Ambulatório LGBTQIAPN+ de Campos ainda sem previsão de funcioamento
Ingrid Silva (estagiária) 02/08/2023 12:05 - Atualizado em 02/08/2023 23:48
Divulgação
O ambulatório voltado para o público LGBTQIAPN+ de Campos, anunciado desde janeiro deste ano, ainda não saiu do papel e não há previsão definida para a implantação do projeto. A Política Nacional de Saúde Integral para a comunidade LGBTQIAPN+ foi instituída desde dezembro de 2011, mas após quase 12 anos ainda há dificuldades a serem enfrentadas em relação ao assunto. Segundo a Prefeitura de Campos, o ambulatório ainda não foi instalado pois ainda há alguns trâmites burocráticos a serem concluídos.
Sem previsão de abertura, a própria comunidade resolveu fazer uma campanha nas redes sociais para cobrar uma posição do Poder Público Municipal. A Frente LGBTQIAPN+ do Norte Fluminense foi uma das organizações que se engajou na campanha.

Integrante da Frente e professor de História, Rafael França falou sobre a necessidade do ambulatório e as consequências dessa demora. “É o direito à saúde, que ampara a todos no Brasil e, infelizmente, nossa população se vê alijada desse direito, muitas vezes por não receber esse atendimento adequado, por não ter acesso aos equipamentos de saúde e, quando tem acesso, por ter um atendimento que não é adequado e acaba não retornando, não dando prosseguimento no seu devido tratamento. Enquanto o ambulatório não é implementado, a nossa população continua sofrendo com isso, assim como com a transfobia, a homofobia e acaba não procurando o serviço de saúde quando tem necessidade. E o efeito disso é o desenvolvimento de doenças de quadros mais agravados”, conta.
Para Rafael, o ambulatório seria o espaço seguro que a população teria para se sentir confortável e não violentada. Além disso, ele ressalta que a criação desse espaço faz parte da obrigação da Prefeitura. “Lembrando que isso está na política pública de saúde, isso não é algo que a Prefeitura faria além do que tem que fazer. Na verdade, a Prefeitura não está fazendo o que tem que fazer. O não acesso à saúde, essa violência institucional que a gente sofre, é também uma forma de não respeitar a nossa população. Quando isso, mesmo enquanto lei, não é implementado, a gente também está sofrendo também mais uma forma de violência ”, explicou.
Em nota, a secretaria de Saúde informou que a implantação do ambulatório para LGBTQIAPN+ passa por trâmites burocráticos: "Esclarecemos ainda, que o local para abertura do Ambulatório deve atender algumas particularidades, como, por exemplo, fácil acesso, além de dificultar a possibilidade de violência contra essa população. Dadas essas informações, ainda estão sendo concluídos alguns trâmites burocráticos que antecedem à abertura do equipamento. Assim que esses trâmites forem finalizados, estaremos divulgando a data e local de funcionamento do Ambulatório LGBTQIAPN+”.
Escuta - No mês de junho, a deputada estadual Elika Takimoto (PT) esteve em uma roda de conversa no município para ouvir as demandas dessa população. Contando com um piquenique no Cais da Lapa, ela percebeu que a maior demanda era de saúde pública, após escutar diversos relatos.
(I.S.)

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