de forma mais amena.
As abelhas são provavelmente os insetos mais comemorados pela espécie humana.
Obviamente não pelas picadas, mas pelo tão apreciado e saboroso mel.
Mas devemos reconsiderar as picadas!
Pelo menos é o que afirma um estudo publicado recentemente na Nature Precision Oncology.
Segundo a pesquisa, um componente do veneno da abelha é uma promissora alternativa para tratar certos tipos de cânceres agressivos.
A melitina, uma molécula que causa dor quando uma abelha nos pica, tem se mostrado uma das únicas opções de tratamento para alguns tumores de mama malignos.
Os testes com a melitina se iniciaram a partir da descoberta de que a substância não está presente apenas no veneno, mas em todo o organismo da abelha, agindo como um fator de defesa contra doenças.
Pesquisadores australianos testaram extrato de veneno de Apis millifera (abelha europeia) e também de outras espécies que não contem melitina no veneno, como a mamamgaba (Bombus terrestris).
Como resultado, o veneno da abelha europeia foi capaz de matar células cancerígenas malignas com muita eficiência. O mesmo não foi observado com o veneno de outras espécies.
E o melhor: o veneno de abelha europeia não causou danos em células saudáveis próximas aos tumores.
E tem gente que ainda não entende a importância da biodiversidade...
Não é nenhuma novidade que o sono de qualidade é fundamental à nossa saúde.
Os riscos de noites de sono ruins e insuficientes vão desde estresse e ansiedade à hipertensão arterial e outras desordens cardíacas.
Mas um artigo publicado este mês no Journal of Neuroscience leva o assunto a outra esfera:
_a falta de sono faria o nosso cérebro se consumir. Isso mesmo, como que se digerindo.
Durante o sono repousante (de ondas lentas), outras células do cérebro que não os neurônios, entram em atividade e fazem uma espécie de "manutenção do sistema".
Macrófagos cerebrais (chamados de micróglias) englobam e digerem invasores e células velhas ou mortas, numa espécie de limpeza.
Outro tipo de células, os astrócitos, são capazes de refazer as sinapses nos neurônios, melhorando a transmissão entre os nervos.
Esses eventos ocorrem no sono. Mas e quando não dormimos ou dormimos pouco?
Esses processos ocorrem da mesma forma, só que com o cérebro acordado.
O grande problema é que essa limpeza em um cérebro acordado é uma bagunça e o resultado é a destruição de células saudáveis no processo.
A pesquisa foi realizada com camundongos e o grupo privado de sono apresentou atividade de "limpeza" 13,5% a mais que em camundongos com sono adequado.
Comprovou-se que essa atividade aumentada levaria à destruição de sinapses antigas de memória. Envolvidas diretamente no que aprendemos durante a vida.
Os resultados são preocupantes, pois há dados que correlacionam Alzheimer e demência com atividade aumentada dessas células de "faxina".
Pesquisadores alemães publicaram no Liver International um estudo onde sugerem fortemente, que a melhor dieta para esteatose hepática (fígado gorduroso) deve conter mais proteínas e menos calorias.
A esteatose hepática não alcoólica é a doença hepática crônica mais comum no mundo todo.
Caracteriza-se pela infiltração de gordura no tecido do fígado, aumentando em muito a chance do desenvolvimento de outras doenças hepáticas, como cirrose.
O quadro apresenta estreita relação com a obesidade, diabetes do tipo II, sedentarismo e alimentação desregrada.
Comparando várias mudanças na alimentação de portadores de esteatose hepática, os pesquisadores chegaram à conclusão, que os melhores resultados são obtidos com redução total de calorias, principalmente de carboidratos simples e gorduras saturadas.
Uma redução de cerca de 30% nas calorias e o consumo de proteínas magras em maior quantidade mostrou redução importante nos quadros de fígado gorduroso estudados.
Segundo a pesquisadora Olga Ramich, uma dieta com maior tero de proteínas aumentaria a atividade das mitocôndrias (estruturas que produzem energia nas células), levando à degradação das moléculas de gordura no fígado.
Importante lembrar que proteínas em excesso podem trazer riscos à saúde, como estresse renal e aumento de ureia no sangue (hiperuremia), altamente tóxica ao sistema nervoso.
Na terça-feira passada o governo russo anunciou com pompa e orgulho a aprovação da primeira vacina contra a COVID-19.
A velocidade na aprovação chama a atenção de todo o mundo. Principalmente da comunidade científica, uma vez que o desenvolvimento seguro de uma vacina requer inúmeros testes e ensaios clínicos.
Contudo, grupos de pesquisa da Rússia já aprimoravam a tecnologia para a Sputinik V, como foi batizada a nova vacina, há mais de 6 anos.
Cientistas do Centro Gamaleya vem desenvolvendo vacinas baseadas em vetores adenovirais desde a década de 80 na verdade.
O "desenho"ou protocolo de uma vacina é como se fosse uma receita de bolo, que pode ser utilizada para a imunização com diferentes vírus. Nesse caso contra o novo coronavírus.
Mas qual o motivo de tanta desconfiança da comunidade científica?
O desenvolvimento de uma vacina leva em média uma década.
Vacinas experimentais são inicialmente desenvolvidas em culturas de células e testadas em animais de laboratório.
Só após essa fase seriam avaliadas e devem se mostrar seguras e eficazes nos testes em pessoas.
O primeiro ensaio em seres humanos, chamado Fase 1, deve incluir dezenas a centenas de voluntários saudáveis, para que se afaste o risco de efeitos colaterais graves.
Na fase 2, já com centenas a milhares de pessoas, monitora-se os efeitos adversos, a imunidade gerada (glóbulos brancos e anticorpos) e chega-se a uma dosagem adequada.
Apenas na fase 3, com milhares de participantes, pode-se comprovar que uma vacina é realmente segura e efetiva.
Segundo a OMS, a Sputinik V estaria ainda na fase 1.
O virologista Florian Krammer, do Hospital Mount Sinai (Nova York) é enfático ao afirmar que não usaria de forma alguma a vacina russa.
Opinião comungada por Scott Gottlieb, ex-chefe do FDA, agência americana que regula medicamentos e alimentos.
Todos estamos ansiosos por uma vacina segura e eficaz, mas a precipitação pode ser desastrosa, principalmente se considerarmos todos os fatores envolvidos nessa "corrida" pró-vacina anti-COVID.
Aguardemos cenas dos próximos episódios.
Por enquanto, lave bem as mãos, use máscara e se puder evite aglomerações.
Um estudo publicado no The Lancet na última semana, traz novas informações sobre os danos que a COVID -19 promove no organismo.
De acordo com os pesquisadores, após um número significativo de autópsias em vítimas da COVID, 100% dos casos mostraram coágulos em praticamente todos os órgãos.
O processo de coagulação é fundamental para nos mantermos vivos após cortes. Mesmo os mais discretos necessitam desse aparato anti-hemorrágico, perfeito na grande maioria dos casos.
O problema é quando um ou mais coágulos caem na circulação e acabam por obstruir ou comprometer o fluxo sanguíneo.
As consequências podem ir desde infarto do miocárdio, embolia pulmonar a derrames cerebrais.
Pesquisadores brasileiros descreveram o quadro trombótico em vítimas da covid em primeira mão. Dados confirmados por cientistas na Universidade de Nova York.
Segundo a Dra Amy Rapkiewicz patologista chefe da pesquisa, os resultados foram assustadores, uma vez que esperava-se encontrar coágulos em grandes vasos sanguíneos e nos pulmões. Mas praticamente todos os órgãos se mostraram atingidos, incluindo pequenas veias e artérias.
As lesões pulmonares eram esperadas, mas os dados da pesquisa mostram que coração, rins, fígado e pâncreas podem ser lesionados de forma irreversível pelo novo coronavírus.
E por fim, uma informação que traz novas preocupações: foram encontrados vários coágulos em pessoas que tiveram a covid e se recuperaram, incluindo assintomáticos.
De acordo com um estudo publicado esta semana, aumentar proteínas na alimentação reduz o risco de morte.
O pesquisador chefe Ahmad Esmaillzadeh afirma que segundo uma revisão ampla e sistemática sobre alimentação e mortes precoces, pessoas que ingerem mais proteínas seriam menos acometidas por câncer, infarto e diabetes.
O estudo ressalta que as proteínas de origem vegetal, principalmente de leguminosas, seriam mais relevantes na proteção.
De forma diferente do que muitos pensam, as leguminosas não são os chamados "legumes", mas o grupo nutricional representado pelos feijões, lentilha, grão de bico, soja, vagem, etc.
Existem cerca de 13 mil espécies diferentes de leguminosas e o amendoim faz parte desse grupo, apesar de ser considerado uma oleaginosa, a classificação botânica aloca o amendoim no mesmo grupo dos feijões.
Além de proteínas, fibras e isoflavonóides, apresentam também vitaminas do complexo B e os minerais cálcio, ferro, fósforo, magnésio e zinco.
As fontes de proteínas de origem animal ficaram em segundo plano, principalmente pelo fato de muitas virem acompanhadas de gorduras saturadas.
Mas os pesquisadores ressaltam a qualidade das proteínas na clara dos ovos e pescados.
Um artigo publicado este mês por pesquisadores da Universidade da Califórnia, sugere que o uso de antibióticos e o consumo de gorduras na alimentação pode desencadear doenças intestinais graves.
Segundo o estudo, antibióticos associados a uma dieta típica ocidental, com maior teor de gorduras, principalmente saturadas, aumenta em muito as chances de se desenvolver inflamação intestinal.
Um dos mecanismos analisado é que as mitocôndrias, estruturas das células que produzem energia, teriam a sua função muito afetada.
Como resultado haveria uma forte inflamação na mucosa do intestino grosso. Um evento diretamente envolvido na Colite Ulcerativa, dentre outras patologias intestinais.
A inflamação também é associada ao desenvolvimento de tumores no intestino grosso.
Os sintomas iniciais incluem cólicas fortes, diarreia, sangramentos intestinais e dilatação abdominal.
Nesses tempos de pandemia, onde testa-se praticamente tudo sem orientação médica, vale lembrar para reduzir gorduras na alimentação se estiver usando antibióticos...doenças intestinais podem ser tão ou mais graves do que a COVID.