Cinema - Rumo ao fim
Felipe Fernandes - Atualizado em 26/07/2023 10:35
Divulgação
Baseado em uma famosa série de TV dos anos 1960, “Missão Impossível” chegou aos cinemas em 1996, como um filme focado na espionagem. Comandada por Brian De Palma, a obra trabalhou dinâmicas em que nada é o que parece ser, com uma mistura de traições e reviravoltas, tornando-se um dos grandes filmes do gênero na década de 1990.
Dando prosseguimento à franquia, o astro Tom Cruise e os produtores resolveram convidar um diretor diferente para cada filme, gerando longas sem aparente ligação entre si e que se destacariam por diferentes estilos, ainda que seja notória uma certa continuidade.
A partir do quinto longa, o diretor Christopher McQuarrie assumiu a direção em definitivo, construindo uma cronologia mais fechada, que parece caminhar para o final da franquia. Eis que “Missão Impossível” chega ao seu sétimo filme, um longa que funciona como a primeira parte de uma história maior, que revisita vários momentos da franquia e busca inovar, se mantendo atual e sem deixar de lado tudo o que foi construído até aqui.
O longa abre com uma introdução interessante ao revelar o poder destrutivo da ameaça do longa, uma ameaça diferente, que dialoga bastante com os tempos atuais. Essa introdução gera uma situação que em poucos minutos já torna Ethan Hunt um homem perseguido pelo mundo todo. Tudo isso antes da cena-crédito.
O filme tem esse ritmo acelerado, uma característica recorrente da franquia, que mistura elaboradas e por vezes complexas cenas de ação com algum fiapo de história. O filme também busca resgatar elementos do passado de Hunt, antes da IMF, um ponto ainda inexplorado pela franquia. Mas, o que parece interessante é usado como muleta para fortalecer um dos piores vilões da franquia e criar uma ponte com a nova personagem, que tem, em sua pouca história, algumas similaridades com Hunt.
O filme faz várias referências ao primeiro longa. Seja no retorno de personagens, no uso do plano holandês ou mesmo na sua dinâmica, em que Hunt e sua equipe precisam conseguir dois elementos de um mesmo objeto em função de resolver uma situação.
Desde a entrada de McQuarrie, a franquia vem reforçando sua continuidade, o que acaba misturando cada vez mais personagens a cada novo filme. Aqui, esse excesso atrapalha um pouco a trama e não permite um desenvolvimento em praticamente nenhuma das relações.
A introdução da ladra Grace acaba sendo usada para introduzir diversos conceitos e ideias recorrentes na franquia, o que acaba tornando alguns diálogos repetitivos e cansativos. Sua similaridade com o passado de Hunt fica em segundo plano, em uma estratégia que parece querer trabalhar a personagem como uma futura sucessora do protagonista.
Trazer uma Inteligência artificial como grande vilã apresenta uma temática atual e propõe uma dinâmica diferente, já que se trata de uma vilã onipresente, que força Hunt e sua equipe a fugir da tecnologia, precisando fazer uso de ferramentas e procedimentos antigos e ultrapassados. Uma discussão abordada em “Top Gun: Maverick”, que, coincidentemente (ou não), retorna aqui como um dos temas centrais.
Porém, o longa precisa da personificação de um vilão, e o personagem Gabriel é uma das piores adições da franquia. Os realizadores até buscam reforçar sua importância e seu grau de risco ao criar um questão mal resolvida (e mal explicada) com o passado de Hunt, reforçando tudo o que aconteceu anteriormente em uma ação repetida e controversa. Isso não funciona dramaticamente, já que o filme não permite aos personagens lidar com as consequências.
Mesmo funcionando como a primeira parte de uma história, o filme consegue construir um ponto de encerramento satisfatório, sem deixar aquela sensação de obra inacabada. Buscando inovar em sua ameaça e referenciando o primeiro longa, a franquia “Missão Impossível” parece trilhar para seu final. A parte dois de “Missão Impossível - Acerto de contas” deve não só encerrar a história, como revelar mais do passado do seu protagonista, costurando passado e futuro em um desfecho merecido para uma das maiores franquias de ação da história do cinema.

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