A saída consensual do presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar (agora no União), pode fazer com o que partido da família Bolsonaro tenha mais clareza sobre como será sua atuação nas eleições municipais de 2024. Na capital, o PL já dá como quase certo que terá cabeça de chapa, com empenho pessoal do senador Flávio Bolsonaro no Rio para contribuir na consolidação do partido como a maior legenda de direita da América Latina. No entanto, não se descarta parcerias futuras para desgastar o adversário Eduardo Paes (PSD) no primeiro turno, para ter um candidato apoiado por todos no segundo, como mostrou em sua coluna a jornalista do Extra Berenice Seara.
Se há empenho na capital, outras cidades do Grande Rio e do interior estão no radar do PL, que projeta realizar pesquisas para testar os nomes, por exemplo, em Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Petrópolis, Teresópolis, Magé, Cabo Frio, Volta Redonda, Barra Mansa, Maricá, Araruama e Mangaratiba. Não é de se estranhar que Campos não esteja na rota, por já ser pacificado o apoio da sigla à reeleição do prefeito Wladimir Garotinho (PP). Em maio deste ano, quando esteve em Brasília, Wladimir se reuniu com o deputado federal e presidente do PL no Rio, Altineu Côrtes. Na ocasião, uma reunião da cúpula do partido, que contou com o governador Cláudio Castro (PL), definiu o apoio da legenda a Wladimir em 2024.
O nome de Wladimir foi aceito por unanimidade entre os presentes, que, na ocasião, segundo noticiou também Berenice Seara, “rasgaram elogios à atuação e condução política do prefeito no Norte Fluminense”. O PL, no qual se elegeram o governador Cláudio Castro e o presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, passa por um processo de reestruturação, marcado mais recentemente pela saída de Bacellar. Desde a eleição à presidência da Assembleia, um racha da sigla, que chegou a lançar dois candidatos, colocava em xeque a permanência de Rodrigo no partido. Prestes a assumir a presidência do União, Bacellar já tinha planos diferentes do PL a 2024.
Uma das lideranças do PL em Campos, o ex-vereador e ex-deputado federal pelo partido Marcão Gomes reafirmou que a orientação que tem dos diretórios nacional e estadual é que o PL irá compor a aliança de apoio à reeleição do Wladimir. Segundo ele, a nominata à Câmara estará sendo construída com o prefeito, “buscando o equilíbrio de forças dentro do leque de pré-candidaturas de apoio ao governo e ocupação de espaços no legislativo campista”, disse Marcão Gomes, que se coloca como pré-candidato do partido, presidido pelo seu irmão Carlos Eduardo, “ao Legislativo e em apoio ao Wladimir em sua reeleição”.
Com Rodrigo Bacellar no União e como um dos protagonistas na pacificação costurada pelo governador Cláudio Castro com Wladimir, fica a incerteza se o presidente da Alerj sustentará um enfrentamento direto com o prefeito nas urnas em 2024. Diferentemente na capital, por exemplo, onde a chegada oficial de Rodrigo à legenda já é encarada como suficiente para lançar uma possível candidatura do deputado estadual Rodrigo Amorim a prefeito do Rio em 2024, como publicou nessa quarta-feira (26) a colunista Berenice Seara. “O partido já vai botar uma pesquisa na rua para saber o que o eleitor acha disso”.
Não é de hoje que o deputado estadual Thiago Rangel, eleito pelo Podemos e hoje sem partido, tem seu nome especulado ao União Brasil. Agora, com Bacellar no partido, o próprio Thiago garante que as chances de ele também entrar na sigla se tornam maiores. “Estamos conversando ainda, mas não tem uma definição. Tem possibilidade de ir para o União”, disse Rangel, que ao ser questionado se a ida oficial de Rodrigo Bacellar aumenta essa chance, respondeu: “Não tenha dúvidas! Rodrigo se tornou umas das maiores lideranças do estado. Tenho muito orgulho dele na condução política”, completou.
O deputado, que segue apontado como prefeitável a Campos em 2024, sabe que a escolha do seu novo partido pode ser decisiva à sustentação de uma possível candidatura. Thiago, como falou ao Blog Opiniões do jornalista Aluysio Abreu Barbosa, afirma que mantém seu “nome à disposição do povo e da cidade”. Agora, ao ser questionado se seria um atrativo a mais ao União a possibilidade de o partido decidir pelo seu nome a prefeitável em Campos, Rangel foi categórico: “Não tenha dúvidas”. A concretização da nova casa pode até não demorar muito, diferentemente da conjuntura que pode fazer dele possível candidato para Campos pelo partido.
Antes mesmo de o União passar pela nova reformulação no Rio de Janeiro, o deputado já havia sido convidado pelo então presidente do partido no estado, o prefeito de Belford Roxo, Wagner Carneiro, o Waguinho. Convite que foi estendido depois ao Republicanos, nova sigla presidida por Waguinho, mas que acabou desandando após conversa do prefeito de Campos, Wladimir Garotinho, com o prefeito de Belford Roxo. Waguinho chegou a dizer que Thiago tinha “desistido de disputar a eleição (a prefeito) de Campos”.