Não é nenhuma novidade que o sono de qualidade é fundamental à nossa saúde.
Os riscos de noites de sono ruins e insuficientes vão desde estresse e ansiedade à hipertensão arterial e outras desordens cardíacas.
Mas um artigo publicado este mês no Journal of Neuroscience leva o assunto a outra esfera:
_a falta de sono faria o nosso cérebro se consumir. Isso mesmo, como que se digerindo.
Durante o sono repousante (de ondas lentas), outras células do cérebro que não os neurônios, entram em atividade e fazem uma espécie de "manutenção do sistema".
Macrófagos cerebrais (chamados de micróglias) englobam e digerem invasores e células velhas ou mortas, numa espécie de limpeza.
Outro tipo de células, os astrócitos, são capazes de refazer as sinapses nos neurônios, melhorando a transmissão entre os nervos.
Esses eventos ocorrem no sono. Mas e quando não dormimos ou dormimos pouco?
Esses processos ocorrem da mesma forma, só que com o cérebro acordado.
O grande problema é que essa limpeza em um cérebro acordado é uma bagunça e o resultado é a destruição de células saudáveis no processo.
A pesquisa foi realizada com camundongos e o grupo privado de sono apresentou atividade de "limpeza" 13,5% a mais que em camundongos com sono adequado.
Comprovou-se que essa atividade aumentada levaria à destruição de sinapses antigas de memória. Envolvidas diretamente no que aprendemos durante a vida.
Os resultados são preocupantes, pois há dados que correlacionam Alzheimer e demência com atividade aumentada dessas células de "faxina".