Dias de chuva afetam história no Museu de Campos
Nos primeiros dias do ano, o Museu Histórico de Campos, no Solar do Visconde de Araruama, já enfrentou dias de chuvas intensas que resultaram em três espaços interditados ao público. A situação do espaço, inclusive, chegou ao Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac), que no último dia 11, oficializou o governo municipal, a começar pelo prefeito Wladimir Garotinho, pelo empenho na execução de obras de reparo; reforçando, no entanto, a necessidade de autorização prévia para essas intervenções. A Prefeitura já realizou licitação para reforma, que caminha no âmbito burocrático. Na segunda-feira (22), a equipe do museu, outra vez, se desdobrou para secar as áreas afetadas por mais chuvas. Sem obra, só resta passar pano.
No dia 9, durante o pior temporal, a água da chuva entrou por janelas, calhas e até por uma placa da claraboia da Sala do Século XVIII que desprendeu e, ainda, continua sem reparo. Na ocasião, o ex-presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas, arquiteto e integrante do Grupo Amigos do Museu, Edvar de Freitas Chagas Junior, chegou a divulgar um vídeo mostrando a situação, que molhou objetos, móveis e tapetes.
Os espaços mais afetados, que já estão interditados, foram as salas do segundo piso e o auditório Maria Helena Gomes. No auditório, a questão elétrica é considerada a mais perigosa, para funcionários e visitantes. O salão dos fundos, do tribunal do júri, também precisou ser fechado. O local, inclusive, é onde se encontra o acervo que foi retirado do Museu Olavo Cardoso, que foi desativado perante a necessidade de obras.
A sala do século XVIII, espaço que conta toda a história de Benta Pereira, também precisou ser interditada. O problema é a claraboia de acrílico que se soltou com o vento, deixando entrar muita água. “Eu gosto de história, estou de passagem por Campos, na casa de parentes. Tanta história e, ao mesmo tempo, encontrar esse espaço com essas fitas alertando para o fechamento dos espaços é triste. Falaram que foi a chuva, tá feio com todo esse mofo”, disse a visitante, na sexta-feira (19).
A situação do museu tem se complicado nos últimos anos. A Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima e a Prefeitura têm ciência do problema. Uma licitação saiu no último dia 4. A expectativa é que seja realizada a reforma do telhado, devido às infiltrações do Museu que foi inaugurado no dia 29 de junho de 2012 e, de lá para cá, nunca passou por grande manutenção, só pequenos reparos. No ano passado, para comemorar o aniversário do Museu, o Grupo Amigos do Museu fez uma campanha e arrecadou tintas, a Fundação cuidou do serviço.
Após o primeiro incidente com a tempestade, em nota, a Prefeitura informou que a reforma da parte estrutural do imóvel que abriga o Museu Histórico de Campos, sob a administração da Prefeitura, por meio da Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima (FCJOL), teve sua licitação, na última semana, aguardado, como próxima etapa, sua homologação, para que as obras tenham início nas próximas semanas. “Vale destacar que, em 2021, o referido imóvel recebeu intervenções emergenciais, em seu telhado, evitando danos maiores. A chuva desta tarde, fora do previsto, atingiu todo o município e, prontamente, a equipe do Museu afastou peças de locais que estão com goteiras”.
Posteriormente, após ofício do Inepac, a Folha encaminhou nova demanda ao município, mas não obteve resposta. No Museu, nenhuma intervenção ainda ocorreu no local e no trabalho. Nesta segunda, a movimentação foi para secar os espaços em que a água entrou novamente; uma espécie de primeiros socorros do espaço histórico.